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A não mudar nunca de opinião podemos chamar de teimosia. Mudar de opinião com conhecimento de causa é a ação de alguém dotado de inteligência. (Jane Austen)

Armações do Destino - Capítulo 7

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_ Lizzy, você esta bem?
 
_ Me esforçando Charlotte. Hoje foi uma noite única, infelizmente temo que jamais a esquecerei. _ respondeu com um ar vazio.
 
_ Quer ir embora?
 
_ Não. Preciso de uma overdose de cansaço físico, senão não vou conseguir dormir.
 
_ Então venha. Vamos para onde esta a animação. _ foram em direção à pista de dança.

 
Depois da conversa, não viu mais William, dançou a noite toda, querendo fatigar o corpo, sua mente revivia os últimos acontecimentos, e a cada vez, novos sentimentos se formavam em seu íntimo, até que vencida pelo cansaço foi embora.

 
***

 
Quando chegou em casa era de manhã. Jane a estava esperando sem dizerem uma palavra abraçaram-se. Jane sabia que Elizabeth não diria nada naquele momento, ajudou-a a tirar sua roupa e maquiagem. A esperou tomar banho e a colocou para dormir, cantarolando uma canção.
 
Elizabeth estava mais calma, estava em casa, rodeada das coisas que lhe eram caras ao coração e de amor. Dormiu, por um longo tempo não teve consciência de si mesma, até que sonhou com os momentos em que ocorreram os três beijos, os sentimentos que os envolveram até o momento em que ele pediu:
 
“Fica comigo esta noite?”
 
_ NÃO! _ acordou assustada, Jane entrou correndo.
 
_ Lizzy, o que aconteceu? _ abraçou a irmã.
 
Elizabeth chorou, chorou, toda a frustração contida veio em prantos, finalmente, era preciso chorar, era preciso esvaziar-se daqueles sentimentos tristes, era preciso passar pelo doloroso processo de luto. No início, seu pranto era desesperado, mas devagar foi acalmando-se, começara a se sentir mais leve, as lágrimas ainda teimavam em cair, foi como se William escorre-se para fora de si com as lágrimas, vendo que a irmã estava mais calma Jane perguntou:
 
_ Quer conversar agora?
 
_ Sim Jane. _ respondeu num tom triste, Elizabeth contou tudo o que havia acontecido, até a conversa com William depois.
 
_ Oh Jane! Como ele pode fazer isso? Dessa maneira tão fria? Não há razão para isso?
 
_ Querida, talvez ele tenha ficado magoado com a aposta. A culpa foi minha, não deveria ter comentado com Charles, mas falei brincando, não achei que ele interpretaria de forma errada, também não achei que Charles contaria. Tenho certeza que não foi por mal.
 
_ Oh Jane! Não se preocupe. Sei que não fez nada por mal, eu mesma teria contado se tivesse tido oportunidade para isso. Mas não vê, isso foi somente uma desculpa, tem algo por trás disso, acho que tem haver com nossa família ou algo relacionado, não entendo ainda o que possa ser.
 
_ Mas, por que acha isso?
 
_ Não se lembra da expressão dele lá em casa na noite de Natal, como ele ficou deslocado, parecia querer correr de lá.
 
_ Lizzy, esta exagerando.
 
_ Não sei. O motivo da aposta é muito fraco para ter agido daquela forma. William não é tão leviano assim. Embora, qualquer que seja o motivo, não justifica a maneira tão cruel com que me tratou.
 
_ Vou tentar descobrir com Charles.
 
_ Não Jane. Não quero saber. Isso não importa mais. Certamente não nos falaremos novamente. _ Jane a olhou com pesar _ Querendo ou não, apesar de nossa relação ter sido tão rápida e não nos conhecermos bem, jamais esperaria que ele me tratasse com essa falta de respeito, achei que sentia algo por mim, mesmo que não fosse tão forte, mas deveria ser o mínimo para William se importar um pouco que fosse, com os meus sentimentos. Ele quis que eu o odiasse, não posso pensar de outra maneira.
 
_ Lizzy, ninguém pode ser tão cruel.
 
_ Pode sim Jane. Mas vou decepcioná-lo, a não ser o desprezo que sinto agora, não sentirei mais nenhum tipo de sentimento por ele, não vou odiá-lo. _ deu um sorriso triste _ Pronto, considero que chorei tudo o que podia e este assunto esta esgotado. A única solução é virar a página da vida e pensar em coisas alegres e já que decidi que não o quero mais, vamos deixar para lá. _ levantando-se de supetão, ligou o aparelho de som, aumentou o volume.
 
Libere a mente, hoje tem baile!!!*
Libere a mente, hoje tem baile!!!
Libere a mente, hoje tem baile!!!
Libere a mente, hoje tem baile!!!
 
* Jota Quest _ Libere a Mente
 
_ Vamos cantar Jane. A vida é bela! _ exclamou Elizabeth, cantando junto com a música, Jane apenas sorria.
 
Alô alô, testando 1,2 1,2
Jota Quest!
E no país da CPI vem ai teste pra liberar a mente

E aí? Deixe o sentimento fluir
Isola o que não serve
Não perde tempo com o que não procede
Libera antes que seja tarde
Antes que o gatilho do tempo dispare
Vem pro baile, jogue as mãos pro ar
Tire o poder do mal pra alegria reinar
Será que dá pra mudar?
Sei lá.. amanhã eu vejo isso...
 
_ Sabe o que eu vou fazer? _ perguntou dançando e cantando.
 
Eu só levo da vida o que eu vivo
Eu vivo da vida que eu levo
Eu só levo da vida o que eu vivo
Eu vivo da vida que eu levo
 
_ Não. _ respondeu Jane atenta.
 
Amo meu Brasil, mas hoje tem baile
Sinceramente, libero a mente
É tudo.. tudo o que eu quero!!!
 
_ Vou tomar um bom banho.
 
Libere a mente, hoje tem baile!!!
Libere a mente, hoje tem baile!!!
Libere a mente, hoje tem baile!!!
Libere a mente, hoje tem baile!!!
 
_ Colocar uma roupa linda.
 
Levo da minha vida o que eu vivo
Modernamente sem risco
Vivo da vida louca que eu levo
E os meus parceiros por perto
Levo da minha vida o que eu vivo
Eu libero a mente e sobrevivo
Vivo na vida louca, Rogério
São meus parceiros por perto
 
_ Ligar para os nossos tios Gardiner.
 
Eu só levo da vida o que vivo
Consciente, pensamento moderno
Vou pro baile liberar os sentidos
Dessa doida vida louca que eu levo
Vai, Evandro!
 
_ E ir para Ubatuba**, passar o Reveillon com eles.
 
 
Vou com a turma de sempre
Como antigamente
Tênis velho, desarmado, livre
E vivendo honestamente
 
_ O mar me fará muito bem, como sempre.
 
Libere a mente, hoje tem baile!!! (jogue as mãos pro ar)
Libere a mente, hoje tem baile!!! (pra alegria reinar)
Libere a mente, hoje tem baile!!! (demorô)
Libere a mente, hoje tem baile!!!
 
_ Já que minha Jane, estará com o seu maravilhoso Charles em outro local. _ foi em direção ao banheiro _ Ah! _ lembrou-se _ A irmã de Charles é intragável, mas tenho certeza de que você gostou dela, como sempre. _ riu e deu a Jane uma piscadinha, Jane apenas sorriu com um ar maternal.
 
 
 
***
 
 
No final da tarde Lizzy chegou em Ubatuba, à casa dos tios ficava na Praia do Félix***, assim que chegou foi ver o mar, isso sempre fazia bem ao seu espírito, seus tios e seus primos, duas meninas de 6 e 8 anos e dois meninos menores, como sempre eram as companhias mais agradáveis do mundo e apesar de não ser a prima predileta para os primos, pois esta posição era ocupada por Jane, Elizabeth adorava brincar com eles. Seu tio Gardiner era o irmão mais novo de sua mãe, mas em nada se parecia com ela, possuíam temperamentos totalmente diferentes, seu tio era um perfeito cavalheiro. A tia muito mais nova que sua mãe, era muito ligada a Eliza e Jane, era como uma confidente, e com um simples olhar percebeu que Lizzy não estava tão bem quanto demonstrava. A noite quando todos os pequenos estavam dormindo a Sra. Gardiner juntou-se a Elizabeth na varanda, esta olhava o reflexo da Lua sobre o mar.
 
 
_ Então, quando vai me contar o que esta acontecendo?
 
_ Acontecendo?
 
_ Lizzy, tenho imenso prazer em tê-la conosco, e sei o quanto nos ama, mas também sei que sua vinda para cá, tem outro motivo não só o de ficar em nossa companhia na passagem do ano.
 
Elizabeth a olhou por um momento, tentando encontrar as palavras, apesar de querer explicar o que estava acontecendo, porém no momento não queria reviver os sentimentos da noite anterior, estava sendo forte, queria tirar logo esse assunto da sua mente, a Sra. Gardiner continuou a encarando esperando pela resposta.
 
_ Eu ... eu ... eu. _ disse gaguejando, não conseguia achar as palavras – Eu encontrei o amor. _ disse por fim.
 
_ Lizzy, que notícia maravilhosa. _ exclamou com um sincero sorriso.
 
_ Porém, ele foi mais rápido e fugiu de mim. _ terminou com um sorriso.
 
_ Como? _ perguntou a Sra. Gardiner confusa.
 
_ Bem, foi muito rápido, não sei explicar como. _ disse em tom de gozação.
 
_ Lizzy, fale sério comigo.
 
_ Minha tia querida, tudo ainda esta muito ressente, estou com dificuldade para detalhar este assunto, mas prometo daqui a algumas semanas, o que aconteceu não me incomodará e sentaremos para darmos boas risadas, por hora, somente posso dizer, que conheci uma pessoa, a quem eu realmente doei, ou pelo menos tentei, doar meu coração, certa de que estava sendo correspondida, porém esta pessoa “me deu um fora”, mostrando-me que meu julgamento, é ainda muito falho com relação ao caráter de uma pessoa.
 
_ Lizzy, meu bem. _ disse com pesar, a abraçando _ Vou respeitar o seu momento, quando estiver pronta, estarei disposta a te ouvir.
 
_ Eu sei que posso contar com a senhora. Mas, não me olhe assim, não se preocupe, já chorei muito por isso, sinto que não tenho mais lágrimas e Jane me ajudou, verteu algumas lágrimas por mim. _ riu.
 
A Sra. Gardiner, não se convenceu de que Lizzy estava bem, porém sabia o quanto a sobrinha era obstinada, quando queria algo, e neste momento, ela só queria esquecer. Os dias em que Elizabeth passou ao lado dos tios, a ajudou a por de lado toda aquela estória, que agora mais parecia um pesadelo, sonhado a um longo tempo. Decidiu por fim, permanecer na empresa, mas por pouco tempo, sua cabeça estava a mil com novos planos profissionais, isso a manteria afastada de qualquer outro tipo de pensamento.
 

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