Citações

Nossa situação é perfeitamente idêntica. Não temos nada para contar uma à outra; você, por não ter nada a comunicar ; e eu, por nada ter a esconder. (Jane Austen)

Outra Vez - Capítulo XIII

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Lizzie chegou exausta ao hotel, andara bastante durante todo aquele dia, deu uma olhada nas compras que fizera pensando se usaria alguma coisa nova ou se sairia com uma roupa que trouxe de casa.
 

Decidiu usar uma roupa nova, já que estava em Paris iria tentar ser uma mulher diferente naquela noite. Escolheu uma segunda pele de mangas compridas preta, uma blusa de tricô elegante verde escura e uma bota cano alto, também preta.


Separou também um sobretudo novo, já que o clima em Paris poderia mudar a qualquer momento. Tomou um banho e depois deitou na cama ainda enrolada com o roupão, daria tempo tirar um cochilo antes de começar a se arrumar.


Lizzie foi surpreendida com batidas na porta, levantou-se e quando abriu deparou-se com William já pronto.


- Ainda assim? – ele perguntou reparando no ombro dela que o roupão deixara a mostra, provavelmente escorregara enquanto ela vinha até ali.


- Não sabia que você viria tão cedo.


Ele nem conseguiu escutar o que ela havia dito, seus olhos miravam pra sua boca rosada enquanto ela falava e ele só pensava em sentir o gosto daqueles lábios de novo. Sem dizer nada entrou no quarto e trancou a porta enquanto Lizzie perguntava o que ele estava fazendo.


- Vou te mostrar o que estou fazendo. – ele disse enquanto andava até ela, que surpresa com aquela ação repentina se afastava sem dar as costas a ele.


Wiliam continuou em sua direção até o momento em que ela parou ao encostar na parede, não tinha mais para onde ir, de modo que ele enlaçou-a pela cintura e tomou posse daqueles lábios como sempre desejara voltar a fazer desde o momento que se beijaram pela primeira vez.


De calmo aquele beijo não tinha nada, Lizzie não tentou resistir, uma vez que queria aquele beijo tanto quanto ele. Estavam embriagados pelo gosto um do outro e pelo contato dos corpos. Sem pensar duas vezes William puxou o cordão do roupão e o abriu, afastando-se para admirar o corpo daquela mulher. Lizzie estava enrubescida com aquela intimidade, mas nada a faria retroceder, ele olhava encantado para ela e seus olhos exprimiam o intenso desejo que ele sentia, voltou a beijá-la enquanto suas mãos acariciavam o corpo de Lizzie que arfava como se pedisse o toque dele, sua boca desceu mais e passou pelo pescoço dela onde sua língua deixou um rastro de desejo.


Sua outra mão desceu pela barriga dela provocando gemidos e arrepios que se intensificaram a medida que ele começou a explorá-la fazendo Lizzie contorcer o corpo pedindo um contato mais íntimo. Ele entendeu o sinal e passou um dedo pela intimidade intumescida dela, sentindo que ela já estava preparada para ele.


Ela gemeu com os carinhos e começou a desabotoar os botões da roupa de William, mas vendo que não conseguiria esperar muito tempo abriu a camisa de uma vez fazendo com que alguns botões saltassem longe. Ele se afastou e sorriu com a pressa dela enquanto desabotoava o cinto e tirava a calça, ela por sua vez o puxou e encostou-o contra a parede derrubando seu roupão aberto no chão e explorando o tórax forte dele com as mãos e a boca.


Os dois sentiam um prazer intenso e abusavam das carícias e dos beijos. Sem conseguir mais esperar William retirou a última peça que faltava e os dois ficaram nus frente a frente, sua masculinidade exposta e preparada para o que viria a seguir. Encostou-a novamente na parede, mas Lizzie percebendo onde iriam chegar falou com a voz rouca:


- Você não acha que estamos indo rápido demais? - Ele a olhou sorrindo de maneira sedutora enquanto respondia:


- Pelo contrário, nós já perdemos tempo demais. – e levantou-a possuindo-a enquanto ela prendia as pernas na cintura dele.


Os movimentos eram lentos e intensos, não queriam acelerar aquele momento por nada. William a levou até a cama sem sair de dentro dela e deitou-se por cima de Lizzie, aumentando a velocidade dos movimentos enquanto ela gemia e segurava forte em seus braços.


De repente perceberam batidas na porta, Lizzie abriu os olhos preocupada e percebeu que estava sozinha no quarto, completamente coberta com o roupão e com a respiração completamente alterada. Daí ela percebeu que tudo aquilo não passara de um sonho e por um momento se sentiu frustrada. Levantou e foi até a porta, acreditava que fosse Jane para se despedir, mas ao abrir a porta ninguém menos do que William Darcy estava a sua frente.


Ela se assustou com a coincidência e foi incapaz de dizer uma palavra. Ele achou engraçado a feição surpresa dela e comentou:


- Esperando alguém diferente de mim?


- Não, não – ela foi tirada do torpor em que se encontrava – só estou surpresa. Como você conseguiu subir?


- As recepcionistas não resistiram ao meu sorriso! – ele falou com deboche – Você vai me deixar aqui parado do lado de fora a noite toda?


- Desculpa. – ela disse abrindo completamente a porta enquanto arrumava o roupão que estava deixando seu ombro nu, ainda espantada com a coincidência, só faltava agora ele agir igual ao sonho.


Ele olhou para os lábios dela, mas virou o rosto rapidamente antes que perdesse o controle.


- Então, vai demorar pra ficar pronta? Esperei uns quinze minutos lá embaixo e resolvi subir porque já estava preocupado com medo que você me desse um bolo.


- Não, me arrumo num instante. – ela disse enquanto pegava a roupa e se dirigia para o banheiro – depois do banho deitei um pouco e acabei pegando no sono, só acordei com as batidas da porta.


Ele nem poderia imaginar que enquanto esperava no saguão do hotel ela sonhava com os dois exatamente naquela suíte, mas não tão comportados e distantes um do outro como estavam agora.


Em 15 minutos ela retornou vestida e levemente maquiada, calçou as botas, pegou a bolsa, o sobretudo e uma echarpe.


- Prontinho!


- Você está linda! – ele elogiou enquanto a admirava sem disfarçar - Ela enrubesceu e devolveu o elogio.


- Você também está muito elegante.


- Elegante? Só isso? – ele falou desanimado.


- Você achou pouco?


- Hunrum - ele balançou a cabeça se fazendo de triste – o que falta pra que você me ache lindo também?


“Se ele soubesse que eu sempre o acho lindo não me colocaria nessa posição tão difícil.”


- Não falta nada! – ela disse tentando brincar – Agora vamos, já passamos da hora.


- Ok, mas você teria que ter dito que eu estou lindo também. – ele sorria enquanto a levava pela mão mais uma vez.


Essa atitude dele já estava deixando Lizzie apreensiva, o que ele queria dizer com aquilo, não precisavam andar de mãos dadas o tempo todo, mas ele segurava a mão dela em todas as oportunidades.


Durante o percurso ele se negou a dizer onde estavam indo por mais que Lizzie insistisse e ela ficou boquiaberta quando pararam próximo a um cais onde alguns casais subiam em um barco. Ela olhava para as luzes do barco encantada enquanto ele deleitava-se com a visão do sorriso surpreso dela. Os dois se dirigiram até o barco e foram encaminhados a uma mesa próximo da proa.


O barco era bastante iluminado no centro, onde ficava o bar e um pequeno palco ocupado por alguns músicos e uma cantora que executavam melodias francesas.


As mesas ficavam afastadas umas das outras e possuíam apenas dois lugares, indicando que era um programa exclusivo para casais. A iluminação nessa área era bem mais fraca, possibilitando um ambiente propício para a observação da paisagem e lógico, para o romance.


Elisabeth estava encantada com aquele lugar, e não conseguia disfarçar seu sorriso.


- Gostou? – William indagou depois que esperou ela observar todos os detalhes.


- Claro, como não gostaria? É tudo perfeito! Você costuma vir aqui? – ela perguntou espontaneamente, mas depois arrependeu- se, provavelmente ele já teria freqüentado aquele lugar com Caroline e várias outras mulheres e uma pontada de ciúmes a atingiu.


- Na verdade também é a primeira vez que eu venho – ele respondeu olhando diretamente nos olhos dela – é um ambiente especial que merece uma companhia especial.


Elisabeth sorriu. Concluíra que seria muito difícil não se apaixonar por aquele homem, e a partir daquele momento decidiu que não ia fazer nenhum esforço para impedir isso. Não importaria o passado, afinal eram dois adolescentes, viveria aquela noite e as outras noites e dias que viessem ao lado dele, se assim William Darcy o quisesse.


Ele pediu vinho para os dois propôs um brinde, indagado se aquilo se devia a alguma comemoração ele simplesmente respondeu que estar ali com ela era mais que um motivo para comemorar. Brindaram e ele se deleitou com o modo que ela levou à taça a boca e bebeu o vinho enquanto olhava pra ele, achando incrível que ela não precisasse de esforço algum para parecer sensual.


O maitre veio até os dois entregar o menu de refeições e William pediu uma sugestão.


- Sugiro como entrada a salada de lagosta, Monsieur. Ela é feita com vários tipos de vegetais verdes, cubos de manga, pepino e carne de lagosta. E como refeição nosso prato especial da noite para os casais apaixonados é o filé de cordeiro acompanhado de um molho de queijo de cabra, frutas secas e especiarias orientais. É conhecido como poderoso afrodisíaco em todo o Oriente, além de ser delicioso.


William traduziu as palavras do maitre para Lizzie e os dois sorriram com o detalhe afrodisíaco do prato, como se eles precisassem realmente de tudo aquilo. Para Will, Lizzie já era o próprio afrodisíaco, só em pensar nela seu corpo latejava de desejo e precisava se controlar quando estava perto para não beijá-la entre outras coisas.


Ele a olhou de forma insinuante e pediu que o maitre providenciasse esse pedido para os dois.


- Obrigada por ter me deixado escolher – ela falou fingindo-se de ofendida.


- Eu disse que a diversão essa noite era por minha conta – ele disse sorrindo – isso se referia a todos os detalhes.

 

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 Samba de mon coeur qui bat - Coralie Clement


Aquilo definitivamente estava virando uma tortura para Lizzie. Ela ficou completamente arrepiada com esta última frase de William, o modo como ele falou soava extremamente sedutor e ela lembrou-se do sonho que tivera mais cedo, se a diversão fosse levemente parecida com aquilo a noite seria perfeita.


A banda começou uma música com um “que” de bossa nova e samba e Will levantou estendendo a mão para Lizzie, que acompanhou-o até onde outros dois casais dançavam próximo aos músicos.


Ele segurou a mão direita dela enquanto a abraçava pela cintura conduzindo-a no ritmo da música.


- Gostei da canção. – Lizzie comentou.


- É realmente linda. Ele respondeu rapidamente e permaneceu calado.


- Você já a conhecia?


- Não, mas me lembrou alguns ritmos brasileiros que eu gostei. – ela então lembrou que ele conhecia o Brasil, ou pelo menos falava alguma coisa de português.


- Você conhece o Brasil?


- Hunrum. E você freqüentemente fala enquanto dança? – ele perguntou tentando parecer mal humorado, no entanto não escondia o riso.


- Só quando quero descobrir as intenções do meu par. – foi à vez dela achar graça.


- E tem dado certo?


- Por enquanto não, já que ele mal responde as minhas perguntas.


Darcy roçou sua boca na orelha dela e sussurrou:


- Não precisa mais investigar, eu confesso que as minhas intenções são as piores possíveis. - E mordeu levemente o lóbulo da orelha de Lizzie que inconscientemente apertou a mão que estava em contato com a mão dele, indicando sem querer que o toque havia mexido com ela.


Ela olhou nos olhos dele e respondeu a altura:


- Obrigada por confessar, garanto que me deixou mais preparada para me defender.


Ele sorriu de modo provocante e falou enquanto aproximava o corpo dela de encontro ao seu:


- Você vai se render antes que perceba e nem vai querer se defender.


Darcy inclinou levemente e aproximou seu rosto ao de Lizzie, ela fechou os olhos e quando seus lábios estavam prestes a se tocar ouviram a sirene do navio apitar bem alto. Elisabeth abriu os olhos assustada e ao encontrar o olhar de William, ela ficou extremamente sem graça, afinal ao fechar os olhos deixara bem claro pra ele o que estava esperando.


Ao perceber o que acabara de fazer William fechou a cara. Aquilo havia sido completamente impensado, ela já estava dominando seu corpo e seus sentidos novamente, isso não poderia acontecer, não disfarçou seu mau humor, a levou de volta pra mesa, explicando que a sirene indicara que o navio ia começar a se movimentar.


Assim que voltaram a seus lugares o garçom se aproximou com a salada. Eles degustaram praticamente em silêncio, elogiando o prato de vez em quando e se olhando furtivamente e admirando a paisagem parisiense que se descortinava em frente a seus olhos enquanto o navio avançava.


Elisabeth estava feliz, antes de viajar nunca imaginara que teria um dia tão perfeito na França. Não pretendia mais negar pra si mesma a atração que aquele homem exercia sobre ela, e isso não se relacionava apenas as lembranças que ela tinha dele, mas aquele William Darcy tal como ela estava vendo, a envolvia completamente. Percebera que William estava estranho por causa do quase beijo, mas não perguntou nada, não queria pressioná-lo, esperaria as coisas desenrolarem por si mesmas.


William por sua vez no afã de fazê-la passar pelo sofrimento que ele passou por causa da suposta negativa dela tentou de todas as maneiras dissuadir-se do desejo que sentia, argumentando consigo mesmo que era apenas um anseio carnal e logo passaria, mas aquele “quase” beijo não tinha sido premeditado e os sentimentos que ele despertou não se referiam apenas a atração sexual. Alguma coisa havia mudado dentro dele, só não conseguia ainda descobrir o que. Resolveu deixar pra pensar nisso depois, iria aproveitar aquela noite sem pensar em vingança, não estava fazendo esforço nenhum para estar ali, pelo contrário, estava sendo uma noite esplêndida, deixaria as coisas acontecerem naturalmente e no outro dia pensaria sobre isso.

 

Conversaram algumas amenidades e o jantar chegou. O prato era lindamente decorado e exalava um cheiro exótico, porém bastante agradável. Alguns dos legumes que acompanhavam a carne tinham formato, digamos, insinuantes e eram desconhecidos para ambos. Uma leve timidez se apoderou de Lizzie quando ela viu a apresentação do jantar, fazendo com que William sorrisse discretamente, mas se a intenção dele era provocar ela entraria no jogo.


A carne macia e o molho agridoce picante estavam deliciosos, havia um sabor diferente que lembrava ervas orientais, mas era impossível definir os ingredientes utilizados para o preparo.


Como sobremesa dividiram sorvete de chocolate com framboesas frescas e calda de menta, já que os dois desde crianças eram apaixonados por sorvete.


O navio voltou para o cais que estava anteriormente e os dois caminharam um pouco pelas passarelas próximas, conversando amenidades e fazendo conjecturas sobre o jantar de Jane e Charles.


- Minha tia pediu que eu convidasse você e Jane para jantar na casa dela amanhã, mas não se acanhe em recusar se vocês já tiverem outro compromisso em mente.


- Infelizmente terei que declinar o convite por nós duas, nosso vôo parte amanhã às 20hrs, ficaria inviável um jantar, mas nós podemos passar lá mais cedo para fazer uma visita se ela não se incomodar.


- Claro que não. Posso pegar vocês às 15hrs?


Ela assentiu e ele percebeu um detalhe:


- Você não tem problemas em viajar de avião por causa da altura? – ela sorriu ante o comentário e respondeu:


- Não se eu não olhar pela janela!


- Eu não acredito Lizzie, é lindo ver o mar quando o avião ainda não alcançou a altura total, é inadmissível que você nunca tenha apreciado essa visão.


Ela confirmou o fato e ele tomou a decisão de voltar no mesmo vôo que as irmãs Bennet.


- Eu vou do seu lado e vou fazer com que você enxergue o que está perdendo! – ela achou graça da disposição dele em fazê-la enfrentar seu incômodo com altura, além de ter ficado feliz por voltarem juntos, prova de que ele tinha intenções de permanecer perto dela.


Lizzie estava nervosa, ela procurou se afastar um pouco de Darcy, a conversa estava ótima, mas ela estava ansiosa, sem saber o que esperar, uma hora queria permanecer ali ao lado daquele homem, e em outro momento queria fugir, ir para o hotel e manter-se distante, o medo de perder o controle perpassava todo o seu ser.


Ela andou até o parapeito da passarela onde estavam e encostou-se admirando a lua. Darcy parou do lado oposto ao seu e ficou apenas observando-a. Lizzie passou a mão pelos cabelos e juntou os fios na parte da frente do corpo, deixando parte da nuca e das costas nuas, e se inclinou apoiando-se na mureta.


William a observava atentamente, a curva de seu pescoço pedia para ser tocada, sentia vontade de arrancar toda aquela roupa e ver seu corpo completamente, desceu mais o olhar e encontrou a curva de sua cintura, seus quadris marcados pela calça colada, as pernas cobertas, que naquela momento ele daria tudo para vê-las, mais do que isso, tocá-las, sentir sua maciez, seu calor, seu gosto. Seus olhos agora se dirigiam para os pés cobertos pela bota, queria tirar os sapatos dela e beijar cada dedo, e ir subindo pelo corpo dela cobrindo-o de beijos, explorando cada curva, cada detalhe.


Lizzie não percebia que aquele homem travava uma violenta batalha contra si mesmo. Seu corpo implorava por ela, mas ele teimava em não assumir que o que sentia por ela estava além do desejo, além dos propósitos de vingança, além de tudo que havia sofrido todo esse tempo. Não conseguiria mais se controlar, passo a passo foi silenciosamente até ela, que só percebeu sua proximidade quando sentiu a respiração quente dele em sua nuca. William estava atrás dela e absorvia o perfume que emanava de sua pele.


Ela virou-se tentando entender a situação e deparou-se com seu rosto bem próximo ao dele.


- Will...


- Shiiii... – ele a calou tocando a boca dela com seu indicador, passou o dedo por toda extensão da boca dela, olhando-a fixamente enquanto Lizzie fechava os olhos. Darcy afastou os lábios de Lizzie, deixando sua boca entreaberta. Chegara a seu limite, rapidamente eliminou o pequeno espaço que existia entre os dois e pressionou seus lábios na boca de Lizzie com certa violência, numa ânsia incontida, que longe de assustá-la apenas trouxe à tona a verdade que os dois escondiam, que se desejavam loucamente.


Suas línguas exploravam cada mínimo detalhe uma da outra, as mãos de Lizzie seguravam o rosto de William como se tivessem o intuito de impedir que ele escapasse dela, enquanto Darcy apertava seus corpos impedindo que qualquer coisa pudesse se interpor entre eles.


William sugava os lábios de Lizzie, se apropriando daquele gosto que nunca fora capaz de esquecer. Lizzie mordiscava e lambia os lábios de Darcy, desejando que aquele momento durasse para sempre. Só se afastaram quando não parecia ter mais nenhum resquício de ar em seus pulmões.


Os dois estavam ofegantes e a pele delicada de Lizzie mostrava-se um tanto vermelha por causa do atrito. Por um momento nenhuma palavra cabia ali, apenas continuaram próximos, abraçados, contemplando o céu da bela Paris.


Passaram algum tempo naquelas passarelas, entre beijos e sorrisos, como se no mundo inteiro somente os dois existissem. Depois voltaram para o hotel e se despediram com um beijo de tirar o fôlego que Lizzie teve que encerrar senão provavelmente a noite não terminaria ali.


Ela foi até a recepção buscar o cartão da suíte e recebeu um recado que Jane deixara para que a irmã fosse até seu quarto assim que chegasse. Ela se dirigiu até antes mesmo de passar pelo seu quarto e Lizzie a escutou falar sobre todas as novidades da noite, enquanto torcia para que a irmã não a pedisse para repetir, uma vez que sua cabeça estava em outro lugar.


Ouviu algo sobre os pais de Charles serem agradáveis e finos, de como se mostraram afáveis e outras coisas que ela não tinha a mínima idéia. Depois chegou a vez de Lizzie relatar onde passara a noite, disse apenas que tinha sido muito bom e que Will as levaria na casa da tia dele à tarde, omitindo sobre os beijos e outros detalhes relativos aos seus sentimentos.


Mas ao encontrar-se sozinha em sua suíte aquela noite voltara a ocupar seus pensamentos por completo. Durante aquela viagem William estava parecendo outra pessoa, tratava-a bem e desde que se encontraram naquela manhã ele dava mostras claras de que não queria uma relação apenas de amizade com ela.


Elisabeth se sentia feliz por um lado e atemorizada por outro. O prazer de senti-lo próximo a ela mais uma vez era indescritível, negara durante a vida toda para si mesma que um dia desejaria ter William Darcy de novo, mas ele conseguira derrubar todas as barreiras naquela noite. Em compensação não sabia o que o futuro os reservava, e se no fim das contas não passasse daquilo? Se ao voltar pra casa tudo voltasse a ser como antes? E se ele percebesse que ela continuava apaixonada por ele e se cansasse dela e fosse embora mais uma vez? Ela não sabia se suportaria toda aquela dor. Acabou dormindo sem conseguir formular nenhuma decisão e sem saber como agir no dia seguinte.


A manhã de domingo passou rápida, Charles as levou até outros pontos turísticos menos conhecidos e depois de um rápido almoço foram ao Louvre. William não os fez companhia e ela não comentou nada a respeito disso, embora estivesse achando aquilo um pouco estranho.


Às quinze horas como combinado Will as esperava no hall do hotel, ele estava com uma blusa mais esportiva azul e uma calça jeans, e exibiu um sorriso encantador ao encontrar Lizzie. Jane se surpreendeu com a intimidade dos dois, que, embora não tivessem se beijado se abraçaram de uma forma que ela nunca tinha visto e teve certeza que Will sussurrara alguma coisa no ouvido de Elisabeth que ela não conseguiu entender.


Lizzie mais uma vez achou graça das coincidências, quando William a abraçou dissera em seu ouvido que sonhara com ela a noite, embora ele não tivesse comentado o teor do sonho pelo olhar dele algo a dizia que as chances de serem bastante parecidos com o que ela teve eram muito grandes.


Conversaram sobre os afazeres e passeios do dia e rapidamente chegaram à casa de Catharine DeBourg Collins. Um mordomo extremamente sisudo os levou até a sala de estar onde três homens conversavam animadamente, Charles era o único conhecido das duas e William logo apresentou os outros dois, um era o esposo de sua tia Bill Collins e o outro era o coronel Richard Darcy, um primo de seu pai e sua tia, mas que era bem mais novo, e aparentava não ter mais de 40 anos.


A conversa continuou monopolizada por Collins, que não cansava de falar sobre as descendências nobres da família de sua esposa e de cada detalhe da decoração da casa, citando inclusive preços exorbitantes que ao invés de produzir exclamações apenas deixava as visitantes com vontade de rir diante do prazer de detalhar esses gastos sem necessidade.


William que já estava acostumado aos modos do tio não dava muita atenção, soube depois que o esposo de sua tia pertencia a uma família bastante conhecida da Inglaterra, mas que estava imersa em dívidas, Collins se aproximou de Catherine com as intenções de unir as famílias e safar-se da ruína. Ela e toda sociedade não sabiam deste detalhe da família do pretendente, e acreditava que só tinha a ganhar com aquela união, duas famílias conhecidas e financeiramente poderosas. Apenas depois do casamento percebeu ter sido vítima de um golpe, mas não admitiria isso em público de maneira nenhuma e vivia com aquele homem que hoje ela detestava apenas em função de sua imagem na sociedade. Se quase ninguém sabia que o marido vivia as suas custas para ela seria ainda pior se toda a sociedade inglesa e francesa a visse como uma mulher desquitada.


Pouco tempo depois a famosa Catherine apareceu, ela era imponente, mas não tinha beleza nas feições, se vestia de forma bastante sóbria e alinhada para um domingo à tarde. Tinha uma maquiagem pesada no rosto, provavelmente para disfarçar a idade e muitas jóias a adornavam.


Ela não tentou ser simpática com as visitas como seu marido fizera e observou atentamente Elisabeth quando William as apresentou.


Promoveu um verdadeiro interrogatório com as irmãs, indagou desde a escola que elas estudaram até suas ocupações atuais, inclusive criticando Jane por ser empresária da área literária, o que para ela era algo supérfluo e pouco lucrativo e ironizando Lizzie por ser uma simples assalariada.


As duas permaneceram tratando todos com o a mesma educação de sempre, embora Lizzie já estivesse a ponto de dar uma resposta malcriada para a mulher.


O chá foi servido e Elisabeth permaneceu a maior parte do tempo calada, não tinha a mínima vontade de se indispor com aquela desagradável mulher que parecia estar o tempo todo a observando e medindo-a dos pés a cabeça.


Depois do chá ela recostou-se na janela, observando o imenso jardim quando Richard Darcy se aproximou:


- Posso acompanhá-la por um passeio por esse jardim que tanto observa senhorita Bennet?


- Claro coronel.


- Não precisamos de formalidades, pode me chamar de Richard.


- Contanto que me chame de Lizzie!


- Lizzie?


- Sim, meu apelido, meus amigos me chamam assim.


- Pois bem Lizzie, acredito que não terei dificuldades para chamá-la assim, me acostumo facilmente com tudo que é belo!


Elisabeth sorriu ante o galanteio e os dois seguiram para o jardim, deixando os outros ainda mais entediados frente as formalidades do casal Collins.


- Você e sua irmã estão aqui a passeio?


- Exato, ela veio ver o namorado e eu, bem, eu vim me divertir um pouco!


- A Grã-Bretanha anda entediando-a?


- Não exatamente, mas algumas pessoas da Grã-Bretanha sim! – Lizzie gracejou fazendo o coronel sorrir.


- E o senhor – Lizzie rapidamente consertou diante do olhar de reprimenda do outro – digo, você Richard, o que faz na França?


- Estou de licença do exército, vim ver meus parentes daqui depois sigo para Londres, passar uns dias na casa do primo Fitz.


- É engraçado nunca termos nos encontrado em Londres, afinal minha família é muito próxima da família de Will, tenho o pai dele como um tio.


- Consideras engraçado? Já eu acho uma pena não termos nos conhecido antes, quanto tempo perdido!


- O que procuras nessa janela, William Darcy?



- Ãnh? – William assustado por ter sido pego desprevenido viu-se compelido a responder a primeira coisa que passou pela sua cabeça – Hum, parece que o tempo está mudando, creio que vá chover ainda hoje.


- De onde tirou essa idéia meu sobrinho? O tempo está completamente igual. Observe se Richard está a caminho, gostaria de ter com ele ainda hoje.


- Ele já está voltando tia.


- Mais uma vez tentarei convencê-lo a assumir um cargo nas empresas da família, veja que desgosto, um Darcy no exército, que desonra ao nome da família. Não entendo como uma pessoa pode viver no norte da Inglaterra por anos a fio, não vejo sentido algum nisso.


- Assim como eu não vejo sentido nenhum nos negócios cara prima. - Richard chegou a tempo de ouvir as últimas palavras da senhora. – mas creio que não seja o momento de tocar nesse assunto sim?


- Jane, é melhor irmos agora, ainda temos que organizar as coisas.


- Claro, Lizzie.


As irmãs se despediram e foram levadas até a porta por Richard e Darcy, este último tinha a intenção de levá-las até o hotel, mas Charles convenceu-o que não era necessário, ele mesmo faria isso e o grupo se encontraria no aeroporto mais tarde.


Darcy subiu para o seu antigo quarto com a intenção de arrumar suas coisas, mas não parava de pensar em Elisabeth, queria ter estado mais perto dela, mas seu primo não desgrudou um segundo. Não via a hora de estarem juntos no aeroporto, precisava pensar em algo, em alguma desculpa para encontrar-se com ela em Londres. Foi tirado de seus devaneios com Richard entrando em seu quarto:


- Não há possibilidade de você ficar mais alguns dias William?


- Nenhuma Richard. Tenho trabalho a fazer em Londres.


- Então nos encontraremos logo, hoje tive mostras de que a fria Inglaterra pode ser bem mais agradável do que Paris nesse momento. – ele disse maroto.


- O que você quer dizer com isso? Por acaso se refere a Lizzie? Vou logo dizendo que ela não é pro seu bico.


- Opa, calma William! - Richard surpreendeu-se com as maneiras do primo. Não é culpa minha se vocês não deram a entender que já tinham alguma coisa.


- Nós não temos coisa alguma. – ele respondeu exasperado.


- Não? E qual o motivo de tanto ciúme? – Richard perguntou fingindo não entender o que se passava ali.


- Não é ciúme Richard, é só, só...


- Só?


- É apenas cuidado, nos conhecemos desde pequeno, não quero que a magoe, é isso.


- Tudo bem então, me convenceu. - Richard falou deixando escapar uma gargalhada e deu as costas, enquanto William voltava a arrumar seus pertences.


Lizzie tomou um banho, arrumou suas coisas e ficou pronta para partir, enquanto o casal curtia seus últimos momentos do fim de semana no quarto ao lado. Achara Will muito distante àquela tarde, ele parecia estar desconcertado, e até um pouco irritado, principalmente quando ela estava cercada pelo coronel. Seria ciúme? Não, não iria iludir-se a esse respeito, mas acalentou pelo restante da tarde o desejo de que ele voltasse a ser como na noite passada.


Cerca de uma hora depois Jane e Charles a chamaram e eles desceram, pagaram a conta do hotel e seguiram para o aeroporto.


William já estava lá, parecia realmente mais disposto do que durante o chá. Logo seu vôo foi anunciado e eles embarcaram, deixando para trás um saudoso Bingley.


William convenceu Lizzie a sentar na janela, embora ela só tenha olhado para fora da aeronave bem depois, inclusive deixando marcas na mão dele, de tanto que ela apertava, fazendo Jane achar graça. Por volta da metade do vôo Jane foi ao banheiro, deixando os dois sozinhos e William não perdeu tempo, puxou o rosto de Lizzie e iniciou o beijo que desejava desde a tarde.


- Will? O que foi isso? – Lizzie perguntou surpresa!


- Temos que aproveitar, creio que Jane não demorará! – ele respondeu e calou-a novamente com outro beijo. Logo que se afastaram Jane se aproximou e aparentava não ter visto nada, então os três continuaram tranqüilos.

Em pouco tempo chegaram a Londres, William parou um táxi e propositalmente deu ao motorista o endereço de Jane primeiro, e ao chegar ao destino não permitiu que Lizzie descesse e pedisse ao pai que a levasse em casa como ela queria, fez questão de levá-la ao seu apartamento. Pelo adiantado da hora os dois seguiram assim que Jane entrou em casa, Fanny que estava à espera da filha exibiu um extenso sorriso ao ouvir a explicação de Jane sobre o motivo pelo qual Elisabeth não tinha descido.


- Oh! Graças! Eu sabia que meu plano daria certo! – ela dizia enquanto abraçava Jane que não estava entendendo nada.


- Que plano mamãe?


- Ah minha filha, esses dois nasceram para ficar juntos, até que enfim enxergaram isso. – Jane agora entendia melhor do que a mãe falava.


- Mãe, ele só foi deixá-la em casa.


- Talvez não Jane, talvez não. Agora vamos, me conte como foi o fim de semana com Charles. E seus sogros como são?


Jane passou a responder algumas das perguntas da mãe, mas prometeu o restante para o dia seguinte, precisava descansar. Logo Fanny a deixou em seu quarto e ela pôde dormir, sonhando mais uma vez com seu príncipe ruivo.


- Obrigada pela carona Will! – Lizzie disse quando o táxi parou na frente de seu apartamento.


- Um café pagaria o favor! – ele falou, praticamente se convidando para subir.


- Meu café não é dos melhores, mas se você fizer questão!


- Eu opto por correr esse risco!


Ele pagou o táxi e os dois subiram. Ao chegar ao apartamento Lizzie abriu as janelas, tirou as sandálias e se dirigiu a cozinha.


- O que você pretende fazer? – Darcy perguntou vendo que ela estava mexendo no armário de mantimentos.


- Seu café oras.


Ele entrou na cozinha e a abraçou por trás, enquanto afastava suas madeixas e beijava delicadamente seu pescoço.


- Você não acreditou no que eu disse lá embaixo acreditou?


- Não era para acreditar? – ela perguntou tentando não demonstrar seu nervosismo.


- Naquele momento sim, agora não mais, podemos fazer coisas mais interessantes do que um café. – ele agora passava a ponta dos dedos por todo o braço dela até chegar ao pescoço, onde fazia carinhos enquanto sua boca explorava sua nuca agora arrepiada.


- Que tipo de coisas? – ela insinuou enquanto afastava mais os cabelos, deixando toda a área livre pra ele.


- Esse tipo de coisa. – ele virou-a e tomou posse da boca dela. Eles beijavam-se sofregamente, sem pensar Lizzie levou os braços e prendeu-os ao pescoço de Darcy puxando levemente seu cabelo quando a intensidade do beijo aumentou ainda mais.


Ele encostou seu corpo no dela, que percebeu o “volume” de seu desejo, Lizzie satisfeita por sentir-se tão desejada passou a beijá-lo por toda extensão do pescoço, mordiscando, lambendo e sugando, deixando-o louco.


- Não brinque com fogo, pequena! – ele falou rouco deixando-a surpresa pelo uso do apelido. Eles foram andando em direção a mesa sem parar de se beijar, Darcy então a pegou pela cintura e a sentou na mesa. Logo depois desceu as mãos pelas pernas dela e levou-as até sua própria cintura, Lizzie entendendo as intenções dele enganchou as pernas atrás dele que a segurou pela cintura e a aproximou ainda mais, grudando completamente seus corpos. Mas logo em seguida voltou a dar atenção as coxas torneadas de Lizzie que seu vestido solto deixava completamente a mostra nesse momento enquanto explorava o pescoço e os ombros dela com a boca e a língua.


- Primeiro... – ela tentou falar, mas estava sendo bem complicado diante de tantas sensações.


- Hum?


- Primeiro, eu não tenho medo de fogo... – ele sorriu sem interromper os beijos e as carícias.


- Segundo, eu cresci.


- Eu não tenho nenhuma dúvida quanto a isso, Elisabeth! – ele inclinou-se ainda mais, deitando-a completamente na mesa e cobrindo o corpo dela com o seu.



Uma música começou a tocar.


- Will... Seu telefone está tocando.


- Deixa tocar. – ele disse e se apossou da boca dela mais uma vez que não soube negar.


Mas o aparelho voltou a tocar, tirando a paciência de William.


- Droga – ele grunhiu alto enquanto saía de cima de Lizzie, que respirava afobada.


- Alô? Ah, oi pai, desculpe... Não, eu não estou nervoso... não pai, só um pouco irritado... já estou em Londres sim... ok... ok... estou chegando em casa, não se preocupe. Até.


- Desculpa por isso.


- Sem problemas. – Lizzie sorriu sem graça.


- Tenho que ir agora, nos falamos depois ok?


- Sim.


Ele se aproximou para um ultimo beijo que acabou virando mais alguns e finalmente foi embora, enquanto Lizzie desabava no sofá.


- Maluca! Elisabeth Bennet, você definitivamente não é normal! – ela falava a si mesma. – Como você chega a esse ponto? Lizzie, o cara passou anos fora ele mal chega e você age assim, como uma maníaca sexual?


Ela não pode deixar de rir de suas próprias palavras e seguiu para o banheiro.


- Nada como um banho frio nesses momentos.


~x~

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