Capítulo IX – Distrações e Felicidade.
O jantar em comemoração aos vinte e um anos de casamento seguira sem nenhuma gafe apesar dos modos um tanto chamativos da senhora Olívia Bennet, que, para a alegria de seus cinco tesouros consubstanciados nas figuras de suas filhas, não aparentava ser a mesma senhora triste sentada no banco do jardim no outono, esperando pelo marido e observando as filhas brincarem.
O senhor Augusto Bennet não prometera a esposa que mudaria sua postura e nem a senhora reduzira seus modos a uma postura mais tranquila e contida. As características incontestáveis de ambos não poderiam ser extraídas de suas personalidades. Não seriam remodelados.
Mas naquela noite de comemoração fizeram a promessa mais importante para a continuidade de seu casamento. Prometeram-se, de forma tácita, mas sincera, zelo pelo bem do outro e da família que haviam constituído.
A senhora Bennet, que antes se sentia triste e rejeitada, não criou a ilusão de ser amada por seu estimado marido como fora na juventude e nos primeiros anos de convivência matrimonial. Sabia que ambos estariam vivenciando uma mentira se dissessem conservar tal amor. Entretanto não negava nem para si, nem para ele, que se gostavam e seriam felizes; sobrevivia entre eles o amor familiar.
As viagens do senhor Bennet coincidentemente tornaram-se ainda menos frequentes, mesmo entendendo que o convívio diário com seis mulheres tolas perturbava-lhe a mente de forma intensa.
Não se pode negar que ambos pareciam satisfeitos, cada um a sua maneira. Seus corpos tornaram-se agradecidos com a recompensa do conforto e da satisfação conjugal. E suas mentes, um pouco menos atormentadas, proporcionavam a abertura do estreito caminho para a felicidade.
Todavia há quem relate que a senhora ainda não sossegara seus nervos; e direcionara sua energia sobressaltada e espalhafatosa ao desejo veemente de casar suas filhas.
Fim.














