Anna Nalick - Breathe (2AM)
Um mês depois...
Hugh Felton e sua banda encontravam-se em turnê ao norte da Inglaterra. Tentara por diversas vezes e não conseguira tirar Georgie da cabeça. Não negava mais que estava apaixonado por ela e depois de travar duras batalhas consigo mesmo cedeu aos apelos de seu coração. Chegou cansado de um show de madrugada e mandou uma simples e significativa mensagem para o celular da garota:
“Sinto sua falta... Hugh”
Georgianna estava sem sono e desceu até a cozinha para beber água com o celular iluminando o caminho. Ao invés de voltar para o quarto foi até a sala de música, onde começou a dedilhar as cordas de seu violão. Sem perceber uma melodia ia se formando e ela acendeu a luz e começou a anotar, em menos de meia hora havia composto mais uma canção. Estava há pelo menos 15 minutos pensando numa letra sem conseguir escrever quando seu celular tocou rapidamente.
Ela não conseguiu esconder o sorriso. Pensou em ligar pra ele, mas não queria dar bandeira, então resolveu apenas responder a mensagem.
“Insônia? Somos dois... Georgie.”
Ele voltou do banho e ficou surpreso com o ícone de mensagem de texto no celular, ficou preocupado, mas assim que leu descobriu que ela também não estava dormindo. Digitou uma nova mensagem:
"Na verdade acabei de chegar de um show, estava pensando em você. Ta fazendo o que?”
A garota levantou de uma vez do sofá e começou a pular pela sala, se segurando para não gritar, respondeu novamente, de uma maneira mais fria do que ela queria.
"Compondo. Acabei uma melodia, mas não consigo escrever a letra, e vc?”
“Apenas no celular... quer ajuda com a canção?”
“Pode ser.”
Sem esperar mais ele ligou para ela. No fim das contas esqueceram de letras e melodias e conversaram sobre várias outras coisas... Ele falou o quanto estava satisfeito com a banda, da recepção do público e também que sentia saudade de casa. Ela disse que estava ansiosa para sua estréia e que ensaiava quase todos os dias, aproveitou para convidá-lo para estar presente no show que se realizaria dali a alguns dias. Hugh prometeu tentar, afinal ainda estaria em turnê. Ela poderia passar horas e horas conversando, mas estava atenta a sua decisão anterior e deu o primeiro passo para ir dormir.
Ele percebeu que ela não estava tão receptiva e encantada com ele como das outras vezes, desde a festa de aniversário e agora na ligação ela se mostrou mais centrada, embora não estivesse distante. Hugh entendia que era a vez dele agir, precisava conquistá-la antes que a perdesse de vez. Foi dormir pensando em como fazer isso.
**
Georgianna estava tentando não parecer nervosa, pediu pra ficar sozinha no camarim, sabia que a família e alguns amigos queriam desejar boa sorte novamente, mas nesse momento preferia a sua própria companhia. Já não era mais a primeira vez que se apresentava em público, mas seria sim a sua estréia oficial como cantora e isso a deixava apreensiva. Estava sentada numa das poltronas, pronta para o show preparado em um ambiente não muito grande, seria apenas para a imprensa e convidados, muitos membros do meio artístico estavam ali, assim como jornalistas de várias rádios, revistas e jornais, todos atraídos para a nova aposta de uma das maiores gravadoras do Reino Unido.
A maioria de seus amigos estava ali, e sua família também estava presente, com exceção de sua tia Catharine, que era contra a sua carreira musical, e seu esposo. Não percebeu quando a porta do camarim foi aberta, quando deu por si duas mãos seguravam o seu ombro. Ela olhou para cima e encontrou o sorriso mais desejado da sua vida.
- Hugh?! O que você está fazendo aqui?
- Você não acha que eu ia perder sua estréia, acha?
- Você disse que talvez não pudesse vir, que estava em turnê!
- Um suspense sempre é saudável! - ele brincou – Hoje não tínhamos show, consegui chegar a tempo. Nervosa?
- Apavorada é um nome melhor. E se eles não gostarem de mim?
- Isso é impossível. Você é apaixonante.
Ele falou de maneira tão enfática mirando seus olhos castanhos esverdeados nos olhos dela que Georgie não precisou fazer nenhum esforço para acreditar.
Nesse momento alguém sua produtora, Suzana, bateu na porta e entrou: - Cinco minutos, Georgianna!
Ela suspirou e levantou, Hugh apertou as mãos dela com carinho.
- Vai dar tudo certo! Quero que você fique com isso. - Ele disse entregando-lhe uma palheta vermelha – É a minha palheta da sorte, quero que você a use em pelo menos uma música.
Ela assentiu e saiu em direção ao palco. Hugh voltou para a platéia e sentou no lugar que Lizzie reservou. Combinara com a ex-namorada e agora amiga que ela guardaria um lugar pra ele. William a princípio não ficou muito satisfeito, mas bastou Lizzie lembrá-lo do que Hugh fez pela família Darcy que ele parou de reclamar. Todos estavam ansiosos, Georgianna desejava muito seguir aquela carreira e se por acaso aquele show não desse certo ela sofreria uma grande decepção.
As luzes do ambiente foram apagadas e os holofotes direcionaram-se ao palco. Uma voz grave anunciou:
É com imenso prazer que a UKR Music apresenta GEORGIANNA DARCY!
Uma música começou a tocar e as cortinas imediatamente se abriram, Georgie estava sentada num banquinho no meio do palco com o microfone a sua frente e a banda um pouco mais atrás. Em poucos minutos ela conquistou a platéia, os críticos e a imprensa. Os membros da gravadora estavam adorando a reação das pessoas. Depois da primeira música ela cumprimentou a platéia e agradeceu a presença de todos. A apresentação estava sendo um sucesso, ela tocou as 7 músicas agendadas e se despediu sob intensos aplausos e gritos de bis. A produtora pediu que ela voltasse, mas como não tinham preparado nenhuma música para esse momento ela teve uma idéia, dispensou a banda e voltou sozinha ainda sob aplausos.
A produção lhe entregou o violão e ela disse:
- Essa música foi composta há pouco tempo e acabou não entrando no cd. Queria oferecê-la a pessoas que curtem uma insônia durante a madrugada! - Todos riram com a brincadeira. Ela beijou a palheta e começou a tocar.
Mais uma vez Georgianna foi aplaudida. E o refrão, aliás, uma certa frase do refrão martelava na cabeça de Hugh. “Por que eu não posso sair dos trilhos?” Ele se perguntava. Ela tinha razão, a vida não tem volta. Correu para o camarim mais uma vez, mas ela já não estava mais sozinha.
A família Darcy estava imensamente orgulhosa e os Bennet compartilhavam daquela felicidade.
Vários amigos se aglomeravam no espaço destinado a garota e ele não conseguiu chegar até ela.
A banda e a produção também comemoravam e ele decidiu se retirar e conversar com ela outra hora, era o momento dela curtir aquele sucesso e ele não queria atrapalhar.
Um grande grupo entre os quais a maioria que foi ao camarim após o show saiu para jantar e comemorar a grande estréia de Georgianna.
Um clima de paz reinava com nossos personagens no início do inverno inglês. A neve estava demorando pra cair e o frio ameno não incomodava ninguém ainda. Charles Bingley com seu currículo e experiência não teve dificuldade para ocupar uma vaga de pediatra num dos mais renomados hospitais de Londres. Jane Bennet estava radiante com a proximidade de morar definitivamente ao lado do seu grande amor, só em ter a presença do namorado no mesmo país já era uma benção para ela.
William Darcy a cada dia se transformava num executivo mais experiente, seu pai permanecia se afastando das empresas e deixando os negócios a cargo do filho, que não o decepcionava, muito pelo contrário, Will trouxera ânimo novo às organizações da família. Elizabeth Bennet por sua vez estava apenas supervisionando o serviço das estagiárias na escola uma vez por semana, o restante do tempo utilizava com
sua dissertação de mestrado que defenderia dentro de pouco tempo.
Georgianna e Hugh continuaram se vendo esporadicamente, a garota permaneceu utilizando a tática que estava funcionando até o momento: nunca o procurava ou demonstrava seus verdadeiros sentimentos. Quando se encontravam sem querer, seja no prédio da gravadora, que era a mesma, seja em backstages de shows acabavam aos beijos em algum lugar escondido, longe da imprensa e por iniciativa de Felton, que cansara de lutar contra a razão.
Charles já estava trabalhando no hospital, e por enquanto passava uma temporada na casa dos Darcy, a convite do amigo enquanto Jane terminava de decorar o apartamento dos dois. Essa foi mais uma exigência da mãe da noiva, o casal só iria para o apartamento depois que a união fosse anunciada no banquete.
Em vista disso Jane combinara de encontrar sua mãe e sua irmã em casa para tratar dos últimos detalhes do tal jantar. Estava saindo da biblioteca quando Lana a chamou de volta, era Charles no telefone.
Ele queria vê-la naquela noite, mesmo com a proibição da sogra de morarem juntos. Antes do jantar os dois freqüentemente fugiam para o apartamento novo, mas Jane já tinha esse compromisso e não pode cancelar.
Charles ainda insistiu, no entanto Jane explicou-lhe que quanto mais ela adiasse esses compromissos, mais distante ficaria o dia em que os dois estariam realmente juntos como marido e mulher, somente assim ele aceitou de bom grado e combinaram de tomar café da manhã juntos na casa dela no dia seguinte, já que ele entraria no plantão por volta do meio da manhã.
Quando Jane chegou encontrou a mãe e a irmã debruçadas sobre revistas e papéis. A primeira olhava bolos e doces e a segunda vestidos. Ela ficou surpresa com a sofisticação das imagens.
- Posso saber quem vai casar aqui? – ela assustou as duas mulheres que estavam concentradas discutindo opções.
- Ora Jane, você é lógico! – sua mãe respondeu impaciente – O jantar está na mesa da cozinha, sirva-se e venha para cá, temos muito a discutir.
- Mãe, eu já expliquei que não quero nada glamoroso demais!
- Eu sei, eu sei... Mas você disse também que era por minha conta, então apenas sente aqui e olhe o que nós pensamos.
Jane fez o que a mãe dissera, foi até a cozinha e rapidamente voltou com uma caneca de café com leite e um sanduíche de banana com queijo.
- Você já escolheu o vestido? – perguntou Lizzie empolgada – Tem cada vestido lindo que dá até vontade de casar!
- Não preciso escolher vestido, minha irmã, não vai ser nada formal.
- É claro queprecisa, Jane! Lógico que não precisa ser um branco rodado e com uma cauda enorme, mas podemos escolher um vestido simples e elegante. O que você acha, mamãe?
- Acho que pela primeira vez nós concordamos numa coisa! – as três sorriram.
Passaram grande parte da noite discutindo esses detalhes, perto das onze a decoração, os pratos que seriam servidos no jantar, os docinhos e o bolo já estavam decididos. No dia seguinte Fanny Bennet iria encomendar tudo isso e as duas filhas depois de decidir o estilo que agradava mais a Jane iriam procurar o vestido numa loja.
Há mais de uma hora Lizzie bocejava e estava com muito sono, pensando nisso decidiu permanecer na casa dos pais para evitar dirigir naquele estado. Preferiu ficar com a irmã ao invés de ocupar o seu antigo quarto. Tomou um banho e vestiu uma camisola de Jane, enfiando-se nas cobertas ao lado da irmã.
- Lizzie, eu quero te fazer um pedido.
- Se for pra desistir do seu vestido branco nem adianta, Jane.
- Não é isso! – a loira sorriu – Eu sei que é impossível você se dar bem com Caroline Bingley, mas eu queria que você tentasse, pelo menos durante o jantar.
Lizzie revirou os olhos. Apenas a menção ao nome daquela ruiva mal amada a incomodava. Mas entendia o pedido da irmã e se esforçaria para tal.
- Jane, ela também estava na festa da Georgianna, e não aconteceu nem uma discussão entre nós.
- Lá foi diferente, Lizzie! Era uma festa com grandes proporções, vocês quase não se viram.
- Apenas quando a lagartixa forçou o meu namorado a dançar com ela. – Elizabeth comentou cruzando os braços.
- Aqui em casa vai ser diferente, vocês são as irmãs dos noivos, vão estar mais em evidência e conseqüentemente ela também vai estar mais próxima de William. Eu preciso que você me prometa que não vai deixar Caroline estragar a festa e o seu humor.
- Se você insiste eu prometo minha irmã! O que eu não faço por você?
Elas se olharam carinhosamente e depois de um forte abraço foram dormir.
Na manhã seguinte passearam pelas lojas de Londres e Jane encantou-se por um vestido bege clarinho rendado de frente única, alças finas e com um amplo decote nas costas. Era simples e elegante, como ela gostava. Chegou a provar outros modelos, mas aquele realmente ficara perfeito nela e efetuaram a compra, embora Jane tenha decidido não usar o véu.
Elizabeth combinara de se encontrar com Charlotte a tarde, no shopping para procurarem seus vestidos para o jantar e colocarem o papo em dia.
Lizzie estacionou seu carro e quando andava na direção do shopping viu o carro de William estacionado perto do seu. Pegou o celular na bolsa e ligou para o namorado. Pela hora ele deveria estar almoçando, provavelmente achou que ganharia tempo indo comer num restaurante do shopping ao invés de ir até sua
casa.
Ele atendeu meio apressado e ela percebeu.
- Onde você está, Will? – ela perguntou discreta após ouvi-lo dizer que não poderia falar naquele momento e que logo retornaria.
- Estou trabalhando, Lizzie.
- No escritório?
- Claro, meu amor, mas agora preciso desligar, vou entrar numa reunião importante, depois ligo pra você, tudo bem?
Ela mal respondeu e desligou. Não podia acreditar que William estava mentindo pra ela depois de tudo que eles passaram. Sua vontade era procurá-lo no shopping e descobrir realmente o que ele estava fazendo, mas não iria passar por esse tipo de situação constrangedora. Talvez seu carro estivesse com o pai dele ou algo do tipo, rumou para onde marcara com a amiga e tentou esquecer aquela estória.
Viram algumas vitrines e decidiram almoçar antes de continuar a procura, estavam a caminho de um restaurante quando Charlotte sentiu um puxão e foi fisgada pra trás.
- O que deu em você. Lizzie? – ela perguntou assustada vendo a amiga se esconder atrás de um material publicitário.
- Will está ali. – ela apontou para uma joalheria.
- Então vamos até lá. – Charlotte não deu um passo quando Lizzie puxou-a novamente.
- Não, ele mentiu pra mim, ele disse que estava trabalhando. – Lizzie contou o que tinha acontecido para a amiga e as duas ficaram observando de longe.
Quando William saiu da joalheria com um pacote as duas entreolharam-se em dúvida sobre o que pensar e ao mesmo tempo otimistas.
- Aposto que é um presente pra você e ele queria causar surpresa! – Charlotte deduziu – e eu confesso que estou curiosa para descobrir o que é.
Antes que Lizzie dissesse qualquer coisa a outra morena entrou na loja e praticamente seduziu o vendedor, fazendo-o contar que o senhor que acabara de sair comprara uma jóia única em beleza e preço naquele loja, um anel de noivado em ouro branco e amarelo com um belíssimo diamante incrustrado.
Charlotte voltou e abraçou Lizzie com os olhos cheios de água.
- Parabéns,amiga!
- O que foi isso, Char?
- Darcy comprou um anel de noivado, sua boba! E você desconfiando do pobre homem! Minha amiga vai casar! – ela falou alto chamando a atenção dos transeuntes e fazendo Lizzie corar.
O almoço transcorreu imensamente alegre, e a tarde de compras foi mil vezes mais divertida, já que as duas conjecturavam como e onde William faria o pedido.
Já no fim da tarde o telefone de Lizzie tocou, ela sabia que era William pelo toque e atendeu sorridente. Ele queria saber se os dois poderiam jantar juntos na casa dela naquela noite. Elizabeth ficou um pouco decepcionada, nunca fora romântica e sonhadora, mas até para ela era simples demais receber um pedido de casamento num jantar normal do dia a dia em sua própria casa. De qualquer forma ainda tinha muita coisa pra revisar de seus estudos e concordou quando William disse que ela não precisava se preocupar que ele levaria o jantar.
William saiu do trabalho direto para casa, tomou um banho e colocou algumas roupas na mochila, precisava viajar na manhã seguinte e queria passar a noite com a amada, de lá mesmo seguiria para o aeroporto. Encomendara uma barca de sushi no restaurante japonês que Lizzie mais gostava e passou por lá a caminho do apartamento da namorada.
Quando ele chegou sorriu com o estado de Lizzie, ela estava sentada no tapete com as pernas cruzadas, o laptop em cima da mesa de centro e vários livros, papéis e pastas ao seu redor e pra completar a cena uma música tocava tão alta que ela nem percebeu sua chegada.
Will se aproximou e soprou na nuca de Lizzie, balançando seus cabelos e arrepiando-a, sensação que nada tinha a ver com o frio. O cheiro dele invadiu-a junto com o sopro quente e ela nem mesmo se assustou.
Ela baixou o volume da música no laptop, sorriu para ele e virou as costas procurando algo na bancada da cozinha.
- Não precisa mais ouvir música pensando em mim! Eu já estou aqui!
- Convencido! Posso saber o que você trouxe pra jantarmos? – ela perguntou enquanto o abraçava.
- Eu não mereço nem um beijo? – ele se fez de ofendido.
- Claro! – ela aproximou a boca da dele e quando estavam bastante próximos ela se afastou e correu em direção a cozinha – Depois do jantar porque eu estou morrendo de fome!
William correu e prendeu-a com seus braços fortes entre ele e o armário da cozinha.
- Você não come sem me beijar antes, sua interesseira! – ele brincou.
- Tudo bem, mas se eu desmaiar de fome enquanto isso a culpa é toda sua.
Ela alcançou a boca dele e brincou com aqueles lábios róseos que tanto gostava, sentindo uma paz dentro de si que nunca seria capaz de imaginar. O beijo foi interrompido com um barulho que fez os dois gargalharem.
- Opa, parece que você tinha razão, seu estômago está reclamando por comida. – ele falou puxando-a para a mesa e mostrando-a a barca recheada de sushis, dos mais variados tipos.
Conversavam enquanto Lizzie arrumava a mesa e Darcy pegava refrigerantes na geladeira.
- Eu avisei, você que quis abusar de mim antes de me alimentar. Vou reclamar com seu pai que você anda me maltratando.
- Com o meu pai?
- Lógico, quando um objeto que compramos quebra não reclamamos no fabricante? Se meu namorado está relapso reclamamos com o pai dele, que é o seu fabricante.
- Então caso você seja má comigo devo reclamar com o seu pai?
Ela respondeu tirando seu hashi da embalagem. - Exatamente! E desejo boa sorte porque o meu pai nunca vai ficar contra mim e te dar razão!
Ele observava a maneira delicada e sensual que Lizzie manuseava os hashis com as peças de sushi até a boca avermelhada. Será que nunca ia cansar de admirar aquela mulher? Ele queria mesmo que não, estava feliz daquele jeito, surpreendendo-a e sendo surpreendido por ela, amando-a e sendo amado, desejando-a e sendo desejado.
Ela percebeu que ele não estava comendo, apenas a observava e foi até a boca dele com sua peça predileta.
- Um beijo pelos seus pensamentos.
Ele mastigou enquanto ela o olhava e então lembrou-se de outra coisa que queria perguntar e ainda não tinha tido oportunidade.
- Estava pensando em como você consegue estudar ouvindo música alta.
- Nem eu sei, só sei que consigo. E fazia tempo que não escutava essa música, ouvi viajando pra praia certa vez com algumas amigas e nunca mais.
- Hum.
- Por falar nisso assim faz tempo que não vou a praia, e nesse frio é praticamente impossível, mas estou com saudade do cheiro do mar e do vento ensurdecedor.
Ele teve uma idéia, mas guardou apenas para si. Continuaram conversando enquanto jantavam. Havia pouca coisa para limpar na cozinha, Will ajudou Lizzie e depois que ela juntou seu material de estudo do tapete da sala os dois sentaram juntinhos no sofá, namorando e aquecendo-se mutuamente.
- O que você queria falar comigo? – Lizzie perguntou depois de um tempo, ela estava ansiosa por conta da tal jóia.
- Nada demais, eu queria vir dormir aqui porque vou ter que viajar amanhã, apenas isso.
- Pra onde você vai?
- Paris. Mas volto o mais rápido possível.
- De novo, Will? Você já esteve lá mês passado. E esse mês também.
- Eu sei, amor, mas eu preciso ir de novo, minha tia anda com problemas na empresa.
- Ela vive com esses problemas agora, sempre te chamando pra resolver. Eu não gosto de ficar longe de você.
- Também não gosto, mas prometo que vou tentar resolver tudo dessa vez pra não precisar viajar de novo tão cedo.
- Você chega a tempo do jantar, não é?
- Claro, meu amor! Charles me mataria se eu perdesse esse momento.
- Vem, vamos dormir agora, eu estou com um sono terrível... – ela não pode continuar devido a um bocejo.
- Tem certeza que quer dormir? – ele levantou a sobrancelha e sorriu com o canto da boca.
- Eu tenho opção? – Elizabeth respondeu sorrindo antevendo o que viria a seguir.
Sem falar nada ele a levou no colo até o quarto, despiu-a lentamente depositando beijos pelo corpo de Lizzie, tirou suas próprias roupas e entraram debaixo das grossas cobertas procurando outras maneiras de espantar o frio.
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