William e Patricia passaram um mês em Leicestershire, embora tivessem vivido em paz durante este período, superadas as discussões iniciais acerca do comportamento e das calças de montaria de Patricia, não houve nenhum outro desentendimento entre o casal, mas tampouco houve um clima romântico de lua de mel.
William, excluindo a cavalgada matinal que fazia com a esposa, conforme havia prometido, estava ao maior parte do tempo absorvido no trabalho, acompanhando o administrador da propriedade em suas visitas às terras e aos arrendatários, ou então, conferindo os livros de contabilidade e colocando sua correspondência de negócios em dia.
Patricia se ressentia da pouca atenção que ele lhe dispensava, afinal apesar de não ter sido um casamento por amor, ela esperava que o marido lhe fizesse companhia e se dispusesse a se conhecerem melhor neste período que passavam em relativa privacidade. Com sua expectativa frustrada, ela passava seus dias sozinha, fazendo longas caminhadas a pé, visitando arrendatários amigos, cavalgando na sela feminina para não criar conflito com William, lendo e escrevendo cartas para o pai e Meg. Foi, portanto, um grande alívio para ela quando William anunciou que estavam de partida para Pemberley.
Patricia não conhecia a propriedade dos Darcys. A idéia que fazia de Pemberley era através das descrições entusiasmadas de Meg que vivia falando da beleza de tudo, da mansão, dos jardins e parques.
A perspectiva de viver na mesma casa que os sogros não preocupava Patricia, embora ela conhecesse pouco a Sra. Elizabeth Darcy, tinha a impressão de que conseguiria conviver com ela em bons termos, pois só uma mulher generosa poderia ter acolhido e criado Meg como uma verdadeira filha. Já o Sr. Darcy a assustava um pouco, pois ele parecia ser severo, conservador e extremamente autoritário como William.
Quando a carruagem se aproximou da mansão, ela ficou encantada com as linhas elegantes da casa que seria seu lar ali para frente. O casal Darcy, e os filhos Jonathan e Frank, aguardavam William e Patricia na porta principal da casa. Assim que desceram da carruagem, Elizabeth, seguida do Sr. Darcy, se adiantou para receber o casal e disse sorridente para Patricia:
- Bem vinda a Pemberley, Patricia.
- Obrigada, Sra. Darcy.
Em seguida, os demais a saudaram dando-lhe as boas vindas.
O ambiente durante o jantar foi informal e familiar, servido numa sala pequena, imperando um ambiente cordial e festivo, pois todos se mostravam felizes com a chegada do casal. William, apesar de ser o mais calado à mesa, estava com o semblante relaxado e apreciando imensamente aquela refeição em família.
Todo o temor de Elizabeth em relação à convivência com a nora que todos diziam ser caprichosa, mimada e insuportável, se dissipou em pouco tempo. Logo na manhã seguinte a chegada do casal, quando ela apanhava seu chapéu e se preparava para seu passeio habitual pelo parque, Patricia se aproximou dizendo num tom amigável:
- Posso fazer-lhe companhia no passeio, Sra. Elizabeth?
- Claro, Patricia, será um prazer.
A partir deste dia, as duas mulheres passaram a caminhar juntas todos os dias. Patricia conversava animadamente com a sogra, sem censura alguma, naquele seu jeito extrovertido e alegre. Arrancava boas risadas de Lizzy com suas observações bem humoradas sobre pessoas, fatos e coisas. E logo, Lizzy convidou-a a acompanhá-la nas visitas aos pobres da região levando lhes mantimentos e remédios. Patricia, logo se tornou querida pela gente humilde que visitavam, pois entrava nas casas sem constrangimento algum, conversava com eles com simpatia, dando-lhes atenção e se precisasse até cuidava dos doentes, e tornou-se a grande favorita das crianças para quem levava doces e com quem brincava.
- Nunca pensei que você gostasse tanto de crianças, Patricia. Você tem tanto jeito de lidar com elas que elas também gostam imediatamente de você.
- Eu adoro crianças, espero ter uma porção de filhos.
- Será maravilhoso ter novamente crianças em Pemberley.
A cada dia Patricia surpreendia Lizzy, ela jamais esperara que sob a capa de frívola, mimada e caprichosa existisse na verdade uma criatura generosa, meiga, espontânea, extrovertida e alegre. Lizzy concluiu que os comentários que faziam dela na sociedade eram totalmente infundados, certamente fruto da maldade de pessoas invejosas.
As duas mulheres passavam praticamente o dia juntas, tornando-se inseparáveis, visto que tanto o Sr. Darcy quanto William estavam sempre ocupados com os trabalhos da propriedade.
Lizzy que desde o casamento das filhas Meg e Tory ficara sem companhia feminina em Pemberley se sentiu presenteada com a companhia que Patricia lhe fazia. Era a mais grata das surpresas que ela poderia ter.
Patricia, por sua vez, estava feliz adorando ter a companhia da sogra, gostava do senso de humor, das observações inteligentes e da serenidade que Elizabeth Darcy lhe passava.
Quanto ao Sr. Darcy, que como William tinha sérias restrições ao comportamento liberal de Patricia, ao conviver com ela no dia a dia e vendo a florescente amizade entre ela e sua Lizzy mudou sua opinião a respeito da nora, começando a vê-la com outros olhos. Passou a lhe dar mais atenção e a conversar com ela, gostava de ouvir as observações inteligentes que fazia e a franqueza com que expunha suas idéias.
Lizzy que era muito observadora já percebera que o relacionamento entre o filho e a nora não ia bem. Ela não aprovava a forma como William tratava a esposa, embora a união deles não tivesse sido por amor, Lizzy achava o filho deveria ser mais atencioso e cortês para com a esposa e não comportar-se de modo à praticamente ignorá-la.
Um dia não se contendo mais chamou o filho para uma conversa a sós com ele.
- William, venho observando o tratamento que você dispensa a sua esposa e não estou gostando da frieza e indiferença que dispensa a ela.
- Foi ela que pediu para a senhora falar comigo a este respeito? – perguntou William mal contendo a fúria.
- Não, não foi. Ela nunca abriu a boca para falar sobre você. A iniciativa é toda minha, pois não considero certo um marido tratar a esposa da forma como você a vem tratando.
- A senhora sabe perfeitamente que fui coagido a me casar com ela. Não espere, portanto, que eu esteja morrendo de amores por ela.
- Sei que o casamento de vocês não foi por amor, e nem espero que você esteja morrendo de amores por ela, mas isso não o impede de ser pelo menos um marido atencioso e amável. Só o vejo falando com ela o estritamente necessário, embora ela se esforce em conversar com você de forma afável.
- Minha mãe, a senhora me conhece há 28 anos e sabe como sou calado, que não sou de muita conversa.
- Não se faça de desentendido, William Darcy. Você sabe perfeitamente do que estou falando, um homem não precisa ser falante, mas deve dar-lhe atenção, ser amável, fazer-lhe companhia, neste tempo todo que estão aqui não o vi uma única vez convidar sua mulher para um passeio pelo parque. Se não está em minha companhia, ela está sozinha. Ela deve estar se sentindo negligenciada por você, eu se estivesse no lugar dela estaria muito aborrecida.
- Não seja tão dramática, minha mãe. O que ela esperava forçando-me a este casamento, que teria um marido preocupado em agradá-la, paparicá-la e mimá-la como o pai dela costuma fazer.
- As circunstâncias de seu casamento devem ser esquecidas agora que ele já é um fato consumado e irremediável. Gostaria que você tratasse de viver em bons termos com ela, ela tem muitas virtudes e se tornaria uma excelente esposa se você fosse um marido mais atencioso. Vocês têm tudo para ser um casal harmonioso e feliz.
- Vejo que ela a conquistou, aliás, uma tática sagaz conquistar a mãe para ganhar o coração do filho. Só que comigo este expediente não funciona.
- William, você consegue ser mais teimoso que o seu pai, mas se eu consegui dobrar seu pai, certamente Patricia conseguirá dobrá-lo?
- Não se esqueça de que existe apenas uma Elizabeth Bennet!
William saiu rindo da sala e deixando Lizzy com um sorriso nos lábios apesar da gravidade do problema que ela não conseguira solucionar.
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Um dia quando Lizzy e Patricia saiam para o passeio matinal cruzaram com o Sr. Darcy no hall e este se dirigindo especialmente à esposa disse:
- O dia está frio e ameaçando chover, não estendam o passeio para muito longe, Lizzy. – ele depositou um beijo na testa da esposa olhando com olhos cheios de amor.
Após algum tempo de caminhada, Patricia dirigiu a Lizzy dizendo:
- O Sr. Darcy a trata com tanto carinho, parece apaixonado pela senhora até hoje. Meg, sempre me falou que o casamento dos senhores era perfeito. Há um tempo ela me contou a estória de como se conheceram, como tiveram que vencer a barreira do orgulho e preconceito para se unirem.
- É verdade, Patricia, meu marido me deu a maior prova que uma mulher possa ter de que é realmente amada, pois ele foi contra tudo e contra todos, inclusive contra ele mesmo para provar que me amava.
- Eu gostaria de viver um grande amor assim. Deve ser reconfortante saber que o homem que está ao nosso lado nos ama de verdade. Estou falando isto porque a senhora sabe que o meu casamento e de William, não foi por amor. E hoje eu me arrependo por tê-lo forçado a se casar comigo, sinto que ele não é feliz comigo e sei que nunca chegaremos a ter um sentimento recíproco de amor como a senhora e seu marido, como Meg e Richard.
- Patricia, já que você está abrindo seu coração comigo, posso te fazer uma pergunta? Por que você casou com meu filho?
- Eu o obriguei a assumir o compromisso comigo por puro capricho. William sempre me incomodou pelo fato de nunca ter demonstrado o menor interesse por mim, meu orgulho não podia aceitar que enquanto todos me adulavam ele fosse o único que parecia me desprezar. Quando ficamos noivos pensei que iria finalmente dobrá-lo a minha vontade, mas eu me enganei, ele permaneceu irredutível.
- O que você sente por ele?
- Não sei, Sra. Elizabeth. Há momentos em que penso que gosto dele, em outros fico tão enfurecida com seus modos rudes e autoritários que acho que o odeio.
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O que Lizzy e todos da família ignoravam era que o relacionamento entre William e Patricia estava bem longe da frieza, reserva e indiferença que William representava durante o dia. Toda noite com a desculpa de que precisava produzir um herdeiro, ele se dirigia ao quarto da esposa e lá dava vazão à volúpia que sentia por ela desde os tempos do noivado.
Na privacidade acolhedora do quarto de Patricia entre gemidos e sussurros, seus corpos se saciavam para depois se entregarem exaustos e entrelaçados ao sono e não raramente voltavam a se amar no silêncio da madrugada, sem palavras, sem promessas, sem juras de amor.
Quando amanhecia a magia da noite se evaporava, como a bruma que é dissipada pelos raios do sol, o amante se transformava no cavalheiro frio e distante e a dama ficava pensando que tudo que havia vivido não seria apenas um sonho.
A união dos corpos que para William não deveria ter nenhuma conotação emocional, porém estava fugindo de seu controle porque ele se flagrava durante o dia, em meio ao seu trabalho e nas horas mais impróprias, pensando na esposa, não apenas em seu corpo macio de onde extraia seu prazer, mas em seu senso de humor, no seu riso fácil e franco e principalmente naqueles olhos azuis que pareciam olhá-lo com um pedido cujo significado ele não conseguia ou não queria entender.
Patricia, por sua vez, descobrira um mundo novo com sua sensualidade recém descoberta, era bom se sentir mulher nos braços fortes do marido, ser abraçada, acariciada por aquelas mãos poderosas que ao mesmo tempo sabiam ser tão ternas e que a levaram a conhecer sensações até então desconhecidas. Ela aguardava todos os dias com renovada ansiedade a chegada da noite e de seu marido que deixava lá fora aquele olhar frio e severo para se transformar no mais ardoroso dos amantes.
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