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A vaidade ao trabalhar em uma mente fraca é a fonte de todo tipo de discórdia. (Jane Austen)

Quando, quando, quando,... Capítulo 18

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CAPÍTULO 18

 

Charles observava o sofrimento do amigo e sabia, por Jane, o que estava acontecendo com Lizzie. Resolveu, de alguma forma, intervir e ir conversar com a prima. Saiu mais cedo do trabalho e foi na casa dos Darcy onde ela agora estava morando.

-Charles, meu primo! Que bom ver você aqui! Veio ver como meu filho está crescendo?

-Oi, Caroline. Na verdade vim ter uma conversa séria com você.

Ela se sentou e ficou olhando para o primo.

-Caroline, sei de tudo que está acontecendo e sei que essa criança, apesar de muito amada, veio de forma inesperada e em um momento complicado.

Charles andava pelo quarto onde estava conversando com a prima.

- Caroline, apesar de conhecer Darcy há menos tempo que lhe conheço, acho que sei mais coisas dele do que você. Preciso lhe dizer algumas dessas coisas que talvez você não esteja sabendo...

- Charles, o que você sabe que eu não sei? Diga-me!

- Caroline, Darcy não te ama! Ele ama a Lizzie, há anos...antes mesmo de te conhecer e de se envolver com você, era ela que ele amava...e ainda ama! Ele ama a Lizzie e não você!

- Sim. Você acha que eu não sei disso? – disse ela normalmente - Eu sempre soube da existência dela, apesar do Willian nunca tocar nesse assunto, mas nós já tivemos brigas horríveis por causa dela, principalmente depois que eu rasguei e queimei um monte de fotos que ele tinha com os Bennet e com ela. Soube de tudo e sei também que ele ama Lizzie...isso é obvio!

Charles olhava assustado:

- E mesmo assim você quer estar aqui, na casa dele, sem se importar em nada com o fato dos dois estarem sofrendo por causa dos últimos acontecimentos? Mesmo assim você fica aqui, nessa casa, como se nada estivesse acontecendo? Como se ainda fosse noiva dele? Como se fosse a futura “Sra. Darcy”?

-Charles, por favor! Você é meu primo, mesmo? Parece que não me conhece! Acha mesmo que serei uma mãe solteira? Que terei esse filho sem um marido, principalmente sendo ele Willian Darcy, dono de uma das maiores indústrias do Reino Unido? Eu ia me casar com ele, esqueceu? E meu filho não é o resultado de “uma noite”.

-Caroline!! – disse Charles espantado

- Na verdade, pouco me importa se estão sofrendo ou não. Daqui a pouco isso passa e ele vai ver que me ama. Vai amar tanto nosso filho que vai esquecer dela. Eu sei como Willian se importa com essas coisas de família. Ele já conversou comigo e não pretende se casar, mas sei que isso é passageiro. Aliás, ele até se espantou quando eu concordei com isso! Mal sabe ele que outros são meus planos! Depois que essa criança nascer, eu sei que ele vai ceder. Além disso, eu quero e preciso de conforto, não estou nem aí para o que eles estão sentindo...depois que meu filho nascer, isso passa. Eu sei disso.

- Eu não teria tanta certeza em relação a isso...

-Charles, não estou interessada na sua opinião. Eu sei o que estou fazendo.

Charles estava atônito. Que tipo de pessoa falava aquilo? Sabia que a prima não era muito sensata, era impulsiva e ás vezes egoísta, mas isso chegava ao cúmulo! Saiu transtornado da casa procurando Willian. Precisa intervir naquela situação.

Pegou seu carro e saiu de volta para empresa. Como havia saído cedo, poderia encontrar Darcy ainda no escritório. Estacionava seu carro na parte privativa quando viu o amigo seguindo para o carro.

- Darcy!

- Charles, soube que saiu mais cedo. Estava se sentindo mal?

- Não, mas depois da conversa que tive com Caroline, acho que estou com náuseas...

Willian o olhava com dúvida.

- Eu fui falar com Caroline. Darcy, nunca te vi tão mal e sei que Lizzie também não está nada bem. Minha prima é uma estúpida. É horrível dizer isso dela, mas ela não se importa com o que está sentindo. Só pensa nela! Darcy, ela não te ama! Só está interessada em conforto, dinheiro. Você precisa procurar Elizabeth!

- Charles, meu amigo, você acha mesmo que eu não sei de tudo isso? Tivemos uma conversa muito franca assim que Caroline chegou a Londres, no dia que ela me contou que estava grávida. Sei de tudo isso. Quanto à Lizzie, você sabe que ela...ela...achou melhor nos separarmos. Ela desistiu de nós dois.

-Willian, eu não estou acreditando que você irá desistir dela assim tão fácil, como fez da última vez!

- Charles, você ouviu o que eu falei? ELA não quer mais nada comigo... não eu!

-Darcy, sou seu melhor amigo. Você agora voltou a ser o Darcy de antes: quieto, calado, carrancudo, com essa sua cara de poucos amigos, orgulhoso...

-Charles...

O ruivo continuou

-....infeliz!!!!Você fica assim quando não está completamente feliz e eu te digo que quando você está com a Elizabeth, você fica mais tranqüilo, mais amável...você sorri de tudo!! Você fica feliz! Precisa ir conversar com a Lizzie agora! Vamos ao consultório, ao apartamento dela.

-Charles, obrigada pelas suas “observações comportamentais”, mas elas não me ajudam nesse momento. Elizabeth já acabou tudo comigo e eu preciso esperar essa fase passar. Preciso dar tempo ao tempo. Ela está chateada, mas fique tranqüilo: eu não pretendo desistir tão fácil dela. Agora eu preciso cuidar de uma ex-noiva gastadeira e um filho que vai nascer.

-Então você não desistiu da Lizzie?

-Não, Charles, eu não desisti. Eu apenas preciso de um tempo para que tudo se acalme para que eu possa tentar me reaproximar.

Darcy entrou em seu carro e saiu. Bingley sorriu e expirou o ar que tinha nos pulmões e passou a mão nos cabelos. Pelo menos o amigo não ia cometer novamente o mesmo erro de anos atrás. Que vergonha pela prima!

 

 

 

No pub, Lizzie encontrava-se com seu antigo amigo de colégio. Na verdade, não tão amigo assim, tendo em vista que ele tinha sido o responsável por ela não ter aceitado sair com Darcy na primeira vez, quando tinha 16 anos incompletos. Ele, interessado em Lizzie, inventou que seu amigo, Willian, estava namorando escondido com outra menina do colégio. Quando Darcy foi convidar Lizzie pela primeira vez para saírem, ela o repeliu de forma violenta, mas tempos depois viram que tudo não passava de uma mentira de Wickham.

-George Wickham! Quanto tempo! Acho que última vez que lhe vi foi no seu baile de formatura do segundo grau!

Wickham havia se tornado um homem muito bonito, alto, e estava em um terno cinza escuro impecável.

- É verdade! Eu ainda mantenho contato com muitos amigos do colégio. Soube que você agora é médica. Soube também que, de novo, não deu certo com Darcy, não é mesmo? Eu sempre soube. Ele não é homem para você. Nunca foi.

-Nossa, as notícias correm. – disse ela com um sorriso forçado - Se você não se importa, eu prefiro não tocar nesse assunto. Bem, essa é a minha amiga Charlotte e essa é a minha irmã mais nova Mary.

-Boa noite, meninas. Esse trio está chamando a atenção de todos aqui no pub, hein? Eu estava tomando uma cerveja com meus amigos do trabalho – disse ele apontando para uma mesa próxima cheia de homens arrumados como ele - e a vi. Fiquei feliz de ver como você continua a Elizabeth de sempre: linda. Desculpe-me o incomodo, mas posso me sentar com vocês?

Os quatro ficaram conversando e bebendo por algum tempo. Wickham conversava bastante e falava sobre o trabalho como lobista no Congresso. Tinha uma conversa fácil e desenvoltura para falar sobre todos os assuntos. Talvez essa sua característica o ajudasse a desempenhar sua função no trabalho.

Lizzie olhou o relógio e resolveu ir embora. O pub era perto de sua casa e resolveu voltar andando. Charlotte se despediu da amiga combinando de passar novamente em sua casa no dia seguinte. Agora ela ia encontrar com o namorado Collins. Mary pegou um táxi e foi para a casa. Wickham havia se prontificado a levar Elizabeth até a porta de seu prédio para que ela não fosse sozinha. Os dois caminhavam lado a lado pelas ruas

- Então quer dizer que o Darcy voltou para Londres, se envolveu com você, mas estava noivo de outra? Eu sempre tive algumas desavenças com ele. Meu Deus, ele não perde tempo...

-Não foi bem assim, George. Na verdade, as pessoas não sabem metade da história e ficam falando bobagens. Fofocas e mais fofocas. Bem, chegamos no meu prédio. Obrigada pela companhia e ..

-Lizzie, será que nós não podemos nos ver outras vezes? – disse ele de uma vez - Você está solteira, eu sempre tive uma queda por esses seus olhos...O que você acha? Eu te garanto que não estou noivo! – disse ele fazendo uma brincadeira muito da sem-graça

-George, obrigada pelo convite, mas acho que podemos deixar para outro momento. – disse ela com um sorriso amarelo.

- Me desculpe, Elizabeth. Me desculpe por ter sido apressado, mas é que eu sempre tive vontade de sair com você. Fique com meu cartão e ligue quando quiser. Sempre estarei disponível para você. De qualquer forma, eu irei telefonar.

- George, agora eu não tenho estado com cabeça para isso. Quem sabe outra hora? Nós nos falamos. Boa noite.

George, delicadamente, beijou a palma da mão de Lizzie e a fechou, “guardando” o beijo que havia dado.

Ela sorriu pela atitude dele e entrou em seu apartamento. Lizzie tinha ainda a sensação de que estava fazendo algo de errado, mas precisava admitir, George era muito bonito, educado, carinhoso e parecia disposto a conquistá-la.

[i] Pare, Elizabeth! Você e Darcy não estão mais juntos. Você é solteira, livre e desempedida! Pare de achar que algo está errado.[/i]

 

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Jane e Thomas arrumavam suas coisas na sala de reuniões. O dia de trabalho tinha sido puxado e o pai analisava o andamento do escritório. Jane buscou sua bolsa e ia embora de carona com o pai.

-E você, Mary, não vem?

-Não, pai. Amanhã, finalmente, é a audiência que eu tenho e que o Richard é o promotor. A primeira foi um verdadeiro desastre e eu preciso estar preparada.

-Entendo...- disse o pai sorrindo maliciosamente – Você está bem empenhada, hein? – terminou ele em tom de brincadeira.

-Ahn, pai! Pare com isso. Sabe que recusei sair com ele porque não acho isso certo e muito pouco ético. Sem contar que isso mais parece um “complô” dos Darcy: primeiro a Lizzie com o Willian, depois a Jane com o melhor amigo dele e agora eu com o primo? Isso é uma loucura! Só pode ser brincadeira! Nem pensar! O destino não ia me pregar essa peça!

Eles riram e saíam da sala indo embora.

-Mary, você precisa parar de ser tão racional. Isso não está te fazendo bem. A vida dá voltas, as pessoas se conhecem, se reencontram, em diferentes momentos. Talvez esse seja o “seu” momento. Veja, o meu “momento” foi correndo em uma manhã de sábado com a Lizzie no parque, quando conheci meu engenheiro russo. – ela sorriu – Quem sabe o seu não foi em uma audiência com o seu “Coronel”? – disse Jane dando um beijo na testa da irmã e se despedindo.

-Nunca ouvi tanta bobagem em toda a minha vida – disse Mary revirando os olhos.

Algumas horas depois, Mary continuava trabalhando. A mesa cheia de papéis e uma xícara de café eram seus companheiros naquela sala de reuniões. Ouviu alguém bater na porta e foi atender. Era o porteiro do edifício dizendo que havia um homem na portaria que gostaria de falar com ela, mas que ninguém atendeu na recepção do escritório.

-Sim, sr. Jones. É que todos já foram embora. Já passa das dez da noite e todo o prédio está trancado... Mas quem é o homem?

-Ele não disse o nome, apenas que é o “Coronel”.

“[i] Meu Deus, o que ele quer a essa hora? Disse para não nos encontrarmos até o final desse processo! [/i]” – ela bufou, mas sentia uma batida mais forte no coração.

-Mande-o subir, por favor.

[i] Droga! O que ele está fazendo aqui? [/i] – pensou ela se arrumando em frente a um espelho.

Minutos depois, Richard adentrava no andar do escritório dos Bennet. Mary o atendeu formalmente na recepção.

- Olá, Richard! Boa noite. O que o traz aqui a essa hora?

- Precisava conversar com você. É sério.

-Certo. Vamos para a minha sala.

Os dois foram para a sala de Mary e ela se sentou atrás de sua mesa olhando-o. Ela tentava transparecer naturalidade e, ao mesmo tempo, tratava-o de formalmente. Ele, por sua vez, permanecia em pé diante dela com as mãos para trás.

-Mary, eu vim aqui porque....porque...

-Sim?

-Quero muito continuar saindo com você. Muito. – disse ele tirando as mãos do bolso e colocando-as sobre a mesa dela - E não pretendo esperar o final de processo nenhum, mesmo com esse “problema”, em relação a nós dois. Você já expôs os motivos por não querer sair comigo: você continua me vendo como o primo mais velho do Willian, que a conhece há anos, que zombava de você e também não acha certo sair com o promotor que está atuando em um caso seu...

-Richard, você é um homem muito interessante, bonito, inteligente, mas esse momento está complicado para nós...

- Mary, você expôs seus motivos. – disse ele interrompendo - Eu compreendi, eu entendo, mas você precisa me dar a oportunidade para refutá-los: primeiro, a partir de hoje eu não sou mais o promotor do seu caso.

- O que? – disse ela se levantando – Como?

- Sim. Aleguei motivo de foro íntimo e pedi para sair do processo.

- Você está louco? Por que fez isso? Da onde tirou essa idéia?

-Bem, como pode ver, um dos motivos está acabado. Quanto ao outro, eu precisarei de uma resposta sua.
-Resposta? Que resposta? Do que você está falando?

Richard se aproximou com dois passos olhando para os olhos castanhos de Mary. Parou diante dela apenas analisando o rosto claro e delicado, quase de menina, que ela tinha. Suas mãos alcançaram a cintura delgada e feminina na sua frente. Ele a puxou para si e uniu sua boca na dela, colando seu corpo. Os olhos de Mary permaneciam abertos e assustados: ele estava ali, beijando-a! Richard!Richard Fitzwillian!

Ele a cercou com os braços e ela fechou os olhos deixando-se envolver pelos lábios molhados dele que a segurava com força. Permaneceram um tempo se beijando. Mary apenas se deixava levar pelo ritmo que ele impunha. Não sentia o corpo direito, apenas a boca e a língua sedosa que invadia sua boca. O chão havia desaparecido e nenhum pensamento coerente vinha em sua cabeça. Abraçou-o com força, assim como ele fazia.

Tentou racionalizar o que estava acontecendo como sempre fazia, mas estava difícil. O único pensamento que formulou foi mandar ela mesma parar de pensar e se deixar levar por aquelas emoções que ele estava lhe proporcionando. Apenas queria sentir aquele abraço forte e aquele beijo firme.

Isso era algo inesperado e muito interessante: já havia beijado outros homens, já havia namorado seriamente um rapaz que fazia Economia em sua faculdade, mas pela primeira vez, não conseguia ser racional.

Nenhum pensamento surgia em sua cabeça. Antes, por mais estranho que parecesse, podia beijar alguém e pensar na prova que teria, nas matérias que precisava estudar, no que faria no dia seguinte.

Agora, aproveitando aquele beijo roubado, não formulava um raciocínio sequer. Tentou pensar na audiência do dia seguinte e o que veio à sua cabeça foi a sensação forte dele segurando-a. Tentou lembrar da hora que devia buscar seu terno na lavanderia e suas sinapses nervosas a levaram para o movimento leve e gostoso que ele fazia com a boca.

Aquilo estava fora do seu controle e isso era tão bom e tão assustador!

 De repente, ele parou o beijo e a olhou:

-E agora? Eu ainda sou o Richard, primo chato do Darcy, ou sou o “seu Coronel”?

 

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Duas semanas depois...


Já passava das dez da noite e Charles pegava sua pasta e ia em direção à porta de sua sala. Estava um pouco atrasado, mas extremamente arrumado com um terno escuro e uma gravata italiana. Os sapatos brilhavam e ele parecia estar indo para uma festa.
Ouviu alguém bater em sua porta e entrar: era Willian.

-Oi, Charles! Vim falar com você sobre os balancetes da empresa e do produto que venderemos aos japoneses...

-Will, podemos fazer isso amanhã pela manhã? Estou muito atrasado para a...

Willian viu que ele se assustou com o que ia dizer e ficou sem graça.

-Claro, Charles. Amanhã vemos isso. – Darcy percebeu que ele hesitava em lhe falar algo, mas não ia se intrometer nos assuntos particulares do amigo - Não se esqueça que cedo temos aquela reunião com os compradores japoneses. Trate de dormir bem, chegar mais cedo e vir descansado porque vai durar o dia inteiro! O dia será muito cansativo. Sabe como são exigentes, olham cada detalhe do contrato e dos produtos.

A cara de Charles foi de descontentamento.

-Tinha me esquecido completamente disso, Will! Que droga! Me desculpe. Mas fique tranqüilo, estarei aqui cedo com tudo pronto!

-Que foi? Ia sair com a Jane? Se for alguma comemoração importante de vocês dois, é só me avisar que eu dou jeito amanhã.

-Will, não é uma comemoração da Jane... – ele respirou fundo - Me desculpe...- disse ele colocando sua pasta em cima de sua mesa e se sentando – Eu não vou conseguir esconder isso de você.

- O que foi, Charles? O que está escondendo de mim?

-Will, hoje a família da Lizzie está oferecendo uma recepção naquele hotel que almoçamos semana passada com o grupo de compradores holandeses. Antes de ontem, ela terminou a residência e recebeu o título da especialização em Ortopedia.  Seus pais também vão, mas preferiram não comentar nada porque sabiam que você ia querer ir, ficaria chateado, triste. Enfim...eu não consigo esconder isso de você. – ele olhou o amigo.

Willian parou. Seu coração se encheu de alegria por ela. Com certeza, Lizzie devia estar realizada, morrendo de felicidade. Lembrou dos tempos que ele ia ao hospital buscá-la, das noites que passou deitado dormindo na maca, esperando, dos almoços corridos que faziam para que ela voltasse ao trabalho. Ela tinha se realizado profissionalmente. Involuntariamente, sua expressão mudou, demonstrando uma dor e um olhar perdido. Ele se sentou em uma cadeira próxima e olhou para o lado de forma inquieta.

-Will, por favor, não fique chateado comigo. Jane apenas me convidou ontem para isso. Parece que foi tudo arrumado em cima da hora e...- ele relutou em falar.

-Diga, Charles! – disse ele olhando para o amigo. – Ela está com outra pessoa é isso?

-Não, não é isso. Na verdade, a Lizzie não queria que você fosse, entende? Ao mesmo tempo não queria te “excluir” de uma forma mal educada, chamando todo mundo e tirando você. Ela preferiu que nós não comentássemos nada, que você não soubesse.

Darcy respirou fundo e abaixou seu olhar. Bingley se aproximou do amigo

-Will, é natural que ela não queira uma aproximação sua agora, ainda mais em uma comemoração assim. As coisas estão muito recentes entre vocês dois. Ela ainda te ama e, mesmo sendo sua amiga desde a infância, esse não é um momento ideal para lhe convidar para essas festas.

- Eu entendo, Charles, é que...é difícil. Eu gostaria muito de estar lá.

-Will, tudo tem sua hora. Vá para casa e esfrie sua cabeça. Como você mesmo falou, temos uma reunião importante amanhã. Por favor, não fique chateado comigo, com a Lizzie ou com seus pais. Estávamos tentando amenizar as coisas.

-Tudo bem, Charles. Pode ir. Não estou chateado. Eu entendo perfeitamente. Fique tranqüilo. Está tudo bem.

Não estava.

Charles pegou sua pasta, deu um tapa nas costas do amigo e saiu com uma expressão de desalento. Willian foi para sua sala e se afundou em sua cadeira.

Sentia um aperto no peito, uma vontade de abraçá-la, de lhe dar um beijo e desejar parabéns. De lhe dar um presente bonito, de dizer “você conseguiu, meu amor”, de fazer amor com ela naquela noite tão especial em sua vida.

Imaginou como ela estaria vestida, como estaria recebendo os amigos. Lembrou do sorriso largo e iluminado que ela tinha quando estava muito feliz. Que saudade absurda e sufocante! Ficou horas apenas pensando e enlouquecendo em seus pensamentos.

Não agüentava mais. Estava no seu limite.

Mais de um mês já tinha se passado desde a conversa desastrosa dos dois. Ele precisava procurá-la. Ele precisava conversar melhor com ela. Ele precisava deixar tudo as claras. Ele precisava explicar a sua real situação e a de Caroline. Ele precisava lhe dar parabéns. Ele precisava dizer que estava orgulhoso. Ele precisava dizer a amava mais que o mundo. Ele precisava...dela!

Uma grande dúvida surgia em sua cabeça:

[i] Devo ir até lá? [/i]


 

 

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