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Gostar de dançar é certamente a primeira etapa antes de se apaixonar. (Jane Austen)

Quando, quando, quando,... Capítulo 23

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CAPÍTULO 23

 


Os pais de Willian estavam atônitos. O filho estava aos berros com Caroline e podiam ouvir toda a discussão. Não acreditaram quando ouviram as palavras dele dizendo que o filho não era dele. Anthony permanecia no corredor, pois estava com medo que o filho fizesse uma besteira. Sabia que nunca levantaria a mão para mulher alguma, mas queria evitar uma discussão mais forte porque ela estava grávida.


-Vamos, Caroline! Estou esperando você me contar a sua história. ANDA!


-Mas, meu amor, estou dizendo que deve haver algum engano. Esse filho é seu. Nos amamos antes de você vir a Londres...

- Caroline, pelos seus exames que o Dr. Morgan me fez questão de mostrar e explicar, essa criança foi concebida na primeira semana de janeiro e ele tem absoluta certeza do que está falando. Inclusive, disse que se eu quisesse poderia procurar outro médico e que ele me confirmaria isso... ANDA!!!Sem contar que com certeza eu farei um teste de DNA! Mais do que nunca eu tenho certeza que farei! Estou esperando a sua explicação.

Ela ficou calada e olhava para os lados com uma expressão de dúvida total.

Do lado de fora, os Darcy ouviam da sala os gritos do filho e a cada palavra iam se decepcionando mais e mais.

- Caroline – ele berrou – estou esperando...

Ela continuava calada.

- Você não vai falar não é mesmo? Claro que você não vai falar. Para quem montou todo esse esquema, mentiu desse jeito...Como iria se denunciar, não é mesmo?

Ela respirava ofegante.

- Caroline, acho que você está se esquecendo que meu pai é um ex-diplomata, com contatos pelo mundo inteiro e, principalmente, na Rússia, lugar onde você morava. Além disso, você sabe que eu tenho uma boa disponibilidade financeira. Se você não me contar tudo agora, eu te garanto que em menos de 24 horas eu saberei cada passo seu e com cada pessoa com quem esteve desde o dia que você nasceu!! – ele berrava em pé encarando-a de forma revoltada.

- Não é possível...não é possível...– disse ela em um sussurro.

- Você vai ficar calada, então? Vai optar pelo caminho mais difícil? Tudo bem, se você quer medir forças comigo, nesse estado que me encontro, vamos ver quem leva a melhor! Eu vou descobrir tudo e vai ser agora! – foi andando em direção à porta, resoluto.

- Espere...

Ela respirou e segurou as mãos.

-Darcy eu tenho absoluta certeza que esse filho é seu!!Só pode ser seu!

-Como? Me diga..pare de mentir..anda!

Ele parou e virou-se para ela olhando-a com ar de inquietação e muita raiva nos olhos. Ela respirava fundo.

- Só pode ser seu filho! – ela continuava repetindo isso. – Oh, meu Deus, não é possível! Não é possível!

Darcy a olhava com muita raiva e apenas esperava o que ela tinha para falar. Ela também parecia nervosa e sem saber o que pensar. Parecia confusa e perturbada, mas começou a falar algumas coisas desconexas e depois passou a se explicar.

Semanas antes de Willian partir de Moscou para Londres, ela reencontrou um ex-namorado, um dono de uma agência de turismo em uma festa e passaram a se falar de novo. Ele estava montando uma grande viagem para o Caribe e ela queria ir com as amigas para se divertir. Tentou terminar o noivado pelo telefone e percebeu que Darcy já tinha entendido pelo tom da conversa que as coisas entre eles não vingariam.

Sua mãe ficou desesperada dela estar terminando tudo, mas ainda tinha esperanças de que ela voltasse ao seu “juízo normal”. Resolveu viajar com os amigos e junto com seu ex, ciente de que ela e Willian não voltariam. Acabou se envolvendo com ele, mas não durou muito tempo e só haviam ficado juntos poucas vezes. Havia sido apenas um impulso, uma infantilidade de sua parte. Logo depois, ficou doente e descobriu que estava grávida e logo imaginou ser de Willian porque quando estava com ele, não estava usando pílula com regularidade.

- Mas Willian, eu te amo...sempre te amei...essa criança não deixa de ser nossa. Nós somos feitos um para o outro! Eu tenho certeza que esse criança é nossa! Nosso filho vai nascer forte, saudável, ele será um Darcy e vamos seguir juntos nossas vidas, como nos velhos tempos. O que aconteceu foi só um deslize, um pequeno “acidente”. Sei que sou impulsiva e veja, você também acabou se relacionando com outra pessoa durante a nossa separação e estamos aqui, felizes e grávidos!

-Caroline, você “preferiu” acreditar que esse filho era meu. Com certeza, eu devo ser mais rico e mais idiota que esse seu ex-namorado, caso contrário você “pensaria” que essa criança era dele! Caroline, não é possível que você não saiba com quantas semanas ou meses de gravidez você esteja! Não é possível! Você não fez foi  a nenhuma consulta? Não pegou nenhum exame?

-Ora, Darcy, eu fui naquela consulta que você foi comigo...nas outras...eu...eu..

-Diga, Caroline!Anda!

-Eu fui fazer compras! Essa criança está bem! Não precisa ficar nesse desespero por causa de um bebê! E essa é sua, eu tenho absoluta certeza!

Darcy continuava nervoso. Fora enganado, traído, e aquela mulher havia destruído sua felicidade com Elizabeth. Além disso, ela estava ali, mentindo descaradamente na sua cara, como se ele fosse perdoá-la! Não podia acreditar naquilo. Estava com raiva e triste, extremamente decepcionado. Havia se apegado à idéia de ser pai e a cada dia sentia mais carinho e amor por aquela criança que ainda nem havia nascido. Ao mesmo tempo parecia ter descarregado uma tonelada de seus ombros.

-Você acha mesmo que eu vou acreditar que eu sou pai desse bebê? Sabendo que a diferença entre a nossa ultima relação e a concepção dessa criança é de quase um mês? Você QUIS acreditar nisso simplesmente porque eu devo ter mais dinheiro! Me diga, não se cansa de mentir? De inventar histórias?

- Eu não estou mentindo! As poucos vezes que estive com Henry, apesar de estarmos caindo de bêbados, eu sei que nós nos protegemos!

-Se estava caindo de tão bêbada, como pode ter tanta certeza? Me diga!

Darcy saiu em direção a porta. Girou a maçaneta e abriu. Parou ainda de costas para a esposa e falou

- Eu vou sair por algumas horas e quando eu voltar eu não quero um fio de cabelo seu nessa casa.

Saiu andando pelos corredores com seu pai atrás extremamente abalado e também indignado com a nora. Ele ouviu toda a conversa, pois estava próximo ao corredor, com medo de que algo acontecesse com Caroline. Cada palavra que ela havia dito, cada berro do filho, cada mentira contada ia despedaçando seu coração de pai e de avô. Ele estava com muita raiva, assim como seu filho. Caroline saiu correndo atrás gritando e chorando

- Mas para onde eu vou com meu filho? Que hotel ficarei? E o meu pequeno Darcy?

- Isso não nos interessa mais. – disse Anthony com olhar de reprovação.

 

 

 

 


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THE GOOD KIND

 

Elizabeth atendia os últimos pacientes em seu consultório. O dia havia passado calmamente e tudo estava mais tranqüilo.

- Mais algum paciente? – perguntou Elizabeth à secretária.

- Não senhora. Inclusive, já estou indo embora.

Ouviram a campainha tocando incessantemente. Uma, duas , três, quatro vezes.
Elas se olharam curiosas e a secretária foi atender a porta.  Lizzie voltou para arrumar sua bolsa para ir embora.
Um furacão passou indo diretamente ao consultório. Lizzie mexia em alguns papéis que estavam em cima da mesa e estava de lado para a entrada.

Quando olhou de lado, viu “ele” parado em sua porta. Tomou um grande susto e deixou os papéis caírem no chão.

- Darcy! O que faz aqui a essa hora? Algum problema de saúde? – ela respirava fundo esperando a resposta.

- Precisamos conversar. Agora! Preciso lhe explicar algumas coisas que acont...

- Darcy, não há nada a ser explicado. Somos adultos e já superamos tudo. Se o assunto for sobre nós dois, eu peço que saia.

Foi em direção à porta. Sua secretária ainda estava no consultório assustada com o homem.

-Não, eu não saio daqui enquanto você não me ouvir. Se quiser, chame a polícia, os bombeiros, mas você vai me ouvir.

Elizabeth revirou os olhos e dispensou a secretária. Sabia que ele estava decidido a lhe falar e não descansaria enquanto não o fizesse.

- Pronto, Willian. Agora podemos nos falar. O que você quer?

-Acabei de receber uma notícia e você precisa ser a primeira a saber.

Darcy começou a contar-lhe toda a história vendo a expressão de surpresa, indignação, raiva e tristeza em seu rosto.

 

 

 


Perto dali, os Darcy estavam revoltados com Caroline. Anthony havia ligado para os pais dela dizendo que ela iria para um hotel. Enquanto não saísse o exame de DNA, ela não voltaria para aquela casa e, pelas informações que seu médico havia lhe dito, ela nunca mais pisaria naquela casa, pois tudo indicava que ele não era seu neto. Charles acabou logo sabendo de toda a história e se recusou a receber a prima em sua casa, brigando seriamente com ela e a tia que parecia saber de toda a história.

Anna, uma mulher calma, tranqüila e feliz, estava com a cara fechada e havia mandado os criados arrumarem as coisas da ruiva e levarem para a garagem, pois o motorista a levaria diretamente para um hotel. Caroline tentava desfazer as malas e pedia perdão pelo erro, mas berrava dizendo que seu filho era um Darcy e merecia respeito e iria atrás de um benefício financeiro.

-Vocês vão ver, vou processar todos vocês e ainda ganhar uma bela pensão. Ainda sou a futura Sra. Darcy! Eu nunca fui tão humilhada em toda a minha vida!

- Caroline – disse Anthony – é melhor você sair dessa casa logo. Se meu filho voltar e ainda te encontrar aqui, é capaz de te arrastar pelos cabelos para fora. Eu te garanto que se você fosse homem, ele lhe daria uma sova muito bem dada. – Virou-se de costas e saiu do quarto do casal. Estava com verdadeiro asco daquela mulher...


[i]“Imagina como deve estar meu filho”[/i]

 

 

 

 

No consultório de Elizabeth, Darcy havia lhe contado tudo. Aquilo havia sido mais uma facada em seu coração. Ela sentou-se em sua cadeira e estava atônita. Poderiam ainda estar juntos e felizes, mas mais uma vez, estavam separados. Ficou pasma com o absurdo da atitude de Caroline e sua vontade era de socar alguma coisa, qualquer coisa:

- Willian, estou chocada com essa história sórdida. Chocada! Como alguém pode fazer isso e ainda dizer que ama você? Isso não é amor, isso é...isso é...nem sei o que é isso. – disse ela respirando fundo. -  Imagino o sofrimento que essa mulher trouxe para você, sua família...

[i]“ para mim “ – pensou.[/i]

- Eu sei, Lizzie...por isso estou aqui: para que tudo volte ao normal, como era antes. Eu coloquei meu orgulho de lado, eu quero você. Nós devíamos estar juntos, felizes, como era para ser.

Ela sabia que sim. Esse era o seu desejo, mas havia sofrido demais, como jamais havia sofrido e, além disso, ele ainda era um homem casado.

- Willian, você ainda não tem absoluta certeza de que esse filho não é seu...pode haver algum engano e...

- Pelo amor de Deus, me ouça...eu qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, mas preciso de você ao meu lado. Amanhã mesmo eu mando ela fazer um DNA até no feto se for preciso, mas eu não agüento mais ficar longe de você.

Lizzie ouvia aquelas palavras e seus olhos começaram a se afundar em lágrimas.

-Willian, essa foi a segunda vez que fomos separados e eu não sei se suportaria uma terceira frustração como essa. Eu estou cansada de tentar e não dar certo. Muito cansada. Qual será o próximo obstáculo que será colocado na nossa vida? Qual será o próximo problema que vai nos separar?

- Elizabeth, da primeira vez eu assumo que errei seriamente e que devia ter insistido no nosso namoro, mesmo com a distância. Assumo isso, mas desta vez, você sabe que eu passaria por cima de tudo para estarmos juntos e foi você quem não quis! Foi você que desistiu!

-Sim, eu assumo que me separei de um homem que a noiva voltou grávida! – dizia ela com certo sarcasmo, raiva e falando alto - Mas, como eu havia dito, não sei se eu agüento uma terceira separação. Agora que as coisas voltaram ao normal na minha vida, eu estou...saindo com outra pessoa... você aparece de novo!

- Está com outro? – ele a olhava com um olhar absurdamente desesperado - Você o ama?

Ela olhou para o lado.

-Não vou responder sua pergunta.

-Por favor, só me diga se você o ama...

-Não...ainda não.

Ele olhou para ela e engoliu com força a saliva, lembrando da noite de amor dos dois tempos atrás.

- Lizzie, nós não vamos nos separar de novo! Isso não vai mais acontecer...eu prometo! Eu estou te fazendo uma promessa! – pegou em suas mãos com força.

Lizzie sabia que ele sempre cumpria suas promessas, mas a vida era mais complicada do que isso...

- Darcy, as coisas não são tão simples assim.  – saiu de perto dele e virou-de de costas deixando rolar suas grossas e pesadas lágrimas – Você ainda precisa resolver sua história com Caroline, quer queira ou não, e agora a distância de nós dois não é mais física, como da primeira vez, mas emocional. Você estava vivendo com outra pessoa, ia ter um filho, e meu coração foi destruído, esmagado. De novo! Agora, quando consigo voltar aos poucos à minha vida, ao meu trabalho, você aparece me dizendo tudo isso...você não tem esse direito!

-Lizzie, eu te amo...sempre te amei...eu te prometo que as distâncias entre nós nunca mais existirão. Eu lhe asseguro isso...

- Eu não tenho tanta certeza disso. Acho melhor você resolver sua vida primeiro antes de fazer ou falar qualquer coisa. Sabemos muito bem o que aconteceu quando nos envolvemos com seus assuntos “pela metade”. -  Abriu a porta do consultório para que ele saísse.

Ele passou por ela eu virou-se

- Eu não vou mais desistir de você. Nunca.


[i]“Vou lutar por você, Lizzie.” [/i]– pensou Darcy saindo.


 

 

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