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Ter uma boa renda é a melhor receita para a felicidade de que já ouvi falar. (Jane Austen)

Atração dos opostos - Capítulo 12

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Capítulo 12


Meg decidira começar sua campanha de aproximar os dois primos tentando catequizar primeiro a prima, pois achava que teria maior facilidade de diálogo com ela, apesar de Patricia ser rebelde, ela tinha um lado sentimental que Meg poderia explorar para aproximar os dois briguentos. Já William, que ela conhecia muito bem, era mais difícil de convencer, pois na maioria das vezes ele era irredutível em suas opiniões.

 

Numa tarde em que ela e a prima passeavam com a pequena Laura pelos jardins de Lindsey Park, ela introduziu, ao acaso, o tópico na conversação.

 

- Patricia, há alguns dias tenho vontade de conversar com você sobre seu noivado com William. Você não acha que seria bom que vocês dois fizessem um esforço mútuo e começassem a se entender, procurassem viver em paz. Como será a vida de vocês, se continuarem deste jeito? William, apesar de seu jeito fechado, sisudo, é um excelente rapaz, ele é atencioso, carinhoso com aqueles a quem ama. Vocês poderiam viver em harmonia se cada um cedesse um pouco em suas intransigências.

 

- Foi ele que pediu para você falar comigo sobre esse assunto?

 

- Não, não foi. A iniciativa é toda minha. Não quero que duas pessoas que amo, sejam infelizes e do jeito que o relacionamento de vocês está encaminhando o casamento de vocês será um verdadeiro desastre.

 

- Por inteira culpa do Sr. William Darcy, ele me ofende, me critica, me trata com indiferença e você ainda quer que eu procure entendê-lo, ceder e entrar num acordo. A iniciativa da aproximação deve partir dele e não de mim. Em todas as situações, eu sempre fui a parte ofendida.

 

- Quer dizer que se ele tomasse a iniciativa, você concordaria em viver em harmonia com ele?

 

- Desde que ele mudasse muito, que ele deixasse de ser presunçoso, arrogante e orgulhoso. Diria que ele é a pessoa mais intragável que conheço, com aquele jeito de olhar as pessoas como se estivesse sempre encontrando defeitos nelas e criticando.

 

- Mas como você pode pensar em casar com um homem de quem só enxerga defeitos. Será intolerável viver com ele.

 

- Não sei, mas esta conversa, Meg, está me parecendo um esquema montado por vocês para me convencer a desistir do casamento, porque já percebi que os Darcys não estão querendo me ver casada com William. Mas, você está perdendo seu tempo se esta for a sua intenção. Eu não vou desistir deste noivado.

 

- Patricia, não é esta a minha intenção. Não quero, em absoluto, que você desista. Só quero evitar que vocês sejam infelizes juntos. Por isso quero ajudar vocês a se entenderem, a procurarem um caminho de conciliação. Não concordo com a maneira como William vem tratando você, afinal vocês estão oficialmente noivos e ele deveria demonstrar maior consideração por você.

 

- Então, ao invés de conversar comigo você deveria conversar com ele, não acha?

 

- Resolvi conversar primeiro com você porque acho que nós mulheres temos maior poder de persuasão, somos mais maleáveis.

 

- Mais esta, os homens fazem o que bem entendem e nós que somos mais maleáveis temos que ceder, persuadir. Não concordo com isso, quero que o William vá para o inferno! Como se fosse fácil conquistar aquele iceberg ambulante, mais fácil conquistar aquela árvore ali adiante, não estou disposta a gastar meu poder de persuasão com ele.

 

- Pois eu acho que você tem todas as condições de conquistá-lo, é bonita, inteligente, espirituosa. Você só teria a ganhar que conquistasse o coração de William, atrás daquela carapaça de homem durão, ele é amoroso e leal, disposto a fazer felizes aqueles a quem ama. Ele é muito parecido com meu tio Darcy. Você viu como meu tio trata minha tia Lizzy? Após tantos anos de casamento, ele ainda é apaixonado por ela. Se ela lhe pedisse a lua e as estrelas, ele traria para ela. Creio que William será igual quando se apaixonar por alguém. Você não gostaria de ser esta pessoa?

 

- Qual a mulher que não gostaria de ser amada sinceramente por um homem? Mas bem poucas, ou melhor, raras são as que conseguem ter este privilégio. Não penso que terei esta sorte, de mim aproximam-se apenas os crápulas, os interesseiros.

 

- Por que você é tão pessimista assim?

 

- Porque todos os homens que conheci até hoje, só viram apenas o tamanho de meu dote e o poder da influência do meu pai. Eles me vêem como uma mercadoria valiosa, meu valor está no dinheiro que represento e na influência que meu pai poderá exercer em suas vidas, nunca ninguém me enxergou como mulher, como uma pessoa a ser amada e respeitada. Neste ponto, vejo uma qualidade em seu primo, ele é sincero, não esconde que não gosta de mim, não é desprezível como meus outros pretendentes que me adulavam apenas por interesses materiais.

 

- William tem muitas outras qualidades e vocês poderiam formar um casal muito feliz. O problema é que começaram o seu relacionamento de forma errada, mas, ainda está em tempo de consertá-lo. Você tem todas as condições de conquistá-lo, se quiser.

 

-  Meg, eu não vou abaixar minha cabeça e me humilhar para conseguir conquistar um homem que me olha com desprezo, como se eu fosse um verme. Se existe a possibilidade de conciliação entre nós, deve partir dele, se você quer servir de mediadora, tenha esta conversa que está tendo comigo, com ele. Se ele se desculpar de todas as grosserias que me fez, inclusive a de me delatar e delatar os meninos ao Richard, o que me magoou muito. Se ele mudar seu comportamento, posso perdoá-lo e tentar viver em bons termos com ele. É o máximo que posso fazer.

 

*****************************

 

A conversa com Patricia, embora não tivesse tido o resultado esperado por Meg, esta vislumbrou uma pequena luz no final do túnel pelo menos a prima não era totalmente avessa a conciliação com o noivo. Ela percebera que Patricia no fundo sentia algo por William, que ele poderia conquistá-la, mas William estava sufocando este sentimento que ameaçava brotar no coração dela, com seus modos rudes, pouco amistosos e nada cavalheirescos.

 

Meg pensou que não custava nada conversar com o primo, quem sabe não alcançaria seu objetivo de harmonizar estes dois seres. Na mesma tarde, chamou-o em sua sala particular durante à tarde para uma conversa particular.

 

 - Estou precisando conversar com você, William.

 

- Diga, Meg. O que quer?

 

- Conversar com você sobre seu noivado. Você não acha que seria bom se você e Patricia fizessem as pazes e tentassem viver em harmonia, afinal daqui a alguns meses estarão casados, não é possível que continuem deste jeito, ignorando um ao outro ou às turras.

 

- O que você quer que eu faça? Que esqueça as artimanhas daquela víbora, pois ninguém me tira da cabeça que ela montou uma armadilha para me prender neste casamento indesejado? Que faça as pazes com ela e represente o noivo apaixonado? Quando a vontade que tenho é a de vê-la a milhas de distância de mim.

 

- William, acho que você está equivocado, ela não fez isto de caso pensado. Você deve tirar esta idéia da cabeça. Foi a fatalidade que fez vocês se encontrarem aquele dia nas margens do rio. Patricia pode ter seus defeitos, mas ela jamais montaria um esquema maldoso desses.

 

- Meg, você não consegue ver maldade nas pessoas. Mas a questão é que, eu não a suporto e não consigo representar algo que não sinto. Sou um péssimo ator. Richard já me aconselhou a ser cordial e atencioso com ela, mas eu simplesmente não consigo.

 

- Quer dizer que da sua parte não há possibilidade de você fazer as pazes com ela. Você já pensou que vão de casar daqui a algum tempo? Que tipo de vida vocês terão do jeito que se comportam?

 

- Meg, se depender de mim, vamos viver como dois estranhos eternamente, prefiro ignorá-la, não pretendo me reconciliar com ela nunca.

 

- Quer dizer que você pretende viver com ela sem consumar o casamento, vivendo como dois estranhos?

 

- Só vou responder a sua pergunta por que você é minha irmã. É um assunto muito impróprio para nós dois estarmos discutindo. Pode ficar tranqüila que irei consumar o casamento e gerar um herdeiro, pois tenho por obrigação dar um descendente para nossa família, mas aí acabará meu dever. Aí acabará toda a intimidade que terei com aquela mulher.

 

- Pelo amor de Deus, assim viveram os pais de Richard e fizeram dele uma criança miserável. Não, não vou permitir uma coisa destas aconteça na nossa família. William sempre houve muito amor entre nós, você não irá querer que seu filho viva num ambiente em que os pais não se entendem e se odeiam.

 

- Meg, infelizmente, não vejo outra perspectiva para meu casamento com ela.

 

- Você não pode ser tão teimoso assim, William. Prometa-me que irá pensar nesta nossa conversa, que tentará dar uma oportunidade para você e Patricia se entenderem.

 

- Não vou lhe prometer isto, pois de antemão lhe digo que não existe nenhuma possibilidade de entendimento entre eu e ela.

 

Após, esta conversa o desânimo tomou conta de Meg, pois nenhum dos dois noivos estavam dispostos a ceder um milímetro em suas posições radicais.

 

*****************************

 

Numa tarde quando todos os hóspedes estavam reunidos num jogo de críquete, Patricia viu que o noivo estava num grupo rodeado de jovens e conversava com elas alegremente, ao vê-lo distribuir sorrisos e amabilidades para as moças uma profunda irritação tomou conta dela.

 

“Quando ele quer é bem amável e gentil. Como foi que Meg falou? William é atencioso, carinhoso com aqueles que ama. Como não pensei nisto antes? William Darcy, eu vou fazer você se apaixonar por mim, quando você menos esperar estará totalmente perdido de amor por mim. Aí, eu vou lhe dar o desprezo, você estará louco para se casar comigo e então, vou romper nosso noivado e te deixar largado no mundo sem rumo. Você irá implorar para casar comigo e eu vou dizer: NÃO. Como não pensei nisto antes, será uma vingança perfeita para o desprezo com que ele tem me tratado.” – Um meio sorriso aflorou nos lábios de Lady Patricia que continuou observando o noivo e maquinando planos para sua vingança.

 

 

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