CAPÍTULO 25
Charles havia rompido com Caroline e a tia, mas tinha notícias da prima pelo tio. Ela tinha ido atrás do pai biológico de seu filho e uma nova batalha judicial começara naquela família. Apesar de tudo, ela parecia cada vez mais apegada ao filho e à nova vida como mamãe de um menino saudável e forte. Seu ex-namorado tomou um susto com tudo, mas estava disposto a reconhecer a criança. Fora isso, ela havia voltado para a Rússia e dava continuidade para sua loja de roupas que havia deixado aos cuidados da mãe e de seu administrador.
Como todos os anos, os Bennet iam fazer sua famosa festa de Ano Novo. Já sabiam do envolvimento, novamente, da filha e de Willian e estavam bastante preocupados. Não queriam que ela passasse por toda tristeza e decepção antes experimentada. Estavam apreensivos e já haviam conversado com os Darcy, que partilhavam do mesmo sentimento. O casal havia dito tudo às famílias e não queriam mais esconder o que sentiam, como haviam feito no ano anterior. O Natal havia passado normalmente entre as famílias com Darcy e Lizzie juntos, mas discretos devido ao sentimento de preocupação dos pais.
Jane, felicíssima e deslumbrante em seu vestido creme e seu anel de noivado que logo seria substituída por uma aliança de casamento, Mary seguia namorando o seu “Coronel” promotor, Georgiana havia conseguido ingressar na faculdade de Medicina e estava acompanhada de um pianista. Fanny não parava de falar sobre o casamento da filha mais velha. Charlotte e Collins, contrariando todas as expectativas, estavam juntos. O casal mais parecia Fanny e Thomas Bennet, mas de forma invertida: ela, a mais sensata e comedida, ele mais impertinente e falante.
O jardim externo estava todo enfeitado assim como no ano anterior, mas esse ano a decoração estava mais iluminada e com uma temática de enfeites dourados. A orquestra tocava junto aos cantores e os casais dançavam. Lizzie, Jane e Charles conversavam próximos à orquestra.
- Nossa, o que tanto papai, o Sr. Darcy e o Willian conversam?
- Não sei, Jane. – ela riu - Parece que estou no Reveillon do ano passado quando o Willian me pediu em namoro para o papai. Lembra-se? Mas esse ano não há pedido de namoro nenhum já que eu e o Willian resolvemos ficar juntos mesmo, com ou sem pedido formal ao papai. Sei que o papai ficou muito preocupado com isso, mas eu não posso evitar ficar com ele. É mais forte do que eu...
-Lizzie, você sabe que a preocupação do papai é para que você não sofra de novo. Nem você e nem Darcy.
- Eu sei, Jane...Bem, vamos mudar de assunto eu não quero mais pensar nisso. E vocês, como estão se sentindo nesse último ano novo como solteiros?
- Eu achei que o Reveillon do ano passado tivesse sido o melhor da minha vida com a minha Jane, mas estou vendo que ele foi absolutamente superado. – olhou Charles para a noiva dando-lhe um beijo com carinho. – Não acredito que em alguns meses você será muita esposa, amor.
Lizzie olhava a cena dos dois apaixonados e sorria de felicidade: pela irmã e por ela, que agora realmente estava com Darcy.
-Quem sabe ano que vem supere o deste ano? Já estaremos casados... – respondeu Jane.
- Claro, meu amor...ano que vem estaremos casados, quem sabe já com um pequeno Bingley encaminhado...
- Charles! O que é isso?- perguntou Jane brincalhona
- Felicidade, meu amor. Só felicidade. – disse sorrindo e bebendo o último gole de sua taça de champagne.
Bingley começou a pensar como havia sido o Reveillon anterior, quando ainda era o recém-namorado da agora noiva, sua deusa, seu amor. Estava feliz demais com a iminência de seu casamento e com os planos que fazia com Jane. Ele adorava poder acordar ao lado dela, de fazer um carinho de manhã, de encontrá-la na hora do almoço para apenas lhe dar um beijo, das horas que passavam abraçados vendo um filme, das noites de amor entre os dois.
As duas riram da expressão pensativa e feliz de Charles que logo saiu para buscar uma bebida.
As irmãs conversavam sobre a festa e de como sua mãe estava em cima dos 3 genros. A cada minuto ia conversar, perguntar se estavam gostando da festa, se estavam sendo bem servidos e dizer o quão lindas eram suas filhas e melhores mulheres eles não achariam nem em Londres e nem em outro lugar do mundo! Era Fanny, com seus comentários...
-Lizzie, ele está vindo...- disse Jane.
Viu a mesma imagem de Darcy do ano anterior: ele vinha em sua direção e desviou indo em direção ao maestro.
[i]“ O que ele está aprontando de novo? Ahhh...vai cantar aquela música!”[i/] – pensou ela sorrindo.
Chegou perto dela e segurou sua mão sem dizer palavra alguma, conduzindo-a pela pista de dança. Segurou em sua cintura com uma das mãos e com a outra segurou seu braço junto ao seu peitoral fazendo com que ficassem dançando juntinhos e começaram a dançar ao som da música tocada.
Eles estavam muito próximos e ele começou a cantar partes da música para ela, assim como havia feito um ano antes.
- Tell me when will you be mine, tell me quando, quando, quando…
Lizzie fechou os olhos e passou a ouvir palavra por palavra sussurrada em seu ouvido. A cena estava se repedindo, mas agora com outra música.
- We can share a love devine, please don´t make me wait again…
Ela sentia seu perfume e estava inebriada pelo momento.
- When will you say yes to me, tell me quando, quando, quando…you mean happiness to me, oh my lover tell me when…
Ele desacelerou mais ainda o ritmo da dança e passou a olhá-la com um olhar apaixonado. Ela, que até então estava com os olhos fechados sentindo profundamente aquele momento, abriu-os e sorriu para ele.
- Lembra-se que no ano anterior, quando passamos a virada do ano juntos, abraçados, eu lhe fiz uma promessa?
- Sim, você me prometeu que meu ano começaria com o seu abraço e assim ele terminaria: com um abraço. – disse ela rindo e o abraçando. – Cumpriu sua promessa.
Ele sorriu e passou a mãos nos cabelos gostosos e soltos de sua namorada. Sentia o mesmo perfume doce e floral que ela sempre usava e lembrava-se da noite fantástica que haviam passado juntos no ano anterior. Esse ano, seria melhor, seria “o” ano, o seu ano, seu ano e de Lizzie.
Continuaram abraçados ouvindo a música e tudo o que ela dizia. Ele puxou seu rosto e deu-lhe um beijo suave e carinhoso ainda com ela nos braços.
- Lizzie, não quero que esse ano fiquemos abraçados...
Ela o olhou com dúvida.
- Darcy, não estou entendendo...
Ele sorriu logo tranquilizando-a.
- Não quero que passemos “esse” ano abraçados. Quero que passemos todos os anos abraçados. Quero que em todas as minhas comemorações de final de ano eu possa sentir esse seu perfume, que eu possa ver suas pintinhas nas costas, que eu possa beijá-la, amá-la, sentir seu corpo junto do meu...
Lizzie sorriu largamente diante da declaração de amor que ouva. Ele continuou:
- Devo lhe dizer que, no ano passado fui conversar com seu pai, nesta mesma comemoração, nesse mesmo lugar, para pedi-la em namoro, mas esse ano fiz diferente...
Ele suspirou fundo e olhou em seus olhos castanhos cor de madeira.
-...esse ano fui pedi-la em casamento.
Ele sorriu e logo se ajoelhou no meio da pista de dança onde outros casais que dançavam, pararam seu entretenimento para ver Willian ajoelhado na frente dela com uma caixa escura e com cara de apreensão.
- Srta. Elizabeth Bennet, eu a amo. Ardentemente. Por favor, dê-me a honra de aceitar minha mão.
Ela o olhava absolutamente incrédula. Os convidados estavam todos voltados para a pista de dança olhando a declaração de amor realizada por Willian. Charles sorria junto à Jane e Mary. Nenhum deles sabia de nada. Os Bennet e os Darcy se olhavam sem saber o que fazer a não ser esperar a resposta dela.
- Srta. Elizabeth Bennet, você aceita se casar comigo?
Ela sorriu e levou uma das mãos à boca e já segurava o choro que estava por vir.
- Sim! Eu Aceito!
Ele se levantou e deu-lhe um abraço e um beijo caloroso.
-Espero que esse ano VOCÊ me prometa que vai passar a noite comigo – disse ele baixo no ouvido dela.
Ela sorriu e lhe deu mais um beijo ao som das palmas dos demais convidados.
Agora sim, estariam juntos. Sempre.














