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Podem existir sintomas mais otimistas? Não é a desatenção que nos rodeia a própria essência do amor? (Jane Austen)

Outra Vez - Capítulo XVIII

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A família Darcy se retirou meia hora depois, Will já estava impaciente, inventou uma desculpa qualquer e seguiu para casa de Lizzie em seu carro, antes parou numa floricultura e comprou algumas flores. Antony rapidamente subiu para seu quarto, pois estava bastante cansado e o wisque que tomara antes do jantar o deixou com bastante sono e Fanny despediu-se de Jane e Charles e foi junto com o marido.
O casal ficou namorando na sala mais algum tempo a meia luz, mas o clima foi se tornando cada vez mais quente e Charles não parecia disposto a esperar.

Ele tentou convencer Jane a dormirem juntos no aposento que ele estava acomodado, entretanto ela não se convenceu, nunca dormira com namorado nenhum na casa dos pais e não se sentiam bem. Ela o deixou na porta do quarto de hóspedes e seguiu para seu próprio dormitório. Tomou um banho delongado, mas a saudade e o desejo pelo seu namorado ainda latejavam em seu corpo, vestiu-se para dormir, no entanto passou mais de meia hora rolando na cama.


Depois de muito pensar concluiu que nada estaria fazendo de mais ao dormir com o namorado na casa dos pais, afinal estava ali em consideração a eles, e não por não ter condições onde morar. Sem mais ela colocou o robe e dirigiu-se rapidamente em direção ao quarto de hóspedes, surpreendendo Charles. Ele não a esperava, mas também não conseguia dormir. Passara cerca de 15 dias sem ver a namorada e seu corpo pedia o dela. Sem nenhuma palavra ele acercou-se de Jane pela cintura e depositou um beijo terno em seus lábios.


- Mudou de idéia? – ela sorriu quando Charles quebrou o silêncio.


- Sobre várias coisas. – ela respondeu enigmática.


- Vai me contar?


- Pela primeira vez pensei em morar sozinha pra não ter esses problemas quando estivéssemos juntos.


- E por que você não faz isso mesmo?


- E os outros quinze dias que você irá passar longe? Estando aqui pelo menos tenho os meus pais, nunca morei sozinha, não sei se conseguiria.


- Você não precisa morar sozinha. – ele disse em seu ouvido e ela o olhou sem entender - Eu posso vir morar com você.


Jane ficou espantada. Não tinha idéia do que falar. Um sorriso começou a brotar de seus lábios e seus olhos ficaram marejados. Charles queria estar com ela, morar juntos, ele largaria tudo na França e viria para Londres, isso era mais do que perfeito.


- Você está falando sério? Quer dizer, você e eu juntos numa casa nossa?


- Pensei muito sobre isso, sei que pode parecer cedo, mas eu gosto muito de você Jane. Como eu nunca gostei de ninguém, sei que é com você que eu quero passar o resto dos meus dias. Tenho ciência de que pra você é mais difícil ir pra Paris, afinal você tem a sua empresa, já eu poderia facilmente encontrar um hospital para trabalhar, meu salário será menor de início, mas em torno de um ano estarei ganhando o equivalente a minha renda atual. Ou você acha que estou me precipitando?


- Não. – ela abafou um grito com as mãos – Eu também quero você, pelo resto da minha vida.


- Eu tenho um dinheiro guardado pra abrir uma clínica particular, mas andei pensando em investir num imóvel para nós e trabalhar em hospitais, já que não sou muito conhecido aqui, aos poucos farei minha clientela e terei dinheiro novamente para abrir meu consultório, o que você acha? – ele falou rápido, gaguejando em alguns momentos.


- Eu não sei. – Jane falou ainda mais surpresa. Parecia que ele já viera com tudo preparado, ela queria estar com ele não tinha dúvidas, mas precisava assimilar melhor tudo isso. Primeiro satisfizeram o desejo de seus corpos e como demoraram a pegar no sono depois do amor, aproveitaram para planejar suas vidas e traçar planos para o futuro até adormecerem nos braços um do outro.


*


Naquela noite Hugh ensaiara com a nova banda até mais tarde, era um dos últimos ensaios antes do primeiro show e precisavam estar perfeitos. Ele passara a semana procurando uma explicação para dar a Su, afinal a deixara sozinha na boate no fim de semana passado, mas ela sempre estava ocupada e ele não pôde conversar com ela, ouviu algumas pessoas após o ensaio que comentaram que ela estava em sua sala, e ele se dirigiu até lá. Decidira aproveitar aquele momento com Sulani, afinal não achava certo ligar sua vida a Georgianna, ela era muito nova para ele, preferia evitá-la de todas as maneiras.


Hugh bateu na porta levemente e entrou após ouvir autorização de Su. Conversaram sobre o trabalho e ele tentou entrar no assunto que o levara até lá. Convidou-a para sair, no entanto ela não aceitou.


- Escute, se foi por causa do ultimo sábado te peço desculpas, houve um problema com uma conhecida e tive que sair para resolver, não deu pra avisar e nem voltar.


- Vou ser sincera com você – ela respondeu virando sua cadeira diretamente pra onde ele estava. – eu não sou adolescente para disputar homem com outra...


- Mas... – ele a interrompeu, porém Sulani pediu com um aceno de mão que ele esperasse ela concluir.


- Não estou em busca de um namorado ou marido Hugh, eu só quero me divertir, com alguém que queira o mesmo. O que é diferente de ser válvula de escape para você.


- Mas você não é uma válvula de escape.


- Tem certeza? – ela investigou.


Hugh ficou indeciso e ela cortou o assunto.


- Penso que nossa conversa termina por aqui Hugh. Nossa relação profissional vai continuar como sempre, mas se você aceitar um conselho de amiga não fuja do seu coração.


- Nem sempre devemos seguir o que não tem sentido.


- Você que sabe. – ela disse antes que ele alcançasse a porta.


**


Os instintos de William começaram a despertar assim que ele empurrou a porta do apartamento de Lizzie, que estava apenas encostada. Algumas velas iluminavam fracamente o ambiente, e ele pôde antever que muitas surpresas o esperavam.


- Lizzie? – ele chamou e logo em seguida uma música suave começou a tocar.


Ele respirou fundo, e um cheiro adocicado invadiu suas narinas, ele não sabia explicar a origem, só sentia o perfume agradável e envolvente.


Pouco depois ela apareceu, com uma lingerie preta, sua pele branca mal encoberta pelos detalhes negros da renda, a pequena calcinha pedindo para ser arrancada, suas coxas bem torneadas e alvas implorando pelas mãos dele.
O sorriso insinuante que ela exibia não deixava dúvidas de suas intenções. E ele ia adorar fazer parte daquela história.

Lizzie planejara toda a noite em detalhes, desde a decoração até os acessórios que eles iriam utilizar. Comprou uma lingerie nova na Victorias’s Secret, separou sua sandália mais alta e que ao mesmo tempo deixasse seus pés à mostra, comprou velas aromáticas, e vários outros mimos. Naquela noite ele teria provas do quanto ela o desejava, do quanto valia à pena se arrumar por ele, o quanto ela se sentia dele. Era sua mulher, seu amor, sua amante.

Caminhou até Darcy passo a passo, sem pressa, queria que os dois saboreassem cada segundo daquelas sensações. Ele a encarou, e depois percorreu todo o corpo dela com seus olhos famintos, mordendo os lábios inconscientemente. Ela gostara, suas intenções estavam começando a surtir efeito.
Sem dizer nada Will estendeu as flores para Lizzie, que recebeu e tirou a outra mão dele do bolso, passando a sua por todo o musculoso braço dele, acariciando-o levemente, como um agradecimento mudo.


Lizzie virou-se e apanhou o depósito cheio de gelo e uma garrafa de champanhe que estava no balcão que separava a sala da cozinha e que Darcy não tinha percebido. Ela depositou as flores junto com a bebida e os colocou na mesa de centro que estava entre as duas poltronas, deixando todo o tapete livre. A mesinha continha alguns recipientes, num deles William reconheceu morangos, no outro, no entanto ele não soube identificar.


Ela voltou para perto dele, afagou seus ombros e passou também suas mãos pelo peito. Parou no primeiro botão da camisa e começou a desabotoá-la lentamente. Ele tirou os sapatos e as meias e andou até o tapete.
Nenhum dos dois falava. Não necessitavam de palavras naquele momento. Ele a ajudou a passar a camisa pelos braços e ela depositou a peça no sofá. Apoiada nos pulsos dele Lizzie cheirou todo o pescoço de Darcy, depositando suaves beijos de vez em quando. A respiração quente dela em sua pele e o breve roçar de seus seios cobertos no peitoral dele serviu para deixá-lo arrepiado.


Elizabeth se afastou e o chamou com o dedo indicador e entregando a garrafa a ele. Darcy abriu a champanhe e Lizzie segurou as taças enquanto ele colocava a bebida.
Depois de recolocar a garrafa no balde com gelo Lizzie tocou sua taça na dele.


- A essa noite.


- A todas as noites que estaremos juntos pelo resto das nossas vidas. – ele complementou.


Eles saborearam a bebida sem perder o contato visual, admirando-se mutuamente, até o momento que Darcy passou os dedos da boca de Lizzie até sua cintura, provocando-a.


- Você está linda com essa..., Hum, roupa? – ele brincou.


- Fico feliz que esteja à seu gosto. – ela respondeu submissa. – Comprei pensando em você.


Os dois sorriram.
Depois de tomarem alguns goles ela colocou as taças na mesinha e passou os braços em torno do pescoço dele.


- Quer a sobremesa agora? – ela sussurrou.


- Ainda não. – ele respondeu, e logo depois aproximou seus rostos. Olhavam-se nos olhos enquanto beijavam-se de leve. Lizzie mordiscou os lábios de Will, e ele fechou os olhos instintivamente. Suas línguas começaram a se tocar, e entre seus corpos não existia mais nenhum espaço, suas bocas ávidas mexiam-se a procura do sabor um do outro, línguas que exploravam todos os recantos, dentes que distribuíam mordidinhas de leve por pescoços e queixos.
Quando ele começou a descer as mãos pelo corpo dela Lizzie se afastou, se ela permitisse qualquer contato maior naquele momento perderia o controle, e os seus planos estavam apenas começando. Ela indicou o tapete e ele sentou com as pernas abertas e ela se colocou na frente dele, com as pernas por cima. Alcançou a mesinha e mergulhou um morango num recipiente cheio de chocolate derretido, deixando-o com água na boca. Ela aproximou a fruta da face dele e quando Will abria a boca ela puxou de volta, sorrindo marota enquanto dava uma mordida. O chocolate escorreu pelo canto da boca dela e ele se apressou em lambê-la de seu pescoço ao canto da boca, saboreando o gosto do chocolate junto com a pele de Lizzie.


Ela mergulhou o restante do morango no chocolate e dessa vez o deixou provar, comeram algumas frutas e beberam quase todo o champanhe quando Darcy resolveu que seria a vez dele. Pediu que Lizzie fechasse os olhos e mergulhou dois dedos no chocolate, passando depois pelos lábios dela. Lizzie sorriu de olhos fechados e abocanhou os dedos de Darcy, lambendo-os e tirando todo o chocolate. Ela abriu os olhos e encarou-o enquanto movimentava a cabeça pra frente e para trás, com os dedos dele na boca, insinuando-se.


Ele tirou os dedos da boca dela e a puxou para si, beijando-a com paixão, enquanto ela descia as mãos até o botão da calça dele, desabotoando e abrindo o zíper. Ele levantou-se para que ela puxasse a calça e ficou vestido apenas numa boxer negra, coincidentemente combinando com a cor da lingerie dela. Lizzie encostou-o no sofá e começou a passar chocolate no corpo dele, para depois lamber. Levou um pouco mais de tempo nos mamilos, e depois desceu até o umbigo, mordiscando e provocando cócegas.
Ele deitou-a no tapete, colocando uma almofada embaixo de sua cabeça.
- Você me deixou com sede. – ele disse enquanto pegava a taça novamente. Derramou champanhe no busto dela e passou a língua sorvendo o líquido completamente, depois de ver a pele alva arrepiar pelo contato com a bebida gelada. Ele afastou o corpete e fez o mesmo com a barriga dela, depois tirou a lingerie da frente dos seios e explorou a região com a boca e as mãos, apertando delicadamente os mamilos rosados.


- Passou a sede? – ela perguntou arfante.


- Ainda não. - ele respondeu. Derramou champanhe nas coxas dela e repetiu as carícias com a boca, subiu até próximo da junção de suas pernas, lambendo a parte interna das coxas e desceu novamente.
Passou a morder levemente os dedos dos pés e foi subindo pelas pernas, depositando vários beijos.


- Agora estou com fome. – ele disse antes de agarrar a lateral da calcinha dela com os dentes, puxava um pouco de um lado depois fazia o mesmo do lado oposto, Lizzie arqueou os quadris para ajudá-lo, impaciente para senti-lo dentro de si.


Ao invés de possuí-la como ela imaginava que ele faria William passou os dedos pela penugem agora exposta, fazendo Lizzie estremecer.


- Já disse que adoro o seu cheiro? – ele disse rouco e Lizzie assentiu com um aceno de cabeça.


- Adoro o seu gosto também. – Lizzie apenas gemeu e Darcy afastou suas pernas e começou a explorar a feminilidade de Lizzie com a boca, enquanto ela dava mostras de que ele estava agradando com gemidos e arranhões de leve em suas costas.


Elizabeth sentia uma excitação indescritível, seu corpo se movia inconscientemente, ajudando Will a propiciá-la mais prazer. Sua boca e língua se moviam enlouquecedoramente, enquanto suas mãos intercalavam carícias em seu corpo. Ela não agüentava mais, sentia que o ápice do prazer estava cada vez mais próximo, ele queria pedir para Will parar para que atingissem o orgasmo juntos, mas não conseguia falar nada.


- Will! – ela gemeu depois de muito esforço – Eu vou...


Não deu tempo, ondas de prazer atravessaram todo o seu corpo que se contraiu completamente para depois relaxar. William então engatinhou até colocar sua face de frente a Elizabeth que puxou seu pescoço e beijou-o na boca com ferocidade. Aos poucos empurrou-o levemente para que ele saísse de cima dela, ele virou-se e deitou no tapete, e Elizabeth sentou nas pernas dele. Ela levantou os quadris e se aproximou do baixo ventre, ia sentando devagarzinho, aconchegando-se nele, mas afastava-se de novo, mais uma vez ela aproximou-se e ele levantou os quadris querendo alcançá-la, mas a tortura continuou quando Lizzie novamente se afastou. Elizabeth via a cobiça nos olhos dele, ele praticamente implorava por mais, no entanto ela esperaria até ele perder completamente o controle. Continuaram assim por quase um minuto, ela teve de prender os braços dele ao lado do corpo, pois Will já havia tentado puxá-la duas vezes. Até que Darcy desistiu de fingir obediência e se soltou dos braços dela, prendendo suas mãos na cintura de Lizzie e puxando-a com violência, ficando completamente dentro do corpo dela. Continuaram assim por pouco tempo, William estava quase no auge. Ele virou-a de volta e ficou por cima, e Elizabeth gemeu, prendendo suas pernas em suas costas, e arqueando os quadris para aprofundar a contato entre eles. Os movimentos ficaram cada vez mais fortes e rápidos, culminando num orgasmo intenso e cúmplice para os dois. Depois de recuperarem um pouco a força apagaram as velas e se dirigiram ao quarto, adormecendo exaustos aconchegados um no outro.

Elizabeth se mexeu ainda de olhos fechados e gemeu. Seu corpo estava dolorido. Sorriu ao lembrar do que causara tanto esforço. A noite fora ainda melhor que o planejado. Eles haviam feito amor na sala de maneira enlouquecedoramente sensual, selvagem e inexplicável. Entregaram-se um ao outro sem pudores, medos ou culpas. Foram para o quarto exaustos e dormiram abraçados, mas ela foi acordada durante a madrugada com mãos percorrendo o seu corpo mais uma vez e sentindo a animação “rígida” do namorado a suas costas. Não se importava de ser acordada daquela forma, pelo contrário, adoraria despertar todos os dias dessa maneira. Ela virou-se sorrindo e retribuindo os beijos e carícias, a maratona iria recomeçar.


Esticou o corpo, ele não estava mais lá, teria ido embora? Ela não acreditava nessa possibilidade, ele não sairia sem desperdir-se. Abriu os olhos, espreguiçou-se ainda deitada e depois levantou, abriu a porta do banheiro, ele não estava lá. Foi até o corredor e ouviu um chiado de alguma coisa sendo frita, deduziu que ele estava cozinhando algo para os dois. Pensou se deveria ir oferecer ajuda, mas acabou desistindo. Deixaria que ele terminasse o que quer que estivesse preparando. Voltou ao banheiro e se jogou debaixo do chuveiro. Lavou os cabelos e ensaboou todo o corpo, massageando as marcas arroxeadas que encontrava, sinais da noite intensa. Sorriu ao imaginar as costas de William com marcas de unha, tocou no próprio pescoço, estava mais dolorido num pequeno ponto do lado direito, provavelmente mais uma marca. Ela pelo menos tentara ser mais cuidadosa, os ombros de Darcy estariam com alguns daqueles sinais, mas nada teria de complicado para ele escondê-los. Agradecia pelo início do outono, poderia usar blusas com gola mais alta.


Não quis perder tempo e preferiu deixar os cabelos secarem ao ar livre, passou hidratante no corpo, vestiu uma calça de algodão justa no quadril e solta nas pernas, uma camiseta leve e saiu do cômodo.


- O cheiro pelo menos está bom! – ela disse abraçando William por trás. Ele estava desligando o fogão onde se encontrava uma frigideira com ovos mexidos com verduras e queijo.


- Bom dia meu amor! – ele disse ao senti-la – Como você está?


- Dolorida! – os dois sorriram.


- Pensei que seu condicionamento físico fosse melhor, pra que as aulas de dança estão servindo? – ele brincou enquanto virava para Lizzie.


- Nossos esforços de ontem foram bem mais intensos que minhas aulas! – ela esticou-se na ponta dos pés e lhe deu um selinho.


- Me deixe compensá-la com um delicioso café da manhã, cujo prato principal é a minha especialidade!


- Que seria? – ela perguntou enquanto entregava uma travessa para que ele depositasse o conteúdo da frigideira.


- Ovos mexidos a La Darcy!


- Parece apetitoso! – ela disse lambendo os lábios.


- Lizzie, pare de me provocar, precisamos pelo menos comer alguma coisa para recuperar as forças. – ele brincou ao vê-la lamber seus próprios lábios inocentemente, fazendo-a sorrir.


Ela pegou a cafeteira e o seguiu, a mesa da varanda estava posta, bem no meio como enfeite havia uma taça com uma única flor que fora arrancada do buquê que ela ganhara na noite anterior, do lado uma cesta de diversos tipos de saborosos pãezinhos, croissants e fatias de bolo que ele havia comprado na confeitaria em frente ao prédio, uma jarra de suco, outra cesta com frutas, geléia e agora o café e os ovos.


- Vejo que encontrei um homem prendado! – ela elogiou.


- E bem dotado. – ele gracejou fazendo-a gargalhar.


- Estou falando do café da manhã!


- Ooops, pensei que se referia a noite passada! Se bem que o elogio serve para os dois casos.


- Convencido! – Lizzie ralhou enquanto sentava na cadeira que ele puxava para ela.


Eles tomaram café nesse clima e William a convidou para dar uma volta. Lizzie vestiu um suéter por cima da roupa que estava e os dois desceram.
Caminharam de mãos dadas até o parque ali perto. Elizabeth sentou-se num dos balanços vazios àquela hora e William fez o mesmo no balanço ao lado dela.
Lizzie percebeu que ele estava mais quieto que de costume, mas nada disse.


- Você me ama Lizzie? – ele perguntou de supetão, olhando para ela.


- Claro, Will. Te amo enlouquecedoramente. – brincou – E você?


- Mais do que a mim mesmo. – ele disse sério – Você acredita nisso?


- Acredito. – ela sorria.


- Lizzie, seja sincera, eu preciso que você me diga que tem certeza do meu amor por você, eu preciso que você saiba que eu quero passar a vida toda do seu lado. – Ele falou em tom de súplica.


Ela estava surpresa. Não tinha idéia do que ele estava tentando dizer, seria um pedido de casamento? Ela balançou a cabeça espantando aqueles pensamentos. Ainda era cedo demais.


- Eu tenho certeza que você me ama Will. Eu sinto isso.


Ele ficou mais aliviado.


- Eu preciso... – ele parou e respirou fundo – Preciso te falar sobre uma coisa que tem me incomodado.


Lizzie ficou com medo. Será que tinha feito alguma coisa errada? Teria exagerado ontem? E se ele não tivesse realmente gostado da surpresa? Ele estava achando que ela era ousada demais?


- Will, tem a ver com a noite de ontem? Eu fiz algo errado? Te decepcionei?


- Não meu amor, ontem foi perfeito, sempre é perfeito estar com você! Mesmo quando fingimos que estamos brigando! – eles riram.


- Eu que temo te decepcionar com o que tenho a dizer.


Lizzie exasperou-se.


- O que houve, Will? Por favor, fale logo, não me deixa angustiada.

- Lizzie... – ele recomeçou pegando suas mãos – Eu realmente me arrependo muito disso tudo, mas voltei para Londres acreditando que você nunca sentiu nada por mim. Desde que escrevi a carta pra você e não obtive resposta tinha na cabeça de que você a recebeu e não respondeu de propósito, e ria-se de mim pelas costas.


- Will, eu nunca... – ele a interrompeu.


- Hoje eu sei que você nunca chegou a ler tal carta. Mas fiquei sabendo muito tarde, então, acreditando que você era indiferente eu me aproximei de você com o intuito de te seduzir e te fazer passar pelo sofrimento que eu passei, eu tinha... – ele respirou fundo - ...Eu agi inicialmente com propósitos de me vingar.

~x~
 

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