Na Rua, na Chuva, na Fazenda - Kid Abelha e Lenine
William só acreditou que tudo aquilo não passara de mais um sonho quando sentiu o corpo quente dela encostado ao seu. Sua vontade agora era acordá-la, enche-la de beijos e amá-la mais uma vez. Agradecer por toda felicidade que ela o proporcionava e prometer muitas e muitas vezes que agora tudo seria diferente. Mas precisava resolver algo primeiro.
- Aonde pensa que vai, Mr. Darcy? – ela sentiu quando ele tentou se afastar e o prendeu com a perna que estava por cima da dele.
- O prisioneiro hoje sou eu? – ele perguntou enquanto virava-se para ela, apoiando a cabeça no braço.
- Sempre foi. – ela sorriu.
- Você é linda, sabia?
- E você escolheu o pior momento pra dizer isso. – Lizzie se fingia de zangada. – eu acabei de acordar, devo estar tudo menos bonita.
- J'adore l'odeur de ton peau... – ele disse enquanto passava o nariz do ombro até a curva do pescoço dela inalando o cheiro de fêmea que ela exalava - Le goût de ta bouche... – levou os lábios até a boca dela e depositou suaves beijos, para depois passar a língua por toda a extensão de seus lábios - E la tendresse de ton contact. – colocou a mão dela no peitoral nu dele, sentindo a maciez da pele dela na sua.
*Adoro o cheiro da sua pele... O gosto da sua boca... E a maciez do seu toque.
- Eu espero que isso tenha sido um elogio! – Lizzie sorriu, enquanto continuava acariciando-o.
- Foram vários elogios!
Elisabeth passou suas pernas pelas dele e ficou por cima, enquanto beijava-o e afagava seu corpo.
- Lizzie – a voz dele denotava preocupação.
- Hum? – ela respondeu sem parar de beijá-lo.
- Nós temos nos empolgado muito desde ontem, e acabamos esquecendo alguns detalhes, eu não pude deixar de me preocupar.
- Ah! – ela respondeu surpresa, realmente não tinha parado pra pensar nisso. William tinha razão em estar preocupado, embora ela não tivesse motivos para isso. Precisava falar a verdade para ele, talvez isso influenciasse de uma forma negativa o futuro dos dois, mas não podia esconder isso dele. Nunca contara sobre aquilo para Hugh nem para nenhum de seus namorados, sabia que não ficariam juntos por muito tempo, mas Will era diferente, ela queria uma vida ao lado dele, mas tinha que dá-lo o direito de escolher.
Se William já estava levemente preocupado depois de ver que Lizzie ficou pálida com sua pergunta ele ficou ainda pior, não sabia o que pensar.
- Will, eu preciso te dizer uma coisa, mas, por favor, só escute, prometa que não vai me perguntar nada.
- Lizzie... – ele não sabia o que dizer.
- Apenas prometa, Will.
- Prometo, pequena.
Ela hesitou por um tempo, mas respirou fundo e falou com a voz falhando um pouco.
- A possibilidade de que eu possa vir a ter filhos é mínima, William. Praticamente nula. Algum problema nos ovários, nunca prestei muita atenção na explicação do médico, até mesmo como forma de me defender, por isso não adianta perguntar nada, eu não saberia responder.
- Lizzie, eu, eu sinto muito.
- Tudo bem, William, eu já superei isso, só não é a coisa mais agradável do mundo ficar repetindo essa história. – ela olhou pra cima tentando impedir que lágrimas caíssem de seus olhos marejados – Além disso, eu nunca me entreguei a ninguém assim antes, eu sei que isso não é o mais correto, mas eu confiei em você, eu quis que com você fosse tudo perfeito, sem nenhuma barreira entre nós.
- Isso também nunca tinha acontecido comigo. - William foi sincero - Mas se você preferir podemos fazer alguns exames depois.
- Tudo bem. Acho que preciso de um banho agora, te vejo lá em baixo. Ah, você é o único além da minha família que sabe, então, por favor...
- Não se preocupe.
Elisabeth foi para o outro quarto com uma rapidez impressionante ou William estava lento demais para qualquer reação?
Ele nunca imaginara algo do tipo, ela era tão bonita, tão saudável, sua pele corada refletiam seu gosto pelo sol, que não era muito comum em grande parte do ano, mas era o suficiente para mantê-la daquela forma pelo menos durante as estações mais quentes. Mas essas coisas não estavam escritas na testa, ele não tinha como saber de outra forma. Precisava fazer alguma coisa ou isso podia deixá-la triste o resto do dia e ele não queria estragar esse momento.
Depois que fizeram seu desjejum Darcy pediu licença para ter com alguns funcionários e Lizzie foi até a cozinha conversar com a Sra. Reynolds.
- Lizzie, sem querer ser metida, posso perguntar a quanto tempo vocês estão juntos? – a mulher perguntou sem rodeios, porém sem perder a simpatia.
- Para falar a verdade aproximadamente uma semana. – ela não poderia mentir praquela mulher, afinal sempre se deram muito bem.
- Mas e o seu coração, desde quando pertence ao menino Darcy?
- Bem mais tempo do que isso posso te garantir, Rose. – ela falou pensativa.
- Como eu desconfiava. – a mulher disse fazendo as duas sorrirem - Vocês fazem um belo casal, e merecem um ao outro. Mas o que vocês querem almoçar hoje menina? – a simpática senhora perguntou mudando de assunto e tirando Lizzie de seus devaneios.
- Qualquer coisa feita por você. – Lizzie respondeu sorridente – agora vou até o estábulo ver o Noah! A senhora já o conheceu?
Diante da negativa da mulher ela passou a enumerar os detalhes do parto e de como o potrinho era saudável e bonito.
Quando Lizzie chegou onde o animal estava encontrou um funcionário colocando um laço de fita ao redor do pescoço do pequeno animal enquanto Darcy conversava com o mesmo.
- O que é isso, Will?
- O que você está fazendo aqui? – ele perguntou um pouco aborrecido, mas Lizzie fingiu que não percebeu.
- Perguntei primeiro. – ela colocou a mão na cintura e ficou a espera de uma resposta dele, que agora sorria divertido.
- Você acabou de estragar uma surpresa, sabia? – ele puxou-a pela mão e entrou no cercado que Neve e seu filhote estavam e falou se dirigindo ao pequeno animal:
– Noah, eu quero que conheça sua nova e bela dona: Elisabeth Bennet!
Lizzie ficou estupefata, aquilo a surpreendera realmente, e sem se preocupar com o funcionário que era testemunha daquele momento prendeu os braços no pescoço de Will e encheu-o de beijos, gritando todo tipo de agradecimentos! Pensara que suas lágrimas tinham ido embora junto com a água do banho, mas errara, seu rosto estava completamente úmido outra vez.
- Acho que o Noah está com ciúmes! – ele disse quando percebeu o potrinho se encaminhando na direção dos dois em passos trôpegos.
Lizzie no mesmo momento abaixou-se, limpou o rosto e começou a acarinhar o pequeno animal, sob o olhar atento de sua mãe. Sentou-se na grama e começou a conversar com o animal, prometendo-lhe entre outras coisas muita atenção e carinho.
- Não precisa tudo isso, pequena. – Will falou carinhoso - ele não entende o que você fala – ele brincou.
- Will, eu passo o dia no trabalho escutando as pessoas, e 99% são problemas. Quando eu tenho o Noah pra me escutar você vem reclamar?! – ela riu – Não me importa que ele entenda ou não, apenas me deixe falar!
Lizzie passou grande parte da manhã com seu novo animal, William conversou um pouco com alguns funcionários, deu algumas ordens e voltou para buscá-la, embora ela quisesse permanecer ali. Mas ele alegou que já estava com ciúmes e ela aquiesceu.
Passaram o resto do dia juntos e à tardinha voltaram para Londres. Mas William só foi para sua casa bem tarde, quando teve a certeza de que não ia ser bombardeado de perguntas sobre a viagem repentina naquela noite.
Durante a semana Fitzwilliam conversou com Michelle e William sobre o pedido de Georgianna, Michelle passou a maioria do tempo apenas escutando, mas Will foi radicalmente contra até o momento que seu pai pediu que ele o escutasse.
- Will, você sabe o quanto a sua mãe gostava de música...
- Eu sei, pai, mas isso não...
- Acalme-se, meu filho, me escute. Sua mãe seria uma ótima pianista e estudava para isso, mas ela engravidou e preferiu viver para os filhos, como se ela soubesse... – os olhos do homem marejaram, mas ele respirou fundo e continuou – eu penso que talvez por isso não devêssemos impedir que Georgianna escolha o caminho dela, os negócios estão bem em suas mãos e se um dia você se sentir cansado contrate pessoas eficientes para fazer isso por você, ou venda uma parte das empresas.
William o olhou estupefato.
- Isso mesmo meu filho, hoje eu sei que o trabalho existe para nos dar um meio de viver bem, e não para vivermos em função dele. Se alguém me falasse em vender qualquer das empresas anos atrás eu agiria exatamente da maneira que você está tentando, mas a vida ensina muitas lições, e essa eu quero passar pra você agora. Desfazer-se de algumas coisas não vai diminuir nosso padrão de vida nem destruir a imagem que nós temos nesse país. Apóie a sua irmã, eu sei o que eu estou falando.
- Papai, eu respeito a sua decisão, mas não me peça mais do que isso. – William falou e se retirou do aposento.
Michelle acercou-se do esposo e deu um beijo na testa dele.
- Fique calmo, meu querido, ele vai entender. Você agiu da maneira correta, agora vá falar com a sua filha, ela vai adorar receber essa notícia de você.
Georgianna ficou extremamente agradecida ao seu pai, e naquela mesma noite começou a planejar os detalhes da festa com sua madrasta. Precisava tomar coragem para contar do namorado para a família, afinal se ia comemorar seu aniversário George teria que comparecer.
O trabalho e os afazeres de William e Lizzie impediram que eles se vissem por muito tempo durante a semana. Na maioria das vezes se falavam apenas por telefone. Combinaram de se ver no sábado já que na sexta à noite Lizzie combinara de jantar com os pais e ninguém além de Jane sabia do relacionamento dos dois.
Sábado à tarde William chegou ao apartamento de Lizzie de surpresa, pois já não agüentava mais esperar. Ela estava organizando seu quarto, jogando algumas coisas fora, separando roupas velhas para doar e estava pessimamente vestida quando abriu a porta pra ele.
- Dia de faxina? – ele perguntou no melhor sorriso que conseguiu exibir, enlaçando-a pela cintura enquanto apropriava-se da boca dela num beijo saudoso.
- Exato. – ela respondeu quando ele a soltou – Mas eu tomo um banho rapidinho e a gente pode sair pra qualquer lugar.
- A gente pode ficar aqui hoje? – ele pediu carente – Não me sinto muito animado.
- Claro. – ela respondeu preocupada – No entanto eu preciso tomar um banho de qualquer forma, mexi em muitos trecos velhos, estou repleta de poeira.
- Ok. – Lizzie percebeu que ele cedeu muito fácil, mas assim que terminasse ia descobrir o que o tinha deixado tão abatido.
Colocou a banheira pra encher enquanto jogava o short no cesto de roupa suja.
- Posso ajudar? – William perguntou, enquanto abria a porta do quarto dela sem pedir permissão. Encontrou-a tirando o restante da roupa com um olhar divertido, ela então descobriu o porquê dele ter cedido tão fácil, já que tinha a intenção de juntar-se a ela.
- Se não for pedir muito eu realmente preciso de ajuda pra terminar de tirar isso tudo. – ela sorriu enquanto ele desabotoava o fecho de seu sutiã – Inclusive estava me perguntando como sobrevivi até hoje sem a sua ajuda para tirar a roupa.
Ele trincou os dentes tentando tirar da cabeça a imagem do ex-namorado de Lizzie com as mãos no corpo da sua namorada.
“Minha namorada.” Esse pensamento era novo pra Will, nunca conversaram sobre isso, parecia tão natural a forma como eles se relacionavam que nunca precisaram discutir esses termos ou oficializar nada.
Ela notou que o semblante dele ficou sério por um momento, mas que depois ele foi relaxando enquanto ela o despia também. Lizzie ligou o som e os dois entraram na banheira, ela ficou atrás dele e começou a passar a esponja ensaboada em suas costas.
- O que aconteceu, Will? Você está tenso. – ela pressionava os músculos enrijecidos dele com mais força agora, a fim de relaxá-lo.
- Problemas, mas não quero falar sobre isso agora, só quero curtir você. – ele disse, virando-se para beijá-la.
- Espere um pouco, me deixa cuidar de você. – ela disse impedindo que ele virasse e colocando-o na posição certa para que ela pudesse lhe massagear.
Lizzie começou pela têmpora, passando a ponta dos dedos molhados em movimentos circulares, pressionando levemente de vez em quando, depois desceu para um ponto importante logo abaixo da orelha, onde ela fazia um movimento parecido com o de puxar a musculatura suavemente da mandíbula em direção a parte posterior do ouvido.
Em seguida ela se dirigiu a nuca, massageando mais forte e movimentando o pescoço dele em movimentos circulares, daí ela foi descendo pelos ombros, colocando mais força e pressão nos músculos dele.
Quando viu que ele estava mais relaxado ela passou a ousar, descendo as mãos com propriedade pelas costas dele mordiscando aquela nuca tentadora em sua frente.
- Lizzie... – ele gemeu. – Não conheço esse tipo de massagem.
- Esse tipo é bem peculiar, só homens muito especiais merecem um tratamento VIP assim. – ela provocou.
- Posso saber o que vem incluso no tratamento? – ele fechou os olhos e ofegou, Lizzie agora brincava com suas mãos no baixo ventre dele, provocando-o.
- Vou lhe mostrar tudo senhor, não precisa de pressa.
Ela então começou a acariciar a masculinidade dele que já mostrava todos os sinais de excitação, enquanto Darcy agarrava as pernas de Lizzie com força, sem saber quanto tempo agüentaria aquela deliciosa agonia. Todo o corpo de William ganhou um tratamento especial enquanto ele se continha para não tomar as rédeas da situação.
Lizzie compreendeu que ele já estava ficando tenso de novo, por causa do desejo que se acumulava, e como ela também estava mais do que preparada para o que viria a seguir colocou-se na frente dele, sendo puxada de forma ávida para um beijo nada contido. O que aconteceu em seguida foi apenas conseqüência do anseio intenso de ambos, que mais uma vez os uniu de forma única, apaixonada e vigorosa.
Os dois estavam na cama de Lizzie, descansando quando Elisabeth achou que já era hora de saber o que o incomodava.
- Agora você já pode me contar o motivo que te deixou assim? – ela perguntou delicadamente.
- Cansado assim você quer dizer? – ele brincou – Estou falando com a própria causa.
- Eu te conheço, Will, qual é o problema?
Ele respirou fundo procurando as palavras certas, procupado, e ao mesmo tempo feliz por Elizabeth conhecê-lo tão bem mesmo depois de tanto tempo.
- Foi a cabeça oca da minha irmã.
- O que aconteceu com Georgie? – ela sentou-se rapidamente preocupada puxando uma blusa pra vestir.
- Calma, Lizzie, – ele puxou-a de volta para os braços dele – nada aconteceu, ainda. O problema é que ela disse que não vai cursar a universidade, não vai assumir a parte dela nas empresas. E o papai já acatou.
Vendo que Elisabeth continuava tranqüila como se não tivesse escutado nada demais ele continuou.
- O pior de tudo é que ela vai deixar tudo isso pra trás pra cantar. Cantar, Lizzie!! Minha irmã tem o sonho de ser artista.
- E qual é o problema nisso, Will?
- Qual é o problema? – foi à vez de ele sentar-se rapidamente na cama – Ela tem obrigações com a família Lizzie, eu não posso levar tudo nas costas, e é ridículo, cantora Lizzie, eu não consigo nem pensar nisso, é absurdo.
Lizzie sabia que se o enfrentasse ele só ficaria mais irritado. Sentou-se na cama e encostou-se na cabeceira, trazendo-o pra perto. Will deitou com a cabeça nas pernas dela enquanto recebia cafuné da amada.
- O que o seu pai falou a respeito? – ela perguntou, tentando analisar a situação.
William explicou que seu pai também jamais imaginara algo do tipo, e que estranhou inicialmente, contudo pensou melhor e decidiu acatar o desejo da irmã. Ele relatou em detalhes a conversa que Fitzwilliam teve com ele e os argumentos que usou para convencê-lo.
- Will, – ela começou calmamente – se o seu pai já disse que não vê problemas é porque ele sabe que você tem competência suficiente pra levar as empresas adiante sem Georgianna, e se, um dia você se sentir atarefado demais ele mesmo já te deu as opções, então você tem outro motivo além desse.
- Não tem outro motivo, eu só não vejo lógica nessa história.
- Nem tudo precisa de lógica meu amor. A vida não é uma ciência exata. Eu sinto que tem muito mais ciúmes nessa história do que qualquer outra coisa.
- Ciúmes? – ele olhou espantado pra Lizzie, como se ela tivesse conseguido ler a mente dele. Ela apenas levantou a sobrancelha, esperando que Will dissesse mais alguma coisa.
- Você venceu. – ele admitiu – Ela tem talento Liz, eu sei que facilmente vai ficar conhecida, não consigo imaginar minha irmã sendo assediada por todo tipo de homem, e as revistas, os jornais, já pensou a minha irmãzinha nas bancas de jornais, Lizzie? Isso é inaceitável.
- Meu amor, você precisa entender que a sua irmã não é mais uma criança, e você vai fazê-la sofrer se a impedir de seguir os sonhos dela. E de qualquer forma você vai estar ao lado dela para protegê-la dos terríveis assediadores de mulheres indefesas! – ela gargalhou.
- Ok, você me convenceu. – ele disse sentando-se e trazendo Lizzie para o colo dele – Mas agora quero saber se é verdade o que você disse.
- Qual parte?
- A parte que você me chamou de meu amor. – Lizzie enrubesceu – É verdade?
- Eu chamei?
- Duas vezes. É verdade?
- O que você acha? – ela perguntou de cabeça baixa.
William levantou o queixo dela com a ponta dos dedos enquanto buscava os olhos negros mais lindos que já vira. Ele também estava nervoso, mas precisava ouvir dela que seu sentimento era recíproco.
Elisabeth viu que ele estava esperando que ela dissesse algo, e o incrível é que ela não estava com medo de falar, ela só não sabia como. A chance de ser feliz ao lado do homem que ela amava estava ali, nas mãos, aliás, nos lábios dela, então ela cobriu a mão que estava no queixo dela e disse de uma vez só titubear:
- Você está esperando que eu diga que eu te amo? Que eu sempre te amei? Que você foi e é o único amor da minha vida? Que eu nunca fui capaz de sentir por alguém um décimo do que eu sinto por você?
Ele sorriu acenando a cabeça.
- Eu te amo, William Darcy. – ela disse pausadamente – eu sempre, sempre te amei, mesmo antes de saber o que era amor eu já te amava! E você é o homem da minha vida, eu sempre soube disso.
- Eu também te amo, Elisabeth Bennet. – ele falou olhando em seus olhos – nenhuma outra mulher me fez sentir o que você me faz, você é tudo que eu quero pra mim, e tudo que eu preciso para ser feliz.
O beijo que veio a seguir não teve nada de sensual, era um beijo cúmplice, verdadeiro, significativo, que selou o recomeço de uma história de amor.
- O que eu posso fazer pela minha namorada hoje? – ele perguntou quando afastaram os lábios?
- O que o meu namorado faria por mim? – ela respondeu sorrindo, estava feliz por ele ter chamado-a de namorada.
- Tudo. Escalaria o Everest sem roupa, declamaria mil poemas de amor, te compraria todas as jóias do mundo pra te provar que nenhuma tem o brilho do teu olhar, e pediria uma pizza pelo telefone porque estou morrendo de fome!
Os dois gargalharam.
- Eu sabia! Estava tudo romântico demais pra ser você! – ela levantou, buscou o telefone e o entregou junto com o catálogo – Mas pizza não, pede sushi, é mais gostoso, mais leve e engorda menos. – ela exigiu.
Will fez a ligação e enquanto esperavam o pedido ele falou sobre outro assunto que precisavam “resolver”.
- Amor? – soava tão fácil essa palavra nos lábios dele – Como nós vamos informar as nossas famílias?
Lizzie revirou os olhos, já imaginava o estardalhaço que sua mãe faria, com planos mirabolantes para um casamento, entre outras coisas.
- Eles precisam mesmo saber? – ela tentou brincar.
William levantou os ombros sem saber o que dizer, ele também já visualizava seu pai falando “Eu sabia” e sua madrinha comemorando sem disfarçar, mas não poderiam se esconder pra sempre. Os funcionários de Pemberley já sabiam, em breve a notícia se espalharia.
- O melhor que temos a fazer é deixar as coisas correrem naturalmente, você sabe como eles sempre nos trataram, como se soubessem mais da gente do que nós mesmos, vamos nos curtir mais um pouquinho e deixar essa decisão pra depois.
- Ok. Seria difícil mesmo enfrentar a minha madrinha! – ele tentou brincar.
**
Naquela noite Hugh tocaria em sua despedida da Banda de Garagem, o novo guitarrista já estaria presente, e tocaria junto com o grupo, mas não com a guitarra principal. A casa estava cheia, havia muitos conhecidos que ele convidara especialmente para aquele momento, Sulani estava lá também, aquele “jantar” na casa dela foi apenas o primeiro de muitos naquela semana e Hugh a convidou para aquela apresentação que para ele era muito significativa. Hugh viu Georgianna de longe, ela estava com o mesmo carinha da outra noite e ele preferiu não se aproximar e não pode perceber que os dois estavam discutindo.
George estava especialmente tenso naquela noite, perdera uma grande quantia no jogo e não sabia como pagar mais uma dívida, resolvera sair porque sua namorada ligara dizendo que tinha algo muito importante para dizer-lhe, primeiramente não ficou com muita vontade, mas depois pensou melhor, estava mesmo precisando de uma noitada, aquela piveta já tinha o enrolado demais, hoje ele ia mostrá-la que não estava brincando de casinha.
Mas ao chegar encontrou Georgianna empolgada, dizendo que a família havia aprovado sua decisão e que ela estava muito feliz, ele fingiu que estava feliz por ela embora estivesse com ódio por dentro. Começou a beber exageradamente e no meio do show de Hugh já estava completamente descontrolado. Beijava Georgianna de um jeito agressivo, ela lutava para se soltar, mas ele era mais forte.
No momento em que ele saiu para buscar outra cerveja ela resolveu procurar suas amigas próximo ao palco. Andou por algum tempo espremida entre as pessoas que estavam próximas a banda e avistou a mulher que falara com Hugh outro dia na boate, ela estava olhando para o palco e Georgie acompanhou o olhar dela, percebendo que ela olhava pra Hugh e ele olhava fixamente pra ela.
Se seu namorado já tinha lhe dado motivos para estar mal encontrara ali a gota d’água. Hugh a conhecia há meses e nunca sequer olhara pra ela como mulher, e aquela outra aparecera na vida dele há poucos dias e ele já estava assim, parecia enfeitiçado. Ela não pôde mais segurar, as lágrimas saíam com força de seus olhos e ela só pensava em sair dali, não podia mais ver aquela cena. Havia andado o suficiente para sair da multidão quando sentiu alguém puxá-la pelo braço. Não precisava olhar, era Wickham, ainda mais agressivo por ela não estar onde ele havia deixado. Ele a puxou pelo braço e a levou até a saída do pub, jogando-a com força num carro parado lá em frente.
- Você pensa que pode fugir de mim? – ela o olhava sem entender, as lágrimas banhando seu rosto – Só porque você tem dinheiro, tem tudo o que quer? As coisas não assim gatinha. Hoje você vai aprender quem é que manda aqui.
Wickham foi puxado violentamente e devido ao excesso de bebidas ele caiu, completamente sem equilíbrio. Levantou-se resmungando e deparou-se com Hugh que havia visto tudo desde o momento em que Georgianna viu sua troca de olhares com Su e começou a chorar. Naquele momento um filme passou pela sua cabeça e ele percebeu o quanto era cego, ela já tinha feito de tudo pra chamar sua atenção e ele só enxergava Lizzie em sua frente. Não deixou que a música terminasse, fez um sinal para o outro guitarrista assumir seu lugar e saiu do palco, deixando o restante da banda sem entender.
- Qual é o seu problema? – Wickham gritou após se levantar.
- Meu problema é você. – Hugh falou antes de desferir um cruzado de direita na cara mal lavada do crápula que só não caiu novamente porque um dos seguranças que vinha correndo naquele exato momento o aparou.
Hugh disse ao funcionário que tomasse conta de Wickham e foi até Georgianna, abraçou-a enquanto tentava dizer alguma coisa que a acalmasse, mas ela estava em choque, soluçava e tremia completamente nervosa.
- Vem, vou te levar pra casa. – ele disse após pegar na mão dela.
- Não! – ela gritou assustada. – Não posso chegar em casa assim.
Ele pensou um pouco e lembrou-se de um lugar que poderia deixá-la em segurança.
- Não vamos pra sua casa, confie em mim. – era um pedido fácil, como não se confiar em quem se ama?
Eles foram até o estacionamento, Hugh entregou seu capacete a Georgianna e montou na moto e deu a partida. Rapidamente estavam na frente do prédio de Lizzie, e Georgianna já estava mais calma. Depois de insistir um pouco já que o porteiro achou estranha uma visita naquele horário eles conseguiram que ele interfonasse pra Lizzie e após o próprio Hugh falar com ela os dois subiram.
Lizzie colocou um robe por cima da camisola e os esperou na porta do elevador. Georgianna se jogou em seus braços assim que a viu e voltou a soluçar enquanto dizia coisas sem sentido.
- Eu não tive culpa, eu não sei porque ele ficou daquele jeito... Eu não queria gostar dele, me desculpa Lizzie, eu não mereço a sua ajuda... – ela dizia, misturando as histórias.
Eles entraram no apartamento e Lizzie deitou a garota na cama do quarto de hóspedes e ficou ao seu lado até que ela estivesse mais calma. Depois foi até a cozinha preparar um chá calmante pra ela e saber de Hugh o que tinha acontecido, embora ambos estivessem desconfortáveis, pois era a primeira vez que se viam desde o término do namoro.
- Primeiro coloca isso na sua mão. – ela disse enquanto entregava gelo a Hugh, a mão dele ficou inchada com o soco – Agora me diz em quem você bateu e o que a Georgie tem a ver com isso.
- Dei um soco no namorado dela, um tal de Wickham. – ele disse após perceber que Lizzie não fazia idéia de que a garota tinha um namorado – Eu o conhecia de vista, ele é acostumado a fazer confusões por aí, acho que nem ela sabia disso.
- E o que foi que ele fez pra ti?
- Ele estava bêbado, ameaçando-a do lado de fora do pub que eu estava tocando, eu passei por lá, os reconheci e o afastei dela. Ela tava muito nervosa e não queria ir pra casa, então pensei em trazê-la pra cá. Fiz mal?
- De jeito nenhum, Hugh, você fez a coisa certa.
O chá ficou pronto e ela se dirigiu ao quarto novamente, sendo seguida por Hugh, mas ela o interrompeu.
- Me deixa ficar sozinha com ela agora? Se você quiser pode comer alguma coisa, deitar no sofá, não preciso te mostrar a casa. – ela brincou.
- Mas, Lizzie, eu...
Amanhã você fala com ela, Hugh, mas por enquanto Georgianna precisa descansar.
- Então eu vou pra casa, me liga se ela precisar de alguma coisa?
- Ligo sim, não se preocupa, e obrigada por trazê-la.
- Posso voltar amanhã para falar com ela?
- Claro. Na hora que você quiser.
Elisa entrou no quarto e Hugh respirou fundo antes de ir embora. Georgianna tomou todo o chá e vestiu uma camisola que Lizzie separou pra ela, deitou na cama e a amiga sentou-se ao seu lado, afagando seus longos cabelos loiros.
- Melhor agora?
- Um pouco. – a menina murmurou, com a voz anasalada por causa do choro – Lizzie, me desculpa, me sinto tão culpada, eu não queria gostar dele.
- Shiiii, não fale disso agora, descanse. Todo mundo gosta de quem não deve uma vez na vida, vai passar.
- Mas, Lizzie, eu não podia gostar do Hugh, ele era o seu namorado.
- Hugh? – Lizzie indagou surpresa.
- Eu preciso te contar Liz, já guardei isso tempo demais, eu espero que você possa me perdoar um dia. Eu sou apaixonada pelo Hugh desde a primeira vez que eu o vi, pouco depois contratei a banda dele pra tocar no meu aniversário e lá eu descobri que você era a namorada dele.
Lizzie estava estática, ela nunca imaginara nada como aquilo.
- Eu não tenho o que perdoar meu benzinho, nós não escolhemos de quem gostamos, não é culpa sua. E agora eu e Hugh não temos nada, eu amo outra pessoa, se depender de mim vocês podem ficar juntos sem problemas.
- Mas ele não gosta de mim, Lizzie, nunca gostou. O máximo que ele sente é pena.
Georgianna contou toda a sua versão da noite para ela, desde a briga com o namorado até o momento em que viu a troca de olhares de Hugh com a mulher e quando ele apareceu e a defendeu do namorado.
Depois de falar tudo Lizzie insistiu para que ela dormisse e ficou ao lado dela até que ela finalmente pegou no sono. Lizzie então ligou para William e contou parte dos acontecimentos, garantindo que Georgianna estava bem e que no dia seguinte a deixaria em casa. William ficou nervoso, no entanto sua namorada o garantiu que agora tudo estava sob controle e Georgie dormia sossegada, ele ficou mais tranqüilo, mas demorou a pegar no sono novamente.
No dia seguinte Georgianna acordou mais calma, ela e Lizzie conversaram bastante decidindo a melhor maneira de contar o que acontecera a família dela. Ficou acertado que Lizzie ficaria ao lado dela, lhe dando apoio, mas seria Georgie que falaria. Combinara com William naquela manhã de que ela levaria sua irmã para casa próximo do meio dia, e almoçaria com a família Darcy.
Hugh chegara na metade da manhã, Lizzie recebeu-o e foi se arrumar para o almoço. Ele e Georgianna ficaram na sala sem saber o que falar naquele momento, mesmo ignorando o fato de que Hugh sabia de seus sentimentos ela estava envergonhada por ele ter presenciado a discussão com Wickham e ao mesmo tempo agradecida por ele ter intervindo.
- Eu...
- Eu... – falaram os dois ao mesmo tempo.
- Você primeiro. – Hugh disse sorrindo.
- Obrigada por ontem, eu não sei o que aconteceria se você não tivesse aparecido.
- Não precisa agradecer, tenho ficado de olho em vocês dois desde que o vi com aquele cara, ele nunca me passou confiança.
- Você estava me observando? – ela perguntou surpresa e ao mesmo tempo emocionada.
- Sempre que possível. – ele sorriu.
- Eu pensava que você mal me notava. – Georgie disse com um sorriso triste.
- Isso é meio impossível.
- Que? – ela perguntou sem entender.
- Não notar você. – ela corou.
Hugh estava confuso com tudo que acontecera, sentia-se dividido, perdido, sem saber o que fazer. Georgianna era linda, parecia uma ninfa, tinha o sorriso mais encantador que já vira na vida, e uma voz que nunca cansaria de escutar, além de tudo era atraente. Ele tentava não olhar muito pra ela, mas desde que chegara estava se sentindo hipnotizado. Queria protegê-la, ampará-la, ela parecia uma frágil boneca de porcelana prestes a quebrar a qualquer instante.
Já Georgianna parecia ter ganhado motivos para sentir esperança, o modo com que ele a olhava, as palavras que ele estava usando, não sabia o que pensar. Hugh se aproximou dela e segurou suas mãos, ele lutava contra a vontade de tê-la pra si, pra sempre.
- Obrigada de verdade Hugh, por tudo. – ela disse enquanto estendia seus braços para abraçá-lo.
Toda sua força de vontade se esvaiu quando ele a sentiu tão perto, Hugh fechou os olhos e a segurou junto de si o mais forte que podia, não queria mais que ela saísse de perto. Georgianna entendeu que ele estava se sentindo como ela, que decidida a tê-lo também afastou-se um pouco e olhou pra ele, oferecendo seus lábios de maneira inocente. Não foi preciso palavras, Hugh a segurou pela nuca e aconchegou seus lábios nos dela, fazendo-a estremecer. Em segundos os dois já estavam num beijo mais profundo, carregado com algo mais do que desejo, uma sensação nova para ele, algo chamado amor.
O telefone da sala tocou, Hugh se afastou e atendeu rapidamente, não deveria ter feito aquilo, beijar Georgianna fora um erro, ele só ia magoá-la mais.
Quando ele ouviu uma voz masculina do outro lado se arrependeu, percebera que errara novamente, não namorava mais com Lizzie, não tinha direito de atender seu telefone.
- Lizzie? – a voz do outro lado perguntou.
- Ela está no banho.
- Quem está falando?
- Felton, um amigo dela, você quer deixar recado?
Click.
- Sujeito mais mal educado, desligou na minha cara. – ele disse desconcertado e Georgianna sorriu.
Lizzie reapareceu na sala no exato momento que os dois procuravam algum assunto para conversar, facilitando as coisas. Georgianna convidou Hugh para almoçar em sua casa também, mas ele achou melhor recusar o convite, com a desculpa de o irmão dela não ser um de seus melhores amigos por assim dizer, mas na verdade queria evitar ficar perto dela novamente, aquilo já tinha sido demais.
A garota ficou decepcionada, mas entendeu, os três desceram e estavam se despedindo quando Hugh falou:
- Quando você precisar de mim, digo, caso aquele canalha se aproxime de você de novo, por favor, me ligue. – ele disse estendendo seu cartão.
- Ok. – Georgianna falou, escondendo seu sorriso esperançoso.
- Obrigada por tudo, Hugh. – dessa vez foi Lizzie que se pronunciou, mas precisamos ir agora.
O ex-casal se despediu de maneira fria, mas amigável e Georgianna apenas acenou para Hugh que se dirigiu a sua moto enquanto as duas seguiam para a garagem do prédio.
Quando chegaram à residência dos Darcy o clima estava bastante tenso, William contara o pouco que sabia para seu pai e sua madrasta, e Georgianna teve que explicar tudo, inclusive a participação de Hugh na estória, com a ajuda de Lizzie.
Fitzwilliam ficou muito preocupado e Georgianna foi proibida de sair à noite por algum tempo, ela entendeu a atitude do pai acatou a decisão sem reclamar.
Elisabeth voltou para casa um pouco tensa, sabia que William não iria ser carinhoso na frente de todos, afinal estavam namorando escondido, mas ele mal tinha olhado pra ela durante o tempo em que ficara na casa dele. Assim que chegou ela o percebeu nervoso, mas deduziu que era apenas devido ao problema de Georgianna, depois que ela explicou tudo ao pai o clima melhorou, mas William continuou indiferente a ela. Depois do almoço a Lizzie permaneceu com a família por um tempo, mas já estava desconfortável que o desprezo de Darcy e resolveu voltar pra casa mais cedo do que imaginava.
Marcara com Charlotte e Jane de se encontrarem no fim da tarde em seu apartamento, aproveitaria esse momento pra passar no supermercado a fim de reabastecer a geladeira.
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