Capítulo 10
Abriu a porta com um sorriso iluminado e feliz. Ele estava parado na porta de seu apartamento com as mãos no bolso e também sorrindo para ela. Ficaram se olhando perdidos.
-Então...não vai me convidar para entrar?
Lizzie sentia seu coração batendo forte no peito. Ele entrou logo depositando um beijo em sua boca. Percebeu que ele passava de tempos em tempos a mão no cabelo e ela sabia que esse era seu sinal de nervosismo. Ele a abraçou com carinho e sentaram-se no sofá da sala ficando um de frente para o outro.
Darcy se aproximou fazendo um carinho leve em sua nuca e olhando para ela. Lizzie fechou seus olhos para sentir o toque gentil e gostoso dele.
-Percebi que está usando a pulseira que eu te dei no último natal que passamos juntos. Eu não me esqueci... e vejo que você também não.
Ela apenas sorriu. Percebeu quando ele se aproximou para lhe beijar de novo.
-Willian...-ela interrompeu - sabe que estamos juntos há poucos dias e que esse tempo tem sido maravilhoso para mim. Cada momento com você, cada beijo que damos, me faz lembrar de detalhes e de coisas que eu pensei ter esquecido, mas vejo que tudo está na minha memória e isso está acontecendo com o amor que eu sentia e sinto por você. A sensação que tenho é que ele estava dormindo dentro de mim e quando você voltou, ele resolveu despertar e, cada vez que você me beija, me abraça, ele se torna mais pulsante, mais vivo. Tive muito medo e receio de voltarmos a ficar juntos...
Ele não disse nada. Ficou olhando seus olhos como se concordasse com cada palavra. Chegou mais perto dela e segurou suas mãos e ainda olhava para seus olhos.
Lizzie continuou:
- Parece que vivo a nossa vida de anos atrás, mas com meus 26 anos e minhas novas responsabilidades, mas sinto o mesmo sentimento e as mesmas sensações que experimentei com você naquela época. Isso é tão louco...
Sentiu seus olhos castanhos começaram a ser tomados pelas lágrimas. Pegou o pequeno embrulho que estava sobre a mesa e entregou a Willian que o abriu e se deparou com o relógio.
- Esse presente é para você lembrar que nosso tempo voltou. Sinto que nossa história está apenas começando, mas repleta de lembranças maravilhosas e quero que isso fique marcado. – pegou o relógio e virou-o mostrando a frase escrita atrás:
“te amo para sempre”
Ele não podia acreditar. Um sorriso largo e brilhante apareceu no seu rosto e ele percebeu os olhos dela molhados pelas lágrimas. Tomou-a em um abraço sufocante de tão forte e apenas sentia no peito o que o Charles havia lhe dito antes: ela era a mulher da sua vida. Isso era um fato terminado, acabado, definitivo.
[i]Tão meiga, tão carinhosa, tão bonita, tão...tão...[/i] - ele perdia as palavras...
O carinho e o amor que sentia por ela era o que pulsava nele. Era o que o fazia trabalhar com alegria, com paixão. Era o que o fazia acordar feliz e tranqüilo. Era o que fazia ficar angustiado de saudades. Era o que fazia ele ter grandes planos para sua vida. Era o que fazia ele sonhar com uma casa e crianças e era o que fazia seu coração bater com tanta força.
-Lizzie, você sabe exatamente como me sinto em relação à você. Só não concordo quando diz que estamos juntos “há alguns dias”. Estamos juntos há anos, desde quando me apaixonei por você, desde quando me declarei e você me recusou, se lembra? – disse com olhar perdido.
Lizzie deu um leve sorriso e lhe deu um beijo lembrando da declaração desastrada de Willian quando ela tinha quase 16 anos e de como o recusou porque um colega do colégio, George Wickhan, que também era apaixonado por ela, disse que ele estava saindo com outra menina.
Darcy colocou a mão no bolso do paletó e retirou a pequena caixa. Ela viu o anel de pedra e diamante e por dentro, a frase escrita como em uma aliança
“te amo para sempre”
Os dois riram da coincidência. Tanto ele como ela mandaram escrever a mesma frase em seus presentes. Ele logo a puxou para um beijo forte e apaixonado.
- Lizzie, nunca vou parar de te pedir desculpas. Quero resolver logo minha situação com Caroline. Esta semana vou ligar para ela e, se for preciso, irei até Moscou falar frente a frente. Eu quero que fiquemos juntos e esse noivado foi uma maluquice da minha cabeça. Quando meu pai me disse que estava voltando para Londres, passei meses pensando em como te encontraria, que roupa usaria, os lugares que freqüentaria, quem seria seu namorado ou com quem você estaria saindo. Acho que precisava me assegurar que não te amava mais e que tinha te esquecido...
Ele a abraçou e fez um pequeno carinho em seu cabelo:
- Sei que parece abominável o que irei dizer, mas acho que pedi Caroline em casamento totalmente movido pela insegurança, pelo medo de você, de mim... não sei. Gostei dela um dia, mas isso nem se compara com o que sempre senti por você.
Lizzie não queria ouvir mais nada. Tinha certeza que os dois se amavam e que eles deviam ficar juntos e, agora, depois de anos perdidos, nada iria atrapalhá-los. A situação dos dois ainda era delicada porque, para os Bennet, ele ainda era noivo de Caroline apesar de saberem da iminência do término da relação. Anthony Darcy havia conversado com o amigo sobre o problema do filho, mas não havia comentado nada sobre Elizabeth.
Willian tirou o paletó e os dois deitaram-se no largo sofá que ficava na sala. Ambos estavam de frente um para o outro, deitados de lado e Lizzie encostava a ponta de seu nariz na ponta do nariz dele. Ele acariciava sua nuca e seu cabelo e dava-lhe beijos no rosto e às vezes roçava sua barba em sua bochecha, demonstrando todo o seu carinho. Ela colocava a mãos por debaixo da camisa dele tocando a pele das costas fazendo com que ele ficasse arrepiado a cada momento que suas delicadas unhas deslizavam por aquele vasto terreno. Ela podia sentir sua respiração forte e o cheiro do perfume marcante que ele usava.
Passaram o resto da madrugada assim, entregues aos carinhos delicados e aos beijos demorados e molhados que trocavam. Queriam estar próximos e queriam se curtir o máximo possível. Aquele era um momento de cumplicidade, carinho, afeto, de troca, de sensações...
Lizzie sentia desejo e uma verdadeira necessidade em estar com ele e percebia que, a cada dia, Willian a segurava com mais força, beija-a com mais ardor...
Lembrava-se de todas as vezes que estiveram juntos como homem e mulher, quando eram namorados, e de como descobriu o prazer e as inimagináveis sensações que só ele havia lhe proporcionado. Sentia saudades de senti-lo, sentia saudades de vê-lo absolutamente entregue quando se amavam. Esse momento se aproximava, e ela sentia isso, assim como ele, mas não queriam apressar nada. Precisava ser na hora certa, no momento certo...precisava ser perfeito, como sempre havia sido...
As primeiras luzes do dia surgiam e eles ainda continuavam deitados no sofá se acariciando e se beijando. Ouviram um barulho de chaves na porta. Era Jane que havia acabado de chegar e que estava muito feliz comentando que Bingley havia comprado uma enorme cobertura em um prédio perto da casa dos Darcy. A casa era maravilhosa e estava com alguns móveis que o namorado já havia comprado para se estabelecer definitivamente no local. Contava sobre a noite maravilhosa que havia passado com ele conversando e analisando o apartamento, bebendo champagne em comemoração ao pedido dele e de como ficou surpresa com a atitude de Charles em pedi-la em namoro na noite de Natal. Lizzie ouvia tudo junto a Darcy com cara de contentamento sem querer demonstrar para a irmã que já sabia de tudo aquilo. Jane subiu cantarolando para seu quarto para tentar dormir algumas horas.
Willian resolveu ir para sua casa, mas já estava pensando quando poderia vê-la novamente e determinado a terminar tudo com Caroline. Queria Elizabeth como sua namorada e não ia mais esperar por isso.
Darcy chegou em casa e foi em direção ao quarto de hóspedes que ocupava quando ouviu sua mãe:
- Willian, onde você se meteu? Nem nos acompanhou de volta para casa.
-Bom dia, mãe. Er...bem...eu ...
-Estava com ela, não?
Darcy suspirou e olhou para a mãe que já mostrava saber exatamente aonde e com quem ele havia passado a noite.
- Acho que agora você já pode voltar para seu antigo quarto, não é mesmo? –
perguntou Anna sorrindo.
-É verdade, mãe....não tenho mais medo das minhas lembranças. – lembrou-se de que trocou de cômodo quando chegou a Londres, pois seu antigo quarto era o local com mais lembranças da ex-namorada.
Partiu para seu quarto antigo ainda inebriado pelos carinhos, pelo toque e pelo cheiro dela. Dormiu extremamente bem.
O Natal havia passado e as irmãs agora iam ao shopping comprar algo para a festa de Ano Novo. As festas de final de ano na casa dos Bennet realmente eram as melhores, superando, inclusive, as de Natal. Todos os anos, faziam questão de montar no jardim atrás da casa uma verdadeira tenda como um salão de festas.
Fanny adorava cuidar de todos os preparativos e sempre contava com a ajuda das filhas para organizar o evento e receber os convidados.
Esse ano seria especial para Lizzie porque estaria com ele de novo, apesar de ainda não ter conversado com seus pais sobre o que estava acontecendo entre ela e Willian.
Thomas e Fanny sabiam que ele ia terminar o noivado e estavam desconfiados de uma possível volta da filha com o ex-genro, mas preferiam não comentar nada na frente dos outros, apesar da esposa viver aos gritos dentro de casa entusiasmada com o retorno do casal, de como seria maravilhoso unir as duas famílias e que sua filha tinha sorte porque Willian era rico e de boa família. Bobagens que Lizzie fingia não ouvir assim como suas irmãs e seu pai.
[i]“Essa vai ser uma semana decisiva. Willian vai conversar com Caroline e colocar um ponto final na relação. Acho que já poderemos nos apresentar como casal na festa de ano novo....”[/i] – Lizzie pensava sorrindo.
Willian estava em casa e conversava com o pai sobre questões da empresa e sobre o assunto que mais o interessava: ia ligar para Caroline para que pudessem dar um ponto final na relação. Viajaria para Moscou se fosse preciso. O pai o encorajou desejando que logo ele pudesse se entender com Elizabeth e esclarecer tudo aos Bennet.
Era a segunda vez que ele ligava, mas o celular de Caroline estava novamente desligado e em sua loja ninguém sabia de seu paradeiro. Apenas informaram que há dias ela não aparecia e que quem estava tomando conta de tudo era sua mãe. Willian não ia desistir. Ligou para a casa dela.
- Sra. Sarah Bingley?
- Willian? É você?
- Olá. Como vai a senhora? Como passou o Natal? Gostaria de saber se Caroline se encontra. Preciso muito conversar com ela.
- Nosso Natal foi um tanto quanto solitário. Quanto à Caroline, imagino que vocês precisam conversar mesmo. Ela está muito rebelde. Antes de você ir para Londres ela já estava assim. Você imagina que ela disse para mim e para o meu marido que não tinha mais noivado nenhum, que estava tudo acabado, que você não era o homem da vida dela, que ela ia viver a vida e que estava indo viajar com as amigas para uma ilha particular no Caribe? Saiu há dias sem dar uma explicação, quase não nos telefona e quando liga está com os amigos na praia, bebendo, se divertindo... o que está acontecendo? Vocês brigaram?
Willian podia sentir o ar de preocupação pela voz da mulher, mas estava demasiadamente feliz para pensar em qualquer coisa. Apenas sorria com toda a sua força. A vontade que tinha era de dar um grito de felicidade e muitas gargalhadas.
[i]“Ela mesma disse que não tem mais noivado. NÃO ACREDITO!”[/i]
Willian sabia como Caroline era impulsiva e determinada. Às vezes essas suas características eram usadas para algo bom, mas quase sempre eram aplicadas para algum capricho ou teimosia. Porém, ele sabia que realmente as coisas estavam muito estranhas. Ela não largava do seu pé, vivia atrás dele e de uma hora para outra desaparece, diz aos pais que não quer mais saber de noivado e viaja com as amigas para uma ilha no Caribe?
Alguma coisa estava errada.
Ainda ficou longos minutos conversando com a ex-sogra que não se conformava com o término repentino do noivado e insistia em dizer que tudo não passava de um grande mal entendido, que a filha só estava com amigas e passando por um momento de rebeldia e que logo retornaria para esclarecer tudo.
[i]“Honestamente, não me importo. Agora sim, posso ficar com a minha Lizzie...”[/i] - pensou
Willian explicou para a mãe da ex-noiva tudo o que havia acontecido. Agora, ele tinha absoluta certeza que Caroline não queria mais aquele noivado. Ela mesma havia dito para os próprios pais que não tinha mais compromisso nenhum. Tinha ido viajar com as amigas e desmanchado tudo.
Saiu correndo pela casa feito uma criança e contou ao pai tudo o que havia ouvido da mãe de Caroline.
-É filho, parece que acabou mesmo, mas tome cuidado. Sabemos muito bem como é a sua ex-noiva e do que ela é capaz de fazer quando coloca uma coisa na cabeça.
Willian mal ouviu o pai. Estava decidido a ter sua Lizzie de volta, por completo. Ela seria sua namorada e mesmo se Caroline voltasse, ele não ficaria com ela. Estava mais tranquilo: a ex-noiva tinha visto a loucura que haviam feito, tinha terminado tudo e já estava de volta à sua vida de viagens e consumismo. Até sua loja ela havia deixado para viajar! Caroline já seguia sua vida normalmente e agora ele é que faria isso: agora sim poderia tê-la só para ele.
Agora sim, Lizzie seria só sua....














