E se...?
Uma vez alguém me perguntou sobre a graça de escrever fanfictions, com o argumento de que não via muita vantagem em reler uma estória baseada em outra. Isso me fez pensar. Por que eu gosto de ler fanfics quando o original é incrivelmente melhor? Por que eu gosto de escrever fanfics quando eu não tenho nenhum conhecimento técnico relevante para escrever um bom texto? Afinal, se eu fosse uma boa escritora eu deveria estar escrevendo a minha estória, com os meus personagens, e não “plagiando” os personagens dos outros. Não precisei pensar muito para entender a resposta.
Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy são um marco na minha vida. Todo romance que eu leio, todo filme que eu vejo, todo amor que eu testemunho são, inevitavelmente, comparados ao amor que Jane Austen eternizou através de Orgulho e Preconceito. E eu imagino: E se “Lizzie” e “Darcy” vivessem na Inglaterra do século XXI? Ou no Brasil? Já imaginaram nosso casal predileto no calçadão de Copacabana? Ou na nossa Selva de Pedra paulistana? Ou ainda no Nordeste? Em Recife quem sabe? Ou Maceió? E se o meu vizinho, na ardente Teresina, fosse um Darcy?
“E se...?” - essas duas minúsculas palavras, mais especificamente esses dois monossílabos, são a minha resposta!
E se Lizzie tivesse aceitado o primeiro pedido de casamento de Mr. Darcy? Ou se Mr. Bennet tivesse morrido e as mulheres da família Bennet ficassem desamparadas? Ou se eles tivessem habitado a Inglaterra dos anglos, saxões e dos bárbaros? Ou se eu simplesmente quisesse saber como teria sido o casamento de Lizzie e Darcy? Melhor ainda: e se a família de Lizzie não fosse tão carente de posses como a do livro? Ou se eu quisesse ler a estória se passando no faroeste? Ou saber como poderia ter sido a vida dos filhos e netos de Elizabeth e Darcy? Ou se eu quisesse saber que rumo Kitty e Mary tomaram? Ou se George e Lydia foram felizes? Ou como ficou a vida da prática Charlotte com o enfadonho Collins? E o inseguro Bingley e a meiga Jane? E o que terá ocorrido a Miss Caroline Bingley? Qual terá sido a reação de Lady Catarine de Bourg a oficialização do casamento de seu sobrinho? E se Lizzie tivesse se casado com George amando Darcy?
É por isso que leio e escrevo fanfictions. Porque nenhum casal da ficção pode ser comparado ao mais famoso casal austeniano. Porque não importa se ricos ou pobres, se na Inglaterra, no Brasil, ou nos Estados Unidos. Porque não importa o passado ou o presente. O que é bom é ler sobre Lizzie e Darcy. Como, onde? É o de menos. É sempre instigante ler sobre as primeiras impressões. Os desentendimentos. A mágoa represada. As mudanças decorrentes de um forte e verdadeiro amor. Novas chances. Finais felizes. Inimagináveis e incontáveis finais felizes, e alguns não tão felizes assim. É sempre bom ver Jane Austen reiventada. É sempre bom ver adolescentes recém saídas da infância dedicando tempo e esforço para criar belíssimos enredos. É sempre agradável ver nossa Língua Portuguesa sendo bem aproveitada. Meninas, moças, mulheres e senhoras. Casadas, solteiras, separadas, experientes, inocentes. Todas ávidas por romance. Por amor. Por paixão. Unidas por um casal. E depois por várias outros hobbies, características ou gostos em comum. Ou não!
Qual a graça de escrever fanfictions? Volto à pergunta inicial.
E respondo:
Porque eu adoro os “E se(s)”!
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