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Imagino quem primeiro descobriu a eficácia da poesia em afastar o amor! (Jane Austen)

A Estória de Meg Wickham - Capítulo 1

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altMeg Wickham era fruto do desastrado casamento de Lydia Bennet e George Wickham.


Ela nascera em Newcastle, no norte da Inglaterra, onde seu pai servia na época, como militar, transferido que fora após fugir com Lydia Bennet de seu regimento em Brighton.


Meg era um bebê de 9 meses de idade quando seus pais praticamente a abandonaram na hospedaria de Lambton, deixando uma carta para que sua tia Elizabeth Darcy a acolhesse. O principal motivo deste abandono era muito fútil, sua mãe queria se ver livre da filha que a impediria de aproveitar a vida social que teria em Bath, onde seu marido havia sido transferido.


A Sra. Darcy acolheu a sobrinha com todo amor e carinho, contrariando a vontade do marido, que temia que mais tarde George Wickham usasse a afeição de Elizabeth pela menina para fazer chantagem.


Primeiramente, Darcy quis devolver a criança para seus pais em Bath, ante a negativa da esposa para esta solução, sugeriu mandá-la para os avós maternos, ao que Elizabeth também discordou alegando que sua mãe e irmãs solteiras, não seriam capazes de cuidar da menina subnutrida e mal cuidada que a mãe negligenciara, preocupada apenas com seus próprios divertimentos.


Darcy acabou cedendo aos apelos da esposa e a pequena Meg permaneceu em Pemberley. Aos poucos, ela conquistou o coração do tio. Quando dez meses depois, Lydia veio buscar a filha, acabou sendo convencida pela Sra. Bennet, que se encontrava em Pemberley, por causa do nascimento do primeiro filho dos Darcys, a deixar Meg aos cuidados de Elizabeth.


Ela foi criada pelos tios que sempre a consideraram como uma filha.


Meg contava dois anos de idade, quando nasceu sua prima Victoria, em seguida vieram no intervalo de mais ou menos dois anos cada, William, Jonathan e por último Frank.


Meg adorava sua tia Lizzy, considerava seus primos como irmãos e era considerada por eles como a irmã mais velha. Por seu tio Fitzwilliam tinha uma admiração e amor especial. Ele era o homem perfeito, imaginava que se um dia se casasse teria que ser com alguém como ele, gentil, amoroso e seu casamento seria como o dos tios, um amor verdadeiro que transparecia nas mínimas atitudes de ambos.


Meg era loira, com profundos olhos azuis, a pele muito clara, mas o que chamava a atenção nela mais que sua beleza, era seu caráter e a personalidade, meiga, tranquila, tinha uma paciência infinita com todos, era incapaz de pensar ou dizer uma maldade de alguém. Lizzy sempre pensava que Meg parecia ser filha de sua irmã Jane e não de Lydia.


Criada no campo, adorava Pemberley, que para ela era sinônimo do paraíso, gostava da belíssima mansão, com seus salões cheios de antiguidades da família Darcy, adorava o parque e os bosques, onde desde pequena acompanhava sua tia nos passeios de todas as manhãs e quando o tempo estava bom adorava fazer picnics nos arredores com os primos e os tios.


Era uma menina simples que não gostava da sofisticação de Londres. Era uma tortura para ela quando os tios resolviam passar uma temporada na casa da capital e ela os acompanhava. A única coisa que gostava de Londres era visitar sua tia Georgiana, que embora não fosse sua tia de verdade, a considerava como sobrinha e a tratava como se ela fosse filha do irmão Fitzwilliam.


Aos 15 anos, Meg Wickham se apaixonou perdidamente por Lord Richard Rutherford, o filho mais velho e herdeiro do conde de Lindsey, ele viera a Pemberley para a temporada de caça, acompanhado dos pais que eram velhos amigos da família Darcy.


Lord Richard Rutherford era o sonho de todas jovens, alto, corpo atlético, cabelos castanho escuros, olhos azuis, as feições aristocráticas perfeitas, muito bem educado, um verdadeiro cavalheiro. Até as mulheres muito mais velhas que o jovem Richard de 22 anos, suspiravam por ele e Meg Wickham engrossava esta lista, admirando-o de longe, quando ele cavalgava com extrema elegância pelos parques de Pemberley, dançava e flertava com as jovens hóspedes, que se derretiam ante o charme e a beleza do futuro conde.


Meg tinha consciência que seu amor era impossível, pois embora vivesse como uma aristocrata, graças a generosidade de seus tios, ela sabia que era de origem humilde, seus pais eram pobres e para piorar a situação seu pai George Wickham deixara em todas as cidades onde vivera como militar uma péssima reputação, um rastro de dívida de jogos e conquistas amorosas. Meg sabia que jamais poderia aspirar nada em relação a Lord Richard Rutherford.


Elizabeth sempre muito perspicaz e observadora, percebera desde o início a fascinação que o jovem Lord exercia sobre sua sobrinha, várias vezes ela flagrara o olhar sonhador da jovem acompanhando o belo rapaz por onde ele andasse.


No início, achando que era apenas uma paixão de adolescente, não deu importância ao fato, mas vendo que no ano seguinte quando Richard Rutherford voltara a Pemberley, o mesmo comportamento se repetia, Elizabeth começou a ficar preocupada, numa tarde em que as duas mulheres bordavam na sala privativa de Elizabeth, ela resolveu tocar no assunto com a sobrinha.


- Meg, você está com dezesseis anos daqui a algum tempo já estará na época de se casar, como imagina seu futuro esposo?


- Como o tio Fitzwilliam é com a senhora, minha tia, gentil, amoroso, apaixonado, quero ser feliz como a senhora é com meu tio, por isso só me casarei por amor.


- E você ama alguém?


Meg ficou um longo tempo calada, como que ponderando se devia ou não contar algo tão íntimo e pessoal para a tia, um segredo guardado a sete chaves até aquele momento. Ou se mentiria para ela, coisa que até aquela data nunca fizera.


- Tia Lizzy, eu... eu amo uma pessoa sim.


- E posso saber quem é?


- Lord Richard Rutherford.


- Meg, meu amor. Ele é um rapaz belíssimo, educado, qualquer mulher se apaixona facilmente por um homem como ele. Mas posso te dar um conselho? Tire-o de seus pensamentos e coração, ele é o herdeiro do conde de Lindsey, um homem muito rico e poderoso, quando chegar à época dele se casar, escolherá ou escolherão para ele uma jovem herdeira da nobreza. Pode ser que esta moça não tenha nem a metade das qualidades que você possue, e certamente não possuirá o seu espírito caridoso e seu coração amoroso, mas infelizmente, é assim que funciona no meio destes aristocratas. O que importa é a fortuna e a linhagem da família da noiva. Normalmente para eles um casamento por amor está fora de questão.


- Eu sei disso, minha tia. Sei que Lord Richard está destinado para uma moça de nível muito elevado. Embora seja sempre muito educado quando se dirige a mim, ele mal sabe que eu existo. Sei que é um amor sem esperanças, mas como faço para tirá-lo dos meus pensamentos e de meu coração, como a senhora diz, quando não consigo parar de pensar nele e de amá-lo?


Lizzy sentiu o coração se partir ante o olhar cheio de desesperança da sobrinha, ela a amava como uma filha e não queria como mãe vê-la tão jovem sofrendo tanto. Procurou consolá-la dizendo:


- Dê tempo ao tempo, procure ocupar sua cabeça com outros assuntos, quando menos esperar um dia aparecerá alguém muito especial que você amará e irá achar graça por um dia ter sentido esta paixão por Lord Richard.


Meg sorriu para a tia, pensando que infelizmente sua tia estava enganada, por nada deste mundo deixaria de amar Lord Richard.


Apesar de seu ar calmo e sereno, Meg era obstinada e sabia que havia entregue seu coração a ele para sempre e não haveria nele lugar para mais ninguém.

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