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Quando, quando, quando,... Capítulo 19 PDF Imprimir E-mail
Escrito por Juliana   
Ter, 01 de Setembro de 2009 17:36

CAPÍTULO 19

 

Lizzie sorria e festejava. A família toda reunida, os amigos do hospital, os amigos mais chegados. Tudo estava maravilhoso e ela se sentia tão feliz por mais essa conquista. Darcy aparecia em seu pensamento constantemente, mas ela o repelia com vontade. Aquela era uma noite de comemoração, de alegrias. Todos estavam no bar do hotel que havia sido fechado para a sua recepção. A família Bennet precisou arrumar tudo rápido, pois Lizzie havia recebido o título de surpresa. Esperava ficar mais um mês trabalhando, mas isso foi adiantado.

Ela estava tão feliz e isso transparecia em seu rosto, em sua maneira de falar, na forma como abraçava os convidados que chegavam. Sua vontade era de sair correndo pelas ruas gritando e avisando de seu sucesso! Horas de plantão, horas e mais horas de estudos, noites insones sobre livros e mais livros, cansaço no corpo e na mente...e ela havia conseguido! Tudo havia valido a pena! Absolutamente tudo!

Cada convidado que aparecia era agraciado com um grande sorriso e um abraço muito apertado. Jane e Bingley estavam cada dia mais felizes e alegres. Seus pais, como sempre, abriam garrafas de champagne e faziam um brinde em homenagem à filha a cada meia hora. Mary estava diferente e mais distraída. Charlotte chegou com Collins trazendo sua famosa mousse de chocolate:

-Lizzie, que felicidade minha amiga! Que orgulho sentimos de você, não é Collins?

-Claro, claro...-dizia ele analisando o hotel e a marca das garrafas de champagne.

Elizabeth olhava ao seu redor e observava os convidados. Que felicidade ela estava sentindo! Algo indescritível. Via sorrisos e mais sorrisos, pessoas felizes, brindando sua conquista e seu sucesso, conversas e mais conversas. Brindes e mais brindes. Os pais não paravam de dizer como estavam orgulhosos pela filha e lembravam das festas dadas para Jane e Mary quando conseguiram suas respectivas habilitações como advogadas. Tudo parecia perfeito, não fosse uma pontada chata no peito, indicando saudades de uma pessoa...

-Darcy! – ouviu seu pai chamar alto.

Ela teve um sobressalto. O coração disparou, a mão começou a suar e ela sentiu o nervosismo tomando conta de cada pedaço de seu corpo: era ele? Ele tinha vindo? Sua presença estragaria tudo ou iria completar sua felicidade? Virou-se devagar e soltou a respiração com força. Eram os pais de Willian. O pai tinha a mania de chamar Anthony pelo sobrenome quando estava feliz e um pouco “alto” pela bebida.

Anna veio lhe dar um abraço prolongado e forte. A beijou com carinho e seu olhar era de ternura e de uma certa “saudade”. Deu-lhe de presente um anel de ouro com brilhantes e um cartão lindo com flores. Anthony cumprimentou o amigo Thomas, Fanny e foi falar com Elizabeth.

-Filha, que felicidade! – ele a abraçava com força, algo pouco comum para um homem sério e muito comedido como ele.

Ela não estava entendendo aquele grande abraço. Devia estar feliz mesmo com ela. Olhava-a com tanta intensidade, com tanto amor, com tanta surpresa, com tanta ternura. Anthony se lembrava de cada palavra que o filho havia dito sobre ela, de como a amava. Estava ali, diante da menina que havia pegado no colo quando bebê e diante da mulher da vida de seu filho. A única que poderia fazê-lo feliz. Seu sucesso era como o sucesso de alguém da família. De verdade. Alguém de seu sangue.

-Filha, hoje eu vejo tudo tão diferente, de outro jeito...Sou um homem vivido, do mundo,  mas a cada dia que passa eu aprendo mais com a vida, aprendo mais com o amor.

Elizabeth o olhou com surpresa. O que ele estava falando? Do que estava falando? Por que dizia aquilo? Um homem tão sério falando de amor? O que estava acontecendo?

-E onde está Georgiana? – dizia Fanny sem querer perguntar por Willian, especificamente.

-Ahn, ela acabou ficando em casa, Fanny. – respondeu Anna.

-Mas por que? Meu Deus, ela também quer ser médica e hoje é a “noite dos jalecos” por aqui!

Anna e Anthony deram um sorriso amarelo. Viram que Lizzie, Fanny e Thomas estavam esperando a resposta.

-Na verdade, ela precisou ficar porque Caroli...- começou Anthony sem mentir.

-Na verdade, ela precisou ficar em casa porque pegou um resfriado terrível! – mentiu Anna.

A grande verdade era que eles não queriam deixar Caroline grávida, sozinha em casa. Willian não atendia o celular e não tinha chegado do trabalho. Sem contar que nem ele e nem Caroline haviam sido informados por Anna e Anthony da recepção de Elizabeth, justamente para evitar problemas.

A noite passou cheia de sorrisos e estouros de muita champagne, o que nunca faltava nas comemorações dos Bennet. Charles e Jane cada dia mais apaixonados, Mary suspirando pelos cantos pelo seu “Coronel”. Charlotte se irritando e “cortando” Collins nas observações impertinentes que ele fazia.

Muitos brindes e muita festa!

 

 
Darcy ficou na empresa até tarde. Passara horas pensando em tudo que havia vivido ao lado da “sua Lizzie”, de como estava feliz por esse dia. Sorria sozinho pensando em como ela devia estar se divertindo, de como devia estar cumprimentando todos os convidados, de como devia estar rindo com os amigos. Sentiu uma vontade louca de estar lá.

Machucava o coração saber que não estava com ela. Se ainda estivessem juntos, ele faria dessa noite uma das mais especiais da sua vida.  Compraria flores, a encheria de presentes. Daria o abraço mais apertado e o beijo mais intenso que pudesse dar. A abraçaria na frente de todos, a beijaria e...a pediria em casamento! Sim!!!! Essa seria uma ótima oportunidade para fazer isso...

Se ainda estivessem juntos. Se a sua história não tivesse sido interrompida.

Apertou os olhos azuis com as mãos, saindo de seu sonho acordado. Queria vê-la. Queria apenas lhe dar um abraço e lhe dar parabéns. Queria, de alguma forma, compartilhar daquele momento.

Levantou de sua mesa, buscou sua pasta, seu casaco e saiu.

Ia para o local da recepção.

 


Os convidados já iam embora. Apenas a família de Elizabeth e os Darcy estavam no local. Charles saía com Jane para a casa dele. Agora que eram namorados há algum tempo, a família nem se importava mais com isso.

-Filha, você vai para casa conosco ou vai para o seu apartamento? – perguntava Thomas.

-Papai, vou para casa. Pego um táxi aqui em frente e em 5 minutos chego no meu apartamento. Não se esqueça que tenho paciente marcado para as 9 da manhã e preciso das minhas coisas que estão em casa! Estou esperando o garçom com os doces que sobraram. Não posso deixar de levar essas delícias! – ela sorriu.

Os pais de Elizabeth saíam na companhia dos Darcy. Logo viu que todos tinham ido embora e só havia apenas ela no local na companhia dos garçons e com uma dor chata nos pés de tanto andar no salto. Lizzie terminava de pegar o resto dos doces que haviam sobrado da recepção e uma tigela com o que havia sobrado de uma mousse de chocolate que Charlotte havia levado. Saía atrapalhada segurando a bolsa, a tigela em cima da caixa.... Saiu do hotel e seguia pela rua andando devagar para não deixar cair nada.

-Lizzie...

Esbarrou em alguém com o susto que levou ao reconhecer “aquela” voz. A tigela voou, a caixa e sua bolsa caíram no chão.

Olhou para cima e viu que sua “muralha” de olhos azuis estava bem na sua frente. E com a roupa completamente suja com a mousse que havia voado. Ele começou a tirar o terno do paletó, tirar a gravata banhada de chocolate. Passou a mão pela camisa suja e limpou a mão no terno que havia tirado.

-Darcy! Me desculpe. Não tinha te visto. – disse ela abaixando-se.

Os dois agora estavam agachados arrumando a caixa que havia caído. Levantaram-se e ficaram se olhando. Ela estava visivelmente nervosa e sem-graça. Olhava para o chão e para os lados. Ele segurava a caixa e a olhava com uma expressão de tanto carinho e surpresa. Era a primeira que se viam há mais de um mês, desde a conversa que haviam tido.

-Achei que estivesse em sua casa, ou na empresa...- disse ela olhando para o chão.

-Não...como pode ver, eu estou aqui.

Ficaram alguns segundos em silêncio e ele a olhava de forma carinhosa e vulnerável. Em seu peito havia tanto carinho, tanta emoção, tanto amor...

- Me desculpe pela sujeira, eu não tinha te visto. Estava em uma comemoração com meus pais e alguns amigos.

Ele apenas assentiu com cabeça.

- E sua festa estava boa?

-Sim, muito boa. Bem, estou indo para casa. Boa noite e me desculpe.

-Posso te acompanhar?

-Não...não...obrigada. Eu vou pegar um táxi. Sou uma grande fã de táxis.

-Sim...eu sei... – disse ele sorrindo, lembrando da vez que a perseguiu quando ela havia entrado em um sem deixar que ele se explicasse do beijo que havia lhe dado.

Ela buscou a caixa que ele segurava e a tigela que agora estava vazia e ia saindo. Ele a segurou devagar.

-Lizzie, sei o que estão comemorando. Apesar de não ter sido convidado, eu quis vir. Na verdade, eu vim aqui por dois motivos: primeiro, para poder lhe dizer que eu sinto muito orgulho de você e estou tão feliz, tão feliz, que parece que algo vai explodir no meu coração.

Lizzie segurava a caixa e o olhava com um olhar de espanto e contentamento tão grande... Que vontade de largar tudo e abraçá-lo com força. De beijá-lo e dizer que ainda o ama. Que sua noite só não foi mais feliz porque não estavam juntos. Agora que estava diante dele, sentindo seu cheiro, olhando nos seus olhos, vendo cada detalhe de seu rosto, percebia o tamanho da saudade que sentia. Como sentia falta de sua companhia, de seu sorriso, de seu beijo, de seus carinhos...

- O segundo motivo – ele a tirou de seus devaneios - é que eu gostaria muito, muito, muito de conversar com você. A última vez que nos vimos eu deixei de dizer muita coisa, eu estava nervoso, tenso e sei que você também ficou assim. – dizia ele com a voz calma e relaxada.

-Darcy, acho que já falamos tudo o que tínhamos que falar...

-Não, nós não falamos. Lizzie, nós precisamos ter uma conversa séria. Nós dois calmos, tranqüilos. Mesmo que você...- a voz falhou e sua expressão mudou - ...mesmo que você realmente não queria mais nada, nós precisamos ter essa última conversa. Você sabe disso.

-Darcy, eu reconheço que precisamos ter uma conversa final, mas acho que não é a melhor hora para isso.

-Lizzie, por favor. Eu quero conversar com você e esclarecer tudo. Estou enlouquecendo, aos poucos, por causa disso. Eu sei que você precisava de tempo para se acalmar, e eu peço, por favor, me escute. Eu só quero conversar, mesmo que essa seja a nossa conversa final.

Lizzie respirou fundo. Sabia que os dois mereciam uma conversa final. Ela precisava lhe dizer, de forma calma, tranqüila, que ela não ficaria com ele. Que talvez no futuro pudessem ser amigos novamente, que ele precisava de uma chance com Caroline e com o filho e sua consciência estava tranqüila em relação à sua decisão. Foram em direção ao carro dele e saíram do local. O trajeto foi feito em um absoluto silêncio. Lizzie nem havia perguntado para onde iriam. Só sabia que precisavam de privacidade para conversar de vez e ela faria isso hoje.


Anna e Anthony chegavam em casa...

-Boa noite! – disse Caroline – onde está o Willian? Já está tarde. Achei que estivessem com ele! Georgiana não me responde onde vocês estavam e Darcy não está na empresa!

Anthony achou aquilo estranho, mas se lembrou que Charles, na recepção, havia dito que não guardou segredo com o amigo.

[i] Talvez ele foi atrás dela...[/i] – pensou Anthony

-Caroline, eu acho que o Darcy teve um dia muito estressante no trabalho. Amanhã ele terá uma importante reunião com um grupo de japoneses. Ele deve ter ficado até mais tarde na empresa e deve ter dormido em algum hotel ou naquela casa antiga dele...- disse Anthony.

Caroline achou aquilo estranho, mas acabou acreditando e foi dormir.

_________________________________________________________


Chegaram na antiga casa de Darcy e ele parou o carro.

-Você quer conversar comigo na sua casa?

-Sim. Teremos privacidade para isso.

-Mas e Caroline?

-Você acha que Caroline e eu vamos morar nessa casa? Que ela fica aqui comigo? Lizzie, realmente precisamos conversar. Não sabe de metade das coisas que aconteceram e que NÃO vão acontecer. – disse ele em tom sério se referindo ao casamento que Caroline queria lhe impor.

Elizabeth não havia entendido o último comentário, mas saiu do carro batendo a porta e carregando sua bolsa e sua caixa com doces. O cheiro de chocolate que vinha das roupas de Darcy estava forte e até enjoativo.

Entraram na casa e Lizzie percebeu que ela estava absolutamente igual a última vez que havia estado ali. A sala meio vazia, a cozinha linda e arrumada, alguns móveis ainda pra montar encostados em uma parede da ampla sala. Deixou suas coisas no chão.

-Nossa, está exatamente do mesmo jeito...Na verdade...- ela ficou sem jeito de falar – na verdade, achei que você viesse morar aqui com a Caroline.

Ele a olhou com um olhar estranho.

-Como eu havia dito, Elizabeth, você não está sabendo de nada. – disse ele no meio da sala vazia com as mãos no bolso – quando eu comprei essa casa, foi pensando em nós dois. Essa era para ser a nossa casa. Não minha e da Caroline. Ela nunca pôs os pés aqui. Eu acabei saindo daqui e estamos morando na casa dos meus pais.

Lizzie abaixou a cabeça e olhava o chão. Não sabia o que dizer sobre aquilo. Quando terminou com ele, há mais de um mês atrás, acreditava que ele iria retomar seu compromisso com Caroline, que iriam morar ali, naquela casa, com seu filhinho.

-Sabe, Lizzie, depois que tudo isso aconteceu, depois de ouvir tudo o que você me disse, eu entendi...Eu entendi como se sentiu quando desisti de nós dois, anos atrás. Agora foi você quem fez isso e eu pude sentir.

-Darcy, eu estou realmente com a minha consciência tranqüila em relação à tudo o que eu disse, à decisão que eu tomei. Acho que você e Caroline vem de uma relação estável, iam se casar...acho que merecem uma chance de serem felizes com seu filho que vai nascer.

-Que chance, Lizzie? Que chance? Me diga!Desde o momento que eu pisei naquela boate com Charles, meses atrás, e te vi, mesmo depois de anos, não havia mais chance alguma! Nem para Caroline e nem para nenhuma mulher! Naquela noite que nos reencontramos pela primeira vez, a única coisa que consegui fazer o resto da madrugada foi pensar em você. Em nós dois. Nem no meu quarto eu conseguia ficar! É você que eu quero, é você que eu sempre quis! É você que eu amo!

-Willian, sei está tudo muito recente, mas...

-Lizzie, você não entendeu. Eu amo você e só você. Quando Charles me disse da sua comemoração de hoje, eu fiquei louco imaginando que, se ainda estivéssemos juntos, eu a pediria em casamento nesta noite! Esta seria uma noite só de comemorações, em todos os sentidos. A esta hora você seria a minha noiva! Minha futura esposa!

Elizabeth respirava fundo e percebia que as lágrimas começavam a surgir nos seus olhos castanhos. Respirava mais fundo. Não queria chorar na frente dele. Não queria demonstrar fraqueza. Estava tão certa, tão segura, de sua decisão de terminar tudo, mas o muro de concreto formado no seu coração estava começando a ruir. Estava sendo minado.

“[i] Não!!!Não!!! Eu não posso!![/i]” – dizia ela para si mesma.

Ele apenas a olhava com os olhos em súplica, no meio da sala vazia. Seu rosto tinha uma expressão de alivio e tristeza. Talvez por ter dito tudo que precisava e de sentir a dor de ter que falar sobre sua frustração.

-Lizzie, eu quero ficar com você. Não posso voltar atrás no tempo e desfazer o que eu fiz, não só em relação à Caroline, mas em relação a tudo! Eu não posso! Eu estou aqui apenas lhe dizendo que eu te amo e preciso ficar com você, apesar de tudo.

-Willian, as coisas não são tão simples assim. Eu continuo achando que você e Caroline precisam “se dar” uma chance! Mesmo que não fiquem juntos, essa é uma hora que vocês precisam conversar, organizar suas vidas para o bebê e eu só atrapalharia! E eu não acredito que  de uma hora para outra ,vocês terminam um noivado por telefone, e agora tem um filho a caminho e...

As lágrimas que, antes, ela conseguiu segurar, agora começavam a rolar devagar pelo seu rosto. Willian, que estava ainda no meio da sala se aproximou devagar respirando fundo. Elizabeth apenas olhava para baixo e passava as mãos para enxugar o rosto.
Ela percebeu quando ele estava na sua frente. Olhou para cima e pode contemplar os olhos azuis fixos nela. Tanto carinho, tanta paixão, tanta cumplicidade, tanto amor...

Um soco no peito. Era isso que ela sentia. Uma vontade louca de beijá-lo, de te-lo em seus braços, amando-o... Mas uma voz forte na cabeça mandava-a parar. Mandava-a ser forte, lembrava-a de suas decisões, de seus princípios, de suas razões.
Afastou todos os pensamentos, tanto os emocionais como os racionais...não pensava em nada. Apenas olhava um azul escuro e uma pupila dilatada em sua direção. Apenas via algo alto e grande na sua frente.

Willian sentia as batidas aceleradas de seu coração. O suor brotando em suas mãos. Ela sempre tinha esse efeito sobre ele: deixava-o nervoso, sem reação, como um garoto bobo. Que sentimento forte e gritante ele sentia. Que dor e que doçura sentia agora, com ela na sua frente, com seus olhos cor de madeira, olhando-o fixamente. Um suspiro forte lhe escapou: ele precisava tê-la de volta.

Com um movimento, levou sua mão direita até o cabelo castanho dela, colocando-o atrás da orelha, sem tirar seus olhos dela.

Lizzie levou uma de suas mãos até a nuca dele e começou a fazer seu carinho peculiar nos cabelos curtos dele.

Era isso. Era aquele o momento: um prelúdio para o beijo! Ele mexia em seus cabelos com os olhos enterrados no castanho daqueles olhos e ela lhe fazia o seu carinho preferido olhando para o céu azul em sua frente...

Os corações pulsando, palpitando e o corpo correspondendo àquele momento. Tudo parecia em câmera lenta, ele se aproximando, pronto para beija-la. Sentiu a boca dele roçar na sua para depois enterrar seus lábios no dela. Quanta saudade daquele toque, daquele beijo gostoso...

Foi quando Lizzie sentiu o cheiro forte de chocolate da roupa suja dele que seus pensamentos retornaram. Todos eles. Tanto os emocionais como os racionais. Tudo voltou formando um turbilhão em sua cabeça. Ele tinha a boca cravada na sua e respirava forte, mas ela virou-se saindo daquela situação.

Ele parou e olhava-a atônito, sem entender bem o que havia acontecido e frustrado por isso.

-Darcy, eu estou muito confusa. – disse ela colocando as mãos no rosto – Eu queria estar com você, mas...não acho isso certo, não agora.Você e Caroline talvez só precisem de uma chance, de uma oportunidade para verem que podem ser felizes! Precisam organizar suas vidas com esse filho que vai chegar e acho que um relacionamento comigo, agora, pode atrapalhar isso, lhe trazer problemas. Eu já tomei minha decisão.

Ela respirava descompensada.

-Quero ir para casa. Preciso ir embora.

Darcy abaixou e balançou sua cabeça.

-Lizzie, vou te deixar em casa, não se preocupe. Só quero que saiba que, você é a pessoa que eu amo. Não existe Caroline na minha vida. Vou esperar o tempo que for preciso para ficarmos juntos e saberá que eu não estou brincando quando falo que só você pode me fazer feliz. Eu vou esperar essa criança nascer, dar um jeito na minha vida, mas não vou desistir de você. Nunca mais. Vamos, vou te levar...

-Não. Vou sozinha. Pego um táxi.

-Não, eu faço questão de te levar em casa. Eu te trouxe até aqui e irei te levar.

-Darcy, você está todo sujo e ...- ela olhou para a enorme sala vazia - eu queria muito ficar mais aqui, nessa casa, um pouco sozinha. 

Ela queria ainda olhar, uma última vez, aquela casa. Aquele lugar poderia ter sido o seu lar...

Ele assentiu com a cabeça e com um olhar desolado.

-Tudo bem. Vou subir para esfriar a minha cabeça. Você pode ficar aqui o tempo que quiser.

Ele se aproximou dela e com o polegar massageou seu rosto.

-Não se esqueça que eu amo você. Eu amo você. Pense melhor em tudo.

Respirou fundo e subiu as escadas para o segundo andar deixando-a sozinha naquela sala enorme e vazia.

Aquela poderia ser a sua casa e dele. Começou a olhar para os móveis que estavam desmontados pela sala. Uma imagem veio em sua cabeça dos dois pela casa correndo atrás dos filhos, a família reunida naquele lugar. Os Darcy e os Bennet em meio às suas comemorações com champagne. Aquela poderia ter sido sua casa. Aquele poderia ter sido o seu lugar. Aquela poderia ter sido...

Veio em sua cabeça a noite de amor dos dois no ano novo e tudo que havia sentido. Lembrou-se do natal, dos momentos dos dois...Suas dúvidas eram tão fortes e ela apenas olhava para aquela sala vazia. Ela queria ele. Ele queria ela. Não havia conseguido dizer tudo o que sentia, tudo o que queria. Por que havia saído daquele beijo? Por que não disse que o amava também? Mesmo que não ficassem juntos, ele precisava saber exatamente o que ela sentia.

As dúvidas brotavam em sua mente. Não tinha mais certeza de nada. Apenas queria que ele soubesse que, apesar de tudo, seu amor por ele não havia diminuído, seu amor por ele era o mesmo...

Olhou para cima e viu as escadas que ele havia acabado de subir. Outra dúvida surgiu em seus pensamentos

“[i] Devo ou não, ir até lá? Devo dizer o que sinto? [/i]


 

 






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