Citações

Boa vontade com todos, mas não amizade com todos, faz de um homem o que ele deve ser. (Jane Austen)

Atração dos opostos - Capítulo 4

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Capítulo 4

 
A missão de arrumar uma esposa que a princípio parecera tão fácil a William Darcy, estava revelando-se árdua, pois ele não tinha a mínima paciência para frequentar assiduamente as festas da temporada e muito menos flertar e conversar bobagens com jovens praticamente desconhecidas. Seu programa favorito era ficar à noite em sua casa, lendo um bom livro, ou trabalhando nos livros de contabilidade dos negócios de sua família. Quando queria se socializar, gostava de ir ao clube encontrar com velhos amigos ou então, jantar informalmente na casa de Meg, de preferência quando apenas o casal de primos e os filhos estavam na casa.

 

William queria ter a sorte de Richard e encontrar para ele uma esposa como Meg, doce, meiga, amorosa, que colocava o marido e os filhos acima de tudo no mundo. E felizmente Richard soubera reconhecer o valor da esposa e retribuía sendo um marido fiel, atencioso e amoroso, formavam realmente uma família feliz.  William não compartilhava das dúvidas do pai que mesmo após 11 anos de casamento dos condes de Lindsey, não acreditava inteiramente na reabilitação de Richard, do mulherengo e libertino para um marido e pai exemplar. O fato havia se tornado até piada na família.

 

Quanto à Srta. Emily Rutherford, ela se revelara tímida demais, as poucas palavras que William conseguira arrancar da jovem durante o baile, pouco revelaram da jovem prendada que Meg pintara para ele. Ela mal levantava os olhos para ele quando respondia às suas perguntas, corando violentamente a cada resposta, chegando às vezes a gaguejar, houve momentos em que William pensou que fosse desmaiar de tão embaraçada. Ele estava chegando à conclusão que a difícil missão de vencer a barreira da timidez da jovem requeria uma paciência e disposição que ele não possuía.

 

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Numa manhã, alguns dias após o baile, William e Jonathan haviam ido ao alfaiate para prova de roupas que haviam encomendado e caminhavam pela Bond Street quando se encontraram casualmente com a Srta. Emily acompanhada pela mãe, esta última ao ver William era toda sorrisos e cumprimentos.

 

William apresentou seu irmão às duas mulheres, Jonathan e Lady Rutherford imediatamente iniciaram um animado bate-papo sobre o tempo, William admirava a extrema facilidade com que seu irmão mais novo, conversava sobre os assuntos mais banais e sua simpatia, riso fácil e charme conquistavam imediatamente homens e principalmente as mulheres.

 

- Srta. Emily, meu irmão William e minha prima Meg já haviam comentado comigo o encanto de criatura que é a senhorita, mas estou constatando que pessoalmente a senhorita supera todas as expectativas.

 

Emily corou, mas William notou que ao invés de baixar os olhos como fazia com ele, olhou fixamente nos olhos de Jonathan abrindo um sorriso luminoso. Parecia que o irmão havia feito mais uma conquista em poucos minutos, enquanto ele só conseguira embaraçar a moça na noite do baile. "Nunca vou ter o magnetismo que Jonah tem com as mulheres. Ele consegue conquistá-las apenas com o olhar e sempre tem na ponta da língua os elogios que as mulheres gostam de ouvir." - pensou William com um sorriso nos lábios.

 

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Meg nunca conseguira vencer o medo que tinha de cavalgar e desistira a muito tempo de aprender, quando estava em Lindsey Hall, Richard ainda costumava levá-la na garupa junto com ele para longos passeios pelos arredores, mas quando ela estava em Londres  dirigia um cabriolé e passeava na Rotten Row (**) com os filhos pela manhã.

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(**) Rotten Row fica no Hyde Park em Londres

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Em 11 anos de casamento, ela e Richard haviam tido 3 filhos, Mark com 10 anos que já estava estudando no colégio interno em Eton, Daniel com 7, que ainda estavam em casa, iniciando seus estudos com um tutor  e a caçula Laura com 4 anos.

 

- Olhe lá o tio William, mamãe - gritou Daniel apontando para um cavaleiro que se aproximava, a pequena Laura batia palmas de alegria ao ver o tio.

 

Meg parou o cabriolé e William aproximou-se, cumprimentaram-se animadamente e conversavam quando uma amazona se aproximou, era Lady Patricia vestida num belo traje verde de montaria e cavalgando sentada de lado, como era de bom tom as damas cavalgarem.

 

- Bom dia, minha prima. Bom dia, crianças. - cumprimentou Patricia, dando as costas para William, ignorando-o completamente.

 

- Bom dia, Patricia, belo dia para cavalgar, não é mesmo? - comentou Meg com um sorriso, meio constrangida com a falta de educação de Lady Patricia em ignorar a presença de William.

 

- Melhor seria se certas pessoas não estivessem poluindo o ambiente. - declarou Lady Patricia em voz sonora e destacando as palavras para que não houvesse dúvidas a quem ela se referia.

 

- Vou indo embora, Meg, mais tarde passo em sua casa para conversarmos. Até mais, meninos.

 

William fez uma saudação com a cabeça para Meg e as crianças, ignorando igualmente Lady Patricia e se afastou galopando.

 

- Você viu Meg como seu primo não é um cavalheiro, mas ele não perde por esperar, vai se arrepender amargamente pelas grosseirias que faz para mim. Mas mudando de assunto, este ano quero ir passar o verão em Lindsey Hall, papai quer que eu vá para Longward Court para receber os convidados dele, mas você sabe que a maioria deles são idosos,  eu quero conviver com gente jovem da minha idade.

 

- Você sabe que não precisa de convite para ir a Lindsey Hall, Patricia. Será sempre bem vinda.

 

*******************************

 

William costumava ir a casa dos condes de Lindsey quase que diariamente, quando não ia jantar, dava uma passada à tarde para tomar chá com a prima, brincar com os sobrinhos.

 

Um dia aproveitando a ausência de Richard e depois de muito ponderar se devia ou não tocar no assunto, acabou falando.

 

- Meg, aconselho você a tomar cuidado com Lady Patricia.

 

- Cuidado por quê, William?

 

- É desagradável falar nisso, mas se eu não o fizer ninguém mais o fará. Você já deve ter reparado como ela se insinua para o Richard, a forma como olha para ele.

 

- Patricia é assim com todos os homens, William.

 

- Comigo ela não é assim.

 

- Claro, nem poderia ser, vocês não podem nem se ver, brigam como cão e gato.

 

- Nunca fiz nada para despertar esta antipatia dela por mim.

 

- Acho que é porque você não a adula como os demais rapazes.

 

- Mas, Richard também não a adula e no entanto, ela se desmancha por ele.

 

- Já percebi que ela tem uma paixonite por Richard, desde que era menina. Ele tem idade para ser pai dela.

 

- E daí, o tal noivo que ela teve, não era até mais velho que o Richard?

 

- No fundo ela procura chamar a atenção sobre si porque é carente de afeto.

 

- Pelo amor de Deus, só você para pensar bem de uma criatura como Lady Patricia. Como pode ser carente de afeto uma jovem cujo pai e irmão a adoraram e fazem-lhe todas as vontades.

 

- Sabe que já pensei nisso e cheguei a seguinte conclusão, tanto o pai como o irmão criaram-na sem limites e o comportamento dela é de quem está pedindo que lhe imponham limites.

 

- Você é boa demais, Meg, encontra justificativa para todas as pessoas, não consegue pensar mal de ninguém. Mas, abra o olho com ela, pois ela é uma víbora quando menos se esperar ela pode dar o bote.

 

- William, você está enganado, Patricia, no fundo é uma boa moça, se encontrar alguém que a ame verdadeiramente, irá se tornar uma esposa e mãe maravilhosa.

 

- Eu é que não pagaria para ver isto.

 

*******************************

 

Em Pemberley, Lizzy aguardava ansiosa a chegada das correspondências, principalmente as cartas de Meg que contavam pormenorizadamente como William estava se saindo na sua empreitada de conquistar uma noiva. Entretanto, as notícias não agradavam Lizzy, a temporada já estava quase no final e não havia nada de concreto.

 

Lizzy procurava ocultar sua ansiedade de Darcy, pois este achava que William ainda era bastante jovem, podendo esperar mais um ano ou dois, o importante, ele dizia, era que William fizesse uma boa escolha, uma moça de boa índole, prendada e de boa família. Mas, Lizzy era da opinião que o filho deveria encontrar facilmente a noiva, pois para ela, não existia um rapaz solteiro, mais cheio de qualidades que o seu filho William e não entendia porque nas cartas de Meg, esta não fazia menção ao sucesso do filho entre as jovens casadouras.

 

Meg citara a prima de Lord Richard, a Srta. Emily, mas, segundo Meg, a excessiva timidez da jovem estava atrapalhando o desenvolvimento do relacionamento, pois William com seu jeito casmurro não conseguia quebrar a barreira da timidez da jovem.

Meg apresentara outras jovens a William, nenhuma tão bem qualificada como a Srta. Emily, mas William também não se mostrara entusiasmo por nenhuma delas.

 

- Fitzwilliam, nós iremos passar o mês de julho em Lindsey Hall, não é? Como fazem todos os anos, Richard e Meg estão nos convidando.

 

- Lizzy, não poderei me ausentar de Pemberley por um mês inteiro, você poderá ficar lá se quiser, eu vou voltar no meio do mês para verificar como andam as coisas por aqui e retornar para mais uns dias e voltarmos juntos. Meg fica muito aborrecida quando não vou e depois estou louco para ver nossos netos.

 

***********************************

 

A temporada londrina prosseguiu seu ritmo frenético até o final, mas nenhum grande escândalo marcou a temporada deste ano, que chegou calma e serena ao seu final, com muitos noivados oficializados, muitos corações apaixonados e desiludidos  e esperanças guardadas para a próxima temporada.

 

William não ficou noivo, apesar dos esforços de Meg e de muitas jovens e muitas mães de jovens que o consideravam um excelente partido. O próprio William tinha consciência de que não se empenhara o suficiente na difícil arte da conquista de uma noiva, por isso falhara.

 

Ah! Antes que se esqueça, houve sim, um pequeno incidente envolvendo Lady Patricia, um de seus mais ardorosos admiradores, lhe propos casamento, mas teve seu pedido recusado. Após ter afogado suas mágoas a noite inteira em excelente whiskey escocês. O pretendente rejeitado saiu completamente embriagado do clube pela manhã, andando trôpego pelas ruas de Londres até o Hyde Park, onde ajoelhando-se em frente a uma estátua, reiterou sua declaração de amor eterno a sua musa sendo assistido por todos os frequentadores do parque. Estes se encarregaram de espalhar o ocorrido e à tarde não se falava de outro assunto nos salões elegantes de Londres, mais uma vez o nome da bela filha do duque de Wycliff estava associado a um escândalo, porém desta vez de menor calibre.

 

 

 


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