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Metade do mundo não consegue compreender os prazeres da outra metade.(Jane Austen)

A estória de Meg Wickham - Epílogo

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5 anos depois.

 

O conde Lindsey voltava do passeio a cavalo com seu filho Mark de 4 anos. O pequeno ia sentado na sela na frente do pai, preso a uma espécie de cadeira de couro que o próprio conde desenhara e mandara o seleiro fazer. Esta cadeira era presa a cintura de Richard por um cinto, assim ele podia cavalgar com o filho em segurança. 

 

- Mais, papai, quero passear, mais.

 

- Por hoje chega, está muito frio e sua mãe vai ficar brava comigo se você se resfriar. Depois, seus avós e tios estão para chegar.

 

Quando Meg viu através da janela, o cavalo de Richard se aproximar da casa, suspirou de alívio, embora tivesse plena confiança nas habilidades do marido como cavaleiro, sempre ficava preocupada pelo filho e só sossegava quando os via de volta.

 

- Danny, veja lá o papai e o Mark chegando, quando estiver menos frio o papai vai levar você também. - Meg segurava no colo o segundo filho, Daniel, um bebê de um ano de idade que dava gritinhos de alegria ao avistar o pai, o irmão e a montaria.

 

Nestes cinco anos de casamento, nem tudo foram flores no casamento de Meg e Richard, pois ela teve que conviver e lidar com a carência e inseguranças afetivas do marido, pois, dentro daquele homem alto, forte e másculo, vivia um menino que sofrera a pior das rejeições para uma criança, o sentimento de não ser amado pelos próprios pais. Meg compreendia que a possessividade, por vezes sufocante do marido, nada mais era que o medo de perder a única criatura que ele acreditava o amava.

 

Mas, para Meg tudo era compensado pelo imenso amor que Richard dedicava a ela e aos filhos. Era um marido e pai amoroso, tratava Meg com o maior carinho, parecia que o amor que sentia e demonstrava ter por ela só fazia crescer. Com os filhos tinha uma paciência infinita, para espanto de todos, ele brincava, passeava e fazia questão de conviver várias horas do dia com os filhos, levando-os a passear com ele na garupa do cavalo, lendo estórias e nos dias de chuva brincando com eles pela imensa mansão como se fosse ele próprio uma criança também.

 

As crianças da nobreza inglesa eram, via de regra, criadas no terceiro andar das mansões e palácios, na "nursery", pelas babás quando pequenas e mais tarde educadas pelos tutores, até irem para uma escola formal, não sendo permitida a sua presença nos andares inferiores que os adultos habitavam. Mas Richard quebrou esta regra em Lindsey Hall, quando Mark nasceu, ele mandou preparar o quarto vizinho ao que ele e Meg ocupavam para o filho recém-nascido para que o bebê pudessem ficar perto dos pais nos primeiros meses de vida e ser assistido por eles. Só depois de mais crescido, ele passou a ocupar os aposentos preparados para ele na "nursery", mas o menino sempre teve livre acesso a todos os cômodos da casa.

 

Lady Anne vivia em sua casa na área do Lindsey Park, mas passava grande parte do tempo em Londres, onde tinha inúmeras amigas e frequentava a sociedade. Quando se encontrava em sua casa em Lindsey Park, vinha regularmente visitar o filho, a nora e os netos, mas ela não era uma típica avó amorosa, gostava de ver as crianças por alguns minutos, mas Meg percebia que logo a presença barulhenta das crianças a irritava, por isso passado algum tempo pedia à babá que retirasse as crianças da presença da avó.

 

Era véspera de Natal em Lindsey Hall, a neve tingia de branco os belos jardins e parques, dando uma nota melancólica à paisagem, mas dentro da imensa mansão não havia lugar para tristeza. Este ano a casa estava cheia de convidados que vieram passar as festas de final de ano com os condes de Lindsey.

 

Os Darcys acompanhados dos três filhos, jovens e solteiros, William, Jonathan e Frank, a filha Tory e o marido Lord Dorsey, com a filhinha deles de 2 anos, Marjorie. Os Bingleys, com seus três filhos também solteiros e este ano havia a presença especial de Lydia que se casara novamente e trouxera o marido para apresentar à filha. O Sr. Joseph Moore era comerciante em Newcastle, um homem que em nada lembrava o falecido Jorge Wickham, aparentava ter uns 50 anos, parecia ser um homem sério e responsável, tinha um ar bondoso, era calado e parecia amar profundamente a esposa. Meg gostou muito do padrasto e fazia sinceros votos que desta vez a mãe encontrasse a felicidade no casamento.

 

O relacionamento entre o Sr. Darcy e Richard continuava conflituoso, apesar do esforço das respectivas esposas para aparar as arestas.

 

Embora Richard fizesse jus à máxima que dizia que "os libertinos reformados tornavam-se os melhores maridos", o Sr. Darcy não punha nenhuma fé nesta máxima e mantinha o genro em severa vigilância.

 

O Sr. Darcy, através de seu cunhado James, marido de Georgiana, mantinha-se informado de todos os passos do genro quando este se encontrava em Londres, pois James e Richard frequentavam o mesmo clube londrino e tinham um círculo de amigos em comum. Quando soube do esquema montado pelo sogro para vigiá-lo, Richard ficou furioso, pois considerava isto uma falta de confiança na palavra que ele lhe dera, entretanto, em consideração a Meg e a Sra. Darcy, a quem amava e admirava, ele engoliu o desaforo e a intromissão.

 

- Fico pensando quando meu tio e Richard vão se entender. Tem horas que penso que eles vão se engalfinhar, fico aflita quando vejo o jogo de indiretas e farpas entre eles. Queria tanto que eles se entendessem.

 

- Acho melhor nos acostumarmos com este antagonismo, pois já percebi que ambos até se gostam, se admiram, mas não querem dar o braço a torcer um ao outro.

 

- Mas, minha tia, porque viverem deste modo sem necessidade, quando podiam conviver em harmonia.

 

- Nós, mulheres, jamais entenderemos o que se passa na cabeça dos homens e vice-versa, habitamos mundos diferentes. Ambos são dominantes e disputam território, como no mundo animal.

 

O Sr. Darcy amava verdadeiramente os três netos, os dois filhos de Meg e a filha de Tory, dizia a todos não ter preferência por nenhum deles, mas na realidade ele não escondia que tinha uma ligeira preferência por Mark, talvez por ter sido o primogênito dos netos. Gostava de levá-lo na garupa do seu cavalo quando ia visitar as terras de Pemberley e se gabava que a segunda palavra que o garoto pronunciara, depois de chamar a mãe "mama", foi "bobô Da". E ele fazia questão de contar e recontar isso na frente do genro que ficava mortificado, mas não tinha como contradizê-lo, pois toda a família fora testemunha destas palavras ditas pelo menino quando avistara o avô e correra em sua direção, atirando-se em seus braços, não deixando dúvidas a ninguém a quem se referia.

 

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