Citações

Quanto mais conheço o mundo, mais me convenço de que nunca encontrarei um homem a quem realmente valha a pena amar. (Jane Austen)

Namoro de Férias - Cap 32

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Embora seus pais preferissem uma cerimônia com todas as prerrogativas da ocasião, Elisa havia escolhido uma celebração mais simples e íntima, diferente do casamento de Joana e Carlos que havia ocorrido alguns meses antes. As irmãs mais novas, vestidas de damas de honra, davam os últimos retoques no vestido de noiva estilo Regência em organza e musseline pérola. A maquiagem suave, o arranjo no cabelo e o buquê em flores brancas e naturais completavam o visual romântico campestre.

Uma tenda branca havia sido armada no amplo gramado verde dos jardins da Pousada Fazenda Inglesa na manhã ensolarada. O noivo já estava um pouco nervoso como era de praxe diante do pequeno atraso. Ao seu lado como seus padrinhos estavam Georgiana e seu noivo, Fitzwilliam e sua última namorada, além de Anne e seu esposo, casados há pouco tempo. Como padrinhos de Lizzy, Joana e Carlos, Maria acompanhada por seu namorado da faculdade, que vinha se tornando presença freqüente em família, e Charlotte e Collins, segurando orgulhoso o pequeno Eduardo. Sua mãe também a aguardava no altar, após haver entrado acompanhada por Darcy.

Antes de entrar seu pai lhe sussurrou ao ouvido com voz embargada:
- Nunca a entregaria a alguém que não a merecesse, Lizzy, mas vejo em seus olhos o quanto vocês se amam. Seja muito feliz, minha filha!

Com tudo preparado para começar, seus avós entraram por último antes de ela adentrar o tapete estendido até o altar onde o sacerdote os aguardava. Uma expressão emocionada e orgulhosa tomou o rosto de Darcy, e a Sra. Bennet começou a chorar, como era previsível. A pregação e o ritual de troca de alianças foram breves e tocantes e após o almoço tardio e festivo, se seguiram os brindes e discursos próprios da ocasião. O Sr. Bennet encerrou o seu dizendo que após casar as duas filhas mais velhas em tão curto espaço de tempo, estava à disposição para atender quem mais quisesse noivar com Maria, Catarina e Lídia. Lizzy jogou o buquê antes de partir e quem o segurou surpresa foi a namorada de Fitzwilliam. Elisa e Darcy viajaram para o Rio, de onde tomaram um avião para a lua-de-mel no Tahiti. Ela agora acordava no bangalô fincado sobre as águas muito claras e azuis do mar da ilha de Morea onde estavam hospedados.


Darcy dormia parecendo saciado após a longa noite de amor. Ao contemplar o seu rosto, Lizzy deixou suas mente divagar e suas lembranças a conduziram ao primeiro fim de semana após o retorno de Lídia. Estava triste por ele não ter vindo com Bingley para Alta Serra, e saiu cedo de carro a pedido de Joana para ir a uma cidade vizinha buscar umas vacinas para o posto de saúde. Não entendeu muito bem porque ela mesma não queria ir, mas imaginando que a irmã mais velha não desejava desperdiçar nem mais um momento ao lado de Carlos, agora que haviam reatado, concordou imediatamente sem mais perguntas.

À medida que foi se aproximando do ponto da estrada onde havia encontrado Darcy pela primeira vez, quando sequer imaginava o que ele passaria a significar em sua vida, sentiu um misto de tristeza e saudade a invadindo pela ausência dele. Não podiam continuar assim, pensou, considerando seriamente a possibilidade de perguntar diretamente a ele o que pretendia afinal quanto ao relacionamento entre os dois. Isso quando se encontrassem, o que pelo jeito poderia demorar muito

 

Foi quando avistou um carro bloqueando a estrada. Assaltos eram raros por ali, mas não custava prevenir possíveis problemas e Lizzy reduziu a velocidade se aproximando com cautela. O utilitário preto lhe era familiar, mas foi a figura postada no meio do caminho entre ela e o carro que a surpreendeu. Era Guilherme Darcy, em pessoa!

Sentiu vontade de pular do carro e correr ao encontro dele como em um filme em que a cena romântica acontecesse em câmera lenta. Mas sequer tinha certeza se ele viera por sua causa, embora imaginasse que sim. Foi diminuindo a velocidade parando a poucos metros de Darcy, que permanecia impávido com um olhar enigmático. Saltou do carro e esperou que ele viesse.

- O que está havendo? – perguntou Elisa retribuindo o meio sorriso dele.
- Nada demais. Estava esperando que alguém passasse para me socorrer.
- E por que você está no meio da estrada ao invés de aguardar no acostamento? – Ela repetiu bem-humorada o que ele lhe perguntara quando se encontraram pela primeira vez.
- Para ver se conseguia uma carona.
- Passam poucos carros aqui, você sabe. Poderia demorar muito.
- Mas eu tinha certeza de que aquela pela qual eu estava esperando passaria por aqui.

Então fora por isso que Joana a mandara vir... Ele se aproximou dela e segurou em seus ombros, encarando-a no fundo dos olhos.

 

- E eu pretendo não deixá-la escapar dessa vez. Seus lábios se aproximaram e ele a beijou com ternura e paixão, explorando seus lábios e sua boca sem pressa.

Quando se separaram, Lizzy ia dizer alguma coisa, mas ele lhe fez um sinal que esperasse o que ele tinha a dizer, selando seus lábios suavemente.

 

- Não diga nada antes de me ouvir, eu imploro.  Talvez você não confie em mais nada do que eu disser depois da forma como me dirigi a você da última vez em que falamos de compromisso. E não a censuro por essa atitude.   Mas também sei que é generosa demais para tripudiar sobre mim. Se os seus sentimentos são ainda os mesmos, basta uma única palavra sua para que nunca mais lhe fale de novo neste assunto.  Mas saiba que o meu amor e o meu desejo por você só aumentaram ainda mais desde aquele dia.  Você cativou meu corpo e minha alma e eu não quero nunca mais me separar de você. 

 

Ele respirou fundo, tomou suas mãos e prosseguiu:

- Elisa, você quer se casar comigo?

 

A neblina da manhã ia se dissipando e o brilho do sol desceu sobre eles.  Lizzy sentiu seu coração se encher de paz e de um profundo amor pelo homem que estava a sua frente agora. Conseguiria expressar em palavras tudo o que sentia?  Darcy esperava sua resposta com um olhar ansioso.

 

- Meus sentimentos não mudaram.  – Disse ela.

 

Estas palavras iniciais abateram momentaneamente o semblante dele, mas o que veio a seguir compensou toda a angústia que ele havia sentido.

 

- Mas isto porque eu nunca deixei de amá-lo, não importa o que tenha acontecido.   Acho que não preciso dizer mais nada...

 

Eles se abraçaram como se desejassem fundir seus corpos em um só, e Darcy repetia ao seu ouvido:

 

- Eu te amo... Eu te amo... Eu te amo...

 

Neste momento Darcy a acordou de suas lembranças e deu-lhe um sorriso.  Ela respondeu com um beijo de bom dia que o fez atraí-la para si acariciando seu corpo mais uma vez. Ela segurou seus pulsos e passou a tocá-lo apenas com seus lábios até que ele não mais se contivesse e a tomasse de tal forma que não lhe restou outra alternativa a não ser render-se à urgência do desejo de ambos num clímax simultâneo.  Depois disso os dois se deixaram ficar abraçados, quando Elisa levantou o seu rosto aconchegado ao peito dele e perguntou:

 

- Como começou? – perguntou ela. – Desde quando passou a gostar de mim?

- Não saberia determinar a hora ou o lugar, o olhar ou as palavras. Já estava no meio e ainda não percebia sequer que houvesse começado.

 

Lizzy se recostou na cama.

- Quanto à minha beleza, eu era apenas tolerável. Quanto ao meu comportamento, andou bem perto da falta de educação, e quando me dirigia a você era para provocá-lo. Agora, seja sincero: foi a minha insolência que chamou sua atenção?

 

- Sua inteligência e seu caráter, mais do que qualquer outra coisa, me encantaram. Você era completamente diferente da maioria das mulheres que eu conhecia.  E quando vi seu corpo pela primeira vez naquela piscina, eu a desejei como nunca havia acontecido antes com qualquer outra. 

 

Dizendo isto, ele tornou a abraçá-la e beijá-la.

 

- E você?  Quando descobriu que estava apaixonada por mim.

- Também não saberia dizer o momento exato, mas acho que quando você me beijou naquela festa em Alta Serra, percebi que perto de você nada se comparava ao que eu houvesse sentido antes ao lado de outra pessoa.  – Darcy agora ria baixinho. - Por que está rindo? – perguntou Lizzy intrigada.

- Estava me lembrando de quando você disse que eu seria o último homem da Terra com o qual se casaria.  Será que sobrou mais alguém? – Darcy completou sua fala esboçando o gesto de quem espreita o horizonte em busca de algo.  Lizzy riu percebendo que Darcy também podia ser muito bem-humorado na intimidade de quem ele amava.

 

- Eu estava muito aborrecida com você, em parte injustamente.

- Mas você tinha outras razões e a descompostura que me passou me fizeram ver algumas verdades que eu preferia esquecer. 

- Eu também fui muito orgulhosa.  A verdade é que somos muito parecidos.

- Sim, minha cara.

- Não me chame assim, parece meu pai quando está irritado com a minha mãe.

- Como chamo então? Meu amor... Mulher da minha vida... Senhora Darcy... – Ele pontuava cada palavra com um beijo em um lugar diferente do seu rosto. – Vou encontrar um forma diferente de chamá-la a cada, dia, está bem assim?

 

Dizendo isso ele a beijou na boca apaixonadamente e Lizzy pensou que parecia impossível sentir-se mais plenamente feliz do que naquele momento.  Depois de rirem mais um pouco juntos, ambos se levantaram para mais um dia do resto da vida que desejavam passar juntos.

 

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