Ao retornar à Fazenda Inglesa, Elisa reencontrou Collins, que se mostrou ansioso para conversar com ela novamente, e de preferência de forma mais íntima do que antes. Não poderia evitá-lo sem ser rude, e decidiu esclarecer de forma mais objetiva que não planejava nenhum envolvimento com ele.
Percebera que o estilo bem-sucedido e urbano do primo havia agradado à mãe. Sim, ele era sem dúvida um bom partido, como se costumava dizer antigamente. O tempo passava, mas algumas coisas não mudavam, como por exemplo, o fato das mães desejarem para suas filhas maridos que pudessem lhes proporcionar estabilidade financeira.
Entretanto não havia da parte de Elisa nenhuma intenção de prender-se a ninguém, pelo menos por enquanto e se decidisse fazê-lo seria por seus sentimentos e não por busca de segurança. Logicamente tudo não passava de suposições, tanto por parte dele que imaginava a possibilidade de um futuro ao lado dela, como de sua mãe que parecia levar esta hipótese remotíssima a sério, apesar da rapidez com que ela surgira. Como se não conhecesse Lizzy, que sempre fora muito independente desde pequena.
- Posso me sentar a seu lado? – Disse Collins já o fazendo, sem esperar pela resposta.
- Esteja à vontade.
- Está em que período da faculdade, Elisa?
- Estou concluindo a graduação em Biologia e me especializando
- Ainda me lembro de como implicava com você quando éramos crianças. Eu lhe devo muitas desculpas.
- Nem me fale. – Elisa sorriu.
- Você cresceu e se tornou uma mulher muito bonita. – replicou ele com um olhar expressivo.
A conversação estava tomando um rumo que ela não desejava. O que fazer?
- O tempo passa para todos, Collins.
- Este é mais um motivo para não desperdiçá-lo.
- Sem dúvida. Cada um traça seus planos. Eu por exemplo, só pretendo estudar e trabalhar por enquanto. Mais nada.
Será que ele entendera? A expressão insegura em seu rosto a fez sentir um pouco de pena de novo, mas como demonstrar seus sentimentos sem magoá-lo?
- E você? Quais são seus projetos imediatos, além dos profissionais? – ela continuou, tentando abrir um novo caminho para o diálogo.
- Como já disse, estive rodando o país inteiro a trabalho. Agora espero me estabelecer em algum lugar, de preferência ao lado de alguém. Não tenho mais meus pais e é difícil sentir-se desprovido de laços de espécie alguma.
Agora ele realmente tocara seu coração. Porém não podia fazer nada a não ser manifestar seu honesto desejo de que ele alcançasse o que almejava:
- Espero que você encontre um amor sincero que possa preenchê-lo. Todos nós procuramos isso de uma forma ou de outra. – Elisa falou impulsivamente dando-se conta de que isso também acontecia com ela, não obstante sua aparente independência.
A conversa foi interrompida por Lídia e George que chegavam. Eles pareciam estar bem íntimos e Elisa novamente refletiu sobre a conveniência deste relacionamento, mas considerando inútil qualquer atitude que pudesse tomar, saudou-os como se nada estivesse acontecendo.
- Como foi a caminhada? – perguntou.
- Sua irmã é uma guia tão eficiente quanto você, Elisa. Conseguimos muitas locações interessantes. Provavelmente no início da próxima semana estarei fechando todo o material para ir embora.
Esta última informação apagou momentaneamente o sorriso de Lídia que indagou:
- Tão rápido, George?
- Infelizmente não posso ir além dos prazos determinados. Mas vamos manter contato pela internet.
Ele disse estas palavras fazendo um carinho suave no queixo dela, que retribuiu com um sorriso.
A intuição de Elisa a avisava sobre os dois, todavia sentia-se impotente para intervir, principalmente porque se baseava apenas em impressões e possibilidades. Quando George se afastou conversando com Collins, ela resolveu falar de novo com Lídia.
- Está acontecendo alguma coisa entre vocês?
- Lá vem você de novo, Lizzy. E se estiver, algum problema?
- Não leve isto muito a sério, Lídia, só isso.
- Sabe o que eu acho? Você está com ciúmes porque eu, mais nova, estou com ele, ao invés de você.
- Como assim “está com ele”?
- Estamos juntos... do jeito que duas pessoas que se sentem atraídas uma pela outra ficam... – respondeu Lídia com um olhar sugestivo.
- Vocês já...
- Não, Lizzy, não – Ela replicou. – Não é isso. Mas já nos beijamos, se você quer saber.
- Lídia, não falo mais nada. Só tenha juízo, certo?
- Isso eu tenho de sobra! – replicou ela com um ar maroto.
Melhor que ele fosse mesmo embora logo, pensou Elisa.
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