CAPÍTULO 20
Darcy subia os degraus de sua casa que dariam no segundo andar. Entrou em seu antigo quarto e sentou na cama. O corpo estava pesado e a cabeça parecia explodir. Ele tinha vontade de sumir. Apesar de ter dito muito do que queria, não havia adiantado nada. Ela estava determinada a não ficar com ele. O desânimo tomou seu corpo e sua mente.
Precisava de um banho quente para relaxar e para se limpar da mousse que Lizzie havia deixado cair nele mais cedo. Mesmo com um sentimento forte de derrota, não podia desistir dela. Agora que ela já sabia como ele se sentia, era a hora de lutar por ela. Pegou seu celular e fez uma ligação.
-Alô, pai?
-Oi, filho? Onde você está? Estamos preocupados. Charles me confessou que acabou dizendo para você sobre hoje. Não nos leve a mal, mas foi melhor não lhe falar nada. Você...você se encontrou com ela?
-Sim, encontrei. – respondeu ele de forma pesada - Nós viemos aqui para a minha casa para conversarmos. Bem, de qualquer forma, eu não vou dormir em casa. Invente alguma coisa para a Caroline, senão ela não vai me deixar em paz. Eu prefiro ficar aqui quieto.
-Sim, filho. Ela já veio perguntar por você e eu falei que você tinha ido para sua antiga casa porque tinha tido um dia estressante no trabalho. Fique tranqüilo, vai dar tudo certo.
Willian bufou e desligou o celular. Seu pai não tinha idéia que a conversa não tinha sido boa, mas preferiu não tocar nesse assunto. Não agora, que precisava esfriar a cabeça e relaxar. Não queria mais falar com ninguém. Queria deitar em sua cama e tentar dormir.
Por que tudo estava sendo tão difícil? Aquilo seria uma prova para testar o amor dos dois? O destino queria saber se realmente se amavam? Se era para ficarem juntos mesmo? Estava sentado em sua cama e algumas poucas lágrimas começaram a surgir. Ele apertou os olhos com os dedos para que não saíssem. Tirou a camisa e entrou no banheiro que ficava em seu quarto.
Sua suíte era muito ampla. Do outro lado da porta, uma banheira de hidromassagem. À direita, um box grande com um chuveiro enorme e uma pequena cômoda de pátina próxima à porta, onde buscou uma toalha e voltou para o quarto, tirando toda sua roupa e largando-a em um cesto do banheiro. Ele não conseguia pensar em nada com clareza. Estava indo para o banho automaticamente. Precisava de uma ducha bem quente e uma boa noite de sono.
Lizzie olhava as escadas. O peito subia e descia de nervosismo. Sua decisão estava tomada, não podia simplesmente voltar atrás, mas podia dizer que ainda o amava, que seu amor não tinha se acabado em um estalar de dedos...Será que podia mesmo?
Ele havia dito como se sentia, mas ela ficou calada, sem dizer quase nada. Será que realmente devia fazer isso? Será que devia dizer como se sentia? Aquilo podia piorar a situação dos dois.
Começou a subir devagar cada degrau daquela escada. Em cada um deles, surgia uma dúvida, um pensamento conflitante, algo de estranho nela. Aquilo não estava certo. Devia voltar e ir embora. Seguir seu caminho e ir para casa.
As palavras de Darcy iam e vinham em sua cabeça e ela sentia um aperto grande no coração. Ele havia sido sincero e se abriu complemente. Lizzie respirava fundo e sentia o coração responder ao seu nervosismo. Queria dizer tantas coisas...
Como começaria a dizer o que queria? Como iria expor seus sentimentos para ele e ainda falar “mesmo assim, acho que não devemos ficar juntos agora”. Conseguiria fazer isso?
Devia voltar e buscar suas coisas. Devia ir embora.
Quando deu por si, o último degrau havia ficado para trás e ela adentrava no quarto dele. Quantas lembranças ele despertava: noites de amor, manhãs de carinho e de cócegas que ele fazia. Ouviu um barulho de chuveiro ligado e outras tantas lembranças vieram. Sobre a cama, havia uma toalha vermelha. Talvez ele tivesse esquecido após entrar no banho.
O coração de Elizabeth palpitava fora de controle. Batia freneticamente e suas pernas quase perderam um passo. Estava ali para dizer a ele que, apesar de tudo, ainda o amava, mas que era impossível ficarem juntos naquele momento. Ele precisava organizar sua vida primeiro, com ou sem Caroline, com ou sem filho, para depois conversarem sobre a situação dos dois.
Mas será que era apenas por isso? Por que não tinha ido logo embora? Por que teimava em seguir adiante mesmo sabendo que ele estava no banho? Por que não pegou suas coisas e entrou no táxi, como havia dito a ele? Era horrível de admitir, mas ela estava tão desesperada por ele...
O beijo que deram minutos antes a tinha tirado de seu estado normal. A razão mandava ela ir embora, mas o coração, louco, desesperado, mandava ela ficar. Respirou fundo, sem pensar em muita coisa. Só conseguiu ouvir em sua cabeça ele dizendo que a amava, que queria ficar com ela...Mas e Caroline? E o filho?
O coração estava apertado, mas queria tanto te-lo só para ela, queria sentir seu abraço forte, queria colocar sua cabeça no peito dele e sentir as suas batidas fortes do coração...
Deu dois passos pequenos e sutis e pegou a toalha que estava sobre a cama. Aproximou o rosto do tecido e lembrou do cheiro dele. Talvez por curiosidade, por vontade de olhá-lo, por vontade de te-lo, foi em direção à porta da suíte. Continuou com seus passos pequenos e delicados, sem fazer barulho algum.
Poderia apenas olhá-lo um pouco e avisar que estava ali querendo lhe dizer outras tantas coisas. Que a conversa ainda não havia terminado. Que ainda precisavam conversar.
Adentrou devagar ficando na soleira da porta. O banho quente que ele tomava havia deixado o box do chuveiro um pouco embaçado, mas ela podia ver nitidamente que ele estava de lado para onde ela estava e com a mão esquerda apoiada na parede na sua frente. Com a mão direita ele apertava os olhos com força. A cabeça estava baixa e pesada. Ele parecia estar segurando as lágrimas que surgiam nos olhos. Apenas deixava a água quente escorrer pelo corpo. Ela continuava na soleira da porta apenas olhando-o, com a toalha na mão e com o coração batendo de forma acelerada.
A água escorria e ele apenas sentia o calor que dissolvia a tensão em seu pescoço e em suas costas. Precisava relaxar. A presença dela o deixava tenso, principalmente, depois de tê-la em seus braços, com um beijo que ele tanto aguardava. Que ele sonhava e morria de saudade.
Ele percebeu uma sombra e olhou de lado, vendo que ela estava ali.
[i]Elizabeth! [/i]
Levantou o corpo e a olhou com espanto. Desligou o chuveiro e virou-se para ela.
-Lizzie! O que faz aqui? – olhou-a com surpresa tirando a água do rosto e do cabelo – Achei que tivesse ido embora.
Ela permanecia calada. O olhar estava perdido em um lugar qualquer e ela segurava a toalha vermelha dele com ambas as mãos. Ele permanecia dentro do box embaçado. Esperava uma resposta dela, mas só havia silêncio. Um silêncio profundo e desconcertante. Ela queria dizer alguma coisa, mas nada saía de suas cordas vocais. Nem um sussurro, nem um grito, nem uma palavra sequer.
Darcy começou a pensar que talvez ela tivesse voltado para falar mais alguma coisa, algo que tivesse deixado passar e viu-o ali tomando banho. Seu coração se encheu de esperanças. Não esperava por aquilo.
-Lizzie, pode deixar a toalha ai em cima do móvel. Me desculpe, não sabia que ainda estava aqui. Você ainda quer conversar? Me dê alguns minutos que eu me arrumo.
Havia algo ainda de ingênuo e vulnerável em suas palavras e em seu olhar. Ele não sabia mesmo o que ela estava fazendo. Não tinha a exata noção.
Ela estava ali, apenas admirando o homem que ele era e que deixou para trás. O homem que estava no seu coração, que a amava e que demonstrava isso de todas as formas possíveis. O homem que ela amava.
Lizzie estava perdida. E calada. Não sabia o que dizer. Apenas o analisava, na sua frente, em todo seu esplendor masculino. Como era lindo. E como ela o amava. Engoliu a seco a última pergunta que ele havia lhe dirigido. Seu corpo começava a não responder mais. O calor subia pelas costas e tomava-lhe o rosto, pescoço e as pernas. Se pudesse, ficaria horas ali, só apreciando aquele banho quente. Se pudesse, entraria naquele banho. Seu olhar agora a traía e demonstrava o fervor que ela estava sentindo. Ela estava parada, olhando fixamente para ele. O rosto estava vermelho, assim como a boca e ela respirava forte.
-Lizzie...??
Agora ele parecia entender o efeito que havia causado nela. E estava disposto a usá-lo.
Ela ainda o olhava com a toalha na mão, em frente à porta da suíte. Willian respirou fundo e deslizou a porta do box, abrindo-a. Saiu lentamente deixando o vapor sair e parou. Seus olhos azuis cravaram nos olhos castanhos de Elizabeth. Ela continuava olhando fixamente para ele. Os dois permaneciam se olhando. Uma onda de magnetismo os ligava, os prendia, os aprisionava.
Se minutos antes, ela havia saído do seu estado normal com o beijo rápido que trocaram, agora ela estava em outra dimensão. Não era mais Elizabeth Bennet. Era um ser qualquer, trêmulo, quente e pulsante. A descarga de adrenalina no sangue fazia seu coração bater forte, o suor surgia, o tremor aparecia, a respiração ficava forte.
Ele a olhava com um olhar carinhoso, esperançoso, emocionado e pedinte. Veio devagar em sua direção.
Quatro passos.
Isso foi o suficiente para suas pernas longas vencerem o espaço que os separava. Parou a centímetros dela olhando-a de forma séria, mas vulnerável.
Elizabeth sentia o coração explodir dentro do peito. Segurava com força a toalha como se fosse cair dura no chão se a largasse. Viu ele se aproximar devagar, completamente nu e molhado. Agora ele estava a centímetros de distância.
Lizzie apenas observava as gotas de água que vinham dos cabelos escuros dele e caíam pelo rosto, venciam o pescoço, a clavícula e chegavam no peito largo que ele tinha, se perdendo nos pêlos que povoavam aquela imensidão. Ela respirava fundo e sentia vontade de sugar e beijar cada gota teimosa que caía. Estava imersa em um “espetáculo de águas” que se fazia naquele corpo. Não sabia se olhava para cima, nos olhos azuis, ou para o peito que estava bem na sua frente.
Ele continuava parado apenas percebendo que ela o observava com o olhar mais louco e perdido do mundo. Seu corpo já estava respondendo aos olhares que Lizzie lhe lançava, mesmo sem ela fazer qualquer movimento sobre ele. Seu coração batia acelerado e mesmo molhado pela água do chuveiro, sentia que o suor do nervosismo começava a surgir por sua pele. Se ela estava ali, olhando-o daquele jeito e sem fazer qualquer oposição àquela situação, ela o queria. Ela estava disposta a repensar sua decisão. Estava disposta a ficar. Estava disposta a voltar para ele.
Ele agora precisava tê-la. Naquela noite. Em todas as noites. Sempre.
Darcy segurou a toalha que Lizzie trazia sem parar de olhar para ela. Em um movimento, jogou-a no chão.
Entre eles, agora, só havia poucos centímetros e uma tensão incalculável.
Os dois respiravam fundo e estavam perdidos nos olhares que compartilhavam. Aquela pequena distância os oprimia e trazia uma expectativa gritante e bombástica entre os dois. Ele, nu e com a pele molhada pelo banho. Ela, com um vestido de festa escuro e maquiada.
Olhos nos olhos.
Uma descarga forte de adrenalina no corpo.
Corações palpitando a toda força.
Respirações fora de ritmo e aceleradas.
Quem quebraria aquela distância? Quem venceria aquela tensão?
O corpo dos dois ardia e tremia. Minutos antes ela disse estar certa da sua decisão, que ia embora, mas agora estava na sua frente. Não hesitava em vê-lo daquela forma e não tinha ido embora. Estava ali. Ela o queria. Podia ver em seus olhos a ardência queimando-a. Muito delicadamente, Darcy levou seu polegar ao rosto gracioso que ela tinha. Estava quente e ele acariciava suas bochechas vermelhas. Ela fechou os olhos e se deixou conduzir por aquele carinho gostoso que ele fazia.
Lizzie apenas sentia aquele toque no rosto, mas o corpo pulsava em todas as partes. A vontade era de beijá-lo com força e agarrar os cabelos molhados dele. Seus olhos fechados podiam ver a imagem dele na sua frente. Respirava fundo, apenas esperando por ele.
E ele correspondeu.
Avançou contra ela como uma força que nunca havia sentido. Aqueles momentos de tensão haviam despertado nele uma vontade absurda e incontrolável. Seu beijo era muito forte, quase machucando-a, mas ela não se importava. Ela queria. Agarrou-o forte e pode sentir a pele nua e molhada sobre ela. Agarrou o cabelo molhado como queria e cravou sua outra mão no peito largo e ensopado.
Ele a empurrava com força contra a soleira da porta e a beijava com muita paixão e intensidade. Segurava em seu cabelo com força e ela quase protestou pelo vigor excessivo com que ele fazia aquilo.
Segurou-a no colo e rapidamente a deixou sobre a cama. Lizzie tinha a garganta seca e se espantou com a energia com que ele a havia pegado. Ele parecia desesperado e a intensidade com que a segurava era algo que ela nunca havia sentido. Seu vestido foi tirado com força e uma das alças ele rasgou. O que havia acontecido com ele?
Darcy não pensava em nada. Apenas sentia o cheiro dela. O cheiro que o atormentava diariamente. O cheiro doce e floral que ela tinha. Apenas sentia aquela pele delicada sobre a dele. Queria ser dela. Queria que ela fosse sua. Aquele pensamento o havia atormentado por dias e dias, semanas e semanas, e agora estava ali, na sua frente, com ele. Lembrou-se do que sentiu no peito quando ela havia terminado tudo.
Ela não podia mais ir embora. Na primeira noite dos dois, no Reveillon, ele estava nervoso por não saber o que esperar dela, com medo de tudo que estava por vir. Agora, seu nervosismo, seu desespero, era para não deixá-la ir embora. Precisava segurá-la, agarrá-la para ter certeza de que aquilo estava mesmo acontecendo. Ela seria sua mais uma vez. Ele não queria que ela fosse embora. Queria te-la para sempre. A saudade e o desespero eram muito grandes e ele não tinha noção do quão forte a segurava.
Ela não se importava com a necessidade com que ele a pegava. Ela apenas sorria por dentro por estar de novo com ele. Sentiu quando ele enterrou seu rosto em seu pescoço, beijando-o e fazendo carinhos com as mãos livres. Ela ofegava e jogava sua cabeça para trás, dando livre acesso ao que ele quisesse. Ela era sua. Ele apenas tomava o que era dele.
Escutou ele dizer em um sussurro “volte para mim” e sentiu que ele a tomou com força e vivacidade rapidamente. Ele não costumava ser assim. Parecia um andarilho perdido no deserto sem água quando encontrava um oásis. Um animal caçador que encontrava sua presa após semanas de caçada. Havia uma necessidade gritante nele. Uma necessidade dela.
Ela apenas o abraçava com força e sentia seus beijos possessivos e ardentes, o toque forte e presente das enormes mãos em sua perna, coxas, nos braços, na costela.
Seu corpo pedia pelo dela. Mais de um mês sem vê-la e ele estava assim: absurdamente louco pelo cheiro, pelo gosto da pele...Repetia inúmeras vezes o nome dela alto e dizia o quanto a amava, que a queria para ele. Ela apenas recebia-o com uma loucura e uma vontade incontrolável, desumana.
Estavam perdidos em seus devaneios, seus olhares, suas emoções e suas sensações. O lençol estava encharcado pelo suor e pela água que ele havia levado com consigo quando deitou-se ainda molhado na cama.
Os dois não conseguiam evitar de se olharem e de compartilharem aquele momento. Ele permanecia sobre ela, com o corpo pesado e ofegante. Levantou-se um pouco depois e a olhou por alguns instantes. Ele a beijou com carinho e bem devagar. Depois de sua atuação enérgica, mas prolongada, ele apenas a beijava lentamente, sentindo a boca que ele havia quase machucado pela força com que tinha avançado sobre ela. Apenas sentia a maciez de seus lábios e a forma quente e vermelha que estavam. A pele branca dos braços pareciam marcadas. Aninhou-se com a cabeça sobre o peito dela, segurando em suas costelas.
-Lizzie, me descul...
-Shhhhhh.... não fale nada. Não agora.
Os dois ficaram em silêncio por um bom tempo. Ela acariciava os cabelos escuros dele sobre o seu peito e ele passeava com os dedos pela barriga lisa e pelos quadris. Ficaram assim por um bom tempo, perdidos um no outro, até que ele dormiu.
Mais tarde, Elizabeth percebeu que ele dormia calmamente sobre seu peito. A respiração lenta e tranqüila não lembrava a forte e ofegante que ele tinha tempos atrás.
Ela não conseguia dormir.
Respirava ainda de forma estranha, sentia uma angústia, com um certo remorso por ter feito aquilo. Eles estavam ali, na casa dele, e tinham acabado de se amar de forma intensa e avassaladora. Enquanto isso, seus pais estavam em casa dormindo, achando que ela havia tomado a decisão certa em se separar dele. Caroline devia dormir serenamente na casa dos Darcy com um bebê se desenvolvendo em seu ventre. A sensação que estava em si era a de ter traído alguém.
Talvez os pais, por acreditarem que tudo estava terminado entre os dois; Caroline, por acreditar que o pai de seu filho estava em algum outro lugar e não com ela. Até os pais de Darcy que não deviam ter noção do que havia acabado de ocorrer. Suas irmãs e a amiga Charlotte que haviam estado com ela nos piores momentos.
Passou o resto da madrugada pensando sobre isso. Sobre o que acabara de ocorrer e sobre as conseqüências disso. Ela tinha tomado um decisão de dar uma chance à Willian e Caroline. Talvez descobrissem de novo o sentimento que os uniu tempos atrás. Poderiam ter a família que planejaram ter.
O dia começou a nascer e ela se levantou devagar, deixando-o ainda dormindo sozinho. Sua cabeça parecia estranha, cheia de perguntas, dúvidas. Sentou-se na cama apenas observando-o dormir. Estava de bruçus e com os braços jogados. As costas nuas e grandes subiam e desciam pela respiração forte que ele tinha. Ficou apenas admirando-o novamente. Buscou uma camisa limpa no armário dele e desceu as escadas indo na direção a cozinha.
Anthony e Anna estavam sentados na mesa para o café. Georgiana ainda não tinha levantado e nem Caroline. Tinham levantado cedo para fazerem uma caminhada. Anna tomava seu chá
-Amor, Willian não dormiu em casa essa noite. Acabei de entrar no quarto dele para acordá-lo para a reunião que ele teria e simplesmente a cama estava feita!
-Sim. Ele não dormiu em casa. – Anthony olhou para os lados – Na verdade, ele me telefonou ontem de noite. Charles acabou falando para ele da comemoração da Lizzie e ele foi atrás dela. Me disse que eles estavam na casa dele, conversando. Se Deus quiser, eles se entenderam! De uma vez por todas! A essa hora devem estar acordando juntos, se Deus quiser!
Eles não sabiam, mas Caroline estava perto e conseguiu ouvir toda a conversa. Saiu tranqüila para seu quarto. Não ia espernear e nem fazer barracos, mas precisava tomar uma atitude. Willian era seu futuro marido, querendo ou não e seria o pai de seu filho. Se não tivesse feito a loucura de terminar o noivado com ele, a essa hora estariam preparando tudo para o casamento. Ela iria agia para ter Darcy com ela e seu filho.
Como Anthony havia dito, a essa hora eles deviam estar acordando juntos...
Lizzie andava pela cozinha fazendo um chá. O relógio marcava 07 da manhã. Teria tempo de tomar café tranquilamente, ir para casa e depois para o consultório. Seus pensamentos eram conflitantes ao extremo. Tinha adorado cada minuto da noite anterior, mas não se sentia bem.
Darcy tinha dito que a amava e queria que ela ficasse com ele. Mas como estava sua situação com Caroline? Ela estava morando junto com a família dele, via-o todo dia, com certeza devia estar jogando todo seu charme para recuperá-lo. Como ele estava lidando com aquilo? Tinha estado com ele alguma vez? Eram tantas dúvidas, tantas perguntas que precisava que ele respondesse. Talvez pudessem conversar sobre tudo isso...
-PIIIIII!
Ela ouviu o telefone tocar e a secretária eletrônica atender.
-Oi, amor! Bom dia, meu lindo! Seus pais me disseram que você ia dormir na sua casa porque estava cansado do trabalho. Estou com saudades, meu amor. Senti sua falta esta noite aqui comigo. Ah...papai ligou ontem e quer saber sobre as nossas providências para o casamento, hein?! Estou com muita saudade! Sabe, essa noite o neném não parou de chutar! Foi uma loucura, eu mal dormi. Meu amor, até parece um sonho o que estamos vivendo. Beijos, querido, e tenha um bom dia no trabalho. Eu e o nosso bebê estaremos te esperando!
Elizabeth não podia acreditar. O peito rasgou e uma onda de lágrimas veio. Sentia-se péssima! Como podia ter feito aquilo? Estava tão certa de sua decisão e, quando o reencontra, acontece aquilo? Sentia um pesar enorme no peito. Ela podia sentir que Caroline estava fazendo de tudo para se acertar com ele e ela fazia aquilo?
Subiu para o quarto, vestiu-se correndo, pegou suas coisas e saiu se penitenciando por tudo que havia acontecido. Pegou um táxi e foi para casa. Uma noite maravilhosa e uma manhã horrível...
Darcy acordou com o telefone de casa tocando. Seu celular estava desligado. Levantou o rosto da cama e viu que Lizzie não estava ali. Olhou para os lados e não a encontrava. O telefone insistia em tocar. Ele se levantou e pegou a extensão.
-Alô – disse ele com a voz ainda de sono.
-Will, cadê você? Ainda bem que eu te achei! Está louco! A nossa reunião está marcada para as dez da manha e já são nove e meia! Você me pediu para chegar mais cedo e está absurdamente atrasado! Pelo amor de Deus! Está maluco?
-Me desculpe, Charles. Estou indo. Em quinze minutos estou ai. Se eu me atrasar, dê um jeito de faze-los esperar. Estou indo.
Desligou o telefone e desceu correndo pela casa, mas não havia nenhum sinal de Elizabeth. Chamou seu nome, mas não teve nenhuma resposta. Talvez ela estivesse acordado mais cedo e ido embora devido a algum compromisso. Subiu correndo, se arrumou em poucos minutos e desceu para beber apenas um copo de água. Viu a secretária piscando indicando que havia um recado e um bilhete com a letra de Lizzie ao lado. Começou a ouvir o recado de Caroline e a ler o bilhete ao mesmo tempo.
[i]Darcy,
Por favor, não me procure mais. Em hipótese alguma. Siga a sua vida e deixe-me seguir com a minha. A minha decisão não foi alterada. O que aconteceu foi um grande erro.
Elizabeth.[/i]
A raiva tomou conta dele. Bateu com força no telefone e bufou
-Caroline!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!














