Citações

Seus olhos erravam por aqui, por lá, por toda a parte, maravilhados. Ela viera para ser feliz, e já se sentia feliz.(Jane Austen)

AS QUATRO ESTAÇÕES - O VERÃO (QUARTA PARTE) - CAPÍTULO III

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Capítulo III

 

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Clair de Lune - Debussy

 

   Depois da conversa com a irmã na sala de música, William percebeu que se equivocara em suas conjecturas anteriores. Em poucos momentos, Georgiana deixara de ser uma criança ingênua para se transformar numa jovem madura e sensata aos olhos do irmão. Mesmo tendo se sentido muito desconfortável a princípio, não se arrependeu por ter conversado com ela. Sentia como se o peso da carga que carregava sozinho houvesse sido aliviado por compartilhar sua história. E, mais do que nunca, sabia que poderia contar com ela em qualquer situação. Aquela certeza foi o maior conforto que ele tivera em meses.

 

   Georgiana também saíra modificada daquele diálogo. Além de sentir os laços que a ligavam a William mais estreitos do que jamais haviam estado, ela decidira assumir uma missão. A sensação de poder e independência que aquela decisão lhe dava era totalmente nova, mas muito apreciada pela jovem.

 

   No dia seguinte, ela acordou cedo e pediu que preparassem uma carruagem. A Sra. Reynolds inquiriu sobre os motivos daquela saída tão insólita, mas a moça limitou-se a dizer que faria uma visita aos Bingley em Loundsley. Apesar de estranhar as atitudes da menina, a Sra. Reynolds não mais questionou.

 

   Ao chegar a Loundsley, uma criada informou-a de que os patrões ainda não se haviam levantado, mas quando Georgiana perguntou por Elizabeth, a serviçal respondeu que ela aproveitara enquanto as gêmeas dormiam para fazer um passeio pelos jardins próximos à mansão. A menina agradeceu e disse que ela mesma procuraria pela Sra. Wickham nos arredores. 

   Encontrou-a caminhando nas proximidades do lago. Estava tão absorvida por suas próprias reflexões que Georgiana precisou chamá-la duas vezes até que ela percebesse a presença da amiga. Quando finalmente o fez, um sorriso de agradável surpresa iluminou o belo rosto de Elizabeth. 

 

   - Vim porque precisamos conversar. – ela respondeu à pergunta não verbalizada da amiga. Não precisaria acrescentar que o assunto era urgente. O horário da visita já deixava aquele detalhe bastante explícito.

 

   - Vamos nos sentar, então. – e fez sinal para que Georgiana a seguisse. Ela se dirigiu a um salgueiro cujas raízes brotavam com firmeza da terra, oferecendo assentos à beira da água. Ambas lembraram-se da tarde passada sob a sombra de uma árvore semelhante àquela, às margens daquele mesmo lago, muitos meses antes. Uma tinha apenas recordações de uma tarde agradável; a outra trazia na memória imagens vívidas que a faziam corar. 

 

   - Eu sei que você deve estar se perguntando que assunto tão importante eu posso ter para lhe falar que não pudesse esperar uma hora mais adequada. – ela fez uma pausa para respirar e Elizabeth manteve os olhos atentos, tentando ler a face corada da jovem – Eu vim por causa de meu irmão.

 

   Elizabeth não conseguiu conter uma reação involuntária de surpresa. Arqueando as sobrancelhas, ela concluiu que já deveria esperar por aquilo. Afinal, não era como se Georgiana pudesse ter outro assunto de urgência para discutir com ela.

 

   - Ele sabe que você está aqui? – perguntou finalmente.

 

   - Não. – respondeu a menina sem abaixar o olhar – Eu preferiria que não soubesse, mas acho que isso será inevitável. – como a outra permaneceu em silêncio, ela continuou – William me contou sobre tudo o que aconteceu entre vocês. 

 

   O rápido rubor que subiu às faces de Elizabeth foi rapidamente substituído por uma expressão de irritação e impaciência.

 

   - Por que ele precisava tocar nesse assunto? Você é tão jovem... Não deve se envolver com esse tipo de questão. - Georgiana fez menção de interrompê-la e ela levantou a mão pedindo que esperasse – O que exatamente ele contou a você?

 

   - Tudo. Desde como se conheceram até o nascimento das gêmeas. 

 

   - Entendo. Eu estou tentando imaginar como ele contou a história... Como ele justificou a sua atitude indigna para comigo? – ela perguntou incrédula.

 

   - Elizabeth, é preciso que saiba. William foi sincero quando disse que a amava e queria casar-se com você. Não houve um segundo sequer em que ele houvesse deixado de nutrir esse sentimento, mesmo quando sentia raiva por você ter se casado com Wickham.

   - Raiva? E que direito ele poderia ter de sentir raiva? Acaso eu fiz algum mal a ele? Sinto muito se a minha escolha para marido o desagradou, mas na época eu não tinha muitas opções. – disparou com sarcasmo pesado.

 

   Georgiana suspirou. Aquilo ia ser mais difícil do que ela pensara.

 

   - Deixe-me explicar tudo desde o começo. Há muito que você não sabe a respeito de meu irmão, de mim e de nossa ligação com George Wickham.

 

   Elizabeth voltou a arquear as sobrancelhas, mas, dessa vez, não havia surpresa em seus olhos.

 

   - Eu já conheço essa parte da história. Wickham me contou há muito tempo, antes de nos casarmos. 

 

   - O que ele lhe disse? – perguntou a moça apreensiva.

 

   - Ele me falou de como ele e William foram criados juntos, quase como irmãos, e de como o seu pai gostava dele, chegando a financiar seus estudos e prometendo um bom emprego após a sua formatura. Mas depois da morte do Sr. Darcy, William se negou a cumprir a promessa, deixando George na miséria. Na época eu acreditei quando seu irmão me disse que ele estava mentindo, mas hoje tenho as minhas dúvidas. Não que Wickham não fosse um crápula, mas não cumprir promessas é algo tão típico de William...

 

   - Por favor, Lizzy, não fale assim de meu irmão. Você não faz idéia do que está dizendo. – interrompeu Georgiana com emoção – Tudo o que Wickham lhe contou é, em parte, verdade. Ele foi, sim, criado como nosso irmão e nosso pai lhe devotava um carinho especial. Entretanto, ele não se mostrou merecedor desse afeto. Quando ele e William estudavam, meu irmão percebeu certos vícios e falhas de caráter no nosso amigo de infância. Wickham era dado a jogos de azar e bebida, desperdiçando todo o dinheiro que meu pai lhe enviava com esse tipo de diversão pervertida. Para não dar tamanho desgosto a nosso pai, William não lhe contou nada. Antes de morrer, ele prometeu um presbitério em nossas terras a George, caso ele resolvesse seguir a carreira eclesiástica, assim como a soma de mil libras. Mas George não quis tomar ordens e pediu, em troca do cargo, uma compensação monetária, concordando que jamais poderia se beneficiar de tal posto, mesmo se decidisse tornar-se clérigo mais tarde. Meu irmão lhe deu três mil libras, que, segundo ele, seriam usadas para bancar seus estudos de direito. Durante três anos não ouvimos mais falar de Wickham, até que, quando o antigo ocupante do posto que havia sido oferecido a ele em nosso presbitério faleceu, escreveu afirmando que desejava ordena-se e pedindo o cargo vago. Obviamente, William negou o pedido e George, com raiva, passou a difamá-lo por onde quer que fosse. As relações de Wickham com nossa família foram, então, cortadas. – ela fez uma pausa e suspirou.

 

   Elizabeth podia sentir a tensão crescente da amiga à medida que se aproximava daquele que devia ser o clímax da história. 

   - Infelizmente, eu era muito jovem na época e não tinha conhecimento de tais fatos, que me foram explicados mais tarde, após circunstâncias dolorosas. – ela desviou seu olhar para o lago a frente antes de continuar – Há um ano, eu saí do colégio e fui morar em Londres, com minha antiga preceptora, a Sra. Younge. No verão passado, fomos passar alguns dias em Ramsgate, onde reencontrei Wickham. Hoje sei que esse encontro não foi casual, tendo sido fruto de um acordo entre ele e minha preceptora. Quando o vi, eu ainda trazia guardada em meu coração a imagem de gentileza e afeto que fizera dele em minha infância. Após algum tempo, eu acreditei que estava apaixonada e concordei em fugir com ele. Como pude ser tão tola e leviana? – ela afundou o rosto nas mãos.

 

   Elizabeth queria dizer a ela que tudo já havia passado, que não havia porque ela se martirizar daquela forma, mas estava tão perplexa que só conseguiu esticar a mão e afagar os cabelos loiros de Georgiana.

 

   - Eu nunca vou ser capaz de me perdoar pelo sofrimento que causei a William, principalmente agora que sei da dimensão dos estragos que provoquei na vida dele – ela fez uma pausa e continuou num sussurro - nas vidas de vocês dois.

 

   - Eu... Eu não entendo. – a confusão estava evidente tanto na voz quanto na face de Elizabeth.

 

   - Sei disso. Deixe-me continuar e você entenderá. – ela respirou fundo e prosseguiu – Dois dias antes da nossa fuga planejada, William chegou inesperadamente a Ramsgate. Eu não conseguia suportar a idéia de magoá-lo daquela forma, então acabei revelando a ele todos os nossos planos. Quando descobriu, ficou furioso, naturalmente, mas não me culpou em momento algum. Ele escreveu a Wickham, que partiu imediatamente, e demitiu a Sra. Younge. Eu me lembro de como sofri durante aquele período... Sentimentos totalmente opostos me dominavam. Por um lado, eu sentia raiva de William, por ele ter impedido a concretização dos meus sonhos. Por favor, entenda que eu ainda acreditava que amava Wickham e não entendia o porquê da oposição de meu irmão ao nosso casamento. Eu só podia concluir que os motivos estavam ligados à posição inferior dele e à sua falta de dinheiro. Mas aquilo não era importante para mim. Minha herança seria o suficiente para nós dois. Eu amaldiçoava meu irmão mentalmente e chorava com o remorso por tais pensamentos depois. Somente quando ele me revelou tudo o que ocorrera entre ele e Wickham alguns anos antes e me fez enxergar os reais motivos para a reaproximação de nosso amigo de infância é que entendi e aceitei as atitudes de meu irmão. Entretanto, eu ainda era corroída por um remorso muito grande. O arrependimento por minha conduta inconseqüente, somado à decepção amorosa que havia sofrido, fez com que eu mergulhasse numa profunda depressão. 

 

   - Mas se tudo isso ocorreu no verão passado... – Elizabeth tentava juntar as peças do quebra-cabeça.

 

   - Exatamente. – prosseguiu Georgiana – Acreditando que eu estava recuperada, William acabou por aceitar o convite de Charles para passar uma temporada em Netherfield Park. Mas eu não estava recuperada. Eu fingia normalidade na frente de meu irmão, mas chorava todas as noites em meu quarto. Tentava disfarçar como podia, mas a sensação de vazio em meu peito nunca me abandonava. Quando ele partiu, não consegui mais reprimir a minha melancolia. A pobre Sra. Annesley, minha nova e amável preceptora, não sabia o que fazer comigo. Eu estava sempre pelos cantos com ar choroso. Não comia ou dormia direito. Era uma figura lamentável. Hoje me sinto envergonhada por esse comportamento tão patético.

 

   - Eu sinto muito. – foi tudo o que Elizabeth conseguiu dizer, mas aquelas palavras não eram suficientes para expressar o que ela queria dizer à amiga. Desejava poder protegê-la e confortá-la; além da sincera amizade, Elizabeth também desenvolvera um profundo carinho maternal pela moça, principalmente depois que se tornara mãe.

 

   - È claro que essa atitude de entrega à depressão acabou por afetar o meu estado físico e eu fiquei doente. A Sra. Annesley escreveu a William relatando o que se passava e ele se viu obrigado a partir imediatamente, deixando o Hertfordshire sem explicações. 

 

   Uma expressão de entendimento passou pelo rosto de Elizabeth. Tudo passara a fazer sentido. Mas por que William nunca lhe contara aquilo?

 

   - Para me poupar. – Georgiana respondeu ao ver a compreensão transformar-se em questionamento no rosto da amiga – William não queria me expor, por isso não disse a Charles os verdadeiros motivos de sua partida.

 

   - E por isso ele disse que me esclareceria no futuro quando eu perguntei a ele sobre Wickham quando nós estávamos... – ela parou abruptamente e corou – Bom, mas mesmo assim ele poderia ter me contado depois, quando estávamos colocando tudo em pratos limpos. Eu perguntei, mas ele respondeu apenas dizendo que preferia deixar aquela conversa para um outro momento. 

 

   - Bem, eu só posso supor que ele realmente não achou que aquela fosse a melhor hora. Quando vocês tiveram essa conversa?

 

   - Logo depois que as gêmeas nasceram. – ela respondeu baixando a voz até que as palavras tornaram-se um sussurro quase inaudível – Charles o levou até o meu quarto para conversarmos.

 

   - Ah, entendo. – disse Georgiana em tom conclusivo, mas sem deixar de ruborizar – Acredito que por você estar tão debilitada ele não quis abordar um tema tão... delicado.

 

   - Talvez. – ela começava a enxergar Darcy de uma outra forma. Por mais que ele houvesse errado, Georgiana lhe apresentava uma justificativa plausível para a maior das faltas dele, a que inspirara em Elizabeth seu mais profundo rancor.

 

   As duas se calaram por alguns minutos. Ambas olhavam para o lago sem realmente vê-lo.

 

   - Há algo que eu não entendo. – Elizabeth quebrou o silêncio.

 

   - O que é? – Georgiana voltou-se para ela com curiosidade.

   - Eu sei que Wickham, não valia nada; pude ver isso depois que casei com ele. E agora, depois de toda essa história que você me contou eu vejo que ele era ainda mais sórdido do que eu imaginava. Mas então, por que ele se casou comigo quando soube que eu estava grávida de seu irmão? Não é exatamente uma atitude compatível com o caráter dele.

 

   - Ele acreditava que conseguiria extorquir dinheiro do meu irmão. Sabe, ele escreveu uma carta a William pedindo dinheiro. Dizia que se ele não enviasse, você e o filho que esperava dele seriam assassinados pelos credores das dívidas de Wickham. William acreditou que ele estivesse blefando e ignorou a carta. Na verdade, depois que soube do seu casamento, ele se convenceu de que você estava mancomunada com Wickham para lhe dar um golpe. Hoje ele se martiriza pensando no que poderia ter acontecido a você, vivendo naquelas condições. Ele se arrepende amargamente por não ter enviado o dinheiro.

 

   - Aquele canalha do Wickham... – ela cuspiu a palavra com nojo – Então foi por isso que ele nunca me falou das dívidas. Devia estar esperando que William cedesse à chantagem. Assim ele resolveria o problema e eu nunca saberia de nada. Eu não sei o que teria acontecido se Charles não tivesse pagado aquelas cinco mil libras...

 

   Georgiana lançou-lhe um olhar de compreensão.

 

    - Além da possibilidade de tirar dinheiro do meu irmão, eu acredito que houve um outro motivo para o pedido de casamento de Wickham. 

 

   - O que mais poderia ser? Eu não tinha dote e ele sabia disso.

 

   - Não estou falando de dinheiro. Wickham sempre invejou meu irmão e depois de toda a situação do presbitério e também de Ramsgate, ele passou a nutrir um profundo ódio por William. Acho que ele pensava que, casando com você, teria a sua vingança.

 

   - Mas nós achávamos que William havia me abandonado... Como ele poderia atingir seu irmão casando comigo se aparentemente eu não significava nada para ele?

 

   - Ele conhecia o caráter de meu irmão. Sabia que William não era dado a conquistas amorosas e muito menos a voltar com a palavra empenhada. Se ele lhe havia proposto casamento, era porque a amava verdadeiramente. Se fora embora sem explicação, era porque tinha um bom motivo e pretendia voltar. A oportunidade de tirar algo tão precioso de William foi demasiado tentadora para aquele patife.

 

   O silêncio de Elizabeth estava carregado de compreensão. Definitivamente, tudo passara a fazer sentido.

 

   - Eu preciso ir agora. William deve estar acordando e logo perceberá a minha ausência. 

 

   - É claro, minha querida. – disse Elizabeth enquanto se levantava e ajudava Georgiana a fazer o mesmo – Vou acompanhá-la até a porta.

 

   - Obrigada.

   As duas caminharam em silêncio até a entrada da mansão, onde a carruagem esperava a jovem Srta. Darcy. Chegando lá, as amigas despediram-se com um abraço e Georgiana partiu.

 

   Quando Elizabeth voltou para a mansão, as gêmeas já haviam acordado e estavam com fome. Após amamentá-las e passar algum tempo admirando-as em seus berços, Elizabeth chamou Susan para tomar conta delas e foi ter com os outros, que já tomavam o desjejum.

 

   Ao chegar à mesa, ela percebeu a ausência do pai e de Mary. 

 

“ Provavelmente enfiados na biblioteca.” pensou.

 

   A Sra. Bennet tagarelava sem parar sobre como tudo era tão elegante e refinado em Loundsley, desde a mobília até os guardanapos. Elizabeth revirou os olhos, sua reação involuntária à maior parte dos discursos da mãe. Jane agradecia os elogios com sua costumeira amabilidade, mas Elizabeth podia ver que ela já estava ficando constrangida.

 

   - Mamãe, por que não nos conta novamente sobre o dia em que uma das ovelhas da Sra. Long fugiu? A história estava tão interessante... Foi uma pena eu ter cochilado no meio! – pediu Elizabeth em seu tom zombeteiro, para socorrer a irmã.

 

   O plano obteve o resultado esperado e a Sra. Bennet começou a recontar animadamente o episódio sem perceber que apenas Jane e Charles lhe davam atenção; coincidentemente, os únicos que haviam ouvido a narrativa integral da primeira vez.

 

   - Jane, por que você não dá um baile? Seria a oportunidade perfeita para conhecermos seus vizinhos! – pediu Lydia ao fim da história da mãe.

 

   Elizabeth olhou feio para a irmã mais nova. Quando ela aprenderia a se comportar como uma moça educada?

 

   Lydia ignorou o olhar da irmã e continuou fitando Jane e o marido com uma expressão esperançosa.

 

   - Bem, acho que seria uma boa idéia, mas não sei se terei tempo de organizar tudo... Papai disse que vocês só ficarão por mais uma semana. Mas se quer tanto conhecer nossos vizinhos, posso fazer um jantar essa noite.

 

   - Oh, seria maravilhoso! Há muitos rapazes solteiros por aqui? – perguntou Kitty.

 

   - Kitty! – ralhou Elizabeth.

 

   - Qual é o problema, Lizzy? Eu e Lydia precisamos aproveitar as oportunidades! Não é todo dia que temos a chance de conhecer rapazes tão interessantes.

 

   - Por interessantes você quer dizer solteiros e ricos. 

   - É uma forma de interpretação. – concordou Lydia.

 

   - Sinceramente, não sei o que faço com vocês... – desabafou a mais velha.

 

   - Ora, Lizzy, não há problema algum. Elas estão na idade de querer conhecer pessoas novas e, quem sabe, até arranjar algum pretendente. Além disso, há muito tempo não damos jantares ou festas. Vamos oferecer o jantar essa noite, está decidido. – interveio Charles.

 

   - Ótimo! Podemos convidar Lady Shelley e Lady Russel. Parece que os filhos de ambas acabam de chegar da capital. – disse Jane sorrindo com cumplicidade para as irmãs mais novas.

 

   - Que maravilha! – exclamou a Sra. Bennet, que, surpreendentemente, permanecera calada até aquele momento.

 

   - Podemos convidar os Darcys e o Sr. Cavendish também. – acrescentou Charles imediatamente empolgado com a idéia de receber os amigos.

 

   Elizabeth corou diante da menção dos últimos. Ela ainda não havia se encontrado com o Sr. Cavendish depois do pedido de casamento rejeitado e não sabia como agir diante de William após a conversa reveladora que tivera com Georgiana poucos momentos antes.

 

   Os convites para o jantar foram enviados logo após o café da manhã e todos os convidados responderam antes do cair da tarde confirmando a presença. Elizabeth ajudou Jane com os preparativos enquanto Lydia e Kitty decidiam o que vestir à noite com o auxílio da Sra. Bennet. O Sr. Bennet e Mary demonstraram tanta empolgação com a notícia do jantar quanto se tivessem sido informados do aumento no preço do açúcar.

 

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