CAPÍTULO 13
Elizabeth acordou sentindo alguns beijos e um roçar de barbas nas suas costas.
-Hum....que delícia ser acordada com beijos nas costas...
Willian sorriu e continuou.
- Não estou beijando suas costas, estou beijando suas pintinhas...que agora são “minhas”pintinhas
- Hummmm ...que namorado possessivo eu fui arrumar! – disse virando-se para o namorado.
Beijou seu rosto e sua boca e os dois se abraçaram.
- Como é bom ficar assim com você, Willian. Nem acredito que estamos aqui, juntos.
Ele sorriu e fez um carinho em seu rosto.
-Nem eu acredito que eu estou aqui com você, como minha namorada de novo...
Por um longo momento ficaram apenas abraçados e se olhando.
- Que horas são, Darcy?
Ele olhou as horas no relógio que Lizzie havia lhe dado no Natal.
- Quase onze horas. – disse abraçando beijando sua bochecha. – Dormimos muito pouco. Acho que podemos ficar mais na cama. O que você acha?
Beijou sua boca com paixão logo percorrendo seu pescoço e seu colo com seus lábios.
-Estou vendo que o esse verbo “ficar” foi mal empregado na frase, não? Você não quer apenas ficar....está com outras intenções. – disse ela sorrindo e sentindo sua carícias.
- Srta. Elizabeth, não sabia que gostava tanto de gramática. Sabe, durante meus anos de viagens, aprendi muitos idiomas. Acho que posso lhe oferecer um curso intensivo de línguas – disse zombando de Lizzie que logo ria da brincadeira.
Ele passou a beijá-la de forma gostosa e possessiva. Logo voltaram a se amar naquela manhã sem se preocuparem com as horas. Estavam juntos e aquele era um momento só deles.
Algum tempo depois, Lizzie levantou-se.
-Hey!Aonde pensa que vai? Vai me deixar aqui sozinho?
-Darcy, eu estou louca de fome e precisando urgentemente de um bom banho!
-Hum....idéia interessante...vou com você.
Tomaram um longo banho juntos, conversaram e pediram algo para comer.
O resto do dia passaram na casa de Lizzie vendo tv abraçados e conversando com Jane e Charles que chegaram no final da tarde. Willian havia dito a seus pais que estaria na nova casa do amigo, o que eles não acreditaram porque sabiam onde o filho estaria e exatamente com quem. De noite, os amigos resolveram ir embora. Aquele foi o pior dia para Darcy: deixá-la depois daquela noite de amor e carinho. Sua partida deixou-o irritado e de mau-humor. Queria estar com ela cada minuto, cada segundo...
Lizzie estava nas nuvens e Jane percebeu.
-Meu Deus, que noite você e ele devem ter tido! Pela sua cara... – Jane riu para a irmã
- Ahn, Jane... - ela deu um leve suspiro - Definitivamente, foi a melhor noite de toda a minha vida. Ainda não acredito que tudo isso está acontecendo. E você e o Charles?
- O que tem? - Perguntou Jane sem graça.
- Nem adianta me esconder! Pode falando tudo!
- Ahn, Lizzie, a noite foi maravilhosa, mas eu e Charles não ficamos juntos se é isso que a senhorita quer saber. Você e Willian se conhecem e se amam há anos, já namoraram. Eu acabei de conhecer meu namorado. Não quero apressar as coisas. Ficamos namorando a noite toda, dormimos juntos, bebemos mais um pouco, vimos televisão...foi perfeito! Acho que estou completamente apaixonada por ele. Nunca estive com alguém mais educado e carinhoso...Quem diz que os russos são frios, definitivamente não sabe o que está falando!
O telefone tocou. Era Charlotte que queria saber de todos os acontecimentos da noite anterior e queria contar que tinha marcado de sair com Collins. O telefone estava no viva-voz e as irmãs conversavam com a amiga:
-Charlotte, você enlouqueceu? Sair com o Collins? – disse Lizzie.
Jane ouvia incrédula.
-Ahn, meninas! Ele pode parecer...hum....um tanto quanto...digamos, impertinente.
- Um pouco, Charlotte? Um pouco? Tem certeza que estamos falando da mesma pessoa?
-Lizzie! Pare com isso! Estou com quase 30 anos e há três não namoro com ninguém! Além disso, só vamos sair, não estamos nos casando!
Elizabeth desligou o telefone incrédula. Como Charlotte havia concordado em sair com aquele homem?
- Lizzie, nem todos são iguais ou pensam como você. Nosso primo Collins não é uma má pessoa, não tem vícios e quando quer, sabe ser muito educado.
-Jane, por favor! Ele é ... ele é...
-Deixe ela, Lizzie. Já é uma mulher adulta, sabe o que está fazendo!
As irmãs foram dormir logo depois. A história dos novos casais estava apenas começando.
O mês de janeiro que se seguiu passou depressa e da melhor forma possível . Darcy e Charles estavam aproveitando o período tranqüilo na empresa para analisarem o ativo financeiro, saldando dívidas e estabelecendo novas metas aos funcionários.
O trabalho que havia sido desenvolvido por sua tia era satisfatório, mas não havia se preocupado em modernizar alguns pontos importantes da parte produtiva da empresa, o que ficou a cargo de Charles resolver. Ambos estavam trabalhando muito e passavam o dia inteiro juntos. Tudo estava se encaminhando bem na empresa e melhor ainda na vida pessoal dos amigos. Charles e Willian estavam cada dia mais apaixonados por suas respectivas irmãs Bennet.
Jane agora passava quase a semana inteira na casa de Charles e o namoro estava muito sério. A primeira noite dos dois havia ocorrido há alguns dias e os dois viviam sorridentes e animados. Charles, com seu jeito carinhoso e gentil, havia feito uma enorme surpresa para a namorada enfeitando sua casa inteira com rosas vermelhas e brancas. Levou-a no colo para o quarto e tornou-se o homem mais feliz do mundo ao amá-la naquela noite.
Lizzie, por sua vez, tinha a companhia diária de Willian em seu apartamento. Não conseguiam parar de se amar, de estarem juntos. Seus pais já sabiam do relacionamento e os jantares e almoços em família estavam se tornando mais freqüentes apesar das irmãs evitarem devido às perguntas inconvenientes de Fanny : “quando será o pedido oficial?” “Aonde pensam em ir morar?” “Está ganhando bem?” . Apesar disso, a vida seguia normal.
Georgiana se adaptava ao novo colégio e já estava se preparando com Lizzie para ingressar na faculdade de Medicina. Ás vezes a acompanhava no hospital visitando pacientes, via algumas de suas cirurgias, ajudava Lizzie no consultório. Sempre foram amigas, mas a paixão das duas pela profissão estreitava esse laço a cada dia. Jane e Mary, por sua vez, passavam o dia inteiro juntas no escritório. A irmã mais nova era muito estudiosa e mais agressiva do que Jane nas audiências.
Thomas e Anthony Darcy agora viviam viajando com suas esposas. Se não estavam na casa de campo dos Bennet, estavam na casa de campo dos Darcy. Este estava aposentado e apenas ajudava Willian em algumas questões da empresa. Já o sr. Bennet estava aos poucos se distanciando do escritório, deixando Jane e Mary a frente de tudo. Tinha total confiança no caráter conciliador da filha mais velha e na agressividade e força da mais nova.
Charlotte ainda estava saindo com Collins, o que era um choque para as irmãs: como ela conseguia aturá-lo? Depois que os três casais saíram juntos, muito a contragosto de Willian, puderam perceber que Charlotte era a mais forte da relação e sempre calava o namorado ou mandava-o parar com as perguntas e comentários inconvenientes. Lizzie se lembrou de seu pai e de sua mãe que eram assim, mas ao contrário: o pai era o mais sensato e a mãe a mais inoportuna. Pareciam estar se entendendo aos poucos, assim como seus pais, para espanto de Lizzie.
Durante esse tempo, Darcy não tinha tido qualquer noticia da ex-noiva. Não era mais apaixonado por ela, mas estava preocupado. Ela não tinha ligado mais.
Ele a procurou inúmeras vezes para conversarem e resolverem tudo, mas em sua casa sua mãe desconversava e dizia que a filha estava extremamente atarefada, cuidando de sua loja e que agora estaria abrindo filiais em outros lugares e por isso estava buscando novos fornecedores, novas marcas, mas assim que pudesse, pediria para ela entrar em contato.
[i]“Bem, pelo menos se apegou ao trabalho e está tudo bem... mas ela nem me ligou, nem deu notícias...isso é bem típico dela, quando quer...”[/i]
-Willian Darcy, o senhor pode me explicar o que é isso? O que está fazendo?
Lizzie andava com dificuldade.
Willian havia passado mais cedo em seu consultório e “raptado” a namorada. Disse que precisava urgentemente dela. No meio do caminho colocou uma venda em seus olhos e estava levando-a para algum lugar.
- Calma que você saberá. – disse ele rindo da situação e do nervosismo dela.
Lizzie sentiu que o carro havia parado. Ouviu a porta do motorista se abrindo e fechando e logo depois a sua. Darcy segurou em suas mãos e a ajudou a sair do carro. Tirou a venda dos olhos dela.
Estavam diante de uma casa muito bonita de dois andares de cor creme com um pequeno jardim na frente. Lizzie reconheceu como sendo aquele o condomínio onde Darcy morava com os pais.
-Willian!Que linda! Seus pais compraram? Vão se mudar da antiga casa?
- Não...
- Hum....mas quem então?
- Eu!!
-Você?
-Sim. Você gostou? - Disse abraçando-a pelas costas
- É linda! Maravilhosa!
- Eu ainda não fechei negócio porque queria saber a sua opinião.
-Minha opinião?
-Sim, a sua opinião. – disse ele sorrindo - Venha, você precisa ver por dentro.
Seguiram e adentraram na maravilhosa casa. Darcy ia mostrando cada cômodo, a cozinha, os banheiros, o jardim interno, a piscina. Falava com entusiasmo aonde pensava em colocar seu escritório, o quarto de hóspedes, o deque que pretendia construir próximo à piscina.
Estavam no meio da sala principal terminando o tour pela casa. Ele a segurou pelas mãos e lhe deu um leve beijo.
-Lizzie, sabe que eu adoro ficar com você, não é mesmo? Esse mês que passamos juntos foi perfeito, maravilhoso e a cada dia que passa, é mais difícil ter que ir embora da sua casa ou deixá-la ir embora da minha. Vou vir morar aqui sozinho, vou montando as coisas com calma, mas quero que fiquemos mais juntos...Não estou dizendo para morarmos juntos ou casarmos agora, já, porque sei que está tudo muito recente...estou apenas dizendo que, assim como Charles, comprei essa casa já pensando em algo para o meu futuro...para o nosso futuro...quero que essa seja a nossa casa.
-Meu amor, eu concordo que tudo está muito recente e entendo perfeitamente como se sente. Cada dia é mais difícil me despedir de você. – disse ela sorrindo.
Passaram a se beijar no meio da sala da casa que Darcy havia imaginado que os dois morariam com seus filhos. Ele já pensava nos jantares que dariam para os amigos e familiares, imaginava seus pais e os de Lizzie na sala conversando, o quarto que dividiria com ela, os risos de seus filhos correndo pela casa. Esta seria a casa que eles iriam morar após pedi-la em casamento.
[i]“ Quando, quando, quando devo pedi-la em casamento???”[/i]
Na última semana Darcy fazia essa pergunta a si mesmo todos os dias. Com Caroline havia sido tão fácil, tão comum, mas Lizzie era diferente. Precisava que tudo saísse perfeito, que fosse um dia impecável, um momento inesquecível....
[i]“Vou esperar mais um ou dois meses. Enquanto isso, vou montando nossa casa. “Nossa” casa....”[/i]
Aquela era uma época de calmaria. Tudo parecia encaminhado e tranqüilo.
Mas algumas coisas estavam prestes a mudar...














