Lábios Compartidos - Maná
Hugh foi arrancado de sua observação por sua irmã, que de longe viu a maneira apaixonada com que ele fitava Georgianna.
- Qual o problema em gostar dela? – ela pressentia o dilema do seu irmão.
- Eu não gosto de Georgianna.
- Eu nem disse o nome dela, Hugh. - Ele permaneceu calado, arrependido por ter aberto a boca.
- Qual é o problema?
- Não dá certo, Zaira, apenas isso.
- E por que não?
- Você ainda pergunta? – a irmã permaneceu olhando inquiridora – Você já olhou pra ela e pra mim? Eu sou um Zé ninguém, um nada, uma pessoa sem graça.
- Você é um músico talentoso e com um futuro promissor pela frente. Ganha seu próprio dinheiro desde os 15 anos, é lindo, charmoso e inteligente.
- E a família dela?
- Até onde eu sei gosta muito de você.
- Ela é bem mais nova do que eu.
- Nove anos completados hoje. Existem casais com diferenças bem maiores.
- Ela está começando a carreira agora, não vai se prender por mim.
- E nem você por ela? O problema não é a garota Hugh, é você. Nenhum dos dois precisa estar preso. Ela vai entender, ela é da sua área. Pelo menos tente.
- Eu não quero magoá-la.
- Já está magoando.
- Eu nem sei se ela gosta mesmo de mim.
- Tente. – ela o deixou sozinho novamente. Hugh pegou uma bebida qualquer e andou sem rumo para algum lugar isolado. Não queria ver ninguém, não queria falar com ninguém.
- Sozinho?
“Essa não...” ele pensou. – O que você está fazendo aqui? – Felton perguntou rude para Caroline Bingley.
- Você precisa disfarçar melhor.
- Até você? Quer saber, dá o fora...
- Você é muito patético mesmo, eu estou aqui para ajudar a...
- Ajudar? Você é o quê? Louca?
- Posso ser louca, mas não sou estúpida feito você que fica pelos cantos suspirando pela ex-namorada que te trocou pelo namoradinho de infância. Ta sorrindo de que?
Ele agora havia entendido.
- Ah, é isso.
- Pense comigo, nós dois juntos podemos separá-los mais facilmente. William não gosta daquela mulherzinha, eu sinto isso.
- Olha, Caroline, se eu fosse você não me metia no caminho daqueles dois.
- E você quer que eu fique como você? Com essa cara de derrotado?
- É um bom começo. – ele sorriu, satisfeito por ela estar achando que ele estava daquela maneira por causa de Lizzie.
- Humfp.
Caroline bufou e deu as costas, não conseguiu a parceria que precisava. “Mas eu vou separar aqueles dois, ou não me chamo Caroline Bingley”.
*
- Georgianna?! Enfim te encontrei. – My ou “Julieta” falou apressada – Você sabe aonde estão as meninas? Nanda? Alayana? Érica? Rosana? Ro? Eu não consigo encontrar ninguém!
- A Ro está ali. – Georgianna apontou e My ficou boquiaberta.
- Bem que ela disse que hoje não saia daqui sem beijar! – as amigas sorriram, Ro estava aos beijos com seu companheiro de dança e pelo visto permaneceria ali até o fim da festa.
- Vamos procurar as outras. Georgie puxou a amiga e depois de andarem um pouco pela festa encontraram o grupinho dançando.
- Amiga, sua festa está perfeita! – Nanda que estava vestida de Jeannie comentou.
- Aquele não é aquele ator lindíssimo? –Érica que estava com uma roupa branca e asinhas acopladas comentou quando viu Matthew Macfayden.
- Como assim aquele ator lindíssimo? Ta doida é? – Alayana que estava fantasiada de Alice no país das Maravilhas respondeu alterada.
Diante do olhar intrigado de Érica, Rosana que estava de Jasmine complementou:
- Não é simplesmente “aquele” ator amiga!
- Aquele é “o” ator mais lindo que possa existir! – Roberta completou. – Ele que fez o Mr. Darcy do filme Orgulho e Preconceito.
- Aaaaaaaaaaah. – Érica entendeu o alvoroço todo. – Confesso que prefiro ele vestido assim de marinheiro!
- Já eu prefiro ele sem roupa! - Nany, uma garota que ia passando vestida de cigana ouviu a conversa e fez esse comentário, gerando uma série de risadas.
- Vamos dançar? – Pri, vestida de fada, perguntou e as meninas gostaram da idéia.
Mas Georgianna virou todo o copo de bebida assustando as amigas. Vão indo, eu vou resolver uma coisa.
- Peraí, onde você vai? – Naiara perguntou apreensiva.
- Fazer algo que eu preciso, não se preocupe.
Ela andou por todos os cantos, viu todos os rostos da festa, menos o que ela queria encontrar, nenhum pirata em seu campo de visão.
- Georgianna? – não, não era possível. Ela reconheceria aquela voz mesmo que se passassem mil anos. Levantou o olhar, era Hugh. Andou a passos lentos até ele, tomou sua mão e puxou-o para o interior do jardim, andaram numa parte mais isolada até chegarem ao caramanchão. O som chegava abafado até os dois.
Ele olhava praquela boca vermelha, para os olhos mais doces que ele já tinha visto, mas naquele momento eles diziam algo além de doçura, algo além de amor, eles diziam decisão.
- Eu quero um beijo. - Ela disse encarando-o.
- Georgianna, é melhor não...
- Eu não estou te pedindo em casamento, Hugh. – ela tocou seus lábios com os dedos para calá-lo - Eu só quero um beijo.
Não foi preciso dizer mais nada. Desde o primeiro beijo que trocaram na casa de Lizzie era só nisso que ele pensava, queria repetir aquela experiência. Mergulhou em sua boca com vontade, como se fosse a última vez que fosse fazê-lo, por cada noite que sonhou com ela, cada interrogação que existia em sua mente. Agora não era hora de pensar, só queria que aquilo não acabasse nunca.
Passaram-se minutos, horas dias. Perderam a noção do tempo.
- Obrigada.- Ela sorriu se afastando.
- Georgie, espera, eu...
- Shii. Não diga nada. Era só um beijo, um simples beijo.
Correu de volta para a festa como se aquele momento nunca estivesse existido.
- Estou indo pra casa. – ele disse passando apressado pela irmã.
- Eu volto com Marc! – Zaira sorriu.
Em poucos segundos partia a toda velocidade com a sua moto. Precisava esquecê-la.
Cecília, Sônia e Sandrine funcionárias das empresas Darcy que estavam de enfermeira, dançarina de cancã e mulher gato, respectivamente, estavam se divertindo quando escutaram sem querer o comentário do pai dele com a irmã.
- Eu acredito que logo você terá um bom motivo para vir a Londres novamente minha irmã.
- Qual seria meu caro cunhado? – Collins intrometeu-se.
- Eu espero poder anunciar um noivado em breve.
- Do que você está falando? – Catherine perguntou exasperada.
- De William, é claro. – ele apontou para o casal que não estava muito longe dos dois.
- Aquela mulher que está com ele não é Caroline. – Catherine disse, mesmo sabendo da resposta.
- Não Catherine, aquela é Elizabeth Bennet. Na verdade nós sempre esperamos que os dois se acertassem.
- Eu não posso acreditar nisso, Fitzwilliam, o que essa moça tem demais que justifique essa adoração de vocês por ela?
- Além dela amar o meu filho? Isso para mim já bastaria, mas além desse pequeno detalhe ela é honesta, carinhosa, vivaz...
- Em compensação a família... – Catherine resmungou.
- Não vejo nenhum problema, minha irmã. Muito pelo contrário.
- Eu espero que meu sobrinho seja sensato e não vá pela sua cabeça. Existem outras mulheres mais adequadas para William.
- Eu tenho certeza que essa não é a opinião do meu filho.
Catherine preferiu não dizer mais nada. Já afastara Will daquela aproveitadora uma vez e poderia muito bem fazê-lo de novo. Era melhor que seu irmão não tivesse desconfianças em relação a ela. Deixou o irmão com o esposo e resolveu dar uma volta sozinha pela festa. Precisava de um plano, e alguém para executá-lo, e ela já sabia quem poderia se tal pessoa.
A festa corria animada. Muitos jovens e adultos divertiam-se dançando músicas famosas de várias épocas, agradando a gregos e troianos. Alguns casais namoravam, se conhecendo de longa data ou não.
Lizzie enfim conseguira um tempo com a irmã, conversaram sobre a vida. Jane estava empolgada com a mudança de Charles e com sua casa nova e Elizabeth mostrava-se feliz com seu relacionamento. Seus respectivos namorados estavam conversando também e as garotas resolveram dar uma volta procurando pelas amigas.
- Aquela não é a tal francesa que namorava com o Sr. Darcy antes dele voltar para Londres? – Miriam, a psicóloga da empresa vestida de Sherlock Holmes comentou com suas amigas Lívia, por sua vez fantasiada de índia e Tatiane que estava de deusa.
- Parece que é ela, sim. - Lívia respondeu - Não entendo como um homem como ele pôde ficar ao lado de uma mulher como ela.
- Do que vocês estão falando? – Fabiane que estava de boxeadora chegou naquele momento com Melissa que estava com um vestido clássico dos anos 30.
- Estamos falando da insuportável ex do nosso patrão. - Tatiane comentou.
- Realmente. Nunca vi ninguém mais esnobe. – Melissa apoiou as amigas.
- Bem, deixemos esses dois pra lá... – Miriam falou e mudaram de assunto.
**
- William, querido! – a ruiva disse se aproximando tentando parecer simpática – Pensei que não fosse conseguir ter sua atenção nessa noite.
- Eu tinha muitas pessoas para recepcionar. – ele respondeu sério.
- Mas eu não sou uma pessoa qualquer, não é?
- Se você diz.
- Você não está mais magoado comigo, não é mesmo? – ela insistiu apesar do ar de indiferença do homem a sua frente.
- Não tenho motivos para estar.
- Que bom, querido. Eu ficaria ainda mais feliz se você dançasse uma música comigo. – ela falou tocando de leve em sua jaqueta.
- Caroline, bem, eu realmente não acho muito ade...
- William! Se você recusar eu não irei acreditar que você não guarda mágoas de mim.
Sem saída ele acompanhou-a até o tablado e para sua infelicidade uma música lenta começou a tocar.
- William! – Caroline falou animada, esbanjando um sorriso – Não está reconhecendo a música?
Ele fingiu não lembrar – Deveria?
- Homens! – ela exclamou – Claro que sim, era a nossa música.
- Não me recordo. Você sabe, sou péssimo para essas coisas.
- Tudo bem, não tem problema. – Depois de algum tempo em silêncio ela aproximou-se mais dele – Você não sente falta de nós?
Perto dali:
- Lizzie? Aquele não é o seu namorado?
Elizabeth que estava sorrindo de uma das estórias de Charlotte olhou na direção que Cintia apontava discretamente.
- É ele, sim. - Confirmou Charlotte – Dançando com a bruxa ruiva.
Elizabeth ficou sem ação por um breve momento. Seus olhos não acreditavam no que estava vendo. O seu namorado estava dançando com a ex dele uma música lenta e ela ainda por cima cochichava em seu ouvido. Era muita informação de uma vez.
- Você vai até lá? – Charlotte perguntou temerosa pela reação da amiga. Lizzie sempre fora ciumenta, tinha bastante zelo pelas suas amizades e ficava enciumada sempre que uma amiga aparecia com uma nova colega, mas Darcy era o primeiro namorado da amiga que mexia com ela de uma maneira que Lizzie não conseguia esconder aquele sentimento.
- Eu deveria ir? – ela perguntou, imaginando o que faria com cada fio de cabelo daquela mulher odiosa.
- Eu, eu não sei, acho melhor não. – Char gaguejou.
- Eu não poderia. Se ele prefere estar com ela eu não tenho porque atrapalhar. – ela disse sofrida.
- Liz? – ela olhou para Cintia que parecia preocupada com ela – É apenas uma dança, não fique assim.
Elizabeth queria responder, porém viu o coronel Richard se aproximando e rapidamente percorreu a distância que a separava do homem.
- Eu ainda não o vi dançar. – ela falou sorrindo.
- Ainda não achei um par que merecesse a minha companhia! – ele brincou.
- Eu posso me candidatar a essa honra?
- Sem dúvidas você já está eleita. – ele sorriu pegando sua mão e dirigindo-se a pista.
George que agora estava sozinho andou em direção a uma mesa ocupada apenas por uma entediada Morticia.
O coronel não sabia dos motivos escusos que fizera Lizzie se aproximar, mas estava gostando da companhia dela, eles dançavam e conversavam animados enquanto ela discretamente aproximava-se de onde Darcy estava com Caroline.
- Eu não gostaria de falar sobre isso, Caroline. – ela viu na resposta dele um encorajamento.
- William, eu queria te explicar algumas coisas, eu não queria realmente que nosso namoro terminasse.
- Caroline, o que passou passou, não podemos deixar isso para trás?
- Não quando eu quero que tudo volte a ser como antes.
- Isso é impossível.
- Não seja turrão! Eu sei que você sente a minha falta assim como eu sinto a sua.
Ele ia refutar quando ouviu uma gargalhada conhecida. Olhou para o lado e viu sua namorada rindo alto, bastante à vontade nos braços de seu primo.
- Mas o que é isso? – ele se perguntou alto deixando Caroline sorridente ao se virar para onde ele olhava.
“Então a interesseira já está com o primo? Isso vai ser mais fácil do que eu imaginei” – ela pensou.
A partir daí nenhuma conversa sobreviveu entre Darcy e Caroline. Ele apenas olhava para o outro casal perto deles enquanto Lizzie fingia não perceber. A música acabou para alívio de William e ele sem dizer nada soltou Caroline que deu um muxoxo por ser largada no salão sozinha e foi em direção ao primo.
- Poderia me dar um momento com a minha namorada, Richard? – ele perguntou irônico.
- Claro, primo! – o coronel depositou a mão de Lizzie nas mãos de William e ela não escondeu a decepção.
Ele delicadamente, ao contrário do que realmente queria, aproximou-se dela, apoiando uma de suas mãos na cintura da morena. Ela a contragosto colocou as mãos no pescoço dele, liberando o outro braço de William permitindo que ele a abraçasse completamente pela cintura e iniciaram uma dança.
- Estava agradável a dança? – ele perguntou sem olhá-la nos olhos.
- Não tão agradável como a sua. – ela envenenou.
- Eu fiz isso por educação.
- O que mais você faz por educação? – ela o encarou furiosa.
- Não me provoque Elizabeth Bennet. Você também estava dançando com outro.
- Que não era o meu ex-namorado.
- Então é isso? Apenas ciúmes.
Ela encarou-o zangada. Não queria dar o braço a torcer, mas não gostara de ver o namorado com outra, não como os dois estavam há pouco.
- Me deixe recompensá-la por isso. – ele disse – Me encontre daqui a cinco minutos no escritório. – ele desceu os dedos pelos braços dela e levantou uma das mãos na altura de seu rosto, aproximou sua face e lambeu discretamente a mão dela enquanto a encarava deixando-a arrepiada e afastando-se antes que ela esboçasse qualquer reação.
Uma música inteira se passou e Lizzie permanecia inquieta ao lado das amigas. Sua curiosidade queria ser saciada e ela imaginava o que a esperaria no escritório, contudo ainda estava com raiva e não queria parecer tão fácil. Mais uma música. E ela não conseguiu conter a postura indiferente. Pediu licença às amigas o cortou o jardim em direção a casa.
Não tinha ninguém na casa, todos se encontravam no jardim curtindo a festa e Lizzie não precisou se preocupar em se esconder.
“Oras, mas pra que eu preciso me esconder?” ela pensou aborrecida, no entanto no fundo estava ansiosa com as intenções do namorado. Bateu três vezes na porta do escritório, entretanto ninguém respondeu. Tocou a maçaneta fria com a mão trêmula e virou-a.
No escritório apenas uma luminária em cima da mesa iluminava fracamente o ambiente.
- William? – nem um som em resposta – Will? – ela aumentou a voz enquanto andava até a luminária. Ouviu um barulho de chave e virou a cabeça devagar, mas quando viu a porta não havia mais ninguém.
- William Darcy! Apareça! Eu não estou gostando disso.
- Garanto que você vai gostar. – a voz rouca e o hálito quente atingiram sua orelha.
- O que você pensa que está fazendo?
- O que eu queria fazer desde o momento em que te vi com essa roupa. – ele respondeu rapidamente e apossou-se feroz da boca dela que ao ter contato com aqueles lábios cheios não conseguiu pensar em nada além de corresponder aquele beijo.
Quando Lizzie perdeu completamente o fôlego voltou a si e empurrou-o.
- Não pense que eu esqueci que você estava dançando com aquela... - fechou a boca para não proferir um palavrão.
- Era apenas uma dança, ela praticamente me obrigou e eu não quis ser grosseiro.
- Não importa.
- Eu estou aqui com você, não estou? – ele disse aproximando-se novamente e beijando o pescoço dela sedutoramente - É por você que eu fico assim. – ele disse pressionando seu corpo mais uma vez contra o dela mostrando a Lizzie o que seu corpo sentia e por quem.
Com aquela boca quente em seu ponto fraco Lizzie não conseguia lutar contra o desejo que sentia.
- Aquela porta está bem trancada? – ela perguntou sedutora arrancando a jaqueta de couro dele.
- Completamente.
- Ótimo! – ela mordeu o lábio inferior encarando-o.
Ele desceu as mãos pelo colo dela, mas não se deteve nos seios para decepção da mulher. Agarrou o cinto dela, desamarrou a fivela e soltou-o que caiu com um barulho surdo no tapete.
Subiu e desceu as mãos pelos quadris dela enquanto lambia e sugava sua orelha fazendo-a gemer.
- Isso é tortura. – ela reclamou arrepiada e completamente excitada.
- Eu sei disso. – ele agora descia pelo pescoço e parou próximo ao decote - Você não gosta?
- Muito. - Ela respondeu colocando as mãos dele no zíper do vestido dela.
- Posso? – ele perguntou maroto antes de abri-lo.
- Deve – ela respondeu esfomeada, apoiando-se com as mãos na mesa enquanto ele desnudava-a e a contemplava com um olhar cobiçoso.
Lizzie puxou-o para um beijo enquanto Will acariciava seus seios, os mamilos rígidos e sensíveis. Ela arrancou o cinto dele e abriu o botão e o zíper da calça, roçando propositalmente numa certa parte de sua anatomia completamente desperta.
Extraiu a camiseta de dentro da calça, colocando suas mãos em contato com a pele dele, arranhando de leve aquele peitoral definido. Beijaram-se e acariciavam-se como se a festa lá fora não existisse. Ela estava apenas com sua calcinha preta e calçada em suas longas botas e ele de calça e bota também. Quando Lizzie fez menção de tirar os calçados ele impediu.
- Você está ótima assim.
A calcinha de Lizzie também fora jogada no tapete e Darcy já não conseguia mais esperar.
- Lizzie... - ele falava sem interromper o contato entre suas bocas – eu preciso de você agora. – ele disse acariciando-a mais intimamente, vendo que ela já estava pronta para recebê-lo.
**
Os dois deitaram no tapete enquanto recuperavam-se dos intensos acontecimentos.
- Will? – ela falou quando percebeu que ele não abria os olhos. – Não vá dormir, não podemos passar a noite aqui.
- Tem razão, vamos para o quarto.
- Will! A festa não acabou!
- Eu não disse isso, a “nossa” festa apenas começou. – ele beijou-a.
Vestiram-se e subiram para o quarto dele, tomaram banho juntos e foram para a cama, fazer algo completamente diferente de dormir.
Dessa vez permaneceram bem mais tempo trocando beijos e carinhos até outro clímax os atingir deixando-os completamente exaustos. Dormiram abraçados.
***
Richard recebeu uma mensagem no celular, era seu amigo George Clenew:
“Consiga uma carona... eu, de repente fiquei meio ocupado, sei que você vai entender”. Era óbvio que o amigo entendia, afinal, ele passara a festa inteira dançando com uma moça chamada Ðąyąηє, ainda achando graça na mensagem só percebeu que estava prestes a esbarrar numa pessoa quando sentiu um leve baque e ouviu uma reclamação.
- O que você pensa que estava fazendo? – Charlotte perguntou alterada – Não olha por onde anda?
Richard não esquecera da maneira que aquela mulher o tratou no início da festa e acabou se irritando.
- Eu tento, mas algumas pessoas não tem tamanho suficiente para despertar atenção. – ele alfinetou.
- Você está me chamando de baixa?
- Entenda como quiser.
- Olhe aqui, você é um poço de grosseria! Faça o favor de... – ela ameaçou apontando o dedo pra ele que impediu, segurando-a pelo braço e forçando-a a baixar o dedo.
- Olhe aqui você – ele baixou o tom de voz e aproximou o rosto dos dois – Eu não sei o que deu em você pra me tratar mal sem nem mesmo me conhecer, mas garanto que não vou dar esse gostinho. Você quer ser amarga que seja, mas longe de mim.
Ele soltou a mulher que o olhava boquiaberta e deu as costas. A festa acabara ali para ele, detestava falar com uma mulher daquela maneira, mas a amiga de Elizabeth o tirou completamente do sério. Chamou um táxi pelo celular e foi esperar no portão da casa.
- Cintia?
Charlotte precisou ligar para a amiga que iria embora com ela.
- Oi Char, ela respondeu meio envergonhada.
- Você gostaria de ir embora?
- Para casa? – ao ouvir isso o rapaz que estava aos beijos com ela falou em seu ouvido que a deixaria em casa.
- Lógico amiga, pra onde mais iríamos as quatro da manhã?
- Ah, Char, eu acho que você deveria ir, vou ficar mais um pouco, na verdade consegui outra carona.
Charlotte “sacou” as intenções da amiga e depois de despedir-se saiu da casa, deparando-se com o mesmo homem que discutira há poucos minutos. Ela o olhou meio sem graça e ele virou o rosto aparentemente zangado, ela decidiu então aproximar-se e pedir desculpas.
- Com licença, coronel. – ela pronunciou baixinho.
- Mais alguma grosseria? – ele perguntou sem olhá-la.
- Na verdade eu gostaria de me desculpar com o senhor. Eu realmente não sei o que aconteceu comigo.
- Ok, vamos esquecer esse lamentável episódio, mas por favor tente controlar esses seus hormônios temperamentais na próxima vez.
- Agora é o senhor que me ofende! – ela retrucou brava.
- Calma! – ele sorriu tocando-lhe o braço – Foi apenas uma brincadeira.
Charlotte sorriu e olhou para o local do corpo que ele tocava e sem querer imaginou aquela mão passeando pelo seu corpo. Sacudiu a cabeça para retirar essa imagem intrusa e resolveu perguntar o que ele fazia ali parado. Richard por sua vez respondeu que esperava um táxi.
- Deixe-me reparar meu erro? Eu posso te deixar em casa.
- Não é preciso, não quero te tirar do caminho.
- Eu faço questão, venha, espero que consigamos passar pelo menos alguns minutos sem discutir.
- Se você insiste podemos tirar a prova. – ele sorriu e deu o braço para ela, que se aproximou e sorriu.
**
- Georgianna, vim me despedir amiga!
- Alayana! Ainda está cedo. – ela abraçou a amiga vestida de Líder de torcida.
- Cedo pra acordar você diz! – as duas sorriram, o sol estava perto de nascer – Preciso mesmo ir, tenho que cuidar da minha viagem.
- Tudo bem amiga! Divirta-se nos Estados Unidos e mande notícias!
- Você terá! A qualquer momento estou nas capas das revistas! – brincou a garota que estava indo tentar a sorte no cinema americano.
**
Hugh pilotava no caminho de casa, embriagado pelo beijo que trocara com Georgianna.
“Maldição! Eu não posso, eu não quero estar apaixonada por aquela garota... embora tenha a cada minuto menos dúvida sobre isso. Não tenho idéia do que deveria fazer”
Hugh acreditava que as diferenças entre eles eram gritantes e não queria mais repetir o erro que cometera com Lizzie, embarcando numa relação furada com alguém completamente oposto de si mesmo. Mas quando refletia descobria que as diferenças estavam apenas na idade e na fortuna da família. Estavam os dois no mundo da música, tinham gostos parecidos e fisicamente eram... “Dificilmente separáveis” ele pensou ao lembrar dos beijos dela. “Preciso parar de pensar nisso, tenho uma estréia para cuidar.” Ele resolveu dar um tempo, refletir suas idéias e tentar voltar ao rumo de sua vida, embora soubesse que tirar uma certa loira da cabeça seria difícil.
Catharine Collins e Caroline Bingley encontraram-se durante a festa, e facilmente a mais velha percebeu que poderia contar com a outra. Moravam no mesmo país, seria fácil encontrá-la, e, para não causar suspeitas a experiente mulher entregou um cartão para a ruiva e avisou que esperava a ligação dela dali a poucos dias.
Já era quase manhã e todos os convidados já haviam se retirado da mansão, apenas as pessoas contratadas para o evento permaneciam no jardim cuidando da limpeza enquanto a desmontagem ficaria para mais tarde.
Já era mais de meio dia quando a família Darcy junto com Elizabeth se reuniu para um café-almoço.
- Então minha filha, o que achou da festa? Foi como você queria? – Fitzwilliam perguntou e a garota abriu um sorriso satisfeito.
- Foi tudo perfeito! Eu não tenho do que reclamar! Você gostou, Lizzie?
- Muito! Mas estou exausta, preciso de um ano para me preparar para a próxima. – ela brincou.
- Foi realmente muito boa! Saiu tudo como nós planejamos. – Michelle completou.
- E os jornais não perderam tempo. Darcy disse passando os papéis para a irmã. Você está em praticamente todas as colunas.
- Apenas eu não, William? Nós. – ela apontou para uma foto que estavam Lizzie, William, Jane e Charles e leu a notinha:
“Parece que o milionário William Darcy foi realmente fisgado. Ele tem sido visto na noite londrina com a morena da imagem há alguns meses. Ao lado dos dois a cunhada e seu namorado, um importante médico francês.”
- Detesto a palavra “fisgado”! - Lizzie fez uma careta e os Darcy riram.
- Quer que eu melhore pra você?
Michele e Georgianna ficaram empolgadas e responderam afirmativamente por ela.
“Parece que o lindo, educado, inteligente e charmoso engenheiro William Darcy está perdidamente apaixonado” – ele narrava como num jornal televisivo – “Fontes afirmam que a culpada é uma morena igualmente linda, educada, inteligente e gost... – Lizzie corou por causa da presença dos tios e ele colocou a mão na boca fingindo ter dito algo que não queria fazendo todos sorrirem – “Continuando, tal morena tem sido vista constantemente em sua companhia e comenta-se que ela seja essencial para ele pois o mesmo afirma que seria impossível ficar longe do amor da sua vida.”
Todos aplaudiram sorridentes a interpretação do homem e Lizzie o olhou apaixonadamente. Ali era seu lugar, ao lado do homem que amava e ela não pretendia deixá-lo por nada no mundo.
~x~
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