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Citações

Nossa situação é perfeitamente idêntica. Não temos nada para contar uma à outra; você, por não ter nada a comunicar ; e eu, por nada ter a esconder. (Jane Austen)

Home Juliana Batalha Quando, quando, quando,... Capítulo 1
Quando, quando, quando,... Capítulo 1 PDF Imprimir E-mail
Escrito por Juliana   
Sáb, 29 de Agosto de 2009 01:45


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Michael Bublé & Nelly Furtado
Quando, quando, quando

Tell me when will you be mine
Tell me quando quando quando
We can share a love devine
Please don´t make me wait again

When will you say yes to me
Tell me quando quando quando
You mean happiness to me
Oh my lover tell me when

Every moments a day
Every day seems a lifetime
Let me show you the way
To a joy beyond compare

I can´t wait a moment more
Tell me quando quando quando
Say its me that you adore
And then darling tell me when

Every moments a day
Every day seems a lifetime
Let me show you the way
To a joy beyond compare

I can´t wait a moment more
Tell me quando quando quando
Say its me that you adore
And then darling tell me when

Whoa lover tell me when
Oh darling tell me when
Oh come on tell me when
Yea tell me when

Tradução

Diga-me quando você será minha
Diga-me quando, quando, quando
Nós podemos compartilhar um amor divino
Por favor, não me faça esperar novamente

Quando você dirá sim para mim?
Diga-me quando, quando, quando
Você significa felicidade para mim
Oh, meu amor, diga-me quando

Refrão:
Todo momento é um dia
Todos os dias parecem uma vida
Deixe-me mostrar-lhe o caminho
Para uma felicidade sem comparação
Eu não posso esperar mais nenhum momento
Diga-me quando, quando, quando
Diga que sou eu quem você adora
E depois querida, diga-me quando

Refrão


Oh, amor diga-me quando
Oh, querida diga-me quando
Oh, vamos, diga-me quando

 

 

Elizabeth andava pelas ruas de Londres absorta em seus pensamentos. Na mão direita sua bolsa e na esquerda a sacola com os sapatos que acabara de comprar para a festa de Natal que seus pais ofereceriam. Havia saído com Jane após o trabalho para comprar algumas coisas.

Olhava as vitrines e os enfeites de natal que já tomavam conta das avenidas e lojas.
Pensava em seus pacientes, em sua rotina cansativa de trabalho e estudos, mas, principalmente, pensava nas “novidades” que havia recebido nos últimos meses: os Darcy estavam de volta e Willian estava noivo.

Não sabia bem o que pensar e nem o que estava sentindo, mas com certeza não esperava por isso. Era estranho saber que seu ex-namorado, seu melhor amigo, seu confidente ia se casar.

“Meu Deus, qual o motivo dessa inquietação no meu peito? Darcy e eu namoramos há 8 anos atrás! Tudo bem que as coisas não terminaram como queríamos, mas isso tem tanto tempo! Há anos que nós mal nos falamos e agora ele resolve voltar para Londres e noivo...espero que tenha encontrado um grande amor! Com certeza ela deve ser uma mulher de muita sorte...”

-Lizzie!!!Lizzie!!!Em que planeta você está? – Era Jane chamando a irmã.- Já gritei seu nome duas vezes e você nem olhou!

-Jane!! Me desculpe, estou aqui pensando nos meus pacientes...

-Hum...tem certeza? – Jane começou a andar acompanhando Elizabeth – Tenho sentido você tão aérea, tão distante nas últimas semanas...

- É verdade, Jane...nada lhe escapa, não é mesmo? Não sei, é estranho. Depois que o papai me deu a notícia do retorno dos Darcy e que Willian estava noivo eu estou assim.Não é esquisito?

- Lizzie...- Jane parou de caminhar e encarou a irmã – não acho nada estranho. Vocês passaram por tanta coisa juntos, tantas descobertas e por um sentimento tão forte...Talvez você esteja um pouco intimidada com esse retorno inesperado. Sei que você sente um grande carinho por ele.

- É...isso é verdade.-disse Lizzie olhando para o outro lado.- William é uma pessoa muito especial. Marcou muito a minha vida e você sabe disso.Você está certa, Jane.

 Devo estar ansiosa em reencontrar meu velho amigo e intimidada em reencontrar meu ex-namorado! – disse Lizzie sorrindo para a irmã – Bem, já que deciframos esse meu enigma interior vamos para casa comer. Estou morta de fome!

As irmãs seguiram para o apartamento que dividiam.

Elizabeth e Jane moravam juntas há mais de cinco anos e eram grandes amigas apesar da diferença comportamental e física entre elas: Jane era loira, muito delicada e calma, enquanto Elizabeth era morena de olhos escuros e impulsiva, apesar de às vezes se tornar extremamente contemplativa. Seus pais viviam em uma casa próxima e todo fim de semana se reuniam.

Jane era a mais velha das três filhas com 27 anos e já possuía uma grande responsabilidade dentro da família: dar seguimento ao famoso escritório de advocacia da família que há muito era comandado pelo seu pai, Sr. Bennet; Elizabeth, a do meio com 26 anos, era médica e estava prestes a terminar sua residência em Ortopedia, apesar dos votos contrários de sua mãe, Fanny, que achava que a filha devia ser dermatologista para cuidar dela e de suas amigas e Mary com 24 anos que acabara de se graduar em Direito, assim como seu pai e sua irmã mais velha e já estava trabalhando no escritório Bennet & Bennet Advogados Associados.

Thomas e Fanny Bennet eram casados há quase 30 anos. Eram pessoas muito diferentes, mas mesmo após todos esses anos juntos se amavam muito e sempre davam demonstrações de carinho mútuo.

 O marido era viciado em seus processos e toda semana chegava com um novo caso ou uma novidade sobre suas audiências, seus estudos. Era apaixonado pelo que fazia. Fanny havia se formado em Letras e dava aulas em um colégio próximo de sua casa. Apesar de ser uma mulher culta e instruída, às vezes proferia declarações estúpidas e impensadas que faziam suas filhas e marido morrerem de vergonha. Na verdade, era muito espontânea e não media suas palavras, mesmo que pudessem parecer tolas. Eram uma família muito feliz.


 

Elizabeth acordou com o som do despertador e logo pulou da cama indo diretamente tomar seu banho. O dia seria longo: 2 cirurgias complexas e um jantar com seus pais pela frente! Pelo menos era sexta-feira e amanhã poderia ficar até tarde na cama, conversar mais calmamente com Jane, ir correr um pouco no parque. O sol mal havia surgido e ela já pensava no dia seguinte.

 


Alguns quilômetros dali...


- Alô? Papai??Está me ouvindo?

- Meu filho! Tudo bem? Como foi de viagem? Já chegou a Londres?

- Sim papai! Fiz uma ótima viagem! Estou saindo do aeroporto agora e vou direto para a empresa ver como andam as coisas e mais tarde volto para buscar Charles e Caroline no aeroporto. E você, mamãe e Georgiana, quando chegam?

- Filho, acho que segunda - feira já estaremos aí com tudo pronto. Estou só organizando minhas coisas aqui na Embaixada junto ao novo Diplomata. Sua mãe está desesperada querendo voltar para Londres. Não sei como agüentou todos esses anos de viagem conosco!!!

-Está bem, papai. Estou aguardando vocês.

- Filho, não se esqueça de ligar para os Bennet avisando que você chegou. Com certeza eles ficarão muito felizes em lhe receber.

Willian gelou. Não sabia o que exatamente responder ao seu pai “Não quero ligar porque não quero encontrar Elizabeth agora. Preciso de tempo para me preparar” ou quem sabe: “ pai, deixe-me acostumar com a idéia que irei vê-la sempre”. Essas não eram opções para ele.

- Papai, prefiro ficar quieto no meu canto com Charles e Caroline. Estou um pouco cansado e prefiro descansar enquanto espero por vocês três. Nós iremos encontrá-los na festa de Natal daqui a alguns dias, não é mesmo?

- Sim e na de fim de ano também!Eles já nos convidaram para a comemoração! Mal posso esperar para estar com eles novamente!

-Ok, papai. Sei como está feliz, mas deixe-me resolver minhas coisas porque já estou atrasado para a reunião com minha tia. Assim que terminar, ligo para o senhor e repasso o que conversamos. Te amo!

William entrou em um táxi e rumou para a empresa.

A família Darcy era dona de uma grande indústria de produtos de construção civil e atualmente era comandada pela irmã de Anthony Darcy, Catherine. Por ser um Diplomata, Anthony era impedido de exercer diretamente qualquer atividade na administração de empresas, tendo em vista seu alto cargo, assim como juízes e promotores. Por isso, era o acionista amplamente majoritário da empresa com quase 90% das ações, mas a administração ficava a cargo de sua irmã.

 Passou anos de sua vida viajando com a família indo aos países mais exóticos e desconhecidos do mundo, mas agora estava prestes a se aposentar, estava retornando para Londres e Willian estava decidido a tomar conta da empresa de sua família.
Já o fazia há alguns meses, mas ainda estava na companhia dos pais e da irmã na Rússia, onde seu pai estava como Diplomata há alguns anos, tomando conhecimento das atividades industriais através de sua tia e prima.

Anthony Darcy conhecera Thomas Bennet na faculdade de Direito logo nos primeiros dias de aula e se tornaram grandes amigos. Este resolveu seguir o ramo da família, tornando-se um grande advogado, assim como seu falecido pai, mas Anthony tornou-se Diplomata.

Sempre foram muito amigos e, apesar de toda a distância, sempre mantiveram contato. Suas respectivas esposas acabaram tornando-se amigas, assim como seus filhos.
Enquanto Anthony permanecia na Embaixada em Londres e mesmo quando era removido para algum outro país europeu próximo, suas famílias se encontravam para almoços, aniversários, festas...os Darcy sempre tentaram ao máximo não sair de sua cidade natal.

O clima era de muita cumplicidade e intimidade. Willian, Jane e Elizabeth eram muito amigos e iam para a escola juntos, passavam finais de semana juntos, iam a festas juntos e mesmo a proximidade de idade entre eles não afastava o instinto protetor do garoto que sempre saía para defender as amigas dos meninos mais “animados”.

Essa relação de união entre os três se fortaleceu quando, aos 16 e 18anos, Elizabeth e Willian começaram a namorar. Nos primeiros meses, esconderam o relacionamento de seus pais tendo ajuda de Jane para saírem juntos. Sempre inventavam uma festa, um almoço e lá iam os três mosqueteiros. O que as famílias não sabiam é que Jane era deixada por Willian em algum shopping ou no cinema para que o novo casal pudesse namorar.

Algum tempo depois a mãe de Elizabeth encontrou um cartão apaixonado de Willian para a filha e acabou contanto tudo, o que fez a menina morrer de vergonha na frente do pai e, posteriormente, dos sogros.
Velhos tempos...


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Elizabeth definitivamente estava morta de cansaço.

 Passara o dia inteiro em cirurgia, em pé, extremamente concentrada junto a seu professor supervisor. O que mais queria neste momento era chegar em casa e tomar um banho quente e uma cama confortável para deitar, mas sabia que seus planos seriam  postergados porque havia combinado de ir jantar com Jane na casa dos pais.

- Mamãe? Papai?Mary? – disse Lizzie entrando na casa dos pais já sentindo o cheiro gostoso que emanava da cozinha. “Provavelmente Hill está preparando mais uma de suas delícias”- pensou ela.

- Minha filha! Que maravilha que você está aqui!Estava morrendo se saudades!Você parece que esqueceu que tem família, menina! - Disse sua mãe já a abraçando - você está com uma cara péssima!!! O que aconteceu?

- Mamãe, estou cansada do trabal...

- Mas eu falei para a senhorita! – interrompeu Fanny - Você devia ser uma dermatologista! Atendendo celebridades, amigos, mas não... Você não ouviu sua mãe!
- Fanny, deixe a menina em paz...

- Papai! – Disse Lizzie quase se jogando em seus braços.- E então, como vão as coisas no escritório? Como anda Mary com os processos?

- Minha filha, está tudo ótimo! Sinto - me tão feliz.

- Nossa! E qual o motivo desse grande sorriso estampado no seu rosto?? Mais um embate processual nos Tribunais?- disse Lizzie fazendo um carinho e sentando-se no sofá da ampla sala de estar junto ao seu pai.

-Acabei de receber uma ligação do Anthony! Eles chegam segunda!!Nossa, isso é tão maravilhoso! Se Deus quiser, voltaremos aos velhos tempos em que passávamos horas conversando, vocês se divertiam juntos, Georgiana e você ficavam tocando piano nessa sala...

Lizzie, que até então estava tranqüila e com a cara abatida do cansaço experimentado pelo dia de trabalho, sentiu a carga de adrenalina lançada em seu corpo: imediatamente seu coração começou a bater mais forte, suas mãos suavam e seu rosto foi tomado por uma expressão de surpresa e desespero. Pensou consigo: “segunda-feira...MEU DEUS!!!”

Foi tirada de seu espanto pela voz de seu pai e de Jane que chegava em casa.

- Jane, venha saber das novidades! Segunda os Darcy estarão de volta. Definitivamente de volta. Parece que o Willian virá acompanhado da noiva e do amigo que será seu padrinho de casamento, um engenheiro chamado Charles. Não é uma notícia maravilhosa?

- Claro, papai!- disse Jane já olhando para Elizabeth como se soubesse ler seus pensamentos e ouvir as batidas aceleradas do seu coração.

Logo após, Fanny e Mary chamaram todos para o jantar que mostrou - se monotemático: a volta dos velhos amigos do casal.

Elizabeth só conseguia pensar em como poderia estar Willian. Sabia como ele estava fisicamente, pois seus pais sempre enviavam fotos, mas imaginava quais seriam seus interesses, como estava sua vida, o que havia feito durante todos esses anos. Poucas vezes se falaram por telefone. Geralmente, trocavam algumas palavras de “Feliz Natal”, “Feliz aniversário”, coisas do tipo. Depois que Willian foi embora de Londres quando seu pai fora transferido para a Embaixada no Brasil, não tiveram oportunidade de conversar mais profundamente e isso era algo que trazia grande desconforto para Lizzie.

 Depois de tudo que havia ocorrido entre eles...

 

 

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