Marienne Dashwood havia nascido para um extraordinário destino. Nascera para descobrir a falsidade de suas opiniões e para contrariar, pela sua conduta, suas máximas favoritas.(Jane Austen)
(Trilha sonora: What Hurts The Most – Rascal Flatts)
Ao chegar ao Chalé no dia seguinte Andrew foi recebido com alegria por Vitória, que requisitou imediatamente sua atenção. Audrey admirava o entrosamento entre pai e filha de longe, emocionada com a rapidez com que ele a havia conquistado e pela facilidade com tinham acesso um ao outro. Ele lhe lançava olhares de tempos em tempos, flagrando sua admiração e expondo sua felicidade. Essa cumplicidade os aproximava mais do que as palavras, pois compreendiam o que se passava em suas mentes.
Após o divertido almoço Vitória deveria se retirar para ter seu tempo de estudo.
- Porquê eu tenho que estudar? – Disse em um lamento indignado. - Para arranjar um bom partido e me casar? Pois eu só vou casar por amor, como o vovô Darcy e a vovó Lizzy, e para isso não preciso estudar.
- Humm, creio que você está certa Vitória. – Andrew respondeu. - Por quê uma mulher deve estudar afinal? Que mulher gostaria de se tornar capaz de ler livros, poemas, romances ou quem sabe, entender partituras e transformá-las em lindas melodias? Ou escrever cartas àqueles com que se importa? Ou ainda descobrir os lugares maravilhosos do mundo pelos quais desejaria visitar? – Ele falava com um semblante sério e pensativo. - Afinal quem gostaria de conhecer o Brasil não é?
- O que é Brasil? – Vitória o olhou, desconfiada.
- Um país bem distante daqui.
- Era lá que o senhor estava antes de vir para cá?
- Sim.
- E é bonito?
- Mais do que as palavras podem descrever. – Ele fechou os olhos por um instante. – Lá o sol brilha forte na maior parte dos dias, e os raios encontram as plantas, intensificando o verde das folhas e o colorido das flores. Quando chove, as gotas se derramam sobre a areia da praia fazendo com que nossos pés fiquem marcados, nos permitindo ver com exatidão o caminho que percorremos até que finas lâminas de água do mar apaguem nossas pegadas. As ondas por vezes sussurram uma serena melodia ao se encontrar com a areia e noutras vezes gritam com furor quando enfrentam as rochas que avançam sobre elas. Os pássaros entoam seus suaves e adocicados cantos, como se os anjos nos acompanhassem a todo o momento entoando Graças a Deus pelas maravilhas que Ele criou. O vento estica seus dedos por entre os galhos e sacode as palmeiras, com um uivo que nos faz lembrar a força da natureza que nos cerca. – Abriu os olhos e encontrou os olhos de Audrey. – Lá descobri que o tempo de uma vida é curto demais para desperdiçarmos as oportunidades que nos são apresentadas e grande demais para ousarmos acreditar que já estamos próximos do fim.
- Não entendi tudo o que o senhor disse, mas gostei da parte dos pássaros serem como anjos. – Vitória falou com um sorriso.
- Gostaria de ter entendido e de poder falar assim? – Ele a desafiou com o olhar.
- Hummm... – Ela colocou o dedo sobre o queixo. – Sim, claro.
- Por quê?
- Para poder entender o que os outros dizem e fazer com que eles não me entendam, ora.
Audrey fez uma cara de reprovação para Vitória enquanto Andrew disfarçava o riso.
- Quer saber qual o meu segredo? - Falou em confidência.
- Claro!
Ele se inclinou, aproximando-se de seu ouvido, e sussurrou:
- Eu estudei.
Vitória suspirou e se rendeu ao argumento dele. Levantou, fez uma reverência e já ia saindo quando voltou-se para Andrew novamente e disse:
- Sr. Andrew, o senhor me leva para conhecer o Brasil algum dia?
Audrey disfarçou sua surpresa e Andrew, contido, respondeu olhando para ela:
- Se sua mãe o permitir...
- Ela poderia ir junto? Não gostaria de me separar nunca de minha mãe. – Disse em um tom carinhoso para a mãe.
Antes que Andrew pudesse responder Audrey se levantou.
- Muito bem Vitória, chega de importunar o Sr. Andrew com pedidos. Você já está atrasada para seus estudos.
Audrey pediu licença e levou a filha até a sala onde a preceptora a aguardava. Ao voltar encontrou Andrew de pé, junto a uma janela.
- Parabéns Srta. Jennifer. Vitória é uma menina linda e inteligente.
- Obrigada Sr. Andrew. Confesso que contei com a ajuda de pessoas muito valiosas e queridas na educação de Vitória. Amigos que me foram prestativos em todos os momentos. – Ela fez uma pausa antes de continuar. - Sua família é muito preciosa Sr. Andrew e seu pai era um homem maravilhoso. Ele sempre fez questão de que ela o chamasse por avô. Dizia que era uma forma de evitar que ela se sentisse solitária. Naquela época Vitória não compreendia a força dos vínculos familiares e nunca questionou esse assunto, ao menos até agora. O Sr. Darcy sempre foi um forte referencial para ela.
Permaneceram calados por algum tempo até que ele falou gentilmente:
- A senhorita aceitaria caminhar um pouco comigo?
Ela pegou o xale, saíram da casa e seguiram por uma trilha próxima. Andrew tentava iniciar o assunto com tato, mas não encontrava meios de não ser direto. Audrey percebeu seu incômodo e sabia o que rondava sua mente. Ele não conseguia encontrar seu olhar.
- Pelo visto alguns hábitos não mudam com o tempo. – Ela falou contendo um sorriso.
- Que quer dizer?
- Que o senhor sempre encontrou dificuldade em abordar assuntos sérios comigo.
Ele suspirou e virou o rosto em direção ao lago, contemplando o reflexo da paisagem sobre ele.
- O que exatamente quer saber Andrew?
Ele parou e a olhou diretamente enquanto falava:
- Eu soube da existência de Vitória através de um relato de meu pai. Ele me deixou um livro contando toda sua história, desde sua gravidez até o dia em que... – parou. – Enfim... Conversei com William e Matthew ontem. Foi uma conversa difícil para nós, porém necessária, e posso dizer seguramente que já sei bastante sobre como foi a vida de minha filha sem a minha presença até agora, assim como sei que todos lhe deram o apoio que necessitava. Mas preciso ouvi-la Audrey. Preciso que me diga o que aconteceu nesses 10 anos que estive ausente da vida de Vitória.
- Certamente não conseguirei resumir 10 anos em apenas alguns minutos, ou mesmo algumas horas. Mas posso ir lhe colocando a par dos fatos se o senhor puder voltar a nos visitar mais algumas vezes. Acredito que sua presença aqui faria bem tanto ao senhor como a ela, que poderá conviver com o pai mesmo que não tenha o conhecimento racional desse fato.
Ele franziu a testa enquanto a olhava.
- Conheço Vitória melhor do que qualquer um e posso afirmar que o senhor já a conquistou. Ela normalmente é muito desconfiada com as pessoas, principalmente no que se refere aos homens. Sua abertura com o senhor mostra que, de alguma forma, ela reconheceu os laços que os unem. Seus temperamentos são muito parecidos Sr. Andrew, e fico feliz que ela já o considere tanto.
- O que ela sabe a respeito do pai?
- Apenas que possui várias de suas características e que circunstâncias as quais ela ainda não tem idade para entender o afastaram de nós.
Ele abaixou a cabeça, constrangido.
- Ela deve me odiar então. – Disse em um lamento. Audrey se posicionou a sua frente e falou:
- Não Andrew. Ela não o odeia. Vitória é inteligente e tem um coração de ouro. Ela confia em mim e aceita o fato de que ainda não tem idade suficiente para saber de toda a verdade, embora às vezes me questione se o pai um dia voltará.
Ele a olhou curioso.
- E o que lhe diz?
- Que se o desejo de seu coração é ter um pai, ela deveria colocá-lo diante de Deus, pois Ele é o único que conhece o coração das pessoas e, caso seu pai de sangue não pudesse voltar, Ele poderia providenciar um substituto a altura deste.
- Substituto? – ele corou ao perceber que deixava transparecer seu ciúme.
- Sim. – ela sorriu ao ver a reação dele. - Seu pai cumpriu bem esse papel e até então isso era suficiente para Vitória. Mas desde que ele se foi ela já não se encontra mais tão tranqüila e sinto que o fato da verdade vir à tona e o trazer até ela colaborará para a realização do sonho de Vitória. Você já conquistou sua amizade Andrew. É uma questão de tempo até que tenha completamente seu amor.
Ele sorriu e caminharam ainda por algum tempo enquanto ela contava detalhes da vida da filha, fazendo com que ele se familiarizasse com seu temperamento e sua história. Eles riram juntos novamente, como se os anos não houvessem passado. Em determinado momento Audrey pediu que ele lhe contasse sobre sua vida no Brasil e sobre o país.
- Eu o farei mas, se me permite, não será agora. Gostaria de voltar mais vezes para ver Vitória... – Ele buscou seus olhos, controlando o desejo de tocar seu rosto. – e para vê-la também.
O coração de Audrey disparou e ela desviou a face. Um leve tremor percorreu seu corpo e ela caminhou até uma árvore, dando as costas ao seu acompanhante enquanto dizia:
- Venha ver Vitória quantas vezes quiser Sr. Andrew.
Audrey percebeu quando ele se aproximou de suas costas e fechou os olhos. Respirou fundo e sentiu a mão tocando levemente seu braço.
Andrew aspirou o perfume dela ao se aproximar e percorreu com os olhos o caminho que seguia desde seus ombros até o pescoço. Não conseguiu conter o desejo de tocá-la. Levantou a mão e encostou suavemente em seu braço.
- Devo entrar agora Sr. Andrew. – Ela fugiu sentindo o frio penetrar sua pele ao se afastar do calor do corpo dele.
Andrew se afastou.
- Gostaria de lhe pedir mais um favor.
Ela assentiu com a cabeça.
- Posso trazer meus filhos para conhecer Vitória? Ela me pediu para que os trouxesse quando mencionei sua existência. Ao que parece ela não tem muitos amigos da mesma idade.
- Vitória conviveu a maior parte do tempo com adultos. – disse meditativa. – Fora os filhos de Juliette que nos visitam nas férias ela realmente não tem muitos amigos por aqui. – Levantou a cabeça e disse: - Pode trazê-los Sr. Andrew.
- Posso voltar amanhã? – Pediu esperançoso.
- Certamente. – Ela sorriu.
Eles se despediram com uma troca profunda de olhares, onde puderam desvendar seus anseios e receios. Andrew deveria ter paciência e Audrey abafava seus desejos. A aristocracia inglesa ainda era a mesma, assim como seus julgamentos e preconceitos. Eles jamais aceitariam sua união com Andrew. Mas em meio ao desalento ela encontrava um consolo: o resgate dele com a filha. Imaginava que isso seria o suficiente para fazê-la feliz e se esforçava por se convencer disto.
~ * ~
Os dias passaram e as visitas de Andrew ao Chalé tornaram-se quase diárias. Ele passou a levar seus filhos com certa freqüência e, por algumas vezes, foi acompanhado de Matthew e sua família que ajudaram na interação entre as crianças. Noutras vezes William convidou Audrey e Vitória para passarem o dia na mansão e, assim, o relacionamento entre pai e filha se tornava cada vez mais estreito.
Houve uma semana, porém, em que Andrew precisou ir a Londres resolver questões de negócios. Audrey sentiu falta de suas visitas, mas procurava se conformar com o fato de que ele deveria partir de volta para o Brasil em algum momento. Procurava se acostumar com a idéia, mas não conseguia evitar a melancolia ao imaginar que tal data se tornava mais próxima a cada nascer e por do sol.
Era início da noite e ela meditava sobre este assunto enquanto observava a seqüência de raios anunciando que a noite seria de tempestade. Encontrava-se imersa em seus pensamentos quando foi surpreendida pela chegada de Andrew. Ele desmontou do cavalo, cumprimentaram-se e ela o convidou para entrar. Vitória surgiu pouco depois de se acomodarem e correu em sua direção, parando apenas para fazer uma reverência. Ele lhe deu um presente: um cordão contando com um pingente no formato da letra “V”, ambos em ouro. Vitória imediatamente pediu que ele colocasse em seu pescoço e o exibiu para a mãe.
- Obrigada tio Andy. Não precisava ter se incomodado.
- Não foi incômodo algum. Eu não sabia qual a data de seu aniversário e resolvi lhe dar o presente adiantado... ou atrasado.
- Agora é hora de ir para a cama minha querida. – Audrey o interrompeu e olhando severamente para a filha, indicou que era hora de se despedir da visita.
- Ainda não mãe... É cedo e faz tanto tempo que não vejo o tio Andy... – Ela pediu.
Audrey intensificou seu olhar e Vitória fez uma cara emburrada.
- Se o tio Andrew fosse meu pai você me deixaria ficar. – Falou enchendo os olhos de lágrimas e saiu correndo para seu quarto.
Audrey estava atônita. A filha jamais havia se comportado daquela forma e ela não soube como reagir. Andrew, percebendo seu desconforto, sugeriu:
- Posso falar com ela?
- O que vai dizer?
- Não se preocupe. Sei que, infelizmente, ainda não é o momento certo para que ela saiba a verdade. Vou apenas conversar com ela.
Audrey chamou a Sra. Hills que acompanhou Andrew até o quarto de Vitória. Ele bateu na porta, se identificou e ela permitiu que entrasse. Ele deixou a porta aberta.
Vitória estava sentada na cama, próxima à janela, com os braços envolvendo as pernas e apenas a claridade de uma vela a iluminando. Andrew se aproximou, pegou a cadeira da penteadeira, posicionou-a junto à cama e sentou em seguida.
(Trilha sonora: With You – Josh Groban)
- Você não veio brigar comigo também veio? – ela disse, soluçando.
- Não Vitória. Não vou brigar com você, mas acha que o que fez foi correto?
- Eu falei a verdade. Se eu tivesse um pai poderia recebê-lo quando voltasse de viagem e ficar com ele pelo tempo que quisesse, sem ter que seguir horários.
- Isso não é verdade. Veja, eu sou pai e quando volto das viagens que sou obrigado a fazer não permito que meus filhos fiquem acordados até tarde por esse motivo.
- Mas eles ficam um pouco com o senhor não ficam? Henry me disse que quando o senhor volta fica no quarto com eles e até conta estórias.
- É verdade. – Por um segundo lamentou o comentário do filho.
- Está vendo? E eu não posso ficar com o senhor porque não é meu pai. – ele viu uma lágrima correr em sua face ao mesmo tempo em que as primeiras gotas de chuva batiam na janela.
Andrew não sabia o que dizer para consolar a filha. Aquela situação rasgava seu coração, mas ele não poderia falar a verdade. Ainda não era o momento e, certamente, não poderia fazê-lo sem a permissão de Audrey. Ele aproximou-se mais, limpou suas lágrimas, acariciando o rosto pequeno e percebeu sua face mudar de expressão.
- Eu nunca vi sua esposa Sr. Andrew. Onde ela está?
- Minha esposa está distante daqui, no mesmo lugar que meu pai.
- Então ela morreu e está no céu com o vovô Darcy e a vovó Lizzy?!
- Sim Vitória. – Ele riu de sua tentativa frustrada de amenizar o impacto da morte e percebeu um brilho diferente em seu olhar.
- Então o senhor pode se casar de novo?
- Do que está falando? – ele teve uma suspeita.
- Você poderia se casar com minha mãe! – Ela tinha agora um sorriso estampado na face e os olhos perdidos no nada. – Sim, então você seria o meu pai e poderia me contar estórias antes de dormir! E eu teria irmãos e uma irmã que dormiria comigo! Seria perfeito! – E encontrando os olhos de Andrew continuou: - Por favor tio Andy, case-se com a minha mãe!
Andrew ficou emocionado e desconcertado com o pedido.
- Vitória...
- Você não acha minha mãe bonita?
- Não é isso...
- Não, claro que não. Ela é linda! Então... não seria perfeito?
- Não é tão simples assim Vitória. Um casamento...
- Mas eu já vi como vocês se olham. – Ela o interrompeu.
Andrew agradeceu a penumbra em que o quarto se encontrava, pois ficou completamente rubro diante do comentário dela.
- Promete que vai pensar? Por favor? – Disse juntando as sobrancelhas em súplica.
Ele se assustou com a perspicácia e a maturidade da filha e respondeu rapidamente, ansioso por sair daquela situação:
- Prometo que vou pensar. Agora se deite e procure descansar.
Ela estava muito excitada com a idéia e, surpreendendo Andrew, lhe deu um beijo na face e deitou abraçada a sua boneca, tentando abafar o riso incontido.
Andrew cobriu a filha, a abençoou, saiu do quarto e fechou a porta. Ainda estava surpreso com a conversa quando viu Audrey parada, de costas para ele, junto à escada. Caminhou em sua direção e viu as lágrimas que corriam por sua face. As enxugou como fizera com a filha e lhe estendeu a mão. Ela apoiou-se nele e desceram as escadas lado a lado, em silêncio, até que ele subitamente parou diante dela antes que chegasse ao último degrau, o que fez com que ficassem quase da mesma altura. Seus olhares se encontraram.
- Você ouviu o que Vitória disse? – tinha a voz rouca pela emoção.
Audrey balançou a cabeça afirmativamente e abaixou os olhos. Ele tocou seu queixo e buscou-os novamente.
Ela podia sentir nitidamente sua respiração e ficou embriagada ao reconhecer o clima que os envolveu. Andrew aproximou-se vagarosamente, sem conseguir mais conter a chama que havia reacendido em seu peito. Ela desviou de seu caminho e desceu o último degrau, saindo de sua frente. Precisava se controlar. Caminhou até o piano, sentou mas não tocou nas teclas. O tremor a impedia. Andrew sabia dos receios de Audrey e a seguiu até o instrumento.
- Me permite? – Se ofereceu.
Ela não conseguiu negar. Ele sentou ao seu lado e começou a tocar uma melodia, cantando suavemente uma canção:
Sometimes I remember reasons I let you go
Inside them I see your face and all I really know
I was scared to share the love I have inside of me
Through all the heartache I know that I was meant to be
(Às vezes lembro as razões para que eu lhe deixasse ir
Nelas eu vejo a sua face e tudo o que realmente sei
É que eu tinha medo de mostrar o amor que tenho em mim
E mesmo com toda dor eu sei que eu fui feito para estar)
With you
I have everything I've ever wanted
Simple and true
With you
Crying eyes so beautiful
It's you
You always thought our love would see us through
(Com você
Eu tenho tudo o que sempre quis
Simples e verdadeiro
Com você
Olhos tristes tão lindos
É você
Você sempre acreditou que nosso amor nos transpassaria)
If I could follow my heart again it would be yours
With every breath I would find a way to love you more
I can't imagine life without your silent bravery
And I'm grateful for every moment that I get to be
(Se eu pudesse seguir meu coração novamente ele seria seu
A cada respirar eu encontraria um meio de amar-te mais
Eu não imagino viver sem sua silenciosa bravura
E sou grato por cada momento que posso estar)
With you
I have everything I've ever wanted
Simple and true
With you
Lovely night so beautiful
It's you
You always find a way
(Com você
Eu tenho tudo o que sempre quis
Simples e verdadeiro
Com você
Doce noite tão linda
É você
Você sempre encontra um caminho)
And if the stars should disappear
In the dark I'll still be here
Forever in your arms where I belong
(E se as estrelas desaparecessem
Eu ainda estaria aqui, no escuro
Para sempre em seus braços, onde eu pertenço)
With you
I have everything I've ever wanted
Simple and true
With you
Loving eyes so beautiful
It's you
You always knew our love would see us through
(Com você
Eu tenho tudo o que sempre quis
Simples e verdadeiro
Com você
Doces olhos tão lindos
É você
Você sempre soube que nosso amor nos transpassaria)
As lágrimas ainda corriam pelo rosto de Audrey quando Andrew parou de tocar.
- Andrew, nada mudou. – Ela mal conseguiu falar.
- Eu mudei, Audrey, e você também. – Sua voz era segura e gentil.
- Mas o mundo não mudou...
- Quando nós mudamos, o mundo muda conosco. As regras e normas sociais podem ser as mesmas, mas elas jamais mudarão se não ousarmos enfrentá-las. – Virou seu rosto e mergulhou no mar esverdeado. - Eu a amo Audrey e não desejo viver nem um momento mais longe de você. Será que não vê? Estamos tendo uma nova chance e eu não quero perder essa oportunidade. Desejo que se case comigo, que seja minha esposa e mulher novamente. Não o estou pedindo apenas pelo que Vitória disse hoje.
Ele colocou a mão no bolso, retirou uma caixa de veludo e a colocou sobre o piano, sem retirar seus olhos dos dela.
- Andrew, não posso fazer isso... – Disse em meio à dor. - Seria invalidar tudo o que fiz até agora.
- Então admita que errou ao me afastar de você e de Vitória.
- Acha que errei ao tentar preservá-lo? – Ela o fitou com um toque de indignação.
- Eu enfrentaria o mundo todo por vocês duas, tanto naquela época como agora. Não me importam os conceitos que a sociedade tem sobre você ou sobre nosso relacionamento. Mais da metade deles não tem o seu caráter e não sabe o que é o amor.
- Isso não muda o fato de que eles virariam as costas para Vitória.
- Eu jamais deixaria isso acontecer.
- Mas você virou as costas para mim Andrew. – Ela finalmente mostrou sua mágoa.
(Trilha sonora: Remember When It Rained – Josh Groban)
- Eu estava desesperado, pensando ter perdido seu amor. Você sempre fez questão de ressaltar que não voltaria atrás se rompesse comigo. Acreditei que havia outro em sua vida e estava tão certo disso que me apeguei à única pessoa com quem poderia ter algo semelhante ao que tivemos. Me entreguei ao meu casamento com Maíra e abri mão do que sentia por você, de nossa história, de nosso amor...– ele tocou seu rosto. – Quando li o livro de meu pai resolvi resgatar minha filha, mas quando a vi percebi que ainda a amava. Eu ainda a amo Audrey, de uma forma mais sincera e madura, mas tão ou mais intensamente que há 10 anos atrás. Não estou disposto a abrir mão de você novamente... – Ele hesitou. – A não ser não me ame mais.
- Não amá-lo seria como não respirar, Andrew. – Ela o encarou e abaixou os olhos em seguida. - Mas Vitória não pode sofrer por nossa causa.
- Vitória? Minha querida, o máximo que podemos fazer agora é tentar amenizar o dano que já lhe causamos. O melhor para Vitória é ter o pai e a mãe juntos e unidos em seu amor. Ela já anseia por isso e será dessa forma que poderemos transmitir a segurança que ela almeja. Audrey, todos os meus filhos são muito importantes para mim. Eles são a minha herança, a minha contribuição para tentar tornar este mundo um pouco melhor. Mas o que sinto por você, o amor que guardo em meu peito, este dá um novo sentido à minha vida. Ele me faz levantar todos os dias e desejar viver somente para poder ver o sorriso em seus lábios.
Ela abaixou a cabeça. Queria poder se entregar a Andrew sem ponderar as conseqüências de sua união, mas não conseguia evitar sua preocupação com o futuro de Vitória.
- Meu amor, se enfrentá-los a perturba tanto nós podemos viver no Brasil. Lá ninguém a conhece. Eu tenho uma vida estabelecida e sei que todos a acolheriam com carinho.
- Eu... eu não sei. Estou tão cansada...
- Então deixe que eu cuide de você. Deixe-me amá-la como você merece.
Ela travava uma luta interna. Sua razão e sua emoção a dividiam ao meio. Andrew desejava tê-la em seus braços novamente e lhe transmitir a segurança que ela necessitava. Estava certo que ela não resistiria se tomasse a iniciativa de tê-la novamente, mas não poderia mais agir da mesma forma que fizera. Seu amor por Audrey e por Vitória o impedia de seguir seu impulso. Sentiu urgência em se afastar e se levantou. Ela o olhou.
- Não posso mais tratá-la como fiz no passado Audrey. Você não merece isso e eu não poderia mais tê-la de outra forma que não fosse como minha esposa.
Ele caminhou até o hall de entrada, vestiu o sobretudo e, antes de sair, virou-se para ela.
- Eu a amo Audrey. Sempre a amarei, não importa qual seja sua decisão. Apenas peço que me perdoe por minha inconseqüência e covardia no passado e me permita desfrutar de sua companhia, de seu amor, como seu marido e não como um amante. Desejo ser seu, torná-la minha e permitir que todos saibam o quanto a amo.
Virou e saiu da casa, caminhando lentamente até o cavalo. Parou por algum tempo permitindo que as gotas da chuva molhassem seu rosto. Acariciou o focinho do animal, montou e permaneceu observando a casa. Permitiu que as lágrimas transbordassem de seus olhos. Virou o cavalo e partiu.
A conversa com Andrew ecoava pela mente de Audrey e a deixava tonta. Ela tomou em suas mãos a caixa de veludo, abriu e viu o belo anel. Colocou-o em seu dedo, retirando-o em seguida e guardando-o novamente. Sentia uma dor cada vez mais intensa preenche-la, como se todos os seus ossos estivessem sendo quebrados e um misto de desespero e angústia tomou seu ser. Colocou a caixa novamente onde estava, cobriu o rosto e, numa fração de segundos, repassou os últimos anos, a conversa de Vitória com Andrew e tudo o que ele havia dito há poucos segundos.
”Senhor, me ajude...” , pediu em uma oração urgente e instantaneamente soube o que fazer. Pegou a caixa, levantou em um salto, atravessou a porta que dava para a rua e, sem se importar com a chuva, correu até a estrada por onde ele havia seguido. Não o viu na escuridão e num impulso gritou seu nome uma, duas vezes. Não houve resposta. Ficou sob a chuva lamentando ter deixado que ele partisse.
Andrew sentia os cascos imprimirem sua marca forte sobre o solo. As gotas cada vez mais intensas e frias batiam em seu rosto, dificultando sua visão. Ele fechou os olhos e deixou que o cavalo seguisse livremente enquanto a imagem de Audrey preenchia completamente seu pensamento. Teve a impressão de ouvi-la chamar seu nome. Abriu os olhos e puxou as rédeas, freando o cavalo. Já estava a certa distância do chalé e seria impossível ouvi-la. Olhou para o caminho que acabara de percorrer e ficou em dúvida sobre a veracidade de sua mente. Fechou os olhos e ouviu a voz de Audrey chamando-o novamente. Sem hesitar, esporou o cavalo fazendo com que este percorresse veloz o caminho de volta.
O silêncio da noite fora substituído pela melodia da água que escorria das nuvens. Céu e terra uniam suas forças. Um raio cortou o céu e fez com que a terra tremesse diante do timbre de sua voz. Audrey ficou sob a chuva esperando que um milagre trouxesse Andrew de volta. Andrew sentia o coração batendo forte, desejando que a voz que ouvira não fosse apenas sua imaginação.
O cavalo parou sem que o cavaleiro lhe desse comando algum. Ele desmontou e se aproximou, reconhecendo aos poucos a silhueta dela através do véu que os separava.
Audrey iniciou a volta para a casa, sem realmente desejar voltar. Sentiu um calor em suas costas e um arrepio percorrer sua coluna. Virou e reconheceu Andrew que se aproximava. Ele parou a certa distância. Outro raio cortou o céu e seus olhares se encontraram. Os corações estavam acelerados. Eles não se tocavam, mas sentiam um ao outro em suas almas. Sem desviar dos olhos dele, Audrey abriu a caixa que estava em sua mão, tirou o anel e o colocou em seu dedo. Levou a mão até o cabelo e desfez o coque que o prendia.
Andrew a olhava, hipnotizado e emocionado. Aproximou-se lentamente. Estavam frente a frente novamente, agora sem barreiras, inseguranças ou dúvidas entre eles. Ambos inebriados com o cheiro da mistura de seus aromas com a chuva e envolvidos com o desejo que aflorava em seus corpos. Ele levantou a mão e acariciou seu rosto. Ela fechou os olhos ao seu toque. Ele acariciou os fios molhados, encontrou seu pescoço e o envolveu em sua mão, gentilmente puxando-a para si. Abriu um pouco os lábios ao sentir a respiração junto a sua e a beijou com paixão e saudade. Audrey tremeu ao sentir a segurança com que ele a envolvia. Estavam novamente juntos e nada os separaria dessa vez.
~ * ~
Musicas - Letra e tradução:
What Hurts The Most
Rascal Flatts
I can take the rain on the roof of this empty house (Eu posso suportar a chuva sobre o teto desta casa vazia)
That don't bother me (Isso não me incomoda)
I can take a few tears now and then (Eu posso suportar algumas lágrimas ocasionalmente)
And just let 'em out (E deixa-las sair)
I'm not afraid to cry every once in a while (Eu não tenho medo de chorar de vez em quando)
Even though going on with you gone still upsets me (Mas continuar sem você ainda me entristece)
There are days every now and again (Sempre ocorrem dias)
I pretend I'm ok, but that's not what gets me (Que eu pretendo estar bem, mas não é isso que eu sinto)
What hurts the most (O que doi mais)
Was being so close (Foi estar tão perto)
And havin' so much to say (E ter tanto a dizer)
And watchin' you walk away (E ver você se afastar)
And never knowin' (E nunca saber)
What could've been (Como poderia ter sido)
And not seein' that lovin' you (E não ver que amar você)
Is what I was trying to do (Era tudo o que eu tentava fazer)
It's hard to deal with the pain of losin' you every where I go (É difícil lidar com a dor de ter perdido você onde quer que eu vá)
But I'm doin' it (Mas eu estou suportando)
It's hard to force that smile when I see our old friends and I'm alone (É difícil forçar o sorriso quando vejo nossos velhos amigos e estou sozinho)
Still harder (Ainda mais difícil)
Gettin' up, gettin' dressed, livin' with this regret, but I know (Acordar, me vestir, viver com esse arrependimento, mas eu sei)
If I could do it over (Se eu tivesse outra chance)
I would trade, give away, all the words that I saved in my heart (Eu daria todas as palavras que guardei em meu coração)
That I left unspoken (E nunca disse)
What hurts the most (O que doi mais)
Is being so close (É estar tão perto)
And havin' so much to say (E ter tanto a dizer)
And watchin' you walk away (E ver você se afastar)
And never knowin' (E nunca saber)
What could've been (Como teria sido)
And not seein' that lovin' you (E não perceber que amar você)
Is what I was tryin' to do (Era o que eu tentava fazer)
Remember When It Rained
Josh Groban
Wash away the thoughts inside (Limpei os pensamentos em mim)
That keep my mind away from you. (Que maninham minha mente longe de você)
No more love and no more pride (Sem amor e sem orgulho)
And thoughts are all I have to do. (E pensamentos são o que me restam)
Oh, Remember when it rained. (Oh, lembro quando chovia)
Felt the ground and looked up high (Senti o chão e olhei para o alto)
And called your name. (E gritei seu nome)
Ohhhhhh Remember when it rained. (Oh, você se lembra quando chovia)
In the darkness I remain. (Eu permaneço no escuro)
Tears of hope run down my skin. (Lágrimas de esperança correm minha pele)
Tears for you that will not dry. (Lágrimas por você que não secarão)
They magnify the one within (Elas realçam meu ser)
And let the outside slowly die. (E deixam o que é externo morrer lentamente)
Oh, Remember when it rained. (Oh, lembro quando chovia)
I felt the ground and looked up high (Eu senti o chão e olhei para o alto)
And called your name. (E gritei seu nome)
Oh, Remember when it rained. (Oh, lembro quando chovia)
In the water I remain (Permaneço na água)
Running down (Correndo)