Citações

A não mudar nunca de opinião podemos chamar de teimosia. Mudar de opinião com conhecimento de causa é a ação de alguém dotado de inteligência. (Jane Austen)

Namoro de Férias - Cap 21

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O dia começava a amanhecer e Elisa entreabriu seus olhos aos primeiros raios da claridade filtrada pelas persianas.  Por um momento não se deu conta de onde estava, mas logo olhou para Darcy ao seu lado e sentiu uma imensa vontade de tocá-lo novamente. Receando acordá-lo preferiu apenas contemplar sua expressão serena e vulnerável adormecido.

 

Sem dúvida sentia mais que uma mera atração física por ele. Os sintomas eram clássicos: coração disparado, vontade de rir à toa sem motivo, pensamento constantemente concentrado na mesma pessoa.  Estava apaixonada.  Desde os tempos de escola não se lembrava de sentir-se assim perto alguém. 

 

Resolveu vestir-se e ir para o seu quarto.  Gostaria de esperá-lo acordar, mas se sentiria constrangida caso alguém a encontrasse saindo do quarto dele nesta situação.  Antes de sair deu um leve beijo na boca de Darcy que se virou na cama sem despertar.  Esgueirou-se furtivamente pelo corredor, não sem antes encontrar uma das empregadas da casa que a cumprimentou e retirou-se discretamente, não parecendo estranhar que uma recém-chegada saísse do quarto do patrão a essa hora.

 

Após chegar à sua suíte, resolveu experimentar a banheira de hidromassagem e percebeu que estava exausta.  Saiu do banho e resolveu dormir mais um pouco.  Quando acordou novamente era mais de meio-dia e ela se arrumou para café da manhã.

 

***

 

Darcy despertou sobressaltado ao estender seu braço e sentir a ausência de Elisa.  Para onde teria ido? Provavelmente para seu próprio quarto.  Como desejava estar ao lado dela para fazerem amor novamente!  Era bastante experiente no quesito sexo, mas nunca passara uma noite como aquela ao lado de uma mulher!     A sintonia entre eles fora perfeita em cada detalhe.   

 

A impossibilidade de tocar outra vez no corpo dela o perturbava como uma dor física naquela manhã.  Precisava tê-la de novo consigo.   Levantou-se rapidamente e tomou uma ducha bem fria para espantar o sono que ainda persistia embora o sol já fosse alto pelo céu. Depois desceu, não sem antes bater à porta do quarto de Lizzy e ela não responder.

 

***

Georgiana percebera o clima de romance entre seu irmão e Elisa Bennet. Gostou da idéia, pois ela lhe parecera bem diferente das mulheres que habitualmente via com seu irmão.  Olhou para o namorado que discretamente lhe mandou um beijo do outro lado da mesa. O relacionamento com ele estava ficando sério e consideravam a possibilidade de morarem juntos definitivamente.  Esperava que Darcy recebesse bem a notícia, pois embora sempre houvesse estimulado sua independência, por vezes preferia desempenhar o papel de pai zeloso, como acontecera quando se envolvera com George.

 

Ela não ouvira o irmão, e assim se permitira ser magoada profundamente. As feridas levaram bastante tempo para cicatrizar e Guilherme não somente não a censurou como foi seu maior apoio durante esta fase difícil. Mas agora tudo isso fazia parte de um passado distante e ela se sentia muito feliz, ansiando que Darcy sentisse a mesma coisa que ela, e começasse a amar alguém de verdade pela primeira vez na vida. E se o conhecia bem isso estava começando a acontecer, embora dificilmente ele o fosse admitir.

 

Enquanto ela fazia estas reflexões, Elisa se juntava a eles: 

 

- Bom dia, Lizzy! Dormiu bem? – Fitzwilliam perguntou, não sem uma ligeira ponta de curiosidade que não passou despercebida a Elisa, que sentiu instantaneamente seu rosto ficar vermelho.  Ainda bem que ninguém perceberia devido ao bronzeado adquirido nos últimos dias.

- Muito bem, obrigada.

 

Darcy chegou no exato instante em que esta frase era concluída por Elisa e depositou um beijo demorado em sua testa antes de se sentar ao seu lado.    Fitzwilliam trocou um olhar cúmplice com Georgiana e ambos sorriram entre si sugestivamente.

 

- Preferiram não ir à boate depois do jantar? – indagou Georgiana.

- Voltamos direto pra casa. – respondeu Darcy concisamente.

 

Elisa se sentiu um pouco envergonhada diante de Darcy pelo seu comportamento quase selvagem durante a noite anterior. Não sabia o que lhe dera, mas fora maravilhoso de qualquer forma. Entretanto parecia desconhecer-se ao voltar à realidade, como se fosse outra pessoa e não ela que se entregara a ele.  Mas a sensação de eletricidade fluindo em seu corpo quando estava perto de Darcy não deixava dúvidas do que realmente ocorrera.  

 

Ele se aproximou e sussurrou bem perto de seu ouvido.

- Por que me abandonou? Senti sua falta quando acordei.

 

Ela não soube o que responder e apenas sorriu, continuando a tomar seu suco de laranja.  Ele também sorriu do modo arrasador que reservava para estas ocasiões, e continuou falando baixinho:

- Não quero você longe de mim...

 

Darcy disse essas palavras impulsivamente, e depois refletiu no que significavam para ele.   Sentia mesmo a necessidade constante da presença dela ao seu lado, pra continuar se sentindo tão plenamente feliz como estava naquele momento. Quanto isso duraria? Qual seria o futuro possível para a relação entre eles?  Esperaria mais tempo passar para tocar no assunto.  Afinal, estavam apenas começando a se conhecer mais intimamente.

 

Depois da primeira refeição, resolveram se limitar à piscina da casa e à praia em frente, pois mais tarde a maioria dos convidados iria embora.  Ela subiu e vestiu um pequeno biquíni vermelho e branco sob uma saída também branca. Quando regressou todos estavam do lado de fora, exceto Darcy que a esperava na sala, vestindo uma bermuda estilo surfwear cinza e branca sobre uma sunga preta. Desde que o vira pela primeira vez na piscina em Alta Serra, Elisa observara disfarçadamente seus músculos moldados sem exageros pelos esportes radicais que tanto apreciava.     Sentiu novamente vontade de passear seus dedos pelo corpo dele, mas esperaria que ele tomasse qualquer iniciativa de se aproximar fisicamente dela, o que não tardou a acontecer. 

 

Ele não a estava esperando à toa.  Deu um passo a frente e a abraçou e beijou como se não houvessem feito isso inúmeras vezes algumas horas antes.  Elisa retribuiu sua iniciativa embora não tão desinibidamente quanto durante o tempo que passaram sozinhos.  Logo depois sairam abraçados para se encontrarem com os demais.

 

Passaram uma tarde bem agradável seguida por um delicioso e tardio almoço. Depois disso, Georgiana, seu namorado e o casal de amigos se prepararam para ir embora, pois teriam aulas na manhã seguinte.  Quando se despediram ela disse a Lizzy:

 

- Foi realmente um grande prazer conhecê-la.  Guilherme parece durão, mas isso é apenas aparência. Posso pedir que você tome conta dele enquanto eu não estiver por perto?

O tom de brincadeira da pergunta não deixava de enviar um recado que Elisa entendeu de primeira: Ela não queria que ninguém fizesse o irmão sofrer. 

- Pode deixar comigo. – Retribuiu Lizzy com um sorriso, refletindo que seria mais fácil ele magoá-la do que o inverso.

 

Fitzwilliam não partiria tão cedo, nem sua amiga, que agora sabia se chamar Bárbara.  Darcy e Elisa também poderiam seguir na manhã seguinte, pois estavam bem próximos de seu destino.  Mais tarde decidiram ir à boate mencionada por Georgiana para Elisa conhecê-la.  Ela escolheu um vestido curto verde escuro que comprara junto com Charlotte quando saíram juntas para se prepararem para o jantar de negócios em que Catherine De Bourgh lhe propusera trabalho. 

 

Bárbara gentilmente propôs-se a ajudá-la a se maquiar, pois era modelo profissional e estava habituada a fazê-lo, o que Lizzy agradeceu e aceitou prontamente. Quando se juntaram aos seus acompanhantes teve a satisfação de ver o olhar extasiado de Darcy para ela. Fitzwilliam que perderia tudo, menos a ocasião de fazer uma piada disse:

- Cuidado para não babar sobre a camisa, Darcy!

 

Foram em dois carros separados para que pudessem voltar com mais liberdade.  No clube noturno os freqüentadores eram pré-selecionados na porta por relações públicas e seguranças.  Era um lugar para ver e ser visto além de dançar. Cinco estilos de músicas diferentes eram tocados em ambientes distintos de decoração arrojada. Diversos artistas performáticos apresentavam-se nos espaços.  Além destas pistas de dança havia três bares, áreas exclusivas, café e um restaurante anexos.

Elisa preferia ambientes menos sofisticados e mais calmos, mas não pode deixar de se impressionar com o impacto do enorme clube e com a variedade de ritmos e de pessoas dançando. Após escolherem uma mesa, ela mesma convidou Darcy para a pista. Ele respondeu que preferiria ritmos mais lentos ao lado dela, mas iria mesmo assim.  Enquanto dançavam Elisa pensou ter visto um rosto conhecido no meio da multidão. Não estava enganada. Quando voltaram a se sentar à mesa, Carolina, que estava com um grupo em uma mesa próxima, os abordou:

- Boa noite, Darcy. Como vai? Não sabia que tinha vindo a Búzios este fim de semana.

- Boa noite, Carolina.  Lembra-se de Elisa Bennet?

- Claro.  Como poderia esquecer? A bióloga de camiseta molhada.

A Elisa não escapou o tom debochado da rival, mesmo que precisassem se comunicar em alta voz para se fazerem ouvir por cima do volume das músicas eletrônicas. Mas preferiu fingir ignorar o comentário ferino.

- Bem, Carolina. E você?

- Poderia estar melhor. – ela sentou-se ao lado de Darcy e prosseguiu a conversa que pretendia ser exclusivamente com ele.  Elisa sentiu o odor de álcool que ela exalava e deduziu que provavelmente teria passado da conta em matéria de bebida - Faz tempo que não nos vemos, não é? Desde as últimas férias só nos encontramos outras duas vezes: naquela festa de Catherine para lançar o projeto de Alta Serra e no feriado que passamos juntos em Angra. 

 

Darcy permaneceu silencioso voltando a apresentar o mesmo ar zangado que Lizzy conhecera nele em Alta Serra e que ainda não vira este fim de semana.

- Vamos marcar um outro dia, está bem? Hoje não dá, você está acompanhado. Até mais para vocês.  

Ela levantou-se dando uma leve cambaleada ao caminhar para onde estavam os seus amigos.

- Lizzy, me desculpe. Carolina passou das medidas. Infelizmente muitos procuram estes lugares para beber demais, e não apenas para dançar.

- Não há problema, Darcy.

- Por que você não começa a me chamar de Guilherme?

Elisa tornou a corar ao lembrar-se da noite anterior. Novamente felicitou-se porque ninguém conseguiria perceber sua reação debaixo da meia-luz conjugada com luzes faiscantes. 

- Vou tentar me acostumar. Esclareça apenas uma curiosidade minha.  Você disse que não sabia nada do projeto em Alta Serra.  Mas ele já foi lançado oficialmente.

Ele não respondeu nada por alguns instantes.  Depois replicou:

 

- Vamos deixar para falar de trabalho na segunda, certo,Lizzy?

- Tudo bem, não está mais aqui quem falou.

Fitzwilliam retornava da pista com Bárbara. A casa noturna tinha um terraço com vista para o mar para onde ela e Darcy se dirigiram em um dos intervalos.  Mais uma vez ele tomou a iniciativa de abraçá-la e beijá-la, agora de forma ainda mais possessiva.

- Dar...quer dizer... Guilherme. – interrompeu ela um dos beijos.

- O que foi?

- Muitas mulheres vieram antes para um fim de semana como esse com você, não é?

- Algumas. 

- E o que aconteceu depois?

- Em certos casos continuamos por mais algum tempo.  Em outros não passou de um único fim de semana.

- E eu estou incluída em qual das duas hipóteses? – disse ela aparentando brincar, mas no fundo desejando saber como ele encarava o relacionamento entre eles.

- Em nenhum das duas.  Espere e verá.

 

Darcy tornou a abraçar e beijar Lizzy, antes de levá-la para dentro do clube e propor a Fitzwilliam que não demorassem muito.  Ainda tinha muitos planos para aquela noite, sussurrou ao ouvido dela, quando entraram.

 

Eles chegaram em casa primeiro porque o primo e Bárbara resolveram ficar mais um pouco.  Desta vez se dirigiram mais calmamente ao quarto dela e começaram a se tocar apenas quando estavam entre quatro paredes, amando-se lenta e cuidadosamente. A sofreguidão ávida da noite anterior foi substituída pelo prolongamento do prazer de estarem juntos por mais tempo.  Os lábios de Dacy traçaram longos caminhos sobre seu corpo e ela assumiu o papel de aluna do experiente professor, embora depois não conseguisse mais se conter pressionando seu corpo sobre o dele clamando pela entrega total de ambos, que ele protelou enquanto pode até que ela implorasse.  O êxtase que se seguiu, agora que não havia mais a urgência da primeira vez, foi ainda mais pleno do que antes.  Quem sabe seria assim para sempre se ficassem juntos, pensou Elisa nos braços dele. Mas para sempre era tempo demais, melhor não alimentar esperanças incertas e viver apenas o momento presente.

 

Dormiram bem tarde, entremeando carinhos com conversas bem humoradas e divertidas, como jamais ela imaginaria que pudessem ter na intimidade com ele quando se encontraram pelas primeiras vezes. Mais tarde ele desceu para buscar um pequeno lanche de frutas e queijos para os dois. Depois adormeceram. Só que desta vez, estando em seu próprio quarto, ela não teria como escapar de acordar ao lado dele de manhã, pensou Darcy antes de adormecer.

 

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