Elizabeth chegou em casa por volta das 16h00, foi até o seu quarto, Jane ainda estava trabalhando, viu o seu vestido preto pendurado na porta do guarda-roupas, ao lado havia outro, também preto, mas muito mais bonito e elegante, com um bilhete de Jane.
‘Para você brilhar. Jane’
_Hum! Não é má idéia. _ disse para si, olhou o relógio, tinha muito tempo, resolveu fazer algo que não fazia há muito, ir ao salão de cabeleireiro e fazer tudo o que tinha direito, até maquiagem.
***
Lizzy e Charlotte pararam em frente ao Buffet.
_ Uau! Que lugar lindo! _ exclamou Charlotte.
_ Realmente! _ exclamou Lizzy admirada, encontraram alguns conhecidos, permaneceram conversando, aguardando para entrarem.
_ Elizabeth!
_ Fred! _ sorriu.
_ Mulher, você esta D I V I N A. _ disse em tom alto _ Vou ter que te divinificar, a partir de hoje você é Afrodite*.
· Mitologia Grega – Afrodite deusa da beleza e do amor.
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_ Pare com isso, estão todos olhando. _ sussurrou encabulada.
_ Estão todos de queixos caídos. Menina se eu fosse louco, te levava para casa, mas ainda bem que estou em pleno uso das minhas faculdades mentais. _ todos riram.
_ Ai! Lá vem o chato. _ disse Elizabeth sem prazer _ Sorria Charlotte.
_ Collins, como vai?
_ Muito melhor agora, diante de tão bela visão.
_ Ah! _ deu-lhe um sorriso sem graça _ Conhece Charlotte, minha amiga?
_ É um prazer conhecer uma amiga de minha estimada prima.
_ Céus! De onde saiu isso? _ exclamou Fred, com uma careta para Collins, por um instante havia se virado e não vira Collins aproximar-se _ Sr. Collins, acho que sua magnânima chefinha já chegou, ali daquele lado.
_ Será ?? Com licença, vou averiguar. _ e com um profundo olhar para Elizabeth se retirou.
_ Minha querida, isso foi um erro sério da genética! _ disse Fred em tom de zombaria.
_ Talvez. _ disse Lizzy, todos riram.
_ Veja, só . Mas que jóia linda. Aposto que foi presente do seu bofe.
_ Foi. _ sorriu.
_ Hum. Pelo aspecto tem uma foto aí dele. Deixa-me ver mulher?
Lizzy abriu.
_ ApoZeus! _ exclamou Fred.
_ Onde? _ olhou Lizzy ao redor _ Ainda não o conheço. Quem é? _ com feição de interrogação.
_ Estou pasmo. _ disse incrédulo.
_ Com o quê? _ perguntou Lizzy sem entender.
_ Não sabe quem ele é?
_ Não. Ainda não o vi nem de relance.
Fred não estava acreditando, ou ela estava zombando dele ou o Sr. Darcy tinha um irmão gêmeo.
_ Esta me zombando, Lizzy? _ perguntou sério.
_ Claro que não. Mas me diga qual deles é? _ olhou ao redor.
_ É ... já se foi. Depois eu te mostro.
_Que pena! E então? Ainda não disse o que achou do meu “bofe”.
_ Lindo. Um deus para uma deusa. Afrodite! Esta noite promete. Vou ficar de olho em você a noite inteirinha. Algo me diz que você vai precisar de mim.
_ Espero que não. _ riu _ ‘Ele esta doidinho esta noite’ _ pensou.
***
Finalmente entraram. O salão era imenso, divididas em dois ambientes, as pistas de dança eram de dar inveja a qualquer boate da cidade, o lugar era muito bonito, as pessoas ainda chegavam, mas já estava cheio. Fred apresentou Lizzy para algumas pessoas, principalmente de outras unidades, mas ela estava interessada em saber quem eram os diretores.
As mesas estavam dispostas nas laterais, os lugares estavam marcados, ao longe se via em destaque os lugares que seriam ocupados pelo corpo executivo da empresa e pelos familiares dos donos. Pela quantidade de pessoas, Elizabeth se deu conta da enormidade da empresa que agora fazia parte, na mesa em que estava, haviam gerentes, coordenadores e supervisores de todos os lugares do Brasil, Porto Alegre, Minas Gerais, Salvador, Pernambuco, todos pareciam muito satisfeitos de estarem ali.
Charlotte a puxou para darem uma volta pelo salão, do outro lado, havia somente a pista de dança, a música começava a tocar e algumas pessoas se movimentavam para dançar, havia também um terraço com algumas mesas, a noite estava convidativa, mas o movimento dentro estava mais interessante. Por isso, poucas pessoas estavam do lado de fora. De repente, Lizzy viu um rosto familiar.
_ Charles !?! _ exclamou espantada.
_ Lizzy!?! _ exclamou Charles surpreso _ Então, você trabalha conosco? _ riu _ Mas o destino prega cada peça.
_ Em que setor você trabalha?
_ Sou o Diretor de Novos Negócios.
_ Não acredito. _ disse incrédula _ Então você é o irmão de Caroline?
_ Sou. Não é um espanto? _ riu.
_ Inacreditável.
_ William não me contou que você trabalhava aqui.
_ Não conversávamos sobre trabalho.
_ Venha! _ pegou-a pela mão _ Tem alguém que vai adorar te ver.
_ Quem?
_ Surpresa. _ levou-a para o lado das mesas reservadas aos donos da empresa.
_ Elizabeth!
_ Sra. Austen. Como vai?
_ Vou bem. Conhece o Sr. Bingley? _ perguntou olhando para as mãos dadas dos dois.
_ Vou bem. Conhece o Sr. Bingley? _ perguntou olhando para as mãos dadas dos dois.
_ Sim, ele é namorado de minha irmã.
_ Não é uma coincidência? Não sabíamos que estávamos na mesma empresa. _ disse Charles com um sorriso.
_ Elizabeth vou te apresentar ao Sr. Darcy. _ disse a Sra. Austen.
_ Espere ... _ disse Charles, mas a Sra Austen pegando a outra mão de Elizabeth a conduziu.
_ Sr. Darcy! _ ele se virou _ Esta é a nova colaboradora do RH, Srta. Elizabeth Bennet. _ seus olhares se encontraram.
Elizabeth parou incrédula _ ‘William’ _ pensou, abriu um sorriso largo, o mundo todo havia parado de girar, mas de repente tudo correu mais rápido, ele não só, não correspondeu ao seu sorriso, como a cumprimentou como se nunca tivessem se visto antes.
_ Prazer, senhorita. _ disse com ar frio, sem nenhuma expressão no olhar.
_ Prazer. _ respondeu automático e tocou uma mão gelada, a Sra. Austen, continuou conversando com ele sobre ela, mas Elizabeth não ouviu nada do que diziam, sentia-se perdida, até que percebeu William olhando a jóia que havia lhe dado, se sentiu mal por está-la usando, sentiu como se a jóia queimasse no seu pescoço, em meio aos seus pensamentos confusos, exclamou alto:
_ A nuvem negra! A tempestade!
_ O que disse querida? _ perguntou a Sra. Austen.
_ Oh, desculpe senhora, preciso procurar uma pessoa. Com licença. _ olhou para William com indiferença.
_ Lizzy! _ exclamou Charles consternado.
_ Me desculpe Charles, preciso me refazer do susto. Perdi alguém muito querido hoje. _ saiu em direção ao banheiro.
_‘Não chore Lizzy! Não chore, não aqui, não agora!’ _ disse a si mesma, respirou fundo _ ‘Canalha, como pode me tratar como se eu não fosse ninguém, como se não tivesse importância. Mas eu vou me vingar.’ _ olhou-se no espelho _ ‘Não! Não vou ter esses pensamentos. Ele não merece que eu gaste meu tempo pensando nele, nem que seja de uma forma ruim.’ _ continuou olhando-se, estava péssima, viu a jóia, tirou e a guardou na bolsa, viu o celular, agora entendeu a sua intuição de trazê-lo consigo _ ‘Vou arrumar um jeito de devolver essas coisas. Estou perdendo tempo aqui, ele vai se sentir muito bem se souber que fiquei no banheiro durante a festa.’ _ recompondo-se _ ‘Sou Afrodite, não sou?’ _ riu, suas forças voltaram, saiu do banheiro.
_ Lizzy!
_ Fred!
_ Estava quase entrando no banheiro.
_ Agora entendo, Fred. Você sabia.
_ Desculpe, meu bem. Quando percebi que você não fazia idéia, não soube o que dizer.
_ Tudo bem. Vou precisar mesmo de você.
_ O que quer?
_ Me divertir e muito. _ sorriu.
_ Ok. _ disse com um ar pensativo _ Bem, Afrodite, vamos nos esquentar na outra pista. _ saíram.
***
Enquanto isso, Charles aguardava a Sra Austen terminar a conversa com Darcy, em seguida:
_ O que foi isso William?
_ Isso o quê?
_ Essa maneira fria com que cumprimentou Lizzy. Não a reconheceu? Esta doido? Ela passou estes últimos dias, preocupada com você e é assim que a trata? _ disse reprovador.
_ Tenho meus motivos, Charles.
_ Eu sei que você tem seus motivos, mas essa não é a maneira mais educada de se dar um fora numa garota. Por que fingiu que nem a conhecia?
_ Por favor, Charles. Não questione minhas atitudes e nem meus motivos. O que esta feito, esta feito.
_ Desculpe, sei que você é justo, mas isso foi cruel. Elizabeth é uma pessoa forte, mas você foi muito duro com ela. Antes de sair ela me disse que esta noite perdeu alguém muito querido. Talvez, você tenha magoado a única pessoa que te faria feliz. Talvez ela não lhe dê outra oportunidade. Elizabeth estava te fazendo tão bem, não consigo entender.
_ Charles, não quero mais falar sobre isso.
_ Tudo bem, mas tente ao menos se desculpar, pela maneira como a tratou. _ retirou-se a procura de Elizabeth.
Do outro lado do salão Caroline observava tudo.
***
_ Lizzy, me desculpe ...
_ Charles, não se desculpe pelo seu amigo. E não se preocupe comigo. Estamos numa festa e eu quero me divertir, depois em casa vou pensar se devo ou não entrar em alguns minutos em luto. Afinal, não sei se realmente perdi algo, acho mesmo que não tinha nada. Venha dance comigo, Jane vai adorar saber que fiquei de olho em você para ela. _ riram.
Elizabeth dançou com todos os que a tiravam para dançar e quando não a tiravam também, sentia que William a observava, não olhou para ele nenhuma só vez, depois de algum tempo, quando todos estavam muito ocupados dançando, virou-se em direção a ele, seus olhares se encontraram. Lizzy se levantou e foi em direção ao terraço, por sorte não havia mais ninguém ali, foi até a sacada e olhou a vista da cidade, depois de alguns minutos.
_ Srta Bennet.
_ Sr. Darcy. _ Elizabeth o encarou, seu olhar estava gélido.
_ Gostaria de me desc ... _ Elizabeth o interrompeu.
_ É tarde para isso. O que esta feito, esta feito. _ disse o encarando mais _ Não há nada que desculpe a crueldade. Mas eu te agradeço pela lição, você foi o único até agora, capaz de me levar ao céu e ao inferno, num período de tempo tão curto, sei que isso vai ser de grande utilidade em minha vida.
_ Tenho motivos para isso, mas aqui não é o lugar para falarmos sobre isso.
_ Todos temos motivos. Mas não quero ouvi-los, nem aqui, nem em lugar algum.
_ Quer que eu me sinta mal. _ afirmou.
_ Não quero nada de você, muito menos algum tipo de sentimento.
_ Ora, não me venha com isso, sei que fui só uma aposta para você.
_ Aposta? _ perguntou confusa.
_ Charles, me contou.
_ Ah! _ sorriu cínica _ Você não compreendeu a natureza da aposta, não é? Eu fui à aposta e não você. O que estava valendo era o meu coração, eu deveria me apaixonar. Eu deveria _ fez uma pausa, aproximou-se dele, abaixando o tom da voz _ Sabe o que aconteceu? Eu deixei o meu coração escolher. Eu que sempre me gabei de usar a minha razão, deixei os meus sentimentos me dominarem e o que aconteceu? Eles escolheram amar você. _ os dois ouviram como um choque às últimas palavras, Lizzy fraquejou e deixou transparecer os sentimentos contidos naquelas palavras.
_ Lizzy. _ disse William com ternura na voz.
_ Srta Bennet. _ disse altiva _ Algo me diz que esse não foi o motivo, mas isso não importa. Nem que eu esgote, todas as minhas forças, não deixarei que você entre novamente no meu coração, nem que eu ou você queira. O William que eu conheci morreu. Você é somente um esboço dele, do mesmo jeito para você eu morri. _ ouviram passos, olharam em direção a porta, Caroline apareceu.
_ William, ai esta você. Estamos te procurando. Venha esta perdendo seu tempo aqui.
_ Caroline, nos dê licença, por favor. _ exclamou William imperativo.
_ Claro. _ com um meio sorriso se afastou.
_ Ela tem razão, esta perdendo o seu tempo. _ Elizabeth afastou-se de uma das mesas, deixando que ele visse a jóia e o celular _ Estou devolvendo os presentes que me deu, não tem mais valor para mim, mas para você tem valor material. E não se preocupe, logo sairei da sua empresa.
_ Por favor, Srta. Bennet, não peça demissão por isso, somos profissionais, estas questões não devem interferir.
_ Talvez. Mas, ainda não sei o que vou fazer sobre isso, adeus. _ saiu.
William continuou onde estava, olhando a paisagem que na verdade não via, as palavras dela no pensamento ‘... eles escolheram amar você ... ‘, ela o amou, era só isso que ele queria, e a perdeu, tudo por seu orgulho, começou a duvidar se realmente havia feito a coisa certa. Estava cansado, a única pessoa que queria que o consolasse, era justamente a quem ele havia magoado, estava cansado de ser o Sr. Darcy, queria ser somente William, como ela tão ternamente o chamava, sabia que ela cumpriria a palavra de não deixá-lo entrar novamente no seu coração, tentaria conquistar a sua amizade. Agora a queria como amiga, era o que falsamente sua mente lhe dizia.
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