Citações

Não podemos exigir que um rapaz despreocupado seja sempre prudente e circunspecto. Muitas vezes é apenas a nossa vaidade que nos engana. (Jane Austen)

Quando, quando, quando,... Capitulo 24

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CAPÍTULO 24

 


Jane e Mary ainda estavam no escritório. Ficariam até tarde, pois um grande caso estava para ser finalizado e precisavam olhar os últimos detalhes com a equipe. Conversavam sobre a notícia bombástica de Caroline que Charles havia rompido com a família e estava morrendo de vergonha pela atitude dos parentes.

- Srtas Bennet, o sr. Darcy encontra-se aqui fora e deseja ser recebido.

Darcy entrou na sala de reuniões do escritório e logo encontrou as irmãs. Sua aparência era horrível: a gravata um pouco aberta e os dois primeiros botões da camisa social abertos, o cabelo despenteado e a blusa amassada.

-Jane, Mary, preciso da ajuda de vocês, e já!

-Nós podemos imaginar qual o assunto, Darcy. – disse Jane buscando um café para ele e sentando ao lado dele.

Mary sentou na outra cadeira e pegou em sua mão. Estava morrendo de pena do amigo e da irmã e sentia raiva da ruiva maluca! Com certeza ia massacrá-la no Tribunal.

Ele explicou a história em detalhes: Caroline havia viajado com um ex-namorado  e que o filho podia não ser dele, pois tinha sido concebido na primeira semana de janeiro, como seu médico havia lhe explicado. Disse tudo que ela havia lhe falado.

As irmãs ficaram chocadas com a história bizarra que ele havia contado. Tinham alguma experiência na área de Direito de Família e nos barracos e atrocidades que viam nas audiências e isso se assemelhava a muitas dessas histórias. Definitivamente, Caroline não ia querer terminar de forma amigável aquela relação.

- Preciso saber logo...não quero ter qualquer tipo de relação com essa louca. Além disso, sua irmã se recusa a ficar comigo nessa situação. Ela mal falou comigo dizendo que eu ainda precisava resolver minha vida.

[i] E ela está certa! [/i] – pensaram Jane e Mary.

- Willian, podemos ajudar você e com MUITO prazer – disse Mary. – Desculpe minha indelicadeza, mas eu sempre desconfiei que essa ruiva tinha um caráter estranho e por isso mesmo eu aposto todas as minhas fichas  que ela não vai ceder tão facilmente. Provavelmente, vai alegar uma união estável. Pode até não ser pelo dinheiro, mas eu duvido que ela queira sair “manchada” nessas colunas sociais que ela adora aparecer. 

-Como? Eu pago o que for preciso, dou pensão se ela tiver direito, mas quero ela longe!

- Na verdade, pelo que nos contou, ela não tem direito a nada seu. Era apenas sua ex-namorada, não sua ex-esposa ou ex-companheira. A questão é saber se esse filho é mesmo seu. Precisamos de um exame de DNA para  encerrar qualquer tipo de relacionamento com ela.

- Não se preocupe. Faremos o possível e o impossível para afastar essa ruiva doida daqui. – disse Mary buscando o telefone ao lado da mesa de reuniões. –Vamos entrar com pedido de exame de DNA já e se prepare porque ela querer algum benefício financeiro!

 

 

 


Lizzie se perguntava o motivo desse “castigo”: primeiro, seu namorado foi embora ficando anos fora. Ele retorna e eles se reconciliam. Depois, são separados de novo e agora ele volta, pela terceira vez....


- Meu Deus, o que eu fiz para merecer essa provação?


Imaginava como estaria sua vida se não tivessem se separado dessa última vez, como iriam no casamento de Jane, como estaria a casa que ele havia comprado...Todos esses meses ela havia sofrido muito. Tinha voltado à sua vida normal e pensava em aceitar mais um dos convites para sair que Wickham lhe fazia. Ia aos poucos sendo a menina fácil e alegre que costumava ser, seu jeito impulsivo com algumas coisas...voltara a se arrumar, a querer se sentir bonita...


[i]“...e ele volta mais uma vez e coloca minha vida de cabeça para baixo?? Não posso permitir isso de novo.”[/i]


Ele ainda a amava e já havia declarado isso quando foi a seu consultório contar toda a história.

[i]“Será que ainda podemos ser felizes?”[/i]


Tinha muitas dúvidas quanto a isso e não sabia se tinha forças para tentar mais uma vez....

 

 


Darcy estava disposto a reconquistar a mulher de sua vida. Ia sempre em seu apartamento, passava em seu consultório e às vezes aparecia no hospital. Estava sendo extremamente insistente.

Lizzie começou a mudar seus horários no hospital, ignorá-lo quando ele tentava falar com ela. Sempre dizia estar muito ocupada, com pacientes urgentes e que outro dia conversariam. Via-o sair chateado e às vezes com raiva de seu consultório ou da porta da sua casa. Na última vez que ele tentou se aproximar, deixou claro que não queria conversa com seus assuntos “pela metade” e queria que isso fosse respeitado.

Tudo estava muito recente. Havia saído mais algumas vezes com Wickham algumas vezes, mas não havia dado certo. Ela queria paz na sua vida, mas estava difícil de consegui-la....

 

 

Tempos depois...


Os dias se transformaram em semanas e as semanas em meses. Lizzie parecia ter encontrado uma leve paz no coração. Há alguns meses não encontrava Darcy.

Ele havia enfrentado uma longa e desgastante batalha judicial com Caroline que insistia em dizer que o filho era dele e que era merecedora de uma pensão, pois havia sido a “futura Sra. Darcy”.

Jane e Mary foram suas advogadas e conseguiram demonstrar que os dois não passavam de meros ex-namorados. No final do mês de setembro, o bebê nasceu forte e saudável e um exame foi realizado: realmente, Willian Darcy Não era o pai. Mesmo com tal noticia, Caroline insistiu querendo algum tipo de compensação, declarando ter sido sua ex-noiva.

Ao receber essa notícia de que o exame deu negativo, ele não sabia exatamente o que sentir: um peso havia saído de suas costas, mas havia se apegado a idéia de ter um filho, uma criança para cuidar...era uma sensação estranha.

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celine dion


Mais uma vez, Lizzie andava pelas ruas de Londres. Os enfeites de Natal já estavam nas vitrines e lojas. A noite estava muito fria, mas ela estava bem agasalhada com um sobretudo e um cachecol.

O mês de dezembro já estava na metade, anunciando o Natal daquele ano.

Em uma das mãos, sua bolsa e na outra uma sacola com presentes de Natal para as irmãs.

Lembrou-se que há aproximadamente um ano atrás andava por aquelas mesmas ruas com Jane, angustiada com a volta de Willian, pensando em como seria o seu retorno, seu reencontro.

Agora ele estava em Londres há um ano, haviam se reconciliado, namorado, mas por motivos terríveis haviam se separado. Seu suposto filho havia nascido no mês de setembro, mas ele não era o pai e sua batalha judicial com Caroline havia terminado há algumas semanas. Mesmo sabendo do seu amor por ele, ela ainda tinha muitas dúvidas sobre um possível relacionamento. Sempre aparecia um imprevisto e os dois eram separados. Não agüentaria mais uma decepção. Sua vida estava relativamente calma e encaminhada.

Não desfrutava mais de um turbilhão de sentimentos, de um calor profundo, de saudade constante e uma ternura abrasadora que conhecia quando estava com ele. Apesar disso, a vida seguia...

Ele havia respeitado sua decisão de não procurá-la com seus assuntos “pela metade”. Mesmo assim, preferiu tomar alguns cuidados para que não se encontrassem: não ia mais aos almoços entre as duas famílias e não saía mais com Charles e Jane, que sempre davam um jeito de avisar ao amigo onde estavam para que ele pudesse aparecer e tentar conversar com ela.

Pensava em todos os acontecimentos do último ano, da noite de Natal e Ano Novo anterior...dos beijos trocados, de como havia dançado com Willian, de como tinha sido sua noite de amor...

- Lizzie!!!Lizzie!!!

Parou de andar e pensou ter tido um “deja vu”. Ouviu uma voz longe.

[i] Um ano atrás era Jane que gritava meu nome. Estou imaginando coisas. Devo estar ficando maluca.”[/i] – pensou ela sorrindo para si mesma.

Sorriu e continuou andando pela rua olhando as vitrines das lojas. Sentiu algo estranho no peito. Como uma voz interna que dizia para se virar. Ela tinha ouvido alguém. Alguém havia lhe chamado.

Parou de novo e virou-se para trás.

Seu olhar cresceu e o coração bateu acelerado.

 Willian andava em sua direção. Seu rosto transparecia uma certa calma, mas ao mesmo tempo, uma vulnerabilidade nunca antes vista.

Ele estava com seu sobretudo escuro por cima de um terno preto. Olhava-a com paixão e contentamento. Ela tomou um susto enorme e quase deixou as sacolas caírem no chão. Respirou fundo e olhou ele vindo até ela.

- Boa noite, Lizzie!! – disse ele engolindo saliva.

- Boa noite, Darcy. – ela respondeu tentado mostrar naturalidade, mas olhando para o chão.

- Estava andando pela rua e acabei te vendo. Parei e vim te cumprimentar.

Havia algo de vacilante em sua voz.

Ela se obrigou a voltar a andar, tentando manter naturalidade, como se fossem apenas amigos que acabaram de se encontrar. Começo a caminhar  e ele ficou ao seu lado acompanhando-a.

- Hum...não sabia que andava a pé por essas ruas. É um pouco longe da sua casa. Além disso, eu estava fazendo compras. Não precisa me acompanhar.

Ele ficou um pouco em silêncio apenas andando do lado dela.

- Na verdade, eu estava no meu carro voltando da empresa e vi você andando...acabei parando e vindo ao seu encontro.

Lizzie continuou seu caminho calada, andando e fingindo olhar as vitrines e as lojas enquanto ele estava ao seu lado. Andavam lado a lado. Um ano depois, após tudo o que viveram, após tudo que compartilharam, andavam na rua como meros conhecidos.

Darcy também estava calado. Calado porque estava muito nervoso. Estava atrás dela há meses e agora havia conseguido um momento a sós. Jane havia lhe avisado que ela sairia para umas compras naquelas ruas e ele ficou um tempo rodando até encontrá-la. Mesmo sabendo que estavam no meio da rua, ele não podia perder aquela chance.

Estava louco de saudade, desesperado por ela. Sempre que a procurava, ela encontrava uma desculpa para ir embora, para sair da onde estavam. Agarrou aquela chance com todas as suas esperanças e forças.

Ele precisava dela e, depois de tudo, percebeu o enorme erro que cometeu anos antes, deixando-a para trás. Ela havia sofrido muito nas duas separações, mas ele também. Ele precisa de mais um voto de confiança dela e não iria estragar tudo. Nunca mais.

Willian venceu seu nervosismo e começou a conversar perguntando sobre seu cotidiano, como estava seu consultório, os pacientes. Aos poucos passaram a dialogar amigavelmente, mas havia uma tensão palpável entre os dois. Conversavam sobre amenidades, coisas engraçadas e às vezes ele esboçava um sorriso. Estavam conversando novamente.

Algum tempo havia se passado desde a história de Caroline e, após a batalha judicial em que ela saiu sem um centavo e do exame de DNA que confirmou que Willian não era o pai do bebê, ela havia simplesmente sumido. Nem Charles, seu primo, sabia onde ela estava. A única coisa que sabiam é que ela estava à procura do seu ex-namorado para que ele assumisse seu filho. Se não fosse por aquela consulta desastrada com o médico da família, ele poderia ter sido pai de um filho que não era dele.

Chegaram à porta do prédio de Lizzie, que agora morava sozinha, pois Jane havia se mudado para a casa que Charles havia comprado e já montava tudo para o casamento que seria em aproximadamente três meses. O apartamento era um pouco afastado da rua onde ela estava fazendo compras, mas ela gostava de caminhar.

- Bem, Darcy, obrigada pela companhia. – disse ela pegando a sacola das mãos dele, que havia se prontificado a levá-la, e abrindo a porta do seu prédio.

Ele a olhou e segurou sua mão, beijando sua palma.

- Lizzie, por favor...me escute um pouco.

Ela empurrava a porta de seu prédio com força para abrir-la, mas ele segurava a maçaneta de volta impossibilitando a abertura. Ela empurrou com mais força, abrindo-a. Tinha esperanças de conseguir fechar a porta e subir para seu apartamento, mas ele foi atrás dela subindo junto a escada.

Darcy ficou parado na porta do apartamento de Lizzie, impedindo que ela o abrisse. Ela revirou os olhos e colocou seu olhar fora do alcance dos olhos dele. Ele começou a falar.

- Por favor, me ouça.Todo esse tempo que ficamos separados de novo foi horrível. Eu não penso em mais nada a não ser você. Lembro que estava chegando a Londres exatamente nessa mesma época do ano e de como estava ansioso e nervoso pelo nosso encontro. Pensava em como estaria vestida, como estaria seu cabelo, se ainda fechava os olhos quando sorria. Lembro de cada momento que ficamos juntos, que cada beijo que te dei, da nossa noite de Ano Novo...

Ela agora olhava em seus olhos e sentia cada palavra atingi-la trazendo lembranças, gostos, cheiros, sensações...

- Hoje eu percebo que nunca deixei de te amar. Isso para mim é cristalino. Passei muito tempo tentando encontrar algo que eu já tinha: um amor. Estar com você é como ter o paraíso nos meus braços, caminhar pelo céu, como se a mais forte e mais poderosa de minhas preces tivesse sido atendida. Eu encontrei o sentido de tudo! Eu amo você e peço que considere tudo que falei durante todo esse tempo que venho te procurando!! Estou aqui na sua frente, pedindo para que você me ame...que pelo menos me dê algum sinal, qualquer sinal, de esperança para que possamos ficar juntos.

Lizzie foi tomada por um sentimento de dúvida, incerteza, mas sabia que teria que ir com muita calma. Não queria, de forma alguma, sofrer de novo por ele.

- Darcy, acho que precisamos ir com calma. Muita coisa mudou, nos machucamos de novo. Eu perdi você duas vezes e lhe garanto que, em ambas as ocasiões, eu sofri muito. Mais do que pude suportar. Se eu evitei você e os nossos encontros, é porque eu tenho agora um forte sentimento de auto-preservação. Eu fiquei estraçalhada, em pedaços, e foi muito difícil voltar para minha vida normal.

-Só me diga que temos uma chance...só mais uma chance! Se seus sentimentos mudaram, me diga de uma vez. Uma palavra sua e eu vou me silenciar nesse assunto para sempre, mas se você ainda me ama, se sente algo por mim...

Ele segurava sua mão com força. Seu coração ansiava por aquela resposta. Pulsava forte.

- Willian, eu não sei se temos mais essa chance. Honestamente, não sei. – disse ela olhando para o lado sem encará-lo.

Ele espirou todo o ar que estava preso em seus pulmões enquanto esperava aquela resposta e ela foi...desanimadora.

Ele olhou para baixo com o olhar perdido e trincou a mandíbula. Ele estava nervoso.

-Tenho muito, muito carinho por você e eu gostaria de acreditar, apesar de tudo, que nós temos...- ela respirou e o olhou - ... só mais uma chance...mas tenho dúvidas se isso é possível.

- Lizzie, releve tudo, por favor. Nos dê mais essa chance. Eu prometo que nada e nem ninguém vai nos atrapalhar agora. Eu prometo. Você está me ouvindo? Eu estou te fazendo uma promessa. Eu não quero me separar de você por nada. Eu amo você. Você, apenas você.

Lizzie sentia o coração palpitar. Baixou um pouco o rosto e não conseguiu evitar um sorriso leve, pequeno.

Darcy puxou o rosto dela para cima e Elizabeth sentiu os olhos azuis dele olhando os seus. Ele colocou uma de suas mãos no cabelo macio e cheiroso, colocando-o atrás da orelha dela.

Eles ainda se olhavam. Ele chegou mais perto e Lizzie sentiu o seu perfume e a sua respiração forte. Fechou seus olhos e sentiu o toque leve e delicado dele, apenas fazendo carinho no seu rosto. Sentia os dedos dele percorrendo seu queixo, o maxilar, os olhos, a boca.
Ela ainda estava com seus olhos fechados e percebeu quando ele se aproximou.

-Nos dê uma chance - disse ele beijando sua testa.

Ele repetiu a frase beijando seu nariz.

-Nos dê uma chance – disse ele agora beijando suas bochechas.

- Nos dê uma chance – disse ele tocando sua boca na dela.

Primeiro, um leve roçar de lábios, calmo e tranqüilo. Ele entrelaçou seus dedos na mão dela.

 Suas bocas se abriram mais e deram espaço a um beijo mais forte, porém calmo. Ela respirava com a intensidade dos sentimentos que pulsavam no seu coração. Um mundo de cores, gostos e sensações se abriu novamente em seus pensamentos. Seus corpos reconheceram os toques de ambos e a perfeição daquela união.

Apesar de tudo, havia algo de novo em seus corações. Uma sensação nova de que aquilo era apenas o começo. Que agora seguiriam suas histórias juntos. Sempre.

Ele interrompeu o beijo e apenas a abraçou com força por um bom tempo, fazendo carinho em seus cabelos, desacelerando as batidas do seu coração e sentindo o cheiro doce e floral,tão marcante dela. Darcy pegou a chave do apartamento de Lizzie e abriu a porta abrindo caminho para ela entrar.

O resto da noite passaram como há quase um ano atrás: deitados de lado, juntos no sofá da sala, em meio a beijos e carinhos. Estavam completos, entregues....estavam no lugar que pertenciam: ele, nos braços delicados e harmônicos da “sua” Lizzie e ele envolta na armadura dos ombros e braços de Willian.

 

 

 

 

 

 

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