|
O casamento de William Darcy e Lady Patricia Davenport se realizou na igreja de São Jorge, situada em Hanover Square, no bairro de Mayfair em Londres, onde habitualmente eram realizados as cerimônias de casamento dos membros da nobreza inglêsa.
~~~~
Gravuras do exterior e interior da igreja.

~~~~
Como era desejo do duque foi um casamento grandioso, com a presença em peso da aristocracia e membros da família real. Sendo considerado o grande acontecimento social daquele ano, demonstrando claramente o prestígio e poder do duque de Wycliff.
Lady Patricia entrou pela nave central da igreja fartamente iluminada e decorada com flores brancas conduzida pelo seu altivo pai que emocionado não escondia o orgulho de estar casando a bela filha. A noiva num vestido branco de finíssima renda e um véu diáfano preso aos seus cabelos escuros parecia uma princesa pelo porte e elegância.
William Darcy, em meio aos seus conflitos pessoais, parecia estar vivendo um pesadelo, não conseguia acreditar que aquele era o dia de seu casamento, com uma mulher que ele não escolhera, fugindo completamente aos padrões de esposa que ele sempre idealizara, numa cerimônia suntuosa na igreja onde a aristocracia inglesa se casava, quando ele sempre se imaginara casando-se numa cerimônia singela na pequena igrejinha de Lambton, perto de sua amada Pemberley, em Derbyshire.
Após a cerimônia uma requintada recepção foi oferecida na Wycliff House, residência do duque. A cerimônia de casamento havia sido realizada pela manhã, conforme era costume na época e a recepção logo a seguir era conhecida como “wedding breakfast”.
Antes do meio dia os noivos se prepararam para partir para a viagem de núpcias. O duque de Wycliff, após abraçar e beijar emocionado a filha, voltou-se para William e disse:
- William, meu filho, agora eu posso chamá-lo assim. Faça minha menina feliz, ela é o maior tesouro que Deus pôs em minhas mãos e agora eu a passo para as tuas, cuide bem dela.
Constrangido com estas palavras emocionadas, William que não sabia que resposta dar às palavras tão emocionadas e nem como se comportar diante de reações tão emotivas, inclinou-se numa reverência formal ao duque e entrou na carruagem onde Patricia já estava acomodada, aguardando-o.
A lua de mel seria em Holbury Hall, em Leicestershire, na propriedade que Patricia trouxera com seu dote. Lá, os recém-casados teriam a privacidade necessária para iniciarem a sua vida de casados, e William aproveitaria para conhecer a propriedade que teria de administrar dali para frente e que faria parte do patrimônio dos filhos de ambos.
A viagem era longa e teriam que pousar uma noite na metade do caminho em uma hospedaria à margem da estrada em Bedfordshire, até chegarem à propriedade de Holbury Hall.
William estava apreensivo com a longa viagem, ter que ficar praticamente dois longos dias no interior de uma carruagem a sós com sua esposa não seria uma tarefa fácil. Ele era uma pessoa de natureza reservada que não tinha uma conversa fácil, principalmente com pessoas por quem tinha restrições como sua agora esposa Patricia Darcy.
Patricia muito elegante num traje de viagem azul, falava incessantemente fazendo comentários sobre a cerimônia, os convidados, a recepção, a tristeza de seu pai ao vê-la partir, naquele seu jeito animado e falante. William sentado a sua frente respondia ao tagarelar dela com gestos afirmativos com a cabeça e alguns grunhidos até que por fim ela se irritou e disse:
- Percebo que todo meu esforço em tornar nossa viagem menos cansativa puxando um assunto após o outro está sendo inútil. Aliás, acho que eu estou aborrecendo meu caro esposo que parece bem pouco disposto a me ouvir. Vou me calar e se quiser ouvir minha voz outra vez, o senhor terá que iniciar a conversa.
- Patricia, estou ouvindo seus comentários com atenção, estou calado porque, simplesmente, não tenho nada a acrescentar a eles.
A viagem prosseguiu em silêncio, Patricia ficou um longo tempo olhando a paisagem que se descortinava pela janela a princípio com a fisionomia carrancuda, pois estava irritada com o marido, mas passado algum tempo parecia esquecida da zanga, mas permaneceu calada. William fechou seus olhos procurando cochilar, pois há dias vinha enfrentando noites mal dormidas devidas à ansiedade e preocupação em relação ao casamento.
O principal problema que o afligia no momento era a questão da virgindade de sua esposa. Qual a atitude que deveria tomar, se ele constatasse que ela não era mais virgem? Ele poderia devolver a noiva ao pai com esta alegação, mas o escândalo que resultaria seria de proporções calamitosas, o que William Darcy não queria enfrentar. Ele era avesso a qualquer tipo de publicidade que envolvesse o seu nome, sempre pautara sua vida da forma mais discreta possível e não queria ver seu nome e o de sua família envolvida em escândalos.
Um pouco depois do anoitecer a carruagem chegou à hospedaria em que passariam a noite. Naqueles dias era muito perigoso trafegar pelas estradas quando anoitecia, bandos de assaltantes infestavam as estradas. E também era necessário dar descanso aos cocheiros e aos animais. Além disso, os próprios passageiros precisavam descansar seus corpos doloridos pelo sacolejar incessante da carruagem.
A noite seria passada na hospedaria “Blue Cat” conhecida pela excelente qualidade de seus serviços e comida. Os Darcys quando viajavam de Londres a Derbyshire sempre faziam a parada ali, os proprietários, um casal idoso e gentil que conhecia a família desde os tempos do velho Sr. Darcy, avô de William, dispensava-lhes um tratamento especial.
William havia feito a reserva com antecedência, temeroso de não encontrar aposentos, pois as hospedarias estavam sempre cheias devido ao perigo de trafegar durante a noite pelas estradas. Tão logo chegaram, foram conduzidos à suíte reservada que consistia em dois quartos separados por uma saleta no meio, tudo estava impecavelmente limpo e nas lareiras crepitava um fogo acolhedor.
Logo que se recolheram a seus quartos, os criados da hospedaria trouxeram água quente para o banho e a seguir um substancioso jantar foi servido, na sala privativa. Patricia fiel a sua promessa que não falaria permaneceu calada durante o jantar e de vez enquanto lançava um olhar curioso sobre William que parecia mais silencioso e fechado do que nunca. Quando terminaram a refeição, duas criadas vieram retirar os pratos e travessas, limpar a mesa, antes de se retirarem elas ainda perguntaram se eles desejavam mais alguma coisa e ante a resposta negativa de ambos, retiraram-se desejando-lhes uma boa noite.
William tinha em mente não consumar o casamento na hospedaria, pois considerava o local muito impróprio para a primeira experiência sexual de sua esposa, somado ao problema do cansaço após um dia inteiro de viagem.
- Patricia, estive pensando e você certamente há de concordar comigo, vamos deixar nossa noite de núpcias para quando chegarmos a Holbury Hall porque acho que o quarto de uma hospedaria não é local ideal para uma noiva ter sua primeira experiência marital.
- Pois eu considero o quarto desta hospedaria um lugar tão bom como outro qualquer para começarmos nossa vida de casados.
Diante desta resposta, não restou alternativa a William senão dizer:
- Então se você não faz nenhuma objeção daqui a meia hora estarei em seu quarto, creio que será tempo suficiente para você se preparar.
- Está bem, William.
William foi para seu quarto pensando que era típico de Patricia dar uma resposta tão sem cerimônia, não demonstrando o menor acanhamento, o que seria de se esperar de uma jovem esposa recém-casada. Por outro lado, ele ponderou que quanto antes terminasse com suas dúvidas em relação à virgindade de sua noiva, melhor para ele e para sua paz de espírito.
Patricia se retirou para seu quarto e chamou sua criada de quarto para ajudá-la a retirar o vestido que usara para o jantar e trocá-lo pela camisola da sua noite de núpcias.
A expectativa do que estava por acontecer, fazia com que ela sentisse um frio pelo seu corpo que o calor gerado pelo fogo da lareira não conseguia aquecer. Apesar de estar longe de ser uma criatura tímida, a atitude fria do marido fizeram-na sentir-se rejeitada, pensou que se ele a tivesse tomado nos braços e a beijado, como ela imaginava seria o comportamento normal de um marido recém-casado, ela teria se sentido mais à vontade.
William entrou no quarto vestindo um penhoar sobre o pijama e vendo Patricia sentada na cama recostada em inúmeros travesseiros aproximou-se dela e disse sem maiores preâmbulos:
- Espero que Meg tenha conversado com você sobre o que irá acontecer entre nós.
- Não foi preciso, sei perfeitamente o que irá acontecer entre nós dois esta noite. – estas palavras soaram como uma sentença de morte para William confirmando o que ele temia saber.
- Como? Você já se entregou a outro homem antes?
- Se eu lhe respondesse que sim, o que você faria William Darcy? – um sorriso, que William não conseguiu definir se era sarcástico ou brincalhão, brilhava no rosto de Patricia.
- Patricia, este é um assunto muito sério para você estar fazendo brincadeiras. – William agarrou Patricia pelos ombros levantando-a da cama em sua fúria - Quero que me responda seriamente, você já se entregou a outro homem?
- Gostaria de saber se esta fúria é devida aos ciúmes ou ao orgulho masculino ferido por não ser o primeiro?
- Eu estou perdendo a paciência, Patricia. Responda mulher! – esbravejou William sacudindo-a como se ela fosse uma boneca de pano.
- Solte-me, você está me machucando.
- Não, responda a minha pergunta.
- Pois bem, não me entreguei a homem algum até hoje e agora estou pensando se vale a pena me entregar a você, pois é homem mais rude e sem educação que conheci...
Mas antes que Patricia pudesse concluir seu discurso, os lábios possessivos de William cerraram sua boca, a princípio Patricia tentou se livrar do marido tentando empurrá-lo com os braços, mas as mãos dele seguravam seus braços com tanta força que eles estavam imobilizados.
- Sabe qual é o seu problema, Patricia? Não levar nada a sério. Mas, como seu marido eu vou pô-la na linha, não sou seu pai, nem seu irmão para mimá-la, comigo você vai aprender a se comportar. – a voz arfante e irritada de William soava alta e destacada no silêncio do quarto.
William abaixou Patricia na cama e deitou sobre ela impedindo-a novamente de escapar e voltou a beijá-la. Aos poucos as carícias foram dissolvendo a ira de ambos, a dele de dominá-la e a dela de resistir a ele e se entregaram ao fogo da paixão que os consumia.
A resposta ávida de Patricia aos seus beijos estava deixando William completamente fora si, ela correspondia aos seus beijos e carícias com uma sensualidade que se equiparava a sua, sem o recato e o pudor característicos das jovens recém-casadas.
A rica camisola de cambraia branca finamente bordada foi retirada pelas mãos afoitas do noivo enquanto uma trilha de beijos era distribuída sobre a pela nua, branca e acetinada de Patricia.
A parte racional de William sempre abominara o comportamento escandaloso e liberal de Patricia, mas fisicamente, ele não podia negar que sempre se sentira atraído pela beleza dela. Portanto, ele não estava tendo nenhuma dificuldade de exercer seu dever e direito de marido. O desejo tomava conta dele e a resposta participativa de sua esposa só fazia aumentar o seu ardor. Ele precisou em vários momentos se conter, pois temia machucar a esposa inexperiente com seu ímpeto.
O livro de Medicina ilustrado que Patricia lera escondida na biblioteca de Longward Court, aos 16 anos, não a prepara para tudo que estava acontecendo com ela no leito nupcial, as sensações de prazer despertadas pelas carícias ousadas de William que se espalhavam pelo seu corpo não estavam descritos no livro. Ele se revelava um amante terno e cuidadoso, embora não abrisse a boca para dizer as palavras de carinho que Patricia esperava ouvir. Mesmo a ruptura da barreira de sua virgindade, que ela ouvira várias vezes as criadas comentarem, ser uma experiência dolorosa, foi algo que ela suportou apenas com uma careta de dor, pois a excitação que sentia superava em muito a dor.
Quando tudo terminou, William a abraçou e perguntou:
- Patricia esta experiência deve ter sido dolorosa, mas eu lhe asseguro que da próxima vez não haverá mais dor será mais agradável para você. Desculpe-me se eu a machuquei, mas não há outro jeito. Agora feche os olhos e procure dormir, pois amanhã reiniciaremos nossa viagem muito cedo. Boa noite. – quando ele fez menção de se retirar do leito, mas Patricia passou os braços em volta do pescoço dele detendo-o e disse numa voz melosa e sonolenta que ele achou difícil de resistir:
- William, por favor, não quero ficar sozinha, não vá para seu quarto, durma comigo aqui.
William sentiu, apesar de seu próprio cansaço e sonolência, o peso da sedução que Patricia usava para que todos fizessem sua vontade. Ele precisava ficar atento para não cair nas teias dela e acabar cometendo o mesmo erro e mimá-la como os demais faziam, mas por esta noite faria a vontade dela. Ele tentou se desculpar por estar cedendo aos apelos dela, pensando: “Não há mal algum em fazer-lhe a vontade desta vez, afinal a pobrezinha passou por esta experiência que dizem ser traumática para as mulheres.”
Ele voltou a deitar e envolveu o corpo quente e macio da esposa em seus braços onde ela se aninhou como uma gata. O calor gerado pelos corpos unidos de ambos somado ao cansaço dos acontecimentos do dia levou-os a caírem num sono profundo quase que imediatamente.
Ainda era madrugada quando um criado do Blue Cat bateu à porta dos aposentos dos recém casados, avisando que era hora de levantar, tinham que sair antes do sol levantar para conseguirem chegar a Holbury Hall naquele mesmo dia.
Um sonolento William respondeu com um grunhido ao criado e por alguns minutos permaneceu deitado de olhos fechados na escuridão do quarto, sonolento sem saber onde se encontrava, entretanto ao sentir o calor do corpo feminino junto ao seu imediatamente lembrou-se da noite anterior. Patricia dormia serenamente, os cabelos escuros soltos caindo em ondas pelos ombros nus, as faces ligeiramente coradas pelo calor. William não resistiu e depositou um leve beijo nos lábios de sua esposa e precisou de toda sua força de vontade para levantar da cama e se preparar para a viagem daquele dia.
|