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Não é uma incivilidade generalizada a verdadeira essência do amor? (Jane Austen)

AS QUATRO ESTAÇÕES - A PRIMAVERA (TERCEIRA PARTE) - CAPÍTULO V

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Capítulo V

 

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Vivaldi – Primavera

 

   Todos pareciam estar se divertindo. Os casais rodopiavam ao som de um conjunto de cordas que se formara; as moças passeavam pelo salão flertando com os rapazes; as senhoras e cavalheiros mais maduros conversavam e se deliciavam com as iguarias servidas pelos criados. Jane se mostrara uma excelente anfitriã, sendo muito elogiada por seus convidados.

 

   Elizabeth e o Sr. Cavendish ainda mantinham uma conversa agradável quando ela percebeu o olhar de Darcy sobre si. Sua expressão era tão sombria que ela quase sentiu medo. Por um momento, chegou a pensar que ele avançaria sobre o Sr. Cavendish. Mas logo esse pensamento deu origem a outro. Estaria ele com ciúmes? Ela sorriu maliciosa diante dessa possibilidade e voltou-se para seu interlocutor. Subitamente, o assunto que discutia com o Sr. Cavendish tornou-se o tema mais interessante do mundo. Ela parecia nunca ter se divertido tanto quanto naquela ocasião. 

 

   - Não concorda, Sra. Wickham? 

 

   - Como? Ah, sim, é claro! – ao contrário do que desejava aparentar, sua atenção ainda estava em Darcy e ela não ouvira uma palavra sequer do que o cavalheiro ao seu lado dissera.

 

   - Algo errado? – perguntou Cavendish preocupado.

 

   - Oh, não! Tudo está perfeito. 

 

   - Ótimo! – ele sorriu – É realmente uma lástima que a senhora não possa dançar...

 

   - Por que diz isso? 

 

   - Porque me sinto fortemente inclinado a convidá-la.

 

   Elizabeth ruborizou. Ele flertava abertamente com ela! O que podia estar querendo? Não importava. Precisava parecer entretida. Darcy ainda olhava em sua direção e ela era orgulhosa demais para deixá-lo pensar que estava entediada.

 

   Naquele momento, algo a surpreendeu: Darcy encaminhou-se para o outro lado do salão e convidou uma moça para dançar. Ela era esbelta, tinha belos cabelos dourados e seus olhos de esmeralda eram realçados por um elegante vestido verde. Elizabeth havia sido apresentada a ela, mas não conseguia lembrar-se do nome. 

 

   - Quem é aquela moça? – inquiriu ao Sr. Cavendish

 

   - Quem?

 

   - Aquela que o Sr. Darcy acaba de convidar para dançar.

 

   - Ah, é a Srta. Sophia Russell. É herdeira de uma das maiores propriedades do Derbyshire.

 

“Então se ela e William se casarem vão acabar donos do Derbyshire inteiro!” pensou, irritada.

 

   - Eu posso perguntar a razão de seu interesse súbito por ela? 

 

   - Oh, não é nada. Fiquei apenas surpresa.

 

   - Com o quê?

 

   - Bom, pelo que conheço do Sr. Darcy, ele não dança muito.

   - Realmente... Darcy não é a pessoa mais sociável que conheço, mas é um excelente sujeito. É um verdadeiro cavalheiro.

 

   - Sem dúvidas! – disse Elizabeth deixando seu sarcasmo mais evidente do que o desejado.

 

   - Eu devo entender que a senhora não é muito afeiçoada ao Sr. Darcy?

 

   - Eu? Ora, por que eu não gostaria do Sr. Darcy? Ele é um cavalheiro tão respeitável.

 

   Cavendish pareceu perceber que ela não diria mais do que aquilo e decidiu calar-se.

 

   Elizabeth assistiu com os olhos cerrados de raiva enquanto Darcy dançava com a Srta. Russell. Estava tão concentrada em seus pensamentos assassinos, nos quais a jovem senhorita acabava rolando a escada de entrada da mansão após ser atingida por um raio, que não percebeu a observação atenta do Sr. Cavendish sobre si.

 

   A dança terminou e Charles propôs que se iniciasse um ciclo de récitas. Todos os presentes apoiaram a idéia.

 

   Um dos rapazes mais desinibidos, o mesmo que havia dançado com Georgiana, ofereceu-se para ser o primeiro. Ele recitou o soneto CXXVIII de Shakespeare* olhando diretamente para a moça, que corava violentamente. Quem reparou na fisionomia de Darcy durante a apresentação podia jurar que o rapaz não sairia vivo daquele sarau.

 

 *CXXVIII

 

How oft, when thou, my music, music play'st,

Quão freqüentemente, quando tu, minha música, tocas música, 

Upon that blessed wood whose motion sounds

Naquela abençoada madeira cujo movimento ressoa

With thy sweet fingers, when thou gently sway'st

Com seus doces dedos, quando gentilmente balanças

The wiry concord that mine ear confounds,

As cordas harmoniosas que meus ouvidos confundem,

Do I envy those jacks that nimble leap

Eu invejo aquelas teclas que rapidamente pulam

To kiss the tender inward of thy hand,

Para beijar a tenra parte interna da tua mão,

Whilst my poor lips, which should that harvest reap,

Enquanto meus pobres lábios, que deviam esse resultado obter, 

At the wood's boldness by thee blushing stand!

Diante do atrevimento da madeira para contigo, enrubescem! 

To be so tickled, they would change their state

Para serem tão provocados, eles mudariam seu estado

And situation with those dancing chips,

E situação com aquelas teclas dançantes

O'er whom thy fingers walk with gentle gait,

Sobre os quais teus dedos caminham com gentil alegria,

Making dead wood more blest than living lips.

Fazendo a madeira morta mais abençoada do que lábios viventes. 

Since saucy jacks so happy are in this,

Já que teclas ousadas são tão felizes nisso, 

Give them thy fingers, me thy lips to kiss.

Dê-lhes teus dedos, e a mim teus lábios a beijar. 

 

 

   Outros jovens seguiram o exemplo do destemido pretendente da Srta. Darcy e recitaram sonetos para suas amadas, que, na maior parte das vezes, ficavam envaidecidas, mas escondiam seus reais sentimentos sob um manto de falso recato.

 

   Algumas moças também decidiram exibir seus talentos e declamaram trechos de obras clássicas, como Os Contos de Canterbury de Geoffrey Chaucer. Outras, menos tradicionalistas, optaram por autores modernos, como Fanny Burney. 

 

   Quando a maioria dos convidados já estava entediada com as récitas, Lady Shelley, uma alegre senhora idosa, propôs a montagem de uma pequena cena teatral. Houve um rebuliço entre os jovens e todos rapidamente se puseram a debater sobre qual peça iriam encenar. Acabaram decidindo por “A Escola de Mulheres” do francês Molière. 

 

   Após a distribuição dos papéis, o elenco dirigiu-se à biblioteca, onde havia um exemplar da obra, para um rápido ensaio. A peça não era longa e foi fácil memorizar a maior parte das falas. Os trechos de discurso muito extenso foram transcritos em folhas de papel avulsas, que poderiam ser consultadas durante a apresentação.

 

   As portas de vidro que ligavam o salão principal à varanda foram abertas e as cadeiras organizadas de modo que a platéia ficasse no salão enquanto a varanda serviria de palco. Um cenário simples foi improvisado e algumas peças de vestuário, como chapéus, luvas ou xales, emprestadas para serem usadas como figurino. Logo tudo estava pronto para a encenação.

 

   Tratava-se de uma comédia sobre um solteirão, Arnolfo, que sempre fora o algoz dos maridos traídos de Paris, denunciando-lhes as desventuras. Ele julgava que os adultérios se davam porque os maridos eram complacentes demais e as esposas, alfabetizadas, belas e talentosas, eram cheias de artimanhas desenvolvidas para enganá-los. Para não ser ludibriado como seus conhecidos, ele criara uma menina, Inês, a partir de sua receita infalível de mulher honesta, com quem se casaria. Seria uma criatura tola, ignorante e completamente submissa ao marido. Porém, Inês, apesar de inocente, apaixona-se por Horácio, filho de Orionte, amigo íntimo de Arnolfo. 

 

   A apresentação arrancou gargalhadas de toda a platéia. Os intérpretes eram completamente desinibidos. Por vezes, esqueciam suas falas e improvisavam alguma piada que acabava soando mais engraçada do que o original. Ao fim, foram efusivamente aplaudidos.

 

   Depois do teatro, a música voltou a tocar e os casais se dirigiram novamente para o centro do salão. 

 

   Na sala do piano, algumas damas exibiam seu talento vocal cantando árias de óperas famosas ou canções folclóricas. Uma das senhoras, um tanto alterada pela bebida, decidiu cantar a ária da Rainha da Noite, parte da ópera “A Flauta Mágica” de Mozart. Como era esperado, foi um verdadeiro vexame. A ária escolhida era famosa por requerer um profundo domínio técnico por parte da cantora e, obviamente, a velha senhora embriagada desafinou antes mesmo de chegar às notas mais agudas. As outras damas que gargalhavam diante da ridícula cena também se encontravam alteradas, o que favoreceu de certa forma a cantora, uma vez que ninguém se lembraria daquele incidente no dia seguinte.

 

   Elizabeth não pôde deixar de comparar a situação grotesca da velha senhora com outras protagonizadas por sua própria irmã, Mary, que mesmo sem estar bêbada conseguia envergonhar a si mesma e seus familiares com exibições daquele tipo. Sentiu um prazer perverso ao ver aquelas damas tão finas caírem de seu pedestal sob o efeito da bebida. Elas riam e troçavam de sua amiga de forma tão espalhafatosa que, não fosse por suas roupas elegantes, seria impossível distingui-las de camponesas rudes e sem educação.

 

   Edward Cavendish não estava mais com ela naquele momento. Os dois já haviam conversado bastante e Elizabeth descobrira nele uma companhia incrivelmente agradável. Ele era culto, elegante, charmoso e tinha um humor muito parecido com o dela. Entretanto, Elizabeth sentia-se mal por impor a ele sua própria condição de isolamento do restante da festa e pediu que o novo amigo fosse dançar com alguma jovem senhorita. Cavendish rejeitara o pedido rindo e dizendo que temia cair nas garras de uma daquelas mocinhas casadoiras. Contudo, acabou cedendo diante da insistência de Elizabeth, mas não sem deixar claro que só o fazia para agradá-la.

 

   Ele convidou a Srta. Russel, a mesma escolhida por Darcy mais cedo, e dançou com ela duas vezes. 

 

   Darcy, por sua vez, parecia ter esgotado sua cota de danças àquela noite e encontrava-se novamente em um canto conversando com outros cavalheiros sobre política, economia e todos os outros assuntos considerados enfadonhos demais para serem discutidos em uma festa. No entanto, sua opção de se juntar àquele grupo nada tinha a ver com os temas debatidos: a posição em que estavam era estratégica e permitia que observasse Elizabeth sem ser visto por ela. 

 

   Sua beleza, acentuada pela gravidez, destacava-se em meio às velhas damas com quem compartilhava a sala de música. Ela parecia estar desconfortável naquele ambiente. Darcy desejou poder tirá-la dali. Seu maior desejo era poder levá-la para o jardim, onde, em algum canto escondido pelas sombras das árvores, ele a tomaria em seus braços, beijaria sua boca e... Não! Precisava parar com aquelas idéias, ou acabaria enlouquecendo. 

   Desde o beijo no lago não pensava em outra coisa. Só conseguia ansiar por tocá-la novamente, sentir a maciez daquela pele alva, mergulhar sua boca naqueles lábios que pareciam feitos de mel. Ele tremia só de pensar no que poderia ter ocorrido se Jane não os tivesse interrompido. 

 

   Aquela situação já estava insustentável. Ele precisava arrancá-la de sua mente para sempre, ou aquele desejo insatisfeito o consumiria como um parasita alojado em suas entranhas. Jamais poderia perdoá-la, mas a paixão latente, que parecia explodir dentro dele a cada vez que a via, cegava-o momentaneamente para o passado.

 

   Ela retribuía seus sentimentos, disso ele tinha certeza. Podia-se notar pela forma como correspondera a seu beijo. Mas então por que escolhera Wickham? Por que o traíra daquela forma? Mesmo que no início suas motivações para conquistá-lo fossem meramente financeiras, em algum momento ela começara a sentir algo verdadeiro por ele. Nesse caso, por que não o esperara? Ele teria voltado para casar com ela.

 

   Tudo não passara de fingimento, era a única conclusão possível. Depois que ficara viúva e sem um tostão, ela decidira usar seu antigo poder sobre ele para enfeitiçá-lo novamente e, assim, garantir seu futuro. Não, ele não cairia naquela armadilha duas vezes. Precisava manter-se longe dela. Mas como o faria com Cavendish o tempo todo a rondá-la?

 

   Não conseguia evitar os ciúmes assassinos que o dominavam quando a via perto daquele homem. Darcy percebia a maneira como ele a olhava. Era um olhar semelhante ao seu próprio. 

 

   Embora sua razão lhe dissesse que ele nada tinha a ver com as conquistas de Elizabeth, era impossível manter-se indiferente. Precisava reunir todo o seu autocontrole para não ceder aos impulsos quase irresistíveis de voar sobre Cavendish e arrancar-lhe a cabeça com as próprias mãos.

 

   Em sua máxima tentativa de provar a Elizabeth e, principalmente, a si mesmo que ela nada mais significava para ele, Darcy decidira convidar uma das tantas jovens casadoiras do salão para uma dança. Após uma rápida avaliação de suas opções, escolhera a Srta. Sophia Russel, filha de Sir Thomas Russel, seu vizinho e amigo. As duas famílias eram muito próximas, pertencendo ao mesmo círculo social. Sir Thomas já havia insinuado em diversas ocasiões que ficaria imensamente satisfeito com uma união entre Darcy e sua filha. A própria Srta. Russel mostrava-se sempre bastante receptiva com relação ao amigo do pai.

 

   Ela teria dezenove anos completos dali a alguns meses e além de muito bela, era também elegante, delicada e culta. Tinha um gênio bastante dócil, que se opunha à personalidade forte de Elizabeth. 

 

   Darcy pesara rapidamente os prós e contras de sua decisão e acabara se dirigindo à moça. Ela havia aceitado prontamente o convite. A orquestra começara a tocar uma polonaise e os pares logo se posicionaram. Durante a dança, ele notara que os olhos verdes de sua parceira, embora inegavelmente belos, eram vazios quando comparados aos expressivos olhos negros de Elizabeth. 

“Será que vou passar o resto de minha vida assim, julgando as moças que conhecer através de comparações com as características de Elizabeth? E por que ela sempre sai vencedora? Por Deus, quando vou me livrar desse suplício?” pensava Darcy angustiado.

 

   Sorrira ao ver que Elizabeth era espectadora de sua dança. Regozijara-se ainda mais ao perceber o olhar furioso que ela lhe lançava.

 

   Ao fim da música, ele se separara da Srta. Russel. A moça parecia desejar dançar mais uma vez com ele, embora não ousasse dizê-lo. Darcy não se sentia inclinado a convidá-la. Para ele, dançar não era de forma alguma um prazer e sentia que já havia se sacrificado o suficiente por aquela noite.

 

   Faltavam apenas três horas para que o dia se anunciasse quando a primeira carruagem a deixar Loundsley se foi. Aos poucos, outros convidados decidiram seguir o exemplo e logo quase todos já haviam partido. A maioria havia se afogado em champagne suficiente para descer a escadaria de entrada da mansão aos tropeços e anunciando a altas vozes que aquela certamente fora a melhor festa que o Derbyshire já vira em tempos.

 

   Bingley e Jane estavam extasiados. Seu sarau havia obtido um sucesso muito maior do que o esperado. Vários cavalheiros e damas deixaram a casa afirmando que a Sra. Bingley definitivamente dominava a arte de receber convidados, além de ser de longe a criatura mais meiga e gentil que eles jamais haviam conhecido.

 

   O reduzido grupo que ainda se encontrava em Loundsley era composto pelos habitantes da mansão e alguns amigos mais próximos do anfitrião, entre eles os Darcys e o Sr. Cavendish.

 

   - Bem, agora que o salão está praticamente vazio, a senhora terá a bondade de tocar para mim? – propôs o Sr. Cavendish.

 

   - Está bem. – concordou Elizabeth. Ela sabia que ele insistiria até que aceitasse.

 

   - Bem, caros amigos, devo anunciar que a Sra. Wickham finalmente decidiu nos presentear com seu talento musical! 

 

   - Oh, que maravilha! – exclamou Georgiana – Estou tão ansiosa para ouvi-la!

 

   - Assim como todos nós. Mas, Srta. Darcy, a senhorita também tem a fama de ser uma grande intérprete. Infelizmente nunca tive o prazer de ouvi-la. Será que depois também não tocaria para nós?

 

   - Oh, eu não sei, Sr. Cavendish,... – Georgiana corava. Ela era muito retraída e não gostava de tocar em público.

 

   Darcy estava pronto para vir em socorro da irmã, mas Elizabeth foi mais rápida:

   - Pensei que tivéssemos combinado de tocar um dueto, Georgiana.

 

   - É verdade, mas eu não esperava que tanta gente fosse assistir.

 

   Elizabeth olhou ao redor. Além deles e dos Bingley só havia mais dois casais na sala, os Palmer e os Metcalf. A Sra. Palmer e a Sra. Metcalf estavam entretidas em uma conversa da qual Jane tomava parte vez por outra e não pareciam estar inclinadas a prestar muita atenção a qualquer música. O Sr. Palmer dormia estirado em um dos sofás e o Sr. Metcalf, que momentos antes do anúncio de Cavendish estivera conversando com Chalres, parecia apenas levemente interessado na performance das duas.

 

   - Não é uma platéia tão grande, querida. Tenho certeza de que você se sairá bem. – disse Elizabeth sorrindo numa tentativa de deixar a amiga mais confiante.

 

   - Está certo. – ela também fez uma rápida avaliação dos presentes e pareceu constatar o mesmo que Elizabeth – Sendo assim, vamos tocar!

 

   Dirigiram-se para a sala de música. A Sra. Palmer e a Sra. Metcalf seguiram o grupo, mas instalaram-se em um canto isolado para continuarem sua conversa. O Sr. Palmer foi deixado na outra sala adormecido. Charles e o Sr. Metcalf sentaram-se próximos ao piano, mas logo iniciaram um novo diálogo. Os únicos que pareciam realmente estar comdisposição para música eram Jane, Cavendish e Darcy.

 

   - Acho que deveria ser a primeira, Elizabeth. – disse Georgiana.

 

   - Somente se depois tocarmos o nosso dueto. – ela não deixaria a amiga escapar assim tão facilmente.

 

   Georgiana concordou a contragosto, mas sorrindo.

 

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Clementi – Sonatina Op. 36 n.1

 

   Elizabeth tocou uma alegre sonatina de Clementi. Darcy admirava cada traço do rosto concentrado dela sem perceber que a irmã o observava intrigada. O Sr. Cavendish parecia simplesmente deleitado com a performance da mais nova amiga. Ao fim do terceiro movimento da sonatina, todos a aplaudiram, mesmo aqueles que não haviam prestado atenção a uma nota sequer. 

 

   - Vejo que Watson não exagerou em seus elogios. – disse Cavendish sorrindo radiante.

 

   - Obrigada. – ela ficou levemente ruborizada com o entusiasmo dele – E o nosso dueto, Georgiana?

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Burgmüller – La Chevaleresque

   A moça, mais segura após a apresentação da amiga, encaminhou-se para o piano. As duas tocaram. As reações dos presentes não sofreram alterações significativas. Os únicos aplausos entusiasmados foram os de Cavendish, Darcy e Jane, que sorria orgulhosa da irmã.

 

   Já pensavam na próxima música, quando um bocejo da Sra. Metcalf fê-los dar-se conta de que já era hora de finalizar as apresentações daquela noite. Combinaram de se encontrar novamente em outra ocasião para continuarem com a “reunião musical”. 

 

   E assim partiram os últimos convidados do sarau de Loundsley.

 

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