CAPÍTULO 8
Willian e Charles esperavam as irmãs na porta do apartamento. Estavam na rua, encostados no carro discutindo como havia sido difícil sair da casa dos Darcy sem levantar suspeitas. Eles iriam jantar com os Bennet em um restaurante e queriam a companhia do filho e do amigo, mas Charles depois acabou dizendo que iriam a um Happy Hour com os novos amigos do trabalho e que isso seria importante para a empresa porque agora eles eram os chefes e precisavam se integrar com os funcionários.
Estava cedo demais para falar com os pais sobre Caroline e sobre o que havia acontecido entre ele e Elizabeth.
Darcy havia pensado muito sobre a conversa que havia tido com o amigo mais cedo, quando ele afirmou que Elizabeth era a mulher de sua vida. Ele sabia que estava, novamente, apaixonado por ela. Muito apaixonado. Perguntava-se se, realmente, algum dia deixou de estar apaixonado. Talvez esse sentimento tivesse ficado “dormindo” no seu coração. Começou a se lembrar de tudo que haviam vivenciado e de como sentiu a falta dela falta todos aqueles anos, de como havia guardado fotos dos dois juntos, de como lembrava do seu cheiro, do seu toque, do seu sorriso. Sim, ele a amava. Amava muito. E sim, ela era a mulher de sua vida.
Como não havia feito essa reflexão quando pediu Caroline em casamento? Lembrou-se do pedido que havia feito durante um jantar dos dois. Na verdade, não um pedido em si, pois ele apenas concordou com a idéia que ela havia sugerido de se casarem. Estavam juntos há algum tempo, já tinham suas vidas, seu dinheiro. Seria o natural, o normal a se fazer.
Com Lizzie não era assim. Não era apenas “natural”, não era algo “que se deveria fazer”.
Era completamente diferente.
Era um fogo no coração e no corpo, uma paixão forte, uma saudade reprimida, uma vontade de estar junto sempre, de beijá-la, de sentir o carinho dela na sua nuca, de enterrar seus dedos nos cabelos castanhos com cheiro de chocolate, de acordar com os cabelos escuros dela no peito... para sempre.
[i]“Charles tem razão. Tem toda razão.” – pensava ele.[i]
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As irmãs ainda se arrumavam e Charlotte havia acabado de ligar confirmando sua presença e de sua família na festa de Ano Novo, mas estaria muito ocupada nos próximos dias na empresa do pai, onde trabalhava. Era uma família de comerciantes e essa época de Natal era a de maior movimento na rede de lojas da família. Estaria consumida pelo trabalho.
Lizzie se arrumava, pensando em tudo que estava acontecendo. Apesar de estar alegre, havia algo incomodando: estava saindo com Darcy, mas sabia que ele ainda não havia colocado um ponto final no seu relacionamento. Isso estava furtando sua alegria plena. Ele havia lhe explicado tudo, mas mesmo assim, era como se algo não estivesse certo.
Estava com um vestido tomara–que-caia verde escuro, os cabelos soltos e os olhos mais escuros pela maquiagem. Jane, com sua beleza etérea, estava deslumbrante em um vestido azul claro com alças finas e os cabelos soltos caindo sobre os ombros. A maquiagem leve e a pequena bolsa de mão eram tudo que ela precisava para parecer a mais bela das mulheres.
- Lizzie, estou um pouco nervosa. Pouco não, muito nervosa. O beijo de hoje, me deixou...me deixou....
- Apaixonada! - Disse Lizzie sorrindo para a irmã enquanto borrifava o perfume que usava desde os 14 anos na nuca e nos braços.
-Ahn...não sei. Há anos não me sinto assim. Sabe que meu último namoro sério terminou há um ano. Na verdade, acho que nunca me senti assim. Ele me deixa descompensada, estranha, vulnerável, mas, ao mesmo tempo, segura, amparada.
- Bem vinda ao clube, minha irmã. Agora você entende exatamente o que Darcy faz comigo. Aliás, o que sempre fez comigo. Sabe, tenho muito receio. Receio de que as coisas se percam, que mudem, assim como aconteceu anos atrás. Que, novamente, tudo acabe. Acho que estamos indo rápido demais, ele ainda não terminou mesmo esse noivado...
-Lizzie, é a primeira vez em anos que vejo você falando uma bobagem. Darcy lhe assegurou que o noivado está terminado, que só falta um anúncio oficial aos pais e, principalmente, ele gosta de você. Mesmo que ela volte, ele quer você, não ela. Sei o quanto sofreu quando os Darcy foram embora, mas ele voltou para ficar e pelo que observei, não perdeu aquele olhar apaixonado e babão que só ele sabe dar para você...
-Sim, Jane. Eu também já percebi os olhares dele. – disse Lizzie sorrindo - Vamos logo porque eles devem estar esperando.
As irmãs saíram colocando seus casacos e pegando suas bolsas.
Desceram as escadas que davam para a porta principal e avistaram os amigos conversando. Os dois estavam lindos.
Os amigos conversavam distraidamente quando ouviram a porta principal se abrir.
Estavam esperando as irmãs Jane e Elizabeth Bennet e não duas miragens que vinham na direção do carro.
Estavam deslumbrados. Willian reparava no balanço do vestido de Lizzie enquanto ela descia os poucos degraus e de como ele valorizava seu colo, seu pescoço fino, delicado e delineava suas curvas . Os olhos...ahn, os olhos...que olhos. Seus olhos.
- Cada vez mais ela me surpreende...- disse para si mesmo em um sussuro.
Charles também estava babando. A pele branca e macia de Jane era coberta pela malha delicada do vestido azul e o rosto estava levemente maquiado.
[i]“Vai ser difícil eu me segurar essa noite...”[i]
Darcy foi na direção de Lizzie e a agarrou pela cintura dando-lhe um beijo de tirar o fôlego. Elizabeth não esperava um beijo daquele jeito: possessivo e dramático.
-Meu Deus, o que é isso? – disse ela desvencilhando-se dos braços fortes de Darcy e ouvindo a risada de Charles e da irmã que vinha logo atrás.
- Eu te avisei mais cedo que queria que me beijasse assim quando nos encontrássemos, não se lembra? Mas, além disso, não agüentei ver você assim, tão linda, só para mim.
Segurou-a novamente e a beijou de novo. Lizzie correspondeu colocando suas mãos nas costas largas dele e já esperando ouvir as risadinhas do outro casal, mas não ouviu nada, nem um barulhinho.
Parou o beijo e viu sua irmã e Charles juntos, se beijando da mesma forma com que ela estava fazendo com Darcy.
[i]“Minha irmã está perdida...” [i/]
Os casais entraram no luxuoso carro de Darcy e rumaram para o restaurante.
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Darcy e Lizzie passaram todo o percurso de mãos dadas e quando ele precisava passar a marcha de seu veículo, logo retornava com seus dedos, que se entrelaçavam nos dela.
Jane e Charles iam atrás abraçados.
- Então, Dra. Elizabeth Bennet, quando poderei voltar a dirigir? Não agüento mais depender do mau humorado do Will para me dar carona. Como agora vou ficar em Londres, preciso comprar um carro e me acostumar com esse trânsito invertido pela mão inglesa. Além disso, preciso começar a ver um apartamento. - terminou a frase olhando para Jane.
- Charles, isso depende de você e sua dor. Como só teve uma torção leve, deve ir voltando aos poucos. Pelo que você me disse, não tem mais usado as muletas e seu pé não ficou inchado.
- Sim, meu pé já está ótimo! Eu quero voltar a fazer todas as minhas atividades, e logo!
-Fico feliz em saber que você quer se estabelecer em Londres. – disse Lizzie
- Claro! Meu emprego agora é aqui e meus interesses estão aqui – olhou de novo para Jane . - Vou deixar minha casa e minhas coisas na Rússia, do jeito que estão, com meus tios cuidando de tudo para mim. Enquanto isso, vou começando minha vida aqui. Depois penso no que fazer com minhas coisas. Nada me prende lá.
Em outro restaurante da cidade
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O jantar dos Darcy e dos Bennet era o mais alegre possível. Os dois se abraçaram forte como grandes amigos que eram. Anna e Fanny não se seguraram como seus maridos e foram às lágrimas. Georgiana estava enorme e Mary não era mais uma adolescente e sim uma mulher que já era uma advogada e trabalhava muito. Não paravam de conversar sobre tudo que havia acontecido durante todos esses anos afastados. Apesar de sempre se falarem pelo telefone, nada se comparava a estar ao lado dos velhos e grandes amigos.
-Que pena que Charles e Willian não puderam vir. Sei bem como são essas coisas de trabalho. – disse Thomas.
- Pois é, parece que eles iam a um restaurante fazer uma espécie de integração com os funcionários. – disse a Sra. Darcy – E Lizzie e Jane? Por que não vieram?
- Ahn... nem me fale naquelas duas. Disseram que hoje teriam uma festa de final de ano do trabalho da Lizzie e que havia sido uma fortuna o ingresso e que não podiam deixar de ir. Mas fique tranqüila que no fim de semana, na nossa festa de Natal, elas comparecerão!
Fanny terminou sua frase e teve um estalo: [i]“que estranho...”[i/]
Olhou para a sua amiga que estava sentada na sua frente. As duas se entreolharam com olhar desconfiado e logo foram seguidas por seus maridos nos olhares desconfiados.
Aquilo estava esquisito. Jane e Lizzie não perderiam a companhia dos Darcy após oito anos de separação e logo naquele dia os rapazes resolvem ir em um Happy Hour do trabalho?
Os quatro se olharam já desconfiando do que realmente podia estar acontecendo. Sabia que Jane, Willian e Lizzie, quando mais novos, eram “organizados” e muito unidos quando queriam esconder alguma coisa e parecia que agora eles haviam ganhado um reforço com Charles Bingley. Mary e Georgiana nada perceberam porque não paravam de conversar por um segundo.
[i]“Amanhã preciso ter uma conversa séria com Willian...”[i/] – pensou Sr. Darcy, sem saber dos últimos acontecimentos.
O jantar dos dois casais havia superado qualquer expectativa. A noite estava agradável com conversas e carinhos em meio à boa comida e ao vinho tinto que bebiam. Darcy, apesar de ser um homem muito sério e, muitas vezes, distante, parecia outra pessoa. Ele não tinha qualquer reserva quando estava com ela, com “sua” Lizzie. Sempre beijava sua mão, sorria , perguntava se estava gostando do lugar, da comida. Ela, por sua vez, estava se sentindo uma verdadeira princesa, cheia de mimos e carinhos.
Charles estava inebriado com toda a beleza de Jane. Ouvia com atenção tudo o que ela dizia e mais escutava do que falava. Perdia as palavras quando estava ao lado dela e, hoje, naquela noite, ela estava especialmente bonita.
Após o jantar, decidiram ir todos para a casa das irmãs tomar um café e para conversarem mais um pouco. Passaram horas batendo papo, até que o sono chegou . Nenhum deles havia dormido bem nos últimos dias, cada um contemplando seus respectivos pares.
- Charles, precisamos dormir. Amanhã tenho duas audiências e Lizzie vai acordar cedo para uma cirurgia.
- Quero que saia comigo amanhã. Preciso resolver um assunto urgente. – Disse Charles.
-Assunto urgente?
-Sim. Quero comprar um carro e você é que me ensinará a dirigir nessa mão inglesa maluca de Londres. - beijou Jane carinho e sorriu - Diga ao Will que já estou lá embaixo e que a partir de amanhã, ele não será mais meu chofer.
Charles a beijou novamente e seguiu em direção a porta.
Willian estava na cozinha com Lizzie.
Os dois conversavam e a cada minuto ele vinha lhe beijar ou fazer um carinho em seu cabelo. Estavam tomando um café sentados na bancada da cozinha.
-Lizzie, posso te ver amanhã?
Ela ficou feliz com a pergunta porque também estava louca para vê-lo, mas ainda possuía algumas reservas em relação a tudo que estava acontecendo. Queria estar com ele, mas ainda estava medrosa com toda aquela situação.
- Bem, não sei...
-Você não gostou do jantar? Fiz alguma coisa de errado?
-Não...nada disso. É que ainda preciso me acostumar com a idéia de que estamos ficando juntos novamente. Tenho meus receios...
-Lizzie, por favor, eu já te pedi desculpas por tudo, sei que não posso voltar atrás agora, mas estou tentando, de alguma forma, compensar isso...Por favor, preciso lhe mostrar que, se depender de mim, nada mais nos separa...
-Sim, mas, além disso, existe outra questão: Caroline.
-Lizzie, eu não quero mais nada com ela e pelo que eu percebi na ligação, isso é totalmente recíproco! Ela mal me ouviu falar...queria apenas ir embora, desligar e acabar o noivado. Se eu pudesse, iria agora para Moscou e teria minha conversa final com ela, mas eu não posso. Essa época do ano é complicada e eu estou cheio de coisas na empresa para resolver. Acredite em mim, Caroline é um assunto encerrado na minha vida. Eu vou resolver isso na primeira oportunidade que aparecer.
-Tudo bem, Darcy. É só porque eu não quero mais problemas na minha vida, principalmente, envolvendo nós dois. Já basta o que eu passei quando você foi embora...
Ele se levantou do seu lugar, a abraçou com força e beijou o topo de sua cabeça com carinho.
-Mas não se esqueça que amanhã meu dia vai estar um pouco atribulado. Por que você não passa aqui de noite? Chame o Charles também. Ficamos nós quatro aqui conversando.
Ele sorriu e afastou sua xícara de café. Levantou-a do banco alto em que estava sentada e começou a beijá-la. Lizzie o abraçou com força e correspondeu ardentemente. Darcy segurou em sua cintura trazendo-a para mais perto de si.
Sentia seu leve perfume doce e floral. Era o perfume dela. Aprofundou o beijo e começou a segurar seu cabelo pela nuca. Ela respondeu fazendo o carinho que ele tanto gostava na parte de trás do pescoço em um montinho gostoso do cabelo dele.
Ele não estava se segurando e ela não conseguia se soltar quando estavam se beijando.
Darcy começou a lembrar de quando eram mais novos e se amavam ardentemente, mesmo com a inexperiência dos dois. Como era bom abraçá-la e estar junto dela, arranhar sua barba na pele fina e delicada de suas costas, de seu rosto, de seu pescoço.
Lizzie sentiu que Darcy a segurou com mais força encostando-a na bancada. Por mais que quisesse que aquilo prosseguisse, não era a hora e muito menos o lugar.
- Willian – interrompeu o beijo – preciso ir dormir. – disse ofegante.
Os dois recuaram e ele a olhou sorrindo. Saíram da cozinha de mãos dadas e viram Jane sentada sozinha no sofá. Ela explicou que Charles havia acabado de descer e estava aguardando Willian no carro e que amanhã sairia com ela para comprar um automóvel.
Lizzie deixou Darcy na porta. Antes de ir embora ele lhe deu mais um beijo, desta vez mais comedido.
Seguiu para seu carro sorrindo.
[i]“Estou apaixonado...completamente apaixonado por essa mulher.”[i/]
[i]“Estou apaixonada...completamente apaixonada por esse homem.”[i/]














