Citações

Nossa situação é perfeitamente idêntica. Não temos nada para contar uma à outra; você, por não ter nada a comunicar ; e eu, por nada ter a esconder. (Jane Austen)

Outra Vez - Capítulo XII

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No dia seguinte Jane e Elizabeth decidiram que passariam a manhã na Champs Elyseés* passeando e fazendo algumas compras e durante o almoço decidiriam o roteiro da tarde.
Charles foi buscá-las e acompanhava as duas de loja em loja, embora não estivesse muito satisfeito com aqueles planos. O único momento em que as irmãs se esqueceram das vitrines se deu no momento em que passaram pelo Arco do Triunfo e pararam para tirar fotografias. Agradeceu aos céus quando seu celular tocou, viu no display de quem se tratava, falou algo no ouvido de Jane e saiu da loja. Quando Elizabeth saiu do provador não encontrou Charles e indagou para a irmã sobre o paradeiro do cunhado, que respondeu que ele tinha ido encontrar um amigo lá fora e que já estava entediado com o programa. As duas riram do ruivo, pagaram as compras e saíram da loja.



Assim que chegaram à calçada Lizzie precisou de muito esforço pra não derrubar as sacolas no chão, nunca esperou encontrar Darcy em Paris, e tinha que confessar que ele estava encantadoramente sexy. Vestia uma roupa casual que o deixava bem menos formal, dificilmente alguém ao vê-lo imaginaria estar diante de um executivo tão importante em ascensão. Só percebeu que estava parada olhando fixamente pra ele quando Jane a puxou pelo braço enquanto se dirigia ao amigo.
Elizabeth acreditava que todos estavam ouvindo as batidas do seu coração, uma vez que parecia que ele ia saltar do peito dela a qualquer momento.


- William que surpresa! – Jane abraçou o amigo que agora olhava diretamente para Elizabeth.


Depois que Jane se afastou ele esperou que Elizabeth fizesse o mesmo, e como ela não tinha opção foi até ele e ia beijá-lo no rosto quando ele a abraçou segurando sua cintura deixando-a ainda mais nervosa.


- Vim oferecer meus serviços de guia turístico, já que Bingley não tem capacidade para tanto. – ele disse provocando o amigo que apenas sorria - Aceitam? – olhou pra Lizzie com a sobrancelha arqueada a espera de uma resposta.


- Se os seus serviços não forem muito caros acredito que possamos aceitar! – ela falou a primeira resposta que lhe veio à mente, um pouco mais recuperada da surpresa.


- Então me deixe começar levando essas sacolas, e tomou as compras das mãos de Lizzie enquanto dizia em seu ouvido:


- Garanto que você facilmente poderá pagar. – um arrepio percorreu todo o corpo dela com a aproximação e as palavras dele, e Lizzie não pôde deixar de sentir certo receio, pois não sabia de que tipo de pagamento ele estava falando, na certa seria apenas mais uma das brincadeiras dele, decidida a não levar a sério ela apenas sorriu.


Passaram por mais algumas lojas, embora Lizzie não tenha mais conseguido prestar atenção a muita coisa e decidiram ir almoçar.


- Você não prefere ir deixar logo essas sacolas no hotel? Fica mais prático. – William indagou.


- Pode ser. – Lizzie respondeu.


- Vou pegar as coisas de Jane e nós vamos até o hotel, depois encontramos os dois no restaurante, tudo bem?


- Ok.


Tudo foi feito como William decidira, ele e Lizzie estavam no carro se dirigindo para o hotel. Cada um imersos em seus próprios pensamentos. Elizabeth refletia sobre o que estava acontecendo com ela, havia tido uma reação muito estranha quando viu Darcy naquela manhã, tudo acontecia de forma muito intensa. Primeiro eles discutiram na festa em homenagem a volta de William, depois trocaram farpas na manhã seguinte quando ela se viu acordando no quarto dele, mais uma vez chegaram perto de uma discussão em Netherfield e naquele mesmo fim de semana selaram um retorno a antiga amizade.

Não bastasse isso ficaram um considerável tempo sozinhos no dia em que saíram com Georgie, Charles e Jane para a boate, e ela não poderia negar que os momentos ao lado dele foram bastante agradáveis, mas ainda assim sentia um certo desconforto naquele momento, não esperava encontrá-lo na França e agora ele estava ali, lindo e ao lado dela.


Desde que soubera da presença de Elizabeth em Paris Darcy elaborara uma estratégia para pôr em prática seu plano, mas ao vê-la tão bonita como sempre perdera completamente a noção do que fazer. Por isso também passou os primeiros minutos ao lado de Lizzie no carro calado, rememorando mentalmente como deveria agir. E assim ele foi o primeiro a quebrar aquele silêncio.


- Lizzie, sobre aquela noite na boate... – ela não permitiu que ele continuasse:


- William, me desculpe se eu fiz ou disse algo que te incomodou, se isso aconteceu tente relevar, por favor. Eu não tenho o costume de beber algo tão forte e passei dos limites naquela noite.


- Não se preocupe quanto a isso, você não disse nada demais, pelo contrário, eu me diverti muito, só fiquei preocupado depois que saí da sua casa.


- Desculpe ter feito você se preocupar, eu não imaginei que fosse te causar apreensão.


- Então está tudo bem? Quer dizer, entre você e o Felton?

Lizzie ficou um tempo pensando sem saber o que responder, aumentando a expectativa de William.


- Depende do que você considera tudo bem. Eu acredito que esteja tudo bem, embora não o veja desde aquela noite.


- Vocês estão brigados? – ele perguntou tentando entender realmente o que estava acontecendo.


- Não, nós não estamos mais juntos.


William tentava de todas as maneiras esconder sua satisfação. “Eu e ela em Paris solteiros, se eu tivesse planejado algo assim nunca daria certo.”


- Bem vinda ao clube!


- Você e Caroline também não estão mais juntos? – ela indagou e William confirmou com a cabeça - Eu sinto muito – ela disse tentando parecer triste, mas em seu íntimo aquela notícia era maravilhosa, embora não assumisse.


- Não sinta, eu estou melhor assim.


Chegaram ao hotel e a conversa foi interrompida, Lizzie guardou as coisas no quarto e desceu novamente.
O almoço transcorreu tranqüilo, foram a um típico restaurante francês chamado “Le Choupe Chou” e os homens indicaram as melhores opções do cardápio, que foi bastante apreciado. Ficou decidido que a tarde iriam a Torre Eiffel e depois seguiriam para a “Place des Vosges”.


Andaram um pouco depois do almoço, tiraram várias fotos e depois rumaram a Torre Eiffel.
Elizabeth admirava a torre e não percebeu quando Charles e William compraram os bilhetes para subirem. Jane foi puxada pelo namorado na direção do elevador e William os seguia quando percebeu que Lizzie estava parada apenas admirando a imponente construção. Parou para esperá-la.


- Você não vem?


- Eu prefiro esperar aqui.


- Não posso acreditar, vem Lizzie, a vista lá de cima é linda!


- Eu posso imaginar, mas prefiro mesmo esperar aqui.


- Não vai dizer que tem medo de altura?


- Nãaaaao. - Ela respondeu nervosa - Não é isso, só não me sinto confortável em lugares a mais de três metros do chão.


- Eu não acredito nisso Lizzie, é super seguro, vem?


- Não, Will, de verdade, não me sinto bem quando não tenho as quatro paredes ao meu redor em lugares altos.
Ele sorriu diante do receio dela e se aproximou.


- E se eu garantir que não vai acontecer nada? Sobe comigo? Vou estar ao seu lado o tempo todo, você confia em mim?


Era difícil dizer não com aqueles olhos azuis esperando uma resposta. Por mais assustada que ela estivesse e por mais medo que ela tinha de confiar naquele que um dia lhe deu as costas seu corpo pedia que ela aceitasse.


- Tudo bem, mas fique por perto.


- Nem se preocupe.


Jane e Charles há muito já haviam subido. William tomou a mão de Elizabeth e entraram no elevador. À medida que iam subindo ele notava o desconforto dela e sentia que Lizzie apertava mais sua mão.


- Não olhe pra baixo agora, certo?


- Hunrum, ela respondeu de olhos fechados. – ele ficou na frente dela e pediu:


- Olhe pra mim Lizzie. – ela abriu os olhos devagar e mirou os olhos dele, estavam muito próximos e ela sabia que seu nervosismo não estava relacionado apenas com a altura.


- Você confia em mim?


- Confio. – naquele momento confiaria sua vida a ele se fosse preciso.


- Ótimo, vai dar tudo certo.


Quando chegaram ao topo ele disse:


- Continue sem olhar pra baixo, olhe apenas pra frente.


Ela abriu os olhos devagarzinho e apesar da visão ser fascinante ela ainda não se sentia confortável. Jane fora incapaz de pronunciar uma palavra, não acreditava que sua irmã estava lá em cima, quando Charles ia se aproximar deles pra comentar a demora ela impediu, explicando a situação.


Sem soltar a mão de Lizzie, William a abraçou por trás e cruzou seus braços na frente do corpo dela, sua mão direita entrelaçada na mão esquerda dela e sua mão esquerda na mão direita de Lizzie, seus braços tocavam toda extensão dos braços dela e seu peito estava colado as suas costas deixando-a completamente amparada pelo corpo dele. Ele apenas tomara o cuidado de não aproximar seu púbis dos quadris dela com medo de certas reações incontroláveis de seu corpo.


Elizabeth não sabia se a vertigem que sentia era relativa à altura ou a aproximação de William. Era uma sensação tão boa que ela poderia ir até a lua se estivesse do lado daquele homem. Darcy por sua vez torcia pra que ela se entregasse logo ao charme dele ou seria muito difícil resistir mais tempo perto dela sem tentar nada de mais ousado. Aquela mulher o tirava do sério e despertava seus mais recalcados instintos.
Por ser mais alto seu queixo ficava acima da cabeça dela e ele podia aspirar ao aroma doce e suave que seus cabelos exalavam. Ele baixou um pouco a cabeça e falou no ouvido dela, percebendo quando os pêlos de seus braços ficaram eriçados.


- Tudo bem? – por um momento Elizabeth se esqueceu de seus outros sentidos e se surpreendeu com a voz dele, seus corpos estavam tão juntos que ela se preocupava apenas em admirar a beleza da vista Parisiense e sentir o corpo dele junto ao dela.


- Tudo bem sim. – ela sorriu e olhou pra ele que retribuiu o sorriso antes de voltar a olhar pra frente.


Passaram mais algum tempo naquela contemplação quando perceberam a voz de Jane os chamando pra descer e lembraram que não estavam sozinhos. Eles seguiram o casal e desceram sem soltar as mãos.


- Esperem, deixa eu tirar uma foto de vocês primeiro. – Charles disse com a máquina fotográfica apontando para os dois.
Will abraçou Lizzie novamente e Charles eternizou aquele momento do casal com a vista parisiense ao fundo, os dois pensaram ao mesmo tempo que não precisariam de fotografia nenhuma para gravar aquele momento na memória.
De lá seguiram para a “Place des Vosges”. Trata-se de uma linda e charmosa praça que foi cenário de vários episódios históricos e é cercado por várias casas, entre as quais aquela que foi residência do famoso poeta e escritor Victor Hugo.
Jane fazia questão que visitassem a casa do célebre artista, que hoje funciona como museu. Depois de explorarem toda a área pararam num café para um breve lanche.


- Então, qual é o roteiro da noite? – William indagou.


- Eu e Jane vamos jantar com meus pais já que Elizabeth já decidiu que não vai comparecer.


- Tem certeza que não vai mudar de opinião, Lizzie? - Jane inquiriu.


- De maneira nenhuma. O namorado é seu e é o seu primeiro encontro com os pais dele, não tem sentido eu ir também, Jane.


- Eu ia me sentir mais segura, Lizzie.


- Você é boa o bastante para encantá-los sem a necessidade da minha presença.


- Então a nossa programação noturna pode ficar por minha conta? – William perguntou a Lizzie.


- Nossa programação noturna? – ela se surpreendeu. Diante da afirmativa dele ela respondeu com um sorriso provocador - Não tenho outra saída?


- É tão desagradável assim a minha companhia? – ele falou no mesmo tom – Lembre-se que me deve um pagamento pelos meus serviços de guia!


- O pagamento seria um jantar?


- Parte do pagamento, pelo menos! – ele sorriu malicioso.


- Acredito que posso suportar! – todos riram com as provocações dos dois e ficou decidido que William pegaria Lizzie no hotel à noite para jantarem.



Continua...

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