Citações

Tenha sensibilidade para o suave, humor para o alegre, atenção para o sábio e paciência para o cansativo.(Jane Austen)

Quando, quando, quando,... Capítulo 3

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Elizabeth havia ido buscar uma bebida no bar próximo à pista de dança. Tinha saído com a irmã e a amiga para respirar novos ares. Naquela noite estava decidida a tomar algo mais forte. Queria que a angústia do seu peito passasse. Não conseguia pensar em outra coisa a não ser a volta de Willian na segunda-feira e não sabia ao certo o motivo do seu nervosismo. Apenas sabia que não saía da sua cabeça os eventos que os havia separado e da conversa final que tiveram.

A separação dos dois foi algo extremamente doloroso, mas não tinha sido culpa de nenhum dos dois. A família Darcy sempre permanecera em Londres, mesmo quando Anthony estava em um país próximo, mas quando foi removido para a América do Sul, tudo mudou. O pai de Willian havia sido transferido para a Embaixada no Brasil sem nenhuma previsão de retorno. Tentaram um namoro a distância, o que mostrou-se inviável. Passavam horas no telefone, mas não podiam se beijar, se abraçar...

Lizzie ainda se lembrava de toda a conversa em que ela e Willian colocaram um ponto final no relacionamento e da última frase proferida por ele:
 
“ – Lizzie, isso é um “até logo” e não um adeus. Ainda ficaremos juntos.”

Agora estava envolta em lembranças que a cercavam minuto a minuto. Pensava em como seria o reencontro, o que ele falaria, qual roupa estaria usando.

“Pare de pensar nisso. Ele só chega na segunda-feira. Você ainda tem um tempo para se acostumar com a idéia...”

O que ela não sabia é que Willian estava a poucos metros dela e que o reencontro que tanto estava tirando seu sono e sossego ia acontecer em poucos segundos.


Elizabeth tinha visto Jane abraçando um homem efusivamente.

“ Não deve ser o sr. Bingley porque ela não tem menor intimidade com o homem. Talvez um amigo do escritório...quem será?”

Tomou uma dose de tequila no bar e logo foi ao encontro da irmã mais velha. O homem estava de costas para ela e Jane a olhava com uma cara eufórica e espantada, com muita felicidade. Elizabeth ficou curiosa. Quem era a “parede” trajando uma camisa social preta, uma calça jeans e um relógio na mão esquerda que estava de costas e logo à sua frente? Olhou para a irmã com uma expressão inquisidora. Jane a incentivou a virá-lo, a ir em frente e ver quem se tratava.

 O homem continuava parado de costas passando as mãos no cabelo.

Elizabeth extremamente curiosa, tocou o ombro do desconhecido, mas o homem negava-se a virar. Continuava ali parado de costas para ela.

“Tudo bem seu espertinho, vamos ver quem é que está brincando de pique-esconde”

Deu a volta ficando de frente para ele e parou.

O coração acelerou, as pernas fraquejaram, a garganta secou, as mãos começaram a tremer e suar. Levou um choque.

 Ficou diante dele só olhando seus olhos azuis. Ahn...como lembrava daqueles olhos!

Pertenciam a ele: Willian. Ele a olhava com uma expressão incrédula e assustada. Em dois segundos uma onda de lembranças invadiu seu pensamento: seu primeiro beijo, seu primeiro namorado, seu primeiro homem, seu melhor amigo...ERA ELE!

Elizabeth em um impulso arrebatador de felicidade avançou e lhe deu um forte abraço. Não pensava em mais nada: nem nos anos de separação, nem as noites de choro, nem no fato de ele ser um homem noivo. Queria tocá-lo, ver como estava, sentir seu cheiro, ouvir sua voz.

-Willian! Que maravilha! Pensei que você só fosse chegar na segunda-feira! – disse Lizzie tomando coragem para não transparecer seu enorme nervosismo e ainda abraçando-o com força.

- Elizabeth, nem acredito que estou aqui, na sua frente... – ele falava com voz de contentamento.

Ambos ficaram pedidos naquele abraço, no meio da boate, por algum tempo até serem interrompidos.

- Willian, não posso acreditar que é você! Papai te disse que estaríamos aqui na boate?- disse Jane
.
- Não... não! Na verdade, ainda não liguei para o tio Thomas. Cheguei ontem em Londres e estou com um amigo.

Lembrou-se de Charles e da descrição dada minutos antes que batia perfeitamente com as irmãs.

- Por acaso vocês são as irmãs que socorreram um tal “Charles Bingley” hoje de manhã no parque?  - perguntou Darcy rindo da coincidência fantástica que estava presenciando

Jane e Lizzie assentiram com a cabeça e todos caíram na gargalhada exceto Charlotte que não estava entendendo absolutamente nada e continuava dançando.

- Charles está lá em baixo. Não conseguiu vir até o segundo andar porque está de muletas. Pegamos uma mesa, vocês não querem descer? – perguntava Darcy

As irmãs e a amiga se juntaram a Willian e desceram as escadas já conversando e logo sentaram-se com Charles.

-Nossa, como vocês demoraram. O que aconteceu?  - Perguntava ele inquieto.

Logo Willian e as amigas explicavam a coincidência incrível que havia se passado e que eram amigos de infância, com direito a fotos e mais fotos e histórias e mais histórias das aventuras dos três mosqueteiros e de como enlouqueciam seus pais.

-Não acredito! Isso é impressionante! E eu não percebi que estava diante das tão faladas irmãs Bennet...Willian falava e ainda fala tanto de vocês! Espera ai....você, Elizabeth, é a Lizzie? Ex- namorada do Willian?  - falou Charles apontando para a morena.

Silêncio total na mesa.

-Erh...fomos namorados por mais de 2 anos...dos meus 16 aos 18 anos mais ou menos...- ela respondeu um tanto quanto encabulada.

Willian logo deu um de seus olhares para Charles como se dissesse: “Não fale mais nada!” e pediu mais uma dose de whisky. Duplo.

- Mas então me digam, meninas. Estou curioso para saber o que aprontaram enquanto eu estive fora durante esses anos – disse Willian sorrindo.

-Se você tivesse ligado com a mesma freqüência que seu pai o fazia essa pergunta estaria respondida. - disse Lizzie, em um tom de voz mais baixo, logo se arrependendo de ter dito a frase que mostrava seu ressentimento pela ausência do amigo e ex-namorado.

Jane logo reparando o certo mal estar começou a falar sobre as ocorrências em suas vidas nos últimos tempos:

-Bem Willian, logo depois de você ter ido para o Brasil com sua família, a Lizzie começou a faculdade de Medicina. Eu já estava na faculdade, assim como você. Hoje eu e Mary, que também é advogada, trabalhamos com o papai no escritório e Lizzie está terminando sua residência em Ortopedia. E você? Lembro que quando saiu de Londres cursava Economia, não é?

- É verdade! E acabei me formando por Cambridge mesmo. Pelo cargo do meu pai consegui uma licença especial e continuei estudando á distancia. Mas também me formei em Administração e durante esse tempo venho acompanhado as atividades da indústria da minha família. Ficamos só um ano no Brasil e logo depois fomos para a Embaixada no Japão, depois Bulgária e, por fim, Rússia, onde estávamos morando até agora. 

- E Georgiana? Como está Willian?Linda como sempre?  – perguntou Lizzie – Lembro que você morria de ciúmes dela!!

- Ela está ótima!Está ainda mais linda e está pensando em ser médica também. Mas nada mudou: continuo morrendo de ciúmes daquela loirinha. Normalmente sou assim com quem gosto demais – falou logo lembrando-se de vários episódios em que quase se envolvera em brigas por causa de Lizzie. Odiava quando olhavam para ela.

- Will???Ciumento?? Impossível! Ele namora minha prima há mais de um ano e nunca o vi levantar a voz para qualquer homem.

Charles ainda não conseguia o ciúmes de Willian por Lizzie.

-É verdade, Willian!Havia me esquecido completamente!Papai nos contou que você está noivo! Tio Anthony até nos mandou uma foto de vocês. Formam um casal maravilhoso. Ela é muito bonita!Meus parabéns. – Elizabeth estava realmente sendo sincera. Deseja toda a felicidade para ele.

- Ahn, obrigada. Ficamos noivos há 3 meses e estamos juntos a pouco mais de um ano. Caroline é uma mulher muito bonita mesmo. Ela é dona de uma loja de roupas em Moscou. Ela é russa, mas seus pais são ingleses que moram há anos lá . Talvez nos casemos em meados do ano que vem.

A sensação de aperto e inquietação voltara ao coração de Elizabeth, mas logo voltou a racionalizar seus sentimentos e lembrar da conversa que havia tido com Jane sobre esse sentimento. Com certeza era uma ansiedade de rever o amigo.

-E vocês? São casadas, noivas, comprometidas – perguntou Charles desejando receber uma determinada resposta de uma determinada pessoa.

As três se entreolharam e começaram a rir.
 
-Charles, estamos rindo para não chorar: nós três estamos solteiras e há um certo tempo, infelizmente. A situação aqui em Londres está péssima e atualmente estamos tão focadas em nossos trabalhos que fica difícil conhecer alguém legal – disse Charlotte com um sorriso de brincadeira nos lábios – mas saibam que pretendentes não faltam, principalmente para a Jane.
Lizzie e Charlotte riram, mas Jane ficou ruborizada pelo comentário da amiga.

Darcy havia recebido aquela notícia com muito alívio. Quando o amigo fez a tão esperada pergunta, segurou a respiração e segurou seu copo de whisky com força esperando pela resposta. Mal podia imaginar como se sentiria se visse Lizzie aos beijos como outro, mesmo não a vendo há anos e sendo comprometido. Ela estava ali na sua frente e ele se lembrava de quando ela era a “sua” Elizabeth.

Os cinco continuaram a conversa por mais um longo tempo contando detalhes de aventuras que passaram, de como eram amigos e unidos. Falaram de seus trabalhos e expectativas.

Willian e Lizzie não paravam de lembrar de inúmeras histórias engraçadas e já estavam um pouco mais relaxados. A conversa estava fluindo naturalmente como anos atrás em que falavam sobre qualquer coisa: programas de tv, coisas do colégio, amigos, política, futebol, viagens, rugby...qualquer assunto podia ser um tema para os dois.


 - Bem, meninas, me desculpem, mas eu vou para a pista dançar. - disse Charlotte logo se levantando - Vocês me acompanham?

Logo foi seguida por Lizzie, que precisava sair de perto de Willian e tomar mais uma dose de tequila. Se antes bebia pela proximidade da chegada dele a Londres, agora ia tomar uma dose dupla pela proximidade do corpo dele ao dela!

 As duas foram em direção ao segundo andar para a pista de dança e Darcy ficou sentado, sem muita reação. Viu as duas mulheres se afastando e a conversa amigável que Jane e Charles travavam. Ficou inquieto. Encerrou com um gole o seu whisky e levantou-se determinado da cadeira. E, mesmo odiando aquelas músicas e aquele ambiente, resolveu seguir Elizabeth.

Dizia a si mesmo que estava fazendo aquilo por Charles, para que pudesse conversar mais à vontade com Jane, mas, na verdade, quando viu a “sua” Lizzie saindo de perto dele com seu vestido preto e seus cabelos soltos e longos balançando e seu leve perfume, sentiu um enorme desejo de ficar perto dela, perguntar como estava, de lembrar de outras tantas histórias que vivenciaram...queria abraçá-la e lembrar de tudo.

Charles tomou um susto quando viu o amigo levantando-se e seguindo as duas amigas para o segundo andar da boate. Nunca havia visto Darcy dançar. Nunca. Nem em festa, nem em casamentos e muito menos em boates.

Logo lembrou de como o amigo lhe falava da “sua” Lizzie, da sua ex-namorada com quem foi feliz, das histórias hilárias e malucas dos dois, de como era maravilhoso seu beijo e como foi estar com uma mulher pela primeira vez, de como havia sido dolorosa a separação devido ao trabalho do pai e, principalmente, lembrou-se de como Willian penalizava-se pelo fato de nunca mais a ter procurado, mesmo nas vezes que havia ido a Londres a trabalho. Willian sempre lhe confidenciou que não tinha coragem de encontrá-la, de ligar.

Para Willian foi impossível levar a diante um namoro a distância, principalmente com Elizabeth. Sentia necessidade de tocá-la, de sentir seu cheiro, seu toque.


“Caroline que se cuide”, pensou Bingley.

 

Chegaram ao andar de cima e logo Charlotte se jogou na pista de dança. A música que tocava era animada e hoje ela estava louca para dançar. Lizzie já começava a sentir o efeito da dose de tequila bebida anteriormente.


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Lizzie logo a acompanhou e começaram a dançar. Estava menos nervosa, mas não sabia direito o que fazer. O que sabia era que precisava ficar um pouco distante dele. Precisava se recompor do susto e das emoções. Ela e Charlotte estavam na pista dançando sem se importar com os muitos olhares que estavam sendo lançados na direção das amigas. Estavam ali para dançar, para se divertir e Lizzie para tentar esquecer o que estava acontecendo. Fechava os olhos e apenas sentia o ritmo da música e as batidas que o som alto produzia. Dançava tentando não pensar que ele estava a metros dela, mas não acreditou quando o viu subindo as escadas da boate, sozinho e vindo em sua direção e de Charlotte.

“ele está vindo...” – pensou ela

Darcy subia as escadas, mas não tinha a menor noção do que fazer: iniciaria uma conversa com Elizabeth? Devia ficar em pé? Devia dançar? Mal sabia movimentar o corpo no ritmo de uma música, o que faria com duas mulheres animadas no meio da pista de dança?

Resolveu encostar-se em uma pilastra próxima às meninas e ficou observando o espetáculo que se desenvolvia à sua frente.

Cada movimento, cada volta, cada vez que Elizabeth se mexia era um deleite. Como era linda! É claro que lembrava de sua beleza e, principalmente, de seus olhos castanhos que adoravam ficar olhando os seus. Começou a rir sozinho lembrando das histórias loucas que inventavam no início do namoro para que seus pais não descobrissem que estava juntos. Das vezes que mataram aula e como morriam de rir de Jane que às vezes também era enganada pelos dois. Seu sorriso logo foi substituído por uma expressão carrancuda quando viu os olhares de olhos homens em cima de Elizabeth. Alguns faziam comentários entre si e outros tentavam dançar junto às amigas, mas eram delicadamente afastados pelas meninas.

“Ahn, se fossem outros tempos...ninguém ia olhar para ela desse jeito”

Darcy pegou-se morrendo de ciúmes daqueles desconhecidos que tentavam flertar e dançar com Lizzie.

“Meu Deus, o que é isso? Estou com ciúmes?Ahn...não é possível...Willian Darcy, você é um homem seriamente comprometido. Pare com essa palhaçada!”

Elizabeth logo o viu e continuou dançando com a amiga. Tentava fingir que estava tudo bem, que não se importava de ele estar ali. Tentava não olhar em sua direção.

De repente, Darcy viu Lizzie falando algo com Charlotte e saindo em sua direção:

-Nossa, estou cansada. Desde ontem que eu não parei. – disse ela com um ar cansado.

- Quer beber alguma coisa? Vamos até o bar para você beber um drink.

-Espere um minuto que vou falar com Charlotte. Talvez ela queira nos acompanhar.

Voltou para a pista e teve uma resposta negativa da amiga que estava dançando e conversando com um rapaz.

Dirigiram-se ao bar e Lizzie pediu um drink enquanto Darcy tomava sua quarta dose de whisky. Estava nervoso. Definitivamente, muito nervoso.

- Willian que ótimo que vocês voltaram para Londres. Meus pais ficaram encantados com a notícia.

- Só seus pais? – perguntou já se arrependendo da inconveniência de sua pergunta. Mas tinha que perguntar. Será que ela estava feliz em revê-lo da mesma forma que ele estava?

Lizzie morreu de vergonha, abriu um sorriso e tentou responder em um tom tranquilo:

- Claro que não! Eu, Jane e Mary sempre morremos de saudade de vocês. Quase todo domingo quando almoçamos juntos falamos de vocês e das “nossas histórias”...

A frase morreu assim como o sorriso enorme de Liz quando ela começou a perceber o terreno complexo e perigoso em que estava se metendo. Era melhor parar de falar em “nossas histórias”...

- Aliás, Sr. Darcy – disse em tom de brincadeira – o senhor e seu amigo estão intimados a comparecer amanha lá em casa, ouviu? Como vem para Londres e nem liga para meu pai? Ele ficará felicíssimo em revê-lo!

-Amanhã? Mas meu pai só chega na segunda!

- Eu sei, Willian, mas você é de casa e meu pai não o vê há anos...não quero nem ver a cara do sr. Bennet quando vir você assim, crescido...um homem!

-Você acha que eu cresci? – perguntou sorrindo e fixando seus olhos nos dela.

-De tamanho não, né, Willian...você sempre foi o mais alto do colégio com esses seus quase 1,90m.- disse sorrindo- Mas você está diferente. Um ar mais maduro...não sei dizer.

Will sorrriu. Ela continuava do mesmo “jeito”, mas com cara de mulher. Era a sua Lizzie, mas de um jeito diferente.


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-Vamos dançar essa musica! Eu adoro!!

Lizzie pegou no seu braço e já estava carregando Willian para a pista de dança

-Elizab...

-É Lizzie!!!!!

-Você sabe que eu odeio dançar!Não tenho nenhuma coordenação!

-Willian Darcy, não precisamos dançar bonitinho como todo mundo! É só você se mexer um pouco. Venha! Além disso, eu me lembro bem que o sr. dançou muito comigo no colégio. – ela o puxava com força, vencendo a resistência inicial dele.

Willian não conseguiu se desvencilhar daquelas mãos. Começaram a dançar e logo Elizabeth e Willian morriam de rir um do outro. Estavam se divertindo. Uma hora ela fazia alguma palhaçada ou Charlotte, que estava dançando com outro homem, vinha e brincava.

Ela dançava na sua frente empolgada pela música e ele tentava acompanhá-la nos movimentos. Balançava seu corpo de forma meio desajeitava, mas sempre tentando continuar na dança. Pegava às vezes em sua mão ou cintura no ritmo da dança e ela não o impedia.  Ele estava ficando intimidado com aquela movimentação, mas não conseguia tirar suas mãos de alguma parte do corpo dela: buscava seus dedos, seus braços, sua pele...a música não estava ajudando porque eles deviam dançar mais próximos, juntos.


“Está difícil de dançar isso, muito difícil” – pensou ele, não se referindo à dança em si.

Apesar das brincadeiras que ela fazia e dos sorrisos, Willian estava tenso. Muito tenso. Cada vez que ela se aproximava e segurava em sua mão ou braço, se sentia desconfortável, estranho. Por duas vezes sentiu os pêlos de seu antebraço se arrepiarem traçando um rastro até sua nuca. Definitivamente, não esperava e não estava preparado para aquilo.

Ela rebolava e mexia os cabelos no ritmo da música, talvez já sentindo os efeitos das doses de bebida que tinha ingerido, e ele a olhava totalmente perdido.

Um tempo depois resolveram descer para fazer companhia para Charles e Jane e logo estavam conversando animadamente. Willian agradeceu por não ter que ficar mais muito tempo dançando com Lizzie: estava sendo difícil para ele se controlar. A conversa continuou divertida e todos riam, mais uma vez, das histórias de criança que os amigos contavam. Foi um momento maravilhoso de reencontros.

Já de madrugada, depois de algumas bebidas e muitas gargalhadas e olhares entre Charles e Jane e de Willian e Lizzie, os amigos resolveram ir embora.

Chegaram ao carro de Elizabeth sendo acompanhadas pelos dois homens.

- Nossa, não me divirto assim há anos!!Tinha me esquecido de como era bom estar com as senhoritas e, especialmente, como era estar em Londres novamente.

- É... a noite foi maravilhosa – disse Elizabeth  olhando e sorrindo para Willian. - Não se esqueça que amanhã os senhores terão um almoço na minha casa.

Jane e Charles vinham logo atrás. Ele tinha dificuldades para andar e havia ficado para trás, mas logo ela lhe fez companhia e os dois vinham conversando animadamente.

O grupo ainda ficou conversando mais um pouco na frente do carro, mas depois se despediram já fazendo planos para o almoço do dia seguinte.

 
Charles e Willian voltavam para casa.

-Willian, eu não acredito que aquela é a Lizzie! Que coincidência! Como foi reencontrá-la?

-Foi normal. – Darcy respondeu secamente não querendo continuar no assunto.

-Como assim, normal? Eu vi a sua cara de espanto quando desceu com as meninas. Você parecia ter visto um fantasma. Vi também como você virava as doses de whisky. Aliás, nem sei o que eu estou fazendo aqui nesse carro com você dirigindo.

-Charles, tenho uma noiva e ela se chama Caroline e, inclusive, é sua prima.

-Eu sei disso, mas também sei que durante esses anos você sempre falava na “sua Lizzie” e também sei que, apesar de você gostar e estar com Caroline, esse seu noivado foi mais um impulso...

- Charles, você não sabe o que está falando. Eu pedi Caroline em casamento e ela aceitou. Não foi um impulso. Você sabe que eu me apaixonei por ela.

-Claro que sei. Mas você sabe que paixão pode acabar...já o amor...

O resto do percurso foi feito em silêncio por Darcy, mas Charles não conseguia parar de falar de Jane, de como era bonita, simpática, inteligente, meiga...


No carro das meninas Charlotte não conseguia parar de falar sobre a “obra do acaso” que havia acabado de acontecer na boate.

- Lizzie, não acredito em coincidências! Nunca ouvi uma história dessas em toda a minha vida!

- Charlotte foi só uma coincidência, sim. Somos grandes amigos e só!

- Tudo bem que vocês são amigos HOJE, mas eu sei muito bem toda a historia de vocês dois. Percebi uma química....ele não tirou os olhos de você a noite inteira. Só você não percebeu.

-Não quero falar sobre isso.Você está fantasiando coisas.  – ela queria acabar com aquele assunto que a estava incomodando.

Elizabeth dirigia e discutia com Charlotte, que estava no banco do carona, mas reparou pelo retrovisor o olhar longínquo de sua irmã. Realmente o ruivo havia acertado o seu coração. Logo voltou sua visão para a frente pensando:


“Como será esse almoço de amanhã?” 
 

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