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Gostar de dançar é certamente a primeira etapa antes de se apaixonar. (Jane Austen)

Quando, quando, quando,... Capítulo 21

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CAPÍTULO 21

 


Willian chegava em casa após um dia inteiro de reuniões, mas o que realmente o havia deixado estressado foi o recado de Caroline. Chegou em casa bufando.

-Onde está Caroline? – perguntou à mãe.

-Ela deu uma saída com seu pai e Georgiana. Foram ao shopping comprar alguns coisas para o bebê e seu pai as deixou por lá. Eu não fui, pois não me senti bem à tarde. O que aconteceu?

Ele não respondeu e saiu direto para o escritório batendo a porta atrás dele. Sentou-se direto no sofá escuro de couro com um grande copo de whisky na mão. Segundos depois, Anna adentrou no local.

-O que está acontecendo? Por que me tratou daquela forma?

-Mãe, estou estressado. Me deixe quieto, por favor.

-Não! O que está acontecendo? Willian Darcy, sou sua mãe e não estou mais agüentando esse seu mau-humor, essa sua falta de educação.

Ele a olhou de lado e soltou uma forte respiração.

-Caroline ligou para minha casa hoje de manhã e deixou um recado na secretária eletrônica. O problema é que a Lizzie estava lá e nós tínhamos nos entendido. Depois que ela ouviu o recado, me deixou um bilhete dizendo que a decisão dela não havia mudado.

- E o que Caroline disse no recado? Alguma mentira? Ela não sabia que Lizzie estava lá com você e nem ficou sabendo da comemoração de ontem. Nem tinha como ela saber, filho.

-Ela não falou mentiras, mas falou coisas do bebê, que tinha se mexido a noite toda, que sentiu minha falta e estragou tudo com...

-Meu filho, chega! Chega! Eu amo, adoro, a Lizzie. Sei que você a ama, sei o que sente por ela e sei o que ela sente por você, mas as suas atitudes...Estou decepcionada.

Ele olhou para mãe com espanto.

-Eu sou esposa, sou mulher e sou mãe. Quando estamos grávidas o que mais precisamos é de carinho, apoio, amor. E o que você tem dado ao seu filho e à mãe dele? Nada! Passa o dia inteiro naquela empresa, quando chega em casa se tranca nesse escritório. A única coisa que faz é fazer uma ou outra pergunta sobre o bebê, mais nada! Seu filho se mexeu na barriga, ela se sente triste e onde está você? Que tipo de pai você será?

-Mas eu nem sei se esse filho é meu!

-E se for mesmo? Como você está contribuindo para essa criança? Acha que dinheiro e conforto são suficientes? Que colocando ela nessa casa já basta?

- O que quer que eu faça? Que me case com ela?

-Claro que não! Eu não disse isso. Meu filho, você precisa estar mais presente, dar carinho, apoiá-la. Ela vive trancada nessa casa e só sai para fazer compras e nunca com você. Saiu agora pouco com Georgiana para comprar roupinhas e você é quem deveria estar lá, não a sua irmã! E o que você quer fazer? Brigar por causa da Lizzie! O que uma mãe sente, o neném sente! Quer que ela e seu filho fiquem nervosos?

- Mas, mãe..

-Você deve estar mais com ela. Espere essa gravidez acabar, esse exame de DNA sair e ai você vai atrás da “sua” Elizabeth. Por mais que tenhamos reservas em relação à Caroline, tudo indica que ela carrega um filho seu. E você precisa pensar agora no seu bebê. Deixe a Lizzie esfriar a cabeça. Espere essa fase passar e a procure, mas dê o apoio e o carinho que o seu filho merece. Pense agora só no bem estar do seu filho. O resto, a vida dá um jeito.

A mãe saiu do escritório e deixou-o sozinho. Ele encostou a cabeça na cadeira e tentou relaxar. Por mais que não quisesse admitir, a mãe estava certa. Mesmo assim, a noite anterior não lhe saía da cabeça e ele precisa se explicar para Lizzie.

 

 

Elizabeth buscava no trabalho e na família o apoio para se recuperar. Ela e Jane tentavam não tocar no assunto, mas era difícil. Apenas a irmã mais velha sabia do que havia ocorrido entre ela e Darcy.

Ele havia lhe procurado algumas vezes, mas ela o repeliu de todas as formas. Não queria ouvir nenhuma explicação. Para ela, a noite que passaram juntos foi um grande erro. Alguns dias já haviam se passado.

Charles passava cada dia mais perto da família. Havia sido “adotado” pelos Bennet e já se sentia um verdadeiro membro. Ele sempre era muito discreto e nunca falava nada sobre Darcy ou Caroline. Ele soube pelo amigo o que havia ocorrido. Evitava falar até em questões de seu trabalho porque sabia que poderia, sem querer, falar algo de seu amigo.

Elizabeth voltada aos poucos a sua rotina de trabalho ainda amparada pelos amigos e parentes que sabiam o que ela estava passando. Wickham não parava de ligar e chamá-la para sair, e ela estava quase aceitando dar uma chance ao antigo amigo.

 


Certa noite, a família Bennet e Charles jantavam calmamente quando ouviram a campainha tocar. Hill foi atender e logo veio falar com a família:

- É a srta. Caroline Bingley e ela deseja falar com a srta. Elizabeth.

A mesa ficou em silêncio. Todos pararam de comer e se entreolharam. Charles conhecia a prima e com certeza ela estava ali para fazer alguma coisa e não parecia ser nada bom. Não ia deixar que ela aprontasse mais uma.

- A sra. Hill deve ter se enganado – disse Charles levantando-se da cadeira – Caroline deve ter vindo aqui para falar comigo...

- Não, Charles... eu irei atendê-la. Não se preocupe.

Ela era uma mulher forte e agora era a hora de provar isso a si mesma. Todos na mesa ficaram sobressaltados e de sobreaviso na sala de jantar enquanto Elizabeth a receberia na biblioteca de seu pai.

Elizabeth entrou no local e a viu de costas olhando os livros.

- Boa noite, Caroline.- disse Lizzie encostando a porta.

- Boa noite, mas para você, é Srta. Bingley.

- Certo. E ao que devo a “honra”, Srta. Bingley?

- Bem, daqui a alguns meses, não serei mais a srta. Bingley, mas a sra. Darcy.

Elizabeth sentiu o coração rasgar. Uma forte dor a tomou. Será que tudo que ele havia dito naquela noite era mentira? Lembrou-se do recado que ela havia deixado na secretária eletrônica. Será que ela estava mentindo?
 
- Entendo. E quando será o casamento?

- Srta. Bennet, Darcy e eu decidimos que não vamos nos casar. Pelo menos por enquanto. Por isso vim até aqui. Meu filho vai nascer daqui a alguns meses e espero que você não atrapalhe novamente a minha vida. Sei que Darcy vai acabar se casando comigo, mas eu espero que fique longe dele para que possamos retomar nossas vidas. Pode deixar que assim que saírem os convites, eu venho entregar o seu pessoalmente,  mas enquanto isso não acontece, eu preciso que fique longe dele e da minha futura família. – disse ela sorrindo e acariciando a barriga.

Lizzie sabia que Caroline estava ali apenas para provocá-la e “marcar seu território”, mas não aceitaria mais ser machucada e não cederia às suas insinuações.

-Bem, futura Sra. Darcy – disse ela com sarcasmo– caso a senhora não saiba, eu e o seu “futuro marido” só não estamos juntos porque EU não quero. Mas fique tranqüila porque eu não irei “atrapalhar” sua vida novamente.  Ah, falando nisso, já que pretende se entender com ele, peça para que ele não me procure mais. E só mais uma coisa: da próxima vez que for terminar um relacionamento, seja ele de qualquer natureza, não faça por telefone e com as malas prontas para umas “férias” no Caribe.

-Mas você é muito...

-“Futura Sra. Darcy”, se veio até a minha casa para me insultar, eu peço que vá embora porque eu não tenho paciência com mulheres mimadas, mal criadas e sem juízo como você.

-Eu não terminei o que vim fazer. Eu...

-Não me interessa. Nossa conversa terminou e peça ao seu marido, noivo, namorado, seja lá o que ele for, para não me procurar. Passar bem.

Ela saiu na direção da porta da biblioteca abrindo passagem para Caroline, que saiu bufando pelo corredor da casa.

[i] Estou cansada desses dois. [/i]

 


Mais tarde, naquela mesma noite, a família Bennet estava reunida na sala da casa.
Charles havia saído mais cedo morrendo de vergonha pela visita bizarra de sua prima. Ela estava mesmo decidida a casar com o amigo e estava certa que isso aconteceria após o nascimento do filho. Caroline precisava se certificar que Darcy não ia ter recaídas pela sua “Lizzie”. Anthony, Anna e Georgiana seguiam dando apoio à Willian.

Lizzie tocava a vida ainda como um barco à deriva. Pensava em como seria quando visse Darcy com o filho e com ela. Como seria o casamento dos dois. Charles havia ligado para Darcy avisando da “visita” da prima à Elizabeth. Willian quase havia se descontrolado com Caroline quando soube o que ela havia aprontado.

A mãe estava no telefone na sala ao lado aos berros contando a todas as amigas sobre a ex-noiva maluca de Darcy, do episódio com Caroline e como sua filha tinha sofrido.

- Minha filha, como você está? Já decidiu se vai sair com aquele lobista?

Lizzie estava sentada em um dos sofás com a cabeça no colo de Mary que lhe fazia um carinho nos cabelos e Jane estava sentada junto ao pai.

- Não sei, papai. Tenho tentado nem pensar nisso...aliás, quem lhe contou sobre o Wickham? – disse ela olhando para Mary que riu com cara de desentendida.

- Ora, minha filha, aqui nessa casa é impossível guardar segredo por muito tempo. Mas, sabe, Lizzie, esse é seu o problema, meu amor...

- Como assim, pai? – levantou-se do colo da irmã

- Filha, você precisa ultrapassar isso. Sua história com Willian acabou, mas sua vida vai seguir, assim como a dele, da Caroline e do filho. Sei o quanto vocês estavam apaixonados, mas a gravidez de Caroline aconteceu e você resolveu sair dessa história. Você decidiu terminar e dar uma chance aos dois. Não adianta fazer tudo isso e ficar choramingando pelos cantos. Você vai ficar mais oito anos esperando que ele se separe para voltar a ter algum relacionamento com ele? Acho que você precisa parar de sofrer por isso. Chega. A vida nem sempre segue os rumos que queremos...

-Acha, então, que devo aceitar o convite do George?

-Não estou dizendo que você deve fazer isso. Estou dizendo que você precisa parar de pensar nessa situação, parar de pensar nele, no que viveram. Se sair com esse rapaz vai te ajudar a superar, a colocar uma pedra nesse assunto, acho que você deve ir. Mas se acredita que isso não vai te ajudar, você não vai.

- Você tem toda razão...preciso superar isso. A vida dele seguiu um caminho e eu não estou nele. Eu não estou mais agüentando lembrar de tudo. Eu não estou mais ME agüentando. Não sei como vocês conseguem me aturar aqui... –  abriu um leve sorriso e foi acompanhada pelas irmãs e pelo pai.

- Acho que você deve aceitar sair com o Wichkan. Levantei a ficha dele e ele é um lobista e tanto, viu? Mas tome cuidado para não cair na conversa dele. Sabe como esses homens são: muito discurso, idéias deturpadas, muitos sofismas...

Todos riram dos comentários maldosos de Mary.

- Mary!! Você já foi investigar a ficha do George sem nem ao menos eu sair com ele? E do Richard, o que deu na ficha dele?

-Lizzie!! Fique quieta!

Thomas olhou para as filhas e começou a rir:

-Então, srta. Mary, está saindo com o Richard? Viu, Elizabeth, é impossível guardar segredo nessa casa por muito tempo. Apesar disso, eu sempre sou o último a saber das coisas aqui!
 
Lizzie voltou sua cabeça para o colo da irmã rindo.

- É...quem sabe eu não aceito o convite do Wickham...

 

 


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BREATH- ANNA NALICK


Willian olhava-se no espelho de seu banheiro. Vestia o terno escuro, as abotoaduras e a gravata. Seguia para mais um dia de trabalho como outro qualquer. Apenas era algo que ele tinha que fazer. Nenhum pensamento povoava sua cabeça. Nos últimos dias seguia para o trabalho, voltava para casa, tentava conversar com Caroline sobre a gravidez e sobre o que estava sentindo. Levava-a para sair, comprava algumas coisas, iam jantar.

A barriga de Caroline já aparecia. Ela estava muito bonita com a gravidez, mas o seu humor estava cada vez pior. Willian tinha certeza que ela se aproveitava de seu estado para ser prontamente atendida em seus pedidos mais levianos: “Quero uma bolsa nova Chanel para combinar com a bolsa de fraldas” “ queria tanto uma calça Armani larguinha porque as minhas estão tão apertadas”...

Se apegava idéia de ter um filho, mas mesmo assim,seguiria o conselho do pai: pediria para ela fazer um exame de DNA após o nascimento.

Darcy estava em seu escritório e olhou para o telefone. Lembrou da visita que Caroline havia feito à Lizzie. Ela havia se recusado a falar com ele nas últimas semanas, mas ele precisava conversar com ela. Discou um número e ouviu do outro lado da linha chamar.

-Consultório médico, bom dia!

-Bom dia, gostaria de falar com a dra. Bennet.

-Quem deseja?

-É....é um paciente...

Ouviu uma musiquinha. Seu coração batia forte e sentia a adrenalina percorrendo o corpo. Há algumas semanas que não ouviu sua voz. Há algumas semanas ele não a via. Seus dias passavam arrastados e cheios de lembranças dos olhos castanhos, do cabelo com cheiro de chocolate, do carinho macio que ela fazia na sua nuca. De certa forma, a visita da ex-noiva havia lhe dado um motivo para telefonar para Elizabeth: pedir desculpas pela atitude impensada da ruiva e, quem sabe, tentaria se explicar do ocorrido.

-Elizabeth falando.

Como era bom ouvi-la. Será que estava trabalhando muito? Como estava o atendimento dos pacientes? Como ela estava? O que estava fazendo?

Ficou em silêncio.

-Quem fala? Alô?

-Erh... Elizabeth?

-Darcy? É você? – ela reconheceu aquela voz.

-Sim, sou eu.

Os dois permaneceram em silêncio. Darcy sentia o coração pulando e Lizzie estava com as mãos tremulas e a cabeça rodando. Ele havia ligado para pedir desculpas por Caroline, mas ao ouvir sua voz...

Isso era o que ele queria: ouvir aquela voz.

-Lizzie – era bom chamá-la assim – eu liguei para...para...

Ela ficou em silêncio.

-... ouvir sua voz.

Ela engoliu a seco aquelas palavras.

-Darcy, você está tornando as coisas mais difíceis para nós dois. Por favor, não me ligue mais.

-Lizzie eu não vou desistir de você...

Click. O telefone foi desligado e ele apenas ouviu o sinal do outro lado da linha.

 

 

 

Lizzie resolveu que deveria aceitar o convite de Wichkan. Ela precisava esquecer definitivamente Willian. Em pouco tempo ele seria pai, Caroline estava louca por um casamento e ela precisava dar uma chance a eles.

Ela se arrumava em seu quarto colocando um pouco de maquiagem nos olhos. Não sabia o motivo exato de estar fazendo aquilo. Não sentia o frio na barriga de um primeiro encontro, nem a ansiedade de sair logo de casa para ver Wichkam. Será que queria mostrar para si mesma que já havia superado aquilo tudo? Ou que ia superar? Não sabia exatamente nem se estava fazendo a coisa certa, mas precisava seguir com a vida e talvez George pudesse lhe proporcionar bons momentos. Talvez ele fosse tão carinhoso e tão seguro como Willian. Talvez beijasse daquela forma forte e possessiva como ele ou talvez tocasse seu rosto com os polegares como ele...

-Pare! Você precisa esquecer! 

Novamente em suas vidas, um evento alheio às suas vontades os tinha separado. A primeira vez aos 18 anos quando Willian foi com a família para o Brasil e agora ele havia engravidado a noiva tempos atrás...

[i]“Meu Deus, me diga: quando, quando, quando serei feliz?”[/i]

Elizabeth colocou seu vestido verde claro e suas sandálias do natal. Arrumou-se vagarosamente respirando forte. Agora, a poucos minutos de se encontrar com Wickham sua força para enfrentar a situação havia sumido.

Estava com uma sensação estranha: agora que sairia com outro, que acreditava estar virando uma página em mais um capítulo “Darcy” de sua vida, pensava apenas nele. No que devia estar pensando, no que devia estar fazendo, em como seria ele como pai.

Caroline demonstrou a ela seu desejo de casar com ele, mas e Willian? Será que se casaria mesmo com ela? Maquiou-se e passou seu perfume seguindo para a sala.

“[i] Meu pai está certo. Tenho que seguir com a minha vida. [/i]

O telefone tocou: era Wichkam que a aguardava no saguão do edifício.

 


George a aguardava encostado em seu carro esporte e falava ao celular. Assim que a viu desligou

- Nossa, você está linda. Um deusa! – disse ele dando-lhe um beijo no rosto e abrindo a porta do carro.

- Obrigada, George! Aonde vamos?

-Eu pensei em irmos em um piano bar de um amigo meu. Podemos conversar e dançar um pouco depois. O que acha?

Os dois partiram para o local conversando sobre diversos assuntos. Ele era um homem charmoso, inteligente e tinha uma conversa envolvente.  O lugar era bem intimista com poucas mesas e um lugar para os músicos mais a frente. Os dois se sentaram em uma ótima mesa e pediram algo para beber.

Passaram boa parte da noite conversando amigavelmente, mas Lizzie notava os olhares diferentes de George em sua direção. Ele buscava tocar e segurar sua mão e às vezes passava os dedos em seu cabelo. Ela se sentia um pouco nervosa e desconfortável com aquilo, mas parou de pensar nisso quando viu que estava comparando-o com Darcy.

Como era terrível ela fazer isso com Wichkam! Não devia nem estar ali com ele. Ela só devia se envolver com outro homem após esquecê-lo completamente. Só não sabia se isso seria possível. George reparou no desconforto dela com seus toques

-Elizabeth, estou sentindo você tensa. O que foi? Se arrependeu de ter vindo aqui comigo? Ou ainda está pensando no filho do diplomata?

-Wichkam, eu peço desculpas, mas é que tudo está muito recente e...

-Eu não me importo. Eu vou fazer ele sumir do seu pensamento. Claro, se você me der a oportunidade para isso. – disse ele beijando sua mão e levantando da cadeira – Vamos dançar.

Ela se levantou e foi conduzida até a pista de mãos dadas. Ele era delicado e sabia conduzir uma conversa sobre qualquer assunto.

Ele a olhava nos olhos e fazia carinho em suas mãos. Sorria devagar e se aproximava para fazer comentários de como ela estava linda e cheirosa. Que se sentia o homem mais felizardo daquele lugar por estar com a mulher mais bonita dali. Apesar de uma certa vergonha, ela estava gostando de ouvir aqueles elogios. Depois de tudo, ela parecia sorrir e sentia-se bem. Enquanto dançavam, ele a abraçou devagar

- Sabe, desde que éramos adolescentes, eu quis fazer isso: dançar e te abraçar assim.

-Ora, George...dançamos algumas vezes na escola...

-Mas não desse jeito que eu estou fazendo agora e nem na iminência de lhe dar um beijo.

- O que?

Ela apenas sentiu ele se aproximar e encostar sua boca na dela. Seu corpo gelou. O que estava fazendo era certo? Quantas dúvidas, quantas sensações estranhas. Ele aprofundou o beijo e ela se deixou levar pela boca dele. Algo parecia errado, desconexo. Não era o beijo. O beijo em si era ótimo, mas o que aquilo despertava nela era o mais intrigante: nada.

O coração não estava batendo com força e nem as mãos ficavam tremulas ou geladas. Era apenas um beijo bom, mas sem sentimento algum.

Apenas um beijo.

 

 

 

 

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