Georgianna havia encontrado a pessoa ideal para ajudá-la em seu inicio de carreira, ela imaginou que começaria cantando em lugares pequenos, menos badalados, mas todos que a escutavam tinham certeza que ela não seria apenas mais uma cantora. Sua madrasta a acompanhava nos ensaios, em breve fariam uma amostra para levar as gravadoras. Em pouco tempo acharam músicos competentes para acompanhá-la e começaram a ensaiar o provável repertório.
Will passara muito tempo pensando em algo que pudesse fazer para Lizzie perdoá-lo. Tinha consciência de que ela precisava de um tempo sozinha, para refletir sobre o que acontecera, mas já estava apreensivo demais, sabia que naquele momento Elizabeth estaria no Instituto de Idosos, era dia que ela atendia lá, ele rapidamente saiu da empresa e dirigiu em direção àquele local.
Lizzie terminou de atender um senhor chamado Walter, nem ele sabia seu segundo nome, chegara no Asilo bastante debilitado, sem saber dar nenhuma informação sobre si mesmo, Lizzie desconfiou que pudesse ter o Mal de Alzheimer , mas depois de avaliações mais completas com o médico da Instituição eles descartaram a hipótese. De alguma forma aquele homem sofrera algum tipo de acontecimento doloroso que bloqueou grande parte de sua memória, lembrava de alguns fatos isolados, principalmente de sua infância, mas não sabia dizer seu nome todo, nem onde morava antes de ir parar naquele abrigo. Lizzie tentava em todas as sessões fazê-lo rememorar o seu passado, mas pouco êxito tinha sido obtido até agora. Algumas vezes ele falara o nome de uma mulher, mas ficava bastante nervoso e triste, e logo dizia não saber mais o que havia dito.
Quando seu Walter saiu do consultório Lizzie permaneceu mais um tempo, estava relendo os papéis com as anotações de cada sessão, tentando encontrar algum elo entre o nome da mulher que o paciente dizia os conteúdos que vinham à tona antes e depois e as emoções despertadas, mas estava sendo bem complicado.
O telefone tocou, era a recepcionista.
- Senhorita Bennet, ainda resta mais um paciente, você poderá recebê-lo?
- Mais um? O último não era o Sr. Walter?
- Esse é novo, o Dr. Rupert acaba de encaminhá-lo.
- Tudo bem, qual é o quarto dele? Eu vou buscá-lo.
- Ele não está no quarto.
- Está na sala de jogos?
- Não, ele já esta a sua espera na porta de sua sala.
- Ok. Obrigada, Clair! – Lizzie estranhou, geralmente ela mesma ia até os dormitórios ou áreas de lazer encontrar os pacientes, e preferencialmente fazia suas sessões ao ar livre, nos jardins da grande casa, apenas em alguns casos mais complexos permanecia na sala fechada. Juntou a papelada que estava lendo anteriormente, guardou na pasta com o nome do cliente, colocou no armário e trancou. Pegou uma pasta nova na gaveta da mesa para guardar os dados referentes ao novo cliente. Deveria ser um idoso bem lúcido, provavelmente apenas para uma entrevista de recepção, como acontecia com todos os idosos que passavam a freqüentar a instituição, estranhou o fato do médico não ter conversado pessoalmente com ela antes, mas ele deveria ter tido algum problema pessoal e ido embora mais cedo.
Abriu a porta para receber o novo paciente e suas pernas bambearam. Ela devia ter desconfiado, estava tudo muito atípico mesmo.
- O que você está fazendo aqui?
- Eu precisava falar com você.
- Não tenho nada para falar com você. – Lizzie disse fechando a porta de novo, mas William segurou seu braço e entrou na sala com ela, trancando a porta atrás de si.
- Eu tenho. – ele disse e soltou seu braço enquanto ela o encarou furiosa – Lizzie, eu preciso que você me escute, eu realmente sei que o que fiz foi errado e eu me arrependo amargamente por isso, e por causa do amor que eu sinto por você eu te disse toda a verdade, ou você não acha que seria bem mais cômodo pra mim esconder esse erro pelo resto das nossas vidas?
Elizabeth permaneceu calada, apoiada em sua com os braços cruzados.
- Se eu te falei a verdade é porque eu não queria que começássemos a nossa vida juntos com tamanho segredo, eu quero, eu desejo que nós dois sejamos felizes, juntos, e isso pressupõe que sejamos verdadeiros um com o outro.
- Will...liam. – ela se corrigiu antes que o chamasse pelo apelido – Você me contar a verdade não muda o fato de que você se aproximou de mim com o propósito de me machucar, não importa se no fim das contas você diz que se descobriu apaixonado por mim.
- Eu não digo, eu sou apaixonado por você.
- Enfim, o que importa é o que você fez. E se você não tivesse se apaixonado? Seu plano teria sido executado até o fim! Você já parou pra pensar no quanto você está sendo egoísta? - sua voz já estava alterada.
- Lizzie, eu não me apaixonei por você agora, eu já era apaixonado por você bem antes de te reencontrar, antes mesmo de ir embora. Me perdoa, por favor. Eu não posso viver com a possibilidade de passar o resto da vida longe da mulher que eu amo.
- Não é apenas uma possibilidade, William.
- Lizzie, o que eu preciso fazer pra você acreditar em mim? Eu fui estúpido, burro, infantil, imaturo, mas eu estou arrependido, eu sou louco por você, minha vida sem você não tem nenhum sentido.
- Não perca seu tempo se esforçando a toa William, nada do que você faça vai mudar minha opinião. Você me usou, me fez de boba, brincou com os meus sentimentos, quem me garante que você não vai fazer isso de novo?
- Eu garanto, Lizzie.
- Você? E desde quando sua palavra tem algum valor pra mim?
- Lizzie, por tudo que nós vivemos, por todas as juras de amor que nós trocamos.
- Juras falsas, William. – Elizabeth não suportou, as lágrimas desciam com força em seu rosto – Palavras sem valor, mentiras mesquinhas. Satisfeito? – ela o encarou – Você já conseguiu o que queria. Agora me deixe em paz, não quero mais vê-lo, nem ouvi-lo, nem...
Ela não pôde terminar a frase, Darcy aproximou-se rapidamente de Lizzie e a abraçou, ela tentou empurrá-lo, mas ele segurou seus braços e manteve-se seguro a ela. Procurou sua boca sofregamente e Lizzie virava o rosto tentando não ter contato com a boca dele. Mas o cheiro e o contato daquele homem a inebriavam, lutara contra si própria por poucos momentos e sucumbira a paixão que sentia, parou de virar o rosto e ela mesma invadiu a boca dele com sofreguidão. Como sentira falta daqueles lábios nesses dias. Como se sentia segura naquele corpo forte e aconchegante. Beijaram-se por um tempo que parecia a eternidade, Darcy já havia soltado os braços de Lizzie e acariciava suas costas e sua nuca, enquanto ela levara os braços livres para o ombro e entrelaçava suas mãos nos cabelos dele.
William se afastou as poucos, mordendo levemente o lábio inferior dela, puxando-o para si.
- Esse beijo foi sem valor, Lizzie? As emoções que sentimos quando estamos juntos são sem valor pra você? Você acha que sou capaz de fingir isso também.
- Saia daqui, William. – ele a olhou confuso – Saia daqui. – ela respirou fundo – Eu estou no meu local de trabalho e você não deveria ter me procurado aqui.
- Você teria aberto a porta pra mim se eu tivesse ido a sua casa? – Lizzie permaneceu calada olhando pela janela.
Will desistira por ora. De certa forma sabia que o que tinha dito surtiria algum efeito. Mas não podia esconder que estava triste, aquela distância estava fazendo mal pra ele, precisava de Lizzie perto dele, a perdera por dez anos e agora que a tinha de volta corria o risco de perdê-la.
Lizzie tremia. Como ele ousava invadir o local de trabalho dela. De certa forma agradecia por não ter sido na escola, afinal seria muito pior se ele tivesse feito isso lá. Iria ser horrível para sua imagem como profissional.
Decidiu ir logo pra casa, mas lembrou-se que sua mãe voltaria com ela. Dirigiu-se a administração e a secretária da mãe avisou que ela estava sozinha. Lizzie entrou.
- Mamãe, queria ir pra casa, a senhora ainda demora?
- Não, não, podemos ir. – ela não perderia a oportunidade. Seu afilhado fora até ela pedir-lhe para falar com Lizzie, de modo que ela fosse pega de surpresa, surpreendeu-se, afinal seu afilhado era um pouco tímido, ela desconfiava que os dois tinham alguma coisa, e ele acabara de confirmar com sua presença ali. Ela mesma dera a idéia dele se passar por um paciente. Pelo humor da filha a conversa não tinha sido muito boa, tentaria arrancar alguma coisa de Lizzie no caminho de casa.
- Como foi o dia hoje? – ela perguntou já no carro.
- Razoável. – Lizzie respondeu concisa.
- Alguma novidade?
- Não.
- E as sessões?
- Mamãe, você sabe que eu só falo sobre os pacientes quando existe necessidade alguma mudança estrutural ou alguma providencia que precise ser tomada pela administração. O que é dito no consultório está sob sigilo profissional.
- Sim, sim. – Fanny falou sem graça – É que eu pensei... – Nesse momento a ficha de Lizzie caiu.
Antes ela pensara que William armara aquela encenação por ser um Darcy, e todos os funcionários eram pagos com parte do dinheiros que vinha da empresa de propriedade daquela família, então usara de seu prestígio para convencer a recepcionista para ludibriá-la com aquele teatro de paciente novo. Mas vendo o interesse de sua mãe percebeu que aquilo tudo só podia ser coisa da cabeça dela.
- Mamãe, eu não posso acreditar! - Lizzie bateu as mãos no volante.
- Ora, Lizzie, eu não fiz nada demais. Meu afilhado pediu pra falar com você e eu autorizei. Qual é o problema? Você vai se esconder lá em casa até quando?
- É esse o problema? Eu estar na sua casa? Não seja por isso, assim que eu chegar eu refaço minha malinha e volto para o meu apartamento, você ficará livre de mim! – Lizzie retrucou com raiva.
- Elizabeth Bennet. Deixe de ser infantil. Pare de descontar sua raiva em mim! Você vai continuar na nossa casa, só não precisa ficar lá pra se esconder de Will! Já não bastava esse namoro escondido!
- Ele te contou?
- Não foi preciso. Você não achou que todos nós tínhamos palhaço escritos na testa, não é? Vocês não conseguiram disfarçar. Todos percebemos bem antes daquele jantar, tudo só ficou mais claro naquela noite. Eu o autorizei falar com você porque me dói ver você triste, se machucando a toa, sofrendo pelos cantos. Nenhuma mãe suporta ver um filho sofrer, essa situação já está acabando com os meus pobres nervos.
- E os meus nervos mamãe? A senhora não pensa? Por acaso estou gostando de sofrer? Por acaso tenho culpa de gostar de alguém que só me magoa? Merda! – Lizzie xingava a si própria, estava chorando de novo, na frente da mãe.
- Olhe os modos mocinha!
Elisa tinha vontade de rir da mãe às vezes, ela estava confessando seu sofrimento e sua reclamando de um simples palavrão.
- Eu não sei o que você acha que ele fez, mas tenho certeza de que William gosta de você sim, deixe de ser teimosa e escute-o. – sua mãe continuou.
- Eu não acho que ele fez, ele realmente o fez.
Nesse momento chegavam em casa, Lizzie desceu rapidamente e bateu a porta do carro com força, subiu correndo para o quarto e trancou a porta. Jogou as roupas rapidamente no chão, e entrou debaixo do chuveiro gelado, precisava sentir algum tipo de dor física para tentar aliviar o sofrimento que sentia. Dava livre vazão as lágrimas, lembrava das palavras ditas por Darcy há poucos minutos, lembrava do beijo que trocaram, do desejo que percorreu seu corpo enquanto estava perto dele. De como queria que tudo aquilo fosse uma ilusão, um sonho ruim, como queria realmente conseguir perdoá-lo.
Fanny resolveu esperar a filha se acalmar um pouco, foi verificar o andamento do jantar com a sua ajudante na cozinha enquanto seu marido e sua filha mais velha não chegavam do trabalho.
Depois do banho Lizzie deitou ainda de toalha na cama e acabou dormindo. Acordou mais de meia hora depois com batidas insistentes na porta. Levantou atordoada prendeu a toalha no corpo e deu de cara com os pais e a irmã histéricos na porta de seu quarto.
- O que houve com vocês? – ela perguntou com o rosto ainda inchado. Seu pai sorria e sua mãe entrava no quarto nervosa.
- Lizzie, tem cinco minutos que nós batemos nessa porta, você tem idéia do que nos passou pela cabeça? - Lizzie levantou os ombros confusa.
- Minha filhinha, desculpe pelo que eu disse no carro, já estava tão arrependida.
- Alguém pode me explicar o que esta acontecendo aqui? - Lizzie perguntou com a mão na cintura.
- Apenas preocupação exagerada dessas duas minha, filha, vamos, se vista para jantarmos. – seu pai falou, ainda do lado de fora.
- Preocupação exagerada? Ora, tenho uma filha em depressão e você vem me dizer que ela se trancar no quarto e não responder ninguém por quase uma hora depois de uma briga com o namorado não é preocupante?
- Primeiro: eu não estou com depressão, só não estou muito feliz esses dias mamãe. Segundo: eu acabei dormindo sem querer depois que tomei banho. Terceiro: William Darcy não é meu namorado. - Lizzie empurrou a mãe pra fora do quarto e fechou a porta.
- Jane, como você consegue viver aqui? – Jane sorriu - Eu não acredito realmente que ele pensou que eu fosse fazer alguma coisa, o que ela imaginou? Que eu fosse me afogar na pia do banheiro? Ou ter uma overdose com creme dental? – Jane agora gargalhava.
- Eu não sei, ela pediu que eu te chamasse pra descer quando eu cheguei da loja, eu disse que você não havia respondido e ela começou a falar rapidamente sobre você e William e acabou me deixando nervosa também.
- Espero que você se mude logo, senão daqui a pouco estará igual a ela.
As irmãs desceram para o jantar e o assunto não foi mais comentado.
**
Georgianna havia acabado de chegar da escola de música quando seu celular tocou, era George Wickham, pensou em não atender, mas preferiu atendê-lo apenas para dizer que não queria mais que ele ligasse, que parasse de insistir.
- Alô?
- Georgianna, por favor, me escuta. Fui grosso e insensível com você, estou ligando pra pedir perdão. Naquele dia passei por muitos problemas e descontei na pessoa que menos merecia.
A garota se surpreendeu com aquelas palavras, ele parecia estar sofrendo.
- Tudo bem, George, eu te desculpo.
- Muito obrigada meu amor, muito obrigada. Você é perfeita. Será que nós poderíamos nos encontrar?
- Sinto muito, George, eu te perdoei, mas não quero continuar o nosso namoro.
- Fico muito triste com isso, mas entendo, eu realmente não mereço você. Escute, posse te pedir um último favor? Eu estou perto da sua casa, será que poderia encontrar você na sua rua, só algumas palavras, é tudo que eu peço, nunca mais irei lhe incomodar.
Georgianna acabou consentindo, afinal ele mesmo estava dizendo que seria a última vez. Não tinha ninguém em casa além dos empregados, Wickham lhe dissera que a esperaria na esquina e ela foi até lá.
Ele estava dentro de seu carro, convidou-a para entrar, ela relutou, mas acabou cedendo, teve a impressão de que ele estava chorando e ficou condoída.
No momento que ela entrou ele travou a porta dela e arrancou com o carro.
- George, o que você está fazendo? – ela perguntou assustada.
- Shi, calada gatinha, vamos dar uma volta. Eu você e a “Venenosa”. – ele exibiu um sorriso cafajeste e apontou uma pistola para ela - Pegue todos os seus cartões, vamos dar um passeio pelo banco, e não ouse tentar nenhuma gracinha - ele tocou o cano da arma na cabeça dela - ou então essa cabecinha loirinha vai pelos ares.
Georgianna abriu a bolsa procurando os cartões, mas sem ele ver pegou o celular e apertou no botão de efetuar ligações, ligaria para o último numero discado e ela torcia para que quem atendesse ouvisse a conversa e entendesse o que acontecia.
- Isso mesmo, Georgianna! – George elogiava enquanto ela colocou o primeiro cartão no painel do carro.
Hugh viu o número desconhecido no celular, atendeu e ouviu um barulho estranho, e depois a voz de um homem, ficou dizendo alô, mas ninguém respondia.
O numero de Hugh tinha sido o último discado por Georgianna, desde que ele lhe deu o cartão ela pensou em ligar, mas nunca tivera coragem, naquele dia ela decidiu, mas desligou antes que chamasse, não tinha a mínima idéia de que naquele momento ele ouvia o que estava acontecendo.
Teve a impressão de ter escutado o nome de Georgianna e por isso não desligou. Por alguns momentos ninguém falou nada depois ele voltou a escutar melhor. Quando ela puxou o segundo cartão colocou o celular na entrada da bolsa, de maneira que Wickham não percebesse.
- Pra onde vamos?
- Primeiro fazer uma limpezinha nas suas contas no primeiro caixa eletrônico que eu encontrar.
Pararam numa loja de conveniências e George ordenou:
- Sem gracinhas, ouviu? Deixe a bolsa no carro.
Ele pegou os cartões dela e a levou até o caixa eletrônico, segurando-a pela mão como se fossem um casal.
- O saldo primeiro, depois tire tudo da conta. - Ele ordenou ao entregar o cartão pra ela.
Georgianna fez o que ele ordenava, e ele quase perdeu o controle quando descobriu que tinha pouco mais de quinhentas libras na conta dela.
Ele entregou o outro cartão e apertou a mão dela com força, machucando-a sem que ninguém percebesse quando viu que naquela conta tinha menos dinheiro ainda.
Voltaram ao carro, quando ele voltou para a pista começou a gritar com ela.
- Estúpida, você é o que? Adotada? Como é que você só tem esse pingo de dinheiro?
- Eu só recebo uma mesada, nada mais do que isso.
- Burra, isso sim. Tanto dinheiro na sua família pra nada.
- Pra onde vamos agora? – ela perguntou ao ver que ele não tomava o caminho da casa dela.
- Mudar um pouco a rota, preciso arrancar mais dinheiro, talvez seu querido pai possa colaborar em troca da filhinha dele inteira, ou quase. – Georgianna estremeceu. Não tinha como saber se tinha alguém escutando o que estava acontecendo, sentia um medo intenso.
Hugh entendeu o que estava acontecendo e pegou o celular de Marc que estava carregando perto dele e ligou pra Lizzie.
- Lizzie, eu tenho sérias desconfianças que Georgianna está sendo seqüestrada nesse momento. – ele falou rápido assim que ele atendeu – Entra em contato com a família dela e com a polícia.
- Por que você acha que isto está acontecendo?
- Lizzie, não temos muito tempo, faça o que eu pedi, confie em mim, eu vou te manter avisada.
- Hugh eu não posso pedir que a polícia procure alguém com base numa desconfiança.
Ela tinha razão, ele percebeu que nada estava sendo falado no outro telefone e continuou:
- Liz, ela me ligou, eu estou escutando toda a conversa entre ela um homem, ele já a levou num banco e pegou todo o dinheiro da conta dela, agora, por favor, acione a polícia e avise a sua família. – ele desligou.
Elizabeth perdeu as forças nas pernas. Sentou para pensar no que fazer primeiro. Se ela ligasse para a polícia eles não a levariam a sério. Se ela ligasse para seu tio corria o risco dele passar mal, não podia dar aquele tipo de notícias pelo telefone. Naquela hora Will estaria trabalhando, e ela estava perto da empresa dele, decidiu ir até lá e falar com ele e seu tio, de lá acionariam a polícia, pela influência da família tinha certeza que quem seria na verdade acionado seria o secretário de segurança em pessoa.
Chegou à recepção da empresa praticamente correndo, perguntou por William Darcy e lhe indicaram o 17º andar. Ela correu para o elevador que por sorte estava parado no térreo.
Quando chegou ao andar indicado algumas pessoas esperavam o elevador, ela perguntou a um senhor que estava prestes a entrar pela sala de Will e ele apontou para a direita. Elizabeth tirou os sapatos que estavam a atrasando e os segurou na mão, começando a correr chamando a atenção das pessoas, chegou à outra recepção e viu o nome de William em uma das portas, estava se dirigindo a porta quando uma mulher com cara de antipática a impediu.
- Posso ajudá-la?
- Eu preciso ver o Will. – Lizzie disse arfante tentando desviar da mulher que se colocou de braços abertos na porta da sala de William.
- E quem deseja vê-lo?
- Elizabeth Bennet. – Lizzie disse se recompondo.
- Que seria? – a mulher agora exibia um olhar vencedor para ela.
- Que seria a namorada dele! – ela falou alto, sem se dar conta de sua contradição, já que anteriormente afirmara não ser a namorada de Will - Agora saia da minha frente antes que eu lhe tire à força.
Não foi preciso que Lizzie cumprisse a ameaça. Will ouviu sua última frase, reconhecendo feliz a voz de Lizzie, abriu a porta para investigar, dando de cara com Elizabeth corada, com a face zangada, os sapatos nas mãos e sua secretária plantada como uma segurança na porta de sua sala. Segurou uma gargalhada e disse com uma voz grossa.
- Tudo bem, Kate, deixe-a entrar.
- Mas senhor, ela não tem horário marcado. Eu, eu... – a secretária tentava uma desculpa, mas Darcy tomou a mão de Lizzie e a mulher acabou tendo que sair do caminho. A própria Lizzie empurrou a porta com força e segurou nos braços de Darcy.
- Eu não sei como falar isso, mas acredito que Georgianna esteja em perigo.
- O que está acontecendo Lizzie?
Ela contou da conversa que tivera com Hugh. Darcy pegou o seu celular.
- Você vai ligar pra quem?
- Pra minha irmã, é claro! Preciso tentar saber se isso realmente está acontecendo. Não posso acreditar nessa sua estória.
- Will, nem eu nem Hugh tínhamos porque inventar tudo isso, se você ligar e o telefone chamar o seqüestrador pode descobrir o que ela vem fazendo e machucá-la de alguma forma.
Ele concordou com o que ela tinha dito.
- E o que você sugere que eu faça?
- Ligue pro Hugh. – Lizzie disse procurando em seu celular o numero que Hugh havia ligado pra ela – Veja se ele escutou mais alguma coisa, depois decidimos o que fazer.
William discou e Hugh atendeu rapidamente.
- É William Darcy, você tem alguma noticia?
- Pelo que eu escutei eles estão saindo da cidade, pegando a rodovia sul. De vez em quando ela faz algum comentário sobre alguma loja ou ponto que pode nos ajudar a encontrá-la, mas não sei até quando ela vai poder fazer isso, o cara ficou bem nervoso depois que descobriu que ela tinha pouco dinheiro na conta. Eu estou num táxi seguindo a direção que eles estão tomando, você já avisou a polícia?
- Irei fazer isso agora.
- Darcy? Ao que parece é o mesmo homem que tentou agredi-la na outra ocasião, um tal de George Wickham.
- Maldito. – Hugh ainda o ouviu dizer antes que ele desligasse. Estava com raiva, se tivesse em sua moto poderia correr e desviar dos outros carros, mas não tinha como pilotar e levar o aparelho no ouvido ao mesmo tempo.
Darcy espumava de ódio. Telefonou para a secretária e mandou que ela trouxesse o pai e a madrasta naquele momento para a sua sala.
- Mas o Dr. Darcy está em reunião senhor!
- Agora! – ele gritou fazendo Lizzie estremecer.
- Tente ficar calmo William, você não pode ficar assim.
- Como eu poderia ficar com minha irmã nas mãos de um marginal?
- Se você estiver desse jeito seu pai pode assustar-se e até passar mal.
Lizzie foi até um aparador próximo a mesa dele que tinha uma jarra com água e copos. Encheu um dos copos e levou até ele.
- Não quero.
- Beba, Will, você vai ficar melhor. - Ele continuou parado e ela pegou a mão dele e colocou ao redor do copo – Por favor?
Ele então segurou o copo com mais força e o levou a boca, engolindo rapidamente todo o conteúdo.
Lizzie encheu o copo novamente e bebeu também, ela estava nervosa, mas precisava tentar se manter tranqüila, William e seu tio precisariam dela naquele momento.
- Meu filho eu espero que seja algo realmente sério para você ter me tirado de uma reunião.
Michelle e Fitz entravam na sala de William, surpreendendo-se com a presença de Lizzie lá.
- Oh, oi Lizzie! Eu não sabia que você estava aqui. – ele aproximou-se e beijou-a na testa.
- Oi tio, oi Mi!
- É realmente sério papai. Eu preciso que você entre em contato com o Sr. XX.
- O secretário de segurança? O que houve William?
- Fique calmo tio, sente-se aqui. – Lizzie interviu – Aquele namorado de Georgianna, bem parece que ele está com ela de novo, Will acha melhor avisar a polícia.
- O que ele fez com a minha filha?
- Nada. Mas eles estão saindo da cidade. E Georgianna está sendo forçada a isso.
- Ela foi seqüestrada papai. – William disse impaciente, entregando o telefone para o pai. - Agora ligue para seu amigo e o faça colocar toda a polícia londrina atrás desse maldito. Ao que parece eles estão na rodovia federal sul.
Fitzwilliam saiu de um estado surpreso para uma postura decidida, ao contrário do que Lizzie temia, ele estava forte, parecia um general em frente ao inimigo no campo de batalha. Discou rapidamente e explicou a situação ao amigo. Imediatamente várias viaturas foram enviadas naquela direção e o grupo anti-seqüestro foi acionado. Ele também pediu que, se possível, a imprensa ficasse fora disso tudo.
William ligou para Hugh novamente, confirmou a direção, e avisou que estava de saída também.
- Você vai atrás dela? – Seu pai o perguntou depois de ouvir o que ele havia dito.
- Não vou agüentar ficar parado aqui.
- Meu filho, sei que nada que eu diga vai fazê-la mudar de idéia, mas tome bastante cuidado.
- Pode deixar.
- William. – ele tocou o ombro do filho – traga minha filha de volta pra mim.
- Eu a trarei papai.
Lizzie se aproximou assustada.
- Eu vou com você.
- Não vai, não. – ele disse já saindo da sala com Lizzie em seu encalço.
- Will, eu não posso deixar você ir sozinho, por favor!
- E eu não posso colocá-la em risco. Você ficará mais segura aqui, e eu estarei confiante se você estiver ao lado do meu pai nesse momento.
- Will, por favor, tome cuidado!
- Eu voltarei pra você. – ele disse depois de depositar um beijo no canto da boca dela, que não pensou em negar.
Ainda pensou em pedir o helicóptero da empresa, mas sem saber direito para onde ir isso seria complicado, além disso, se chegasse lá sozinho com Hugh teria mais chances de negociar e tirar sua irmã de lá, caso fosse com o helicóptero talvez deixasse o seqüestrador mais nervoso e ele fizesse algo com Georgie. Pegou então seu carro na garagem do prédio e saiu com a maior velocidade que o trânsito permitia. Em pouco tempo estava na rodovia. Ligou mais uma vez para Hugh que deu as instruções até onde ele conseguiu escutar.
Hugh ouviu até o momento que Georgianna conseguiu dizer que Wickham entrou numa estradinha a direita da rodovia cerca de 25 minutos depois de um out dor com uma propaganda de determinado posto de gasolina. Depois disso não disse mais nada, pois Wickham já estava se irritando com seus comentários sobre a estrada e quanto tempo percorriam determinados trechos. Enquanto isso ela rezava calada para que alguém a estivesse ouvindo e conseguisse encontrá-la.
Quando a policia foi acionada não puderam alertar a Polícia Rodoviária, uma vez que não sabiam nada sobre o automóvel. Se a família Darcy não fosse tão influente não haveria um décimo de mobilização, pois estavam seguindo pistas incertas dadas por uma pessoa que não sabiam de quem se tratava. Então Wickham passou tranqüilo pelos inspetores da rodovia e pegou uma estrada marginal que levava a um casarão abandonado que pertencia a sua família. Era distante da cidade e seus pais não gostavam da propriedade que herdaram de seus antepassados, tentaram vender, entretanto ninguém queria pagar o preço que eles pediam, a casa foi ficando cada vez mais abandonada e quase ninguém lembrava da existência dela.
Ele estava desesperado por dinheiro, perdera tudo que tinha e o que não tinha em jogos e noitadas, nunca havia cometido nenhum crime além de algumas brigas de rua, mas dessa vez estava correndo risco de ser assassinado por agiotas, já que não conseguiu dar o golpe do baú em Georgianna planejou tirá-la de casa e forçá-la a entregar todo o dinheiro pra ele, depois entregaria a grana a seus devedores. A primeira parte foi fácil, ela o entregou tudo sem maiores problemas, pena que não tinha nem metade do que ele imaginou então em seu desespero resolveu levá-la para a casa distante e ameaçar sua família, assim que recebesse o dinheiro a deixaria lá e partiria para outro país.
Chegaram à casa abandonada, não havia luz elétrica e por isso tudo estava escuro mesmo sendo de dia, já que as portas estavam fechadas. Abriu uma das janelas da sala para a claridade invadir o ambiente, o problema era que logo ia escurecer, e ele não sabia o que fazer, a casa era completamente isolada, com uma mata fechada ao seu redor, talvez se acendesse uma fogueira ninguém percebesse. Achou algumas cordas entre as caixas que eram a única “decoração” da sala empoeirada e amarrou as mãos de Georgianna em suas costas, e seus pés unidos.
Depois juntou alguns galhos secos do lado de fora da casa, se a noite não fosse de lua acenderia uma fogueira. Um dos homens para quem ele devia concordou em ir até lá buscar o dinheiro que ele tinha em mãos e combinariam um prazo para que ele entregasse o restante.
Hugh pegou a estrada que acreditava ser a indicada por Georgie e seguiu até encontrar uma venda simples. Nesse ponto a estrada se dividia em duas estradas menores de terra, e o taxista não aceitou continuar. Hugh pagou o que devia e resolveu tentar obter alguma informação com o homem da venda, mas não teve êxito. Ligou para Darcy e este já estava próximo, ficou a espera dele. Dez longos minutos depois, na opinião de Hugh, o automóvel de Darcy apontou na estrada. Ele desceu e Hugh disse que o vendedor não havia colaborado. Ele aproximou-se com sua postura ameaçadora e começou a interrogar o homem:
- Você viu um carro com um homem e uma mulher passar por aqui?
- Não reparei não, senhor.
- Esse caminho a esquerda leva até onde?
- Numa pequena vila.
- E o outro?
- Tem nada pra lá não, senhor. - Will desconfiou.
- Uma estrada que não leva a nenhum lugar?
- Dizem que tem uma casa mal assombrada, ninguém nunca vai lá, não senhor.
Hugh e William se entreolharam, estavam na direção certa.
Entraram no carro de Will rapidamente e percorreram aproximadamente 6 quilômetros em terra batida. Decidiram chegar devagar para que George não fizesse nada contra Georgianna caso se sentisse encurralado. Quando visualizaram a clareira em que se encontrava a casa William deu ré e escondeu o carro numa entradinha a beira da estrada, percorreram o restante do caminho a pé, por dentro da mata, elaborando um plano.
Decidiram que cada um percorreria a parte externa da casa, observando da mata tudo que pudessem, tentando visualizar Georgianna e descobrir uma forma de entrar no lugar. Assim foi feito, Hugh se colocou na frente da casa, escondido pelo matagal e viu o carro que possivelmente seria de George, Darcy foi por trás e descobriu que haviam duas janelas abertas, uma no andar superior e uma no térreo. Ele viu Wickham gesticulando no telefone, não conseguia escutar o que ele dizia devido a distância. Mas percebeu que ele estava sozinho com Georgianna, então possivelmente aquilo não era planejado ou ele era muito amador.
Os dois voltaram onde estavam anteriormente e trocaram informações a respeito do que tinham visto. Decidiram que jogariam algumas pedrinhas no andar de cima, contando que George subiria para ver do que se tratava. Enquanto isso um deles entrava pela janela para libertar Georgianna e o outro ficaria do lado de fora, para caso algo acontecesse pedisse ajuda.
Discutiram para decidir quem entraria, William obviamente queria tirar a irmã daquele lugar, mas Hugh o convenceu a ficar do lado de fora, Wickham sairia ganhando se alguma coisa desse errado e ele tivesse dois Darcy’s sob sua mira, além disso, Will saberia para quem ligar. Assim foi feito, Will se escondeu na mata de frente para a janela aberta no segundo andar, e Hugh se colocou perto da lateral da casa, onde a janela do térreo estava aberta. Já era quase noite e pouco se via, a lua estava iluminando bastante o lado de fora da casa, mas as árvores fechadas escureciam a floresta. Will juntou várias pedras e jogou primeiro uma bem pequena, talvez sua irmã estivesse no andar de cima e ele não queria machucar, caso ela estivesse lá veria onde a primeira pedra cairia e se afastaria. Então ele continuou, jogou duas pedras maiores e esperou. Hugh ouviu quando George praguejou e bateu seus passos com força no velha escada. Ele então se dirigiu a janela lateral, olhou primeiro tentando ver alguma coisa, seus olhos se acostumando com a escuridão do interior da casa.
Pulou a janela sem fazer barulho e foi andando devagar até o que ele achava que seria Georgianna sentada no chão. E tinha razão, ao se aproximar viu que era a menina, ela o olhou assustada e ele fez sinal para que ela permanecesse calada.
Ela sabia que não era Wickham, mas não tinha a mínima idéia de quem seria essa outra pessoa. Não conseguia enxergar. Ele foi até ela e começou a desamarrar as cordas que prendiam seus membros, enquanto Wickham estava no andar de cima, olhando pela janela, depois que verificou que o quarto estava realmente vazio. Já estava começando a acreditar na estória que ouvia quando era menor, de que aquela casa era assombrada.
Desceu devagar, pois enxergava pouco da escada e percebeu que tinha mais alguém na sala.
Apontou a arma na direção das duas figuras e gritou:
- Quem está aí?
Hugh congelou, demorara demais para fugir com a menina. Torcia para que Darcy percebesse e fizesse algo. Will realmente conseguiu ouvir o grito de George, pensou em jogar pedras no quarto novamente, mas se o fizesse o crápula saberia que Hugh tinha um cúmplice e ia forçá-lo a entregar Darcy. Decidiu permanecer quieto e esperar até que George não desconfiasse mais e ligar novamente para a polícia, para saber qual a distância que eles ainda estavam.
- Fale agora ou eu atiro! – George ameaçou.
- Felton, Hugh Felton. – Hugh falou levantando as mãos. Não vou fazer nada contra você, só peço que libere a menina, eu fico em seu lugar.
“Hugh?” Georgianna pensava surpresa. Não podia acreditar que ele estava correndo risco de vida por ela! Sentia alívio por não estar mais sozinha e ao mesmo tempo medo por Hugh também.
Ela estava olhando para ele surpresa, e ele a lançou um olhar de esperança. Ela confiava nele, não precisaria mesmo de nenhuma palavra.
- Largue a sua arma! – George gritou – Menina idiota, como você o trouxe até aqui?
- Eu não estou armado. E ela não tem nada com a minha vinda, eu passei por vocês no trânsito e reconheci Georgianna. Segui-os porque ela me pareceu nervosa. Vim em paz, vamos conversar sobre o que eu lhe falei, liberte Georgianna, eu fico no lugar.
George soltou uma gargalhada estridente. Realmente esteve ao lado de Georgianna esse tempo todo, não a viu entrar em contato com ninguém, aquele homem lhe parecia tão estúpido se arriscando ali que não cogitou a hipótese dele estar mentindo.
- E você acha que é quem pra me propor alguma coisa. Você acha que eu vou trocar a minha mina de ouro por você?
- Escute-me. – Hugh disse dando um passo a frente.
- Opa, opa opa. Nem mais um passo. Fique paradinho aí senão esse anjinho vira comida de urubu. Você é o cara da boate, não é? O valentão metido a príncipe encantado da outra noite.
- Fui eu que ajudei Georgianna naquele noite, sim. Hugh confirmou.
- Nunca te ensinaram que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher? – George riu.
- Eu não sou sua mulher! - Georgianna se defendeu.
- Hum, ficou valente também depois que o príncipe chegou? Até que vai ser romântico, uma morte rápida ao lado do seu amor! – ele gargalhou mais uma vez. Do lado de fora Darcy se controlava para não invadir a casa, não queria colocar Georgianna em risco, mas não suportava mais ouvir tais ameaças a vida de sua irmã.
Hugh permaneceu calado e Georgianna estremeceu.
- Huuum, perderam a coragem foi? Eu sabia que você não era assim valentão. Então vamos aproveitar que estamos os três aqui e conversarmos um pouquinho. Daqui a pouco você vai ligar pra sua casa e dizer ao seu papai poderoso quanto eu quero por você e onde ele deve levar o dinheiro, ainda estou decidindo isso.
- Está sendo mais divertido do que eu esperava. – George continuou – Vocês não imaginam como a carinha de vocês assustados me diverte! – Ele sorriu.
- Não achou graça, Felton? Vou lhe dar apenas um motivo para se arrepender de ter vindo até aqui. Esse projeto de perua na cama é tão fraquinha.
- Mentira! - Georgianna gritou – Ele nunca tocou as mãos em mim!
- Ah toquei, não venha dar uma de santa agora. Não quando nós dois sabemos que você geme como uma vagabunda.
Darcy não suportou mais, caminhou até a janela sem fazer barulho e entrou na casa sem que George percebesse, andou em alguns passos, mas tropeçou numa das caixas fazendo barulho.
George virou para trás nervoso, fora enganado, havia mais alguém ali, e aquela escuridão o impedia de enxergar.
Georgianna aproveitou o momento que ele virou e foi andando para trás em direção a porta.
- Temos visitas, Hugh? – ele tentava se mostrar seguro, mas estava cada vez mais nervoso, acabou dando as costas para Hugh sem perceber e este pulou em suas costas a fim de rendê-lo, enquanto Georgianna saía da casa. Mas Wickham ficou mais nervoso ainda e apertou o gatilho, talvez se desse mal, mas levaria quem quer que estivesse ali junto com ele.
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