Citações

Não quero que as pessoas sejam muito gentis; pois tal poupa-me o trabalho de gostar muito delas.(Jane Austen)

Outra Vez - Capítulo XXII

  • PDF
  • Imprimir
  • E-mail
 
 
Acordar ao lado de William era algo indescritível para Lizzie. Ela se sentia feliz, completa e preparada para enfrentar todo um dia de trabalho duro. Mas precisava voltar à realidade, seu apartamento estava abandonado e sua vida completamente bagunçada, embora tivesse o mais importante, o amor da sua vida ao seu lado.
 
Depois de tomarem café com os Darcy, Will levou Lizzie para a casa de seus pais, ela pegou suas coisas de volta e seguiram para seu apartamento. Ela deixou suas roupas sujas na lavanderia da esquina e desceu na porta do prédio depois de se despedir do seu amor com muitos e apaixonados beijos.
 
Desejou-o um bom dia de trabalho e ficou observando o imponente carro prateado se afastar.
 
Quando chegou ao seu andar viu encostada à porta da residência uma caixa enfeitada. Lizzie tomou em suas mãos e entrou em casa, colocou-a em cima da mesa, derrubou sua mochila no sofá e voltou-se para a caixa e abriu-a com cuidado. Dentro dela havia uma caixa um pouco menor toda trabalhada. Abriu-a e uma música suave começou a tocar, então ela lembrou. Ela havia ganhado uma caixinha para guardar jóias igualzinha aquela caixa em um de seus aniversários, William lhe dera a caixinha e seus tios Anne e Fitz lhe deram um lindo cordão com um pingente de bailarina que ainda hoje Lizzie guardava. Mas infelizmente uma das pessoas que trabalhara em sua casa derrubou a caixa o chão e esta quebrou, nunca mais funcionando direito. Sua mãe prometera comprar outra na época, mas Lizzie não se conformou, ganhara aquela caixinha de Will e não queria nenhuma outra. O tempo passou e ela foi esquecendo a estória e hoje William lhe trazia a memória de novo.
 
A caixa era exatamente igual à outra, mas tinha um tamanho maior. Dentro dela havia um espelho na parte da tampa, uma rosa que já estava seca, sinal de que já fazia alguns dias que a caixa estava lá. Embaixo da rosa havia um papel de seda cobrindo alguma coisa. Lizzie retirou e achou uma cópia das fotos que Will tinha em seu guarda roupa. Ela sorriu.
Atrás da fotografia com os dois ainda crianças havia escrito:
 
“Nesse momento eu já te amava. Com toda a inocência, pureza e bondade que só as crianças possuem.”
 
Lizzie beijou a imagem de Will e olhou pra trás da segunda foto:
 
“Você acredita mesmo que é possível fingir esse olhar apaixonado? Fingir que amo você? Seria a falsidade mais verdadeira, pois durante esse tempo todo eu continuei e continuo apaixonado por você. Nenhum desses momentos foi falso. Os momentos que estou ao seu lado são os mais verdadeiros e felizes que eu já vivi. Amo você Elizabeth Bennet. Me perdoa?”
 
Lizzie deduziu que aquela caixa estava lá bem antes dos dois fazerem as pazes, se ela não tivesse na casa dos pais já a teria visto. Anotou mentalmente que deveria comprar porta retratos, pois queria exibir as fotos na sala, a vista de todos e depois pegou o celular, ainda ouvindo a música que tocava na caixinha.
 
No segundo toque a voz que ela mais amava ouvir atendeu.
 
- Oi meu amor, aconteceu alguma coisa?
 
- Não, aliás, aconteceu. – Lizzie sorria satisfeita.
 
- O que houve? Você está bem?
 
- Estou ótima! Só queria te dizer que eu amo você. Mais do que há alguns minutos atrás.
 
- Eu também amo você meu amor! Posso saber o que te deixou assim, mais apaixonada?
 
- O simples fato de você a cada dia me mostrar que é o homem da minha vida! – ela o fez sorrir.
 
- Lizzie eu preciso trabalhar, se você disser mais alguma coisa eu pego o primeiro retorno e volto pra junto de você e só te largo quando você abusar de mim.
 
- É impossível abusar de você, mas agora vou deixar você trabalhar. Beijo.
 
- Beijo meu amor. Amo você.
 
Ele desligou e Lizzie foi cuidar da arrumação de sua casa, ao som da música da caixinha e com um sorriso bobo no rosto.
 
**
 
Duas semanas depois, seis da tarde, residência dos Darcy.
 
Georgianna desceu do carro e dispensou o motorista, assim que entrou em casa recebeu o recado de sua madrasta para procurá-la em seu quarto quando chegasse.
 
- Oi, Mi! - Disse a garota andando em direção a cama da madrasta onde esta estava.
 
Michelle abraçou e beijou a enteada e convidou-a para sentar-se com ela.
 
- Como foi o ensaio hoje?
 
- Foi ótimo! Já escolhemos as músicas, e você não vai acreditar, das quinze musicas do CD duas são de minha autoria e em outras três ajudei a fazer os arranjos!
 
- Que bom meu bem, eu sabia que eles iam perceber que o seu talento não se limitava a sua voz.
 
- Mas você está com uma cara de preocupada, o que houve?
 
- Chegou essa caixa hoje. – Michelle apontou. – São os convites do seu aniversário. Com aquela confusão toda nos esquecemos de cancelar na gráfica, agora temos 300 convites sem utilidade.
 
- Então vamos entregá-los! – Georgianna sorriu.
 
- Tem certeza que você ainda quer a festa?
 
- Claro, agora só tenho motivos para comemorar, Wickham está preso, eu vou lançar meu primeiro CD no final do ano, William e Lizzie se acertaram, Jane e Charles estão praticamente casando e você e meu pai estão ao meu lado, o que mais eu posso querer? “Que Hugh me note!” – ela pensou – “Mas disto estou quase desistindo”.
 
- Se você quer assim acho que seu pai não irá se opor. Amanhã mesmo vou recomeçar a organizar as coisas! – Michelle falou mais animada.
 
- Porque esperar por amanhã? Podemos começar agora.
 
- Vamos lá então!
 
As duas passaram algum tempo escolhendo Buffet, Músicos, decoração, e nem perceberam o tempo passar.
 
**
 
Era a vez de Jane ir a Paris, mas Charles viera à Inglaterra de novo, Jane escolhera alguns apartamentos e Charles viria para juntos escolherem o que mais agradava os dois. Além disso, Will conseguira uma entrevista para ele no maior Hospital de Londres na segunda-feira.
 
A própria Jane, com a ajuda de sua irmã e melhor amiga, dias antes conversou sobre os pais sobre a sua decisão de morar com Charles. Por incrível que pareça sua mãe era contra, não queria a filha morando com ninguém sem as cerimônias de praxe e principalmente sem uma grande festa. Mas Jane não abriu mão, explicou para os pais que de nada valia um documento se não existia amor e respeito e esse não era o caso dela e de seu namorado.
 
Queriam viver juntos e não estavam dispostos a esperar todos os trâmites que um casamento necessitava. Sem ter outra escolha Fanny não teve o que fazer senão resignar-se, mas antes conseguiu com que a filha a deixasse pelo menos organizar uma pequena comemoração para os familiares e amigos próximos.
 
Jane aquiesceu, com ela saindo de casa seus pais se sentiriam um pouco sozinhos, não custava nada dar esse pequeno prazer a sua mãe. Fanny deixou seu esposo com suas filhas e subiu para o quarto, para planejar cada detalhe da celebração.
 
Anthony abraçou a filha mais velha bastante emocionado.
 
- Desde que você nasceu eu soube que você veio ao mundo para ser feliz, se esta é sua escolha saiba que seu pai lhe dá todo o apoio. E assim como eu fiz com Lizzie me deixe presenteá-la com sua nova casa.
 
- Obrigada papai. Eu vou sentir falta de vê-lo todos os dias! Mas quanto a casa não se preocupe, você já me ajudou muito, minha livraria não seria o que é hoje sem a sua ajuda no início, Charles faz questão de comprar nosso imóvel. Se você faz questão de me dar alguma coisa peço que controle a mamãe, não a deixe fazer nada muito grande! – Jane sorria temerosa, mas ao mesmo tempo feliz.
 
- Vou fazer o possível, mas você a conhece tão bem quanto eu! – os três sorriram, sabiam que a comemoração seria pelo menos três vezes maior do que a mulher prometera a filha – E você minha caçula intempestiva, quando meu afilhado vai criar coragem pra tentar roubá-la de mim também?
 
Lizzie ficou vermelha.
 
- Não seja precipitado papai, vamos falar sobre Jane agora, isso é o mais importante. – ela desconversou.
 
Anthony sabia que sua filha estava realmente amando, e sentia também que em pouco tempo ela seria uma mulher casada.
 
**
 
Sábado pela manhã Charles e Jane saíram para visitar os imóveis.
 
- Eu espero que você goste dos apartamentos que eu escolhi meu amor.
 
- Apartamentos? Eu pensei que você tivesse selecionado casas.
 
- Eu achei que casas seriam tão grandes pra nós dois.
 
- E os nossos filhos?
 
Jane gelou. Nunca haviam conversado sobre isso e Charles nunca demonstrou que queria ter filhos.
 
“Ele é pediatra, claro que ele gosta de crianças e é óbvio que ele um dia vai querer ter seus próprios filhos. Como fui inocente.” – pensava Jane.
 
- Você está bem meu amor?
 
- Estou sim. – ela tentou parecer melhor.
 
Chegaram ao primeiro apartamento, receberam a chave na portaria e subiram.
Depois de olharem tudo Jane pediu para falar com Charles.
 
- Meu amor, preciso dizer algo pra você.
 
- Pode falar, sinto que tem algo preocupando você desde que toquei no assunto de crianças no carro. O que houve? Você não quer ter filhos?
 
- Quero sim, eu adoraria ser mãe, mas, Lizzie...
 
- O que tem Lizzie?
 
- Charles, você não pode falar nada na frente dela ok?
 
- Claro, confie em mim.
 
- Lizzie não pode ter filhos. – Charles como médico sabia que infertilidade não era nada incomum e não se mostrou chocado – Então eu tenho medo de magoá-la engravidando sabe?
 
- Eu te entendo Jane, e admiro esse seu amor e sua proteção em relação a sua irmã, isso só mostra o quanto seu instinto maternal é aflorado, mas tenho certeza que Lizzie ia adorar ser titia!
 
- Você acha mesmo?
 
- Claro. A amizade de vocês é linda, ela não ia querer tirar de você o prazer de ser mãe.
 
- Acho que você tem razão, mas mesmo assim, podemos esperar um pouco, talvez ela se acerte de vez com William e eles resolvem adotar uma criança, assim eu me sentiria mais confortável.
 
- Temos todo o tempo do mundo! – Charles a tranqüilizou e tomou seus lábios que de um simples beijo foi tomando formas intensas e vorazes devido a saudade que os assolava.
 
– Mas podemos começar a ensaiar agora! – ele disse em um tom brincalhão recheados de segundas intenções.
 
O apartamento vazio e silencioso era a única testemunha daquele momento. Charles arrancava o vestido de Jane avidamente, e ela fazia o mesmo com as roupas dele. Beijaram-se e amaram-se intensamente, no chão frio e desnudo da sala de estar.
 
- Charles...
 
- Hum? – ele respondeu enquanto acariciava o rosto da amada.
 
- Obrigada! – Jane derramava seu sorriso doce para Charles.
 
- Pelo que meu amor?
 
- Por me amar, por ser exatamente assim como você é. Doce, especial, atencioso, meigo.
 
- Eu que tenho que agradecer Jane. Não sou nada disso que você disse. Seus olhos bondosos que enxergam demais. - Jane ia falar, mas ele impediu – Nada de me contradizer, nisso eu tenho razão.
 
- Tubo bem, não vou mais falar nada, só que precisamos ir agora, já passamos tempo demais aqui, precisamos ver outros apartamentos.
 
- Não precisamos mais. Vamos ficar com esse.
 
- Tem certeza?
 
- Claro! Esse apartamento é novo, nunca ninguém morou aqui antes, é grande, espaçoso, perto da casa de seus pais e principalmente, já nos viu despidos, tem intimidade maior do que essa?
 
Jane riu.
 
- É sério meu amor, não podemos correr o risco dessas paredes revelarem o nosso segredo! – ele também sorria – Vamos fechar negócio na corretora agora mesmo.
           
Jane estava satisfeita, Charles soube compreendê-la com relação a uma gravidez e ainda havia gostado daquele apartamento, um dos que ela mais apreciara. Procederam com a negociação e passaram o restante do dia juntos.

À noite Georgianna e os dois casais foram ao teatro e depois do espetáculo combinaram de ir a uma pizzaria. Normalmente ela não sairia com os dois casais, não se sentia confortável “segurando vela”, mas abrira uma exceção por causa da peça que ela queria muito assistir e ainda em conseqüência do seqüestro seu pai achava mais seguro que ela não saísse apenas com as amigas.          
 
***
 
Hugh passou um tempo sem ensaiar por causa do braço machucado pelo tiro, o que atrasou um pouco a agenda da banda, naquela noite ele havia retornado aos ensaios e os integrantes do conjunto resolveram comemorar. Do estúdio seguiram para uma pizzaria que ficava próximo juntamente com outras pessoas da gravadora. A mesa deles era uma das mais animadas.
Assim que chegaram à pizzaria lotada as garotas foram ao toalete enquanto seus namorados providenciavam uma mesa para eles.
Hugh viu Darcy de longe e acenou, desde o seqüestro não via ninguém da família dele. William percebeu o aceno e se dirigiu até a mesa dele com Charles. Hugh levantou-se e conversou um pouco com eles e Sulani que também estava na mesa olhava descaradamente para Darcy. Até que resolveu intervir, levantando-se e aproximando-se dos dois homens.
 
- Com licença! – os três pararam de conversar e se viraram para ela. – Ainda temos lugares na mesa. Hugh, deixe de ser mal educado e convide seus amigos para sentarem-se conosco.
Hugh dirigiu discretamente um olhar assassino pra Sulani, enquanto os amigos decidiam se aceitavam ou não o convite. Não que estivesse com ciúmes, mas sentiu um baque no seu ego, já havia perdido Lizzie para William agora Su admirava-o embasbacada. O que a família Darcy tinha de tão atraente? Georgianna também era assim, se ele estivesse perto dela acabava perdendo toda a concentração e por isso a evitava. Sacudiu a cabeça tentando não trazer a imagem dela novamente e consciente da dificuldade que eles teriam para conseguir outra mesa reiterou o convite.
 
- Muito obrigada, mas não queremos incomodar, vamos esperar Jane, Lizzie e Georgie virem do toalete e vamos procurar outro lugar, aqui está bastante cheio. – William falou educadamente enquanto Hugh sentia o estômago revirar ao ouvir o nome de Georgie.
 
Sulani frustrou-se, afinal acabara de saber que os dois bonitões estavam acompanhados, mas não desistiu, pelo menos limparia a vista.
 
- Não se preocupem, conheço um dos garçons, em segundos consigo quatro cadeiras! – ela sorriu e saiu em direção ao balcão.
 
Georgianna parecia menos menina e mais mulher naquela roupa. Lógico que ao lado de Jane e Lizzie percebia-se que ela era a mais nova, seus olhos, porém traziam uma maturidade que Hugh nunca havia percebido. Quando ela o viu apertou a mão de Lizzie inconscientemente, e a amiga e cunhada discretamente falou-lhe ao ouvido:
 
- Sorria, apenas sorria. Trate-o como qualquer outro.
 
Como não tinha nenhuma outra idéia do que fazer agiu de acordo com o conselho. Quando as mulheres voltaram e encontraram os rapazes na mesa de Hugh, Georgianna sorriu, Hugh mediou as apresentações e ela falou com todos, não demorando mais do que o necessário com Hugh. A presença de Sulani a incomodou, ela, no entanto, não demonstrou.
 
Lizzie rapidamente percebeu os olhares de Sulani em direção a William, sabia que seu namorado era extremamente lindo e charmoso e chamava a atenção de mulheres e de homens, mas aquela mulher não disfarçava.
 
- Então Sulani, pelo visto você não é daqui! – ela puxou assunto tentando ganhar a amizade da mulher e tirar a atenção dela de seu homem.
 
- Na realidade não, sou Brasileira, mas já moro em Londres há cerca de cinco anos.
 
- Nossa, que interessante, tenho muita vontade de conhecer o Brasil.
 
- Eu adoro a Inglaterra, mas meu país é realmente fabuloso, se um dia você desejar conhecê-lo me procure, posso fazer uma lista de lugares incríveis.
 
Lizzie sorriu e Will que havia escutado o fim da conversa voltou-se para as duas.
 
- Então você é brasileira? Eu conheço o seu país, realmente encantador! – Sulani agradeceu com um sorriso enquanto jogava o cabelo para o lado, deixando Lizzie enciumada – De que região você é mais exatamente?
 
- Nordeste, nasci em Recife no estado de Pernambuco.
 
- Infelizmente não cheguei a conhecer o Nordeste. – ele lamentou – Mas ainda pretendo.
 
- Você vai pra lá de vez em quando?
 
- Já faz um ano que não vou, estava planejando ir no fim do ano mas duas amigas vêm me visitar e talvez eu demore um pouco mais aqui.
 
- Quando elas chegam? – Um dos integrantes da banda perguntou interessado. – A beleza das brasileiras é famosa por aqui!
 
- Daqui a duas semanas – Su respondeu. - Mas as duas são casadas. – e diante do olhar de gracejo do amigo ela continuou – E fiéis!
 
Georgianna reparou o tempo todo na distância entre Hugh e Su. Eles realmente pareciam não ter mais nada e ela o tratava como qualquer um ali. Será que não existia mais nada entre eles? Precisava ter mais tempo para observar isso, pensou em convidar todos para seu aniversário. Todos os integrantes da banda nova dele estavam se mostrando bem legais, apesar de já serem mais conhecidos no mundo da música do que a banda anterior. Por enquanto não falaria nada, mas amadureceria essa idéia.
 
Hugh estava tentando evitar olhar para Georgianna, mas estava difícil, conversaram poucas amenidades, a atenção dela estava sempre disputada pelos companheiros de banda que a acharam linda assim que a viram. Estava ansioso, sem saber o que dizer e nem como agir. O aniversário dela estava chegado, ele queria comprar um bom presente pra ela, mas o que comprar pra alguém que já tem tudo?
 
Ben, o baterista tinha todas as atenções voltadas para ela e Hugh já estava se irritando. Quando a menina emendou uma conversa com Lizzie ele perguntou discretamente para o colega:
 
- O que você acha que está fazendo?

- Tentado paquerar a mulher solteira mais bonita da mesa? Algum problema? – Ben riu.
- Todos. – o colega o olhou intrigado esperando uma explicação – Primeiro que ela não é uma mulher e sim uma garota.
 
Bem gargalhou. - Em que planeta você vive Hugh? Essas garotinhas de hoje muitas vezes superam as mais velhas, e ela não é tão novinha assim. Você parece mais estar com ciúmes. O que foi? Só porque a salvou acha que tem direitos sobre ela príncipe encantado de araque? – Ben brincava.
 
- Ah quer saber? Deixa pra lá. Faça como quiser.
 
Georgianna percebeu que Hugh fechou a cara, será que ela estava atrapalhando alguma coisa? Será que ele só estava distante de Su por causa dela? Agora mais do que nunca queria ir embora e disse a Lizzie discretamente.
Por algum tempo a noite continuou animada, os que chegaram depois foram embora assim que comeram sua pizza e acertaram a conta. Charles estava cansado, Georgianna desconfortável e Lizzie incrivelmente não estava de bom humor.
Jane e Charles foram para a casa dos pais dela e Will e Lizzie deixaram Georgianna em casa e foram para o apartamento. Ela não queria que ele fosse com ela aquela noite, preferia ter ficado logo em casa, mas não queria discutir na frente de Georgianna. Foi o caminho todo em silêncio, mal respondendo as perguntas dele que não entendia o que estava acontecendo.
 
Quando chegaram à porta do prédio Lizzie saiu do carro rapidamente, não esperando Will estacionar. Ele não estava entendendo o motivo daquela reação colocou o carro na garagem e seguiu sozinho para o apartamento dela.
Quando chegou ao elevador Lizzie já havia subido, ele esperou e subiu também. Encontrou a porta encostada e entrou, Lizzie permaneceu calada e Darcy não sabia como agir.
 
- Ainda posso dormir aqui? – foi a única coisa que conseguiu dizer.
 
Lizzie não sabia como dizer não, ela ainda estava enciumada e em sua opinião o namorado dera corda para a brasileira na pizzaria. Ela acabou permitindo, mas estava decidida a dormir, nada mais do que aquilo aconteceria entre os dois.
Lizzie trocou de roupa rapidamente no closet, escovou os dentes e deitou na cama, cobrindo-se completamente com o edredom.
 
“Eu não vou deixá-lo encostar em mim hoje. Lizzie, por favor, seja forte só hoje” – ela se esforçava para não sucumbir ao desejo que sentia pelo namorado.
Darcy livrou-se da camisa e da calça e deitou só de boxer ao lado dela, tentando abraçá-la. Lizzie afastou-se com muito esforço.
 
- O que foi? Não posso mais te abraçar?
 
- Estou com calor.
 
- Em pleno outono e toda embrulhada Lizzie? – Darcy gargalhou. – Pode pensar em outra desculpa.
 
Lizzie levantou-se enfezada e foi pra perto da janela. Ele sentou-se, encostado na cabeceira da cama com as mãos na nuca.
 
- Que bicho te mordeu Lizzie? Por que você está assim?
 
- Assim como, Will? Eu estou normal, quem não está é você.
 
- Eu? O que eu fiz?
 
- “Apenas” deu confiança praquela amiguinha do Hugh a noite toda, foi só descobrir que ela era brasileira que virou a pessoa mais simpática do mundo.
 
- Eu não acredito que você está com ciúmes! - Ele levantou-se e andou até ela, virando-a para si - Lizzie, olha pra mim, você está com ciúmes?
 
- Não é ciúmes, você que não me respeitou, passou a noite flertando com outra na minha frente.
 
- Lizzie, você não pode estar falando sério. Eu só tenho olhos pra você meu amor. Conversei com aquela mulher porque me interesso muito pelo país dela, só isso, você vai se encantar pelo Brasil também, nós podemos ir pra lá nas férias, o que você acha?
 
Ela fez bico, queria que ele a abraçasse e só. Não sabia o que estava acontecendo, se sentia tão sensível, nunca fora de sentir ciúmes dessa forma, o olhar de William sobre si era a maior prova de que ele realmente só tinha olhos pra ela, arrependeu-se de ter causado aquele desentendimento à toa e não conseguiu segurar as lágrimas, assustando Will que a abraçou.
 
- Calma, pequena, esquece isso, vem, vamos deitar.
 
Eles deitaram e Lizzie se aconchegou no corpo dele.
 
- Desculpa Will, ando meio estressada esses dias, acabei descontando em você.
 
- Tudo bem meu amor, só quero ficar pertinho de você.
 
- Jura que não vai me achar uma ciumenta descontrolada sem noção?
 
- Juro meu amor, você não é uma ciumenta descontrolada, é só a mulher mais linda do mundo na TPM. – ele a fez sorrir.
 
- É, deve ser isso mesmo.
 
- Mas eu tenho um remédio ótimo pra isso. - Ele disse avançando na boca dela que não percebeu as intenções dele e virou animada.
 
- É chocolate? – ela perguntou sorrindo.
 
- Na verdade é algo muito gostoso também, mas ao contrário do chocolate faz perder calorias.
 
- Você acha que eu preciso perder calorias, Will? Você está insinuando que eu estou gorda? – ela levantou ofendida e correu para o espelho verificar o corpo. Viu que seu corpo estava mais roliço sim, mas não estava gorda, seus seios estavam mais cheios e seus quadris mais proeminentes, como se tivesse desenvolvendo seu corpo agora. Realmente antes de sair tinha reparado que suas roupas estavam mais justas, mas ouvir do próprio namorado que estava gorda era demais para a auto estima de uma mulher na véspera daqueles dias.
 
William suspirou, a noite seria longa.
 
- Eu não disse e nem acho que você está gorda, pequena, pra mim você está igual, linda e perfeita como sempre, a mulher mais gostosa da face da terra. – ele insinuou-se.
 
- Jura que você não reparou mesmo?
 
- Meu amor, e daí se você estivesse engordado? Eu gosto de você e sempre vou gostar, até você virar uma velhinha com um óculos na ponta do nariz enrugado e os cabelos da cor de neve.
 
- Eu duvido.
 
- Duvida é? Vem cá. – ele levou-a de volta para a cama em seus braços enquanto recitava um poema com sua voz rouca e máscula no ouvido dela.
 
“Quando já fores velha, e grisalha, e com sono,
Pega este livro: junto ao fogo, a cabecear,
Lê com calma; e com os olhos de profundas sombras
Sonha, sonha com o teu antigo e suave olhar.
Muitos amaram-te horas de alegria e graça,
Com amor sincero ou falso amaram-te a beleza;
Só um, amando-te a alma peregrina em ti,
De teu rosto a mudar amou cada tristeza.
E curvando-te junto à grade incandescente,
Murmura com amargura como o amor fugiu
E caminhou montanha acima, a subir sempre,
E o rosto em multidão de estrelas encobriu.”
 
Quando Fores Velha
 (W. B. Yeats, tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos).
 
- Eu vou te amar e ficar ao seu lado pra sempre. – ele completou e ela sorriu satisfeita.
 
- Eu amo você Will!
 
- Vem pra cá, vamos dormir.
 
- Dormir? Não você me encheu de inspiração agora, eu quero tudo menos dormir.
 
- É? – ele respondeu safado enquanto brincava com a alça do camisola dela, prestes a arrancá-la ao mínimo sinal – E a TPM?
 
- Só vai ajudar. – ela brincou e diante do olhar interrogativo dele continuou – Você nunca ouviu falar em Tesão Pré Menstrual? – William gargalhou.
 
- Na verdade não, mas agora comecei a gostar.
 
A noite passou mais rápida do que os enamorados imaginavam, ainda bem que teriam todo o dia seguinte para descansarem, ou não.
 
***
 
- Oi amiga! – Georgianna atendeu ao telefone animada!
 
- Oi Georgie! Vou colocar as outras meninas na linha. – Lydia falou.
 
- Ok.
 
- Oi! Olá! – Mary e Kitty falaram ao mesmo tempo.
 
- Como estão os preparativos para a festa?
 
- Tudo pronto, convites entregues, minha fantasia está quase pronta, e a decoração já foi decidida. Só me resta agora esperar!
 
- E o Hugh vai? – Lydia perguntou.
 
- Não sei, ele foi convidado, se ele virá ou não depende dele.
 
- Nossa como você está fria! – surpreendeu-se Kitty – Nem parece que é o amor da sua vida.
 
- Talvez nem seja. – Georgianna respondeu deixando as amigas sem fala.
 
- Georgie? É você mesma? – Mary perguntou – Meninas, nossa amiga foi abduzida.
 
- Não, é trauma do seqüestro. – Lidya sugeriu.
 
- Nenhum dos dois. Apenas cansei. Um dia ele olha pra mim como se eu fosse a última mulher da face da terra, e no outro esquece que eu existo. Vou deixá-lo pra lá e viver a minha vida que ganho mais.
 
- Apoiado amiga! – Mary a mais sensata de todas concordava com a decisão de Georgie.
 
- Nada disso, Mary! – Lidya respondia intempestiva – Claro que Georgie não deve viver em função de Hugh, afinal ela ainda é nova, tem muitas bocas para beijar, mas desistir dele assim também não é o melhor a se fazer. O que você acha Kitty?
 
Kitty que na maioria das vezes concordava com Lidya dessa vez emitiu uma opinião diferente.
 
- Mary, você parece ter 30 anos, desistir do Hugh não é a melhor opção. – Lidya ia vibrar, mas ela
continuou – mas Georgie não tem nada que ficar se lamentando e sofrendo pelos cantos. A melhor coisa a fazer é ignorá-lo, homens quando sabem que são amados acham tudo tão fácil que não se empenham na conquista, já quando a mulher é difícil eles fazem de tudo para conquistá-la.
 
- Não gosto desse tipo de joguinho, Kitty!
 
- Então não aja como se fosse. – Mary pegou a idéia – não finja que não gosta dele para conquistá-lo, mas aja como se não o quisesse mais, não tem como ele não notar. – havia uma tênue diferença e ela queria convencer a amiga.
 
Georgianna começou a gostar das idéias das amigas, conversaram um pouco mais sobre os paqueras e relacionamentos das outras e Mary precisou desligar porque ia estudar e a ligação foi encerrada.
 
~x~

LAST_UPDATED2

 

Link us







Esqueceu seu login?
Sem conta ainda? Registrar

Conectados

Nenhum

Acessos


Hoje26
Neste mês811
Desde Março de 200975990
Brazil flag 63%Brazil (41193)
United States flag 6%United States (4083)
Portugal flag 5%Portugal (3213)
Russian Federation flag 2%Russian Federation (1337)
Ukraine flag <1%Ukraine (393)
France flag <1%France (297)
Netherlands flag <1%Netherlands (291)
United Kingdom flag <1%United Kingdom (273)
Germany flag <1%Germany (269)
Latvia flag <1%Latvia (149)