Citações

Uma mulher se faz elegante para sua própria satisfação.(Jane Austen)

Namoro de Férias - Cap 25

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No caminho de volta, Lizzy sentia-se um pouco decepcionada consigo mesma por ter cedido a Darcy. Embora não estivesse exatamente arrependida, um vago sentimento de apreensão a assaltava quando pensava no assunto. A aparente frieza de Darcy em demorar a procurá-la após tudo que acontecera naquele fim de semana ainda calava fundo em seu coração. A indiferença podia doer muito mais do que uma rejeição direta pensou lembrando-se de Joana e imaginando o sofrimento pelo qual ela ainda estava passando.  A irmã seguia um pouco mais a frente com uma expressão muito séria e decidida em seu rosto. 

 

Bingley, cabisbaixo, levantava os olhos apenas para responder a algum comentário de Darcy, que parecia querer animá-lo. Talvez houvesse sido um erro forçar o confronto entre ela e Bingley. Mas consolou-se pensando que fora apenas uma antecipação do inevitável.

 

Quando chegaram à pousada, após alguns instantes de constrangimento se despediram de Darcy e Bingley e Elisa pode conversar a sós com a irmã:

- O que aconteceu, Joana?

- Não posso perdoá-lo, Lizzy. Ele queria que nós voltássemos e eu não concordei, foi isso. Mas não pense que foi fácil para mim. Ainda gosto dele. Ele disse que pensou que nosso relacionamento foi só um namoro de férias e não daria em nada  além disso. E que Darcy e a irmã haviam concordado com ele. Como se a opinião deles fosse mais importante!

 

Uma onda de indignação subiu à mente de Elisa ao pensar no possível papel de Darcy naquela história. Mas não falou nada para não perturbar mais ainda a irmã.

 

- Lizzy, se não se importa preferia continuar esta conversa outra hora.

- É claro. – disse Elisa a abraçando carinhosamente – É melhor subir e se recompor. Do jeito que está, seus olhos vão assustar qualquer um, por mais bonitos que sejam.   

 

Joana sempre fora muito sensível e tendia a chorar com facilidade. Isto era um grande problema para o seu temperamento tímido.  Entretanto, a doce e meiga Drª Bennet sabia ser firme como poucos quando tomava uma decisão. Sendo assim Bingley parecia ter poucas chances de reconquistá-la.

 

Neste momento, Collins e Charlotte apontaram no hall de entrada onde foram saudados pela Sr. Bennet.  Lizzy estava com muitas saudades da amiga e correu para abraçá-la.   Depois das efusões habituais sentaram-se para conversar.

- Lizzy, o que você tem feito?

- Ultimamente subido e descido muitas dunas e catalogado muitas plantas.  Nada tão glamuroso como se poderia imaginar de uma temporada na praia. Sem contar minha monografia que cada vez me dá mais trabalho.  E você, Char, o que me conta?

- Bill precisava estar presente à audiência pública e aproveitei para rever a todos.  Confesso que sinto muitas saudades, embora meus pais nos visitem bastante.  Mas não é a mesma coisa.  Ainda mais agora.

- Agora? O que quer dizer?

- Não está notando nada?

Elisa olhou novamente com atenção para Charlotte e percebeu um brilho diferente em seu olhar e em sua pele.  Seu rosto de traços bem finos combinando com seu tipo mignon parecia um pouco mais cheio.  Seria o que ela estava pensando?

- Isso mesmo, Lizzy, estou grávida! – prosseguiu ela, com um sorriso eufórico.  – Faz pouco tempo ainda, vou completar dois meses, mas eu mal posso esperar para saber se é um menino ou menina e sentir o bebê se mexendo.

Collins que conversava com o Sr. Bennet um pouco mais distante, ouviu o que a esposa dissera e lançou-lhe um olhar orgulhoso que não passou despercebido a Elisa.  Aquele romance que se iniciara de forma tão improvável estava fazendo os dois, que breve passariam a ser três, muito felizes.    Um sapo podia realmente virar príncipe. 

 

Felicitou Charlotte com outro abraço e passou a mão carinhosamente pela sua barriga, imaginando como seria carregar uma vida dentro de si.  Seria feliz como ela ao lado de alguém um dia? Neste momento, a Srª. Bennet se juntou ao grupo convidando a todos para o almoço desta vez no salão principal da pousada, onde havia outros hóspedes.  Bingley e Darcy haviam descido e se sentaram à mesma mesa que Collins, Charlotte e Lizzy, que lembrou-se de tentar obter mais informações do primo sobre o projeto turístico que seria discutido na segunda-feira.

 

- Collins, afinal qual é a extensão dos planos da De Bourgh?

- Se tornou algo ainda maior do estava planejado no início. Além do complexo turístico, está prevista a ocupação de toda a parte nordeste do Parque das Nascentes pela construção de dois Condomínios.

- Mas este trecho faz parte da reserva. Não poderiam fazer nada lá. – Lizzy começou a perceber que suas suspeitas não eram infundadas.

- Os advogados da empresa conseguiram uma autorização provisória.  Para homologar o projeto só falta ouvir a comunidade através da audiência.

Darcy apenas observava calado.  Ele saberia de algo que não lhe contara? Collins prosseguia suas explicações em seu habitual tom monocórdio:

- Sei que isto não lhe agrada, Elisa, mas nós dois sabemos que era questão de tempo para que isso acontecesse. O inevitável está apenas sendo antecipado. Veja pelo lado bom: pelo menos tudo correrá de forma planejada.

- Não concordo. Isso não poderia ter sido autorizado porque a área é de proteção ambiental.  E pretendo defender esta posição na reunião.

- Eu vim apenas como observador, mas haverá uma equipe bem preparada para rebater os seus argumentos, por melhores que eles sejam.  Mesmo porque há outros interesses em jogo, além dos da Incorporadora De Bourgh. Outras empresas se associaram para levar tudo à frente. 

- É verdade, Elisa – os interrompeu Darcy – Nosso grupo deverá participar da execução das obras do resort. 

- Então você estava ciente disso tudo... E não me disse?

- Não exatamente. Nosso contrato com a De Bourgh se referia exclusivamente ao complexo turístico.  Para ser sincero desconhecia a intenção de ocupar mais áreas do que o previsto inicialmente.

 

Estaria ele dizendo a verdade?  O germe da desconfiança começava a contaminar seus sentimentos e Lizzy lembrou-se do que George lhe contara sobre como romperam relações.   Com o coração agitado, passou o resto da refeição praticamente conversando apenas com Charlotte, que exultante de alegria ignorava a ansiedade da amiga.

 

Neste momento Joana desceu e sentou-se com seus pais, e Carlos a acompanhou de longe com um olhar triste e apaixonado.  Elisa quase sentiu pena dele, mas logo se recordou da dor que seu temperamento fraco infligira à irmã. Darcy

 

 

Depois do almoço, Darcy a convidou para um passeio pelas alamedas sombreadas da pousada, sob o sol convidativo do inverno.  Ele a tomou pela mão como se fossem duas crianças namorando e seguiram em silêncio. Ele parecia estranhamente nervoso. Repentinamente estacou, olhou profundamente nos olhos dela e segurou suas duas mãos:

 

- Lizzy, quero me desculpar novamente por não ter ligado para você. E também justificar a minha atitude.   Estava esperando outra ocasião como essa em que pudéssemos estar a sós, com tranquilidade, por isso não havia dito nada antes.

 

Ela não respondeu nada e apenas retribuiu expectativamente o olhar dele. Ele soltou uma de suas mãos e a conduziu mais alguns passos a frente para se sentarem em um dos bancos que contornavam o caminho.

 

 - Lutei contra o que estou sentindo, que surgiu com força contra a minha própria vontade, mas não vou me reprimir mais. – ele continuou parecendo extremamente tenso.  Confesso que estava confuso por não saber exatamente o que você esperava de mim ou o que eu poderia esperar de você.  

 

Lutou contra o que sentia por ela?  Estas palavras lhe despertaram um sentimento de contrariedade, mas decidiu esperar para ouvi-lo até o fim antes de tirar conclusões.

 

- Somos diferentes.  Você cresceu em uma cidade pequena e por isso pouco sabe do mundo e da vida.  Eu, por minha vez sou muito mais experiente.

 

Então era isso o que ele achava dela? Tentou se concentrar para continuar prestando atenção.

 

- Mas a atração que sentia por você me levou a tentar conquistá-la quando a reencontrei. Por isso a convidei para aquele fim de semana. Mas houve algo com o que eu não contava. Não esperava que você fosse... virgem.  Foi uma grande surpresa para mim e me confundiu bastante, mesmo que nosso entrosamento sexual tenha sido tão bom.

Elisa relembrou-se das vezes em que estiveram juntos fazendo amor e um arrepio de tensão e perplexidade percorreu seu corpo. 

  

- Não sabia que reação ter ou esperar, ainda mais após isso. Naturalmente fiquei imaginando que você alimentaria expectativas românticas de um compromisso mais sério entre nós, e gostaria de esclarecer definitivamente o que está acontecendo. O que sinto ao seu lado é inédito para mim.  Mas não consigo ter certeza de que isto vá durar, pois nunca me senti assim antes. Como não quero correr o risco de enganá-la ou de fazê-la sofrer, proponho um relacionamento aberto entre nós. Assim vamos poder nos conhecer e aproximar ainda mais, sem pressões, e você vai poder amadurecer para que ambos façamos a melhor opção.

 

Então era isso que ele esperava: que ela se dispusesse a ser sua amante eventual. E não aparentava ter qualquer dúvida de que sua resposta fosse positiva. E vinha lhe dizer isso justo agora quando ela se ressentia pela participação dele no namoro de Charles e Jane, e que achava que ele também podia ter nos negócios da De Bourgh.  Ela tentou organizar seus pensamentos para responder:

 

- Eu reconheço o que sente por mim e a sinceridade com que está me falando. Mas quero esclarecer que não esperei ou cobrei nada de você em nenhum momento.  Todas estas deduções correm exclusivamente por sua conta. Tudo que vivemos juntos aconteceu também por minha livre e espontânea iniciativa e assumo toda a responsabilidade por meus atos.

 

Lizzy estava sentindo que voltava a ser o que fora antes de surgir a paixão avassaladora que sentia por ele.

 

- Não quero decepcioná-lo, mas se não está certo de seus sentimentos, qualquer atitude minha não o magoará.  Não procurei, nem encorajei inicialmente os sentimentos a que você se referiu.  

 

Sentimentos que ela também sentia, mas que precisava controlar a qualquer custo! No rosto de Darcy percebia-se sua intensa expectativa em ouvir a resposta de Lizzy.

 

- Creio que a luta interior que você viveu para tomar essa decisão vai ajudá-lo a superar o fim de nosso relacionamento, se é que podemos chamá-lo desta forma.

 

Darcy não conseguiu disfarçar sua surpresa. Seu rosto ficou pálido e a perturbação era visível em cada um dos seus traços.  Finalmente, numa voz que ele esforçava para ser calma, disse:

- É esta a única resposta a que eu tenho direito?  Gostaria de entender, mas não consigo. 

- Eu também poderia perguntar por que diz que gostou de mim contra sua própria vontade. Não seria justificativa suficiente? Mas há outros motivos.  Não poderia aceitar continuar com um homem que ajudou a causar a infelicidade de minha irmã.

Ao ouvir tais palavras, Darcy mudou de cor.  Mas ele continuou a ouvir sem tentar interrompê-la.

- Você nega que aconselhou Carlos a não ver mais Joana?

Darcy recobrou o ar orgulhoso que ela conhecera nele nas primeiras vezes em que se viram. 

- Não posso negar, mesmo porque não tenho o hábito de mentir.  Mas o fiz com a melhor das intenções. Não acreditava que realmente houvesse sentimentos mais profundos entre os dois, especialmente da parte dela.  Infelizmente, fui mais previdente com ele do que comigo próprio.

Esta última alusão não passou despercebida a Lizzy, embora não arrefecesse sua indignação. 

- Mas eu não devia estar surpresa com nada disso.  O seu caráter me foi revelado por Wickham há alguns meses atrás.  Como explica os motivos pelos quais romperam?

Darcy sentiu seu coração ferver de ciúme, mas tentou se conter, respondendo quase entredentes:

- Você mostra muito interesse por George Wickham. Por que será? – disse Darcy, com voz menos firme mas em tom irônico.

- Ao saber o que aconteceu, qualquer um compreenderia sua atitude.  E ao conhecê-lo melhor, concluo que ele deve ter dito a verdade.

- Sua atitude! – repetiu Darcy, com desprezo. – De fato, ele deve ter se sentido muito infeliz ao sofrer tão grande injustiça.

- E foi você o causador.  Ou tentará negar agora que foi você que o fez perder seu trabalho?  E que não se importou em destruir mais algum paraíso em outro lugar, como querem fazer em Alta Serra?

- Então essa é a opinião que você tem sobre mim! É esse o valor que me dá. Eu estava muito enganado! Mas agradeço por ter sido honesta.  As minhas falhas parecem ser mesmo muito pesadas. – Ele caminhava agitado de um lado para o outro. – Mas quem sabe você não dissesse nada disso, se eu não tivesse ferido o seu orgulho ao confessar com toda a sinceridade minhas incertezas sobre nossos sentimentos e minha intenção de não me comprometer por enquanto.  Mas eu detesto qualquer tipo de mentira e fingimento. Não me envergonho de dizer a verdade.  Meus escrúpulos são naturais e justos.  Deveria me lançar cegamente em uma aventura com uma menina inexperiente mal saída da adolescência e de um mundo tão diferente do meu?

Elisa sentiu a sua cólera crescer a todo o momento, contudo esforçou-se por responder serenamente.

- Está enganado, Darcy.  Eu o teria recusado de qualquer maneira. 

De novo seu espanto se tornou evidente. Ele olhou-a com incredulidade e mortificação e ela prosseguiu:

- Desde o primeiro instante em que o vi, suas maneiras me convenceram de que era um homem arrogante, pretensioso e indiferente aos sentimentos dos outros.  Quando nos conhecemos melhor, achei que pudesse estar errada. E não nego que tenha me apaixonado por você. Mas agora vejo que estava certa desde o início.  Você está certo, somos mesmo muito diferentes. E é exatamente por tudo isso que você seria o último homem por quem eu deveria me apaixonar. 

 

Ele sentou-se e permaneceu alguns momentos com a cabeça entre as mãos como se não pudesse suportar o que ouvia.  Depois se virou e após olhar para ela mais uma vez, como se não conseguisse acreditar que fosse ela mesma que dissera tudo aquilo, levantou-se, despedindo-se:

- Não precisa dizer mais nada depois disso.  Você foi muito clara. Desculpe ter tomado seu tempo. Seja muito feliz!

 

Ele saiu pisando forte e Lizzy sentiu seu peito irromper em um pranto convulso que parecia ter sido represado durante os últimos dias.  Tudo que havia escutado girava em sua mente e ela não conseguia concatenar as idéias.  Precisava descansar e esperar este turbilhão se acalmar para conseguir analisar os acontecimentos com serenidade novamente. Darcy se dizia apaixonado por ela, mas sua hesitação a fazia duvidar deste sentimento.

 

Talvez seu orgulho e vaidade fossem maiores do que o amor que ele supostamente sentia por ela. E ele se decepcionara porque ela era virgem, ao invés de entender como aquela entrega fora especial.  O jeito como ele falara, a pintara como uma jovem inconsequente que desejasse agarrar a primeira vítima que aparecesse.   E Joana... Ele não se importava com a dor tanto dela como de Carlos, agora separados em conseqüência da influência dele sobre o amigo. Também não negara o fato de ter prejudicado George.  Sim, por mais que doesse em seu coração, havia tomado a atitude certa.   Voltou para casa e refugiou-se em seu quarto e desta vez nem a irmã conseguiu fazê-la falar sobre o que havia acontecido, apenas deitou-se com rosto virado para o travesseiro e continuou a chorar até que suas lágrimas secassem e ela dormisse por completa exaustão.o costumava falar muito mesmo, foi Lizzy quem fez alguns comentsta por sua vez, mostrou-se insegura quando Lizzy a chamou, mas

 

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