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Imagino quem primeiro descobriu a eficácia da poesia em afastar o amor! (Jane Austen)

Armações do Destino - Capítulo 5

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O almoço de Natal teve duas baixas, Jane e Charles foram almoçar com a família dele.
 
_ Lizzy sabe quem lhe desejou um Natal mais feliz do mundo? _ indagou Lydia em tom de brincadeira.
 
_ Quem? _ perguntou Lizzy de mau humor, adivinhando que não gostaria da resposta, fosse lá qual fosse.

 
_ Wickham.
 
_ Quem? _ perguntou sem se lembrar.
 
_ O George, falamos nele ontem.
 
_ Ah, tá. Não me lembrava o sobrenome dele.
 
_ Se eu fosse você, não fazia pouco caso dele. Eu e Kitty apostamos que depois de ontem, o seu “mauricinho” não aparece mais.
 
_ Lydia! Estou ficando cansada dos seus comentários tão estúpidos. _ Elizabeth levantou-se indignada e saiu da sala, ao passar pela porta esbarrou em Kitty.
 
_ Eu não disse Kitty? _ disse Lydia vitoriosa, ambas riram.
 
Aborrecida Elizabeth foi ao escritório do pai procurar por um livro, depois de alguns minutos o Sr. Bennet entrou, deu-lhe uma olhada demonstrando aborrecimento por ela ter invadido o seu “templo”. Porém, Lizzy estava acostumada com essa mania do pai e não deu a mínima importância, continuou procurando e finalmente um dos antigos volumes lhe chamou a atenção, leu mentalmente _ ‘O Médico e O Monstro, de Robert Louis Stevenson’*.
 
 
_ Esta sombria hoje Lizzy? _ perguntou o Sr. Bennet, olhando de relance o livro que ela segurava _ Um clássico de mistério e horror? _ o Sr. Bennet conhecia todos os seus livros somente pela capa.
 
_ Eu sombria? Ora papai, isso é quase impossível. _ respondeu com um sorriso, colocando o livro de volta no lugar.
 
_ Lizzy, minha querida, não fique triste se o rapaz não voltar, outros sempre virão. _ disse em tom paternal.
 
_ Ora papai, esta com remorsos? _ brincou.
 
_ Saiba _ continuou ele sério _ Que se ele não é capaz de relevar as loucuras e os ruídos de um lar, ele não pode merecê-la.
 
_ Não se preocupe, papai. Ele não é tecnicamente um namorado _ disse fazendo careta _ estamos apenas nos conhecendo.
 
_ “Ficando”. Embora não pareça, eu escuto o que suas irmãs dizem pelos cantos e compreendo o significado. _ respondeu com bom humor.
 
­_ Isso mesmo. _ sorriu _ Na verdade não “ficamos” muitas vezes juntos.
 
_ Mas ele te deu dois presentes. _ afirmou.
 
_ Dois? _ perguntou confusa.
 
_ Sim. Este celular que você carrega o tempo todo. _ olhou em direção ao bolso da calça dela _ Lizzy, você não compraria um celular assim, não é o seu estilo, aposto que é somente ele, quem tem esse número. _ Lizzy deu-lhe um sorriso sem graça _ E essa jóia? Só existe um motivo para você usar algo nitidamente tão caro, apesar da delicadeza da peça. Ele tem bom gosto, devo admitir, mas ela esta carregada de valor sentimental e tem também um retrato no pingente.
 
_ Uau! O senhor adquiriu as manias da mamãe. _ riu.
 
_ Lizzy, pode fazer esse ar de despreocupação e pouco caso, mas não pode me enganar, afinal de certa forma lhe ensinei a dissimular para não demonstrar o seu aborrecimento.
 
_ Que palavra horrorosa. _ riu _ Não se preocupe papai, se não der certo não vou morrer por isso. Nestes casos, sempre podê-se tentar com outros. _ sorriu.
 
O Sr. Bennet aproximou-se e lhe deu um beijo na testa.
 
_ Só não quero que se machuque.
 
_ Papai, se eu não cair como vou aprender a me levantar? _ deu-lhe um beijo no rosto, voltou-se para a estante e pegou outro livro, Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Márquez* e saiu.
 
 
O Sr. Bennet sentou-se em sua poltrona favorita e fitou, pensativo, a porta por onde Lizzy saíra.
 
No final do dia Elizabeth foi para seu apartamento arrumar as malas e se preparar para os próximos dias. Antes da viagem, ainda teria que passar na empresa. Naquele dia William não ligou uma única vez, nem ao menos no horário em que geralmente costumava ligar a noite, frustrada Elizabeth desligou o celular.
 
 
***
 
 
Ao entrar no escritório deu de cara com um Fred, de cara amassada e sonolento.
 
_ Oi meu bem! _ disse com um bocejo, dando-lhe um beijo no rosto _ Como foi o seu Natal? Papai Noel lhe deixou muitos presentes?
 
_ Alguns! _ sorriu sem jeito, lembrou-se da jóia, esqueceu de colocá-la ao sair do banho _ E você como foi?
 
_ Menina! Foi um arraso, estou acabado até agora, minha família estava totalmente empolgada este ano, dançamos, brincamos, jogamos, comemos, tudo ao extremo, foi divertidíssimo, não dormi muito e ontem ainda sai com alguns amigos. _ foram interrompidos por Amanda.
 
_ Lizzy! Venha vamos pegar a sua passagem, daqui vinte minutos o motorista vai levá-la ao aeroporto.
 
Lizzy acompanhou Amanda até a sala das secretárias, no caminho foi recebendo as instruções.
 
_ Bom dia, Sra Reynolds.
 
_ Bom dia garotas. Então, vai viajar Elizabeth?
 
_ Vou, estou muito empolgada.
 
_ Aqui estão suas passagens, ida e volta e o endereço do hotel.
 
Enquanto a Sra. Reynolds conversava com Amanda, Lizzy virou-se em direção as salas da diretoria, ainda não tinha conhecido os personagens de quem mais se falava naquela empresa: a tia, o sobrinho e o amigo deste, estavam sempre em reunião ou fora da empresa, principalmente o último.
 
_ Algum problema Elizabeth?
 
_ Não, estava curiosa, ainda não conheci o Sr Darcy, a Sra De Bourgh e o Sr. Bingley.
 
_ Talvez, hoje você conheça o Sr Darcy, ele tem uma reunião com a Sra Austen daqui a pouco, se for rápida ainda o verá lá embaixo, pois ele acabou de descer.
 
_ Vamos, Amanda quero saber como ele é. _ puxou Amanda pelo braço.
 
_ Boa viagem! _ respondeu com um sorriso a Sra Reynolds.
 
Ao entrar no setor Lizzy deu de cara com Caroline, que a mediu de cima abaixo, mal a cumprimentando e se retirou.
 
_ Que mulherzinha intragável. _ disse para Fred _ O que ela fazia aqui?
 
_ A única coisa que é capaz de fazê-la escalar uma montanha.
 
_ E o que seria?
 
_ ApoZeus, evidente.
 
_ Ele esta aqui! Aonde? _ olhou para os lados.
 
_ Esta com a Sra Austen.
 
_ Pôxa, que pena a reunião já começou. Bem, vou ter que agüentar a curiosidade, só no dia da festa agora. _ pegou seu material de trabalho e suas bolsas, estava na hora de ir.
 
_ Boa viagem, Elizabeth. Tenho certeza de que irá gostar da nossa filial em Ribeirão Preto*.
 
  
_ Obrigada Sr. Morgan. _ despediu-se dos demais e foi acompanhada de um dos porteiros que a ajudava com o material, quando ela finalmente entrou no elevador, a Sra Austen e o Sr Darcy, saíram da sala.
 
_ Aonde esta Elizabeth? _ perguntou a Sra. Austen para o Sr Morgan.
 
_ Acabou de sair, ela irá para Ribeirão Preto.
 
_ Que pena, gostaria de apresentá-la ao Sr Darcy, eles ainda não foram apresentados. _ e virando-se para Darcy _ O senhor vai gostar de conhecê-la é extremamente inteligente, com duas semanas aqui já conquistou a todos e esta fazendo parte de todos os projetos, tem muito potencial.
 
_ Fico contente. Precisamos de pessoas assim, confio plenamente em seu julgamento. _ respondeu Darcy, os dois dirigiram-se para os elevadores, teriam outra reunião com a Sra. De Bourgh.
 
 
***
 
 
Nos dias seguintes Elizabeth não recebeu nenhuma ligação de William, estava começando a ficar chateada. Afinal, por que é que ele não ligava? Por que então deu a ela aquela jóia? Apesar de tantas dúvidas e sentimentos, seu orgulho a impediu de tomar a iniciativa e ligar para ele. Contou a Jane o que estava acontecendo e no dia seguinte a sua chegada, Jane ligou.
 
_ Lizzy, minha querida. Dei um jeito de Charles falar sobre William, não aconteceu nada de ruim com ele, esta bem de saúde, mas parece que teve um problema qualquer na empresa, ele tem trabalhado até mais tarde. Charles contou que de ontem para hoje acha que ele nem foi para casa dormir.
 
_ Entendo. _ respondeu secamente _ Jane, vamos esquecê-lo no momento. Já que não podemos entender agora. Amanhã estarei em casa. Você poderia separar o meu vestido preto para a festa?
 
_ Claro, até amanhã. Estamos todos com saudades.
 
_ Obrigada, Jane. _ pausa _ Jane?
 
_ Sim.
 
_ Não pergunte mais sobre ele ao Charles.
 
_ Esta bem.
 
_ Te amo. Tchau! _ desligou, disse a si mesma _ ‘Pare Lizzy, de se sentir assim, essa não é você. Olhe para frente e ria para a vida. Durma bem, pois amanhã é dia de festa’ _ conseguiu dormir melhor do que nas outras noites, sonhou.
 
Estava no campo, mas desta vez sozinha, viu ao longe se formar uma tempestade, começou a soprar um vento forte, pensou em correr, mas por quê? Olhou para frente e foi em direção a tempestade, acordou.

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