Citações

Qualquer coisa nutre o amor que já é forte. Mas no caso de uma leve e diáfana inclinação, estou convencida de que um bom soneto irá matá-lo de fome completamente. (Jane Austen)

Quando, quando, quando,... Capítulo 17

  • PDF
  • Imprimir
  • E-mail

CAPÍTULO 17

 


Darcy tentava voltar ao trabalho. Durante os primeiros dias ficava trancado em seu quarto e só saía para trabalhar. Não podia deixar a empresa da família sem ninguém e ele agora era o presidente, tinha muitas responsabilidades. Apesar disso, passava o dia inteiro com um olhar perdido e pensativo. Tentava se concentrar no trabalho, mas estava sendo muito difícil.

A decisão e a conversa com Lizzie fizeram com que voltasse a ser Willian Darcy de tempos atrás: um homem calado, fechado, completamente voltado para o trabalho. Talvez a infelicidade o fizesse ser o Darcy de antes. Talvez só ao lado dela, ele se transformava em alguém alegre e tranqüilo, talvez só ao lado dela soubesse sorrir...Os últimos acontecimentos o haviam modificado.

Charles, Jane, Mary e Georgiana estavam sendo grandes amigos. Richard soube de tudo por Mary e tentava, de alguma forma, ajudá-lo. Ele sabia que também estavam dando apoio à “sua” Lizzie. Os dias passavam devagar e arrastados.

Darcy estava em pé observando a cidade pela parede de vidro do escritório quando sua secretária anunciou que seu pai queria vê-lo.

-Oi, pai. Algum problema lá em casa? Você quase nunca aparece por aqui.

-Filho, vim ter uma conversa séria com você. Esperei passar alguns dias para digerirmos tudo que está acontecendo, mas precisamos conversar.

Willian o incentivou a falar e seu pai começou a andar de um lado para o outro da sala, passando as mãos no cabelo, exatamente como fazia o filho.

-Vou ser direto porque não sei como falar isso de outra forma: você tem certeza absoluta que Caroline está grávida e que o filho é seu?

- Como assim, pai? – ele olhava de forma estranha

-Filho, vocês terminaram esse noivado e, pelo que eu me lembre, a iniciativa foi dela. Passaram dois meses sem saber se estavam vivos ou mortos, sem se falar e agora Caroline volta dizendo que sempre foi sua noiva e que está grávida de um filho seu! Eu estou feliz pela possibilidade de ser avô, mas...e se eu não for?

-Pai, Caroline me mostrou exames de sangue confirmando a gravidez. Ela está mesmo grávida!! Isso é indiscutível. Quanto ao segundo ponto, eu também pensei sobre isso...

- E então?

-Bem, levei em consideração algumas questões. Primeiro, Caroline é praticamente tão rica como nós e a família dela é muito tradicional. Não está atrás do meu dinheiro. Ela sempre foi fiel quando estávamos juntos. Inclusive, era até complicado ela sair de perto de mim ás vezes. Sei que ela viajou com as amigas para o Caribe e ficou fora algumas semanas, mas acho difícil ela ter arranjado alguém nesse espaço de tempo. Sei que ela tem muitos defeitos, mas acho que se realmente esse filho não fosse meu, seria de algum milionário playboy russo e ela estaria lá, atrás dele e não de mim! Duvido que tenha tido um caso com um caribenho nativo sem um tostão.

-Meu filho, nem sempre mulheres assim estão atrás de dinheiro. Status é algo importante para elas!

-Sim, pai, mas Caroline nunca, em hipótese alguma, se relacionou com alguém menos rico do que ela! O ex-namorado é um sobrinho do ex-primeiro ministro e dez vezes mais rico do que eu! Se essa criança não fosse minha, seria de alguém mais rico e ela deveria estar é com o outro, e não comigo. Mas eu pretendo sim, pedir um exame.

-Bem, de qualquer forma, acho que seria prudente que você pedisse um exame de DNA. Veja como ela irá reagir: se hesitar muito, poderemos ter mais dúvidas sobre isso. Caso ela aceite, teremos menos dúvidas...Mas para mim, esse exame deve ser realizado para que tenhamos certeza absoluta.

Darcy passou o resto do dia pensando em como conversar com a ruiva. Sabia que o pai tinha razão.

 

 


Caroline agora havia se mudado para a mansão dos Darcy a pedido da mãe dele e ela prontamente aceitou. Precisavam ampará-la nesse momento da gravidez e ela receberia toda a assistência necessária. Os pais de Caroline haviam telefonado e conversado com Willian, pedindo para apressassem logo o casamento. Apesar disso, ele e a família deixaram claro que nenhuma atitude seria tomada até que a criança nascesse e, para espanto de todos, Caroline aceitou.

“[i] Passei meses atrás do Willian, esperei outros tantos meses para que ele me pedisse em casamento...Com certeza depois que esse bebê nascer, vai ser uma questão de tempo até ele me querer de volta. Serei a mãe do filho dele! É só uma questão de tempo![/i]” – pensava a ex-noiva.

Willian tinha sua casa, mas não deixaria Caroline morar ali. Aquela deveria ser a sua casa e de Lizzie e não de sua ex-noiva. Agora pensava em vende-la, alugar. Não conseguia mais viver ali e resolveu voltar para a casa dos pais. Assim, poderia ficar mais perto do filho que iria nascer e não ficaria naquela casa pensando em Elizabeth.

Chegou em casa, respirou fundo e subiu para o quarto em que Caroline estava. Bateu na porta e ela atendeu:

-Olá! Veio ver como está o nosso bebê? – disse ela arrumando alguns casacos no armário.

-Oi, Caroline. Vim saber do bebê sim... – ele fechou a porta atrás e ficou diante dela com as mãos no bolso.

Ela se sentou na cama e passou a mão na barriga.

-Caroline, precisamos ter uma conversa muito delicada.

-Conversas “delicadas” é que o nós temos tido desde que eu voltei! Vamos, diga logo. Preciso terminar de arrumar minhas coisas nesse armário. Meus casacos de pele não vão caber aqui...

 -Caroline, a nossa situação é delicada e sabe disso. Bem, você, melhor do que ninguém, sabe que éramos noivos, íamos nos casar...

-Claro! Claro, meu amor...

Ela insistia em chamá-lo assim. Não parava de chamá-lo assim.

-... e sabe que ficamos separados por alguns meses até que você voltou dizendo estar grávida. Você viajou, cuidou da sua vida, eu da minha...

-Sim. Mostrei meus exames. Eu estou grávida!

- Durante o tempo que ficamos afastamos eu acabei...eu acabei me relacionando com... com outra pessoa – ele pensou em Lizzie e respirou fundo – e da mesma forma que eu me envolvi você pode ter se envolvido...

-Meu amor, diga logo o que quer, sem rodeios.

-Tudo bem. Você tem certeza que esse filho é meu? Não se relacionou com outra pessoa durante esse tempo?

- Darcy, esse filho é seu! Que idéia mais absurda! – disse ela em voz alta e tendo um  sobressalto - Você mesmo acabou de dizer: éramos noivos, íamos nos casar. Vai me dizer que agora não se lembra de tudo que já fizemos? – disse ela em tom de ironia.

-Eu sei, Caroline. Não estou discutindo “isso”. Quero saber se você não hesitaria se eu pedisse um teste de DNA após o nascimento desse filho? Só para termos certeza se...

-Claro que não hesitaria! Faço quantos quiser! Tenho certeza que esse filho é seu, caso contrário eu não estaria aqui! Apesar de até me sentir ofendida com essa sua “proposta indecente”. Ora, você era meu noivo, não tente fugir da sua responsabilidade! Esse filho é seu e eu espero que você perceba que eu não pretendo ser uma mãe solteira!

-Caroline, eu nunca fugiria das minhas responsabilidades, principalmente em relação a um filho! Nunca! Só quero ter certeza que esse filho é meu. Além disso, não acho uma boa hora nós falarmos ou pensarmos em casamento. Nós vamos fazer o seguinte: vamos esperar essa criança nascer e aí veremos o que fazer...

-É claro que é seu! Darcy, eu não irei forçar você a se casar... – disse ela voltando a arrumar suas coisas no closet do quarto.

-Não?

- Não. Pelo menos não agora. – disse ela com um sorriso malicioso - Saiba que meu pai ficou morrendo de raiva e exigiu que eu só voltasse para a Rússia casada! Com uma bela aliança no dedo. Minha família é muito tradicional e eu espero que você veja o erro que está cometendo. Era para estarmos casados a uma hora dessas! Eu espero um filho seu!  Mas tudo bem, tudo tem seu tempo e eu sei esperar. Não pense que isso é definitivo. Ainda voltaremos a falar muito nesse assunto.

Caroline tinha absoluta certeza que o seu filho era do ex-noivo. Seu plano era permanecer naquela casa se fazendo presente no cotidiano da família, se portando como a atual noiva e futura esposa, como sempre havia se portado. Com o nascimento do bebê, vendo-a tão presente e desempenhando o papel de mãe do seu filho, com certeza Darcy a pediria em casamento. Com certeza ficaria tocado com a situação. Sem contar que seria impossível e horrível ela se casar barriguda. Quando se casasse, precisava estar linda, deslumbrante e não inchada e gorda. Era uma questão de tempo até conseguir o que ela queria. Era só ter um pouco de paciência, assim como ela havia tido anteriormente.

Darcy fechou os olhos e respirou fundo. Ela dizia com tanta certeza, com tanta convicção! De certa forma, estanhou o fato de ela não gritar e espernear exigindo um casamento, mas ficou aliviado em não ter mais uma discussão para bombardear sua cabeça. Saiu do quarto e desceu as escadas. Entrou no escritório e foi conversar sobre o ocorrido com o pai. Explicou à Anthony tudo que havia se passado e as palavras exatas da ex-noiva.

-Filho, ela parece ter certeza de que essa criança é seu filho, mas mesmo assim ...

-Pai, sei que você quer me ajudar, mas pelas circunstâncias, pelas datas, pela convicção de Caroline, esse filho deve ser meu. De qualquer forma, eu vou fazer esse exame. Vamos esperar essa criança nascer e eu providenciarei isso...

Darcy se sentou no sofá do escritório. Anthony se aproximou e sentou ao lado do filho.

-E depois disso, o que pretende fazer? Se você realmente for o pai?

-Já falei o que irei fazer. Ela e essa criança terão todo o meu apoio, minha presença constante. Vou comprar uma casa aqui perto para os dois e estar presente na vida do meu filho.

- Então você não pretende se casar com ela? Pergunto isso porque vocês estavam noivos, agora terão um bebê e ela está morando nessa casa.  E eu sei que é isso que ela vai querer: um grande casamento. A família dela é bem tradicional e já deu a opinião sobre o assunto. Eu e sua mãe pensamos que você ia retomar seu relacionamento com ela e...

-Isso não vai acontecer. – disse Darcy levantando-se do sofá.

Ele foi para o outro lado do escritório com um andar pesado e arrastado e se serviu de uma boa dose de whisky e bebeu um gole. seu olhar também estava pesado e meio perdido.

– Pai, durante esses dias tenho pensado muito na minha vida, nas minhas decisões, nos meus atos, em tudo o que eu fiz. Parece que um “clarão” se abriu na minha cabeça. Depois de tudo que conversei e senti com a Lizzie, eu vejo tudo de uma forma diferente.

-Como assim, filho? No que tem pensado?

- Minha vida afetiva tem sido uma sucessão de erros: primeiro terminei tudo com a Lizzie quando saímos de Londres e a ignorei por todo esse tempo, depois passei anos me divertindo com mulheres que gostavam mais do meu dinheiro do que de mim, fiquei noivo de uma pessoa que não amo e que parece também não sentir nada profundo por mim...

Willian respirou fundo.

- Me casar com Caroline seria mais um erro para esse meu extenso elenco. Eu sei que ela está louca para casar, mas isso não vai acontecer, mesmo ela querendo e a família dela sendo tão tradicional. Eu não quero mais ser esse Willian tão bem sucedido nos negócios, que trabalha como um louco, mas que não tem alguém que o ama ao lado...

-Entendo, filho, mas não fique assim. Eu e sua mãe vamos te apoiar no que você decidir. Vai ser uma briga feia com Caroline e com a família dela você não querer casar, mas estaremos com você nisso. Alías, me desculpe, mas é um alívio ouvir que não pretende se casar com ela. Realmente, você não a ama. Isso é nítido. Sei que você se apaixonou pela Elizabeth de novo, mas daqui a pouco você encontrará uma mulher que vai te fazer feliz e...

- Você ainda não entende, não é? Não me apaixonei de novo por ela...

-Como não? Eu vi o jeito como vocês dois estavam. Ela é uma mulher linda, extremamente inteligente. Qualquer homem se apaixonaria!

- Isso não é paixão, pai...é amor. Eu a amo. Sempre amei. Com todas as minhas forças. Não a amo pela beleza, não a amo pela simples admiração. Eu a amo...porque eu amo. Sem lógica, sem explicação, sem sentido. Eu amo porque é algo que está na minha cabeça, no meu peito, no meu corpo. Sinto isso desde os meus 17, 18 anos, quando comecei a gostar dela, mas quando era mais novo não tinha discernimento, consciência sobre isso.  Passaram-se oito anos desde a nossa separação e aqui estou eu: louco de amor de por ela, louco para estar com ela. Oito anos, e nada mudou. Oito anos e eu ainda me sinto aquele adolescente, que ficava com as mãos suadas, o corpo trêmulo na presença dela. Oito anos com outras mulheres, viagens, amigos, e é nela que eu penso todos os dias. Oito anos e é nela que eu penso quando me deito para dormir. Oito anos é com ela que eu ainda sonho. Oito anos e ainda continuo com ela em mim.

Ele andou para o outro lado da sala. O pai apenas olhava de forma surpresa. Seu filho estava lhe despejando todos seus sentimentos em relação à ela, algo que dificilmente ele faria. Sempre fora tão reservado, tão calado, assim como ele. Tinha dificuldades de se expressar. Percebeu que o filho precisava desabafar, botar tudo para fora e ele estaria ali para isso.

-Sabe, pai, isso tudo é muito irônico. Hoje foi ela quem desistiu de mim, de nós dois. Agora eu entendo, agora eu sei o que ela passou anos atrás quando eu a deixei para trás. Mesmo assim, ela é a mulher com quem eu quero me casar, dividir meus dias. Quero me deitar para dormir e ver os cabelos castanhos espalhados pelo travesseiro ao meu lado...- ele perdeu a voz e respirou fundo.

-Willian, eu sabia que você estava apaixonado, mas não tinha conhecimento de toda essa “intensidade”. O amor de vocês dois é algo... inenarrável, mas sei como se sente. – o pai se levantou respirando fundo e se aproximando do filho olhando-o nos olhos - Era o que eu sentia e sinto pela sua mãe e veja como estamos hoje: casados há anos, com filhos crescidos, felizes. Se é isso que você sente, precisa lutar por ela. Precisa fazer com que ela veja tudo isso. Ela precisa ver todo esse seu sentimento. Mas e agora? Ela terminou tudo. O que você vai fazer, meu filho?

- Esperar, pai. É a única coisa que posso fazer agora. Ela está chateada, ferida. Preciso dar tempo ao tempo, mas não irei desistir dela e o meu amor não vai passar. Já cometi erros demais. Tivemos uma conversa muito séria e eu entendi, eu percebi, o quanto eu a amo. Eu sabia o que estava sentindo, mas o sentimento de perdê-la, de vê-la sofrendo, está além do que posso descrever. Ela é o meu amor. Não irei mais desistir da minha felicidade e me acomodar. Eu a quero para mim.

 

 

 

Elizabeth voltava aos poucos ao trabalho, mas ainda estava abatida e imensamente triste. Não podia abandonar os doentes e sua residência. Tentava ser forte e buscava força nos pacientes e na família. Ela havia tomado uma decisão e não voltaria atrás. Ela não queria se sentir como a destruidora de noivados e muito menos como a mulher que separou um casal que ia ter um filho em breve. Sua consciência estava tranqüila, mas o coração despedaçado.

[i] “Isso vai passar...isso VAI TER que passar...” [/i] – pensava ela.

 

 


Mary trabalhava em sua mesa quando ouviu o telefone tocar:

-Srta. Bennet, é o senhor Richard. Disse que está aqui para conversar sobre um processo. – anunciava a secretária

-Nossa, de novo?

Era a quarta vez durante aquela semana que ele ia ao escritório tirar dúvidas, e todas elas absolutamente banais. Ouviu dois toques na porta e o viu entrando. Mary levantou-se e o abraçou amigavelmente. Bem no fundo, ela estava desconfiada daquelas visitas, mas não podia acreditar que Richard estava interessado nela. Ele era o “primo mais velho do Darcy” que sempre implicava com ela quando criança, que colocava apelidos e a tratava como um bebê.

Hoje, a diferença de idade entre eles era algo normal, mas quando mais nova, o via como um senhor adulto! Não...ele estava apenas querendo retomar a amizade com a família, preocupado com o processo, com o primo...

-Oi, Richard! Que bom vê-lo novamente.  – disse ela sorrindo e saindo do abraço – Sente-se.

-Obrigada, Mary. Bem, eu vim saber se ...se você...

-Sim? Algum problema com o meu cliente? Com o processo?Mais algum adiamento de audiência? – perguntava ela.

-Não, Mary. Nada disso. – ele balançou a cabeça - Eu vim perguntar se você não quer...bem, se você não quer...sair para jantar comigo.

Mary se assustou.

“[i] Jantar? Mas o que um homem como “ele” quer com uma mulher como “eu”? [/i]”

-Jantar? Você, Richard Fitzwillian, quer jantar comigo, Mary Bennet, a desengonçada e franzina que só sabia falar de livros? – perguntou ela achando que aquilo era algum tipo de brincadeira.

Ele riu, mas ela estava séria, incrédula.

-Sim, esse “Richard” que você mencionou quer sair com Mary Bennet, mas não essa que você está falando. O Richard quer sair com a linda, inteligente e espontânea Mary Bennet.

Ela engoliu a seco os elogios e apenas o olhava de certa forma admirada.

-Tem certeza que quer sair...comigo? Eu?

-Ora, Mary! Só você ainda não percebeu que sim. Até sua secretária fica dando risinhos quando eu apareço. Você não vê a mulher inteligente, interessante e bonita que se tornou? Na verdade, eu estou tentando fazer isso nos últimos dias, mas sem sucesso porque você me deixa nervoso.

Mary parou por alguns segundos tentando entender a motivação daquele convite. Não se achava linda como Jane ou com os olhos ou o espírito de Elizabeth. Ela se achava inteligente. Apenas. Será que ele havia enxergado algo a mais justamente nela?

-Eu não sei bem o que dizer sobre isso. É uma surpresa para mim, me desculpe.

-Mary, é só responder “sim” ou “não”...

- Bem, eu não sei.- disse ela olhando para os lados pensando em uma resposta - Acho que podemos marcar alguma coisa na semana que vem...

-Certo! –ele a interrompeu - Eu vou te ligar! – ele sorriu e lhe deu um abraço apertado.

Ele partiu da sala sem falar muito, rapidamente, apenas com resposta “sim” dela na cabeça.

[i] Será que fiz bem em aceitar esse convite! Ele não é qualquer homem! É o “Coronel Fitzwillian” que eu conheço desde criança!”  [/i]


___________________________________________________________

 

Darcy começava a se apegar a idéia de que seria pai. Começou a fazer algumas perguntas a Caroline querendo participar da gestação e do desenvolvimento do bebê, mas sempre ficava travado, contido, pensando que aquele podia ser seu e de Elizabeth.

Havia se passado um mês desde o último encontro dos dois e ele ainda pensava em como poderia ser feliz sem seu sorriso, sem seu cabelo com cheiro de chocolate, sem suas pintinhas nas costas, sem as mãos delicadas que lhe faziam carinho na nuca...

Quando se pegava com esses pensamentos, balançava sua cabeça com força e dizia a si mesmo que precisava esperar. Esperar a poeira baixar, esfriarem a cabeça. Esperar. Ser forte. Anos antes, ele havia desistido dos dois, agora era ela que fazia isso...agora ele sabia como ela havia se sentido há oito anos: sensação de abandono, expectativas cortadas...

Havia decidido voltar para a casa dos pais e ficar por lá até que o bebê nascesse. Colocaria sua casa à venda e depois ia ver o que fazer. Não se importava mais com isso. Na verdade, nada lhe importava. Charles estava tomando conta praticamente sozinho da empresa. O amigo estava aéreo e apático, apesar de comparecer diariamente no trabalho.

Charlotte ficou sabendo por Jane de toda a história e agora ia diariamente no apartamento de Lizzie. Mary sempre passava depois do trabalho. Um mês já tinha se passado desde a conversa trágica e ela ainda estava abatida.

-Lizzie, nós vamos sair. Mesmo que eu tenha que te arrastar para fora do seu apartamento!! Vamos em um pub, nem que seja para beber uma cerveja e voltar para casa! Eu prometo que não levo o Collins!!! – disse ela tentando animar a amiga.

-Ahn, Char...não sei...

-Anda, Lizzie! Eu também vou com vocês. – disse Mary.

-Mary, você não ia sair de novo com o Richard? – perguntou a irmã – Aliás, quem diria. Você saindo com o seu “Coronel”!

-Ahn, Lizzie!!!Pare com isso! Nós já saímos duas vezes, mas nada aconteceu. Eu não consigo. É estranho: eu continuo vendo-o como um amigo da família que passava o final de semana lá em casa e me botava uma porção de apelidos. Na verdade, existe outro fator complicador: ele é o promotor em um processo que eu estou atuando. Ele complica demais a minha vida e quer “tirar o couro” do meu cliente. Não sei se agora é o melhor momento para ter qualquer tipo de relação com ele e, por isso, eu resolvi que não devemos mais sair...pelo menos por enquanto.

-Nossa, Mary! Como você é racional! Coitado do homem! Como consegue ser assim? – respondeu Charlotte.

- Ahn, até nesses assuntos é preciso ser racional. Não gosto de perder a cabeça por homens! Bem, voltado ao assunto da nossa saída: não tem “não sei”, Lizzie. Nós vamos sair. Anda! – aquilo agora soava como uma ordem -  Eu nem vou trocar de roupa, vamos com essa do trabalho mesmo. Vamos só comer e beber alguma coisa, ver gente, conversar sobre bobagens...

Lizzie resolveu ceder e sair com a amiga e a irmã mais nova. Precisava, mais uma vez, seguir com a sua vida e não era ficando em casa trancada que isso iria acontecer. Respirou fundo, pegou sua bolsa e foi ao pub.

Logo se sentaram e Charlotte começou a conversa, sempre se preocupando em não tocar no assunto de Darcy, Caroline e afins. Bebiam suas cervejas e pediam algo para beliscar quando ouviram alguém chamar:

- Elizabeth Bennet! Não acredito que você está aqui!

Lizzie virou-se olhando para o homem que vinha em sua direção:

- Wickhan!!


 

 

Link us







Esqueceu seu login?
Sem conta ainda? Registrar

Conectados

Nenhum

Acessos


Hoje55
Neste mês949
Desde Março de 200976128
Brazil flag 63%Brazil (41263)
United States flag 6%United States (4098)
Portugal flag 5%Portugal (3215)
Russian Federation flag 2%Russian Federation (1337)
Ukraine flag <1%Ukraine (395)
France flag <1%France (297)
Netherlands flag <1%Netherlands (291)
United Kingdom flag <1%United Kingdom (274)
Germany flag <1%Germany (269)
Latvia flag <1%Latvia (149)