Citações

Não tenho medo de mostrar meus sentimentos e de fazer coisas imprudentes, pois acredito que o que não se mostra, não se sente.(Jane Austen)

Namoro de Férias - Cap 30

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No dia seguinte, Elisa debruçou-se sobre os rascunhos de Fernando para iniciar a digitação do relatório final.  Ele preferia fazer suas anotações à mão, e era tarefa dela passar aqueles verdadeiros hieróglifos a limpo, por menos que gostasse disso.  Após algumas horas de esforço concentrado interrompidas por um brevíssimo almoço, preparou uma primeira versão aceitável para entregar ao biólogo. Desceu e encontrou-o no salão do hotel acompanhado pelo professor Reinaldo que os visitava como havia prometido. Fernando a convidou a sentar-se enquanto fazia uma leitura preliminar das laudas entregues.

 

O seu orientador cumprimentou-a gentilmente indagando de seus progressos. Elisa contou-lhe das dificuldades atuais para prosseguir com o desenvolvimento da tese e ele tranqüilizou-a afirmando que ainda havia bastante prazo pela frente.  Enquanto Fernando se afastava para atender seu celular, eles continuaram conversando. Num dado momento em que ela relatava as peripécias que havia passado para conseguir acompanhar o ritmo das caminhadas do velho biólogo e Reinaldo dava algumas risadas, Darcy chegou depois de ter saído com o casal de engenheiros para uma inspeção final do terreno.

 

Ao perceber a intimidade de Lizzy com o desconhecido, seu primeiro ímpeto foi agarrá-lo pela gola da camisa e expulsá-lo porta afora.  Entretanto, ao invés disso, foi obrigado a cumprimentá-los educadamente mesmo que entredentes.  Fernando voltou logo e apresentou o convidado a Darcy, o que não reduziu muito a disposição dele contra o visitante. 

 

- Eu e Reinaldo estávamos trocando idéias sobre a possibilidade de implantarmos um plano de manejo da reserva ecológica do projeto. – Fernando interrompeu seus pensamentos. – Este também seria um fator positivo para a aprovação.  O que você acha, Darcy?

 

Ele respondeu com algumas perguntas técnicas, procurando se concentrar no aspecto profissional da conversa para conseguir se desligar do ciúme que sentia de Lizzy. Como ela parecia ignorar sua reação sua contrariedade só fez aumentar.

 

O engenheiro e os biólogos encerraram o breve diálogo com o compromisso mútuo de se encontrarem novamente para analisarem a proposta. O professor Fernando então dispensou Elisa, pois só devolveria a digitação revisada no dia seguinte e convidou Reinaldo para examinarem alguns espécimes coletados e classificados antes dele partir. Este, antes de sair, despediu-se de Lizzy manifestando seu desejo de que brevemente pudessem se rever para que ele acompanhasse novamente seu trabalho.

 

Darcy observou atentamente a postura sutil e discreta do visitante, mas não lhe passaram despercebidos alguns olhares expressivos lançados por ele a Elisa. Depois de despedirem dos dois, ele resolveu decidiu a interpelar antes que saísse:

 

- De onde vocês dois se conhecem? – indagou ele, de forma um pouco abrupta.

- O professor Reinaldo é o orientador de minha monografia, nos conhecemos da Universidade onde fui sua aluna.

- Só isso? – Por mais que desejasse se controlar, não conseguiu reprimir um tom ácido em sua pergunta.

- O que você está insinuando?

 

Só faltava essa agora, pensou Lizzy!  Ele, que havia proposto um relacionamento aberto, se sentia no direito de ter ciúmes depois deles terem rompido. 

 

- Nada. Você me conhece bastante bem para saber que não sou de rodeios. Mas a verdade é que vocês pareceram bem íntimos.

- E se houvesse algo mais entre nós? Qual seria o problema?

Agora foi ela a confrontá-lo. Ele pensou em responder a verdadeira razão, mas ponderou que ela provavelmente não estaria muito receptiva a uma declaração naquele momento.

- Talvez você não tenha percebido, mas ele olhava para você de uma forma muito... sugestiva. – Continuou ele usando um tom mais suave.

- E porque você, especificamente, deveria se preocupar com isso?

Ela o encarava desafiadoramente agora.  Ele disse a primeira coisa que lhe veio à cabeça:

– É melhor todos nós reservarmos os assuntos pessoais para depois do horário de trabalho quando temos tanta coisa para fazer durante estes dias, concorda?

Então era isso, ele achou que ela estava brincando durante o horário de trabalho.

 

- Bem, Sr. Guilherme Darcy, estou trabalhando muito e desde cedo, então acho que teria o direito de fazer o que quisesse, pois minha tarefa e meu expediente haviam acabado. – Ela agora estava zangada. – Além disso, se estivesse acontecendo alguma coisa não seria nada demais.  Não devemos ser tão provincianos assim, não acha?

 

A nota de sarcasmo da frase final o fez perceber o quanto havia errado em não controlar sua possessividade. 

- Você está certa.  Eu peço desculpas se estou me metendo no que não é da minha conta.   Mas só faço isso porque...

 

Ele parou um pouco e completou de um fôlego só, olhando-o bem dentro de seus olhos:

- Gosto de você!

 

A irritação que Lizzy sentia pelos comentários de Darcy foi arrefecida por esta frase, mas ela ainda estava suficientemente contrariada para achar presença de espírito e responder-lhe:

- Não posso responder nada quanto a este assunto agora.  Afinal, como você mesmo disse, devemos reservar nossas questões particulares para fora do horário de trabalho. Com licença. – disse ela levantando-se.

Darcy foi em seu encalço e tomou-a pelo braço.   Os rostos dos dois ficaram muito próximos e eles podiam sentir o calor da pele um do outro.  Ao sentir que ela não se opôs ao seu toque, ele tornou a pedir desculpas por seu comportamento, ainda sem soltá-la.

- Lizzy... – Era difícil resistir à voz grave dele pronunciando seu nome, e Lizzy começou a esquecer toda a raiva que sentira há alguns momentos para desejar apenas ficar perto dele mais uma vez. – Me perdoe, eu sei que estou errado... é que...

 

Ele foi se aproximando dos lábios dela percebendo que ela não ofereceria resistência...

- Srta. Elisa! Telefone!

A voz estridente do recepcionista do hotel os interrompeu. Darcy sentiu-se frustrado, pois aquela era a primeira vez depois de brigarem em que havia chegado tão perto de beijá-la.  Elisa, enquanto se afastava para atender ao telefonema, sentiu-se aliviada pelo beijo não ter acontecido, pois mais que também o desejasse. Se houvessem se beijado, ele pensaria que era só estalar os dedos que ela faria o que ele quisesse.

  

Ao atender o telefone, ouviu a voz da irmã.

- Lizzy, não consegui falar com seu celular.

- Eu desci e o esqueci no quarto, Joana.  Algum problema?

- Foi Lídia.  Ela não dormiu em casa e não sabemos onde está.  Mamãe está desesperada e papai já a procurou na casa de todas as amigas, sem sucesso.

- Meu Deus, Joana. O que será que aconteceu?

- Depois de pressionar Catarina, descobrimos que ela vinha mantendo contato com Wickham, mas ela também não soube dizer se ela foi se encontrar com ele.  Eles se comunicavam pela internet.

- Não há como acessar o e-mail dela para descobrir alguma coisa?

- Infelizmente, ninguém tem a senha.

- Joana, eu vou pedir para viajar ainda hoje.  Vamos ver o que será possível fazer. Tente acalmar mamãe.  Um beijo para você.

- Para você também, Lizzy. 

 

Quando desligou o telefone, Elisa procurou Darcy com o olhar. Ele ainda estava sentado no mesmo lugar onde quase haviam se beijado.   Ela se aproximou dele que percebeu seu ar preocupado.

 

- Alguma coisa errada?

- Estou com problemas em casa.  Preciso ir embora.

- Mas o que aconteceu?

Ele estava sinceramente preocupado com ela. Além disso, este possível afastamento faria seus planos de se reaproximarem durante os próximos dias irem por água abaixo.

- Lídia... desapareceu.  Ela vinha se comunicando com Wickham.  Deve ter ido se encontrar com ele.

Elisa lutou contra as lágrimas que subiram aos seus olhos ao lembrar-se de tudo que Darcy havia contado sobre o caráter de George Wickham. 

- Isso é sério mesmo. Ela é apenas uma adolescente. – respondeu ele pensativo. – Há algo que eu possa fazer?

- Estão a procurando por toda a parte, mas ninguém sabe de nada.   Ela deve ter saído de Alta Serra, Deus sabe para onde.

- Como vocês sabem que ela estava em contato com Wickham?

- Ela contou a Catarina.  Eles se correspondiam por e-mail, mas não temos como abrir a caixa postal para ver o que ele disse a ela.

- Nisso eu não posso ajudar, mas há alguém que pode.

- Quem?

- Carlos.  Ele é perito em segurança de informações, certamente conseguiria descobrir .

- Mas precisaria acessar o computador...

- Alguém poderia trazer a máquina para ele dar uma olhada. Wickham ainda deve morar no Rio, podemos tentar encontrá-lo, enquanto isso.

- Darcy, você não precisa fazer isso.

Ele estava sendo muito solidário e Elisa se sentia agradecida, mas ele não tinha nenhuma obrigação de ajudá-la.

- Eu quero estar ao seu lado, Lizzy.  E me sinto responsável por conhecer o caráter daquele canalha e só contar a você depois de tudo.   Vou avisar à equipe que vamos embora.

 

***

 

No dia seguinte bem cedo, Joana pediu uma licença em seu trabalho, que lhe foi prontamente concedida por ter folgas pendentes para tirar, e viajou para o Rio com o computador de Lídia.  Seria melhor seu pai ficar ao lado de sua mãe, que estava ansiosa e deprimida, permanecendo a maior parte do tempo de cama.    

 

Darcy combinou que Bingley a buscaria na rodoviária para agilizar a busca por Lídia, e à medida que se aproximava do Rio, o coração de Joana batia mais forte diante da possibilidade de rever aquele que ainda era seu grande amor, por mais que houvesse lutado contra este sentimento nos últimos meses.  Quando saltou do ônibus, ele acenou do outro lado da grade que isolava a plataforma de desembarque. Ela sentiu uma profunda ternura diante da visão de seu rosto ansioso em saber qual seria a reação dela ao vê-lo.   Ela desceu os degraus da condução e se dirigiu para onde ele estava.  Eles se olharam e sem que houvesse nenhuma palavra, perceberam que todo o passado havia ficado para trás.  Ele estendeu uma de suas mãos para a bagagem dela e usou a outra para enlaçá-la pela cintura, Ela inclinou sua cabeça sobre o ombro dele e seguiram para que o carro dele os levasse para o escritório da empresa de Bingley. 

 

Dentro das dependências da DB Brasil TI, que ocupava um andar inteiro de um prédio no Centro da Cidade, Joana observou que o ambiente era bem diferente de um escritório convencional. Quase todos os espaços eram integrados, sem divisórias, organizados em torno de estações de trabalho circulares povoadas por inúmeros computadores.  Os funcionários se vestiam de forma descontraída e alguns usavam bermudas ou adereços como piercings. Do cenário também faziam parte uma mesa de pingue-pongue e outra de sinuca, além de duas televisões com vídeo-games de última geração para relaxarem nos intervalos. 

 

Carlos foi diretamente à sua sala onde colocou seus óculos e plugou o desktop em um monitor, examinando detidamente o conteúdo do disco rígido.  A seguir instalou um programa para “quebrar” a senha do correio eletrônico de Lídia que colocou para funcionar.

 

- Não posso garantir que vamos conseguir, Joana, mas vamos tentar.  Se ela usou uma palavra que existe em um dicionário e a senha for pequena, podemos levar horas ou dias.  Mas se a senha for longa e composta de letras e números em tamanhos diferentes sem nenhuma relação entre eles, levaria anos, ou seja, seria virtualmente impossível.   Vou deixar ligado para ver o que vamos conseguir.

 

- Não sei como lhe agradecer, Carlos.

- Mas eu sim. Que tal sairmos para comer alguma coisa juntos?  Eu sei que deve estar muito apreensiva, mas precisa se alimentar. Depois eu a levo para sua casa.

 

O tom carinhoso dele levantou o ânimo de Joana, abatido pelo súbito desaparecimento da irmã, e ela lembrou-se que não havia comido nada ainda depois que saíra de Alta Serra.

 

- Podemos sim.

 

O rosto dele iluminou-se diante da perspectiva de estar mais tempo ao lado dela.  Depois de apresentar alguns de seus funcionários e mostrar melhor as dependências do escritório, eles desceram e foram a pé a uma steakhouse de ambiente simples e ao mesmo tempo sofisticado.  


Já era tarde, mas como nenhum dos dois havia almoçado, pediram uma das carnes do cardápio. Bingley tagarelava, como sempre costumava fazer quando ficava nervoso, falando do restaurante, de seu trabalho e do que mais lhe vinha à mente.  Joana apenas ouvia e às vezes sorria timidamente, aparteando com uma ou outra resposta.  Lembravam-se ambos de como se sentiam bem ao lado um do outro, sem que precisassem falar disso. Mas em um dado momento, Carlos ficou em silêncio e olhou-a de forma intensa por alguns instantes antes de ganhar coragem para abordá-la diretamente:

 

- Joana...   Sei que você tem outras preocupações neste momento. Mas não sei se terei outra oportunidade de dizer isso, e não posso deixar esta passar porque já cometi este erro antes.

 

Ela se surpreendeu com a objetividade dele, e sentiu um forte calor subir ao seu rosto.  Não sabia se ele ainda sentia algo por ela e muito menos esperava que ele falasse disso tão abertamente.

 

- Não houve mais ninguém em minha vida, depois que nós dois nos conhecemos. – prosseguiu ele, com dificuldade, engolindo em seco. - Desde então, não deixei de pensar em você um dia sequer, e é muito importante para mim que você saiba disso.

 

Joana entendeu o que ele dizia, pois se sentia exatamente da mesma forma. Seu coração foi tocado por aquelas palavras e a forte emoção de perceber que ele ainda a amava misturada à tensão das últimas horas fez com que algumas lágrimas descessem discretas.   Bingley imaginou que ela ainda pudesse estar muito magoada e tentou explicar-se:

 

- Sei que a magoei muito e que não mereço seu perdão.  Mas se ainda houver alguma chance para nós, vamos nos encontrar para conversarmos com mais calma, depois que este problema com sua irmã se resolver.

 

Joana enxugou as lágrimas e com expressão serena respondeu-lhe:

- Tudo bem, Carlos. Não posso dizer mais do que isso agora, mas saiba que já o perdoei.

 

Estas palavras tiveram o poder de calar Bingley, que sorriu como uma criança, e ao invés de comer, deixou-se permanecer alguns minutos em silêncio embebido na contemplação do belo rosto de Joana, embalado pelas esperanças que suas palavras lhe haviam restituído.

 

***

 

Na manhã daquele dia, Darcy saiu com Elisa para irem juntos em busca de Wickham.  Na véspera ele lhe dera carona para o Rio.  Ela preferiu vir em silêncio durante a maior parte da viagem, e ele respeitou a preocupação que ela demonstrava, fazendo apenas um ou outro comentário ocasional.   Ele a deixou no apartamento dos Bennet à noitinha e combinaram de se encontrarem no dia seguinte.  Ela disse que poderia procurá-los sozinha e que não desejava atrapalhar o trabalho dele, mas ele respondeu que já havia organizado tudo para se afastar por uns dias, e um ou outro dia a mais não faria diferença. 

 

Começaram pelo último endereço conhecido dele, quando ainda mantinha relações com a família de Darcy, localizado no bairro das Laranjeiras. Mas ele não morava mais lá há bastante tempo, segundo foram informados.  Darcy lembrou-se de que talvez algum vizinho de seu condomínio soubesse de mais alguma informação e convidou Lizzy a acompanhá-lo a sua casa, onde Georgiana o esperava para almoçar.

 

Quando chegou, Elisa não pode deixar de se impressionar com a imponente simplicidade da casa de Darcy que não podia ser classificada de nada menos que uma mansão e imaginou a cobiça que tal visão deveria ter alimentado na mente do canalha do George. Quando se lembrou dele voltou ao seu coração um forte sentimento de apreensão em relação à irmã.   

 

Georgiana os esperava à porta, e a abraçou de uma forma tal que Lizzy percebeu mesmo sem palavras o quanto que ela entendia seus sentimentos.  Ela era uma pessoa muito especial, pensou.   Enquanto o almoço não era servido, Darcy foi ao seu escritório e Lizzy observou alguns porta-retratos da família em cima de um aparador.

 

- Este é Guilherme com doze anos, Lizzy. – disse Georgiana apontando para a imagem de um adolescente bem alto para a idade e já ostentando aquele olhar avassalador que o acompanharia pelo resto da vida.

 

- E estes são nossos pais.

 

Os Senhor e Senhora Darcy eram um lindo casal, ela alta e morena e ele de um tipo mais europeu, com olhos claros.  Guilherme era mais parecido com a mãe, e Georgiana uma mistura dos dois, porém com traços do pai mais predominantes. 

 

- Papai tinha o temperamento muito parecido com Gui, Lizzy.  Mamãe, por sua vez, era o seu oposto, eu é que me pareço com ela, mas os dois combinavam como ninguém.

 

Em algumas fotos aparecia Fitzwilliam desempenhando o papel de um irmão mais velho dos dois.  Em outras se via Carlos, desde pequeno muito amigo de Darcy.  Aliás, como estaria indo com Joana?  Decidiu ligar para ela, mas o celular ainda estava sem sinal, o que significava que ela provavelmente estava em viagem.  A voz de Georgiana se fez ouvir de novo:

 

- Lizzy, eu sinto muito pela sua irmã, mas fique tranqüila.  Apesar dos muitos defeitos de Wickham, não creio que faria mal a ela de alguma forma.  É apenas questão de tempo encontrá-los.  Além de vocês dois estarem em busca deles, acionei um especialista no ramo para nos dar alguma ajuda.

 

- Espero que sim, Georgiana.  E muito obrigada pelo seu apoio e de seu irmão.

- Agora venha, vamos almoçar.  Darcy foi à casa do zelador procurar saber mais alguma coisa e já vem nos acompanhar.

 

Depois do almoço, do qual Elisa comeu bem pouco, embora estivesse delicioso, eles foram a outro endereço, um pequeno apartamento em São Conrado, mas ele também havia mudado dali há algum tempo e a senhoria reclamou que ele havia deixado vários meses de aluguel sem pagar.   Lizzy tornou a ligar para Alta Serra para saber que haviam descoberto mais alguma coisa, sem que obtivesse uma resposta positiva.  A Sra. Bennet continuava chorando a maior parte do tempo e Thomas também estavam muito abalado.  Tornou a ligar para Joana, que já havia chegado ao apartamento e lhe explicou as providências que Bingley havia tomado para tentar obter a senha do correio de Lídia.

 

O cansaço misturado à tensão e impotência que sentia face toda aquela situação lhe provocaram um acesso de choro que assustou Darcy.  Eles estavam passando pelo Mirante do Leblon, onde ele parou para que ela se acalmasse.  Ele a abraçou e acariciou seus cabelos, sussurrando baixinho algumas palavras para animá-la:

 

- Lizzy, não fique assim... Eu entendo o que você está sentindo, mas tudo vai dar certo. Confie em mim, vamos fazer o que for preciso, mas você vai encontrar sua irmã sã e salva.

 

Os dois ficaram ali por mais algum tempo, até que o sol começou a se pôr.  Como Elisa estivesse mais recuperada, Darcy a levou ao seu apartamento e se despediu com um suave beijo no rosto.

 

Quando voltava para casa, Bingley ligou para ele avisando que descobrira a senha e que acessando o email de Lídia, encontrara uma mensagem em que marcavam um encontro no atual endereço de Wickham.  Marcaram de se encontrarem juntos no local. A caminho ele pensou que quando encontrasse Wickham ajustaria contas com ele de forma definitiva por fazer duas mulheres que amava sofrerem, sentindo vontade de acabar a briga  que começara em Alta Serra.

 

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