I really want you – James Blunt
Logo que o sol nasceu os funcionários levantaram para começar mais um dia de trabalho e viram o carro do patrão em frente à casa. A Sra. Reynolds então se apressou e preparou um café da manhã bastante farto e diversificado, e colocando apenas um lugar na mesa, sem saber que William não estava sozinho.
Lizzie acordou com a luz do sol aquecendo seu rosto e olhou para o lado, ele ainda estava ali bem próximo, e ela se sentia extremamente feliz, embora não tivessem feito nada além de dormir. Ela sabia o quanto os dois estavam cansados na noite anterior, trabalharam o dia todo, saíram à noite, ficaram acordados até tarde e ainda encararam quase duas horas e meia de estrada. Mas teriam todo o tempo do mundo para viver tudo que eles mereciam, aquela noite deu a ela esperanças de que poderiam ser felizes juntos.
Ela levantou devagar para não acordá-lo e foi tomar um banho, vestiu uma calça jeans clara com aparência de surrada, levemente justa, uma camisa branca de botão e manga três quartos e calçou suas botas de montaria. Passou a escova pelos cabelos e prendeu-os num rabo de cavalo alto, passou protetor solar, gloss, colocou os ósculos escuros e estava pronta para o dia que viria a seguir.
Quando voltou ao quarto a cama estava vazia, provavelmente Will acordou com o barulho do chuveiro e foi tomar banho em sua suíte. Ela resolveu esperá-lo no térreo.
- Lizzie, minha menina! Não sabia que você estava aqui! – a senhora Reynolds falava enquanto abria os braços para Lizzie – Que ótima surpresa! Quem mais veio?
- Apenas eu e Will! Decidimos ainda ontem a noite e vimos praticamente sem avisar a ninguém.
- Poderiam ter ligado, eu deixaria os quartos preparados para vocês, – ela disse com tom de reprimenda – mas venha, sente-se como alguma coisa.
- O quarto estava ótimo, não precisava arrumar coisa nenhuma! – Lizzie falou sentando à mesa. Queria esperar William, mas aquelas guloseimas estavam uma tentação. Começou a comer algumas frutas frescas da época que estavam a sua disposição enquanto ele descia.
William acordou depois que Lizzie levantou e foi ao seu quarto tomar um banho, vestiu uma calça jeans e uma camisa pólo e calçou suas botas, quando ele voltou ao quarto de Lizzie ela não estava mais lá, então ele desceu para sala de jantar.
- Nem me esperou, hein Srta. Bennet? – William falou da entrada do aposento, assustando Lizzie.
- Esperei sim! – ela falou engolindo rapidamente o morango que estava mastigando.
- Tanto esperou que está com a boca suja. – ele se aproximou e limpou com sua língua o pouquinho de morango que tinha no canto da boca de Lizzie, deixando-a arrepiada.
Ela sorriu e ele sentou. Quando a Sra. Reynolds foi até lá novamente ralhou com o patrão por não ter avisado de sua chegada e ganhou um beijo na bochecha em troca. A mulher deixou os dois a sós e voltou para a cozinha.
Depois do café eles foram para os estábulos, William conversou um pouco com alguns funcionários enquanto Elisabeth dava mais atenção aos animais. Pegaram os cavalos adequados e saíram sem uma direção certa. Passearam bastante, admirando a paisagem, que embora fosse conhecida, nunca se cansavam de contemplá-la.
Lizzie galopava mais rápido, às vezes acompanhada por Darcy, outras apenas observada por ele. Ela adorava sentir-se parte da natureza, acompanhava os movimentos do animal como se fizesse aquilo diariamente, o vento batia em seu rosto e soltava alguns fios de seu cabelo, ela sorria, sentia-se leve, distante dos problemas, das dificuldades e do sofrimento.
“Liberdade, esse é o sentimento”, Lizzie pensou, era exatamente como ela se sentia, livre, despreocupada, apenas vivenciando o momento...
William deleitava-se com a imagem de Elisabeth, ela parecia ter nascido para ser uma amazona, forte e sensível ao mesmo tempo, calma e impetuosa... “Linda e cruel”, ele pensou amargo, “Pisou nos meus sentimentos como se eu não fosse nada, como se não tivesse significado nenhum na vida dela. E eu me sinto tão contraditório ao lado dela, me sinto feliz, mas por um lado apreensivo, vivo na expectativa de uma decepção, a espera de uma oportunidade para descontar o que eu passei, embora as vezes tenha incerteza do que eu deva fazer”.
Ele foi retirado de seus pensamentos pela voz de Lizzie, que gritava enquanto levava o cavalo em sua direção.
- Vai passar o dia parado, Will?
- Cansei. – ele disse conciso.
- Então vamos voltar. – ela deu algumas voltas ao redor dele diminuindo a velocidade de seu cavalo e depois se colocou ao lado dele, trotando devagar de volta pra os estábulos.
Quando chegaram lá o funcionário que recebeu os cavalos informo-os alegremente que Neve, uma égua da linhagem Hunter, estava dando a luz a um potrinho. William indagou sobre o estado de saúde dos dois e quais as providências foram tomadas, enquanto Lizzie saiu correndo em direção ao local que a égua estava. Ela foi se aproximando da égua devagarzinho, falando baixo para evitar o estresse do animal, percebendo que Neve estava aceitando bem sua presença ela se colocou ao lado dela, conversando e acariciando sua cabeça.
William deu pela falta de Elisabeth e deduziu que ela tinha ido ver o parto, andou um pouco mais e a encontrou ajoelhada ao lado de Neve.
- Lizzie? O que você está fazendo?
- Psiu! – ela reclamou – Fale baixo, ela não pode ficar nervosa!
- Lizzie, você vai se sujar, saia daí.
- Não, Will, vou ficar até o fim, quero ver o parto.
Darcy viu que não poderia fazer nada e acompanhou o nascimento do outro lado do cercado, para não atrapalhar. Aos poucos a égua foi expulsando o animalzinho de seu útero, logo a cabeça apareceu, deixando Lizzie empolgada, algum tempo depois o potrinho estava completamente fora do corpo da mãe, lutando com seus frágeis membros para se livrar do invólucro que ainda cobria parte de seu corpo.
Neve agora precisava descansar, Lizzie levantou-se e segurou uma lágrima.
- Gostou?
- Amei, Will, foi tão lindo!
Os funcionários averiguaram que o recém-nascido era macho e avisaram aos dois.
- Como ele vai se chamar? – Darcy perguntou a Lizzie.
- Hum?
- Escolhe o nome dele, você merece batizá-lo!
Ela ficou completamente empolgada e começou a falar sem parar.
- Parto, maternidade, amor, dedicação, força... Noah, isso, Will, Noah, decidi.
- Certeza?
- Hun rum. Em homenagem a um filme lindo que eu vi há um tempo – ela balançou a cabeça empolgada. William sorriu para os funcionários e confirmou a decisão de Lizzie, passando levemente as costas de sua mão na face dela, que não conseguiu mais segurar as lágrimas.
Os dois saíram comemorando e entraram em casa completamente empolgados. Foram tomar banho e depois desceram para o almoço. Will havia pedido para a Sra. Reynolds providenciar um vinho branco suave e eles brindaram a Noah.
Depois do almoço ficaram um tempo na sala, tomaram um delicioso café e decidiram tomar um banho na cachoeira. Colocaram a roupa de banho e foram caminhando de mãos dadas, os pensamentos dos dois estavam em dez anos atrás, pois aquele lugar trazia ansiedade a ambos, mas já era hora de enfrentarem aquele fantasma que os assombrava há algum tempo. Ele decidiu puxar assunto, já pensara besteira demais até aquele momento.
- O que você faria se não fosse psicóloga, Lizzie?
- Por quê? – ela sorriu surpresa com a pergunta dele.
- Não sei, você fica tão a vontade com os cavalos, poderia montar profissionalmente, ou ser veterinária...
- Tem sentido – ela comentou – mas eu realmente não tenho a resposta pra essa sua pergunta. Quando estou num ambiente que me sinto bem fico a vontade, quando estou com os cavalos acho que eu realmente me daria bem nesse ramo, quando estou lendo passo a achar que poderia trabalhar com livros, na parte de revisão, editoria, essas coisas... Quando toco me dá vontade de fazer isso profissionalmente, embora eu saiba que não tenho talento, com a dança é a mesma coisa... Se vejo um filme fico imaginando os bastidores, o material utilizado na confecção dos figurinos e dos cenários e por aí vai... Mas eu realmente gosto do que eu faço, sou apaixonada pela minha profissão, e por várias outras!
Os dois riram.
- Acredito que precisaria de várias vidas pra fazer tudo que eu gosto. – ela completou.
- Como você decidiu pela Psicologia?
- Metade da história eu acabei de contar. – ele a olhou sem compreender – Eu estava prestes a terminar a escola e não sabia o que queria, fiquei em pânico vendo todos decididos e eu ali perdida, querendo tudo ao mesmo tempo. Daí minha mãe percebeu e me levou a uma Psicóloga, ela fazia orientação vocacional, como era chamado na época. Nós conversamos algumas vezes e ela fez alguns testes comigo, mas antes do resultado eu já tinha decidido, eu queria ser como ela, ajudar as pessoas a escolherem um rumo na vida! – ela sorria sonhadora.
- Depois ela me mostrou os resultados e eu vi que me daria bem em áreas artísticas e humanas, que eu tinha muita aptidão para lidar com pessoas e quase nada para cálculos e ciências mais concretas. A partir disso foi fácil, me inscrevi e fui aceita em Oxford, e fim! – ela brincou.
- E você?
- Foi mais uma conseqüência do que uma escolha. – ele disse sério – Não estou me queixando, mas eu nunca tive a chance de escolher realmente. Eu tinha que assumir os negócios da família, então aqui estou eu, e fim também!
- Mas se você pudesse escolher? – ela insistiu.
- Eu passaria o resto da vida aqui, administrando essa fazenda, e nada mais. Mas gosto muito de artes plásticas, quadros, esculturas, embora não tenha nenhuma habilidade, gosto de olhar, tentar entender, imaginar os sentimentos do criador. Ter isso como hobby já me faz feliz.
- Mais um lado desconhecido se revela! – Lizzie caçoou dele – Não sabia que existia sensibilidade por trás dessa imagem de homem de negócios! – ela mais uma vez o fez sorrir.
Já estavam bem próximos e Lizzie soltou as mãos de William assim que ouviu o barulho da queda d’água, saiu correndo apressada e no momento em que pôde observar a estonteante cachoeira fechou os olhos e respirou fundo, enchendo o pulmão de ar puro.
Quando William chegou onde ela estava Lizzie virou-se rapidamente pegou a cesta das mãos dele e estendeu uma grande toalha no chão, colocou a bolsa que trazia em cima, tirou os chinelos e os colocou de lado, sentando com as pernas dobradas. Ele sentou-se a seu lado e tirou o vinho que começaram a beber no almoço juntamente com duas taças de uma mochila térmica que levava e começou a servir.
- Não sabia que era vinho que você trazia na mochila, Will!
- Nós só tomamos uma taça no almoço, não poderia deixar estragar, não é?
- Não mesmo! – ela confirmou, Lizzie adorava vinhos, sempre fora sua bebida predileta.
Ela esvaziou sua taça depois de alguns minutos e pediu pra William virar enquanto ela tirava o vestido que estava por cima do biquíni e entrava na água.
- Pra que isso, Lizzie? Eu já te vi de biquíni. – ele falou sem entender o motivo da vergonha dela.
- Mas nunca me viu tirando a roupa! – ela retrucou vermelha.
- Ótimo, seria a primeira vez! – ele gargalhou, deixando Lizzie ainda mais sem graça – Ok, ok... – William convenceu-se, virando de costas para ela.
Elisa tirou o vestido rapidamente e quando já estava na beira da cachoeira escutou o assobio travesso dele.
- Will, não era pra olhar agora! – ela reclamou enquanto ele ria – Hum, a água está fria. – ela gemeu ao colocar o pé na água.
- Perdendo a coragem, Srta. Bennet? – ele provocou.
- Jamais Sr. Darcy. – ela disse enquanto fazia careta e mergulhava de uma vez dentro da água gelada.
Depois de alguns minutos seu corpo foi se acostumando e ela já não sentia mais frio. Nadou até a queda d’água e colocou-se embaixo, sentindo o peso da água, relaxou os ombros e passou um tempo lá, silenciosa.
Vendo que ela estava concentrada demais para percebê-lo William começou a tirar a roupa, puxou a camiseta pra cima e desabotoou a bermuda e deixando-a cair na toalha estendida ficando apenas de calção de banho. Ele olhou pra Lizzie novamente e ela virou o rosto envergonhada enquanto ele ria internamente. Ela abrira os olhos no exato momento que ele começou a tirar a roupa, e não conseguiu mais desviá-los, só percebeu que estava olhando-o fixamente e com a boca entreaberta quando ele virou na direção dela.
Ele se amaldiçoava completamente envergonhada, detestou que ele tivesse visto a maneira que ela olhava pra ele. William mergulhou, mas não submergiu, ela ficou procurando-o, porém não conseguia ver onde ele estava. De repente ela gritou e afundou, William veio submerso e puxou seus pés afundando-a.
- Will! – ela gritou após vir à tona – Não faça mais isso!
Darcy gargalhava, além de ter se divertido com o susto dela fez com que ela esquecesse a vergonha por ter observado-o.
- Desculpa. – ele disse enquanto se aproximava, prendendo-a entre seus braços. Tentou beijá-la mais ela virou o rosto. – Não vai mais me beijar?
Lizzie permaneceu calada e com o rosto voltado para o lado, sem olhar pra ele.
- Ok. – ele fingiu resignar-se, mas não a soltou, pelo contrário, apertou-a mais nos braços e começou a beijar o rosto dela, sem pressa. Tirou o cabelo de Lizzie da frente da orelha e passou seu nariz, arrepiando-a com sua respiração.
William mordeu levemente o lóbulo da orelha dela, fazendo-a estremecer, depois ele passou a língua por toda extensão, descendo com beijos molhados por seu pescoço enquanto acariciava de leve suas costas.
Lizzie não resistiu, segurou o rosto dele e deu início a um intenso e nervoso beijo. O desejo que mantiveram sobre controle desde a noite anterior aflorou de uma vez só, e logo eles perderam completamente a noção do que estava acontecendo. Will subiu suas mãos até o meio das costas dela para desamarrar o biquíni, quando ela sentiu que a peça estava solta tentou afastar-se dele, mas foi impedida, seus braços mais fortes não deixaram que ela fizesse nada além de beijá-lo.
- Só estamos os dois aqui. - Ele a acalmou.
Ele então chegou ao pescoço dela e desamarrou a alça de cima, pegou a peça e jogou numa das pedras próximos a eles. Com as costas das mãos foi descendo pelo corpo dela, tocou levemente em seu seio fazendo-a estremecer, desceu mais sua mão até chegar a seu ventre, acariciando-a delicadamente. Levou suas mãos até a cintura de Lizzie, apertando com suavidade...
- Darcy... - ela suplicou com a voz rouca enquanto apertava mais os braços ele, não agüentava mais aquela tortura, queria, aliás, precisava que ele a tocasse, naquele momento, e ele entendeu sua exigência, apoderando-se de sua boca num selvagem beijo enquanto acariciava avidamente o colo dela, que apertava os ombros dele com força segurando um gemido.
Com a vontade de se amarem mais forte do que todos os medos e planos William arrancou a parte de baixo do biquíni de Lizzie com pressa, enquanto Elisabeth faz o mesmo com o calção dele, então eles colaram seus corpos e sentiram a força de seu desejo. Eles permaneceram se acariciando e se beijando por alguns minutos, mas William estava decidido a se permitir amar aquela mulher, pelo menos naquela hora nada seria mais forte para impedir o que eles estavam sentindo.
- Lizzie, eu realmente quero você.
- Você já me tem Will, eu sou... – ela olhou diretamente em seus olhos – eu sempre fui sua, e também quero você, agora.
Ele acabara de ouvir o que tanto queria, apanhou as pernas dela e levou em direção a sua cintura enquanto Lizzie se encarregava de manter-se presa a ele. Com uma mão apoiou-se numa pedra atrás dela, para evitar que Lizzie se machucasse com a força dele sobre ela e com o máximo de controle possível para aquele momento Will transpôs a distância entre os dois e eles se amaram intensamente, até explodirem num êxtase presenciado apenas pela natureza que os cercava.
**
Após o jantar os dois namoraram um pouco na sala, ouvindo música e se curtindo. Não era muito tarde quando foram para o quarto, afinal estavam cansados, o dia havia sido intenso. Lizzie ia em direção ao quarto em que ela dormiu na noite anterior, mas William a puxou e os dois entraram no quarto dele.
- Isso é um seqüestro?
- Não, porque não tenho uma vítima e sim uma cúmplice. – ele sorriu maroto.
Darcy começou a beijá-la e acariciá-la mais intimamente.
- Você não está cansado?
- Para você não... Você está? – ele perguntou preocupado.
- Sim, cansada de esperar. – ela disse enquanto se apossava do pescoço dele.
Fizeram amor mais uma vez, com mais calma, aproveitando cada minuto de prazer. Quando terminaram Lizzie aconchegou-se no corpo de Darcy, passando sua perna por cima da dele.
- Will... – sua voz não disfarçava o sono que sentia. – Promete que nunca mais vai me deixar?
Essa pergunta o deixara sem resposta. “O que ela queria dizer com aquilo?” Ele nunca a deixara, tinha ido embora, mas voltaria se ela quisesse, foi Lizzie que o deixou, mesmo tendo permanecido no mesmo lugar. Foi ela que o magoou, foi ela que eliminou todas as chances deles permanecerem juntos... Ou não? E se ela nunca soube da carta? “Isso seria impossível, correspondências extraviadas voltam para o remetente, ou poderia ter acontecido?”
Ele realmente não sabia, mas não importava, mais do que nunca naquele dia ela havia provado o quanto o amava, e ele se permitiu assumir para si mesmo que também amava aquela mulher, sempre amou, com todas as suas forças. A partir dali esqueceria todos os planos relacionados à vingança, viveria para fazê-la feliz. Só assim alcançaria a felicidade, ao lado daquela a quem tanto adorava.
- Eu prometo Lizzie, nunca mais te deixarei, eu prometo.
Ela não escutou mais, dormira assim que proferiu aquela frase, mas ela saberia disso por meio de atitudes, ele nunca mais a deixaria.
~x~
LAST_UPDATED2














