Citações

Marienne Dashwood havia nascido para um extraordinário destino. Nascera para descobrir a falsidade de suas opiniões e para contrariar, pela sua conduta, suas máximas favoritas.(Jane Austen)

Atração dos opostos - Capítulo 8

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Capítulo 8

William não conseguiu dormir naquela noite, ficou agitado a noite toda, a maior parte da qual passou andando pelo quarto. Ele tinha vontade de gritar de ódio, e apenas idéias assassinas passavam por sua mente, tais como ir até o quarto de Lady Patrícia e matá-la com suas próprias mãos, esganando-a; afogá-la no lago; jogá-la de um precipício profundo. Ele sentia-se como um rato preso em uma ratoeira, mordera a isca e ficara preso na armadilha montada por Lady Patricia.

 

Rememorou todos os detalhes da conversa que tivera com ela, antes do beijo, e teve certeza de que ela viera, propositalmente, atrás dele naquele lugar ermo, com o único e exclusivo intuito de comprometê-lo e obrigá-lo a assumir um compromisso indesejado. Mas, por que ela escolheria a ele? Sem dúvida, ele era um bom partido, mas, como filha de um duque, ela poderia escolher alguém ainda melhor do que ele, um nobre ou o filho mais velho de um nobre, que herdaria mais tarde o título do pai. Dinheiro era algo fora de questão, os Darcys tinham uma considerável fortuna, mas era pouco comparada a imensa fortuna do duque, e era do conhecimento geral da sociedade que o dote de Lady Patricia era fabuloso, além de imensa quantia em dinheiro, ela traria com o casamento uma rica propriedade que o pai estipulara para ela como parte do dote.

 

Na manhã seguinte, após uma noite de insônia, William estava com os nervos à flor da pele e seu humor estava terrível, a perspectiva do casamento indesejado com uma mulher que jamais escolheria espontaneamente para esposa o corroia por dentro.

 

Após, tomar o café da manhã, que neste dia teve gosto de serragem, ele resolveu que teria que conversar com Lady Patricia, não era possível aceitar seu triste destino sem fazer nada para mudá-lo, ele tentaria uma última cartada para demover a idéia deste noivado maluco da cabeça dela. Conversaria com ela e tentaria convencê-la da insanidade deste compromisso que iriam assumir. Sabia para isso precisava manter a calma e usar a argumentação correta.

 

William ficou à espreita numa das salas da mansão até que conseguiu, finalmente, ver Lady Patricia passeando sozinha no jardim, segurando uma sombrinha que combinava perfeitamente com o belo traje matinal azul que usava, não havia como negar que a mulher era uma aparição de tão linda, mas este detalhe não contava. Neste caso aplicava-se perfeitamente o ditado: Beleza não vai à mesa.

 

William saiu ao jardim, aproximou-se e cumprimentou Lady Patricia, jurando a si mesmo que manteria a calma e procuraria não demonstrar o ódio que estava corroendo suas entranhas.

 

- Bom dia, Lady Patrícia. Preciso ter uma palavra com a senhora.

 

- Oh! Bom dia, Sr. Darcy. Bela manhã, não é mesmo?

 

- Sim, e mais bela seria se a senhora me desobrigasse do compromisso que quer que eu assuma. A senhora sabe melhor do que ninguém que está levando longe demais suas exigências. Foi um simples beijo sem maiores conseqüências.

 

- Pois eu não classifico as suas carícias atrevidas como um simples beijo sem maiores conseqüências.

 

- Tenho certeza que a senhora, com a reputação que tem, deve ter recebido carícias bem mais ousadas que as minhas, de seus inúmeros admiradores.

 

- Sr. Darcy, como se atreve...

 

Lady Patrícia largou sua sombrinha ao chão e partiu sobre William de punhos cerrados esmurrando-o no peito com todas as forças que era capaz de reunir. William que não esperava o ataque desequilibrou-se, mas conseguiu se recompor e tentou aparar com as mãos os golpes furiosos de Patrícia que continuava desferindo socos e pontapés em William, aos gritos.

 

- Você vai engolir o desaforo que me disse William Darcy.

 

Não tardou para que os gritos de Lady Patricia fossem ouvidos por todos que se encontravam por perto. Richard e o Sr. Darcy, vindos de direções opostas do jardim, correram ao local da contenda. Mal entendendo o que acontecia, Richard tratou de segurar a prima pelos braços, separando-a de William, mas a fúria dela era tamanha que os socos e pontapés eram dados a esmo e no processo Richard também recebeu vários golpes, que procurou aparar como pôde. O Sr. Darcy que chegou logo em seguida segurou William que transpirava, arfava e vociferava:

 

- Você é uma desgraçada. Já disse e repito mil vezes, prefiro morrer num duelo com seu pai do que me casar com você.

 

- Você que é desgraçado, com toda esta pose de cavalheiro, não sabe respeitar uma mulher.

 

Neste meio tempo, muitos dos hóspedes e até criados da casa se aproximaram, alertados pelos gritos, curiosos para assistir à briga e incapazes de esconder a curiosidade pelo evento inusitado.

 

Enquanto o Sr. Darcy segurava William firmemente pelo braço e o levava para dentro da casa. Richard segurava a prima impedindo-a de que ela fosse atrás de William para dar continuidade à agressão.

 

- Patricia, basta. – Richard ainda segurando a enfurecida Patricia, dirigiu-se à esposa que assistia a tudo pasma – Meg, venha conosco, por favor. 

 

Os três se encaminharam à sala de visitas que estava vazia naquela hora.

 

- Patrícia, nós já havíamos resolvido tudo ontem. William, já nos assegurou que vai reparar o erro que cometeu. Qual a razão desta briga, hoje? – perguntou Richard não escondendo a irritação que sentia.

 

- Como vocês reagiriam se tivessem sido ofendidos como eu fui. Ele simplesmente me disse que com a reputação que tenho devo ter recebido carícias mais ousadas que o beijo que ele me deu. Quem ele pensa que é para fazer uma acusação destas e me ofender desta forma?  – disse Lady Patricia com os olhos brilhantes de ódio.

 

- William, deve estar transtornado para falar uma coisa dessas, estou atônita com o comportamento dele. – declarou Meg.

 

- Ele não é e nunca foi um cavalheiro, é um brutamontes. Mas se ele pensa que me ofendendo, eu vou desobrigá-lo do compromisso está muito enganado. Agora sim, faço questão de que ele repare o mal que me causou. Vou tornar a vida dele um verdadeiro inferno, ele irá se arrepender do dia em que nasceu.

 

Meg olhou para Richard, fazendo um pequeno gesto com a cabeça para que ele a deixasse a sós com a prima. Ele, compreendeu imediatamente a intenção da esposa e saiu silenciosamente da sala. Meg sentando-se ao lado da prima disse num tom conciliador.

 

- Patrícia, querida, antes de qualquer coisa, eu quero que você entenda que não vou tomar o partido de William, embora ele seja como um irmão para mim. Ele errou, terrivelmente, ao falar com você daquela maneira, realmente não foram palavras de um cavalheiro.

 

- Oh! Até que enfim você reconhece que ele não agiu como um cavalheiro. Pensei que fosse por a culpa de tudo em mim como todos fazem.

 

- Quer que eu converse com ele, ele irá se desculpar com você.

 

- Não há necessidade dele se desculpar, porque não vou desculpá-lo.

 

- E você pretende se casar com ele e viver às turras com ele?

 

- Não se preocupe comigo, Meg. Nem todas as mulheres têm a sorte de ter um marido como o seu. Mas, eu sei me defender e William Darcy não perde por esperar, pois terá que engolir todos os desaforos que me fez e me falou.

 

Pressentindo a inutilidade de tentar uma conciliação com Patrícia naquele momento, Meg desistiu, esperaria por uma oportunidade melhor, em que os ânimos estivessem mais serenos.

 

Enquanto isto, na biblioteca de Lindsey Hall, o Sr. Darcy tentava acalmar um enfurecido William, que andava a passos largos de um lado para outro, passando a mão na cabeça tentando deter os cabelos que lhe caíam pela testa.

 

- Meu pai, eu tenho vontade de matar aquela desgraçada.

 

- William, o que você disse a Lady Patricia para ela se comportar daquela forma histérica? Meu Deus, que escândalo! Que vergonha!

 

- Eu não consegui pregar os olhos esta noite, estou com os nervos em frangalhos. Eu a procurei com o propósito de demovê-la do compromisso que ela quer que eu assuma. Prometi a mim mesmo que manteria a calma ao conversar com ela, mas, aquela mulher tem o poder de me tirar do sério.  Reconheço que fui eu que dei inicio a briga. Disse-lhe que com a reputação que ela tinha devia estar acostumada a carícias até mais ousadas que o beijo que lhe dei.

 

- Meu filho, isto é lá coisa que se diga a uma dama. Não foi à toa que ela o agrediu.

 

- Eu perdi a cabeça, meu pai. Não quero me casar com ela. Eu não vou suportar viver com ela. Tenho a impressão que vou matá-la se me casar com ela.

 

- William faça o que combinamos ontem. Escreva para o duque, peça a mão dela em casamento e você vai procurar adiar este casamento ao máximo que puder. Tenho certeza que ela está fazendo questão deste casamento por puro capricho. Ela é uma mulher volúvel, logo ela se cansará e romperá o noivado, como fez com o noivo anterior.

 

- Será que terei esta sorte, meu pai?

 

- Estou apostando nisso, filho.

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