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Muitas vezes perdemos a possibilidade de felicidade de tanto nos prepararmos para recebê-la. Por que então não agarrá-la toda de uma vez? (Jane Austen)

Atração dos opostos - Capítulo 10

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Capítulo 10


Na manhã seguinte ao anúncio oficial do noivado, William esperou a noiva terminar o café da manhã, aproximou-se dela e disse-lhe sem maiores preâmbulos.
 

- Lady Patricia, gostaria de ter agora uma conversa em particular com a senhora. Poderíamos passear pelos jardins enquanto conversamos, se a senhora concordar?

 

- Sim, concordo desde que o senhor não me insulte, pois seria muito desagradável nós repetirmos o espetáculo que demos há alguns dias atrás.

 

- Aquele episódio não se repetirá. Peço desculpas por minhas palavras rudes, foram resultado de um descontrole emocional.

 

Caminharam pelos jardins de Lindsey Park que eram conhecidos pela sua beleza extraordinária, trabalho de dezena de jardineiros dedicados. Agora no auge do verão a profusão de flores dava um colorido magnífico à belíssima paisagem do jardim. William procurou se afastar da mansão e aparentemente longe do campo de visão dos convidados da casa, pois não queria que ninguém ouvisse o que tinha a dizer à noiva, por ser um assunto extremamente pessoal e eles não tinham necessidade de acrescentar mais um tópico ao falatório geral.

 

- Confesso que estou ansiosa para ouvir o que meu caro noivo tem a me dizer. Vejo que o assunto que o senhor tem a tratar comigo é bastante confidencial, pois procurou um recanto bem isolado do jardim... e bem romântico, também, pois esta fonte com a estátua do cupido atirando flechas é bem sugestiva. Será que o senhor irá me beijar novamente, Sr. Darcy? Para selarmos nosso noivado?

 

William não havia reparado na fonte e na estátua e se amaldiçoou pela escolha de um lugar tão impróprio para uma conversa que nada teria de romântica.

 

- Lady Patricia, vejo que levantou com a veia irônica na ponta da língua. Quero conversar com a senhora sobre nosso noivado. Não preciso lhe dizer que ele foi à revelia de minha vontade, mas fui desde pequeno ensinado por meus pais a cumprir meu dever e vou fazê-lo em relação à senhora. Mas, quero em contrapartida que a senhora cumpra o seu.

 

- E o qual seria, em seu entender, meu dever?

 

- A de se comportar com uma mulher comprometida, com decoro e modéstia. A meu ver é inconcebível que uma mulher comprometida flerte com outros homens, como tenho reparado a senhora vem fazendo. Como uma mulher solteira seus atos diziam respeito apenas a senhora e ao senhor seu pai, agora que estamos noivos os seus atos também dizem respeito a mim, pois o meu nome também estará envolvido.

 

- Sr. Darcy, estou surpresa em saber que o senhor reparou em meus atos, é surpreendente, pois tinha a impressão de que ignorava solenemente a minha presença. Quem o ouve, há de pensar que sou uma verdadeira Messalina (**), não estaria o senhor me dizendo isto, movido pelos ciúmes? Isto seria muito lisonjeiro para mim! Significaria que o senhor está começando a nutrir um sentimento mais profundo por mim.


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(**)Messalina: mulher do imperador romano Cláudio I (10 a.C. – 54 d.C.) famosa pela devassidão, diz-se da mulher lasciva e dissoluta em excesso.
~~~~

 

- Dizem que os ciúmes são uma decorrência do amor. E a senhora sabe perfeitamente que não existe este sentimento na nossa relação. Estou apenas zelando pela minha honra, pelo bom nome de minha família que a senhora em breve usará.

 

- Devo reconhecer que o senhor não é nada lisonjeiro para um noivo, mas pelo menos é sincero e esta é uma virtude louvável, Sr. Darcy. Prometo que daqui para frente vou me comportar como o senhor tão amavelmente me pediu, com decoro. Tentarei ser um modelo de noiva virtuosa e modesta. Bem, agora vamos às questões práticas, para quando vamos marcar nosso casamento? Estamos no mês de julho, creio que outubro seria um bom mês, o senhor não acha?

 

William havia conversado com o pai e este aconselhara o filho para adiar o casamento ao máximo, na esperança de que a noiva movida por algum novo capricho rompesse o noivado.

 

- Esta é uma questão que irei tratar com o senhor seu pai. Eu e ele resolveremos a data mais conveniente.

 

- Sr. Darcy, o senhor irá casar-se comigo e não com meu pai, portanto, eu sou a parte interessada e não ele. A data que eu marcar, ele terá que concordar.

 

- Não é assim que a etiqueta social preconiza. O noivo em comum acordo com o pai da noiva marca a data do casamento. A noiva não tem nada a dizer a respeito.

 

- Pois, eu discordo do senhor e da etiqueta social, acho que a noiva tem muito a dizer a respeito, nós dois como os principais interessados, vamos marcar esta data em comum acordo.

 

 - Não há urgência alguma em realizarmos o casamento ainda este ano, não transpirou nenhum escândalo para que precisemos nos casar urgentemente, de forma que podemos deixar o casamento para o ano que vem.

 

- Pois eu não concordo, quero me casar ainda este ano. O mês de outubro me parece ótimo!

 

- Lady Patricia, eu costumo estar muito ocupado no mês de outubro, é outono, mês de colheitas e preciso estar em Pemberley. Aliás, devo adverti-la que passo grande parte do ano em Derbyshire, onde possuímos a maior parte de nossas terras e a senhora terá que se acostumar a isto quando for minha esposa, pois passaremos grande parte do ano lá. E devo adverti-la também que a vida no campo não terá os encantos da vida a que a senhora está acostumada em Londres.

 

- Está me dizendo tudo isto na esperança de que eu desista do noivado, não é? Pois saiba que perde seu tempo, nada do que disser me fará romper nosso noivado. Creio que outubro próximo será um excelente mês para nosso casamento.

 

- Quero lembrar-lhe, Lady Patricia, que não vou permitir como seu marido, que a senhora me

manipule, como tem feito com o seu pai, seu irmão e seus admiradores. Já lhe disse não posso me ausentar de Derbyshire nesta época do ano. Escolheremos oportunamente a data de nosso casamento! Tenha um bom dia. - William fez um ligeiro aceno com a cabeça, a guisa de cumprimento e se afastou rapidamente, furioso, pois não conseguia trocar duas palavras com a noiva sem se sentir profundamente irritado e antes que outro incidente ocorresse, achou por bem se retirar.

 

Depois desta conversa, William continuou a ignorar a noiva, falava com ela quando estritamente necessário, evitando-lhe a companhia, o que causava estranheza entre os hóspedes que assistiam pasmos a aquele noivado insólito.

 

Lady Patricia ficou pensando como iria se comportar dali para frente quanto às exigências do noivo em mudar seu comportamento. Desde que começara a frequentar a sociedade acostumara-se a ser cercada por inúmeros admiradores, achava-os, via de regra, um bando de tolos ou interesseiros, fascinados por sua beleza ou interessados em seu imenso dote ou ainda em ambos. Neste ponto tinha que reconhecer que William Darcy nunca dera a mínima importância nem a sua beleza e nem ao dote que ela traria com o casamento. Mas ele estava enganado se pensasse que ela iria se submeter a todas suas vontades como um cordeirinho.

 

 

 

 

 

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