Citações

Tenha sensibilidade para o suave, humor para o alegre, atenção para o sábio e paciência para o cansativo.(Jane Austen)

Stand By Me

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"Nas coisas necessárias, a unidade;

Nas duvidosas, a liberdade;

E em todas, a caridade."

Santo Agostinho

 

Sempre me questionei sobre o poder que as festas de final de ano exercem sobre as pessoas de maneira geral. Primeiro todos, ”bem grande parte”, esforçam-se para serem melhores, “bons”, pena que o Espírito do Natal, dure apenas uma semana. Depois, chega o momento de pensar em si mesmo, “novamente”, mas dessa vez de uma forma muito mais positiva, os planos para o próximo ano, são os melhores e mais animados de todos, porém ouso dizer que 99,9% sequer chegam perto de serem realizados.

 

Há dois anos resolvi “nadar contra a corrente”, enquanto todos esperavam esta época, para suas boas ações e seus planos promissores. Antecipei-me e os comecei antes, abri minha própria escola de dança e entrei para uma ONG, criada por uns amigos, quase todo o meu tempo livre é dedicado a ela, meu entusiasmo foi tamanho que minha família me acompanhou, a ONG é quase uma extensão de nossa casa, até as maluquetes das minhas irmãs mais novas, dedicam uma parte do seu tempo por lá.

 

Não é uma ONG muito grande, nem muito conhecida, o trabalho consiste em ajudar aqueles que querem deixar as ruas e ter de volta casa e emprego. É, digo querem, porque nem todo mundo que esta nesta situação quer realmente sair dela. Louco isso, não é mesmo? Existe um centro de reabilitação para os dependentes químicos e alcoólicos, centro profissionalizante, creche e atividades culturais, mas tudo isso, numa proporção pequena. A ONG sobrevive do trabalho e doação de seus voluntários, por isso o presidente da ONG, Fred e a tesoureira, Charlotte, estão tentando angariar com algumas empresas algum tipo de doação ou patrocínio, o que poderia ampliar o número de pessoas atendidas. Mas, não é um trabalho muito fácil, a maior parte dos empresários, querem mesmo é marketing gratuito para suas empresas. É o mundo capitalista, o que se há de fazer?

 

Financeiramente, contribuo muito pouco, minha renda não é muito grande, afinal escola de dança num bairro de classe de renda pobre-média, não é muito rentável, sem contar que a maior parte de meus alunos é bolsista. Mas, realmente não tenho do que me queixar, tenho a vida que sempre quis e sou muito feliz. Apesar de minha mãe discordar. Por quê?

 

Bem, numa escala de 0 a 10 em relacionamentos amorosos, estou no 0 há algum tempo e isso para ela é o que de pior pode ocorrer há uma mulher de 28 anos, mas estou muito bem, obrigada. Saio com meus amigos e me divirto muito, são raras às vezes em que de fato fico sozinha numa “balada”, porém sempre volto sozinha para casa, opção minha, ando muito seletiva, encontros casuais perderam em parte a sua graça, embora eu ainda não tenha definido o que quero neste ramo da minha vida. Não pensem que sofri um grande trauma em meus relacionamentos anteriores, não é nada disso, é difícil de explicar, o refrão da música “Índios”, do Legião Urbana, talvez possa explicar, diz “Eu quis o perigo e até sangrei sozinho, entenda! _ Assim, pude trazer você de volta pra mim _ Quando descobri _ Que é sempre só você _ Que me entende do inicio ao fim _ E só você que tem _ A cura do meu vício _ De insistir, nessa saudade que eu sinto _ De tudo que eu ainda não vi ... “

 

Confuso, não é? Meus melhores amigos têm suas teorias, Charlotte diz que sou uma romântica incurável, ela é uma pessoa bem prática e o Fred, melhor não comentar, não é muito lisonjeiro, de qualquer forma. _ risos _ Ele e Jane, minha irmã, juntaram-se num complô para achar o meu par ideal, com isso, já formaram uns 10 casais, mas em nenhum deles, estou no meio. Deveriam abrir uma agência de encontros, são realmente bons nisso. Nossa, quando começamos a falar sobre nós mesmos perdemos o foco, desculpem.

 

Como mencionei, Fred e Charlotte estão buscando empresas para nos ajudar, na verdade Fred conseguiu um contato positivo com apenas uma, é uma multinacional inglesa, do ramo de tecnologia da informação, a DMB Solutions, fomos convidados para participarmos de uma festa promovida por esta empresa, o intuito é conversarmos com os executivos e mostrarmos o nosso trabalho, segundo Fred, eles somente ajudam as ONGs que tiverem o mesmo escopo social que o deles. A pergunta é: Qual é este escopo? Não sabemos, mas não custa nada tentar. Para este evento, Fred designou, ele próprio, Charlotte, Jane e eu. E aqui estamos em frente a uma mansão, numa rua arborizada do Brooklin, todos vestidos a rigor, sinceramente eu preferia estar num dos meus jeans, não sei por que estou tensa, sinto borboletas em meu estômago.

 

_ Vamos, Lizzy! Vai ficar parada aí a noite toda?

 

_ Ahn !?! Eu ... eu ...

 

_ O que você tem hoje?

 

_ Não sei, Fred. Não estou bem do estômago, acho.

 

_ Deusas não tem estômago, minha querida. Respire fundo, levante a cabeça, empine o bumbum e, por favor, não rebole. _ terminou a frase entre dentes _ Isso serve para vocês duas também. _ informou a Jane e Charlotte.

 

_ Fred! _ riram as três.

 

_ Por que acham que eu as trouxe aqui? Pela inteligência? Ora, por favor.

 

_ E pelo o que mais seria? _ perguntou Jane.

 

_ Pela beleza, claro. _ fingiu ser óbvio _ Por que motivo eu iria querer ser visto sozinho no meio de três mulheres, isso sinceramente me desfavorece.

 

_ Quanta bobagem. _ riu Charlotte _ Vamos entrar, antes que alguém o escute.

 

_ Charlotte, você tem que me ouvir mais. É por isto que esta encalhada como a Lizzy.

 

_ Não estou encalhada. _ retrucou Lizzy aborrecida.

 

_ Ok, depois conversamos, novamente sobre este tema. _enfatizou o novamente _ Por que acham que fomos convidados para esta festa? Já mostrei nosso trabalho a eles, incluindo fotos e, um dos sócios ficou bem motivado, com o nosso quadro de voluntários femininos.

 

_ Você só pode estar brincando? _ perguntou Lizzy indignada. _ Por que não nos contou isso antes?

 

_ Vocês não teriam vindo se eu contasse. _ deu-lhe um sorriso matreiro.

 

_ Vou embora, agora! Venha Jane.

 

_ É brincadeira, Lizzy. _ gargalhou Fred _ Passou o mal estar no estômago?

 

_ Não teve graça. _ sua expressão zangada, desanuviou-se, conforme ouvia o riso dos amigos _ Passou o mal estar. _ rindo por fim _ Por que fala estas coisas?

 

_ Nada.

 

_ Você nunca diz algo por nada.

 

_ Foi somente algo que observei, mas não se preocupe, não foi somente por isso que nos convidaram, são pessoas realmente sérias. _ continuou rindo _ Você é realmente incapaz de ser uma mulher objeto. _Lizzy, franziu a testa, Fred às vezes, era incompreensível _ Venha, Godness, vou lhe dar a honra de entrar de braços dados comigo no salão.

 

Ao entrarem no salão, não puderam conter o ar de encantamento, o local estava belíssimo, a decoração simples e sofisticada ao mesmo tempo. Vários convidados já estavam presentes. Lizzy não pode deixar de se sentir um peixe fora d’água, notou que seus acompanhantes também possuíam o mesmo sentimento, mas como ela, foram capazes de disfarçarem muito bem. A sensação de borboletas no estômago continuava e uma nova sensação se fez presente, a de estar sendo observada, procurou ao redor, atentamente, para ver se encontrava a pessoa que a observava com tanta insistência, porém sem sucesso, a sensação ia e vinha, a deixando aborrecida. Pouco mais de 20 minutos e Fred encontrou um dos executivos que o haviam convidado, Charles Bingley.

 

_ Boa noite, Fred! Que prazer em tê-lo conosco, esta noite. _ cumprimentou-o animadamente.

 

_ Boa noite, Sr. Bingley! O prazer é nosso.

 

_ Por favor, nada de senhor, me chame de Charles.

 

_ Claro! Permita-me apresentar minhas amigas. _ voltando-se para as três _ Jane e Elizabeth Bennet e, Charlotte Lucas.

 

_ É um imenso prazer conhecê-las, sen...

 

_ Senhoritas! _ completou Lizzy, achando graça do jeito dele, apertando-lhe a mão, sendo seguida pela irmã e Charlotte _ A festa esta linda.

 

_ Obrigado! Então, todas vocês fazem parte da ONG? _ dirigindo-se a Jane, Lizzy não pode deixar de perceber o modo diferente como este a olhava.

 

_ Sim, Charlotte é a tesoureira, Elizabeth é a responsável pelo centro cultural e eu pelo centro profissionalizante.

 

_ Excelente, é ótimo ver pessoas tão engajadas. Nosso corpo executivo gostou muito da proposta de vocês, queremos conhecê-los melhor. Tenho certeza de que se os demais aprovarem será o início de uma parceria muito promissora.

 

_ Sem dúvidas. _ balbuciou Lizzy para Fred, lançando-lhe um olhar divertido.

 

Charles conversou por mais alguns minutos com eles, deixando-os para cumprimentar outras pessoas. Como Elizabeth ainda sentia-se estranha, precisava de um pouco de ar fresco, deixando os amigos, acabou deparando-se com a área próxima a cozinha, o movimento ali era grande, devido ao número de copeiros, cozinheiros e auxiliares. Um choro baixinho chamou-lhe a atenção.

 

_ Olá! _ uma moça morena, assustou-se, escondendo o rosto _ Você esta bem?

 

_ Estou. _ sussurrou entre soluços.

 

_ Mas, porque você esta chorando?

 

_ Não é nada, senhora. _ tentou levantar-se, mas não conseguiu, Lizzy pôde ver que seu tornozelo estava inchado.

 

_ Nossa! Você esta machucada precisa ir a um hospital. _ ajoelhou-se, tocando-lhe o tornozelo.

 

_ Não, senhora. Eu deveria estar trabalhando, não posso ir a um hospital.

 

_ Mas como?

 

_ Minha mãe precisa do dinheiro que eu deveria ganhar aqui hoje.

 

_ Mas, você não tem condições de trabalhar. O que iria fazer?

 

_ Copeira, mas meu amigo foi ver se consegue uma vaga para lavar a louça, assim posso ficar parada em algum lugar, o valor é menor, mas pelo menos não fico sem nada.

 

_ Isso só vai piorar o seu tornozelo, quanto você receberia? _ foram interrompidas por um rapaz.

 

_ Ana, não tem mais vagas.

 

_ Oh e agora José, o que farei? _ voltou a chorar.

 

_ Ana _ chamou-lhe Elizabeth _ Quanto ganharia hoje?

 

_ Oitocentos reais.

 

_ Vou lhe dar este valor, primeiro preciso achar um caixa eletrônico.

 

_ Não, senhora. Por favor, não faça isso.

 

_ Mas ...

 

_ Não posso aceitar, obrigada por sua bondade, mas não ficaria em paz se aceitasse.

 

_ Então, vamos fazer o seguinte. Trabalho no seu lugar. Ainda tem esta vaga não tem José?

 

_ Sim ...

 

_ Ótimo!

 

_ Por favor, como à senhora vai trabalhar no meu lugar, isso não é certo.

 

_ Ana, primeiro pare de me chamar de senhora. Não sou tão velha assim. _ sorriu-lhe _ E você precisa do dinheiro, nada justo que ele venha do trabalho, você esta certa em não querer aceitar o meu dinheiro. Mas, quero lhe ajudar, então trabalho no seu lugar. Hum, vou precisar de um uniforme e sapatos, não vou poder servir de salto alto.

 

_ Venha, vou lhe mostrar o vestiário, lá tem o uniforme que precisa.

 

_ José!

 

_ Ana, você precisa do dinheiro e ela quer ajudar.

 

_ Esta bem. _ aceitou encabulada.

 

_ Então, vamos. Mas, arrume alguém para levá-la a um hospital. Tome, se precisar de um táxi. _ deu dinheiro a José.

 

_ Obrigado, Deus lhe pague.

 

_ Não me agradeça. Hum, o Marcelo vai ficar enfurecido.

 

_ Seu namorado? _ perguntou Ana, preocupada.

 

_ Não. Meu cabeleireiro, ele ficou horas me penteando. _ riu _ Vou desmanchar seu penteado em menos de cinco minutos. _ todos riram, Lizzy acompanhou José, minutos depois estava servindo bebidas na festa.

 

_ Jane, aonde esta Lizzy? Faz um tempão que não a vejo.

 

_ Não sei Fred. Achei que estava com você.

 

_ Não, será que como você, também arranjou um bofe escândalo?

 

_ Pare, Fred, não arranjei nada.

 

_ Hum-hum, meu bem. E o que é aquele ruivo lindo que não para de te chamar para dançar e não tira os olhos de você?

 

_ Charles !?! Esta somente sendo gentil, conosco.

 

_ Conosco? Ele ainda não me convidou nenhuma vez e a você Char?

 

_ Nenhuma. _ riu _ Mas, o que será que aconteceu com a Lizzy?

 

_ Estou preocupada, será que foi embora e não nos avisou?

 

_ Não pode ser Jane. Ela sabe o quanto esta festa é importante, temos que apresentá-la ao Sr Darcy, ele quer conhecer o responsável pelo centro cultural. Ops ...

 

_ O que foi Fred?

 

_ O seu bofe escândalo, esta vindo para cá acompanhado do Sr Darcy. Sorriam meninas, vamos fingir que não estamos em pânico.

 

_ Boa noite, Fred!

 

_ Boa noite, Sr Darcy. Garotas este é o Sr Darcy. Sr Darcy estas são Jane Bennet e Charlotte Lucas.

 

_ Prazer. _ cumprimentou-as com uma educação polida.

 

_ Jane é a responsável pelo centro profissionalizante e Charlotte pela tesouraria.

 

_ Acredito que já conversaram com Bingley e Matlock?

 

_ Sim, conversamos. _ respondeu Charlotte.

 

_ Ótimo! Soube que a pessoa responsável pelo centro cultural, também veio. Gostaria de conversar com ela.

 

_ Sim, realmente. Elizabeth Bennet, ela esta ...

 

_ Esta no toalete. _ respondeu depressa Charlotte, neste momento uma ruiva aproximou-se chamando a atenção de todos.

 

_ William aí esta você. Estou te procurando há horas.

 

_ Caroline, algo importante?

 

_ Numa festa? Claro, você me deve uma dança.

 

_ Caroline, estamos tratando de negócios. _ reprimiu-a Charles.

 

_ Ora, maninho. Vocês deveriam tratar desses assuntos numa hora oportuna, estamos numa festa. _ mediu de cima a abaixo, os três desconhecidos.

 

_ Caroline, a festa esta apenas começando, pagarei minha divida. _ respondeu com educação, porém sem nenhum gesto de intimidade, voltando-se para Fred.

 

_ Aguardemos, então a Srta Bennet. Gostaria de começar a discorrer sobre o assunto enquanto a aguardamos?

 

_ Claro ... _ foi interrompido por uma copeira, que servia champanhe, todos começaram a se servir _ Bem temos algumas atividades artísticas, como dança, teatro, desenho .. er obrigado, Lizzy _ pausa _ Lizzy! _ exclamou espantado.

 

_ Fred. _ retrucou sorrindo.

 

_ O que faz? O que esta fazendo? Por que esta servindo? Onde esta o seu vestido? Quem arruinou o seu penteado?_ Jane, Charlotte e Lizzy não se contendo riram da expressão assustada de Fred.

 

_ Estou ajudando uma pessoa. _ continuou rindo.

 

_ Oh, mas o que houve?

 

_ Depois te conto. _ sussurrou-lhe ao ouvido _ Preciso servir.

 

_ Mas, Lizzy o Sr Darcy, gostaria de conversar com você sobre os projetos culturais.

 

_ Ahn ... Prazer, Sr Darcy. _ estendeu-lhe uma das mãos, enquanto equilibrava a bandeja com a outra, notou a expressão fria, com que este retribuiu seu aperto de mão, porém o aperto foi forte e franco, da maneira como ela considerava que deveria ser um aperto de mãos _ Sinto, este contratempo, mas tenho certeza de que Fred pode lhe fornecer as informações de que necessita.

 

_ Se a senhorita prefere, assim. _ respondeu friamente.

 

_ Bem, com licença. _ voltou-se para Fred _ Desculpe _ disse movendo somente os lábios, afastando-se, Jane e Charlotte pediram licença e foram atrás dela.

 

_ A Srta Elizabeth, não me parece muito comprometida.

 

_ É uma pena, que tenha tido esta impressão. Elizabeth é uma das pessoas mais comprometidas, que conheço, não sei o que faria sem ela. Confio completamente nas decisões dela e se não pôde nos dar atenção neste momento, é porque foi estritamente necessário, lhe garanto.

 

_ Se é desta maneira, vamos conversar sobre os projetos. _ Darcy os guiou até uma mesa mais reservada.

 

Depois da conversa, Fred procurou por Jane e Charlotte e, estas contaram o motivo pelo qual, Lizzy estava servindo de copeira. Como a hora avançava e estavam todos cansados, procuraram por ela, pois deveriam ir embora.

 

_ Lizzy, temos que ir.

 

_ Podem ir sem mim, Jane. Terei que ficar até o final, pegarei um taxi.

 

_ Então, esperarei por você.

 

_ Não, amanhã temos muito que fazer pelo menos uma de nós, deve estar inteira. _ riu.

 

_ Ela tem razão, Jane. _ Fred interveio _ Vamos, esta maluquete vai ficar bem. _ voltando-se para ela _ Lizzy ...

 

_ Fred _ interrompeu-o _ Me perdoe, se atrapalhei tudo.

 

_ Não pense nisso, nunca tive tanto orgulho de alguém. Eu não teria feito melhor. Além do mais, existem outras empresas.

 

_ Então, perdemos o patrocínio?

 

_ Na verdade não sei. Vão entrar em contato conosco, para a resposta, nem tudo esta perdido.

 

_ Prometo, que vou ajudá-los a procurar novos patrocinadores.

 

_ Relaxe. _ abraçou-lhe, dando-lhe um beijo na testa _ Me ligue assim que chegar a sua casa.

 

_ Certo, papai.

 

Mais algumas horas e a festa teve seu fim, Elizabeth recebeu o valor do trabalho e deu-o a Ana, que após ter ido ao hospital, a esperava, trocou-se e finalmente deixou a mansão para voltar para casa, estava exausta. Logo, percebeu que naquele horário seria difícil pegar um taxi. Abriu sua bolsa, para pegar o cartão de um taxista conhecido, que sempre lhe salvava nestes momentos, até que um Aston Martin DBS*, preto, parou a sua frente.

 

*http://www.webluxo.com.br/menu/autos/2009/aston-martin-carbon-black.htm

 

_ Ótimo! _ pensou olhando a sua volta, notando os vigias da mansão _ Um playboy há esta hora! _ o vidro do carro abaixou.

 

_ Srta Elizabeth.

 

_ Sr. Darcy?

 

_ Precisa de uma carona?

 

_ Er .. não, estou chamando um taxi, obrigada. _ observou ele tirar o cinto de segurança e descer do carro, dirigindo-se a ela.

 

_ Por favor, não posso deixá-la sozinha há esta hora. _ apesar de apreciar o gesto dele, seu tom era frio e arrogante, Lizzy não respondeu _ Por favor, insisto.

 

_ Tudo bem, obrigada. _ respondeu, após alguns segundos, Darcy abriu a porta do veículo para que ela entrasse, entrando em seguida.

 

_ Onde mora?

 

_ Jardim São Paulo, zona norte, fica ...

 

_ Não se preocupe sei onde fica. Podemos aproveitar para que você me conte como é o seu trabalho na ONG.

 

_ Ok. _ durante todo o trajeto, Elizabeth falou sobre os projetos da ONG, como Darcy não a interrompia, esqueceu-se de quem ele era e falou com empolgação, até que chegaram ao seu bairro e explicou-lhe como chegar a sua casa, até pararem de frente a ela. _ Bem, obrigada pela carona. _ abriu a porta.

 

_ Espere, antes de sair me diga o que aconteceu hoje na festa.

 

_ Não é nada importante.

 

_ Por favor, não é sempre, que um dos meus convidados, tornam-se empregados, no meio da festa.

 

_ Estava ajudando uma garota. Ela torceu o pé e não podia trabalhar, encontrei-a chorando. Simplesmente não podia deixá-la, no estado em que estava e precisava muito do dinheiro.

 

_ Hum. _ tornou-se mais sério e pensativo.

 

_ Bem, mais uma vez, obrigada.

 

_ Diga para Fred, entrar em contato amanhã, com minha secretária, para verificar a papelada necessária para o nosso apoio.

 

_ Vai nos ajudar? _ voltou-se novamente para ele.

 

_ Sim.

 

_ Obrigada. _ beijou-lhe a face e desceu do carro _ Boa noite! _ continuou sorridente, fechando a porta do carro e dirigindo-se rápida para o interior da casa. Darcy aguardou até que a porta se fechasse, saindo em seguida.

 

Ao entrar em casa, pegou o celular e ligou para Fred.

 

_ Alô! _ ouviu-se uma voz sonolenta.

 

_ Fred!! _ exclamou empolgada.

 

_ Lizzy, que bom que esta em casa, tchau ...

 

_ Espere! Conseguimos!!

 

_ Conseguimos? _ perguntou ainda sonolento.

 

_ O apoio, a DMB vai nos ajudar.

 

_ O quê? _ despertou por completo _ Como?

 

_ O Sr Darcy, me disse ao me deixar em casa.

 

_ Ele te deixou em casa? Lizzy, o que você fez? _ perguntou maroto.

 

_ Pare com isso, seu engraçadinho. Amanhã conversaremos boa noite.

 

_ Boa madrugada, Godness. _ desligou rindo.

 

 

***~***~***~***~***

 

22 de Dezembro

 

Reunião ONG

 

_ Olá a todos! Hoje como todos sabem, faremos o sorteio para as duplas de voluntários da nossa tradicional Ceia de Natal. Cada dupla será responsável por atividades, como servir, limpar, cozinhar, dessa forma ficamos mais organizados. Este ano, temos novos voluntários e teremos o prazer de ter voluntários da DMB, o Sr Bingley esta hoje aqui, representando estas pessoas.

 

_ Que legal! _ exclamou Jane para Elizabeth.

 

_ Hum-hum. _ sorriu.

 

_ O quê?

 

_ Vamos começar. Charlotte, por favor, me ajude. A primeira dupla é: Carlos Marins e Angelica Costa, Rafael Braga e Thiago Fonseca, Lydia Bennet e Georgiana Darcy, Charlotte Lucas e William Collins ... Jane Bennet e Charles Bingley ...

 

_ Ah, não acredito. _ riu Lizzy, para uma Jane vermelha.

 

_ Pare, Lizzy. Estamos aqui para ajudar.

 

_ Claro, mas pelo sorriso do Sr Bingley, tenho certeza de que sua noite será muito mais agradável do que o normal.

 

_ Sem duvida, ele é o homem mais agradável que conheci. Mas, não pense que ele tem algum interesse em mim.

 

_ Jane, ele vem aqui todos os dias, desde que começaram a nos apoiar.

 

_ É porque ele também quer ajudar. Não é só ele que vem aqui, o Sr Darcy também.

 

_ Por motivos diferentes. _ riu _ Não vou esquecer a cara de esnobe dele. _ imitou-o _ Elizabeth, tolerável. Mas, não o suficiente bela para me tentar. _ gargalhou _ Os ingleses, são muito estranhos. _ continuou rindo.

 

_ Ainda não acredito que ele tenha dito isto.

 

_ Mas, disse Jane. _ sorriu _ Eu o perdoaria facilmente, se o orgulho dele não tivesse ferido o meu. De qualquer forma, não teremos muito contato. Ao contrário de você, ele é o homem mais detestável que conheci.

 

_ ... e Elizabeth Bennet ...

 

_ Quem? Você ouviu Jane? Com quem vou fazer par?

 

_ Fitzwilliam Darcy. _ olhou-a preocupada.

 

_ Tem certeza? Não seria Matlock?

 

_ Não.

 

_ Droga e lá se vão meus sonhos de uma noite agradável.

 

***~***~***~***~***

 

 

Mansão dos Darcy

 

_ Boa noite, a todos!

 

_ Boa noite, Charles. _ cumprimentou Darcy.

 

_ E então, Charles? Como foi o sorteio? Estou tão ansiosa, nunca fizemos nada parecido.

 

_ Você vai adorar, Georgiana. As pessoas lá são muito interessantes.

 

_ Leia-se, Jane Bennet. _ brincou Fitz.

 

_ Também, meu amigo. _ sorriu _ Georgi, você fará dupla com uma mocinha da sua idade, Lydia Bennet, ela é muito engraçada.

 

_ Que agradável. _ retrucou Caroline, num tom cínico.

 

_ Caroline você fará dupla com a Sra Bennet.

 

_ Oh, não. Aquela senhora tagarela? _ todos riram de sua expressão de martírio.

 

_ E você Charles? _ empolgou-se Georgiana.

 

_ Ah, querida Georgi, fui agraciado. _ sorriu _ Passarei a noite ao lado de um anjo.

 

_ Isso é marmelada. Jane Bennet? _ perguntou Fitz.

 

_ Bingo. _ riu ainda mais Charles, Darcy do outro lado da sala, apenas ouvia enquanto olhava para fora da janela _ E você, Will? Não quer saber com quem fará dupla?

 

_ Isso não importa, Charles.

 

_ Acho que você vai gostar. _ conseguiu a atenção do amigo _ Elizabeth Bennet.

 

_ A copeira !?! _ disse com assombro, Caroline.

 

_ A moça dos olhos bonitos? _ perguntou Georgina, Darcy continuou sem esboçar reação.

 

_ Estaremos na companhia de todos os Bennet’s de São Paulo! _ continuou, Caroline, indignada.

 

_ Estou vendo que vocês não farão caridade alguma neste Natal. _ divertiu-se Fitz, este não participaria, pois viajaria para Londres, para passar o Natal com os pais e com outros parentes.

 

***~***~***~***~***

 

24 de Dezembro

 

Elizabeth chegou uma hora antes na ONG.

 

_ Lizzy, esta ansiosa?

 

_ Sempre, fico Fred. Mamãe ainda vai demorar a se arrumar, quer impressionar o Charles, agora que ele esta namorando com Jane. Pobre, Jane.

 

_ Pobre, Charles. _ riram _ Rápido ele não? Achei que só rolaria depois das festas. Mesmo assim, continuo ótimo.

 

_ Continua ótimo? Não vai me dizer ...

 

_ Não vou te dizer. _ riu _ Minha meta é você, Srta Bennet, mas isso já esta encaminhado.

 

_ O que quer dizer?

 

_ Nada meu bem. Minha intuição não falha.

 

_ Fred, a intuição é uma virtude feminina. _ sorriu.

 

_ Estou numa condição superior, Godness. Tenho virtudes que você nem imagina. _ riram _ Bem, que tal me contar um “bafão”? Estou opaco de curiosidade.

 

_ Curioso com o quê?

 

_ Criança, você passou o dia todo com aquele deus grego do Darcy, sozinha na salinha.

 

_ Estávamos organizando os descartáveis, ficou louco? E não entendi porque você nos fez organizar isso sozinhos, estou exausta.

 

_ Ora, vai me dizer que não conversaram?

 

_ Sobre o quê? Acredite, não existe no mundo duas pessoas que tenham menos a se falar do que nós dois.

 

_ Difícil acreditar. _ retrucou, malicioso.

 

_ Não me tente. _ riu _ Ele sequer fala comigo, só fica me olhando, com aquele jeito reprovador. Ao menos não estou sofrendo sozinha, é tão difícil para ele quanto para mim.

 

_ Estou chocado! Será que terei que desenhar para vocês?

 

_ Espero que não. Já vi um dos seus desenhos. _ riu.

 

_ Boa noite!

 

_ Sr Darcy! Georgiana! Ótimo terem chegado tão cedo. Sei que não tiveram a oportunidade de conhecerem nosso pequeno “complexo”, Elizabeth terá um imenso prazer em mostrar-lhes, não é, Lizzy?

 

_ Claro que sim. Venham. _ tomou Georgiana pela mão, dirigindo-se a esta _ Você vai adorar nossa sala de música. Soube que você é uma excelente pianista.

 

_ Quem lhe contou? _ perguntou surpresa.

 

_ Seu irmão, nas poucas vezes em que balbuciou alguma coisa, comigo. _ sorriu, encarando Darcy.

 

_ Will, não é de falar muito, mas sempre diz a coisa certa. _ sorriu para o irmão.

 

_ Verdade? Bem, eu falo bastante, espero ter 1/3 da sensatez do seu irmão.

 

_ Oh, pelo que ele me contou de você, você tem muito mais que ele.

 

_ Então, ele fala sobre mim? _ enrugou a testa.

 

_ Vocês poderiam parar de falar sobre mim, como se eu não estivesse presente. _ sorriu, falando num tom afetuoso.

 

_ Por quê? Esta tão mais divertido, assim. _ brincou, Lizzy, entrando na sala de música.

 

As 19h00min, todos os voluntários haviam chegado e os convidados, as pessoas atendidas pela ONG, começavam a chegar. A cozinha estava a todo vapor e enormes travessas, eram encaminhadas para o salão principal. Elizabeth e Darcy posicionaram-se frente à mesa, a tarefa deles era servir arroz e farofa, o jantar seguiu animado, Lizzy nunca havia de fato, reparado em como Darcy era bonito e o quanto ainda mais bonito ficava ao sorrir e aquela noite, o sorriso não saia dos seus lábios. Talvez, pela antipatia que havia adquirido por ele, nestes poucos dias de conhecimento mútuo. Ela sentiu sinceramente que ele estava gostando de estar ali, na companhia de pessoas tão simples, pôde até admirá-lo por ter preferido aquele ambiente ao invés de uma ceia luxuosa com pessoas esnobes. Após servirem, os voluntários também, sentaram-se a mesa para cear, ao terminarem a sobremesa todos foram convocados ao jardim, onde as crianças receberiam presentes.

 

Lydia, Kitty e Mary, irmãs de Elizabeth, Georgiana e mais alguns adolescentes, estavam caracterizados de ajudantes de Papai Noel, para criar um clima mágico, àquelas crianças, acostumadas com tão pouco. Com o fim da entrega de presentes, a maior parte dos voluntários, retornou ao salão de refeições, para a organização e limpeza, enquanto outros, responsáveis pela continuidade da festa, cuidavam do som e incentivavam as pessoas a dançarem. A tarefa de limpeza estava terminada e Lizzy, viu-se sozinha no quintal dos fundos, depositando o último saco de lixo descartável, no tambor dos reciclados, quando prestou atenção na música* que vinha do jardim, fechando os olhos para curti-la, pois adorava aquela música.

 

*http://www.youtube.com/watch?v=ESQb64VEwZA&feature=related

Stand By Me – versão Seal

 

_ Não se sente tentada a dançar?

 

Lizzy sobressaltou-se com a voz rouca a sua costa.

 

_ Ahn ...

 

_ Desculpe, te assustei?

 

_ Um pouco. _ sorriu, perdendo-se nos olhos azuis a poucos centímetros de si.

 

_ Então? _ sorriu-lhe Darcy.

 

_ O quê ? ...

 

_ Dança comigo?

 

_ A-aqui?

 

_ Não vejo, lugar melhor. _ enlaçou-a pela cintura, colando seu corpo ao dela, Lizzy sentiu-se inebriada, por instantes, lutando para não perder os sentidos, tentou puxar algum assunto.

 

_ Você não adora Seal?

 

_ Como a mim mesmo. _ sorriu-lhe, neste momento seus olhares cruzaram-se e como num passe de mágica, Elizabeth sentiu que finalmente estava completa, seu coração acelerou-se e sua respiração diminuiu o ritmo, sentindo o calor dos lábios dele se aproximando, fechou os olhos e o mundo parou.

  

***~***~***~***~***

 

Não sei dizer quanto tempo aquele beijo durou, mas sem duvidas foi o beijo mais longo que recebi, nem consigo dizer a sensação, foi uma gama tão grande de sensações agradáveis que é difícil descrever. Acredito que jamais vou sentir algo tão intenso assim novamente. Quando o beijo terminou, ele me disse naquela voz rouca e olhando profundamente em meus olhos:

 

_ Estou irremediavelmente apaixonado por você, minha Lizzy.

 

Nem preciso dizer que dei meu coração a ele, sem pestanejar. Por que será que emburrecemos nestes momentos? Sequer raciocinei no que esta frase curta e simples, queria dizer, é amigas por que uma frase como esta, está repleta de mensagens subliminares, mas só fui entender isso, algumas horas mais tarde. Pois, quando tudo estava ficando ainda melhor, aquela horrorosa da Caroline, nos interrompeu e juro se um olhar tivesse o poder de matar, não teria tido a mínima chance. Mas, apesar de Caroline, combinamos em nos encontrarmos duas horas depois, no apartamento de Jane, minha casa estava cheia de parentes e já havia combinado com Jane, que ficaria no apartamento dela, soube um pouco depois que ela iria para a casa de Charles, para conhecer os pais dele, havia uma grande festa por lá, que terminaria possivelmente, pela manhã.

 

Não vou detalhar o que aconteceu, mas a minha expectativa, virou uma grande frustração. Darcy repetiu estar apaixonado, mas junto com esta palavra adorável, vieram outras de sentido completamente diverso, falou sobre luta interna, estar indo contra seu caráter e bom senso, nossa diferença social, jamais havia sofrido algum tipo de preconceito assim tão diretamente, foi horrível, minha tristeza, virou raiva e disse a ele coisas ainda mais terríveis. Primeiro ele tentou se justificar, mas depois seu orgulho falou mais alto e não tendo mais nada a nos dizer, ele se foi, tão abatido quanto eu. Meu coração estava estilhaçado, não pude ir ao almoço na ONG, soube depois que ele também, não. Fred e Charlotte vieram ao meu socorro e se não fosse por eles não sei o que teria sido, pois não podia contar com Jane, não podia atrapalhar a felicidade de minha irmã, naquele momento, pois sei que ela teria deixado Charles, para ficar comigo.

 

No dia seguinte, ao menos por fora, estava recuperada, não deixei que nenhuma marca dos meus ferimentos, fosse exposta e segui minha rotina. A escola de dança estava fechada, para as férias, porém continuei me exercitando todos os dias, com um afinco fora do normal, ao menos enquanto eu dançava, minha mente estava livre de pensamentos, estava livre de Fitzwilliam Darcy.

 

Os poucos dias até o Ano Novo foram longos e tumultuados, Jane sofreu com o veneno da irmã de Charles, tentando os separar. Soube que Darcy os ajudou neste momento, também soube de muitas outras coisas sobre ele, que amenizaram o meu sentimento de raiva e apesar de tudo, mudaram minha visão sobre ele. Quem foi o responsável por isso? Georgiana, ela passou a ir todos os dias na ONG e passamos muitas horas juntas, sei que ela é parcial ao falar do irmão, mas sei também, que ela é sincera, ninguém verdadeiramente mal e desumano receberia tanto amor de um irmão. Sei disso, tenho quatro irmãs, malucas e completamente diferentes entre si. Soube também, que ele não estava bem, mas ao que tudo indicava Georgi, não sabia o que havia acontecido entre nós. Eu estava magoada, mas saber do sofrimento dele, não me fez bem algum. Encontramos-nos no dia 30 pela manhã e pude notar que ele realmente estava abatido, não tivemos oportunidade de nos falar, porém tentei demonstrar a ele, que havia deixado de lado o que aconteceu e que poderíamos ser amigos. Não sei dizer, se ele foi capaz de compreender meu gesto.

 

No final da noite deste mesmo dia, estávamos nos preparando para fechar a ONG, quando uma senhora inglesa, com aparência elegante e traços finos, adentrou a sala em que me encontrava, falando impropérios em inglês, para minha sorte a maioria dos presentes não entendeu o que ela dizia, infelizmente eu compreendia perfeitamente, o nome dela é Lady Catherine De Bourgh, tia de Darcy, que se abalou de Londres, ao saber do boato de que seu sobrinho se casaria comigo. Neste momento, percebi que a mulher era completamente louca. Tentei achar graça, no começo, mas foi antes de ela começar a me ofender, me chamando de oportunista e vigarista, que seu sobrinho estava comprometido com a filha dela e que eu deveria jurar que jamais casaria com ele, pois receberia uma quantia obscena para deixá-lo livre. Nem preciso mensurar o tamanho do meu espanto e indignação, quando ouvi isso. E, claro nada me faria aceitar proposta tão indecente. Declarei que se fosse a vontade dele, me casaria imediatamente, pois seria a mulher mais feliz do mundo, mesmo que todos me virassem as costas. Ela foi embora, praguejando e eu fique ali, sentindo-me mais triste do que já estava. Mas, eu deveria esquecer tudo aquilo, Jane e Charles, me convenceram a passar o Réveillon com eles em Londres. Eu possuía passaporte e foi muito fácil para Charles conseguir o visto, nada como ser rico e influente.

 

Aqui estou eu, em Londres, cercada de pessoas que não conheço, numa festa organizada pelos amigos britânicos de Charles, numa propriedade chamada Pemberley, o lugar é simplesmente imenso, não pude me aventurar pela mansão, é assim que chamam, mas para mim isso é um castelo. O salão de baile esta lotado, Jane e Charles, não me deixam sozinha, por isso, vou ter que me perder deles, para deixá-los mais a vontade.

 

_ Jane, vou ao toalete.

 

_ Lizzy, da outra vez que numa festa você foi ao toalete, virou copeira. Vou com você.

 

_ Nada disso, Jane. Prometo que hoje, vou só ao toalete. Bem, quem sabe no meio do caminho, não encontro um inglês, disposto a fazer a caridade de me tirar para dançar? _ sorriu, piscando-lhe.

 

_ Esta bem, mas não se demore, ficaremos aqui.

 

_ Tudo bem. _ Lizzy, estava disposta a demorar o maior tempo possível, andou a esmo pelo salão, até que reconheceu um rosto _ Fitz !?!

 

_ Elizabeth! Que prazer.

 

_ Não sabia que estava aqui. Charles, não comentou nada.

 

_ Não tinha certeza de que viria. Como foi sua viagem?

 

_ Ótima.

 

_ Esta gostando da Inglaterra?

 

_ Tirando este frio, congelante, estou adorando. Sempre quis conhecê-la.

 

_ É muito bom que goste daqui, vá se acostumando com o frio.

 

_ Não terei tanto tempo para me acostumar, vamos ficar somente mais dois dias.

 

_ Ahn ... claro, claro. Que tal uma dança?

 

_ Será um prazer.

 

Durante a dança, conversaram sobre os locais nos quais Charles, deveria levar Lizzy e Jane, para conhecerem, em nenhum momento Fitz tocou no nome de Darcy, para alívio e tristeza de Lizzy. A meia noite se aproximava e Elizabeth voltou para o lado da irmã, deu-se início a contagem regressiva, a virada foi comemorada com muitos fogos, brindes e felicitações. Quando os ânimos se acalmaram, a atenção de todos foi chamada para um palco e o cantor Seal, foi anunciado, este desejou um ótimo ano a todos e o inesperado aconteceu.

 

_ Atendendo a um pedido de um grande amigo, estou aqui para cantar uma canção há uma mulher especial e maravilhosa. Elizabeth Bennet, esta canção* é somente para você. _ no momento em que ele pronunciou o nome de Elizabeth, a luz do ambiente apagou-se e um refletor iluminou-a, deixando-a completamente sem reação.

 

*http://www.youtube.com/watch?v=ESQb64VEwZA&feature=related

Stand By Me – versão Seal

Stand By Me

Fique comigo

When the night has come

Quando a noite tiver chegado

And the land is dark

E a terra estiver escura

And the moon is the only light we'll see

E a lua for a única luz que veremos

No I won't be afraid, no I won't be afraid

Não, eu não terei medo, não eu não terei medo

Just as long as you stand, stand by me

Apenas se você ficar comigo, ficar comigo

And darling, darling stand by me, oh now now

Então querida, querida, fique comigo

Stand by me

Oh, fique comigo, oh, fique

Stand by me, stand by me

Fique comigo, fique comigo

 

Lizzy não conseguia pensar em nada, seus olhos estavam fixos no cantor, enquanto ele sorria-lhe, mantendo sua performance. Até que um refletor iluminou outro local, Seal parou de cantar e uma voz rouca e familiar tomou conta do ambiente, continuando a canção. Os presentes abriam caminho e Lizzy acompanhou com os olhos o refletor, que se dirigia em sua direção. Quando a luz finalmente se aproximou e as pessoas afastaram-se, pôde ver Darcy, um sorriso luminoso o acompanhava enquanto ele continuava cantando e se aproximando lentamente, com os olhos fixos nela. Elizabeth sentiu suas pernas fraquejarem e somente conseguiu devolver-lhe o sorriso.

 

If the sky that we look upon

Se o céu que olhamos

Should tumble and fall

Desabasse e caísse

And the mountains should crumble to the sea

Ou as montanhas desabassem rumo ao mar

I won't cry, I won't cry, no I won't shed a tear

Eu não choraria, eu não choraria, Não, eu não derramaria uma lágrima

Just as long as you stand, stand by me

Apenas se você ficar comigo, fique comigo

And darlin', darlin', stand by me, oh stand by me

Então querida, querida, fique comigo, fique comigo, fique

Stand by me, stand by me, stand by me-e, yeah

Fique comigo, fique comigo

(violins)

Violinos

 

Darcy terminou o último refrão, enlaçando-a pela cintura, Lizzy passou os braços em torno dos ombros dele, alheios a todos, dançando ao embalo dos violinos.

 

_ Você não adora o Seal?

 

_ Como a mim mesma. _ sorriu-lhe, repetindo as palavras que uma vez ele lhe dissera, continuando a dança, hipnotizada por aqueles olhos azuis profundos, a luz dos refletores apagou-se, uma luz fraca iluminava o ambiente, convidando a todos a participarem daquela dança, Seal voltou a cantar.

And the mountains should crumble to the sea...

E as montanhas desabassem rumo ao mar...

When the night has come

Quando a noite tiver chegado

And the land is dark

E a terra estiver escura

And the moon is the only light we'll see

E a lua for a única luz que veremos

Darlin', darlin', stand by me-e, stand by me

Então querida, querida, fique comigo,

Oh stand by me, stand by me, stand by me.

Oh, fique comigo, oh, fique fique comigo, fique comigo

Whenever you're in trouble won't you stand by me,

Jamais estaremos em perigo, fique comigo

Oh now now stand by me

Oh, agora, agora, fique comigo

Oh stand by me, stand by me, stand by me.

Oh, fique comigo, fique comigo, fique comigo

 

_ Stand by me. _ pediu-lhe Darcy, acompanhando a última frase da música.

 

_ Forever. _ sussurrou Lizzy, selando a resposta com um beijo apaixonado.

 

***~***~ FIM ~***~***

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