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Não quero que as pessoas sejam muito gentis; pois tal poupa-me o trabalho de gostar muito delas.(Jane Austen)

Armações do Destino - Capítulo 1

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altLizzy estava muito feliz, não conseguia esconder seu contentamento. Estava sozinha no elevador, aparentemente, todos já haviam ido embora, era sexta-feira. Quem não quer correr para casa ou fazer um happy hour? Charlotte deveria estar esperando por ela há uma hora.
 
 
Há três meses estava “disponível no mercado de trabalho” e surgiu uma oportunidade na empresa em que Charlotte trabalhava e, há uma semana estava passando pelo processo de seleção para a vaga de Analista de Treinamento e Desenvolvimento, formada em Psicologia há um ano, embora estivesse cheia de planos para ingressar na área clínica, pretendia continuar na área Organizacional por algum tempo. E hoje, passou pelo último “teste”, a entrevista com a gerência da área, haviam mais três candidatos na última etapa e embora tivesse sido a primeira a chegar, fora à última a ser entrevistada.

 
Os outros candidatos ficaram cerca de uma hora com a Sra. Austen. Lizzy começava a ficar ansiosa, porém não deixou transparecer sua inquietação. Observou o ambiente e pouco a pouco ficou à vontade, o clima era muito agradável e as pessoas estavam sempre sorrindo, sentiu que algo muito bom aconteceria com ela naquele lugar, por isso, quando chegou a sua vez, estava tão bem disposta que a Sra. Austen estendeu a conversa por duas horas e ela já saiu da sala com a resposta de sua admissão, começaria na próxima segunda-feira. Por este motivo, estava radiante. Quando deixou o elevador, ouviu o celular tocar.
 
_ Jane ! _ exclamou, esqueceu-se de que marcaram de se encontrar num barzinho que Jane descobriu do lado sul, por isso, Charlotte estava esperando, iriam juntas, atendeu:
 
_ Oi Jane, minha querida, já estamos indo ... não se preocupe .. estou louca para te contar a novidade _ continuou falando distraída, quando trombou com alguém, sua pasta foi parar no pé de um dos porteiros, que a pegou.
 
_ Ops ! Desculpe ! _ disse, sentiu uma dor no ombro, a pessoa resmungou algo inaudível e continuou seu passo, Lizzy continuou a falar com Jane e pegou a pasta com o porteiro, agradecendo-o e sorrindo. Jane chamava por ela do outro lado da linha.
 
_ Não foi nada Jane, um trem bala passou por cima de mim e nem sequer parou para ver se estou bem ... não, nem vi a cara dele ... melhor, a visão de tamanho monstro poderia tirar o meu bom humor, sabe que detesto entrar em contato com pessoas mal educadas. _ Lizzy nem percebeu que o monstro havia parado a alguns passos a sua esquerda e ouviu o seu comentário, com um sorriso meio encabulado.
 
Avistou Charlotte a sua direita e logo abriu um sorriso de satisfação, enquanto isso, do outro lado, ele continuava a observá-la com um olhar que traía sua famosa discrição, este olhar não passou despercebido ao porteiro que o conhecia desde menino.
 
Lizzy e Charlotte saíram em direção ao metrô. Era o mês de dezembro, a noite estava extremamente agradável, seguiram conversando animadas. Do incidente, Lizzy nem se lembrava, a não ser por uma dor chatinha no seu ombro esquerdo.
 
***
 
 
Encontraram Jane, com outras amigas. Lizzy contou a irmã, a novidade sobre o emprego, conversaram animadamente.
 
_ Estou muito contente, de que iremos trabalhar na mesma empresa. _ disse Charlotte.
 
_ Ainda estou desenturmada, não tenho a sua facilidade de conversar e, embora estejamos em áreas diferentes, sei que vou lucrar com você por lá! _ Charlotte havia começado há um mês no setor Contábil.
 
_ Ora, Charlotte! O que você quer dizer com isso?
 
_ Ora, minha cara Lizzy! Estou falando dos rapazes. _ riu.
 
_ Sempre pensando nos rapazes. Pois saiba que não vejo com o que você vai lucrar, não gosto desse clima no trabalho, lá só faço colegas no máximo viram amigos.
 
_ Viu, não disse que iria lucrar! _ todas riram.
 
Embora Charlotte não fosse feia, tinha muita dificuldade em se tornar interessante aos olhos do sexo oposto e Lizzy sempre a ajudava nisto. Lizzy, apesar de não se considerar tão bela quanto sua irmã Jane, sempre chamava atenção onde quer que fosse, e embora seu espírito fosse alegre e brincalhão, sua inteligência e independência e principalmente suas respostas na ponta da língua afastavam os mais ousados.
 
_ Parem com isso, deixo isto para ambientes como este.
 
_ Ah Lizzy, você não quer nada com ninguém. _ disse Maria, outra amiga _ Sempre arruma um defeito no cara, ficou pior depois que resolveu testá-los.
 
_ Você esta sendo cruel comigo. _ riu.
 
_ Não esta, não. _ disse Jane _ Agora ela inventou que só vai paquerar os que considerar feinhos.
 
_ Por quê ? _ perguntou Jacqueline.
 
_ Porque não dão muito trabalho. _ respondeu Lizzy rindo _ Não vou precisar me preocupar com a concorrência. _ fez uma careta.
 
_ Como se isso fosse um problema para você! _ retrucou Charlotte.
 
_ Vamos Lizzy, escolha um, mas bonito. Veja, todos os olhares masculinos estão sobre nós, é a única mesa só de mulheres, já reparei nuns três ou quatro caras com os olhos em você.
 
_ Jane! Como pode ser tão má comigo, e hoje não posso me demorar aqui, amanhã vou ter que acordar muito cedo, vou levar Lydia e Kitty na casa dos nossos tios Philips.
 
_ Ah! _ exclamaram todas.
 
_ Que desculpa! Vamos Lizzy. Uma aposta, você vai ter que nos provar que é capaz de se interessar por alguém e levar isso até o final, ou pelo menos, que haja um encontro com o cara fora daqui, sem por ele para correr. _ disse Jacqueline.
 
_ Posso conseguir um encontro, engraçadinha.
 
Lizzy deu uma olhada em volta, apesar de vários rapazes bonitos não havia nenhum que chamasse sua atenção.
 
_ Meninas, vamos deixar isso para outro dia, eu preciso de alguém que me chame à atenção.
 
_ Não! _ exclamaram em unissímo.
 
_ Esta bem! _ respondeu vendo que não tinha saída.
 
Olhou ao redor, uma mesa num canto mais reservado com três rapazes chamou sua atenção, na verdade um deles. Apesar, da cara de poucos amigos dele, ela percebeu que ele sempre se voltava na direção delas, quando seus olhares se cruzaram, sentiu um calafrio subir pela espinha, desviou o olhar por um instante, depois disso não conseguiu mais tirar os olhos dele e ele dela.
 
_ Encontrei! _ todas pararam.
 
_ Onde? _ perguntou Charlotte.
 
_ Na última mesa perto da janela.
 
_ Qual deles?
 
_ Aquele com cara de poucos amigos.
 
_ Esperta heim, Lizzy? Para quem dizia que só queria os feios, escolheu o cara mais lindo do lugar. _ comentou Maria.
 
_ É mesmo? _ perguntou surpresa.
 
_ Hum-hum, e parece que você também foi escolhida. _ disse Jane divertida _ Sorria sua boba.
 
_ Pare com isso. Bem, deixe-me ver. _ olhou o relógio _ Ele tem 40 minutos para vir falar comigo, senão ...
 
_ O quê? _ quis saber Jane.
 
_ Vou embora. Esqueceu? Infelizmente, tenho que ir.
 
_ Infelizmente! _ exclamou Jane, percebendo algo diferente em Elizabeth.
 
Elas sempre faziam este joguinho, mas era a primeira vez que via um interesse real em Lizzy.
 
Os dois continuaram se olhando, porém o tempo estava passando e ela teria que ir, começou a temer que ele não viesse, Charlotte percebeu certo ar de frustração na amiga.
 
_ Talvez ele seja tímido Lizzy. Ou talvez comprometido e ela vai chegar daqui a pouco.
 
_ Talvez. Bem, vou embora, mas para mostrar a vocês que sou corajosa e estou disposta a ganhar a aposta, embora não tenham me dito, o que ganho com isso, vou mandar um bilhete para ele e se ele não se levantar e for atrás de mim, podem considerar que vocês ganharam. Escreveu no bilhete:
 
“ Vou embora. Me acompanha até o táxi?”
 
Pediu para o garçom entregar, todas olharam. Quando ele leu, deu o sorriso mais encantador que ela tinha visto, acenando com a cabeça.
 
_ Tchauzinho, meninas. _ Lizzy se levantou sorrindo, os dois se encontraram próximo a porta, sem trocarem uma palavra, somente sorrindo, saíram.
 
 
***
 
 
Continuaram se olhando por alguns instantes, Lizzy estava fascinada e perdida nos olhos mais azuis que tinha visto, Maria tinha razão era o cara mais lindo do lugar e provavelmente o mais lindo que já tinha visto, ele era alto, cabelos castanhos escuros, porte atlético, mas era completamente mudo, ela quebrou o silêncio.
 
_ Prazer, sou Elizabeth. _ disse um tanto tímida.
 
_ William, encantado.
 
‘Uau, que voz’, ela pensou e corou.
 
_ Estou muito contente de termos nos reencontrado. _ disse ele por fim.
 
_ Reencontrado? _ perguntou confusa, com certeza se lembraria dele se já tivessem se conhecido antes.
 
_ Não se lembra? _ perguntou com um sorriso.
 
_ Desculpe, tem certeza? Certamente eu me lembraria de você. De onde você me conhece?
 
_ Bem, entendo, você estava meio distraída, acho que nem olhou para mim.
 
Ela o olhou sem entender.
 
_ Sou o trem bala que passou por cima de você hoje. _ disse divertido.
 
_ Ah! _ ela rememorou a cena, pensou _ ‘se ele ouviu isso, também ouviu que o chamei de ...’
 
_ Monstro mal-educado? Também ouvi. _ disse ele percebendo a expressão nos olhos dela.
 
_ Que pouca sorte a minha. Bem, mas saiba que me deixou uma impressão física, que talvez leve mais de um dia para esquecer. _ disse num tom malicioso.
 
_ Como assim?
 
_ Me deixou com dor no ombro. _ riu.
 
_ Me desculpe por isso, mas _ fez uma pausa _ Deixe-me compensá-la. Quem sabe possa te deixar uma impressão mais agradável.
 
Ele a puxou pela cintura, olhando fixamente em seus olhos, ela estava hipnotizada, sem perceber passou a mão pelos ombros dele, seus lábios ficaram cada vez mais próximos, sentiu o coração dele batendo, no mesmo ritmo que o seu, fechou os olhos e o mundo parou. Ambos estavam extasiados, não ouviam mais nada, o beijo começou terno, como uma brisa suave, logo o calor foi subindo, ela poderia ficar a vida inteira assim, o beijando, de repente, lembrou que estava na rua e que tinha que ir, seu coração sentiu um imenso pesar, mas o afastou.
 
_ Tenho que ir . _ disse afastando-se.
 
_ Espere, Elizabeth me de seu telefone.
 
_ Pode me chamar de Lizzy.
 
_ Lizzy ? É perfeito. _ sorriu.
 
_ Acredita no destino?
 
_ Prefiro o acaso.
 
_ Bem, acaso ou destino, estarei aqui no dia 27, podemos por acaso ou obra do destino nos encontrar. _ disse em tom brincalhão.
 
_ Dia 27? _ ele parou como que puxando pela memória _ Não quer me dar seu telefone?
 
_ É que eu não gosto dessa obrigação de ter que esperar e da sua de ligar.
 
_ Entendo. _ sorriu.
 
_ Estará ocupado no dia 27?
 
_ Não sei. Mas se estiver, cancelarei qualquer compromisso para estar aqui. _ respondeu galante.
 
_ Hum! Sinto-me, lisonjeada. _ gracejou, notando o ar sério dele.
 
_ Vou ter que esperar duas semanas, não podemos nos ver antes?
 
_ Quem sabe o acaso ou o destino nos antecipe esta oportunidade. _ olhou intensamente em seus olhos _ ‘Estou perdida’ _ disse a si mesma _ Tenho que ir!
 
Ele ia dar-lhe outro beijo, mas ela impediu.
 
_ Se continuar a me beijar, não vou embora e acho que aqui não é um local muito adequado. _ ele tomou sua mão e a beijou.
 
_ Foi um prazer, senhorita. _ sorriu e a levou até um táxi que estava próximo.
 
_ Até breve! _ disse Lizzy, com um sorriso.
 
O carro saiu e ela o viu entrando no barzinho. Estava amando, sorriu com o pensamento _ ‘Será?’ _ seria essa a sensação? E assim, com um completo desconhecido? Nunca imaginou que isso fosse possível, nunca acreditou em amor à primeira vista, se arrependeu de não ter lhe dado um telefone ou um e-mail, porque não pensou nisto? Agora estava feito, mas tinha certeza de que ele estaria lá. Quando chegou em casa, o sono demorou a chegar, estava perdida, passaria o sábado sonolenta.
 
 
***
 
 
Quando voltou a mesa, William encontrou Charles.
 
_ William, nem acredito no que eu vi e ouvi quando cheguei. _ disse num tom divertido.
 
_ E o que foi que viu e ouviu? _ perguntou sem entender.
 
_ Vi você aos beijos com uma garota lá fora. Fiquei tão surpreso que tropecei e quase caí na porta, e o Marcos e o Cláudio me contaram que você ficou paquerando, recebeu um bilhete e saiu atrás da garota. _ respondeu com uma cara de espanto.
 
_ E daí ? _ disse William num tom nervoso.
 
_ E agora você entra com essa cara de bobo. Diga-me, esta usando drogas? _ todos riram.
 
_ Ora, pare com isso. O que tem? Você faz isso o tempo todo.
 
_ Eu sei, mas isso vindo de mim é natural, agora você? Que considera todas as garotas sem graça e detesta flertar num local onde seus parentes todos são os donos, isso é muito inapropriado. _ continuou rindo.
 
_ Pare de usar minhas palavras contra mim Charles.
 
_ Tudo bem! Não se zangue, na verdade estou contente, você precisa de emoção, mas como isso aconteceu?
 
William continuou calado, Charles se virou para Marcos.
 
_ Não sabemos ao certo, ele estava com sua habitual cara de poucos amigos, de repente, ficou encarando uma garota muito bonita por sinal. _ foi interrompido por Cláudio.
 
_ Pensei que ele ia assustá-la, se ele me olhasse daquele jeito, palavra, teria medo. _ gargalharam _ Mas ela foi corajosa e até enviou um bilhete e, aí ele sorriu. _ agora foi a vez de Marcos interromper.
 
_ Foi aí, que eu tive medo. _ riu Marcos.
 
_ Parem com isso! _ exclamou William meio constrangido e rindo com os demais.
 
_ Bem, o resto você viu Charles. _ terminou Marcos.
 
_ E de onde surgiu essa intrépida e corajosa garota, que conseguiu a maior façanha do século ou quem sabe do milênio.
 
_ Daquela mesa, aonde esta aquela loira maravilhosa. _ Charles olhou _ Mas, apesar de ter mais quatro belas mulheres, somente William se deu bem. _ disse Cláudio.
 
_ Amigos! _ exclamou Charles, todos entenderam, ele se levantou.
 
_ Lá vai ele! _ sorriu William.
 
_ Aposto uma garrafa do melhor uísque que ele vai na loira. _ disse Cláudio.
 
_ Não ele vai na ruiva, loira foi a semana passada. _ comentou Marcos.
 
Fez-se silêncio.
 
_ Caros, foi na loira. _ riu William.
 
Marcos fez uma careta, perdeu a aposta.
 
William observou Charles, este logo se sentou com as garotas e ficou batendo papo, demonstrando seu interesse pela loira. Como ele gostaria de ser assim, se fosse teria desfrutado por mais tempo a companhia de Lizzy _ ‘Lizzy’ _ pensou _ ‘Linda’ _ nunca tivera sensação tão plena ao beijar alguém, a vontade de ficar beijando-a pela vida toda. Ficou calado o resto da noite, relembrando cada gesto e cada palavra. Deveria ter se esforçado mais para conseguir o telefone dela, esperar até o dia 27, seria uma tortura, quando chegou em casa a primeira coisa que fez foi olhar sua agenda, enviou um e-mail a sua secretária para que qualquer compromisso social, após o expediente neste dia fosse cancelado. Dormiu com a imagem dela nos seus braços.

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