Citações

Dinheiro não pode comprar felicidade. Acima do necessário, não traz satisfação verdadeira.(Jane Austen)

Outra Vez - Capítulo XIV

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Até parece – Marisa Monte

 
“Até parece
Que não lembra que não sabe
O que passou
Não faz assim
Não faz de conta que não pensa
Em outra chance pra nós dois
Olha pra mim
Não me torture, não simule
Não me cure de você
Deixa o amanhã dizer”
 
William Darcy não conseguia se concentrar nas palavras de seu pai, os dois estavam voltando para casa depois de um cansativo dia de trabalho e Fitzwilliam falava algo sobre o qual seu filho não fazia a mínima idéia.

- Droga! – William praguejou ao perceber que mais uma vez sua atenção estava voltada pra ela. Ultimamente tinha sido daquela maneira, quando ele menos esperava e nos locais mais impróprios sua mente era invadida pelos sorrisos e olhares de Lizzie. Os momentos que passaram juntos no último fim de semana martelavam seus pensamentos e atrapalhavam inclusive seu trabalho.

Perdeu as contas de quantas vezes teve que recomeçar a ler algum relatório ou foi chamado atenção por estar com o olhar perdido em alguma reunião na empresa.

- Algum problema, filho?

- Não, papai, apenas uma dor de cabeça.

Claro que seu pai percebera que desde que ele voltara da rápida temporada em Paris passava grande parte do tempo aéreo, mas não forçaria seu filho a conversar algo que ele não quisesse. No entanto isto já estava durando tempo demais, ele precisava saber o que realmente estava acontecendo.

- Tem certeza que é apenas isso?

William respirou lentamente até confirmar.

- Meu filho, tenho notado a sua ausência durante boa parte do tempo. – Will olhou para o pai como quem não entende o que está sendo dito. - Você está aqui fisicamente, mas seu pensamento está em outro lugar. Tem alguma coisa preocupando você? É algo com Caroline? Desde que você chegou de viagem está desse jeito.

- Caroline? – William surpreendeu-se, há mais de uma semana ele nem se lembrava da existência dela. – Não papai, nós terminamos, não é isso que me incomoda.

- Vejo que seguiu meu conselho, ela é uma boa menina, mas não é a mulher certa pra você. – ele percebeu que o filho assumiu que algo o preocupava.

- Eu não sei se existe uma mulher certa pra mim.

- Claro que existe, os seres humanos não foram criados para ficarem sozinhos, Deus não seria tão injusto. No fim sempre encontramos algo ou alguém que nos faça feliz.

- Eu não acredito nessa história de almas gêmeas pai.

- Nem eu. Quem falou nisso? A perfeição não existe, as pessoas são diferentes, se não fosse assim não teria graça. Todos os casais passam por problemas, brigam, magoam-se. No entanto tudo vale à pena se isso acontece por estarem em busca da felicidade, se os momentos bons ultrapassarem os ruins.

- Pai? – Will hesitou - Michelle é a mulher da sua vida?

- Não. – ele falou rápido e conciso. – A mulher da minha vida é, e sempre vai ser sua mãe. Michelle é a minha companheira, a pessoa que me faz bem nesse momento e a única que eu posso fazer feliz.
William acatou a resposta e não tocou mais naquele assunto. Os dois permaneceram calados o resto do caminho e logo chegaram em casa.

Antes de descerem do veículo Fitzwilliam bateu de leve na perna do filho e disse:

- Dê uma chance a si mesmo meu garoto. Você merece ser feliz. – e sem deixar que o filho respondesse alguma coisa saiu do automóvel e entrou na residência dos Darcy.

Will permaneceu mais um pouco encostado no carro. Olhava pro céu com poucas estrelas e uma lua escondida pelas nuvens, enquanto pensava no que fazer.

**

Lionel e sua agente entraram mais uma vez em contato com Hugh Felton e em vista das muitas vantagens e da grande oportunidade que ele teria aceitou o contrato que lhe foi proposto. Conheceu os outros integrantes do conjunto e ajudou a escolher os que ainda faltavam. Hugh seria guitarrista e vocalista secundário, e, naquela mesma semana os ensaios se iniciaram, embora a noite ele ainda estivesse tocando com sua antiga banda enquanto eles buscavam outra pessoa.
Naquele dia ele encontrou Su na saída do estúdio.

- Indo pra casa?

- Sim e você?

- Também, mas vou comer alguma coisa antes. Casa de homem você sabe como é, nunca tem nada além de cerveja na geladeira. – os dois sorriram.

- Você quer ir até a minha casa? Posso preparar alguma coisa para nós dois.

- Se não for te atrapalhar.

- Imagine, faço questão.

Os dois não conseguiram nem chegar até o apartamento. O elevador vazio lhes deu a privacidade que eles precisavam para aquele momento. Chegaram à porta com as roupas desabotoadas e a respiração ofegante. Só tiveram tempo de entrar no apartamento e o sofá da sala foi testemunha de um jantar muito diferente...

***

Lizzie estava dirigindo quando seu celular tocou. Olhou no display, era Georgianna, precisava atender, mas estava com pressa e não queria parar o carro, tentou não pensar que estava cometendo uma infração e atendeu.

- Oi, meu bem!

- Lizzie, preciso falar com você, que horas você tem um tempinho?

- Qual o assunto minha linda?

- Universidade..... – ela falou num tom desanimador.

- Hum... – Lizzie lembrou que no dia seguinte teria uma dinâmica com os jovens, pensou que talvez fosse interessante que a amiga participasse com certeza a diretora não se oporia. – O que você vai fazer amanhã à tarde?

- Tenho aula de música, mas posso faltar.

- Certo, então te pego em casa às 14 horas e você vai até o meu trabalho comigo, pode ser?

- Claro! – ela falou animada – Eu te aguardo!

Lizzie desligou o telefone e estacionou perto da Austen Books, ficara de encontrar a irmã naquela noite. Ela entrou na livraria e Lana a acompanhou até a porta da sala de Jane, depois foi buscar um café para as duas.
Elas trocaram um caloroso abraço e conversaram amenidades até terminarem o café. Daí Jane começou a sondar Lizzie sobre William.

- Como assim o que aconteceu entre nós Jane? Por que a pergunta? – Elisa tentava se esquivar de todas as maneiras.

- Vou tentar por outro lado, já que sendo discreta você não vai me contar. – Jane suspirou – Por que você está me escondendo o que aconteceu em Paris entre vocês Lizzie?

- Eu não estou escondendo nada Jane! – Lizzie mantinha os olhos baixos enquanto era “interrogada” pela irmã.

- Então o beijo que eu vi no avião foi uma alucinação da minha mente doentia?
Lizzie levantou da cadeira rapidamente enquanto Jane tentava não sorrir.

- Você viu?

- Hun rum...

As duas agora gargalhavam! Lizzie viu que seria impossível esconder tudo de Jane, por mais que ela quisesse. Depois que ficaram mais calmas elas conversaram mais sobre os acontecimentos do fim de semana passado. Lizzie contou em detalhes sobre o jantar e também sobre os beijos trocados em território Inglês.

- Viu como foi fácil falar, Lizzie? Por que você tentou esconder isso de mim?

- Eu escondo até de mim Jane. – ela disse num sorriso fraco – Tenho medo de sofrer. Mais uma vez. Mas é mais forte do que eu, parece que todos os caminhos me levam a ele.

- Dessa vez vai dar certo, Lizzie, vocês são adultos agora, só depende de vocês.

- Tento não pensar muito nisso minha irmã, para não criar muita esperança, vou ver até onde vamos.

- Quero te mostrar uma coisa – disse Jane enquanto estendia uma revista francesa pra irmã.
Lizzie viu que a página que estava marcada tinha uma foto de Caroline e William como se tivesse sido rasgada, separando os dois, porém como entendia pouco de francês, só leu algo como “O fim do conto de fadas” escrito como título.

- Agora traduza, Jane.

- Assim que William terminou com Caroline ela deu uma entrevista para essa revista de fofocas, Lizzie – Jane falava sorrindo – ela diz aí que dispensou Darcy, que ele era ciumento, inseguro e pegajoso, e que ele continua ligando constantemente pedindo que ela volte com ele.

A princípio Lizzie assustou-se, mas depois percebeu que as palavras escritas não condiziam em nada com a personalidade de Will, a não ser que ele fosse um ótimo ator. E o sorriso estampado de Jane confirmou tudo.

- Tudo mentira, Liz, ele terminou com ela antes da gente chegar na França, e ele nem sabia que iríamos, é só uma maneira patética que ela arranjou para não ficar por baixo. Charles disse que os primeiros dias ela não deu muita atenção, mas que agora realmente caiu na real, ele me preveniu que provavelmente ela vai fazer alguma coisa, pediu que eu te avisasse, para que você não desistisse.

- Que irmão é esse, Jane? Ele prefere a mim a Caroline? – Elisabeth perguntou desconfiada.

- Ele sabe o que tem em casa, Lizzie. Confie em nós.

- Ok, pensarei nisso, mas agora tenho que ir, ainda vou passar na academia.
As duas se despediram e Jane terminou de organizar suas coisas para encerrar o expediente.

*

No dia seguinte Lizzie saiu da aula e foi direto pra casa, colocou no forno a carne que deixara temperada pela manhã e foi tomar um banho rápido, depois ligou para a escola e confirmou com sua diretora que não havia nenhum problema se Georgie participasse da reunião de Orientação Profissional naquela tarde, depois se vestiu, secou o cabelo, almoçou e foi buscar a amiga.

O vigilante abriu o portão ao ver o carro dela e Lizzie entrou na mansão, ficou no carro a espera de Georgianna quando alguém bateu em seu vidro.

- William?! – ela estava surpresa, pensava que não tinha nenhuma possibilidade de encontrá-lo em casa àquela hora.

Darcy havia voltado para buscar uns papéis que levara pra ler na noite anterior e esquecera. Estava de saída quando viu Elisabeth dentro de um carro próximo a porta de sua casa. Não pensou duas vezes, falaria com ela naquele exato momento.

- Oi Lizzie, você... Hã... Está esperando alguém?

- Sim, vim buscar Georgianna.

- Ehr, hum... Você vai fazer alguma coisa sexta... À noite?
Ela sorriu com o embaraço dele.

- Na verdade não tenho nenhum plano... Ainda.

- Então, posso te pegar as oito? – ele perguntou mais seguro.

- Isso é um convite? – ela sorriu surpresa.

- Na verdade é uma intimação!

- As oito está bem.

- Até lá então!

- Até lá!

Ele se virou novamente e viu Georgianna se aproximando do carro, soltou o ar que estivera preso por causa da situação anterior. Afastou-se com um aceno de cabeça e seguiu para o seu próprio carro, segurando a vontade de beijar novamente aquela mulher.

Elisabeth e Georgianna chegaram à escola e cerca de meia hora depois ela e Lizzie foram para o espaço em que as reuniões aconteciam. Era um salão bem grande, sem cadeiras, mas com vários tapetes e almofadas pelo chão, as paredes haviam sido pintadas pelos próprios alunos, havia desenhos, frases ou apenas cores superpostas, era um dos trabalhos que Lizzie fazia com eles, havia uma estante com diversos livros, um som e uma mesa com vários tipos de materiais.

Ela apresentou Georgianna para os seus “alunos”. Eram cerca de 30 adolescentes que estavam no ultimo ano do colegial e encontravam Lizzie de 15 em 15 dias para discussões ou atividades relacionadas ao futuro profissional, estavam todos sentados no chão formando uma roda.

Depois colocou uma música instrumental no som e foi andando, entregando a cada um deles um papel em branco e um lápis.

- Agora eu quero que vocês fechem os olhos por alguns momentos e imaginem o que estarão fazendo daqui a um ano. – após alguns segundos ela voltou a falar - Nesse momento escrevam no papel que receberam essa data que citei e ao lado o que vocês imaginaram. Olhem apenas para o seu papel, não importa o que o colega do lado escreveu.

- Fechem os olhos novamente e imaginem como será a vida de vocês daqui a cinco anos, e depois procedam da mesma forma, escrevendo no papel.

Ela continuou procedendo desse modo mais uma vez, modificando a data que agora seria 10 anos.
Quando todos escreveram ela começou a comentar sobre as possíveis respostas fazendo-os refletir. Mesmo sem ter lido Lizzie já tinha experiência suficiente para saber que na maioria dos casos a primeira resposta se referia ao curso que eles acreditavam que deveriam fazer, e as últimas se referem ao que eles gostariam realmente de fazer.

- Muitas vezes tomamos nossas decisões pelo que acreditamos que é certo, e não baseado nos nossos gostos e habilidades. Alguns pensam no retorno financeiro, outros em satisfazer a família, mas escolher uma profissão, independente de qual seja só deve agradar a quem fez a escolha. O dinheiro aparece se o trabalho é bem feito, e o prazer de fazer algo que se gosta é mais reconfortante do que a remuneração.

As palavras de Lizzie eram exatamente as que Georgie precisava ouvir, ela não queria faculdade nenhuma, não precisava disso, ela queria cantar, era isso que lhe dava prazer, era isso que ia fazer, independente de quem estivesse contra ou a favor dela.
No fim da reunião Lizzie e Georgie foram à cantina da escola que no momento estava vazia. Lizzie pediu suco pras duas enquanto conversavam.

- Então, gostou da dinâmica? – Elisa indagou.

- Muito! – ela sorriu empolgada – Lizzie, já decidi, quero cantar, mas cantar de verdade, participar de uma banda, viajar em turnês, eu descobri que gosto do palco, das luzes, do público, meu lugar não é numa sala de aula, entre livros e provas, nem que eu fizesse faculdade de música, não é isso que eu quero, e sim pessoas, trocas, sons!

- Calma, Georgie! Eu sabia que você ia decidir isso, e tem todo meu apoio, você canta e toca infinitamente bem, mas uma faculdade de música ia te deixar ainda mais preparada, embora essa seja uma decisão sua, e se você se considera pronta vá em frente. Mas lembre-se que o mundo artístico é bem complicado, e talvez sua família não, digamos, aprove muito essa idéia... Pelo menos por enquanto.

- Mas, Lizzie, você não disse que a escolha era nossa?

- E é, mas fale e escute seu pai primeiro, e tente mostrá-lo o que te faz feliz, não chegue exigindo nada, Georgie, vá com calma, tenho certeza que se você falar com jeitinho ele não vai se opor.
A garota sorria encantada, desde que cantara na boate se sentia mais segura em seu desejo e agora também se sentia assim em sua decisão, assim que possível falaria com o pai e mostraria a família de que forma seria feliz.

**

A sexta feira chegou rápida, Lizzie foi da escola direto pra casa, queria ter tempo pra se arrumar sem pressa, mas acabou passando mais tempo escolhendo uma roupa do que deveria, isso fez com que estivesse pronta em cima da hora.

No fim decidiu por um vestido solto, uma sandália simples, contudo alta, e um bolero para proteger do vento. Maquiou-se levemente e estava colocando os brincos e pulseiras quando o interfone tocou. Ela foi avisada de que sua companhia já a esperava, então voltou ao quarto, borrifou o perfume em si, pegou a bolsa e desceu.
William estava encostado no carro parado em frente ao prédio dela, do lado do passageiro, observou-a caminhar com graça até ele e se controlou para não entrar de volta no prédio com ela, tocou levemente em sua cintura e deu um beijo no canto da sua boca.

- Pra onde vamos? Dessa vez eu posso saber? – Lizzie disse enquanto ele abria a porta para ela.

- Em partes. – ele disse ao tomar seu lugar no carro, ela apenas o olhou com a face interrogativa - Vamos dançar.

- Dançar? – isso a surpreendeu. Desde quando aquele menino que ela conhecia sabia dançar? Tudo bem que em Paris ele arriscou uma dança com ela, mas era uma música suave, lenta, não havia como errar, sobre o que ele falava dessa vez?

Ele percebeu a admiração dela e comentou que essa era uma das coisas que ela não sabia sobre ele.

- Existem muitas coisas que eu não sei? - ela perguntou com graça.

- Algumas.

- Eu espero que você me dê tempo para descobrir.

Ele percebeu no tom e nas palavras dela que uma esperança surgia. Por um lado ficava feliz, afinal era isso mesmo que ele queria, criar expectativas nela para depois deixá-la na situação em que ele ficou, mas por outra lado isso significava não vê-la mais, a não ser em situações sociais e talvez isso doesse mais nele do que nela própria.

Lizzie percebeu que ele não respondeu sua pergunta e permaneceu um tempo calado, refletindo. Ela não entendia o que teria feito de errado, por isso manteve-se reservada, apesar de confusa. Se isso continuasse assim ela pegaria um táxi assim que chegassem ao destino e voltaria pra casa sozinha. Tinha medo de onde um relacionamento com William podia levá-la, e não estava disposta a sofrer de novo.
William parou o carro num semáforo, olhou para ela, os braços cruzados na frente do corpo e a face séria lhe deram a certeza que o silêncio dele não era bem o que ela esperava ouvir, mas ele tinha sido pego de surpresa não esperava que seria tão rápida essa reaproximação, ninguém se apaixona tão rapidamente.

“E se ela já era apaixonada por mim? E se ela continuou gostando de mim durante esse tempo todo? Isso explicaria. Mas não, é impossível, se ela gostasse de mim ela teria respondido a carta, teria tomado alguma atitude também. Isso. Ela não gostava de mim, eu sei.”

Lizzie notou que o sinal abriu e o carro não saiu do lugar, olhou para Will e observou que ele estava olhando pra ela, os dois começaram a rir!

- Da pra parar de me olhar e colocar essa coisa pra andar! – ela brincou.

- Você fica linda mal humorada! – ele disse tentando consertar o clima chato – Mas não ofenda meu carro.

- Homens! – Lizzie bufou fazendo-o sorrir.

Quando chegaram ao local ele abriu a porta pra ela e os dois seguiram de mãos dadas até a entrada.
Tratava-se de um bar latino dançante, no momento em que Lizzie escutou a música ela olhou para William como se tivesse provocando-o.

- O que foi? – ele perguntou sorrindo.

- Você tem certeza que vai dançar?

- Nós vamos.

No momento seguinte ele já a arrastava para a pista de dança. Eles começaram devagar, precisavam sentir o “timing” um do outro. A música era lenta, não precisaram fazer nada mais elaborado. Ao final Lizzie provocou:

- Isso não prova nada, Will. – ela se referia ao fato dele saber dançar.

- Teremos tempo, Lizzie.

Estavam procurando uma mesa quando ouviram o nome de Elisa, ao olhar Lizzie viu um casal, era uma colega de trabalho e seu esposo, ela suspirou, não gostava muito daquela mulher, mais que isso, não gostava nem um pouco, ela era extremamente intrometida e fofoqueira. Liz apenas sorriu, mas a mulher ficou acenando e chamando para que ela fosse até lá.
William percebeu que ela relutou para cumprimentar a mulher, e ficou curioso, seria por causa da companhia dele? Ele pegou na mão dela de propósito e a levou em direção a mesa.

- Elisabeth, querida! – a mulher falava de maneira exagerada – Que coincidência! Venham, sentem-se aqui, pelo visto todas as mesas estão ocupadas.

Lizzie cumprimentou timidamente a colega e seu esposo e apresentou William a eles. Os dois olharam ao redor e perceberam que realmente não havia nenhuma mesa vaga, e acabaram sentando com o casal.

- Até que enfim conheço seu namorado, hein Lizzie? E agora entendo porque você sempre o escondeu danadinha! – Margareth Weber falou batendo de leve no braço de Lizzie – Um homem assim tão lindo é mesmo um perigo!

Elisabeth não sabia o que dizer, deveria falar que Will não era seu namorado, mas tinha medo das conseqüências que isso poderia trazer pra ele, ao mesmo tempo em que ficar calada poderia sugerir um compromisso, e ela não queria forçá-lo nesse sentido. Ele agora descobriu como a mulher podia ser desagradável e porque Lizzie relutou em ir até lá.
Rapidamente Darcy percebeu o embaraço de Lizzie e não esperou que ela falasse.

- Não era culpa dela, não é mesmo amor? – ele manteve a postura delicada e amorosa frente ao olhar curioso de Lizzie – Eu passei algum, digamos, tempo, morando em Paris, e só retornei agora, talvez por isso não tenhamos nos conhecido antes. Ela agora dava um beijo no rosto de Lizzie enquanto ela tentava segurar o sorriso.

- Paris? Mas que agradável! – dessa vez era Sr. Weber que falava - O que exatamente você fazia lá?

- Querido, por favor! – a mulher interrompeu no momento que William abria a boca para responder – Conversas sobre trabalho agora não, venha vamos dançar. - Ela saiu puxando-os e os outros dois finalmente tiveram alguns minutos de sossego.

Lizzie revirou os olhos assim que ela virou as costas, indicando o quanto aquilo estava incomodando.

- Pelo visto vocês não são muito amigas. – Will comentou.

- Amigas? Nem perto disso, ela é a maior fofoqueira que eu já conheci, pense bem no que vai falar na frente dela. Segunda feira provavelmente serei o assunto do dia na escola.

- Você se incomoda de ter sido vista comigo? – ele perguntou levemente ofendido.

- Não, Will, que idéia! – ela tirou uma mecha dos cabelos dele que caíram em seus olhos e acariciou sua face - Não tenho do que me incomodar, só não gosto de ser assunto nas rodas de conversas.

- Quer ir para outro lugar?

Antes que ela respondesse o casal voltou, e uma música bem mais animada se iniciou, Will estendeu a mão para Lizzie que aceitou de bom grado.

Lizzie colocava uma perna na frente da outra como se estivesse andando, mas na verdade não saía do lugar. Will brincava com ela, mudando o peso do corpo de uma perna para a outra, mexendo levemente os quadris. Quando o cantor começou a cantar ele puxou-a e a fez girar, parando-a de costas para ele e fazendo com que seus corpos ficassem colados. Dançavam juntinhos e até agora bastante conectados. Ele levantou um dos braços dela e passou os dedos com uma certa pressão, enquanto sedutoramente inalava o cheiro dela, desde de ombro até sua nuca.

Ela se afastou e eles ficaram frente a frente mais uma vez, Lizzie rebolava de modo provocante, mas não vulgar, ele a puxou mais uma vez e os dois rebolaram juntos, flexionando levemente os joelhos, ela fez um movimento de cabeça e mudou completamente de lado, deixando suas costas junto das dele. Ficaram assim por poucos segundos e ela voltou à frente dele mais uma vez, rodopiando, aproximaram-se mais e ela passou a perna dobrada pela perna dele, enquanto poucos milímetros aproximavam seus rostos. Ele jogou-a para trás e ela arqueou as costas, ele colocou o rosto próximo ao decote do vestido dela e enquanto a puxava novamente suas faces ficavam perto mais uma vez. A música estava no fim, dançaram juntos mais um pouco e Lizzie sentiu quando William apertou mais sua cintura, ela entendeu o gesto e deu um impulso, cruzando e subindo as pernas enquanto Darcy a apoiava e a colocava junto de seu corpo.

A música terminou e só assim os dois só perceberam que estavam sendo observados e admirados por várias pessoas, não deu tempo para ficarem verdadeiramente tímidos, quando voltaram à mesa para pegar a bolsa de Lizzie e pagar as poucas bebidas que haviam consumido Margareth soltou mais um de seus comentários.

- Bravo! Elisabeth! Magnífico! Vocês me surpreenderam! Nunca vi um casal de amadores dançar tão bem! Sorte a de vocês - ela piscou para os dois – casal que se dá tão bem assim verticalmente é melhor ainda na horizontal!

Lizzie e William ficaram extremamente sem graça, mas sorriram para não passarem por mal educados, pagaram suas bebidas, despediram-se rapidamente e saíram. Assim que entraram no carro Lizzie tirou o bolero, havia ficado ofegante, a dança e o contato com William haviam deixado-a com muito calor.

- Quer comer alguma coisa agora? – ele perguntou, tentando manter o olhar distante dela.

- Adoraria, de preferência algo bem rápido.

- Um sanduíche é muito simples? – ele perguntou com medo de ofender.

- É perfeito! – ela respondeu sorrindo.

Pararam num drive thru próximo dali e em quinze minutos tinham sanduíches e refrigerantes no carro. Seguiram para o apartamento dela e comeram enquanto conversavam bobagens.

- Desculpa pela noite, eu achei que seria melhor. - Ele disse enquanto ela estava de costas, jogando as embalagens no lixo.

- A noite foi ótima Will, e só não foi perfeita por causa de outras pessoas, não tem nada a ver com você. Deixa de bobagem.

- Sério?

- Hun rum. – ela disse se aproximando.

- Então você vai sair comigo de novo? Ele também caminhava até ela.

- Se você quiser...

- Tem como não querer? - ele disse e sem esperar resposta apossou-se de sua boca num beijo esperado pelos dois a noite toda.

Foram para o sofá e trocaram vários e vários beijos por um longo tempo. Nas duas últimas oportunidades em que se encontraram o desejo se apossou deles de forma tão intensa que lhes fora difícil controlar seus corpos. Mas naquela noite tudo corria mais devagar, a brisa suave que entrava pela janela parecia ditar as regras entre os dois. Não que o desejo estivesse ausente, de forma nenhuma, mas eles usaram aquele tempo para se conhecerem mais, conversar sobre o que estavam fazendo agora, sobre como ocuparam seu tempo e suas vidas durante os anos que ficaram sem se ver.
Mas estava ficando tarde e eles não queriam se separar, dessa vez Lizzie tomou a iniciativa:

- Will?

- Hum? – ele respondeu enquanto continuava beijando o pescoço dela.

- Quais teus planos para amanhã?

- Ficar com você. – os dois sorriram – Sério, pode escolher.

- De verdade? – ele agora deixava o que estava fazendo e olhou pra ela sério.

- A não ser que você não queira.

- Claro que quero! – ela sorriu e beijou-o para tranqüilizá-lo.

- Então, o que você está a fim de fazer? – ela colocou a mão no queixo enquanto olhava pra cima, buscando algo na memória.

- Têm uma coisa que eu estou a fim de fazer ha uns dias... – ela olhou pra ele provocante, sem tirar o dedo indicador do queixo.

- Ótimo, sou todo seu! – ele falou enquanto fingia que desabotoava a camisa fazendo-a gargalhar.

- Não é isso seu bobo! – “Não só isso”, ela pensou. - Estou com muita vontade de andar a cavalo, muita vontade mesmo. – Lizzie reforçou.

- Seu desejo é uma ordem, prepara tuas coisas, só tenho que passar em casa rapidinho pra pegar uma muda de roupa e seguimos pra Pemberley.

- Agora? – ela perguntou sem acreditar no que ele estava falando.

- Por que não?

- Está tarde, e ninguém sabe de... – ele não a deixou terminar.

- Você está com sono?

- Não, mas...

- Nem eu. Depois ninguém precisa ser avisado, somos dois adultos, você mora sozinha, eu deixo um bilhete em casa e pronto. Se formos imediatamente ganhamos tempo, assim que acordarmos teremos todo o dia pra andar a cavalo e fazer inúmeras outras coisas. Se deixarmos pra ir amanhã chegaremos lá no mínimo pelo meio da manhã, e não teria graça.

Ela não tinha como refutar os argumentos dele, estava contagiada pelo modo em que ele falava, e Will tinha razão, não precisavam mesmo avisar a ninguém. Não tinha nenhum plano para o fim de semana, nenhum evento familiar ou social para comparecer, nada tão importante para estudar que a impedisse de fazer essa pequena viagem, e diante do olhar pidão que ele fazia agora ela não tinha mesmo nenhuma outra resposta pra dar além de:

- Você venceu! – ela falou enquanto levantava e ia até o quarto para preparar uma bolsa com três mudas de roupa e um biquíni, afinal mulher nenhuma levaria menos do que isso, e um nécessaire com cosméticos, escova de dente, escova de cabelo e outras coisas do tipo. Enrolou as botas de montaria numa sacola e jogou dentro da bolsa maior e deu de cara com William na porta de seu quarto sorrindo.

- Will?! O que você esta fazendo aqui? – “Será que ele me viu escolhendo as calcinhas e falando sozinha enquanto arrumava a bolsa?”, ela pensou apreensiva.

- Você me deixou sozinho na sala, mas não agüentei esperar, fiquei com saudades.

Ela se derreteu com as palavras dele, embora soubessem que não era verdade, não passara mais do que dez minutos no quarto, sabia que ele estava ali por pura curiosidade. Ele abraçou-a e mordeu levemente o lóbulo de sua orelha.

- Vendo essa cama tão convidativa sinto até vontade de desistir dos nossos planos. – ele brincou.

- Nem em sonho! – Lizzie dizia enquanto empurrava-o para fora do quarto – Você me fez concordar com isso e agora não ouse voltar atrás! – ela voltou ao quarto e pegou suas coisas pra saírem.

William tomou as sacolas das mãos dela, Lizzie então fechou a porta de vidro que separava a varanda da sala, apagou as luzes, trancou a porta e os dois seguiram para o elevador.
Rapidamente chegaram à casa dos Darcy, todos estavam dormindo e Lizzie ficou esperando na grande sala de estar enquanto Will preparava uma mochila. Ela aproveitou para mandar uma mensagem para o celular de Jane e torcia que a irmã só visse no outro dia. Na mensagem avisava para onde estava indo e com quem e pedia segredo sobre o assunto. Darcy desceu com sua mochila e deixou um bilhete no elegante móvel de madeira que ficava no hall de entrada da residência. Quando passaram pelo portão ele deixou o segurança da portaria avisado sobre sua pequena viagem e os dois pegaram a estrada em direção a Pemberley.

- Quer que ligue o som? – ela perguntou depois de cerca de meia hora de viagem.

- Se você prometer não fazer aquelas paródias ridículas com as músicas não me oponho! – ele disse, fazendo troça do episódio do pilequinho de Lizzie.

Elisa por sua vez fez biquinho e fingiu estar zangada, mas quando percebeu o olhar assustado de Darcy com medo de tê-la magoado ela caiu na gargalhada.

- Não faça isso de novo – ele falou sério – pensei que você estava realmente zangada.

- Eu sei que minhas paródias não são ridículas! – ela brincou.

Os dois conversaram mais um pouco com uma música qualquer tocando baixinho, até o momento que William reparou que Lizzie estava se esforçando muito para manter-se desperta.

- Não ouse dormir Liz!

- Não ousarei, prometo... – mas ela não conseguiu segurar o bocejo que a acometeu naquele exato momento.

Elisabeth realmente tentou, mas quando William parou o carro na entrada da casa de campo dos Darcy Lizzie dormia com o pescoço ligeiramente inclinado para o lado. Ele desceu do carro, destrancou a casa e colocou as coisas dos dois na sala, voltando para buscá-la.

- Liz? Lizzie? – ele chamava baixinho, mas ela permanecia dormindo – Vamos lá Bela Adormecida, já chegamos – Lizzie murmurou alguma coisa sem sentido, entretanto não se mexeu. Ele já estava cogitando a possibilidade de levá-la nos braços quando teve outra idéia.

Aproximou sua boca da dela e começou a tocá-la levemente, dando vários beijos em seus lábios. Lizzie então passou a língua de um canto ao outro da boca, como uma criança que se lambuza com doce e se lambe depois.

“Céus, até dormindo ela me provoca, isto está ficando mais forte do que eu.”

Lizzie piscou e abriu os olhos, percebendo onde se encontrava.

- Oh Will, desculpa, acho que cochilei!

- Cochilou? Não, você dormiu, um sono um tanto pesado por sinal, há tempos estou aqui tentando te acordar. – ela sorriu, acreditando que ele provavelmente estava exagerando e aceitou a mão que ele oferecia.
Os dois foram direto para os corredores onde ficavam os quartos e Will deixou Lizzie no quarto em que ela costumava dormir, que ficava estrategicamente e felizmente colocado em frente ao dele.

Ele desceu pra pegar as bolsas que haviam ficado na sala e Lizzie foi tomar um banho. Depois subiu e colocou apenas uma calça de algodão, seu deixando seu tórax esculpido nu. Quando ele entrou no quarto novamente ela estava no banheiro, deitou na cama, iria esperar que ela terminasse para despedir-se dela, contudo acabou caindo no sono também. Lizzie saiu do banho enrolada num roupão e deparou com aquele homem lindo deitado em sua cama, a luz prateada da lua banhava o corpo dele, deixando-o ainda mais perfeito se isso fosse possível. Ela vestiu a camisola que levara e deitou-se ao lado dele, tentando não acordá-lo, mas quando ela abraçou-o ele estremeceu com o contato e despertou.

- Lizzie, desc...

- Shii – ela colocou o indicador na boca dele – me deixa só te cobrir.

Ele afastou-se um pouco e ela colocou as cobertas por cima dos dois, aconchegando-se no corpo dele.

- Boa noite, Will. – ela deu um selinho nele.

- Boa noite, pequena. – ele acercou-se do corpo dela com seus braços e os dois se renderam ao cansaço lado a lado.

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United Kingdom flag <1%United Kingdom (273)
Germany flag <1%Germany (269)
Latvia flag <1%Latvia (149)