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Todos gostamos de ensinar os outros, embora só possamos transmitir o que não é digno de ser ensinado.(Jane Austen)

Atração dos opostos - Capítulo 1

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 William Darcy era atualmente a maior fonte de preocupação de seus pais Elizabeth e Fitzwilliam Darcy.

 

Ele acabara de completar 28 anos de idade e continuava solteiro e esta era a razão da preocupação dos Darcys que queriam vê-lo casado com uma boa moça e constituindo sua própria família.

 

- William, eu e sua mãe achamos que você precisa começar a pensar em se casar. Comece a procurar uma jovem do seu gosto, que seja bem educada e case-me, meu rapaz.

 

- Está certo, meu pai, vou pensar no assunto. - respondeu William que crescera tendo consciência do papel que lhe cabia como herdeiro de Pemberley e o de levar em frente o legado da família Darcy.

 

William sempre foi, desde que nasceu, uma fonte de alegria para os pais, foi uma criança saudável, bonita, o retrato fiel do pai, a mesma cor de cabelos, olhos, traços aristocráticos, e até no temperamento havia puxado o pai, era reservado, calado, equilibrado, sem grandes rompantes nem de alegria, nem de tristeza, inteligente e extremamente responsável.

 

Assim que terminara seus estudos com louvor na Universidade de Cambridge, a mesma frequentada por seu pai, William voltou a Pemberley e começou a ajudar o pai a administrar as propriedades e negócios da família, ele se saiu tão bem que o Sr. Darcy foi delegando ao filho as tarefas mais árduas, como viagens a propriedades distantes e principalmente cuidar dos interesses da família em Londres, pois nem ele nem a esposa Lizzy gostavam de passar muito tempo lá,  por este motivo, William passava grande parte do ano na capital, embora fizesse constantes viagens a Pemberley.

 

Elizabeth sempre achara William um solitário, preocupava-a o fato de ele ter poucos amigos e diferente de seus dois irmãos menores, Jonathan e Frank, ser pouco inclinado a namoros e aventuras, tão próprias dos rapazes desta idade.

 

O jeito calado e retraído de William parecia afastar as jovens que preferiam os rapazes mais sociáveis e extrovertidos, mas isto parecia não incomodá-lo. Ele sabia muito bem qual era o seu ideal feminino, na hora de se casar escolheria uma mulher que fosse serena, meiga e bondosa, como Meg, sua prima. Pois, embora amasse muito sua irmã Tory, a exuberância dela o incomodava, seu jeito alegre e extrovertido o perturbavam enquanto a serenidade de Meg o acalmava. Era em Meg que se espelharia na hora de procurar uma esposa.

 

As escolhas em Derbyshire eram bastante limitadas. Elizabeth já sondara as jovens da região em idade casadoura e não havia nenhuma que preenchesse os requisitos necessários para se tornar a nova Sra. Darcy. Portanto, a solução seria a "season", a temporada londrina, ali William Darcy teria uma gama enorme de candidatas de todos os tipos para escolher.

 

Mas, o grande problema da temporada londrina eram as festas e bailes, William as odiava, não gostava de socializar com estranhos, de conversar socialmente apenas para preencher o silêncio, não gostava de dançar com estranhas, embora soubesse dançar e dançasse bem, pois quando Meg e Tory eram solteiras, obrigavam-no a dançar com elas em Pemberley para treinarem os intrincados passos da "country dance", ele se submetia à vontade delas e desse jeito aprendera a dançar e sentia até prazer na dança quando conhecia bem seu par.

 

- Fitzwilliam, fico tão nervosa pensando em William nos salões londrinos a procura de uma esposa.

 

- Lizzy, você está parecendo a Sra. Bennet, sua mãe. Agora só falta ir para nosso quarto e ficar o dia todo trancada lá, com ataques nervosos. Pelo amor de Deus, William vai se arrumar sozinho, se não achar uma noiva este ano, achará no ano que vem ou no outro, ele está na idade de se casar, mas não é nenhuma sangria desatada, poderá esperar mais um ano ou dois. Depois, ele é um rapaz bem apessoado, tem fortuna, é inteligente, tem um bom nome, não faltarão jovens ansiosas em se tornar a Sra. William Darcy.

 

- Eu escrevi para Meg que está em Londres nesta época por causa das atividades de Richard no Parlamento, para cuidar de William. 

 

- Lizzy, nosso filho já está bem crescido para precisar que Meg precise pageá-lo, não acha?

 

- Sei lá, Fitzwilliam, queria tanto estar em Londres para ver como ele vai se sair. Se fosse o Jonathan ou mesmo Frank, eu não me preocuparia.

 

- Por falar nisso, este Jonathan está me saindo pior que a encomenda, mais parece filho do Richard do que meu. Ando preocupado com a fama de mulherengo e libertino que ele está adquirindo, da próxima vez que ele vier a Pemberley vou chamar-lhe a atenção.

 

- Ele é apenas um rapaz normal, Fitzwilliam, deixe-o aproveitar a juventude.

 

- Você está querendo dizer com isto que William não é normal?

 

- Não estou dizendo que ele não seja normal, apenas que ele é diferente da maioria dos rapazes de sua idade, ele é reservado, sério, calado, por isso acho que para ele ser feliz no casamento precisaria encontrar uma moça que o compreendesse, que respeitasse a natureza dele, que desse valor a ele do jeito que ele é, sem tentar modificá-lo.

 

- Ele puxou a mim. Se eu encontrei, ele também encontrará, uma Elizabeth Bennet.

 

Lizzy olhou com ternura para aquele homem de cabelos grisalhos que ainda guardava os belos traços da juventude e pensou o quanto ela fora afortunada ao ultrapassar a barreira do orgulho dele e do preconceito dela e unir sua vida a este homem que soubera fazer dela a mais feliz das mulheres.

 

************************

 

O conde de Lindsey acabará de chegar da sessão na Câmara dos Lordes e se juntara à sua esposa Meg para uma xícara de chá na sala íntima que esta ocupava na Lindsey House no aristocrático bairro londrino de Mayfair.

 

- Richard, você se lembra de alguma jovem que poderíamos apresentar a meu primo William? Meus tios acham que chegou a hora dele procurar uma esposa, casar, constituir família e minha tia pediu que apresentassemos a ele algumas jovens de nossas relações.

 

- Meg, meu amor, William está sabendo de todo este esquema que vocês estão montando? Não acha que ele é capaz de encontrar a jovem por si mesmo, sem que precisemos servir de intermediários?

 

- Claro que ele é capaz, mas não custa nada nós facilitarmos a tarefa, apresentando-lhe alguma jovem que combine com ele.

 

- Isto de combinar é algo muito relativo. Veja nós dois quando alguém iria pensar que nós dois iríamos combinar um com outro e no entanto, creio que não existe no mundo um par tão perfeito como nós dois.

 

- Richard, você não respondeu a minha pergunta. A sua família é tão grande, será que não há alguma prima sua em idade de se casar, que possamos apresentar ao William?

 

- Meg, tenho dezenas de primas, nem sei quais são ainda solteiras e em idade para casar. Espera lá... meu tio Sebastian Rutherford que encontrei semana passada no clube, disse que este ano sua filha mais nova... qual o nome dela, mesmo? Não me lembro, vai ser apresentada à sociedade. Serve esta?

 

- Você foi de uma ajuda inestimável. Não sabe sequer o nome da jovem, como vai saber se ela combinará com William. Estou à procura de alguém muito especial, porque William é um rapaz especial.

 

- Se você quer conhecê-la antes de apresentá-la a seu primo, é muito fácil, vamos convidar os meus tios e minha prima para um jantar aqui em casa e você poderá verificar com seus próprios olhos se ela passa pela sua inspeção.

 

Os onze anos de casamento ensinaram a condessa de Lindsey, o desembaraço e a confiança para se tornar uma anfitriã perfeita. Após a conversa com o marido, ela escreveu o convite para o jantar, e  recebendo mais tarde confirmação do convite, providenciou com a governanta todos detalhes necessários para recebê-los dali a três dias.

 

Lord e Lady Rutherford eram tios de Richard por parte de pai, sendo Lord Sebastian Rutherford o irmão mais novo do falecido Conde de Lindsey.

 

Era um casal simpático de meia idade, a filha deles Emily Rutherford, era uma jovem de 18 anos, extremamente tímida, loira de olhos verdes, graciosa e bem feita de corpo, tinha um rosto de feições regulares bastante agradável, mas não era nenhuma beldade, em conversa com Meg, esta conseguiu arrancar da jovem, a duras penas, que ela era muito prendada, tocava piano e harpa, falava francês, desenhava. Meg ficou muito satisfeita com a jovem e viu boas perspectivas para a jovem se tornar a futura Sra. Darcy.

 

- Richard, sua prima Emily parece talhada para ser esposa de William, tenho quase certeza de que ele irá se apaixonar por ela.

 

- Pois eu não teria tanta certeza, Meg. Emily me pareceu muito tímida, calada. Diria até meio parecida com William que é calado também, eu me pergunto como eles irão se entender, fechados cada qual dentro de sua concha.

 

- Você está querendo me dizer que devo apresentar a William uma destas jovens espevitadas, que faltam se atirar em cima dos rapazes? Tenho certeza que William não gosta deste tipo de jovem.

 

- Meg, estou admirado como você tomou a pulso a missão de casar o pobre William, deste jeito antes do final da temporada ele estará noivo. Imagino o que você não fará quando chegar a vez de nossos filhos!  Desconhecia estas suas habilidades casamenteiras.

 

- Estou apenas atendendo um pedido feito por minha tia Lizzy, você sabe que o que eu puder fazer para ajudá-la eu farei. Você sabe que eu sempre zelo pela felicidade daqueles que amo.

 

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