Um começo e um fim
Na sexta Lizzie recebeu um telefonema de Jane. Depois dos cumprimentos de praxe começaram a conversar.
- O francês é bom de cama como é bom de beijo, maninha?
- Lizzie, que conversa é essa? – Lizzie sorria vendo a irmã envergonhada.
- Qual o problema, ou vai dizer que se decepcionou?
- Não me decepcionei nem me surpreendi, ainda não rolou.
- Ah. – Lizzie disse desanimando.
- Prefiro esperar mais, nós estamos só ficando ainda, e amanhã ele vai embora. Aliás, foi por isso que te liguei, vamos sair hoje? Ele quer se despedir de você.
- Jane, se ele vai amanhã essa noite deveria ser só de vocês, não tem graça outras pessoas iriam atrapalhar.
- Você não ia atrapalhar Liz, ele faz questão, por favor.
- Tudo bem, dou uma passada só pra me despedir e comer alguma coisa, mas não demoro, vocês tem que se curtir hoje mais do que nunca.
- Traz o Hugh também.
- Não vai dar.
- Por quê? Ele tem show?
- Não sei, na verdade ele está meio estranho desde o fim de semana, só nos falamos por telefone e mal. Você acredita que eu pedi pra ele me levar na escola hoje, pois estava sem carro e ele disse que eu fosse de táxi e passasse na casa dele que ele me dava o dinheiro para pagar o motorista, só porque não estava a fim de sair de casa?
- Sério?
- Hum rum.
- Ah, que pena Lizzie.
- Sem problemas, deixa pra lá, vocês querem ir pra onde?
- Pra Fabric.
- Jane na despedida do bofe você vai levá-lo pra uma boate??
- Foi a Georgianna que decidiu, ela disse que estava cansada dos lugares “adultos” que a obrigamos a freqüentar semana passada.
- Se a Georgie vai então eu vou, pelo menos não seguro vela, preciso mesmo me divertir.
- William também vai estar lá.
- E Caroline?- Já foi embora. – Lizzie se surpreendeu com aquilo, mas preferiu não fazer nenhum comentário.
- Você pode me pegar? Não estou a fim de dirigir, e é um sacrifício encontrar algum lugar para estacionar.
- Claro, passo aí as dez.
As irmãs se despediram e retomaram seu trabalho, Lizzie um pouco espantada pela notícia que a irmã lhe dera sobre a viagem de Caroline, mas evitou pensar no assunto, pois junto com ele vinha alguém que ela não queria pensar. Apesar de não ter mais encontrado com William Darcy depois do dia que fizeram as pazes ela ainda sentia certo medo do que sentia por ele, e tentava não pensar no “amigo”.
As dez o porteiro interfonou e Lizzie desceu. Ela havia escolhido uma roupa propícia para dançar, já que iam pra uma casa noturna.
Jane estava sozinha no carro, iam encontrar com os outros na boate. Ela estava com um vestidinho bege bem comportado, mas não menos bonita do que Lizzie.
- Que produção toda é essa Lizzie?
- Hoje eu vou me divertir como há muito tempo não faço! – ela respondeu sorrindo.
- Aconteceu alguma coisa diferente?
- Não, só cansei de ficar em casa, desde que namoro o Hugh quase não saio durante a noite, pois além dele não gostar de dançar, está sempre ocupado tocando, mas hoje vou aproveitar.
As duas conversaram mais um pouco e logo estavam na boate. Charles e Georgie estavam na porta esperando por elas.
Cumprimentaram-se rapidamente, Lizzie percebeu que William não estava lá, mas nada disse, ela não queria que ninguém pensasse que sentia a falta dele. Mas Jane não agiu da mesma forma.
- O William desistiu Charles?
- Não, ele já vem, foi só estacionar.
William estava parado a poucos metros do grupo, vinha ao encontro dos amigos, mas estancou quando viu Lizzie de costas. Ela estava magnífica. Não existia outra palavra para defini-la. Estava com uma roupa estilo “macaquinho”, relativamente curta, de cor preta com um leve brilho e uma sandália preta alta. Ele não entendia, qualquer outra pessoa com uma roupa daquelas em sua opinião ficaria vulgar, mas nela exalava beleza e sensualidade pura. Ele sabia que ia precisar de muita força de vontade pra não passar a noite olhando pra ela.
Ele foi retirado do transe quando Georgianna o viu e acenou, ele voltou a andar e chegou até eles.
- Até que enfim irmão, pensei que fôssemos passar a noite na porta.
- Deixe de exagero Georgianna.
- Oi William.
- Olá Jane. – ele respondeu enquanto se aproximava para dar um beijo no rosto dela quando Charles o impediu.
- Pode falar de longe Will!
Todos sorriram e ele se virou pra falar com Lizzie.
- Posso?
- O que? – ela não entendeu a pergunta.
- Te beijar oras, ou tem mais alguém aqui que queira me impedir de novo?
Ela ficou extremamente sem graça e apenas sorriu. Jane veio a seu socorro.
- Pode William, eu autorizo.
- Sendo assim. Boa noite, Lizzie!
Ele se sentiu embriagado com o cheiro bom que ela emanava enquanto ela fazia força pra não demonstrar o quanto estava nervosa com aquela aproximação. Respondeu ao cumprimento rezando para que sua voz saísse normal. Assim que ele se afastou se encaminharam para a entrada.
Charles já havia comprado os ingressos e não aceitou reembolso como as irmãs Bennet desejavam. A boate tinha três ambientes, num deles tocava música eletrônica, no outro um DJ tocava vários tipos de músicas e no ambiente aberto uma banda de rock tocava. Eles escolheram o último, pois era aberto e tinha várias mesinhas mais distantes do palco onde as pessoas dançavam.
Jane e Charles sentaram de costas para o palco, Georgianna sentou ao lado de Bingley deixando a cadeira ao lado de Jane para Lizzie e William sentou entre as duas. Depois que se acomodaram Georgianna indagou:
- E aí gostaram da minha escolha?
- Eu adorei, tem bastante gente e está muito animado. – Charles disse.
- Também gostei Georgie. – completou Jane.
Vendo que Will continuava calado ela lançou-lhe um olhar inquisidor. Ele entendeu e respondeu:
- Não é o lugar que gosto de freqüentar, é barulhento e adolescente demais pro meu gosto, mas foi sua escolha e eu posso fazer esse sacrifício.
A irmã mostrou a língua pra ele e virou-se para saber a opinião de Lizzie.
- Parece legal Georgie, só o som não me agrada muito. Não gosto desse tipo de música, mas não tem problema, daqui a pouco a vou para o outro espaço dançar um pouco.
- Acho que é a banda do Hugh que está tocando. – Georgianna comentou inocente. Já conhecia todo o repertório da banda e assim que chegaram ela percebeu que era a banda dele que tocava.
Elizabeth se arrependeu amargamente do que acabara de dizer. Não sabia como William ia reagir por ela ter dito que não gosta da música que o namorado toca. “O que ele pensa ou deixa de pensar não interessa, deixe de ser boba e curta sua noite.” – mudou de idéia logo depois.
- Você sabia que ele estaria aqui, Lizzie? – indagou Jane.
- Na verdade não.
- Ele sabia que você vinha? – foi a vez de Georgie perguntar.
- Não, não nos falamos direito há alguns dias.
Todos perceberam que o casal não parecia estar muito bem e logo encontraram outro assunto.
“As coisas estão saindo melhor do que eu esperava, se eles nem estão se falando vou começar a agir assim que eu puder.”
- O que vocês querem beber? – William perguntou.
- Dois Tea Tine e um refrigerante para a madame aqui! – Lizzie respondeu apontando para Georgianna.
- E você Charles?
- Eu te acompanho até o bar.
Os dois seguiram para o bar e fizeram os pedidos.
- Quando você vai começar a investir na Lizzie, William?
- O que?
- Você estava babando por ela lá fora, só ela não viu porque estava de costas. E agora que Caroline foi embora e parece que o namoro dela já era, vejo que é a oportunidade perfeita.
- Você não respeita nem sua irmã Bingley?
- Sem essa Darcy, todo mundo sabe que você não sente nada pela Caroline, e agora você morando aqui e ela em Paris que tudo está fadado ao fracasso mesmo.
- Eu não vou investir em Lizzie, Charles, ela é bonita e tudo, mas não tenho essa intenção.
- Ok, não insisto mais. Mas pelo menos já ouvi você admitir que a acha bonita. – e recebeu um olhar insolente do amigo.
Eles receberam as bebidas e voltaram à mesa.
“Será que estou dando tanta bandeira assim?” – pensou Will.
Eles chegaram com os drinks para Lizzie e Jane, o refrigerante de Georgianna e duas cervejas.
Conversaram e beberam por um tempo até que Georgie viu algumas amigas e se retirou.
- Kitty, Mary!! Que bom encontrar vocês aqui!
- Você já viu seu guitarrista predileto? Ele está lindo hoje. – Kitty falou empolgada.
- Shhhii... Não falem nada, estou com a namorada dele.
- Você está com a namorada dele? Fala sério. – Mary achou tudo aquilo muito estranho.
- E também com meu irmão, um amigo dele e a namorada dele que é irmã da namorada do Hugh.
- Credo que enrolada. Mas vem, vamos dar uma volta, lá dentro está cheio de gatinhos e a Lydia ficou nos esperando lá de papo com um deles.
As duas puxaram Georgianna e seguiram para o ambiente de música eletrônica.
Lydia estava de papo com um garoto chamado Dennis e um amigo dele. Quando suas amigas chegaram de volta ela acenou de forma exagerada. Elas se aproximaram e Lydia apresentou os rapazes a elas.
- Meninas esses são meus amigos Dennis Halprin e George Wickham! – eles sorriram e cumprimentaram as jovens – e garotos essas são Kitty, Mary e Georgianna!
George achou a última bonitinha e para não ficar sozinho decidiu puxar papo com ela, já que Dennis já tinha se arranjado com a menina tagarela, ele pensou um pouco entediado.
- É a primeira vez que vem aqui Georgianna?
- Na verdade não, e você?
- Também não, é que nunca te vi antes aqui.
- Você pode ter esquecido.
- Eu garanto que não esqueceria um rosto como o seu! – ele exibia seu sorriso mais sedutor, deixando a garota lisonjeada.
***
Elizabeth estava se sentindo desconfortável sem Georgianna ali. Jane e Charles não se desgrudavam e ela ficava sem jeito pra conversar com William, mas não poderia sair de lá e deixá-lo sozinho com o casal, o jeito era torcer para que Georgie voltasse logo.
- Acho que vou até o bar pegar outro drink, o meu já acabou faz tempo.
- Vou com você, já que esses dois esqueceram que a gente existe.
William e Elizabeth tinham feito os pedidos e estavam aguardando no bar quando a banda fez um intervalo. As pessoas que estavam dançando começaram a se movimentar para ir ao outro espaço durante o intervalo e com receio de que eles se perdessem um do outro William segurou a mão de Lizzie enquanto voltavam pra mesa.
Ela se assustou com aquele comportamento, mas entendeu o motivo, realmente se não tivessem cuidado se perderiam devido à quantidade de gente. Mas aquele toque, como tudo que vinha de William Darcy, estava mexendo mais com ela do que esperava. Precisava analisar seus sentimentos e pensamentos e tentar colocar a cabeça em ordem, mas não era hora pra isso, ela saíra àquela noite para se divertir e era isso que ia fazer.
William vinha na frente segurando a mão de Lizzie enquanto ela seguia atrás dele, quando estavam chegando à mesa ele reparou que tinha um homem em pé conversando com Charles e Jane, mas não reconheceu. Quando Elizabeth viu já era tarde. O homem era Hugh e ele havia virado para eles naquele exato momento, e sua face denunciava que sua visão não era das mais agradáveis.
Ela soltou a mão de Will rapidamente e seguiu em direção ao namorado.
- Boa Noite, Felton.
Hugh não respondeu ao cumprimento de Darcy, apenas virou para Lizzie e, sem dizer nada segurou seu braço para guiá-la para um lugar onde pudessem conversar.
Mas para quem olhava a cena parecia que ele estava puxando a garota de forma grosseira, e sem pensar William o virou pelo ombro enquanto falava:
- Larga ela.
Hugh se limitou a dizer:
- Minha conversa não é com você.
William já ia revidar quando Lizzie disse:
- Jane, volto já. – tentando fazer com que a irmã entendesse que devia manter Darcy longe e puxou Hugh pra longe dali, ver uma briga entre aqueles dois era o que menos queria.
Jane e Charles fizeram com que Darcy sentasse e se acalmasse um pouco.
- Eles só vão conversar Will, não se preocupe. Tente entendê-lo, ele viu a namorada dele de mãos dadas com outro cara, deve ter achado estranho. Eles vão se acertar.
A última frase de Jane era a que William menos queria ouvir, mas não podia fazer nada. Ficou procurando Lizzie e Hugh com os olhos, mas não os viu mais. Os dois já estavam um pouco distantes num local menos cheio.
- E então? Você pode me dizer o que estava fazendo de mãos dadas com aquele playboy?
- Nós vínhamos do bar e ele segurou minha mão para não nos perdermos.
- Que desculpa mais ridícula, Lizzie, isso não existe.
- Talvez você não saiba disso porque não sai com a sua namorada, mas é normal amigos andarem de mãos dadas em locais como esse.
- Amigos uma ova. E não saio com você porque você não quer. Toco nessa boate há três semanas, aposto que você não sabia disso, pois é a primeira vez que você aparece onde eu estou tocando, e logo com quem. Faz tempo que os dois casais estão saindo juntos?
- Eu e Will não somos um casal e Georgianna veio conosco, foi ela que escolheu esse lugar, e se eu soubesse que você estaria aqui não teria vindo mesmo. Não gosto dessas músicas que você toca com a sua banda e você sabe disso.
- Agora “Will” – ele frisou bem o apelido – é seu amigo e anda de mãos dadas com você? Que inconstância de sentimentos. Para quem odiava o cara sábado passado ser amigo na sexta seguinte é de uma rapidez sem tamanho. Parece que aquele lanchinho de madrugada mudou bastantes as coisas. Ou você acha que eu não sabia? Eu me arrependi de ter ido dormir brigado com você e fui te procurar, e lógico que percebi que o tal Darcy não estava na cama dele. Mas encontrei uma cena tão tocante na cozinha que não quis atrapalhar. Qual é o próximo passo dessa grande amizade? Ela vai ficar colorida?
Lizzie estava espumando de raiva, nunca vira Hugh tão transtornado e ofensivo. Não sabia que ele vira os dois na cozinha, mas não havia acontecido nada demais. Ela precisava sair de perto dele senão perderia sua compostura.
- Eu já vou Hugh.
- Não agora, nós estamos conversando.
- Não, nós estamos discutindo e as pessoas já estão olhando. Amanhã se você quiser conversar me procure. Hoje não dá mais.
Virou as costas e rumou para o banheiro. Hugh por sua vez voltou para o palco, os amigos já estavam esperando para recomeçarem.
Do banheiro Lizzie ligou pra Jane e ela foi até lá.
- Você está bem?
- Depende. O Hugh conseguiu estragar minha noite, vou embora ok?
- De maneira nenhuma, respira fundo, retoca a maquiagem e vamos voltar pra mesa. A noite está apena começando, vamos nos divertir. Você veio pra dançar e é isso que vai fazer. Vamos até a mesa, beba alguma coisa para se acalmar e vamos dançar um pouco.
- Não Jane, curte sua noite com o Charles, pode deixar que eu me viro.
- Vem Lizzie, não estou pedindo, isso é uma ordem de irmã mais velha!
As duas sorriram. Lizzie seguiu o conselho de Jane e depois de retocar a maquiagem voltaram para a mesa. Quando iam sentar Lizzie percebeu que esquecera sua bebida no local onde estava com Hugh e disse a Jane que ia buscar algo pra beber.
- Deixa o Charles ir, é mais seguro.
Ela assentiu e Jane pediu a Charles que fosse até o bar, ela explicou que não queria que a irmã fosse e seria mais seguro se William e Hugh não se encontrassem. Charles concordou e foi até Lizzie.
- Mais um Tea Tine?
Sem pensar Elizabeth disse:
- Não Charles um uísque, duplo, por favor.
Ele aquiesceu e foi até o bar, voltou pouco depois com cervejas, outro drink pra Jane e o uísque de Lizzie.
Ela agradeceu e tomou quatro goles de uma vez, fazendo uma leve careta depois. Todos imaginavam a tensão que tomava conta dela, mas não fizeram nenhum comentário. Charles puxou outro assunto e logo aquele incidente parecia ter sido esquecido.
Depois do segundo uísque Elizabeth levantou de uma vez e disse que ia dançar, não esperou que ninguém respondesse e se dirigiu até a pista que o DJ tocava músicas remixadas dos anos 80 e encontrou Georgianna e as amigas dela, Kitty, Lydia e Mary que eram irmãs. Georgie apresentou-as a Lizzie torcendo que Lydia fosse discreta e não tocasse no nome de Hugh, pois morria de medo que a amiga que considerava como uma irmã descobrisse que ela era completamente apaixonada pelo seu namorado.
George tinha saído após Dennis trocar alguns beijos com Lydia, mas continuou observando Georgianna.
As cinco estavam dançando muito animadas. As amigas de Georgianna adoraram Lizzie, ela já estava um pouco “alta” e por isso parecia bem animada.
Lydia reparou que o amigo de Dennis não tirava o olho do grupo delas, ficou observando até descobrir que ele estava reparando em Georgianna.
- Georgianna, George não tira os olhos de você.
- Onde?
A amiga indicou e seus olhares se encontraram. Ela virou tímida.
- Você não vai fazer nada?
- O que eu poderia fazer Lydia?
Ela respondeu impaciente:
- Olha pra ele pelo menos, o que te impede de dar alguma atenção ao garoto? Que eu saiba você não tem namorado e o cara que você gosta mal sabe que você existe.
- Shiii, fala baixo Lydia, a Lizzie não pode escutar.
- Então, você vai passar a vida sofrendo por ele? Dá uma chance ao gatinho, vai que vocês se dão bem!
Georgianna decidiu seguir o conselho da amiga, afinal, já passara muito tempo sofrendo por aquele amor não correspondido e olhava de vez em quando na direção do rapaz, dando esperanças para que ele voltasse a se aproximar.
**
William estava inquieto, Jane comentou que Lizzie nunca bebera uísque antes e ele ficou preocupado. Ela queria ir até a pista dar uma olhada na irmã e deixou os amigos conversando.
- A Jane quer ir embora e levar a Lizzie, ela está preocupada com o pilequinho da irmã, mas eu ainda queria conversar com ela hoje a sós.
- Conversar Charles? É só o que vocês fazem.
- Não é bem conversar Will, eu queria ficar sozinho com ela afinal vou embora amanhã. Você ficaria aqui com a Lizzie e a Georgianna?
- Tudo bem, não se preocupe, mais tarde a gente se fala.
- Valeu cara, vou procurar a Jane, tentar convencê-la a deixar a irmã com você.
- Eu te acompanho e fico por lá mesmo. Já cansei do som dessa bandinha.
Os dois se dirigiram a pista e pouco tempo depois encontraram o grupo das garotas.
Charles abraçou Jane por trás e lhe beijou o pescoço. Ela sorriu e virou-se pra ele.
- Temos um problema, Lizzie não quer ir pra casa, disse que vai dançar até cansar.
- Vamos fazer assim, vamos sair nós dois, eu queria conversar com você, o Will fica com as meninas e deixa Lizzie em casa mais tarde.
Jane ficou em dúvida, entre o que Charles poderia querer com ela e a preocupação com a irmã. Will tinha cochichado para Lizzie os planos de Charles, e ela ainda estava consciente o suficiente para ajudar a Jane. Foi até ela deu um beijo em seu rosto e disse em seu ouvido:
- Pode ir Jane, estou ótima, prometo não dar trabalho para o Super Mr. Darcy!
Jane sorriu com as palavras da irmã.
- Tem certeza?
- Absoluta.
Então o casal se despediu de William, Georgianna e Lizzie e saíram.
George Wickham reparou quando mais pessoas chegaram ao grupo das meninas, tinha impressão de conhecer um dos homens de algum lugar, mas não se recordava de onde.
William ficou um pouco distante bebendo sua cerveja e observando de longe as garotas dançarem. Na verdade ele observava certa mulher em especial. Ele estava encantado com a maneira que ela dançava, parecia tão leve, tão à vontade no meio daquelas adolescentes, nem parecia à mulher adulta e responsável que era. Ele estava cada vez mais encantado com a pessoa que Lizzie tinha se tornado.
Lizzie deixou as garotas um pouco e foi pegar mais um uísque, William a seguiu com o olhar até que ela chegou ao bar. Ele andou até ela para tentar impedir, mas chegou tarde, ela já havia recebido o copo do barman.
- Lizzie?
- Oi Will! Se divertindo?
- Bastante, mas está na hora de parar de beber.
- Por quê? A noite mal começou!!
- Não senhora a noite já está perto do fim, esse é o último. Isso é uma ordem.
- Uma ordem? – Lizzie gargalhou – Algumas coisas nunca mudam não é?
Ela usou as mesmas palavras que ele proferiu naquela noite na cozinha de Netherfield.
- O que, por exemplo? – ele repetiu as palavras dela.
- Sua mania de achar que o mundo gira ao seu redor. – ela esvaziou o copo e ia pedir outro quando ele a puxou, como ela estava embriagada não teve forças para se manter onde estava acabou indo ao encontro do peito dele e se desequilibrou. William já estava segurando o pulso dela e enlaçou-a pela cintura com o outro braço e seus corpos ficaram firmemente colados.
Aquela aproximação era perigosa demais, no entanto o que ele menos queria era sair de perto dela. Ficou intrigado quando Lizzie se apoiou nos ombros dele e começou a gargalhar.
- O que foi, Lizzie?
Ela tentou responder várias vezes, mas não conseguia parar de rir.
- O mundo... – ela tentava falar, mas as risadas impediam que continuasse - Will, o mundo... – mais uma vez as gargalhadas a atrapalharam.
- O que tem o mundo, Lizzie? – ele também sorria achando graça naquilo tudo.
Ela se afastou um pouco dele o suficiente pra respirar fundo, parou de gargalhar e olhou pra ele ainda sorrindo:
- Pela primeira vez o mundo está girando ao meu redor.
Os dois caíram na gargalhada, mas não se soltaram. Georgianna ficou preocupada com a demora de Lizzie e seguiu para o bar com Mary enquanto Kitty e Lydia dançavam. Ela se surpreendeu com a cena dos dois sorrindo abraçados e Mary lhe falou:
- Não dou um mês para sua amiga-rival virar sua cunhada.
- O quê?
- Presta atenção no modo como eles se olham.
Georgianna reparou e percebeu que eles faziam mesmo um casal lindo. Não porque queria que Hugh ficasse livre ou Will deixasse Caroline, mas olhando os dois assim sorrindo abraçados parecia mesmo que eram um casal feliz.
William percebeu que Georgianna estava observando-os e se afastou de Lizzie sem deixar de segurá-la, pois percebeu que ela já não ia ficar segura sem o apoio dele.
- Vamos embora? Preciso deixar a Lizzie em casa.
- Posso ficar? O pai de Mary me leva mais tarde.
- Tem certeza? Preferia que você fosse, não sei se meus padrinhos iriam gostar se eu chegasse lá com a Lizzie nesse estado.
- Ela não mora mais na casa do tio Anthony, Will. – a garota então explicou onde ficava o apartamento de Lizzie e garantiu ao irmão que ficaria bem sozinha.
- Ok, mas não demore.
- Tudo bem!
Ela deu um beijo no irmão e outro em Lizzie e os dois saíram.
Wickham voltou a se aproximar de Georgianna e ficaram conversando afastados do grupo. Ele acabou descobrindo que o homem que saíra a pouco era William Darcy, irmão dela, e lembrou-se que isso significava que os dois eram herdeiros de uma das maiores fortunas da Inglaterra. De posse dessas informações o interesse pela menina triplicou, era uma oportunidade ótima para refazer sua vida, afinal parecia que o que ela tinha de rica tinha de inocente, em breve se apaixonaria por ele e depois disso faria tudo que ele quisesse.
**
Durante o caminho Lizzie conversava e ria alto enquanto William achava graça nas coisas que ela dizia. Ela ligou o som do carro dele e começou a parodiar a música que estava tocando fazendo com que lágrimas saíssem dos olhos de Will de tanto sorrir. Ele parou em frente ao prédio dela, desligou o carro, desceu e foi buscá-la do outro lado. Depois que ele a ajudou a sair do carro ela parou na frente dele e disse:
- Eu adoro o som da sua gargalhada, eu nunca consegui esquecer.
Ele ficou impressionado com aquilo. “Como assim ela nunca conseguiu esquecer? Ela havia tentado esquecer-se dele? Ela tinha um motivo pra não querer lembrar-se dele?”. Só tinha uma coisa pra dizer:
- Eu também não consegui esquecer você... Quer dizer, seu sorriso.
Ela achou graça do embaraço dele e começou a gargalhar de novo.
- Pssssssiu, - ele disse preocupado – Lizzie, pára de rir, já estamos no seu prédio, você vai acordar todo mundo.
- Ok Super Darcy. Vou falar bem baixinho, melhor assim? – ela sussurrava próximo ao ouvido dele deixando-o completamente arrepiado.
- Assim está melhor, vamos subir. – ele achou graça do “Super Darcy” e perguntou o motivo daquele apelido.
- É obvio, mais uma vez estou sendo salva pelos seus poderes sobre humanos, o defensor das meninas jogadoras de futebol e das atrapalhadas que torcem o pé, mais uma vez entrou em ação auxiliando uma pobre mulher levemente embriagada a chegar em casa!
- Levemente é? Sei... – os dois sorriram – Mas não tenho nenhum poder sobre humano.
“Sobre mim você tem”, Lizzie pensou.
Foram quase em silêncio o restante do percurso do elevador até o apartamento, e ao chegarem ela pegou a chave na bolsa e entregou pra ele dizendo com um sorriso maroto:
- Eu sei que não vou conseguir abrir!
Ele riu e tomou as chaves da mão dela, abriu a porta e eles entraram. Ela sentou no sofá e acendeu a luminária que ficava do lado, deixando a sala que antes estava completamente escura um pouco mais clara. Will não conseguia ver os detalhes do apartamento, mas localizou uma poltrona e sentou de frente para ela.
- Passou a crise de riso?
- Eu acho.
Ela encostou a cabeça no sofá tirou as sandálias e começou a cantar baixinho. Foi levantar e William se aproximou com medo dela perder o equilíbrio e cair, ele segurou as mãos dela enquanto ela levantava, mas não conseguiram soltar as mãos. Ela continuou cantando olhando pra ele, se aproximou ainda mais e colocou as mãos de Will na cintura dela, ficando na ponta dos pés e enlaçando o pescoço dele com os braços encostando sua cabeça no ombro dele.
Lizzie começou a mover o corpo bem lentamente e ele acompanhou. Os dois dançaram juntos até a música que ela estava cantando chegar ao final. Eles pararam e continuaram abraçados, William levou a mão a face dela e tocou de leve de sua têmpora até seu queixo fazendo Lizzie soltar um gemido baixo.
“Meus Deus eu preciso me controlar, ela não está em seu estado normal” – ele pensou lutando para não romper todo o minúsculo espaço que separavam seus rostos.
De repente a porta abriu e Hugh entrou e acendeu a luz. Lizzie fez uma careta por causa da claridade e em um segundo parecia que todo o efeito do álcool tinha se esvaído, ela olhava de William para Hugh, e, por algum tempo parecia não saber o que fazer.
Respirou fundo e sua consciência pareceu voltar, foi até Hugh que continuava parado ao lado do interruptor com a face transtornada.
- Ent... – antes que ela terminasse ele interrompeu.
- Vou pra casa, pelo visto estou sobrando aqui.
Ela subiu o tom de voz pra falar mais alto do que ele e repetiu o que acabara de dizer.
- Entra por que a gente vai conversar agora.
Ele rumou para o interior do apartamento encarando William com fúria o tempo todo.
Lizzie foi até William:
- Obrigada por me trazer, desculpa todo esse transtorno, mas agora você pode ir tranqüilo.
- Não vou deixar você com esse cara. – Hugh já ia falar algo quando novamente ela elevou levemente o tom de voz:
- Esse – Hugh calou-se e ela voltou a seu tom normal. – esse cara é o meu namorado. Não se preocupe pode ir tranqüilo.
Não havia mais nada que ele pudesse fazer, virou as costas e saiu do apartamento. Elizabeth fechou a porta e se voltou para Hugh:
- Vou tomar um banho e não demoro, você me espera aqui. – e entrou em seu quarto.
*
Enquanto isso Georgianna estava cada vez mais encantada por Wickham, ele tentara beijá-la algumas vezes, mas ela se afastara delicadamente alegando ainda estar muito cedo, trocaram telefones antes de irem embora e ela se afastou com as amigas, com a impressão de que ele iria cumprir a promessa de lhe telefonar.
*
Jane e Charles foram até a casa dela, ficaram namorando em silêncio no sofá da sala para não acordar os pais dela. Jane estava apreensiva, afinal ele iria embora no outro dia, e não saberia se iria vê-lo outra vez. Charles estava nervoso e indeciso, tinha vontade de falar com ela sobre o que estava sentindo, mas se sentia inseguro demais para isso. Queria aproveitar cada segundo ao lado dela e a beijava de forma quase desesperada, tomando posse de sua boca como se fosse a última vez que se veriam.
A principio Jane se assustou com aquela atitude dele, mas também era aquilo que queria, então se entregou completamente aquele momento. Eles já estavam completamente sem ar, Charles então se afastou um pouco e ficou admirando a bela face daquela mulher. Ela estava um pouco vermelha por causa do atrito entre seus rostos, e sua expressão lhe passava uma sensação de plenitude que lhe dava vontade de passar o resto de seus dias ao lado dela. Estava decidido, precisava tentar, não importava a resposta dela, não poderia ir embora com essa dúvida no peito.
Tomou as mãos dela nas suas, começou então a falar mirando-as já que não conseguia sequer olhar em seus olhos:
- Jane, - ele respirou fundo tomando coragem - pode parecer precipitado, de certa forma talvez até seja, mas existe algo que eu preciso falar.
Ela balançou a cabeça encorajando-o.
- Você é uma mulher linda, bem sucedida, educada – ela sorriu tímida, balançando a cabeça como se fosse exagero dele – e humilde também! – ele sorriu nervoso.
- Esses dias que passei ao seu lado têm sido maravilhosos, nem nos meus maiores sonhos eu imaginei que essa viagem me faria conhecer a mulher mais perfeita que eu sequer imaginei existir. É por isso que estou tão inseguro pra dizer isso. Eu tenho uma carreira em desenvolvimento em Paris, tenho meus projetos, meus planos, assim como você tem os seus aqui. E apesar de nossos países serem relativamente perto um oceano nos separa.
Jane começou a sentir medo, por mais que ela tentasse não nutrir esperanças em relação a um futuro juntos ouvir isso de Charles seria mais dolorido do que ela imaginara. Porque ele apenas não se despedia e ia embora? Por que ela teria que ouvir aquilo tudo dele?
- Imagino também que não faltam homens caindo aos seus pés, e a espera de qualquer sinal seu para se aproximarem, mas... – ele respirou um pouco juntando outra vez - ... mas se você disser que eu tenho uma chance eu estou disposto a correr todos os riscos que um namoro a distância podem trazer.
Ela sorriu aliviada! Como ele era bobo! Esperara a semana inteira por aquelas palavras e quase perdera os sentidos tamanha a expectativa quando ele começou a falar. Não acreditava que ele ainda tinha dúvidas sobre os sentimentos dela. Charles estava dividido, ela sorria, mas permanecia calada, será que não deveria ter dito nada? Já estava começando a se arrepender quando ela disse:
- Do que adianta ter todos os homens caindo aos meus pés se eu só tenho olhos pra você? – foi à vez de ele sorrir aliviado. – Provavelmente vai ser difícil não te ver mais todo dia, assim como certamente vou ficar insegura com você perto das francesas, mas a distância pode ser facilmente transposta, afinal estamos no século XXI e existem vôos diários entre Londres e Paris!
A felicidade emanava daquele casal, que mais uma vez se entregavam aos beijos e carícias. Ficaram juntos até quase amanhecer, tecendo planos e marcando as melhores datas para se reencontrarem.
*
Depois de tomar banho Lizzie voltou a sala com os cabelos molhados, uma blusa e um short de dormir, sentou no sofá ao lado de Hugh e disse:
- Pode perguntar. – ela sabia que ele estava cheio de dúvidas em relação ao que tinha acabado de ver.
- O que aquele playboy estava fazendo aqui?
- Jane foi embora da boate mais cedo com Charles e William me trouxe porque eu bebi demais depois da nossa discussão e não ia conseguir chegar em casa sozinha.
- Por que você não me chamou?
- Primeiro porque você estava trabalhando, depois porque após a nossa discussão você era a última pessoa que eu queria ver.
- Porque vocês estavam abraçados no escuro?
- Nós estávamos dançando.
- Sem música?
- Hum rum. – Lizzie preferiu omitir o fato de estar cantando.
- E depois da dança o que vocês iam fazer? – ele perguntou com ironia.
- Nada Hugh, eu estava bêbada e não louca.
- Lizzie como você trás um cara pra casa estando bêbada? Ele ia se aproveitar de você. Deixa de ser ingênua.
- Você deve estar confundindo as irmãs, a ingênua é a Jane. Foi ele que fez o favor de me trazer em casa e não eu que o trouxe. E ele não ia se aproveitar de mim, como disse mais cedo ele é só meu amigo.
- É isso que não entendo, você me disse que o odiava, como agora ele é seu amigo?
- É uma longa história Hugh.
- Eu tenho todo o tempo do mundo.
- Ok, - ela respirou fundo antes de continuar - eu, Jane, Will e Georgie sempre fomos muito próximos por causa dos nossos pais. E William era meu melhor amigo até que ele foi embora pra França, nós brigamos pouco antes dele viajar e só voltamos a nos ver a uns 20 dias atrás quando ele voltou.
- A mágoa que eu tinha dele ainda era muito grande, aliás, ainda é, mas naquela noite em Netherfield nós meio que fizemos as pazes e estamos tentando nos dar bem de novo.
- Por que vocês brigaram?
- Coisa de criança, nem lembro mais. Alguma coisa sobre cavalos. – ela mentiu, não estava preparada pra falar sobre o beijo dos dois, ela nunca falara daquilo nem pra Jane.
- Se era só isso porque tanta raiva?
- Porque eu me considerava certa e achava que ele tinha a obrigação de me pedir desculpas.
- Vocês são só amigos mesmo?
- Sim. – ele percebeu que uma lágrima descia no rosto dela.
- Isso tem algo a ver com o jeito que a sua mãe me trata?
- Não. – a pequena lágrima deu lugar a várias. – quer dizer, um pouco.
Ele não estava preocupado se isto estava fazendo Lizzie sofrer, ele queria entender de vez aquela estória toda e tinha de ser já.
- Eu estou ouvindo. - Ele cruzou os braços e ficou olhando para a namorada que parecia não estar muito a vontade com aquela conversa.
- Nossas mães sempre desejaram que nós dois uníssemos as duas famílias com um casamento quando fôssemos adultos, e nós de certa forma alimentamos essa esperança, pois éramos extremamente unidos quando crianças. Acho que até hoje minha mãe acredita que isso possa vir a acontecer. Por isso ela nunca fez questão de tratar bem nenhum dos meus namorados.
- E o que você acha disso?
- Isso é um completo absurdo, é óbvio. Ninguém passa a vida com outra pessoa por causa de uma amizade infantil e um desejo de outras pessoas, mesmo que esse desejo seja da minha mãe.
Ele começou a se sentir culpado pelo estado da namorada, ela estava mesmo péssima.
- Desculpa Lizzie, para de chorar vai.
Ela permaneceu calada.
- Eu já pedi desculpas Lizzie, o que você quer mais?
- Eu quero ficar sozinha.
- Tudo bem, amanhã eu volto, mas para de chorar.
- Eu quero ficar sozinha de verdade Hugh, não quero que você volte amanhã, nem depois de amanhã, eu não posso mais namorar você.
- Lizzie, ninguém termina um namoro por causa disso, Eu gosto de você, a gente vai superar tudo isso e...
- Não é por causa disso, são vários motivos. Nós não estamos felizes um com o outro, ultimamente só temos nos desentendido. Parecemos dois irmãos, até na cama onde nos dávamos bem estamos com problemas.
- Nós não estamos com problemas na cama.
- Não? Talvez porque ela nem seja mais usada. Você tem noção de quantos dias nós estamos sem dormir juntos?
- Isso não importa, desejo não é algo que se force, ou ele existe ou não existe.
- Exatamente, e no seu caso não existe.
- Não Lizzie, você entendeu errado. Só não estou muito a fim ultimamente.
- Não está a fim ou tem outra pessoa?
- Não, não tenho outra pessoa. Elizabeth, escuta, vai ficar tudo bem, vamos esquecer esse assunto.
- Eu não vou esquecer Hugh. Para de adiar o inadiável. Nosso relacionamento está definhando. Minha concepção de namoro não é essa. Se nós estamos sofrendo é porque não dá mais certo. Eu cheguei ao meu limite, não dá mais. E eu sei que você também pensa isso, só falta assumir.
- Lizzie a gente se gosta, vai ficar tudo bem.
- Não vai. Só gostar não basta, nós somos muito diferentes Hugh. Não dá.
- Lizzie olha pra mim, você me ama?
Ela permaneceu em silêncio por um tempo antes de responder, não sabia o que dizer, nem queria magoá-lo.
- De verdade não sei Hugh, eu gosto muito de você, mas não estou disposta a continuar sofrendo, isso não é saudável pra nenhum de nós. Na verdade parece que estamos juntos mais por comodismo do que qualquer outra coisa.
- Eu não estou com você por comodismo.
- Então vamos tirar a prova. Vamos nos separar, você vai perceber que eu estou certa.
- Lizzie isso não é uma brincadeira pra se provar nada. Você tem certeza que quer terminar?
- Tenho. – ela respondeu com a voz embargada. – mas antes me responde também, você me ama?
Ele ficou nervoso, não sabia mais o que sentia por ela. Era uma mistura de posse, medo do novo, insegurança, tudo misturado.
- Acho que sim. Ultimamente tenho estado confuso também, mas nunca gostei de alguém como gosto de você.
- Isso não significa que você não possa vir a gostar mais de alguém um dia.
- Você quer mesmo terminar?
- Sim.
- Tudo bem então, dessa vez eu não vou tentar fazer você mudar de idéia. Agora é pra sempre. Também não queira que eu seja seu amigo, acredito que isso não é possível. Espero de verdade que você seja feliz Elizabeth, seja lá com quem for.
Virou as costas sem deixar que ela respondesse e sem olhar pra trás fechou a porta atrás de si, chegou até o térreo, subiu na moto e seguiu pelas ruas desertas na madrugada Londrina. Não sabia dizer se estava triste, também não se sentia feliz, era algo como alívio. Gostava de Lizzie, disso tinha certeza, mas algo estava fora de lugar, e ele tinha quase certeza que era ele. Precisava se achar, mudar, enfrentar seus medos, e chegara à hora, era isso que ia fazer. Talvez um dia quando tudo estivesse resolvido eles voltassem a se entender, ou não.
Lizzie trancou a porta e sentou encostando suas costas nela enquanto dava margem para que toda dor que estava sentindo se esvaísse pelas suas lágrimas. Sua vida daria uma guinada agora, ela sabia disso e de certa forma tinha um pouco de medo, não sabia o que viria dali pra frente.
**
Já em casa William ainda não entendia porque ela tinha feito aquilo e ainda por cima estava preocupado, não conhecia aquele sujeito direito e não sabia o que ele seria capaz de fazer. Era ele que devia ter ficado lá e não aquele projeto de James Dean, porque ela o escolheu depois de toda briga que eles tiveram antes? Entrou no banheiro com raiva de si mesmo. Elizabeth era namorada de Hugh e não dele, porque passou pela sua cabeça que ela iria preferir que ele ficasse lá? “Os dois se merecem, preciso deixar de pensar nisso.”
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