Lizzy estava radiante, parecia que tudo em sua vida ia bem, estava adorando seu novo emprego e estava cada vez mais interessada em William, este correspondia a todas as suas expectativas, embora tivesse ficado um pouco aborrecida, por ter sido contrariada em relação ao telefone, agora não podia ficar sem ele, falavam-se todas as noites por horas, ele sempre insistia em vê-la, mas neste ponto ela não abriu mão, parecia uma bobagem manter ainda o plano original, já que estavam sempre se falando, mas alguma coisa a impedia, ainda sonhava com a nuvem negra e algo em seu coração doía, quando pensava nisso. Nunca conversavam sobre trabalho, tinham tantas outras coisas mais interessantes, queriam se conhecer. Descobriram satisfeitos que gostavam de muitas coisas em comum como teatro, cinema, livros, na música os gostos eram semelhantes, mas houve uma discussão entre Gil e Caetano, Skank e J Quest, Paralamas e Barão, mas Legião era unânime, em relação aos esportes ocorreu o clássico ele futebol, ela vôlei, mas ambos adoravam natação, comida foi como descobrir o temperamento de ambos ela um belo prato de comida italiana e ele um ornamentado barquinho de comida japonesa.
O Natal estava próximo, William insistiu tanto para vê-la, depois da ceia que Elizabeth cedeu, ele queria dar-lhe um presente, embora ela tenha dito que não queria. Mas, Elizabeth também tinha um presente para William, escolheu um chaveiro de ouro branco com um segredo para foto, colocou a foto dos dois juntos, não resistiu achou o chaveiro tão lindo e a idéia da foto, embora parecesse um tanto cafona, ótima. Combinaram que ele passaria na casa dos pais dela às 02h00 da manhã.
A semana passou rápida, na empresa familiarizou-se logo com as rotinas e foi incluída em alguns dos projetos em andamento, iniciariam uma série de treinamentos nas unidades do interior de São Paulo, como ainda era nova de casa, ficaria na sede, enquanto os outros se dividiriam em quatro cidades. Mas, no dia 21 o Sr. Morgan teve que mudar os planos, a filha de Claudia, ficou doente e ela não poderia se ausentar da cidade.
_ Lizzy, sei que é chato pedir isso em cima da hora, mas você terá que ir para Ribeirão Preto no lugar da Claudia, não podemos adiar.
_ Tudo bem, Sr. Morgan.
_ Sairá daqui dia 26 e ficará até o dia 28, o dia da festa de fim-de-ano da empresa, mas não se preocupe chegará a tempo para participar da festa.
_ Tudo bem. _ mentiu, como diria isso para William? Mas teria que fazer.
Naquela noite mesmo, contou para William, embora ele tenha demonstrado aborrecimento, compreendeu e como ambos teriam compromisso no dia 28, marcaram o encontro para o dia 29.
***
O dia 24 foi agitado, todas as Bennets ajudavam a mãe na cozinha, os tios Phillips chegaram para a ceia e a casa estava cheia, Lydia e Kitty saltitavam pela casa e Mary cantava alto com o MP3 no ouvido, a Sra Bennet estava ansiosa, Charles viria passar a ceia com Jane, estavam oficialmente namorando e, embora Jane se mostrasse reservada com relação a seus sentimentos por ele, estava perdidamente apaixonada.
_ Minha cara, Louise _ disse a Sra. Bennet _ Estou tão feliz com o namoro de Jane, Charles é um rapaz encantador e além de tudo é rico, um ótimo partido, já disse isso a ela, não que eu esteja pensando no dinheiro dele, mas ela terá um futuro muito bom se casar-se com ele, e é o que eu espero.
_ Tenho certeza que sim, Jane é muito ajuizada se esta namorando é porque gosta muito dele e é um relacionamento sério.
_ Oh, sim tenho certeza que eles se gostam muito, estou tão nervosa, mas sei que ele vai adorar todos os nossos pratos apesar de estar acostumado com refeições mais finas.
_ Sem dúvida. _ concordou tia Phillips.
_ Já Elizabeth eu não sei, Jane disse que ela esta se envolvendo com um amigo de Charles, também deve ser rico, mas ela é uma menina muito teimosa, me deixa louca com essa estória de que não vai se casar, do jeito que é quando o rapaz mostrar que esta mesmo interessado, vai pô-lo para correr. Eu é que não quero uma solteirona em casa. Não, não. _ disse com uma careta e um ar sério.
Lizzy passava pela cozinha, quando ouviu uma parte da conversa, não pode deixar de rir com a alusão da mãe sobre ela, encontrou Jane aguando o pequeno jardim.
_ Oh Jane! _ exclamou _ Estou com pena de Charles, mamãe vai enlouquecê-lo esta noite, tentando agradá-lo. _ riu _ Ainda bem que ele tem humor e em gênio se parece com você.
_ O que quer dizer com isso?
_ Vocês dois são anjos, agüentam qualquer coisa dos outros.
Jane sorriu balançando a cabeça, Lydia e Kitty apareceram com sua habitual risadinha.
_ O que a dupla dinâmica esta maquinando agora? _ perguntou Lizzy.
_ Queremos saber se George ligou para você. Não nos contou nada. _ disse Lydia.
_ Não que eu tenha atendido a ligação.
_ Você é mesmo uma boba, toda vez que falo com Dennis ele me diz que George pergunta de você.
_ Jane você tinha que tê-lo conhecido. _ disse Kitty _ Ele é muito agradável e de sunga então. _ riu.
_ Kitty ! _ exclamou rindo Jane.
_ Mas é verdade, ele é muito bonito, não é Lizzy?
_ Ele é bonito, sim. _ respondeu sem maiores emoções.
_ Só isso? Ele esta caidinho por você.
_ Não seja boba, Lydia ele só me viu uma vez, e não estou interessada nele.
_ Ah, mas você ainda não esta namorando o amigo de Charles, pelo que fiquei sabendo e é melhor garantir alguma coisa, fique com os dois, você só pode lucrar com isso.
_ Lydia, que coisa horrível? Com quem esta aprendendo a ser assim tão fútil? Para não dizer coisa pior. Isso lá é conselho que se dê para alguém? _ bronqueou Elizabeth.
_ Ah, você parece uma velha, é muito careta. _ virou-se e saiu puxando Kitty que ria.
_ Essas duas, ainda vão aprontar alguma com essa cabecinha oca delas. _ disse para Jane.
***
Finalmente a noite chegou, Lizzy estava usando um vestido azul, embora não perdesse muito tempo se arrumando, quis ficar linda para William, mesmo que fosse por pouco tempo, ele nem entraria, só trocariam os presentes. A ceia foi agradável, com todas as atenções da Sra. Bennet e da Sra Phillips para Charles. Depois da ceia Lizzy começou a ficar ansiosa, somente o Sr. Bennet percebeu, mas não comentou, preferiu observar a filha, às 01h30 o celular dela tocou, Elizabeth foi num canto e atendeu:
_ Já esta aqui? _ seu semblante se iluminou, pegou sua bolsinha e foi para a porta, o Sr. Bennet foi atrás e ficou olhando da janela.
William desceu do carro e parou em frente ao portão, viu Lizzy descendo as escadas, ficou vidrado, ela parecia uma visão, estava linda, quando ela se aproximou ele não conseguia dizer nada.
_ Olá! _ Elizabeth disse sorrindo _ O que foi?
_ Você esta ... esta ... esta magnífica. É a mulher mais linda que já vi em toda a minha vida. _ disse finalmente.
_ Bobo! _ retrucou encabulada, quando ia dar-lhe um beijo, ouviu a voz de seu pai a chamando.
_ Lizzy! Traga o rapaz para dentro, não é de bom tom, ficarem aí fora no dia de hoje. _ entrou.
_ Me desculpe! _ disse sem jeito _ Não percebi que ele estava me observando.
_ Ele tem razão. Venha, vamos, estou curioso para conhecer seus parentes.
_ Esta!?! _ perguntou incrédula, não estava preparada para isso, ia apresentá-lo como? Quando entraram todos os olhares se voltaram para eles, o coração de Lizzy subiu até a boca, não conseguiu formular uma sílaba, então Charles cumprimentou-o alto:
_ William, que bom vê-lo. Feliz Natal! _ foi até eles e o abraçou.
_‘Ufa’ _ pensou Lizzy, não precisava mais apresentá-lo formalmente. Salva por Charles, em seguida Jane imitando o gesto de Charles, também o cumprimentou, então Lizzy apresentou os demais. Sua mãe logo fez com que ele se sentasse e ofereceu-lhe vários quitutes e bebidas, ele estava nitidamente sem graça e seu sorriso encantador logo sumiu de seu semblante. A Sra. Bennet fez com que Lizzy fosse até a cozinha buscar mais uma garrafa de champanhe, quando voltou viu que sua mãe o tinha monopolizado e fazia um extenso interrogatório, Elizabeth parou na porta de boca aberta e disse baixinho:
_ Mas o que ela esta fazendo? _ indignada.
_ Acho que perdeu mais um de seus namorados, Lizzy. _ disse o Sr. Bennet em tom sarcástico.
_ Ora papai, como pôde ser tão mau comigo? _ disse com um bico.
_ Alguém que faz a minha filha preferida, sair sem comunicar, não deve ser muito bom.
_ Ora papai, fui eu quem quis assim, não ele, pelo contrário. _ respondeu nitidamente contrariada, Jane se aproximou.
_ Lizzy o que faremos? Nem Charles, conseguiu distraí-la, olhe a cara do coitado. _ disse com ar de pesar.
_ Realmente, isso não é bom. _ Lizzy olhou um pouco mais _ Veja Jane, ele não combina com isso aqui. Destoa do ambiente, com licença. _ foi em direção a William.
_ Mamãe, por favor. O que esta fazendo?
_ Nada meu bem. Estamos apenas conversando.
_ Esta bem, mas agora quero mostrar a ele o resto da casa. _ pegou a mão de William.
_ Com licença. _ ele disse educadamente.
Lizzy o levou ao seu antigo quarto.
_ Me desculpe! Ela é incontrolável.
_ Tudo bem! _ respondeu num tom indefinível.
_ Desde que Jane fez 18 anos ela criou fixação em querer nos casar. Espero que não dê importância. _ ela tentou um sorriso.
_ Não se preocupe, esta tudo bem. _ respondeu sem graça, fez-se silêncio.
_ Bem! _ Elizabeth quebrou o silêncio _ Ainda não te apresentei o meu quarto pessoalmente, mas te apresento o meu antigo quarto. _ olhando em direção a cama _ Venha, sente-se aqui comigo.
Lizzy o observou, alguma coisa havia mudado, William estava completamente mudo, não sorria mais e seu olhar estava diferente.
_ Deixe-me dar o seu presente. _ Elizabeth pegou um pequeno pacote. _ Feliz Natal! _ lhe deu um beijo no rosto.
Ele esboçou um leve sorriso e o abriu.
_ Veja tem um segredo. Você abre aqui. _ e a foto apareceu, ele deu um meio sorriso.
_ Obrigado! _ respondeu automático, continuou olhando para a foto em silêncio.
_ William, quer ir embora? _ Lizzy perguntou aborrecida.
_ Ir embora!?! _ perguntou confuso.
_ Sim. Vejo que esta constrangido, conversamos outro dia.
_ Não. Não é nada. Só estava pensando, também tenho um presente para você.
_ Não precisa me dar. _ respondeu sem paciência, percebendo que algo estava muito errado.
_ Mas mandei fazer especialmente para você, não pode me negar o prazer de lhe dar. _ disse tentando um ar galante, tirou do bolso do casaco dois embrulhos delicados.
_ Dois?
_ Abra.
Ela abriu, o primeiro era um relógio muito elegante.
_ Desculpe, William, mas não posso aceitar. _ estendeu a mão, devolvendo-o.
_ Mas por quê? _ perguntou nitidamente espantado.
_ É um presente com um valor material muito alto. Não gosto de presentes deste tipo. Espero que me entenda e desculpe.
_ Não estou contente por isso. Mas, se você se sente bem assim, não vou insistir, mas o outro você não pode recusar.
Lizzy abriu o outro embrulho, era uma jóia, um cordão de ouro com um pingente de coração.
_ Esse também tem um segredo. Aqui. _ apareceu à mesma foto de ambos, Lizzy sorriu.
_ Tivemos a mesma idéia.
_ Então? Vai aceitar?
_ Ah. _ ficou pensativa, olhou a jóia e sem dúvidas, o valor material era muito superior ao relógio, mas sem dúvidas, o valor sentimental ao menos para ela, foi incalculável, respondeu por fim _ Vou. Mas você terá que colocá-lo em mim. _ se levantou e virou-se de costas para ele.
William passou a mão pelos cabelos dela, afastando-os do pescoço, sentiu o seu perfume, admirou sua nuca, seus ombros, Lizzy percebeu, lentamente ele deslizou o cordão em volta do pescoço, tocando-o com as pontas dos dedos, chegou mais perto dela, terminou. Começou a beijar o seu pescoço, um arrepio passou por todo o corpo de Elizabeth, lentamente ele a virou e trouxe-a para junto de si, beijou-lhe o rosto.
_ Lizzy. _ exclamou com a voz rouca, cheia de emoção _ Estou completamente fascinado por você. _ beijou-a ardentemente.
Elizabeth entregou-se completamente àquele beijo, toda sua resistência esvaiu-se, sentia-se flutuar.
_ Fica comigo esta noite? _ perguntou ele num sussurro no ouvido dela.
_ Sim. _ olhou-o nos olhos, ambos sorriram, bateram na porta e ao mesmo tempo o celular dele tocou, separaram-se.
_ O que foi Jane? _ Lizzy perguntou aliviada por ver a irmã e não a mãe.
_ Estão começando a comentar a ausência de vocês, sabe como é a mamãe?
_ Já estamos indo. Só estávamos trocando presentes.
_ Não se demore.
_ Tá bom. _ voltou-se, William falava baixinho no celular, Elizabeth deixou a porta do quarto aberta, olhou-se no espelho e fitou a jóia.
_ Lizzy, desculpe mas vou ter que ir.
_ Ah! _ exclamou desapontada.
_ Deixei minha irmã sozinha com meus parentes, ela esta chateada.
_ Tudo bem! _ mentiu _ Te levo até a porta.
Ao passarem novamente pela sala, William voltou a ter aquela expressão distante, despediu-se de todos, foram até o carro, ele a olhou profundamente, mas não com o mesmo brilho de alguns instantes atrás, estava frio, deu-lhe um beijo na testa.
_ Tchau, Lizzy.
_ Adeus! _ respondeu, Elizabeth sentiu-se triste, passou a mão pelos cabelos, como se afugentasse os pensamentos, ele entrou no carro, esperou-a passar de volta pelo portão e se foi.
_ Nossa Lizzy! Que carrão ele deve ter muito dinheiro.
_ Não sei Mary. Não faz diferença. _ Elizabeth olhou para o pai e ele entendeu, se sentiu culpado, deveria tê-los deixado conversando lá fora.
_ Oh, minha querida! _ exclamou a mãe _ Que jóia linda. Foi ele quem lhe deu?
_ Foi. _ respondeu olhando para Charles, ele sorriu.
Lizzy estava triste, aparentemente sem motivos, tudo tinha ido bem, dizia para si mesma, mas o olhar de William não saía do seu pensamento, tão diferente. Lembrou-se dele no sofá com a mãe, parecia um E.T., fora de lugar. Sentiu-se muito cansada, resolveu ficar e dormir no seu antigo quarto, o perfume dele ainda estava lá.
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