Citações

A imaginação de uma dama é muito rápida, salta da admiração ao amor, e do amor ao matrimônio, num momento. (Jane Austen)

Outra Vez - Capítulo III

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Trilha sonora: Exagerado – Cazuza

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Depois da ceia de Natal Fitzwilliam e Michelle foram ficando mais próximos e ele acabou percebendo a companhia dela como bastante agradável, isso fez com que eles tivessem mais contato e fossem se conhecendo melhor. Em determinado momento Michelle já estava tão presente na sua vida e já havia conquistado inclusive seus filhos que ele não teve dúvidas e lhe propôs casamento.


No entanto essa união não agradou a todos, Catherine Collins, irmã de Fitzwilliam não gostou de Michelle, assim como ela não gostava de Anne, devido a suas origens simples, e não entendia como um Darcy rico e cheio de posses podendo ter qualquer mulher no mundo escolhia uma reles secretária da empresa. Mas como mais uma vez seus desejos não seriam considerados preferiu não se indispor com o irmão, mas faria de tudo para afastar seus sobrinhos dessa influência que ela considerava ruim.


Com a expansão dos negócios da família para a França ela decidiu se mudar para Paris e cuidar pessoalmente desse novo projeto, aproveitou a oportunidade para convidar o sobrinho para ir morar com ela e seu esposo, já que estes não tinham filhos, desse modo tirariam William de perto de Michelle além de propiciar uma excelente educação universitária e cultural para ele.


Por enquanto não levaria Georgianna por ela ser muito pequena, mas assim que ela adquirisse idade escolar razoável iria procurar um colégio interno para ela e convenceria o irmão a entregar-lhe a garota.


William ficou bastante indeciso com o convite da tia, afinal era um adolescente e estava desejoso de conhecer o mundo, aceitou a oferta, embora estivesse um pouco incerto de sua decisão, mas a seu ver Paris era muito perto e se sentisse saudades saberia que seu pai e Georgianna iriam visitá-lo.


Nessa época ele tinha dezesseis anos e Lizzie treze e já não se davam mais tão bem como antes, ambos passavam pela difícil fase da adolescência, e, em sua opinião Lizzie estava insuportável, só andava com um bando de meninas fúteis e convencidas, enquanto que ele tinha um pequeno grupo de amigos da escola, ao passo que os dois acabaram se afastando.


Elizabeth sentia um carinho muito intenso por ele, mas eles haviam crescido bastante e ela não sabia mais como lidar com seus sentimentos. Além disso, suas aulas e seus cursos de idiomas e o balé ocupavam bastante o seu tempo e eles quase não se viam.


Quando as famílias se reuniam nas propriedades de campo, William sempre estava acompanhado de um amigo, mais um motivo para ela ficar afastada dele já que antes ele não levava ninguém e os dois passavam a maioria do tempo juntos. O que ela não tinha idéia era que William levava um amigo justamente porque não sabia lidar com sentimentos tão contraditórios em relação a ela.


Ele não entendia como a menina estava se tornando mulher tão rápido, o corpo de Lizzy que antes não chamava nenhuma atenção estava despertando em William sensações até o momento desconhecidas, as leves curvas que ela apresentava juntava-se a seu temperamento agora tão inconstante e não saiam da cabeça dele. Todos os seus amigos falavam de garotas e namoros, mas ele não conseguia querer mais ninguém além dela, imaginava os dois em Pemberley se beijando próximo a cachoeira, seu lugar preferido, mas acreditava que isso seria um absurdo pra ela.


Mal sabia ele que esses mesmos desejos passavam pela cabeça de Lizzy e que ela também acreditava que ele não a via como a jovem que ela se tornara, mas sim como a criança de sempre.


Fitzwilliam resolveu comemorar o aniversário de Georgianna e a despedida de William com uma festa em Pemberley e convidou seus compadres e algumas famílias de amigos e de alguns empresários que tinha negócios.


A festa seria a noite, mas Fanny e Anthony foram mais cedo com as crianças, para que Fanny ajudasse Michelle com os preparativos.


Lizzie convidou Jane para cavalgar com ela, mas diante da negativa da irmã que preferia ficar na piscina resolveu ir sozinha. Foi até a cocheira e pediu que o funcionário preparasse “Zeus” para ela.


- A senhorita tem certeza que quer o Zeus?


- Hun rum – disse sorrindo, - não se preocupe, não vou demorar, vou até a cachoeira, mas volto logo, talvez ninguém note a falta dele!


Lizzie sabia que Zeus era o cavalo de William, mas anteriormente ele sempre a deixava cavalgar no animal, mas hoje ela sentia que precisava provocar William de algum jeito, e sabia que ele ia sim sentir falta do animal, mas não se importava, pelo contrário, talvez isso fizesse com que ele fosse até ela.


Cerca de meia hora depois William resolveu cavalgar também, não fazia idéia de onde Lizzie estava, seus amigos ainda não haviam chegado e ele queria sair um pouco daquela algazarra de pessoas andando de um lado para o outro montando as mesas e a decoração, organizando os comes e bebes, preparando tudo para a festa. Foi até o coche e solicitou seu cavalo, não acreditando quando o funcionário lhe disse que Lizzie havia saído com Zeus.


- Como assim ela levou o Zeus? Com a permissão de quem?


- Desculpe senhor, mas ela disse que não havia problema nenhum, e como quando ela era menor andava no Zeus sem problemas acabei entregando o cavalo a ela.


- Tudo bem, não é culpa sua, ela que devia deixar de ser intrometida e não pegar o cavalo dos outros sem permissão. Prepare um cavalo veloz pra mim, por favor, vou atrás dela pegar o Zeus de volta, você sabe em que direção ela foi?


O homem indicou e William seguiu na direção da cachoeira a toda velocidade que o animal permitia, chegando em pouco tempo, mas diante da visão que estava tendo não teve coragem de dizer nada, só o que queria era ficar ali para sempre.


Lizzie estava deitada numa grande pedra, vestida num biquíni que deixava seu corpo ainda mais feminino, seus cabelos molhados brilhavam por causa do sol, que deixava sua pele radiante.


Ele não sabia dizer quanto tempo ficou admirando aquela cena, mas foi arrancado abruptamente da posição de observador quando Zeus, que estava preso a uma arvore não muito distante percebeu sua presença e relinchou.


Lizzie abriu os olhos para saber se havia acontecido alguma coisa com o cavalo e assustou-se ao se deparar com William em cima de outro animal próximo a cachoeira, não sabia há quanto tempo ele estava lá. Ele estava exageradamente lindo com os cabelos assanhados pelo vento, o rosto um pouco rosado por causa do esforço da corrida e do sol e os olhos azuis mais brilhantes. Não sabia o que dizer e arriscou um oi, mas estava tão nervosa que acabou falando mais do que pretendia.


- Oi Will, resolveu se refrescar também? Hoje está realmente um dia muito quente e a água está uma delícia!


- Na verdade eu vim buscar meu cavalo, você não deveria tê-lo pego sem minha permissão. – seu tom saiu mais grosseiro do que almejava, ficou nervoso por ter sido descoberto observando-a silenciosamente.


- Oh, com tantos cavalos que vocês têm não acredito que você veio até aqui só por causa desse aí. – ela provocou.


- Zeus não é esse aí. Ele é o meu cavalo, e você poderia ter pegado qualquer um menos esse. Você pensa que é quem pra se sentir a dona do cavalo dos outros?


Lizzie se arrependeu amargamente por ter saído com o cavalo quando ouviu essas palavras, ele não tinha noção do quanto estava sendo grosso com ela. Ela levantou-se de uma vez para enfrentá-lo quando escorregou na pedra molhada torceu o pé e caiu na água, por sorte não tinha pedras no lugar onde ela caiu, mas era bastante fundo, e como ela não conseguia nadar com a dor que sentia no pé começou a engolir muita água e afundar.


A princípio William se assustou com o escorregão da garota, mas ela havia caído na água e não deveria ter se machucado, mas como ela demorou muito para emergir desceu do cavalo tirou a blusa rapidamente e saltou na água, nadando até Lizzie e ajudando-a a sair da cachoeira.


Ela tossia por causa da água que acabou engolindo, e logo depois começou a chorar por causa do susto e da dor que estava sentindo no pé. Por alguns segundos tinha pensado que ia morrer, ainda bem que William a salvara.


Ele não sabia mais o que fazer, já havia a tirado da água e sentado ao lado dela na sombra de uma árvore próxima a que Zeus estava. Por não saber o que dizer diante daquele choro acabou abraçando-a, ela não se opôs e se aninhou nos braços dele, que sentia um prazer indescritível em tê-la ali tão perto. Lizzie foi se acalmando aos poucos, até que parou de chorar, mas não o soltou, estava se sentindo muito bem nos braços de William, pra ela o mundo podia acabar ali naquele momento que ela estava satisfeita.


Ele tocava as costas nuas dela com a ponta dos dedos e fazia um movimento simples, subindo e descendo suas mãos pela linha de sua coluna, do meio das costas até o pescoço, até perceber que ela estava ficando arrepiada


- Você está com frio? Vou pegar a minha blusa para você. - disse isso enquanto começava a se levantar, quando ela o segurou e impediu que ele se levantasse, olhando em seus olhos enquanto dizia:


- Não, fique aqui comigo.


Ele não sabia que ela estava daquele jeito por causa de seus toques, e não por causa do frio.


William voltou ao seu lugar e abraçou-a novamente. Ele sentia uma urgência muito grande de beijá-la, já não estava mais conseguindo se controlar e viu esse pedido dela como um convite.


- Lizzie...


Ela levantou o rosto e encarou-o, ele aproximou sua face do rosto dela e estavam extremamente próximos quando se assustaram com o barulho de um cavalo correndo. Os dois foram arrancados bruscamente daquela atmosfera tão propícia para um romance ao perceberem que o cavalo que Will tinha vindo à cachoeira já estava longe. Ele estava tão preocupado quando Lizzie caiu que se esqueceu de prendê-lo, e agora o animal tinha fugido.


Por mais que os dois quisessem continuar o que quase tinha acontecido não sabiam mais como recomeçar.


Lizzie então lembrou o motivo da queda, estava levantando para discutir com William por causa do cavalo então se soltou de seus braços e disse:


- Bem Will, se era seu cavalo que você queria aí está ele. Fique a vontade.


Ele não acreditou que ela tivesse dito isso. Estava tudo tão bem até poucos segundos atrás, porque aquele maldito cavalo tinha que fugir e tirá-los daquele momento?


- Não preciso ficar a vontade com meu próprio cavalo. – falou isso enquanto se levantava bruscamente, apanhou sua blusa e andou em direção a Zeus.


Montou rapidamente e saiu, a cachoeira não era tão distante e ela caminharia até a casa sem problemas. Depois de cavalgar um pouco lembrou que ela poderia ter se machucado e voltou pra ver se ela precisava de ajuda, mesmo que ela não merecesse, ele era um rapaz educado, se ela não precisasse ou não quisesse ele seguiria para casa sozinho outra vez.


Ao voltar Lizzie já havia vestido sua roupa por cima do biquíni e estava caminhando com visível dificuldade.


- Você se machucou com a queda? – ele perguntou verdadeiramente preocupado.


- Torci o tornozelo, acho. Mas não precisa se preocupar creio que não vou morrer por causa disso.


- Suba no cavalo, eu te levo de volta.


- Não precisa, eu agüento ir andando. – a dor no tornozelo estava insuportável, mas ela não queria dar o braço a torcer aceitando aquela oferta depois da confusão que ele havia feito por um simples cavalo.


- Você que sabe. – dizendo isso foi virando cavalo ruma a casa novamente, mas logo ouviu a voz dela e se voltou, vendo uma careta de dor em seu rosto.


- Will... – ela o chamava a contragosto, mas sabia que não agüentaria andar, sentia uma dor horrível, e por mais que não quisesse admitir precisava sim de ajuda.


Ela nem precisou completar a frase, ele se colocou ao lado dela e a ajudou a subir no cavalo. Senti-la tão próxima de si novamente era agradável e se não fosse pela dor que ela estava sentindo ele iria prolongar a volta para casa o máximo possível.


Pouco tempo depois chegaram a casa, Michelle e Fanny que estavam no jardim orientando os empregados na arrumação das mesas estranharam a chegada dos dois juntos no mesmo cavalo e se aproximaram. Jane que havia saído a pouco da piscina se aproximou também para entender o que estava acontecendo afinal viu que sua irmã tinha saído sozinha.


William apeou o cavalo, desceu e ajudou Lizzie a desmontar, enquanto explicava as mulheres que ela havia torcido o pé.


- Oh, como você vai calçar as sandálias lindas que eu comprei para a festa? Lizzie, o que você queria torcendo o pé? Porque não ficou aqui como Jane? Poderia ter nos ajudando a organizar a festa.


- Fanny agora não há nada que possamos fazer quanto a sandália de Lizzie, do jeito que seu tornozelo está inchado acho melhor a levarmos até a cidade para tirar um raio-x, talvez ela tenha quebrado o pé. – Michelle falou.


- Não precisa de raio-x, vou descansar um pouco e a noite já estarei bem. – Lizzie tentou tranqüilizar a mãe e a tia.


O tratador dos cavalos que havia se aproximado para recolher Zeus e levá-lo para a cocheira ouviu parte da conversa e pela experiência que tinha com os animais observou que o problema no tornozelo de Lizzie era mais grave do que parecia.


- Desculpe me intrometer senhoras, mas acho que seria conveniente levá-la mesmo até a cidade, não sei se lá tem aparelho de raio-x pois só tem um pequeno posto de saúde, mas talvez o médico possa examiná-la melhor.


- Concordo com você James, – Michelle disse - e está decidido, vamos levar Lizzie ao hospital, chame o motorista e o senhor Bennet, por favor.


- Sim senhora. - E antes que saísse William pediu também que depois ele fosse procurar o cavalo que ele havia pegado para cavalgar, pois este havia fugido.


- Eu não posso ir porque ainda tenho muitas coisas a organizar antes que os convidados cheguem, e você só iria atrapalhar Fanny, deixe que Anthony e Jane levem Lizzie. - disse Michelle.


- Assim é melhor, não tenho nervos pra visitas a médicos mesmo.



- Eu também posso ir. - Will ofereceu-se preocupado.


- Seus amigos devem estar chegando meu príncipe, - Michelle se referia a Will de forma carinhosa - não seria mais adequado esperá-los aqui?


A decepção que William e Elizabeth sentiram não foi compartilhada entre os outros, de forma que tudo ocorreu como Michelle havia decidido. Logo o motorista e o Sr. Bennet aparecerem e juntamente com Jane levaram Lizzie para o posto médico enquanto ela relatava a eles como o acidente havia ocorrido, sem, contudo mencionar a discussão com William.



O posto de saúde não tinha mesmo aparelho de raio-x, mas assim que o
médico examinou Lizzie sabia que se tratava de uma luxação, e teve que engessar seu pé.


Lizzie soltou um muxoxo de insatisfação enquanto o médico fazia a imobilização. Ele achou graça e perguntou o motivo de tanto descontentamento.


- Como vou dançar na festa hoje com o pé engessado? Ninguém vai querer dançar comigo assim. – ela na verdade só queria que uma pessoa dançasse com ela, mas não nutria muitas esperanças de que isso aconteceria depois de tudo que havia acontecido naquele dia, e ainda mais agora que estava colocando o gesso.


- Sinto informá-la senhorita, mas além de ficar sem dançar eu aconselho que você nem coloque o pé no chão por hoje.


- Como assim, quer dizer que ficarei a festa toda sentada?? Sendo assim prefiro nem descer do quarto. – cruzou os braços zangada e fechou a cara, fazendo com que Jane e o médico sorrissem.


O médico terminou com os procedimentos e receitou um antiinflamatório e um remédio para dor, que o Sr. Bennet comprou na farmácia que ficava perto dali e depois seguiram de volta para Pemberley.


Lizzie foi levada para o quarto que estava dividindo com Jane e permaneceu a tarde toda deitada, dormiu um pouco porque a aventura do dia havia a deixado bastante cansada, ao acordar tinha uma bandeja com lanches, possivelmente levada por Jane, ela devorou as delícias rapidamente, não havia percebido o quanto estava faminta, depois pegou um livro e começou a ler.


À tardinha sua mãe foi até o seu quarto e a ajudou a tomar banho, Jane escolheu um confortável conjuntinho de dormir, uma camisetinha sem alça e um shortinho, ambos de algodão pra ela e penteou seus cabelos, fazendo uma longa trança. Depois ficaram conversando enquanto sua irmã se arrumava pra festa.


- Lizzie, foi impressão minha ou você estava adorando voltar da cachoeira no mesmo cavalo que Will? Se não fosse sua careta de dor eu poderia acreditar que você passaria a tarde toda andando de cavalo com ele!!


- Você está louca, Jane? – Lizzy havia ficado absurdamente vermelha com o comentário da irmã – eu estava detestando a presença daquele, daquele...


- Daquele garoto lindo que pelo visto salvou a sua vida. Você deveria agradecê-lo por ter te tirado da cachoeira e te trazido de volta pra casa.


Jane já estava a par da discussão entre os dois que motivou a queda.


- Não tenho nada do que agradecer Jane, ele não fez mais do que sua obrigação. Foi por culpa dele que eu caí e machuquei meu tornozelo, se ele não tivesse feito confusão por causa de um simples cavalo eu não teria me levantado bruscamente e escorregado.


- Lizzy, você sabe que Zeus não é um simples cavalo. Will sempre foi louco por ele, se eu não fosse essa sua reação agressiva eu poderia dizer que você fez isso de propósito!


Lizzy não se segurou e começou a rir, dando a entender que sua irmã estava mesmo certa, não conseguiria esconder mais por muito tempo de Jane o quanto gostava daquele garoto.


- Elizabeth Bennet, quer dizer que fez isso de propósito??


- Na verdade sim, só queria que ele fosse até a cachoeira, a parte da discussão não foi proposital! Oh Jane estava tudo indo tão bem até que...


- Como assim estava indo tudo tão bem? O que estava acontecendo?


- Jane, nós quase nos beijamos, mas o cavalo que ele usou para ir até onde eu estava não ficou preso e acabou fugindo, aí recomeçamos a brigar e nada aconteceu.


- Oh Lizzie, vocês eram muito ligados quando eram pequenos, todo mundo dizia que um dia iam formar um casal lindo, mas com o tempo vocês foram se afastando e eu nunca imaginei que você gostasse dele.


- Mas eu não gosto dele Jane. – ela tentava enganar a si própria – só queria saber como é beijar alguém.


- Você não me engana Lizzie, você está gostando dele sim, mas agora não podemos mais conversar, tenho que descer antes que a mamãe entre aqui aos gritos, ela já está altamente estressada porque não pode exibir as duas filhas dela para os filhos dos empresários que tio Fitzwilliam convidou, imagine se eu demorar a descer!


- Ok, irmã, me traga pelo menos algumas coisinhas para beliscar mais tarde!


- Não se preocupe, de fome você não morre, a não ser que seja fome dos beijos de um certo rapaz!!


Lizzie sorriu e jogou o travesseiro na irmã que desviou e soprou um beijo pra ela, saindo do quarto e encostando a porta atrás de si.


A festa estava ótima, muitas crianças brincando, jovens fazendo certa algazarra e os adultos conversando, mas para William faltava algo, queria ver Elizabeth outra vez, ficava imaginando a roupa que ela usaria caso tivesse descido pra festa. Ele não se conformava com a proibição do médico em relação à Lizzie.


Seus amigos indagavam o motivo de seu mau humor, mas ele disfarçava, não queria falar sobre a verdadeira razão que o deixara assim. Resolveu subir e ficar um pouco em seu quarto, sentia vontade de vê-la, mas não fazia idéia de qual seria a reação de Lizzie se ele fosse até ela. Talvez se ele passasse em frente ao quarto dela a porta estivesse aberta e ela o convidasse para entrar, e conversassem um pouco, era uma possibilidade que ele estava decidido a explorar.


Quando se dirigia ao interior da casa viu Jane subindo as escadas com uma bandeja que deduziu ser para Lizzie.


- Oi Jane, vai levar isso pra Lizzie?


- Hunrum, ela deve estar faminta e mal humorada por não poder ter descido.


- Hum, ela já é zangada normalmente, e mal humorada então! – os dois sorriram.


- E você? Não está gostando da festa?


- Sim, quer dizer não. Não sei, estou um pouco entediado, vou subir um pouco.
- ele disfarçou.
Jane resolveu se aproveitar da situação pra tentar unir aqueles dois.


- William, posso te pedir um favor?


- Claro Jane.


- Estou adorando a festa e sei que se eu entrar no quarto Lizzie vai ficar me perguntando todos os detalhes, e eu não queria demorar, já que você vai subir você poderia levar essa bandeja pra ela por mim?


William adorou aquela idéia, teria um motivo perfeito para falar com Lizzie.


- Ok, passe a bandeja pra cá!


- Oh William, muito obrigada!


Jane entregou a bandeja para ele e voltou para a festa.


Will bateu levemente na porta do quarto de Lizzie, mas como ela estava só encostada acabou abrindo.


- Com licença, Lizzie?


Elizabeth não esperava por aquela surpresa, sentou-se na cama nervosa.


- Pode entrar Will.


- Vim trazer algo pra você comer, já que você não pode descer.


- Obrigada Will, eu já estava mesmo faminta. – ela respondeu de forma meiga e atenciosa, ao contrário do modo grosseiro que ela o havia tratado à tarde. Ele adorava aquele sorriso dela, e o modo como seus olhos apertavam quando ela sorria.


Ele sentou na cama de frente pra ela e colocou a bandeja em cima do travesseiro que estava no colo dela. Enquanto Lizzie comia ele falava sobre os convidados e as notícias da festa.


- ... então o Sr. Philip bebeu tanto que caiu no colo da Sra. Rarked.


- Aquela mulher enorme de mais de 100 quilos?!? – Lizzie perguntou.


- Essa mesma, aí você só pode imaginar que a cadeira não agüentou tanto peso e arrebentou!!


Os dois gargalhavam com a história que Will contava do incidente que havia ocorrido no jardim, mas de repente seus olhos se encontraram e o nervosismo que a proximidade entre os dois despertava falou mais alto. Will retirava a bandeja do colo de Elizabeth enquanto dizia:


- Bem, já que você terminou vou levar essa bandeja pra cozinha.


- Espera Will, eu queria falar com você.


Ele depositou a bandeja ao lado da televisão e voltou para perto dela, sentando-se ainda mais próximo.


- Eu ainda não te agradeci por hoje.


Ele a interrompeu:


- Não precisa agradecer Lizzie.


- Preciso sim, eu estava realmente me afogando e você me salvou, além disso, eu não conseguiria ter voltado a pé pra casa. É claro que nada disso teria acontecido se você não tivesse ido atrapalhar meu passeio por causa de um cavalo.


- Eu sei, eu fiz uma tempestade num copo d’água, acho que eu também te devo desculpas.


-Nossa, William Darcy está concordando comigo e ainda por cima assumindo um erro! Meu Deus, uma alma se salvou hoje!


- Lizzie, não fale assim, não quero brigar com você de novo.


- Ok, desculpas, temos uma trégua então, por enquanto! – Lizzie ria de maneira zombeteira e isso na opinião de William a deixava ainda mais linda.


Will olhava sério pra ela, e Lizzie ficava sem saber se ele estava zangado ou não. Ele começou a aproximar seu rosto do dela e algo que os dois esperavam tanto acabou acontecendo.


Seus lábios se tocaram levemente, e um tremor percorreu o corpo dos dois jovens, William enlaçou a cintura de Lizzy e se aproximou dela, colando seus corpos, ela por sua vez levou uma de suas mãos até o rosto dele e com a outra mão segurava levemente em seu pescoço. Nenhum dos dois sabia direito o que fazer, apenas seguiam seus hormônios e seus instintos.


Lizzie entreabriu seus lábios dando a deixa para William explorar a boca dela, suas bocas se tocavam levemente, como se tivessem todo o tempo do mundo pra curtir cada sensação. Aos poucos Will foi passando sua língua de leve pelos lábios dela, até invadir completamente sua boca, e o que começou com movimentos suaves foi aos poucos se intensificando, governados pelos desejos e sensações que afluíam deles. William começou a acariciar as costas de Lizzie e ela se contorceu com o prazer que o corpo dele provocava nela, involuntariamente apertou a nuca dele e desceu a outra mão pelo pescoço e pelos ombros dele, sentindo aqueles braços fortes em pleno desenvolvimento.


William a pressionou contra o encosto da cama e aprofundou o beijo, eles se beijavam numa ânsia incontida, tanto em função da espera por aquele momento e como pela própria fase que estavam vivenciando. Sem saber direito o que fazia Will começou a beijar o pescoço dela, inalando o cheiro bom que ela exalava enquanto subia sua mão pela barriga dela. Elizabeth estava inebriada com aquelas sensações, sempre imaginou que seria bom beijar Will, mas agora tinha a certeza que nunca imaginaria o quão perfeito estava sendo. O corpo dele pressionado contra o dela, as mãos dele no corpo dela faziam com que ela esquecesse o mundo, esquecesse quem era e onde estava. Naquele momento só existiam os dois e nada mais.


Mas um movimento de William a tirou daquele estado, ela empurrou-o bruscamente quando ele pousou a mão no decote da camisola dela. Por mais que ela ansiasse por ele, Will havia chegado num ponto onde ela não aceitaria. Foi um gesto tão natural e inconsciente que ele não percebera o que estava fazendo, e entendeu o fato dela ter o repelido.


- Lizzie – ele estava enrubescido – desculpe, eu...


- Sai daqui William.


- Mas Lizzie...


- Saia agora e dê Graças a Deus por eu estar presa a essa cama, senão eu levantaria e lhe mostraria o que você merece.


Ele saiu apressado e esqueceu inclusive da bandeja, correu para o seu quarto e tirou suas roupas deixando-as jogadas pelo chão, foi direto para o banheiro e entrou debaixo do chuveiro. Precisava de um banho frio para lhe acalmar, ele precisava refletir sobre tudo que havia acontecido.


“Ela deve estar com ódio de mim. Ela nunca mais vai querer nada comigo,
e com razão. O que eu estava pensando pra fazer aquilo? Foi algo tão, tão inesperado, eu nem sei como agi daquela forma, parecia que eu estava fora de mim.”


No outro quarto Lizzie também refletia sobre aquela situação enquanto respirava fundo, tentando colocar suas emoções em ordem.


“Quem ele pensa que é pra fazer aquilo? Ele foi muito ousado, quem ele pensa que eu sou? Será que fui muito oferecida? Oh, ele deve pensar que eu sou completamente louca por ele, que ódio!! Mas precisava estar tudo tão bom? Meu Deus que beijo, que boca, que tudo... aaaaaaaaaaaiiii, e não devia pensar nele assim, nunca mais olho na cara dele.”


Nenhum dos dois conseguiu conciliar o sono tão cedo, o que tinham vivido naquela noite fora intenso demais para deixá-los dormir, as lembranças, inseguranças e dúvidas sobre tudo que tinha acontecido ainda permeava a cabeça dos dois jovens.


Quando Jane subiu para deitar Lizzie fingiu que estava dormindo, não queria conversar com ninguém ainda, e sabia que não ia conseguir disfarçar sua apreensão para a irmã.


Na manhã seguinte Elizabeth não desceu para o café da manhã nem para o almoço, deixando William mais aliviado, por mais que ele quisesse vê-la tinha medo da reação dela.


No meio da tarde quando os Bennet foram embora foi a vez de Elizabeth se sentir aliviada, pois William havia saído para cavalgar e não voltara ainda.


Quando estavam no carro numa estradinha da propriedade que levava a rodovia Lizzie olhou pela janela com a sensação de que estava sendo observada, mas não viu nada.


Ela não percebera que William estava de longe vendo o carro se afastar em cima de seu cavalo que motivara toda a briga
do dia anterior.
 


Continua...

 

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